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A palavra de Deus mantém viva a sua féA Sentinela — 1968 | 1.° de outubro
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A palavra de Deus mantém viva a sua fé
“A fé não é propriedade de todos.” — 2 Tes. 3:2.
1, 2. (a) O que muitos têm estocado nas bibliotecas do mundo? (b) É útil êste reservatório de sabedoria?
HÁ MILHARES de mananciais de conhecimento na terra em que as informações que abrangem todo o campo de atividade terrestre são mantidas em uso constante. O homem registrou e estocou milhões de livros em bibliotecas em cada quadrante da terra. Das bibliotecas familiares às nacionais, tais publicações vieram a ser denominadas de “a memória da raça humana”. “São como gigantesco cérebro que se lembra de tudo que os cientistas, os historiadores, os poetas, os filósofos e outros pensaram e aprenderam.” (The World Book Encyclopedia, Vol. 12, página 212) A “Biblioteque Nationale” em Paris, a maior da Europa, a Biblioteca de Lenine, em Moscou, Rússia, com mais de 14.500.000 livros, a sua Biblioteca de Leningrado com mais de 11.800.000 volumes, a Biblioteca Pública de Nova Iorque, com mais de 7.500.000 volumes, e a Biblioteca do Congresso, com 12.000.000 de livros e opúsculos, são apenas algumas que lhe dão idéia do vasto depósito de conhecimento que existe na terra. Na Biblioteca do Congresso há quatorze hectares e meio de espaço útil e quatrocentos quilômetros de prateleiras.
2 Como idéias congeladas, acham-se registrados os erros, as falhas, e as realizações do homem, documentos, livros raros, livros-falantes e em Braille para os cegos, mapas, diapositivos, filmes, discos de música, medalhas, moedas, peças teatrais, jornais, arte, microfilmes e milhões de livros em milhares de idiomas. Utilizam-se computadores complicados para pedir informações a êste enorme depósito de pensamento humano e êles colhem, agrupam e apresentam em segundos as informações desejadas. O homem sonha com o dia em que terá um computador em seu gabinete de aprendizagem de sua casa do futuro que o ligará com tôdas as bibliotecas do mundo e lhe trará estas informações até à sua própria casa. O homem espera poder usar êste congelador para obter maiores consecuções no futuro.
3. (a) Como devemos considerar o vasto depósito de sabedoria do homem? (b) Como é determinado por fim o seu valor?
3 De onde provém todo êste conhecimento? É verdade que, por meio de diligente pesquisa, experimentação e experiência, o homem registrou muitos fatos valiosos. Há também ampla gama de teorias, especulações e conclusões infundadas que se baseiam nos gostos e desgostos do homem que enchem as bibliotecas. Não é de admirar que o Professor March dissesse: “Não há limite de se fazerem livros, mas, assim como o grande número de peixes no mar, são comparativamente poucos os que vale a pena apanhar.” O escritor do livro bíblico de Eclesiastes, no capítulo doze, versículos nove a quatorze, também elimina grande parte da sabedoria do homem e aponta para a fonte da verdadeira sabedoria. Escreve: “O congregante se tornou sábio, êle também ensinou ao povo contìnuamente o conhecimento, e meditou e fêz uma pesquisa cabal, para que pusesse em ordem muitos provérbios. O congregante procurou descobrir palavras deleitosas e a escrita de palavras corretas da verdade. As palavras dos sábios são como aguilhões e como pregos cravados são os que se entregam a coleções de sentenças; elas foram dadas por um só pastor. . . . aceite um aviso: De fazer muitos livros não há fim, e muita devoção a êles é enfado da carne. . . . Deus mesmo levará tôda sorte de obra a juízo, em relação com tôda coisa escondida, quanto a se é boa ou se é má.” Durante a visita missionária do apóstolo cristão, Paulo, a Éfeso, muitas pessoas se tornaram crentes e queimaram em público tais livros sem valor, avaliados em cinqüenta mil moedas de prata. (Atos 19:19) “Possìvelmente valiam 2.000 libras esterlinas, ou 10.000 dólares [NCr$ 32.000,00]”, segundo uma nota marginal na página 323 do New Testament in Modern Speech, de Weymouth.
4. De que valor para a fé do homem é a mostra da criação que se vê da terra?
4 Mas, ainda há outro lugar impressionante onde se aprender. Maior do que tôdas as bibliotecas do homem juntas, seu tamanho é de 510.101.000 quilômetros quadrados. Sim, a terra constitui impressionante biblioteca, tendo quilômetros e quilômetros de sabedoria criativa à mostra. As revelações desta sabedoria aumentam o entendimento do homem sôbre Deus, o Criador, assim como afirma Romanos 1:20: “Suas qualidades invisíveis são claramente vistas desde a criação do mundo em diante porque são percebidas por meio das coisas feitas, mesmo seu sempiterno poder e Divindade.” Desta plataforma de observação, a terra, o homem pode contemplar os céus e escutar, ao passo que fala a criação de Deus. “Os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia as obras das suas mãos. Um dia discursa a outro dia, e uma noite revela conhecimento a outra noite. Não há linguagem, nem há palavras, e dêles não se ouve nenhum som.” (Sal. 19:1-3, ALA) As impressões causadas duram a vida inteira, os homens sábios dando o crédito ao grande Criador.
5. (a) Por que a Bíblia é o livro mais importante na biblioteca? (b) O que tem de ver com a fé?
5 E Jeová Deus tem acrescentado a isto o livro mais importante nas prateleiras da terra, Sua Palavra, a Bíblia. Êste livro difere das obras dos homens. Não fornece admoestações baseadas nos gostos e desgostos do homem. Baseia-se em verdades e em fatos. É uma palavra viva. Esta palavra é poderosa, exercendo uma fôrça não encontrada nas publicações de origem humana. O apóstolo Paulo a descreve do seguinte modo: “A palavra de Deus é viva e exerce poder, e é mais afiada do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até à divisão da alma e do espírito, e das juntas e da sua medula, e é capaz de discernir os pensamentos e as intenções do coração.” (Heb. 4:12) Mais de 1.500 anos depois de começar a escrita da Bíblia, o Filho de Deus veio à terra. Estudou esta mesma palavra da verdade e a usou em seu ministério. Em oração a seu Pai celeste, disse: “A tua palavra é a verdade.” (João 17:17) Assim, será verídica? Revelou-se verídica nos anos que passaram? Será apenas parcialmente exata e parcialmente vaga, de modo que pudesse aplicar-se a qualquer tempo? Será prática a sua admoestação para êstes tempos? Visto que esta Palavra de Deus é um depósito do conhecimento que cria fé, tem de ser verdadeira. Qualquer pessoa desejosa de ter fé tem de examiná-la e provar tal ponto a si mesma. Para ter fé, é preciso crer que Deus existe, que sua palavra é verdadeira, e fazer esfôrço de manter viva tal fé por meio de alimento e proteção: “Sem fé é impossível agradar-lhe bem, pois aquêle que se aproxima de Deus tem de crer que êle existe e que se torna o recompensador dos que sèriamente o buscam.” — Heb. 11:6.
