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AbraãoAjuda ao Entendimento da Bíblia
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que também era o rei de Salém, saiu e o abençoou, e Abraão, por sua vez, “deu-lhe um décimo de tudo.” — Gên. 14:17-20.
SURGE O DESCENDENTE PROMETIDO
Visto que Sara continuava estéril, parecia que Eliézer, o fiel mordomo doméstico, de Damasco, recebería a herança de Abraão. Todavia, Jeová de novo assegurou a Abraão que sua própria prole seria inumerável, como as estrelas do céu, e, assim, Abraão “depositou fé em Jeová; e este passou a imputar-lhe isso como justiça”, muito embora isto ocorresse anos antes de ele ser circuncidado. (Gên. 15:1-6; Rom. 4:11) Jeová concluiu então com Abraão um pacto formal, à base de sacrifícios animais, e, ao mesmo tempo, revelou que a descendência de Abraão seria afligida por um período de 400 anos, até mesmo sendo escravizada. — Gên. 15:7-21; veja Pacto.
O tempo passou. Já estavam então em Canaã por dez anos, todavia, Sara continuava estéril. Por conseguinte, ela propôs ser substituída por sua serva egípcia, Agar, para que tivesse um filho por meio dela. Abraão consentiu. E, assim, em 1932 A.E.C., nasceu Ismael, quando Abraão tinha oitenta e seis anos. (Gên. 16:3, 15, 16) Passou-se mais tempo. Em 1919 A.E.C., quando Abraão tinha noventa e nove anos, como sinal ou selo para testemunhar a relação especial pactuada que existia entre Ele próprio e Abraão, Jeová ordenou que todos os varões da casa de Abraão fossem circuncidados. Ao mesmo tempo, Jeová mudou o nome dele, de Abrão para Abraão, “porque vou fazer-te pai duma multidão de nações”. (Gên. 17:5, 9-27) Logo depois, três anjos materializados, a quem Abraão recebeu hospitaleiramente em nome de Jeová, prometeram que Sara mesma concebería e daria à luz um filho, sim, no ano seguinte! — Gên. 18:1-15.
E que ano momentoso provou ser este! Sodoma e Gomorra foram destruídas. O sobrinho de Abraão e suas duas filhas mal conseguiram escapar. Uma fome expulsou Abraão e sua esposa, possivelmente grávida então, para Gerar, resultando em que o rei daquela cidade palestina tomou Sara para seu harém. Jeová interveio; Sara foi liberta; e, no tempo designado, 1918 A.E.C., nasceu Isaque, o herdeiro há muito prometido, quando Abraão tinha cem anos, e Sara tinha noventa! (Gên. 18:16 a 21:7) Cinco anos depois, quando Ismael, de dezenove anos, meio irmão de Isaque, zombou dele, Abraão viu-se obrigado a despedir Ismael e sua mãe, Agar. Foi então, em 1913 A.E.C., que começaram os 400 anos de aflição sobre a descendência de Abraão. — Gên. 21:8-21; 15:13.
A suprema prova da fé de Abraão veio cerca de vinte anos depois. Segundo a tradição judaica, Isaque era agora um forte rapaz de cerca de vinte e cinco anos. Em obediência às instruções de Jeová, Abraão tomou Isaque e viajou para o N de Berseba no Negebe até o monte Moriá, situado bem ao norte de Salém. Ali construiu um altar e preparou-se para oferecer Isaque, o descendente prometido, como sacrifício queimado. E deveras Abraão “a bem dizer ofereceu Isaque” pois “achava que Deus era capaz de levantá-lo até mesmo dentre os mortos”. Só no último instante é que Jeová interveio e proveu um carneiro como substituto de Isaque no altar sacrificial. Por conseguinte, foi esta fé implícita, apoiada pela completa obediência, que moveu Jeová a reforçar seu pacto com Abraão mediante um voto juramentado, uma garantia legal especial. — Gên. 22:1-18; Heb. 6:13-18; 11:17-19.
Quando Sara morreu em Hébron, em 1881 A.E.C., com 127 anos, foi necessário que Abraão comprasse um sepulcro, pois ele era deveras apenas um residente temporário que não possuía nenhum terreno em Canaã. Assim, comprou dos filhos de Hete um campo, com sua caverna em Macpela, perto de Manre. (Gên. 23:1-20) Três anos depois, quando Isaque atingiu quarenta anos, Abraão enviou Eliézer de volta para a Mesopotâmia, a fim de encontrar para seu filho uma esposa adequada, alguém que também fosse adoradora verdadeira de Jeová. Então Rebeca, sobrinha-neta de Abraão, provou ser a escolhida de Jeová. — Gên. 24:1-67.
