A longa marcha das potências mundiais aproxima-se do fim
A Bíblia fala de sete grandes potências mundiais — poderosos impérios que se sucederam uns aos outros no decorrer de milhares de anos na história do mundo. Os artigos anteriores desta série mostraram que vivemos na época da última delas — a Potência Mundial Anglo-Americana da atualidade.a — Revelação [Apocalipse] 17:9, 10.
Esta mesma Potência Mundial Anglo-Americana já fora descrita no livro de Revelação como uma fera de “dois chifres”. Esta potência mundial dupla “diz aos que moram na terra que façam uma imagem” da fera política que representa todas as sete potências mundiais. — Revelação 13:11, 14.
Como se cumpriram tais profecias, e o que significam para nós hoje? A interessante resposta é o tema do artigo que se segue.
[Nota(s) de rodapé]
a Essas potências mundiais foram consideradas em edições anteriores desta revista: (1) Egito, 1.º de fevereiro; (2) Assíria, 15 de fevereiro; (3) Babilônia, 1.º de março; (4) Medo-Pérsia, 15 de março; (5) Grécia, 15 de abril; (6) Roma, 1.º de maio; (7) a Potência Mundial Anglo-Americana, 15 de maio.
AO PASSO que chegavam ao fim os quatro anos de horror da Primeira Guerra Mundial, o presidente dos Estados Unidos, Woodrow Wilson, e o primeiro-ministro da Grã-Bretanha, David Lloyd George, propuseram uma Liga das Nações. Esta tinha por objetivo “produzir paz e segurança internacionais”, e assim evitar que o horror de tal guerra se repetisse algum dia.
É interessante notar quem tomou tal iniciativa. Esses dois líderes eram os respectivos chefes das duas partes da Potência Mundial Anglo-Americana, de língua inglesa, a sétima na história da Bíblia. Este e outros fatos a respeito da organização internacional de paz e segurança se ajustam de modo surpreendente ao que o livro bíblico de Revelação dissera sobre um “oitavo rei” de curta duração, que tanto ascenderia ao poder como cairia em nossos dias. Quais foram alguns desses paralelos interessantes? — Revelação 17:11.
A profecia de Revelação revelou que uma “fera”, dotada de “dois chifres semelhantes aos dum cordeiro”, diria “aos que moram na terra que façam uma imagem” da fera, que tem sido encabeçada pelas sete grandes potências mundiais da história bíblica.
Foi exatamente isso o que a Potência Mundial Anglo-Americana fez. Exortou ‘os que moram na terra’ a formar uma Liga que se parecesse aos grandes governos e agisse como eles. Mas, na verdade ela era apenas “uma imagem da fera”. Não tinha poder em si mesma, apenas o que lhe foi concedido pelas nações-membros. Ela não é descrita como ascendendo ao poder mediante alguma grandiosa conquista militar, como fizeram as potências mundiais. Em vez disso, procede ou origina-se das sete potências mundiais. Deve sua existência não só à sétima delas, mas também as demais nações-membros, que incluem o que restou das seis anteriores. Alcançaria essa imagem política os elevados objetivos esperados por seus fundadores? — Revelação 17:11, 14.
O Fracasso da Liga
A Liga das Nações realizou muita coisa na área social. Entretanto, seu real objetivo, conforme expresso no “Pacto da Liga das Nações” oficial, era promover a cooperação internacional e produzir paz e segurança internacionais”. Nisso ela fracassou.
A Liga não conseguiu impedir o Japão de invadir a Mandchúria, em 1931. Não impediu a Bolívia e o Paraguai de entrarem em guerra em 1933. Fracassou em evitar que Mussolini conquistasse a Etiópia em 1936. No entanto, o golpe mortal da Liga ocorreu em 1.º de setembro de 1939, com o irrompimento da Segunda Guerra Mundial — uma convulsão da espécie de destruição em massa e miséria que a Liga fora estabelecida para evitar. O que custou essa guerra? A vida de 16 milhões de soldados e 39 milhões de civis, perfazendo um total de 55 milhões de mortos, ou quase quatro vezes o número de mortos na Primeira Guerra Mundial!
Entretanto, lá em 1919, antes mesmo de o Pacto da Liga entrar em vigor, as Testemunhas de Jeová (então conhecidas como Estudantes da Bíblia) declararam publicamente que a Liga teria de fracassar, pois a paz não poderia vir por meio de tais empenhos humanos. Mais tarde, em seu congresso de 1926, em Londres, Inglaterra, salientou-se que, segundo Revelação 17, o “oitavo rei” aparece como encerrando a sucessão de potências mundiais. Como destacou o orador, “o Senhor predisse seu nascimento, sua curta existência, e seu fim eterno”.
Ela Retorna!
Com referência a este oitavo rei, a profecia inspirada diz: “A fera que viste era, mas não é, contudo, está para ascender do abismo, e há de ir para a destruição.” — Revelação 17:8.
Desde o ano de 1942, no meio da guerra, as Testemunhas de Jeová davam-se conta de que a então adormecida organização de paz e segurança ascenderia do seu abismo de inatividade. Naquele ano, o presidente da Sociedade Torre de Vigia (EUA) disse a uma assistência distribuída em 52 cidades: “Embora quarenta membros ainda professem aderir à Liga, ela está com efeito em estado de animação suspensa . . . Ela ‘já não é’.” Mas, será que iria “ascender do abismo”? Baseando as suas palavras nessa profecia bíblica, ele declarou: “A associação das nações mundanas se tornará a levantar.”
