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O abuso sexual de crianças — pesadelo de toda mãeDespertai! — 1985 | 8 de junho
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O abuso sexual de crianças — pesadelo de toda mãe
PARA a jovem mãe, foi um pesadelo que se tornou realidade. Quando sua filhinha de 4 anos queixou-se de dores abdominais, ela a levou ao médico. O pediatra, depois de cabal exame, disse em tom grave à mãe que sua filhinha fora vítima de abuso sexual. Tinha sido violada. A mãe informou às autoridades de Nova Iorque, que rapidamente determinaram que tal abuso tinha sido cometido numa creche do bairro de Bronx, Nova Iorque, EUA.
As investigações levadas a efeito na creche revelaram resultados horripilantes. Primeiramente uma criança, daí outra, e então uma terceira, revelaram que elas, também, tinham sofrido abusos sexuais. Pelo menos 30 crianças por fim afirmaram ter sido vítimas de abusos sexuais nessa mesma creche. Uma delas contraiu blenorragia. Daí, informes vieram à tona de que, em outra creche, crianças tinham sofrido abusos. Em seguida, em mais uma creche. Por fim, sete creches tiveram de ser investigadas apenas na área de Nova Iorque.
Ao se anunciar cada novo caso, informes sobre abusos sexuais de crianças começaram a chegar de outras partes do país. O escândalo se espalhou. Os pais perguntavam uns aos outros: “O que está acontecendo?” Deveras, que coisa chocante! Era isto uma série rara de incidentes de abusos sexuais? Ou era algo muito disseminado, que só então estava sendo notado?
Um Problema Generalizado
A realidade é que o abuso sexual de crianças já existe há muito e, atualmente, acha-se generalizado. Em 1983, o presidente duma Força-Tarefa Consultiva Sobre Estupro, de Nova Iorque, comunicou ‘dramático aumento no número de criancinhas que se tornam vítimas de estupro, de incesto, e de outras formas de abuso sexual’. O dr. David Finkelhor, do Programa de Pesquisas Sobre a Violência Familiar, da universidade de New Hampshire, EUA, realizou um estudo em ampla escala do assunto. Descobriu que os filhos de 9 por cento dos pais entrevistados tinham sido vítimas de abusos sexuais. Quinze por cento das mulheres e 6 por cento dos homens tinham sofrido, eles mesmos, abusos sexuais quando crianças!
Estatísticas precisas são difíceis de obter.Nos Estados Unidos, o Centro Nacional de Controle dos Abusos Contra Crianças e de Negligencia registra 55.399 casos de crianças sendo vítimas de abusos sexuais em um só ano. Mas, trata-se somente de casos de abusos incestuosos. Os abusos sexuais por parte de amigos, vizinhos, professores, etc. — bem como por parte de estranhos — elevariam de modo considerável esse total. E um porta-voz da Liga do Bem-Estar da Criança nos EUA disse a Despertai! que “as estatísticas que temos são apenas a ponta do iceberg”.
Um informe da revista Ladies’ Home Journal calcula: “O abuso sexual de menininhas é quatro vezes mais comum do que o estupro de mulheres adultas. Entre os 5 e os 13 anos, uma de cada quatro menininhas torna-se presa de alguma forma de abuso sexual por parte de adultos — quer seja por exibicionismo, quer por carícias inapropriadas, violação, ou incesto. Embora as menininhas sejam as vítimas mais comuns, de 20 a 25 por cento dos atacados são garotinhos.”
Os médicos estão convencidos dos efeitos prejudiciais e a longo prazo de tais abusos. Assim, os pais talvez fiquem pensando: ‘Estão meus filhos correndo riscos? Que medidas posso tomar para protegê-los? Que sorte de pessoa tentaria fazer-lhes mal?’
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O abuso sexual de crianças — ‘quem faria uma coisa dessas?’Despertai! — 1985 | 8 de junho
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O abuso sexual de crianças — ‘quem faria uma coisa dessas?’
A MAIORIA dos pais responderia errado a essa pergunta. Quando pensamos no abuso sexual, a maioria de nós provavelmente imagina um estranho esquisito que se exibe às crianças ou que as atrai para um carro ou para algum matagal. Tem-se dado publicidade também a grupos que atraem crianças para explorá-las em pornografia ou na prostituição infantil. Tais coisas deveras acontecem, mas estas pessoas estão muito longe de ser o tipo comum que abusa sexualmente de crianças. Assim, quem são as pessoas que geralmente abusam sexualmente de crianças?