6. Forneçam fatos bíblicos que provam os benefícios da Palavra de Deus.
6 O povo da nação de Israel estivera com Moisés por algum tempo, viajando no deserto por quarenta anos. Foram anos em que se ouviam as leis de Deus, de admoestação, de libertações prometidas, e de bênçãos serem preditas. Então, eram fidedignas? Escute ao relatório de Josué: “Bem sabeis com todos os vossos corações e com tôdas as vossas almas que não falhou nem uma palavra sequer dentre tôdas as boas palavras que Jeová, vosso Deus, tem falado. Tôdas se cumpriram para vós. Nem uma palavra sequer dentre elas falhou.” (Jos. 23:14) De maneira que, como bem pode ver, Josué declarou pùblicamente que a Palavra de Jeová era fidedigna; e o próprio Filho de Deus examinou esta mesma Palavra e isso até mesmo no tempo que visitou a terra, e disse que a Palavra de Deus era verdadeira.
CRIANDO FÉ
7. (a) Por que a fé não é propriedade de muitas pessoas? (b) Todavia, como é que Paulo descreve os irmãos em Tessalônica?
7 A fim de criar fé, a pessoa tem de obter conhecimento. Para manter viva a sua fé, a pessoa tem de continuar estudando. O conhecimento da pessoa, que mantém viva a sua fé, não se deriva do amplo acúmulo de sabedoria humana. Muitos estudam as doutrinas e os modos de vida religiosos, aceitam certas idéias e até mesmo moldam suas vidas segundo a orientação do homem. Daí, depois de algum tempo, talvez meio período de vida mais tarde, verificam que estas idéias são falhas e contrárias ao que é ensinado na Bíblia e ficam desanimados. Aquêles que se enquadram nesta categoria são contados aos milhões e se acham em tôda comunidade na terra. O vácuo causado pelo ensino infundado e pelas deturpações dos fatos tem produzido anêmicos sistemas políticos contrários a Deus, inertes organizações religiosas e sistemas comerciais sem vida. É fácil ver que, apesar do maior depósito de sabedoria humana instantâneamente disponível, as ações do homem para com seu próximo não melhoram. Todavia, note a observação do apóstolo Paulo, conforme relatada em 2 Tessalonicenses 1:3: “Estamos obrigados a dar sempre graças a Deus por vós, irmãos, assim como é próprio, porque a vossa fé está crescendo sobremaneira e o amor de cada um de vós está aumentando de uns para com os outros.”
8. Como é que os tessalonicenses mantinham viva a sua fé, e por que há algo mais envolvido do que o incentivo?
8 Pergunte a si mesmo: Será que as relações entre as criaturas humanas melhoram em sua vizinhança? entre seus associados religiosos? Paulo disse que seus irmãos em Tessalônica se aprimoravam na fé e no amor de uns para com os outros. Por quê? Examine sua atividade um pouquinho mais de perto. Considere 1 Tessalonicenses 2:13: “Deveras, é também por isso que agradecemos a Deus incessantemente, porque, quando recebestes a palavra de Deus, que ouvistes de nós, vós a aceitastes, não como a palavra de homens, mas pelo que verazmente é, como a palavra de Deus, que também está operando em vós, crentes.” E faziam algo mais, conforme Paulo instou com êles em 1 Tessalonicenses 5:21: “Certificai-vos de tôdas as coisas; apegai-vos ao que é excelente.” Sim, pesquisavam a Palavra de Deus. É preciso mais do que o incentivo para se manter viva a fé. A cristandade diz constantemente: ‘Precisamos ajudar ao próximo’, todavia, será que se faz mais disto? Como exemplo, por algum tempo se expunha nos metropolitanos da cidade de Nova Iorque um cartaz que dizia: “A obra de Deus deve verdadeiramente se tornar a nossa — Ponha sua fé a trabalhar — Hoje Mesmo.” (Serviço Público da Publicidade nos Transportes. A Religião na Vida Estadunidense) Milhões o lerão, mas, quantos o aplicarão? É preciso que exista primeiro a fé, e ela provém do estudo da fidedigna Palavra de Deus. Tal Palavra diz em Romanos 10:14: “No entanto, como invocarão aquêle em quem não depositaram fé? Por sua vez, como depositarão fé naquele de quem não ouviram falar? Por sua vez, como ouvirão, se não houver quem pregue?”
9. Como é que Jeremias 17:5-8 contrasta o resultado para o homem sem fé e para o homem fiel?
9 Talvez encontre sabedoria nas publicações humanas que o deixem impressionado, todavia, seu regozijo se transforma em desânimo quando, sob escrutínio, verifica que o autor é míope, pois o egoísmo é que inicialmente motivou a publicação. O autor mais sincero se vê circunscrito por sua habilidade, a disponibilidade da matéria para êle, e certamente se torna míope em face das ciências progressivas. Não afirmamos que tôda a sabedoria que o homem acumulou seja desanimadora ou deixe de edificá-lo. Há muita instrução valiosa que se pode obter, mas, em adição à mesma, precisamos da Palavra de Deus a fim de criar fé. Há muitos anos atrás, Jeová falou do seguinte modo aos judeus: “Maldito o homem que em outro confia, que da carne faz o seu apoio e cujo coração vive distante do Senhor [Jeová]! Assemelha-se ao cardo da charneca e nem percebe a chegada do bom tempo, habitando o solo calcinado do deserto, terra salobra em que ninguém reside. Bendito o homem que deposita a confiança no Senhor, e cuja esperança é o Senhor. Assemelha-se à árvore plantada perto da água, que estende as raízes para o arroio. Venha o calor, e não será temido, e sua folhagem continuará verdejante. Não o inquieta a sêca de um ano; continua a produzir os frutos.” — Jer. 17:5-8, CBC.