“Além disso, Abraão tomou novamente uma esposa”, Quetura, e posteriormente gerou seis outros filhos, de modo que de Abraão provieram não só os israelitas, os ismaelitas e os edomitas, mas também os medanitas e os midianitas, etc. (Gên. 25:1, 2; 1 Crô. 1:28, 32, 34) Assim aconteceu que a declaração profética de Jeová se cumpriu em Abraão: “Vou fazer-te pai duma multidão de nações.” (Gên. 17:5) Por fim, na boa velhice de 175 anos, Abraão morreu, em 1843 A.E.C., e foi sepultado por seus filhos, Isaque e Ismael, na caverna de Macpela. (Gên. 25:7-10) Antes de sua morte, Abraão deu presentes aos filhos de suas esposas secundárias e os mandou embora, de modo que Isaque fosse o único herdeiro de “tudo o que possuía.” — Gên. 25:5, 6.
CHEFE PATRIARCAL E PROFETA
Abraão era homem muito abastado, possuindo grandes rebanhos e manadas, e muita prata e ouro, e enorme casa, abrangendo muitas centenas de servos. (Gên. 12:5, 16; 13:2, 6, 7; 17:23, 27; 20:14; 24:35) Por este motivo, os reis de Canaã o consideravam poderoso “maioral”, alguém com quem deveríam ser feitos pactos de paz. (Gên. 23:6; 14:13; 21:22, 23) Todavia, em nenhuma ocasião Abraão permitiu que o materialismo cegasse sua visão de Jeová e de Suas promessas, nem o tornasse orgulhoso, soberbo ou egoísta. — Gên. 13:9; 14:21-23.
A primeira ocorrência da palavra “profeta” nas Escrituras Hebraicas refere-se a Abraão, embora outros, como Enoque, vivessem antes dele. (Gên. 20:7; Judas 14) O primeiro identificado nas Escrituras como “hebreu” é Abraão. (Gên. 14:13) Abraão, como Abel, Enoque e Noé, era homem de fé. (Heb. 11:4-9) Mas, a primeira ocorrência da expressão “depositou fé em Jeová” refere-se a Abraão (Gên. 15:6), em concordância com Romanos 4:11: “[Abraão é] pai de todos os que têm fé.”
Deveras, este homem de fé incomum andava com Deus e estava em comunicação constante com ele, por meio de visões e sonhos, até mesmo acolhendo seus mensageiros angélicos. (Gên. 12:1-3, 7; 15:1-8, 12-21; 18:1-15; 22:11, 12, 15-18) Estava bem familiarizado com o nome de Deus, embora Jeová, naquele tempo, não tivesse revelado o pleno significado do maior nome do universo. (Êxo. 6:2, 3) Vez após vez, Abraão construiu altares e ofereceu sacrifícios em nome de seu Deus, Jeová, e para louvor e glória dele. — Gên. 12:8; 13:4, 18; 21:33; 24:40; 48:15.
Como chefe patriarcal, Abraão não permitiu nenhuma idolatria nem impiedade em sua casa, mas constantemente ensinava a todos os seus filhos e servos para que “guardassem o caminho de Jeová para fazer a justiça e o juízo”. (Gên. 18:19) Todo membro varão da casa de Abraão estava obrigado pela lei de Jeová a submeter-se à circuncisão. A serva egípcia, Agar, invocou o nome de Jeová em oração, e o servo doméstico, Eliézer, de Damasco, numa oração muitíssimo tocante a Jeová, demonstrou sua própria fé no Deus de Abraão. Isaque, também, no início de sua própria varonilidade, provou sua fé e obediência a Jeová por permitir que suas mãos e pés fossem amarrados e que fosse colocado sobre o altar de sacrifício. — Gên. 17:10-14, 23-27; 16:13; 24:2-56.