Suely sofreu abusos sexuais dum homem que dirigia um grupo ligado a uma igreja. Dirigia um clube para jovens, e todo o mundo concordava que era um tipo bem agradável. Mas, abusou sexualmente de Suely, e de outras jovens. Outra jovem, escreveu para a coluna duma conselheira para dizer que seu tio favorito costumava colocá-la no colo e acariciá-la indevidamente. Um senhor se lembra de que, quando garoto, sofria abusos sexuais constantes por parte do filho adulto dum amigo íntimo da família. Um garoto de 11 anos sofreu abusos sexuais da tia com quem morava. Uma senhora de Nova Iorque informa ter sofrido abuso sexual por parte do avô quando tinha 7 anos. Um rapazinho de 15 anos sofreu abusos sexuais do seu médico, durante um exame médico. Para Pâmela, foi ainda pior. Durante muitos anos, seu próprio pai abusava sexualmente dela. E Maria sofreu abusos por parte de dois irmãos mais velhos e de um primo em primeiro grau, mais idoso.
Com efeito, provavelmente menos de um terço dos abusos sexuais contra crianças são cometidos por estranhos. Em geral, as vítimas conhecem o atacante. Amiúde, quem comete tais abusos é seu parente. Assim, na maioria dos casos, as crianças sofrem abusos sexuais por parte de pessoas que elas conhecem e em quem confiam, o que torna o problema de protegê-las ainda mais difícil.
Como Age Quem Comete Tais Abusos
Muitos pais têm outras idéias errôneas. Imaginam o abuso como sendo algo violento, a criança se debatendo e suplicando misericórdia aos berros. Isto talvez não aconteça de forma alguma, pelo menos não no princípio. De início, os abusos sexuais talvez sejam disfarçados como brincadeiras ou toque afetuoso, e prosseguem desse ponto. O praticante do abuso sexual provavelmente persuade e pressiona a criança, utilizando toda a autoridade inerente a uma pessoa mais velha. Lembra-se de quando era criança, e foi treinado a obedecer aos adultos, mesmo quando lhe ordenassem coisas que não apreciava, tais como ir deitar-se cedo e comer todos os legumes postos no seu prato? Os que praticam abusos sexuais tiram vantagem desta formação. Disse um homem condenado por tais abusos sexuais: “Mostre-me uma criança obediente, e eu lhe mostrarei uma vítima fácil.”
Uma menina recebia telefonemas obscenos. Quando lhe perguntaram por que não punha o fone no gancho, ela disse que julgava ser rude fazer isso quando uma pessoa ainda estava falando! Uma senhora de 30 anos lembra-se de que, quando tinha 5 anos, viu-se assediada por seu avô. Ele lhe disse: “Boas meninas fazem isso para o vovô e nunca contam às suas mães.” Quantas menininhas de 5 anos seriam capazes de discernir tal engodo?
E lembra-se de como lhe encantava receber presentes e agrados quando era criança? Os praticantes dos abusos sexuais não raro utilizam esta característica infantil para iniciar um relacionamento que permita abusos. Por exemplo, que faria seu filho se o zelador da escola lhe dissesse: “Fique comigo por algum tempo no meu gabinete, depois de terminarem as aulas, e eu lhe darei uns trocados”?, ou alguém que toma conta da criança dissesse: “Deixarei que você fique acordada, vendo televisão até tarde, se fizer algo para mim primeiro”?
Ela sofreu abuso sexual por parte de seu ministro de religião.
Às vezes, os que cometem abusos sexuais se aproveitam do amor natural duma criança por segredos. Não era excitante, quando era jovem, ter um segredo? Uma menininha tinha um segredo que escondia dos pais. Mas, certo dia, os pais dela a viram agir dum modo sexualmente precoce. Quando lhe perguntaram onde é que tinha aprendido tais coisas, a menininha disse: “É um segredo.” O pai dela lhe explicou que, às vezes, não devíamos guardar certos segredos, de modo que a menininha lhe revelou seu segredo. Um chefe de família de 40 anos, que era parente próximo, obrigara-a a deitar-se e cometera abuso sexual contra ela.