10. (a) Quem escreveu a Bíblia? (b) Como, então, pode ser usada qual alimento que cria fé?
10 Notou onde é que a árvore obtinha seu vigor? Um bom sistema de raízes, indo até à fonte de água. É assim que se dá com o manter viva a fé. É preciso que o leitor obtenha o alimento que cria fé. Só há um lugar onde obter êsse tipo de alimento, e é a Palavra de Deus. Esta Palavra é especialmente preparada para os cristãos. A Palavra de Deus, a Bíblia, foi produzida pelo Seu espírito; com efeito, Seu espírito está tão intimamente relacionado com ela que Paulo faz a seguinte declaração, em Efésios 6:17: “e a espada do espírito, isto é, a palavra de Deus.” Oh, sim, seus escritores foram homens; não é nenhum segrêdo que cêrca de quarenta homens foram usados para escrever a Bíblia. Não era, porém, a vontade dêles que era registrada ou expressa; antes, “a profecia nunca foi produzida pela vontade do homem, mas os homens falaram da parte de Deus conforme eram movidos por espírito santo”. (2 Ped. 1:21) Deus era responsável pelas palavras ou representações de seus propósitos que êles escreveram. Será mais difícil para Deus inculcar idéias e expressões em mentes dispostas e férteis do que fazer que diminutas sementes germinem, brotem e cresçam, tornando-se altaneiras árvores de uma floresta?
11. Mostrem como é possível Jeová usar o homem para registrar com exatidão a sua Palavra, de modo que seja inspirada.
11 Há muitos séculos, Jeová lançou em operação certos limites que ainda operam hoje. As criaturas animadas por tôda a terra possuem aquêle forte impulso de se reproduzir. A vegetação continua a multiplicar-se. Ao passo que há fatôres e métodos diferentes empregados, segue-se um padrão definido de reprodução, e o produto é a imagem dos genitores. Que maravilhosa sabedoria e leis se acham em operação para manter contínuo o processo e, depois de se passarem centenas de anos, verificamos que ainda temos animais, aves, peixes, homens, vegetação, e todos em abundância, dentro dos círculos de suas famílias! Na multiplicação da vegetação há tantas outras coisas envolvidas que contribuem para um produto de êxito. O tempo, a umidade, a nutrição no solo, várias plantas precisando de solo de certo tipo ou conteúdo químico. Muitas plantas dependem da polinização para produzirem frutos ou sementes. O vento, a água, as aves e os insetos fornecem-lhes êste serviço. As abelhas trocam seus serviços pelo pólen ou néctar, a matéria-prima para o mel. Por exemplo, as flôres com colorido e aroma convidam a abelha ao seu tesouro de néctar, do qual a abelha deve retirar algo, e, ao assim fazer, carrega pólen que será transmitido a uma flor vizinha e assim causará a polinização. Quanta sabedoria existe por trás de tal arranjo complicado! Todavia, tôdas essas agências interligadas fazem tão bem o seu trabalho, sendo tudo feito sem qualquer atrito ou tensão indevida. Sim, há híbridos, uma mistura de parentesco, e o homem tem produzido diferenças, mas dentro da mesma família ou espécie em que não estão em efeito quaisquer limites. Mas, tome-se a mula, híbrido entre o burro e o cavalo; a descendência é estéril, não pode reproduzir-se. Chegou ao limite e não pode ir além. Será mais difícil para Deus fazer o homem crente escrever sua palavra e fazer que tal palavra seja protegida pela mesma fôrça que mantém em operação êstes outros limites?
12. Descrevam a disponibilidade da Bíblia.
12 De maneira que Jeová forneceu sessenta e seis livros de informações vitais que temos em nossas Bíblias até os dias atuais. Não faz muitos anos, relatou-se: “A Bíblia tem sido traduzida, no todo ou em parte, em 1.136 línguas diferentes, dentre estas, 215 são da Bíblia inteira e 273 das completas Escrituras Cristãs . . . Em 1958, uma Sociedade Bíblica Estadunidense apenas distribuiu mais de 16,6 milhões de exemplares da Bíblia e adicionou três novas línguas ao número de línguas em que agora aparece, levando o total a 1.136.” (Time, 25 de maio de 1959) Durante os últimos 500 anos, bilhões de exemplares da Bíblia foram impressos, agora em mais de 1.326 idiomas, no todo ou em parte. Isto torna a Bíblia disponível a mais de 90 por cento da população do mundo. Já existe há muito tempo, partes dela ajudando o homem mediante bons conselhos por mais de 3.480 anos.
FÁCIL DE ENTENDER
13. Expliquem por que a Bíblia deve ser fàcilmente entendida, todavia, em que teremos dificuldade.
13 Outra coisa, a Bíblia é fácil de entender, do ponto de vista de palavras e frases usadas. “A. S. Cook computa o vocabulário da Versão Autorizada inglêsa em 6.568 palavras ou a 9.884, se forem incluídas formas flexionadas de substantivos, pronomes, ou verbos.” (In The Nation, 12 de setembro de 1912) As pessoas dotadas de instrução limitada logo podem, com esfôrço, obter conhecimento da Bíblia e, uma vez tenham adquirido certa fé, podem mantê-la viva e aumentá-la pouco a pouco, à medida que aprimoram sua habilidade de estudar. É verdade que há algumas palavras ou expressões arcaicas em traduções mais antigas, mas a pessoa pode adquirir entendimento por examinar traduções modernas. A Bíblia usa idéias, ilustrações e símbolos bem simples. Eram entendidos por lavradores, pescadores, pastôres, governantes, coletores de impostos e donas de casa. Queira ler Mateus, capítulo treze; se tiver dificuldade com algum têrmo ou alguma descrição, talvez aconteça que sua localização geográfica tenha algo que ver com isso. São usados em sua localidade figos, sementes de mostarda, espinhos, rêdes, pérolas e outros itens, de modo que os entenda? Eram usados na localidade em que Jesus proferiu as ilustrações contidas em Mateus, capítulo treze.