HISTORICIDADE
Jesus e seus discípulos se referiram a Abraão mais de setenta vezes em suas palestras e escritos. Em sua ilustração do rico e de Lázaro, Jesus se referiu a Abraão em sentido simbólico. (Luc. 16:19-31) Quando seus oponentes se jactaram de ser prole de Abraão, Jesus rapidamente apontou a hipocrisia deles, dizendo: “Se sois filhos de Abraão, fazei as obras de Abraão.” (João 8:31-58; Mat. 3:9, 10) Não, não é a descendência carnal que conta, antes, ter fé semelhante à de Abraão é o que habilita a pessoa a ser declarada justa, assim como disse o apóstolo Paulo. (Rom. 9:6-8; 4:1-12) Paulo também identificou o verdadeiro descendente de Abraão como sendo Cristo, junto com os que pertencem a Cristo como “herdeiros com referência a uma promessa”. (Gál. 3:16, 29) Ele também fala da bondade e hospitalidade de Abraão para com estranhos, e, em sua longa lista em Hebreus, capítulo 11, de ilustres testemunhas de Jeová, Paulo não despercebe Abraão. É Paulo quem indica que as duas mulheres de Abraão, Sara e Agar, realmente constituíam um drama simbólico que ilustrava os dois pactos de Jeová. (Gál. 4:22-31; Heb. 11:8) O escritor bíblico, Tiago, acrescenta que Abraão apoiou sua fé por obras justas e, por conseguinte, ficou conhecido como “amigo de Jeová.” — Tia. 2:21-23.
Descobertas arqueológicas também confirmam muitos assuntos relatados na história bíblica de Abraão: As localizações geográficas de muitos lugares, os muitos costumes daquele período de tempo, tais como a compra dum campo dos hititas, a escolha de Eliézer como herdeiro, o tratamento de Agar, etc.
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Abrolhos (Cardos)Ajuda ao Entendimento da Bíblia
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ABROLHOS (CARDOS)
Qualquer dentre uma variedade de plantas que possuem folhas espinhosas, de extremidades irregulares, hastes duras, e que apresentam pontas arredondadas ou cilíndricas que produzem flores macias e sedosas, de cor purpúrea, amarela ou branca. Adão, e mais tarde seus descendentes, tinham de enfrentar incomodativos abrolhos, ao cultivarem o solo amaldiçoado. (Gên. 3:17, 18) Visto que suas sementes são espalhadas pelo vento, os abrolhos facilmente ganham terreno em áreas abandonadas ou desoladas. (Veja Oséias 10:8.) Jesus Cristo referiu-se aos abrolhos ao fazer a ilustração de que as pessoas, assim como as plantas, são reconhecidas por seus frutos. (Mat. 7:16) Na Palestina, não é incomum ver-se vários cardos-estrelados sendo levados como massa rolante pelos ventos outonais, característica talvez aludida no Salmo 83:13 e em Isaías 17:13.
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AbsalãoAjuda ao Entendimento da Bíblia
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ABSALÃO
[pai de paz]. O terceiro dentre seis filhos de Davi, nascidos em Hébron. Sua mãe era Maacá, filha de Talmai, rei de Gesur. (2 Sam. 3:3-5) Absalão tornou-se pai de três filhos e uma filha (2 Sam. 14:27), mas parece que seus filhos morreram com pouca idade, em vista da declaração em 2 Samuel 18:18. Ele é evidentemente chamado Abisalão em 1 Reis 15:2, 10. — Veja 2 Crônicas 11:20, 21.
A beleza física imperava na família de Absalão. Era nacionalmente elogiado por sua notável beleza; seus cabelos, que cresciam profusamente, sem dúvida tornando-se ainda mais pesados pelo uso de óleo ou ungüentos, pesavam cerca de duzentos siclos (cerca de 2,3 kg) quando cortados anualmente. A irmã dele, Tamar, também era linda, e a filha dele, com o mesmo nome da tia, tinha “aparência muitíssimo bela”. (2 Sam. 14:25-27; 13:1) Ao invés de ser proveitosa, contudo, tal beleza contribuiu para alguns eventos feios que provocaram imenso pesar ao pai de Absalão, Davi, bem como a outros, e produziram grande tumulto na nação.
ASSASSINATO DE AMNOM
A beleza de Tamar, irmã de Absalão, fez com que Amnom, meio-irmão mais velho dele, ficasse apaixonado por ela. Fingindo-se doente, Amnom conseguiu que Tamar fosse enviada a seus aposentos, para cozinhar para ele, e então a violou. O amor erótico de Amnom transformou-se em ódio desprezível e mandou jogar Tamar na rua. Rasgando sua veste listrada que a distinguira como filha virgem do rei, e com cinzas sobre a cabeça, Tamar encontrou-se com Absalão. Este rapidamente avaliou a situação e lançou suspeitas imediatas contra Amnom, indicando anterior apercebimento do desejo apaixonado de seu meio-irmão. Absalão instruiu sua irmã a não levantar nenhuma
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