Por fim, talvez haja ameaças, ameaças sutis que abatem o senso de segurança da criança. Uma senhora adulta conta que sofreu abusos sexuais do padrasto quando era criança. Diz que ele abusou dela durante quatro anos, começando quando ela tinha 6 anos. Por que não contou à sua mãe? “Ele disse que, se eu contasse isso a alguém, a polícia viria prendê-lo e minha mãe perderia seu emprego. A família passaria fome e tudo seria por culpa minha.”
A autora Gail Sheehy abrange muitos destes pontos nas seguintes observações: “Esquecemos de como os adultos pareciam todo-poderosos para nós quando nós mesmos éramos crianças.” Acrescenta: “É muito fácil um genitor ou quem toma conta da criança dar início a atividades sexuais sob o disfarce dum banho e inspeção higiênica normais. A criança vem a perceber de que algo é errado somente quando se introduz a secretividade: ‘Não conte à sua mãe que fizemos isso’ — e pode-se incluir suficiente intimidação de um só golpe — ‘ou ela não amará mais você’.” Conseguiriam seus filhos resistir a esta espécie de chantagem psicológica?
A Melhor Defesa das Crianças
Assim, como vê, os praticantes dos abusos sexuais podem ser as pessoas mais inesperadas, e podem utilizar táticas sofisticadas e astutas. O abuso sexual de crianças é, provavelmente, quase tão antigo quanto a História. Mas, à medida que esta geração avança, e cada vez mais indivíduos se tornam “amantes de si mesmos, . . . sem afeição natural, . . . sem autodomínio”, tal ameaça se torna cada vez maior. (2 Timóteo 3:1-3) Entretanto, os filhos deveras possuem fortíssima defesa. Qual é? Seus pais. Estes são os adultos melhor habilitados a protegê-los de outros adultos que talvez desejem cometer abusos sexuais contra eles. Vejamos como.
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O abuso sexual de crianças — poderá proteger seus filhosDespertai! — 1985 | 8 de junho
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O abuso sexual de crianças — poderá proteger seus filhos
UMA mulher jovem, que sofreu abuso sexual por parte do irmão e do cunhado quando menina, afirma: “Fiquei com medo, assim, não contei a ninguém. Por este motivo, gostaria de dar este aviso a todos os pais: ‘Queiram ensinar seus filhos a não permitir que ninguém da família, ou sem ser da família, ponha as mãos neles de qualquer modo errado. Se alguém tentar fazê-lo, não tenham receio de denunciá-lo.’” Acrescenta mais: “Isso pode acontecer com qualquer criança, a qualquer hora!”
Neste mundo degenerado, temos de tomar medidas definidas para proteger nossos filhos dos abusos sexuais. Não é sábio deixar as coisas entregues ao acaso e simplesmente esperar que nada aconteça.
A Primeira Linha de Defesa
A primeira linha de defesa é evitar situações que deixem nossos filhos vulneráveis. Por exemplo, aconselha-se os pais a ter cuidado ao usar como babás ou para tomar conta dos filhos certos jovens adultos que parecem preferir estar com crianças do que com pessoas de sua própria idade. Um psicólogo clínico informa que dois terços dos que abusam sexualmente de crianças que ele está tratando cometeram tal delito quando serviam de babás ou cuidavam de crianças.
A dra. Suzanne M. Sgroi menciona duas outras situações que levaram a dificuldades: Crianças que dormem juntas (na mesma cama ou quarto) com adultos ou adolescentes, e grandes reuniões familiares em que os adultos se absorvem nas distrações e simplesmente presumem que os filhos mais velhos estão cuidando dos menores.
A verdade é que, quanto mais mantivermos nossos filhos sob a nossa própria supervisão, tanto menos oportunidade terão tais pessoas que abusam de crianças para chegar até elas. Ana, mãe de três filhos, chega ao ponto de não permitir que seu filho caçula, um jovem de 14 anos, fique passeando pelo saguão do shopping center — ou vá sequer a lavatórios públicos — sozinho. O rapazinho, com toda probabilidade, acha isto muito restritivo, mas sua mãe tem seus motivos. Quando criança, ela sofreu abusos sexuais.