14. Comparem 2 Tessalonicenses 2:6, 7 na Versão Almeida e na Tradução do Centro Bíblico Católico da Bíblia. O que faremos para entender êste texto?
14 A fim de ver quão recompensador pode ser o estudo da Bíblia, retornemos a 2 Tessalonicenses 2:6, 7. O texto parece muito difícil de entender, mas examinaremos cada palavra ou idéia e veremos como tudo se enquadra. Na Versão Almeida da Bíblia, reza: “E agora vós sabeis o que o detém, para que a seu próprio tempo seja manifestado. Porque já o mistério da injustiça opera: sòmente há um que agora resiste até que do meio seja tirado.” E na Tradução do Centro Bíblico Católico da Bíblia, lerá o seguinte: “Agora, vós sabeis perfeitamente o que o detém, de modo que êle só se manifestará a seu tempo. Porque o mistério da iniqüidade já está em ação, apenas esperando o desaparecimento daquele que o impede.” O que significa isso? As palavras, individualmente, podem ser entendidas, mas o significado é outra coisa. Analise-o agora, idéia por idéia.
15. Por que Paulo escreveu Segunda Tessalonicenses?
15 Primeiro, o contexto. Paulo escreveu esta carta para ajudar os tessalonicenses a manter viva a sua fé. Diz-lhes: “A fé não é propriedade de todos . . . o Senhor é fiel, e êle vos fará firmes . . . ouvimos que certos estão andando desordeiramente entre vós, não trabalhando nada, mas intrometendo-se no que não lhes diz respeito.” (2 Tes. 3:2, 3, 11) Paulo os elogiara por causa de seu crescimento na fé (2 Tes. 1:3), mas, estava preocupado que algo ou alguém amortecesse tal fé; com efeito, disse que ‘já estava operando’. — 2 Tes. 2:7.
16-20. (a) A quem se refere a primeira ocorrência de “vós”? (b) Expliquem a frase “o que o detém”. (c) Quem é o “êle” primeiro mencionado? (d) Quando e como é “manifestado”?
16 As duas cartas, Primeira e Segunda Tessalonicenses, foram escritas à congregação de cristãos em Tessalônica, Macedônia. (c. 50-51 E. C.) (1 Tes. 1:1; 2 Tes. 1:1) Assim, o primeiro “vós” seriam aquêles cristãos ali naquele tempo e, naturalmente, o pronome se aplica com igual fôrça aos cristãos hodiernos. (Rom. 15:4) Qual é o significado de “o que o detém? O New Collegiate Dictionary de Webster diz sobre “Deter”: “Negar; impedir; restringir. Deixar de conceder, permitir, ou coisa semelhante; como a negar aprovação.” Os apóstolos cristãos obtiveram sua autoridade de Jesus Cristo a fim de atuarem como restrição. (Mat. 10:1) “Enquanto os doze apóstolos de Cristo viveram e superintenderam a congregação cristã, retiveram ou frearam a apostasia, o desvio para a religião babilônica. Agiram qual restrição para a criação de uma organização religiosa que professava ser cristã, mas que era realmente anticristã e babilônica. — “Caiu Babilônia, a Grande!” O Reino de Deus já Domina!, página 474, em inglês.
17 Os apóstolos tinham a autoridade de manter a congregação sujeita a Cristo; mas êles, que agiam qual restrição à ação anárquica na congregação, seriam removidos ao morrerem e então a congregação se desviaria para a anarquia e para os ensinos falsos. (2 Cor. 10:2-6; 2 Tes. 2:3-12; 2 Tim. 4:3, 4; Atos 20:29, 30) Então, em Mateus 18:18, Jesus mostra claramente a fôrça restritiva que êstes homens maduros, operando sob o espírito de Jeová, teriam na congregação. Veja-se também Efésios 4:11-13 e Atos 20:28. Paulo, um de tais homens, agia qual restrição, conforme demonstrado em 2 Tessalonicenses 3:6: “Ora, nós vos ordenamos, irmãos, no nome do Senhor Jesus Cristo, que vos retireis de todo irmão que andar desordeiramente e não segundo a tradição que recebestes de nós.” — Veja-se também 2 Tessalonicenses 3:10-15; 1 Tessalonicenses 4:1-8; Colossenses 2:8; Atos 20:31; Efésios 4:17-6:9; 1 Coríntios 5:1-5; 2 Coríntios 10:2-6.
18 “Êle” — êste é quem há de ser manifestado. “Êle” é o mencionado no versículo três como “o homem do pecado, o filho da perdição”. (Al) Note como Paulo os descreve em Atos 20:29, 30: “Sei que depois de eu ter ido embora entrarão no meio de vós lôbos opressivos e êles não tratarão o rebanho com ternura, e dentre vós mesmos surgirão homens e falarão coisas deturpadas, para atrair a si os discípulos.” Êstes líderes apóstatas dos cristãos professos deveriam aumentar em fôrça e influência, e, logo que a restrição fôsse removida do caminho, êles assumiriam o poder.
19 Esta classe de cristãos professos surgiu em cena desde Pentecostes de 33 E. C., e especialmente depois da morte dos doze apóstolos fiéis de Jesus Cristo. Estão organizados no clero religioso da cristandade e formam parte dominante de Babilônia, a Grande. Visto que Babilônia, a Grande, ainda opera, êste “homem do pecado” ou “homem da anarquia” ainda existe.
20 “Manifestado.” Diz o New Collegiate Dictionary de Webster: “Comunicar ou transmitir por meios ou veículo sobrenaturais. Divulgar (algo secreto ou oculto); revelar. Abrir à vista; como no caso em que um quadro revela o pintor. Subentende um desvelamento, como o de algo não explícito à visão humana ou além do conhecimento da pessoa.” Portanto, esta classe de cristãos professos se revelou por ocasião da morte dos apóstolos; “êle” se manifestou ao seu tempo. — 2 Ped. 2:1-3.
21. Por que diz Paulo que “já o mistério da injustiça opera”?
21 “Já o mistério da injustiça opera.” Quando Paulo escreveu sua segunda carta aos tessalonicenses por volta de 51 E. C., êste “mistério” ou secreto desvio das verdadeiras doutrinas bíblicas já estava em operação. Os homens influentes na congregação já se curvavam à adoração babilônica.
