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É a sua uma fé viva?A Sentinela — 1978 | 15 de fevereiro
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É a sua uma fé viva?
A QUALIDADE piedosa da fé é mui desejável. (João 3:16; 2 Cor. 5:7; Heb. 10:38) Mas a fé envolve muito mais do que uma simples crença. “Queres saber, ó homem vão”, pergunta o escritor bíblico Tiago, “que a fé à parte das obras é inativa?” (Tia. 2:20) Ele acrescenta: “Deveras, assim como o corpo sem fôlego está morto, assim também a fé sem obras está morta.” (Tia 2:26) A fé cristã não pode ser estática, mas, assim como a vegetação que embeleza a paisagem, também a fé precisa permanecer viva e continuar a crescer. — 2 Tes. 1:3.
Uma lição valiosa sobre isso podemos aprender da maneira em que o antigo Israel respondeu quando Deus lhe prometeu dar a terra de Canaã. Deus assegurou aos israelitas seu apoio sobre-humano, dizendo:
“Eis que envio um anjo diante de ti para guardar-te pela estrada e para introduzir-te no lugar que preparei. Guarda-te por causa dele e obedece a sua voz. Não te comportes rebeldemente contra ele, pois não perdoará a vossa transgressão; porque meu nome está nele. No entanto, se obedeceres estritamente a sua voz e realmente fizeres tudo o que eu falar, então hei de ser hostil aos teus inimigos e hostilizarei os que te hostilizarem.” — Êxo. 23:20-22.
Israel tinha a obrigação de colaborar com Deus em exterminar as nações cananéias. Deus ordenara: “Deves impreterivelmente devotá-las à destruição. Não deves concluir com elas nenhum pacto, nem lhes mostrar qualquer favor. E não deves formar com elas nenhuma aliança matrimonial.” — Deu. 7:2, 3.
Depois de Israel ter entrado na Terra da Promessa e armado seu acampamento em Gilgal, ao leste de Jericó um anjo, que se identificou como “príncipe do exército de Jeová”, apareceu a Josué. Este anjo revelou que Deus faria as muralhas de Jericó desmoronar-se por milagre. E elas desmoronaram mesmo! (Jos. 5:13 a 6:27) Quão inspiradora de fé foi esta demonstração, que provou que Deus estava deveras sendo ‘hostil aos inimigos de Israel’!
Mas, isso não foi tudo! Sob a orientação do príncipe angélico de Jeová, cidade após cidade caiu diante de Josué e os israelitas. (Jos., caps. 6, 10, 11) O povo de Deus recebeu uma base sólida para ser zeloso em procurar levar a cabo a comissão divina, de desapossar os cananeus. Mas, obedeceram a ponto de manterem sua fé plenamente viva?
Não, porque a Bíblia menciona mais tarde outro aparecimento do anjo de Deus, esta vez com uma mensagem tenebrosa. Lemos:
“O anjo de Jeová subiu então de Gilgal a Boquim e disse: ‘Passei a fazer-vos subir do Egito e a trazer-vos a terra a respeito da qual jurei aos vossos antepassados. Ademais, eu disse: “Nunca violarei meu pacto convosco. E vós, da vossa parte, não deveis concluir nenhum pacto com os habitantes desta terra. Deveis demolir seus altares.” Mas não escutastes a minha voz. Por que fizestes isso? Por isso eu disse, da minha parte: “Não os expulsarei de diante de vós, e eles têm de tornar-se ciladas para vós, e seus deuses servirão de laço para vós.”’” — Juí. 2:1-3.
Mostrando de que maneira Israel não havia ‘escutado’ a Deus, as Escrituras relatam que a tribo de Judá negligenciou desapossar os habitantes de certa região no sul de Canaã, “porque [esses habitantes] tinham carros de guerra com foices de ferro”. (Juí. 1:19) Pelo visto, esses carros com foices amedrontaram a tribo de Judá. Depois, as tribos de Benjamim, Manassés, Efraim, Zebulão, Aser, Naftali e Dã também deixaram de expulsar os habitantes cananeus de numerosas cidades e aldeias dependentes. Em vez disso, consentiram em morar entre os cananeus, sujeitando alguns deles a “trabalho forçado”. — Juí. 1:21-36.
Embora Israel confessasse abertamente sua fé em Jeová e concordasse previamente em observar “tudo o que Jeová falou”, muitas vezes faltavam atos piedosos, para demonstrar uma fé viva. (Êxo. 19:8; 24:3-7) Em vez de lhes trazer benefícios, seu proceder sem fé levou a remorsos. A Bíblia diz a respeito da repreensão angélica dada a Israel, em Boquim: “E sucedeu que, assim que o anjo de Jeová havia falado estas palavras a todos os filhos de Israel, o povo começou a levantar a sua voz e a chorar. Por isso chamaram o lugar pelo nome de Boquim [significando: “chorões”].” — Juí. 2:4, 5.
E houve uma conseqüência ainda muito pior. A moradia entre os depravados cananeus enlaçou Israel na idolatria, ao sacrifício de seus filhos a demônios e ao derramamento adicional de muito sangue inocente. Por causa disso, acendeu-se contra eles a ira de Jeová. — Sal. 106:34-42.
O que podem os hodiernos cristãos aprender destes acontecimentos da história bíblica? Embora não se ordene aos cristãos que desapossem povos literais, eles têm uma obra desafiadora a realizar, a qual os leva a estar entre aqueles que não adoram a Jeová. Jesus comissionou seus discípulos a pregarem as “boas novas” do reino de Deus em toda a terra e a ‘irem e fazerem discípulos de pessoas de todas as nações’. — Mat. 24:14; 28:19, 20.