No entanto, os pais nem sempre podem manter tão estrita vigilância sobre os filhos. Pais que trabalham fora talvez não tenham outra escolha, senão a de deixar seus filhos em creches, ou com parentes, babás, ou outras pessoas que cuidem deles. As crianças têm de ir para a escola, e os pais nem sempre podem estar junto delas. Parentes e amigos vêm visitá-los. E, daí, há também os vizinhos! Como podemos proteger nossos filhos quando eles são tão vulneráveis? Realmente, só há um jeito —
Converse com Seus Filhos Sobre Este Perigo
A psicóloga Debrah Shulman disse: “É tolice fingir diante dos filhos que não existem perigos. As crianças estão cônscias de sua vulnerabilidade e preocupam-se naturalmente com sua própria segurança. Faz parte do dever dos pais fornecer-lhes os instrumentos para lidarem de forma realística com tal perigo. Se tais informações forem apresentadas de modo honesto e positivo, não constituirão ameaça para os filhos, mas os tranqüilizarão.” Sim, temos de conversar com eles sobre isso.
É muito mais fácil falar do que fazer, especialmente visto que o maior perigo existente parte de amigos e de parentes. Talvez já tenhamos avisado nossos filhos contra o estranho que deseja atraí-los para o matagal ou levá-los num carro. Mas, como podemos fornecer-lhes “os instrumentos” para se protegerem daqueles que conhecem, respeitam, e até mesmo amam?
Que Sigam Seus Instintos
Ana, a mãe a que já nos referimos, informa que ela só tinha 5 anos quando sofreu abuso sexual por parte de um parente. Todavia, sabia que tal homem fazia algo de errado, embora não soubesse como impedi-lo. E, infelizmente, não podia conversar com seus pais sobre o assunto. As linhas de comunicação não eram muito boas, naquele tempo.
A experiência de Ana demonstra que as crianças em geral possuem um senso natural do que é adequado e próprio. Temos de reforçar este instinto, dizer-lhes que precisam segui-lo, mesmo que um adulto lhes mande agir de modo diferente. Um simples e determinado “Não! Não quero que faça isso!” amiúde basta para deter alguém que abuse sexualmente de crianças. A experiência de Ana também revela a necessidade de linhas abertas de comunicação com nossos filhos.
Recentemente, um marido e sua esposa conversavam entre si sobre este problema. Sentindo-se preocupados, perguntaram à filha se alguma vez tinham abusado sexualmente dela. Para seu horror, a criança disse que sim. Um velho amigo da família, em quem confiavam, tinha feito isso repetidas vezes. Essa família mantinha excelente comunicação com os filhos, assim, por que a filha não tinha dito algo antes? Simplesmente por ela não saber como. Uma vez mencionado o assunto, a filha estava mais do que disposta a considerá-lo.
Como Podemos Informá-los?
Primeiro, temos de trazer o assunto à baila. Uma sugestão é que, se alguma vez surgirem notícias dum escândalo assim, os pais poderiam aproveitar a oportunidade para perguntar aos filhos: “Será que alguém tentou alguma vez fazer isso com vocês?”, passando então a explicar-lhes como deveriam agir caso alguém tentasse isso.
Os pais que ensinam a Bíblia aos filhos podem utilizar trechos dela como ponto inicial. Podem empregar a história de Diná, filha de Jacó para explicar os limites que existem naquilo que uma pessoa pode fazer a outra. (Gênesis 34:1-4) A história de Tamar e Amnom pode ser empregada para mostrar que há coisas que não se permite nem que parentes próximos façam um ao outro. (2 Samuel 13:10-16) E devemos certificar-nos de que entendam que, se alguma coisa desse gênero acontecer com eles, queremos saber isso. Não ficaremos zangados com eles se nos contarem.
Maria sofreu abusos sexuais quando era menininha, de modo que certificou-se de alertar suas três filhinhas sobre pessoas que cometem abusos sexuais. Como fez isto? Assim que tinham idade suficiente para entender, ela lhes dizia: “Se alguém tocar em você no lugar errado, conte-me e não vou ficar zangada.” Como saberiam quais eram os lugares errados? Maria diz que, quando tinham cerca de três anos, ela lhes mostrou. Quando dava banho nelas, ou aprontava-as para dormir, indicava as partes dos corpinhos delas que outras pessoas não deveriam tocar. Quando tinham um pouco mais idade, apresentava-lhes situações: “Ninguém deve tocar em você ali, mesmo que seja um professor ou um policial. Nem mesmo mamãe ou papai devem tocar em você ali. E um médico só deve tocar em você ali se mamãe ou papai estiverem com você!”
“Se alguém tocar em você no lugar errado, conte-me.”