22. Mostrem o significado de “há um que agora resiste até que do meio seja tirado”.
22 “Há um que agora resiste até que do meio seja tirado.” Em 1681-91, quando foi publicada a Versão Almeida da Bíblia, resistir continha a idéia de restrição. Êsse é o significado que ainda devemos ter presente. Em Atos 20:29, Paulo afirma: “Sei que depois de eu ter ido embora entrarão no meio de vós lôbos opressivos.” Veja-se também 2 Pedro 1:12 a 2:3. Com a morte dos apóstolos, foi retirada a fôrça restritiva, foi abaixado o sinal de parar e os lôbos penetraram com pleno poder.
23. O que significa para nós agora 2 Tessalonicenses 2:6, 7?
23 Tendo presente o que a sua pesquisa lhe disse, ajunte tudo e o resuma da seguinte forma: Os leitores, como cristãos, sabem que os apóstolos fiéis impediram que os líderes apóstatas dos cristãos professos trouxessem a religião babilônica. No entanto, esta restrição tinha de desaparecer com a morte dos apóstolos e êstes lôbos tinham de revelar-se e conduzir as congregações à adoração babilônica.
24. Que resultado traz a fé ao leitor e a outros?
24 A sua fé, então, é um sinal indicador que afirma que possui um reservatório de verdade que se acha disponível a outros. Se êsse reservatório evaporou, chegando a uma marca perigosamente baixa, então é o primeiro a sofrer perdas de bênçãos da parte de Jeová Deus, e aquêles que se dirigirem ao leitor em busca de conhecimento que cria fé terão de ir embora de corações vazios. A exortação constante da Palavra de Deus é para consolidarmos regularmente a fé por nos alimentarmos da Palavra de Deus, “os escritos sagrados, que te podem fazer sábio para a salvação, por intermédio da fé em conexão com Cristo Jesus”. (2 Tim. 3:15) O próprio Jesus descreve a operação da fé e se acha assim registrada em João 7:38: “Quem depositar fé em mim, assim como disse a Escritura: ‘Do seu mais íntimo manarão correntes de água viva.” Nosso tesouro será então a sabedoria da Palavra de Deus, e nossa fé será viva.
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Faça com que sua fé continue crescendo sobremaneiraA Sentinela — 1968 | 1.° de outubro
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Faça com que sua fé continue crescendo sobremaneira
“Estamos obrigados a dar sempre graças a Deus por vós, irmãos, assim como é próprio, porque a vossa fé está crescendo sobremaneira e o amor de cada um de vós está aumentando de uns para com os outros.”- 2 Tes. 1:3
1. Que relatório bíblico nos mostra a necessidade de examinarmos a nossa fé?
DEZ anos depois de Paulo escrever aos tessalonicenses, êle escreveu à congregação em Colossos (c. 60-61 E. C.). Faltavam então apenas dez anos para a destruição de Jerusalém. Era um tempo de urgência, por certo um tempo de se dar atenção à fé em Deus. Em Colossenses 4:14, Paulo alista Demas como coministro, que enviava saudações à congregação colossense. Todavia, menos de cinco anos depois, Paulo escreve a Timóteo e relata: “Demas me abandonou, porque amava o atual sistema de coisas, e foi para Tessalônica.” (2 Tim. 4:10) Demas não foi o primeiro, pois Paulo escreve: “Sabes o seguinte, que todos os homens no distrito da Ásia se desviaram de mim.” (2 Tim. 1:15) Por quê? O que causou êste desvio? Como é que deixou de agir a sua fé? Jesus Cristo mostrou que o futuro, os nossos dias, seria o tempo em que “o amor da maioria se esfriará”. (Mat. 24:12) 1 Timóteo 4:1 também registra: “Nos períodos posteriores de tempo alguns se desviarão da fé, prestando atenção a desencaminhastes pronunciações inspiradas e a ensinos de demônios.”
2. (a) Por que alguns se tornam frios e deixam de servir a Deus? (b) De onde provém a fé?
2 Quando uma pessoa examina a Bíblia, por meio de estudo ou por ouvi-la, provando a si mesma além de qualquer dúvida que Deus existe e é fidedigno, e que sua Palavra é verdadeira, o que move essa pessoa a deixar de servir a Deus? Muitos apontam para o materialismo como o ímã que atrai os homens, afastando-os. Mas, é possível usufruir-se os muitos confortos da vida e ainda assim se ser cristão. Outros dizem que a busca de prazeres debilita a fé, mas os cristãos devem ser pessoas felizes e podem gozar juntos momentos edificantes e agradáveis. Alguns afirmam que o mêdo os retira do serviço de Deus. Ao passo que talvez haja excessos dêsses tipos e de outros que talvez pareçam superficialmente os ter feito parar, consideremos o assunto um pouco mais de perto. A fé se baseia num alicerce sólido, a Palavra de Deus: “De modo que a fé segue à coisa ouvida. Por sua vez, a coisa ouvida vem por intermédio da palavra acêrca de Cristo.” (Rom. 10:17) É como manter-se saudável por meio de alimento nutritivo, que fortaleça o corpo. Deixe de comer, e gradualmente esvaem-se a fôrça e o vigor. O problema é a condição fìsicamente debilitada, que atrai a doença, mas a causa é a falta de alimento. A fé fica debilitada pela falta de alimento da Palavra de Deus e, daí a pouco, desvanece-se e seu dono se torna vítima de inimigos de todos os tipos. Realmente, então, o suprimento alimentar merece meticuloso escrutínio. Paulo disse que Timóteo era “ministro excelente de Cristo Jesus, nutrido com as palavras da fé e do ensino excelente que seguiste de perto”. (1 Tim. 4:6) Paulo, ao escrever aos hebreus a respeito da necessidade de criar fé, disse que alguns se tornaram ‘obtusos no ouvir’. (Heb. 5:11) Assim, haviam cortado o suprimento alimentar. No capítulo dois, versículo um, avisa: “É por isso que é necessário prestarmos mais do que a costumeira atenção às coisas ouvidas por nós, para que nunca nos desviemos.”