Participa você, obedientemente, nesta atividade de pregar o reino e fazer discípulos? As Escrituras asseguram-nos que ela também tem apoio angélico e será terminada para a satisfação de Deus. (Rev. 14:6) Conforme já mencionado, o antigo Israel sucumbiu à falta de fé e de zelo quanto a cumprir a ordem de Deus, de exterminar os cananeus. Os cristãos, hoje, do mesmo modo, precisam precaver-se contra esfriarem no seu zelo pela obra que Jesus comissionou seus seguidores a fazer.
E, de modo similar à ordem de Deus, de que Israel não ‘concluísse nenhum pacto’ com os cananeus, mandou-se aos cristãos: “Não vos ponhais em jugo desigual com incrédulos. . . . ‘Portanto, saí do meio deles e separai-vos’, diz Jeová, ‘e cessai de tocar em coisa impura’.” (2 Cor. 6:14-17) Tem você demonstrado que a sua é uma fé realmente viva, por se separar de toda a impureza mundana?
A infiel desobediência a Deus, por parte do antigo Israel, levou a uma censura e a choro em Boquim. Infidelidade similar hoje pode levar a um tipo ainda mais sério de choro. Como?
O cumprimento global dum “sinal” que Jesus deu indica que, desde o ano de 1914, estamos vivendo durante a ‘presença de Cristo e a terminação do [atual] sistema de coisas’. (Mat. 24:3 a 25:46) Portanto, foi a respeito da atual geração que Jesus disse numa de suas parábolas: “Assim será na terminação do sistema de coisas: os anjos sairão e separarão os iníquos dos justos, e lançá-los-ão na fornalha ardente. Ali é que haverá o seu choro e o ranger de seus dentes.” — Mat. 13:49, 50; 24:3, 34.
De acordo com as Escrituras, essa “fornalha ardente” simboliza a “destruição eterna” dos iníquos, no tempo de se “trazer vingança sobre os que não conhecem a Deus e não obedecem às boas novas acerca de nosso Senhor Jesus”. (2 Tes. 1:6-10) Por outro lado, a sobrevivência para uma nova ordem de justiça é a perspectiva feliz daqueles que obedecem às boas novas, aqueles cuja fé em Deus e em Jesus Cristo brilha em obras baseadas na Bíblia, realizadas por eles dia após dia. (2 Ped. 3:13; Rev. 21:1-5) É a sua uma fé viva?
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Perguntas dos LeitoresA Sentinela — 1978 | 15 de fevereiro
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Perguntas dos Leitores
● Meu marido incrédulo admitiu para mim que ele tem outra mulher. É a admissão dele motivo suficiente para um divórcio bíblico?
Em alguns casos, quando o cônjuge incrédulo dum(a) cristã(o) admite cometer imoralidade, isto constituiria base bíblica para um divórcio, o qual, por sua vez, libertaria o(a) cristã(o) inocente para um novo casamento, se quiser.
A lei de Jeová Deus para a antiga nação de Israel continha uma provisão para divórcio por vários motivos. (Deu. 24:1, 2) O adultério, o homossexualismo e a bestialidade eram base para terminar o matrimônio; a pessoa culpada era executada. (Deu. 22:22-24; Lev. 18:22, 23) Entretanto, a Lei especificava o seguinte requisito importante: “Pela boca de duas ou três testemunhas deve ser morto aquele que há de morrer. Não será morto pela boca de uma só testemunha.” (Deu. 17:6; 19:15; Núm. 35:30) Jeová, como aquele que “ama a justiça e o juízo”, requer que tais assuntos sejam decididos à base de prova, de testemunhas, não apenas de suspeita. (Sal. 33:5) Isto, naturalmente, foi declarado com respeito à aplicação da pena de morte, não com respeito a uma ação de divórcio.
Outra situação tratada na Lei também ilustra a importância da prova. Que devia fazer o homem que suspeitasse que sua esposa havia adulterado, mas ela negasse isso e não houvesse testemunhas? A lei de Deus delineava a medida que podia ser adotada, mas esta era drástica, que podia ter efeitos duradouros para a esposa, se ela fosse culpada, ou para o marido, se ela fosse inocente. Ela podia ser levada perante o sacerdote e obrigada a participar em certo proceder prescrito, envolvendo a ingestão de uma água especial. Se ela fosse culpada, sentiria a punição divina de lhe ‘decair a coxa’, evidentemente referindo-se a que os órgãos sexuais dela ficariam atrofiados e ela perderia a capacidade de conceber. (Núm. 5:12-31) Pelo visto, em tais casos, a esposa adúltera não era executada, embora recebesse esta punição extraordinária da parte de Deus, por ter negado a sua culpa e não ter havido as duas testemunhas exigidas.
Qual é a situação atual na congregação cristã? É possível obter testemunho substancial a respeito dos motivos para um divórcio bíblico?
O próprio Jesus declarou que, para os seus seguidores, o único motivo de divórcio, que livraria a pessoa para um novo casamento, seria o de o cônjuge ter cometido porneia, grave imoralidade sexual. (Mat. 19:9) Haveria motivo suficiente para o divórcio se a esposa cristã apenas suspeitasse que seu marido era culpado de adultério? Não; pois as Escrituras Gregas Cristãs continuam com o princípio de um assunto ser confirmado por duas ou três testemunhas, como requer o senso equilibrado de justiça. (João 8:17, 18; 1 Tim. 5:19; Heb. 10:28) Portanto, se a esposa apenas suspeitasse que seu marido era culpado de adultério, mas ele o negasse e não houvesse testemunhas para confirmá-lo, ela não teria base suficiente para comprovar perante a congregação cristã que tinha o direito de se divorciar dele e assim estar livre para se casar de novo.
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