Conforme declarara a profecia, esse oitavo rei “era” de 1920 até 1939. Ele ‘não era’ de 1939 até o fim da Segunda Guerra Mundial em 1945. Daí, ascendeu “do abismo”, reativada como sucessora da Liga, as Nações Unidas.
Elevadas Esperanças Não Realizadas
Delegados de 50 nações assinaram a Carta das Nações Unidas em San Francisco, EUA, em 26 de junho de 1945. Seu preâmbulo iniciava: “Nós, os povos das Nações Unidas, resolvidos a preservar as gerações vindouras do flagelo da guerra, que por duas vezes, no espaço da nossa vida, trouxe sofrimentos indizíveis à humanidade . . . ”
As esperanças edificadas na ONU excediam toda a realidade. O ex-secretário de estado dos Estados Unidos, Cordell Hull, afirmou que ela possuía a chave para “a própria sobrevivência de nossa civilização”. O presidente dos Estados Unidos, Harry Truman, chamou-a de “suprema oportunidade de . . . criar uma paz duradoura sob a orientação de Deus”. A Carta das Nações Unidas foi chamada de “possivelmente o documento mais momentoso já produzido pelo homem”, e de “ponto decisivo na história da civilização”. Quarenta anos depois, Gregory J. Newell, do Departamento de Estado dos Estados Unidos, declarou: “Exagerou-se a causa: a frustração era inevitável.”
Igual à Liga, a ONU realizou muita coisa na área social. Mas, não garantiu a paz nem impediu a guerra. O ex-primeiro ministro da Grã-Bretanha, Harold Macmillan, disse perante a Câmara dos Comuns britânica, em 1962, que “o inteiro alicerce sobre o qual as Nações Unidas foram construídas foi minado”.
De início, muitos encaravam essa organização quase que com fervor religioso. Acreditavam que essa “imagem” faria o que a Bíblia diz que somente o Reino de Deus fará: estabelecer duradoura paz, justiça e um mundo realmente unido. Discordavam fortemente das profecias bíblicas que indicavam que os esforços humanos não poderiam ser genuína fonte de paz. Todavia, quando a ONU atingiu a idade de 40 anos, o historiador Thomas M. Franck disse que “ela é . . . muito menos eficaz do que esperávamos em 1945”. Conforme comentou o secretário de estado dos Estados Unidos, George P. Shultz: “O nascimento das Nações Unidas certamente não transformou o mundo num paraíso.”
A ONU não teve êxito porque os governos humanos não eliminaram os verdadeiros obstáculos à paz: o nacionalismo, a avareza, a pobreza, o racismo, o despotismo e a influência de Satanás sobre o mundo. As pessoas se aferram a esses governos, não porque a perspectiva seja brilhante, mas porque não têm esperança melhor. — Revelação 12:12.
A existência das Nações Unidas e os esforços que tantas pessoas devotaram a ela, mostram quão profundamente as pessoas da terra compreendem a necessidade duma mudança. Tal mudança ocorrerá, mas de forma diferente e mais eficaz. De que modo?
Governo Permanente
Lembre-se de que a Bíblia diz que haveria apenas sete “reis” ou potências mundiais em sucessão. Nenhuma grande potência mundial é mencionada após isso. A Bíblia até mesmo declara que o temporário “oitavo rei . . . vai para a destruição”. — Revelação 17:10, 11.
Mas, a Bíblia também diz que há uma esperança melhor. Promete que algo mais estabelecerá a paz, a justiça e um mundo unido que as pessoas tão desesperadamente buscam. Ela declara: “E nos dias daqueles reis o Deus do céu estabelecerá um reino que jamais será arruinado. . . . Esmiuçará e porá termo a todos estes reinos [humanos, deficientes], e ele mesmo ficará estabelecido por tempos indefinidos.” — Daniel 2:44.
Esse é o governo sobre o qual Jesus falou, e pelo qual seus seguidores têm orado ao dizer: “Venha o teu reino.” (Mateus 6:10) Esse Reino não é simplesmente alguma influência para o bem no coração dos homens. Antes, é um governo celestial real, uma regência do domínio espiritual sobre a terra. Ele modificará o modo em que vivemos na terra. — Revelação 21:1-4.
O que a Bíblia diz sobre esse emocionante novo governo, como operará, e a paz, a justiça e o mundo unido que ele produzirá será o assunto do próximo e último artigo desta série.
[Foto na página 26]
‘Desde a criação da ONU, vinte milhões de pessoas morreram nas guerras, um fato deplorável que atesta o custo desse fracasso.’ — “Nation Against Nation” (“Nação Contra Nação”), de Thomas M. Franck.
[Quadro na página 28]
A Amplitude da Guerra
A Segunda Guerra Mundial, que marcou a extinção da Liga das Nações, ceifou um assombroso tributo de vidas. A Encyclopædia Britannica (edição de 1954) ilustrou a amplitude do tributo de mortes por fornecer a proporção de mortes de militares durante a guerra em relação à população de diversos países em 1940. Entre os dados estão os seguintes: Os Estados Unidos perderam em batalha um militar para cada 500 pessoas da população existente em 1940; a China, um para cada 200; o Reino Unido, um para cada 150; a França, um para cada 200; o Japão, um para cada 46; a Alemanha, um para cada 25; e a URSS, um para cada 22. Quando consideramos que as mortes de civis muitas vezes excederam as perdas militares, percebemos prontamente como os esforços humanos realmente fracassaram em produzir verdadeira paz e segurança.