3. Ilustrem os benefícios do estudo pessoal.
3 Para o cristão, então, algo capital é um programa regular de alimentação, realizando a pesquisa pessoal, bem como o estudo junto com outros nas reuniões congregacionais. Êle obtém a aprovação de Deus por meio de estudo. (2 Tim. 2:15) Disse certo homem sábio, conforme registrado em Provérbios 4:7: “A sabedoria é a coisa principal. Adquire a sabedoria, e com tudo o que adquirires, adquire o entendimento.” Estudar é como viajar. Talvez ouça com interêsse o relato que outra pessoa faça de suas viagens, mas não é a mesma coisa que o próprio leitor estar ali, onde vê e sente a experiência. A descrição do alimento de forma alguma se compara com o comê-lo o próprio leitor saboreando-o.
4. (a) Descrevam alguns obstáculos para a fé crescente. (b) Como é que as testemunhas de Jeová se ajustam ao quadro?
4 Muitas pessoas talvez não aperfeiçoaram a fé o suficiente para produzir um ministro excelente. Talvez o instrutor de certo estudante tivesse muita pressa em considerar certa matéria impressa, talvez não fornecendo o suficiente exame bíblico para remover as idéias ou ações falsas, substituindo-as por verdades e qualidades bíblicas bem acabadas. Será que o lançaram no ministério antes de ter amadurecido nêle o desejo de pregar as boas novas? Daí, há outra grande barreira, uma lacuna muito penosa de ultrapassar. Quando a pessoa começa a compreender que tem de sair de Babilônia, a Grande (Rev. 18:4), isso significa abandonar amigos e colegas de tôda a vida. Será que arranjaremos logo novos amigos entre o povo de Jeová? Serão compreensivos e pacientes, não esperando que a pessoa melhore a passos largos? Será que ajudarão, ou se porão de lado, à distância, e dirão: ‘Vejamos primeiro se vai ter êxito’? Verá estendida a mão prestimosa, terá a calorosa garantia de genuíno interesse, sim, e a ajuda paciente, o apêgo aos elevados padrões da Palavra de Deus e, ainda assim, não se dizendo exigentemente a cada passo: ‘Não faça isso’; ou: ‘Não faça aquilo.’ A fé crescerá em tal calorosa atmosfera protegida; apenas exige tempo.
CRIAR FÉ
5. Descrevam o ponto de vista necessário às famílias e aos servos responsáveis na congregação para com os programas familiares de estudo.
5 Mas, é preciso que todos os envolvidos na obra de construção reconheçam a importância de ouvir, para criarem fé. Todo servo de Deus terá de dar importância ao alimento espiritual, que resulta em programas regulares de alimentação, e não o pôr de lado, dando lugar a outros assuntos de todos os tipos. A família terá de pensar assim a fim de manter em andamento um programa de estudo familiar. Os superintendentes em tôdas as partes da organização educativa terão de lembrar-se de sua importância e não retirarem o pai de sua responsabilidade bíblica de ter um programa nutridor da fé para a sua família, até mesmo lhe dando outra designação. Tal interferência pode ser evitada se aquêles que fazem as designações de serviço também levarem em conta o elemento tempo que há de ser usado. As designações na organização de Deus são privilégios de serviço, mas, quando o tempo é limitado, êstes privilégios podem criar tensão sôbre o programa de atividades familiares de nutrição espiritual feito pelo chefe de família. O profundo respeito por essa essencial refeição espiritual regular fará que o superintendente e seu irmão conversem primeiro sôbre o assunto. — Pro. 15:22.
6, 7. (a) Ao passo que nos vemos cercados de conselhos de tantas pessoas, qual é a coisa segura a fazer? (b) Como é que as pessoas maduras evitam interferir no crescimento da fé dos outros?
6 Daí, há a questão de dar e receber conselhos. Há tantas vantagens em se saber o que é correto fazer ao servir a Jeová. Todo o mundo tem conselhos e usualmente são dados livremente. Até mesmo o conselho da pessoa mais sincera geralmente se baseia nos gostos e desgostos daquela pessoa. As pessoas passam a vida inteira fazendo decisões e sendo parciais, usando seus gostos e desgostos quais bases para as decisões e para dar conselhos. Se souber o que é certo e o fizer, terá contentamento em servir a Jeová, tendo a Sua bênção, e essa é a coisa principal a alcançar. Não há motivo de nos tornarmos dogmáticos ou dominantes em nossa atitude só porque conhecemos a verdade e somos todos parte da mesma organização. Nos limites da moderação, há bastante lugar para se usufruir ampla variedade de atividades. (Tito 2:2; 1 Tim. 3:2, 11) Ninguém objetaria a isso. Se os princípios bíblicos não estiverem sendo violados, por que preocupar-se com coisas tais como estilos, côres de roupas, lares, alimento, diversão e empregos? Há algo de errado em se ter variedade? Por acaso, talvez ache que todos deveriam ser iguais. Olhe em volta da terra e seu espetáculo estimulantemente colorido e a infindável variedade. Não é interessante e revigorador? Muito embora outros talvez achem que uma pessoa poderia melhorar, há muitas coisas que são de sua própria conta, tal como o tipo de trabalho que faz, o lar em que mora, o treino que dá aos filhos, e seus amigos. Se ficarmos perturbados com estas coisas, bem como nos tornarmos uma fonte de irritação para outros por constantemente nos imiscuirmos nos seus negócios, então talvez transtornemos a sua vida e interfiramos com sua atividade que cria fé. Paulo insta a que se coloque em primeiro lugar a coisa importante, o Reino. — Rom. 14:17-23.
7 A pessoa que descobre o que é certo e então não receia pô-lo em execução ou viver segundo a verdade, livra-se de muitos momentos que retardam a fé. Durante tempos de indecisão ou de hesitação, surgem dúvidas, os passos vacilam e os ouvidos ficam abertos a qualquer tipo de orientação. Seja sábio, medite no assunto mediante o conselho sadio da Bíblia. — Fil. 4:5.