Será que isso deu certo? Maria lembra-se de uma ocasião em que um parente brincava com sua filhinha de seis anos. As coisas que o parente fazia começaram a deixar a garotinha pouco à vontade. Que fez ela? Simplesmente se afastou dele. Maria não está segura se o parente tinha ou não más intenções. Mas, alegra-se muito de que sua filhinha conseguiu afastar-se da situação quando esta começou a parecer “não correta” ou “estranha”.
Por isso, assim como os pais avisam seus filhos a não acompanhar estranhos, não brincar numa rua movimentada, e não pôr a mão em fios elétricos, também deveriam avisá-los que evitem ser vítimas de abusos sexuais. Deveriam explicar-lhes os limites de seus corpos que outras pessoas — mesmo seus próprios pais — não deviam ultrapassar. Deveriam dizer claramente que, se algo realmente acontecer, querem saber disso. E não culparão os filhos.
O Joguinho do “E se . . .”
Às vezes, os adultos aproveitam sua experiência e inteligência maiores para tapear crianças, fazendo com que participem em alguma atividade inapropriada, e as crianças talvez não discirnam tal engodo, se não forem ajudadas. Assim, Linda Tschirhart Sanford, autora do livro The Silent Children (As Crianças Caladas), sugere uma brincadeira que poderia ser usada para combater isto de antemão: o joguinho do “E se . . .?”. De vez em quando, pergunte aos filhos o que fariam em determinadas situações: “E se o rapaz que toma conta de você lhe dissesse que poderia ficar acordada e ver televisão até tarde se entrar na banheira junto com ele para brincarem? O que lhe diria?” “E se alguém que conhece a levasse para passear de carro e quisesse pôr as mãos dele onde não devia? O que faria?” “Que faria se um amigo mais velho lhe tocasse dum modo que você não gostasse, ou quisesse tirar sua roupa, e participar num jogo secreto com você?”
Ao ensinar seus filhos a responder, os pais podem mostrar que há ocasiões em que eles podem dizer não a um adulto. Há também ocasiões em que deviam revelar segredos. Caso sejam treinados a dizer coisas tais como: “Um momentinho, vou perguntar primeiro à mamãe”, conseguirão desencorajar a maioria das pessoas que gostariam de cometer abusos sexuais. Caso seus filhos aprendam as respostas corretas no joguinho do “E se . . .?”, eles estão obtendo alguns instrumentos úteis para proteger-se. Se derem uma resposta errada, bem, volte à mesma pergunta e sugira uma resposta diferente.
Ponha-lhes as Palavras na Boca
A seguinte experiência mostra outro problema que as crianças confrontam na questão dos abusos sexuais. Uma senhora informa que sofreu abusos sexuais quando criança e tentou contar isso à sua mãe. Mas, não conseguia achar as palavras certas e explicar o que tinha acontecido. A mãe dela pensava que alguém estava simplesmente tentando ser carinhoso com ela e que a menininha tinha interpretado mal a situação, e a exagerado.
Devido a experiências similares, os assistentes sociais incentivam os pais a ensinar aos filhos os nomes corretos das partes do corpo. Forneça-lhes o vocabulário que lhes permita expressar-se no caso de acontecer o pior.
Ensine aos filhos o nome correto das partes do corpo.
Alertas, Porém Equilibrados
Um dos piores pesadelos dum genitor é pensar que seu filho possa sofrer abusos sexuais. Entretanto, precisamos lembrar-nos de que a maioria dos adultos não irão cometer abusos sexuais contra nossos filhos. A maioria de nossos parentes os amam e mostram-se tão preocupados como nós em protegê-los dos abusos sexuais.
Por outro lado, isso pode acontecer. E simplesmente não basta desejar que não aconteça. Afirma o provérbio bíblico: “Argucioso é aquele que tem visto a calamidade e passa a esconder-se.” (Provérbios 22:3) Assim, é sábio ser cauteloso, especialmente em vista dos tempos em que vivemos. Se evitarmos, na medida do possível, colocar nossos filhos em situações que os deixem vulneráveis, se lhes explicarmos os limites que mesmo os adultos não devem transpor, e se lhes ensinarmos como devem reagir no caso em que qualquer adulto tente ultrapassar tais limites, então realmente nos empenhamos a fundo em proteger nossos filhos de pessoas que cometem abusos sexuais.
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