8. Identifiquem a diferença e o resultado de se darem orientações e de se servir o alimento espiritual.
8 Ao ajudar a outros a recriar fé, é necessário servir alimento, e não dar orientações. Os irmãos maduros na congregação que prestam ajuda a seus irmãos realmente criarão fé se servirem o alimento espiritual, antes que dar avisos. É verdade, os mais fracos precisam comparecer às reuniões; as orientações urgentes talvez sirvam para uma semana e êles talvez compareçam à reunião naquela semana, mas, o que dizer das outras semanas? O alimento espiritual dará fôrças, mais alimento posteriormente adicionará mais fôrça e, dentro em breve, haverá a correspondência de um coração ativado e a “ovelha” faminta ficará ansiosa de vir às reuniões em busca de mais alimento. Os ministros maduros têm sermões preparados que trazem alimento àqueles a quem encontram no ministério de casa em casa; daí, por que não ter um sermão preparado quando ajudamos os nossos irmãos? Na verdade, tem de ser flexível, mas, por certo, um ponto bem pensado da Palavra de Deus suplementará a fé que já existe ali. Nem tem de ser desviado para malhar a fraqueza das falhas do irmão ou mostrar que êle está fraco à luz forte da Palavra de Deus.
9. Que método usou Jesus para consolidar a fé?
9 Lembre-se, quando Jesus falou aos discípulos no caminho entre Jerusalém e Emaús, o que foi que disse a êstes homens que os moveu a dizer: “Não se nos abrasavam os corações quando nos falava na estrada”? (Luc. 24:32) Responde o mesmo relato bíblico: “E, principiando por Moisés e por todos os Profetas, [Jesus] interpretou-lhes em tôdas as Escrituras as coisas referentes a si mesmo.” (Luc. 24:27) Algumas dessas escrituras que Jesus explicou poderiam ter sido Deuteronômio 18:15; Números 21:9; Gênesis 49:10; 22:18; 3:15; Isaías 7:14; 9:6; Jeremias 23:5; Ezequiel 34:23; 37:25; Daniel 9:24; Malaquias 3:1. Filipe disse a Natanael: “Achamos aquêle de quem escreveram Moisés, na Lei, e os Profetas: Jesus, filho de José, de Nazaré.” — João 1:45.
10. Descrevam o tipo de pessoas com as quais Jesus trabalhou e o que isto tem de ver com o criar fé.
10 O melhor exemplo em criar fé é Cristo Jesus; assim, precisamos fazer o que êle fez, explicar as coisas como êle explicava, lidar com as pessoas da forma que êle lidava com elas. Examine o tipo de pessoas a quem Jesus ajudou, os paralíticos desvalidos (Mat. 9:2), os tateantes cegos (Mat. 9:27), os frustrados surdos (Mat. 9:32), os temíveis leprosos (Mat. 8:2), os aterrorizantes possessos de demônios (Mat. 8:28), os desprezados coletores de impostos (Luc. 5:30), as repelidas mulheres de má reputação (Luc. 7:37-50). Jesus falava a pessoas dêste tipo dia após dia e sob o meticuloso escrutínio dos líderes religiosos de mente amargurada, odiosos. (Mat. 22:15; 27:1; 26:3, 4) Veio a ser conhecido pela sua associação com tais pessoas pecaminosas (Mat. 8:16, 17), e até mesmo cumpriu uma profecia neste respeito, registrada em Isaías 53:3, 4. O proceder de Jesus era de constante edificação, mas, de modo paciente e compreensivo.
11. Como agia Jesus ao ajudar seus discípulos a crescer em fé naquela noite da Páscoa, e que lição aprendemos da forma de consolidar a fé usada por Jesus?
11 A questão da fé surgiu na noite da última Páscoa que Jesus passou com os apóstolos. Disse-lhes: “Não se aflijam os vossos corações. Exercei fé em Deus, exercei fé também em mim.” (João 14:1) Note agora como Jesus consolida a fé, à medida que explica que iria embora, para o céu (1 Ped. 3:22), preparar um lugar para êles, seus apóstolos fiéis (1 Ped. 1:3, 4; Rev. 20:6), e voltaria para êles (Mat. 24:31). Indica a íntima união entre êle e seu Pai, Jeová, e que êles, seus apóstolos, usufruíam dessa íntima relação à medida que obedecessem aos mandamentos que Jesus lhes dera, e aumentassem seu amor a Jeová, a Cristo Jesus e a seus irmãos. Prometeu-lhes ajuda adicional — “o espírito da verdade”, que os ajudaria a permanecer fiéis. (João 14:17) Jesus deixou bem claro o ponto de que “as coisas que vos digo não falo da minha própria iniciativa; mas o Pai, que permanece em união comigo, está fazendo as suas obras”. (João 14:10; veja-se também João 7:16; 8:28.) Se Jesus seguiu a diretriz de consolidar a fé do homem por usar a Palavra de Deus, então não podemos agir de outra forma melhor, atualmente. Jesus tinha muito mais sabedoria do que nós, todavia, não ministrou a sua, mas ministrou o alimento espiritual para criar fé.
12. Expliquem o que se pode encontrar no sermão do monte, nas ilustrações e profecias de Jesus que seria de tanta ajuda para consolidar a fé.
12 Examine o sermão do monte proferido por Jesus (Mat. 5:1-7:29) e note o alimento espiritual que faria que a fé começasse a brotar bem como consolidaria a fé dos maduros. Uma rica refeição é cuidadosamente preparada nas muitas ilustrações parabólicas que Jesus usou em Mateus, capítulos treze, vinte e um e vinte e dois. Jesus proferiu profecias que consolidariam a fé de milhares de pessoas ao lerem as registradas em Mateus 24:1-25:46. Em todos êstes casos, Jesus foi breve, direto e poderoso ao transmitir seu ponto.
13. Definam a fé demonstrada pelos alistados em Hebreus, capítulo 11?
13 Na carta que o apóstolo Paulo escreveu para consolidar a fé dos hebreus, êle alista o nome de dezesseis homens e mulheres que tinham uma coisa em comum: fé. Viveram em épocas diferentes, confrontaram várias situações e problemas, mas foi a sua fé que lhes trouxe a bênção de Jeová. Hebreus 11:1 define a fé dêste tipo: “A fé é a expectativa [antegôsto, antevisão] certa [provada, baseada em lógica e em fatos] de coisas esperadas, a demonstração [expressão exterior] evidente [clara à visão e ao entendimento, distinta, patente] de realidades [ser real, veraz à vida ou aos fatos], embora não observadas [com os olhos literais].” A Sentinela de 15 de outubro de 1962 definiu a fé da seguinte forma: “possuir firme convicção, certeza sólida, plena confiança”.
MANUTENÇÃO DA FÉ, COM CRESCIMENTO
14. Por que consolidar a fé é semelhante a construir um edifício?
14 Portanto, a fé da pessoa amiúde se acha na mesma condição que um edifício. Algumas casas se estragam por causa da qualidade inferior dos materiais, ou por não serem testados, e êstes lares têm de ser consertados a fim de perdurarem. Isto talvez exija o fortelecimento do alicerce com material de refôrço. Usualmente, há mais trabalho envolvido do que na construção de uma nova casa. Gasta-se muito tempo em examinar os pontos fracos da casa antes de ser possível aplicar o remédio e serem feitos os consertos.
15. Quando é que começa a manutenção da fé? Por quê?
15 O cuidado de um lar começa apenas quando o construtor entrega as chaves ao nôvo dono. Tudo é nôvo, tendo os materiais mais recentes para o confôrto e a durabilidade. Mas, imediatamente começa o programa de manutenção. O tempo, a contração devida ao calor e ao frio, o assentamento do alicerce e o desgaste geral dentro em breve produzem rachaduras, cantos lascados, vidraças partidas, e uma porção de instalações defeituosas. O mesmo se dá com a fé da pessoa. Quanto tempo gasta na manutenção de sua fé? A Palavra de Deus aconselha: “Persisti em examinar se estais na fé, persisti em provar o que vós mesmos sois.” — 2 Cor. 13:5.
16. Como é que uma pessoa verificaria quaisquer fraquezas na sua fé e determinaria as medidas de manutenção necessárias?
16 A fé se acha associada ao crescimento. A falta de fé se verifica, quando parou ou se acha tolhido o crescimento. Diz Jeová, em Hebreus 10:38: ‘Meu justo viverá em razão da fé’, e, ‘se êle retroceder, minha alma não tem prazer nêle’.” Há excelente orientação para se determinar a manutenção — fique à espreita de qualquer sinal de recuo. Será que o leitor e sua família estudam menos, deixando de lado seu estudo familiar? Será que verificam que suas explicações dos assuntos bíblicos são um pouquinho desprovidos de entendimento? É o seu ministério público um programa apressado, que se quer terminar logo? Tem o seu ouvir se tornado obtuso, notando por si mesmo que se queixa de memória fraca? Será que a verdade se tornou lugar-comum para o leitor, porque é tão fácil de obter? Não podemos adotar o conceito do dono de uma casa a curto prazo, que arrazoa que evitará os custos de manutenção e passará os problemas resultantes para o próximo comprador insuspeito. Temos diante de nós a esperança de vida eterna e precisamos manter viva e crescente a nossa fé.
17. (a) Será que há quaisquer recompensas de se ser fiel? (b) Como são usualmente identificados os fiéis?
17 Há muito mais felicidade envolvida no crescimento. Estará vivendo se sua fé fôr viva. Imensurável contentamento é usufruído por meio de seu programa fidedigno de manutenção da fé. A paz mental vem junto com o livramento dos colapsos da fé. Daí, pense no grande encorajamento que o leitor constitui para os novos, os mais fracos, e aquêles que são vagarosos em progredir, à medida que fielmente, a passos calmos e constantes, continua a servir a Jeová. Por meio de um servo fiel, Jeová enviou estas informações muitíssimo encorajadoras aos tessalonicenses: “Sempre agradecemos a Deus, ao fazermos menção de todos vós nas nossas orações, pois nos lembramos incessantemente da vossa obra fiel, e do vosso labor amoroso, e da vossa perseverança devido à vossa esperança no nosso Senhor Jesus Cristo, perante nosso Deus e Pai.” (1 Tes. 1:2, 3) Dispomos da mesma pessoa para buscarmos ajuda, e, sem dúvida, o futuro será além de qualquer descrição, “olhando atentamente para o Agente Principal e Aperfeiçoador da nossa fé, Jesus”. — Heb. 12:2.
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Apreciando o serviço do “escavo fiel e discreto”A Sentinela — 1968 | 1.° de outubro
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Apreciando o serviço do “escravo fiel e discreto”
CONFORME NARRADO POR MARY HANNAN
POR QUE não vem comigo ao estudo bíblico?” — inquiriu minha mãe certa manhã de domingo à medida que ela, minha irmã, e meu irmão mais velho se aprontavam para a viagem de quase dez quilômetros até à cidade, a cavalo e charrete. “Irei se a senhora me trouxer de volta em tempo para a escola dominical” — respondi. A época era antes da Primeira Guerra Mundial. O lugar: uma fazenda de 30 hectares na parte sul de Nova Jersey. Nossa família se compunha de papai, mamãe, quatro rapazes e duas môças, e a maior parte de nossa afiliação religiosa tinha sido com os presbiterianos.
Mamãe, porém, mudara ùltimamente. Alguém lhe enviara pelo correio um único exemplar de uma revista chamada “A Tôrre de Vigia” (Sentinela) contendo prova bíblica de que não havia um lugar tal como o inferno ardente para as pessoas iníquas. Mamãe sempre crera que havia, mas, ela também cria firmemente na Bíblia. Os leitores podem imaginar como ela se sentiu ao saber a verdade sôbre o inferno. Ela falava com todos sôbre isso - vizinhos, parentes e conosco, os filhos, no lar. Alguns daqueles a quem ela falava até mesmo pensaram que estava ficando maluca.
Mamãe veio a ser ardente estudante da Bíblia. Comprou e devorou os “Estudos das Escrituras”, uma série de livros lançados pela Sociedade Tôrre de Vigia. Começou a estudar regularmente com pequeno grupo de Estudantes da Bíblia reunido costumeiramente numa casa em uma cidade vizinha. Amiúde contava a nós, seus filhos, as coisas que aprendia. Durante as nossas refeições, também, costumávamos ler a Escritura. Posso lembrar-me de uma de tais leituras que deixou profunda impressão em minha mente jovem — o capítulo sessenta e cinco da profecia de Isaías.
Por fim, para agradar a mamãe, comecei a ir às reuniões de estudo bíblico junto com ela, mas eu e minha irmã sempre arranjávamos um jeito de freqüentar também a escola dominical. No entanto, quanto mais aprendíamos com a mamãe, tanto mais difíceis eram as perguntas que propúnhamos ao nosso professor da escola dominical. Ao não serem respondidas as nossas perguntas, logo perdemos o interêsse na escola dominical.
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