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De Nossos Leitores — respostas sobre “o abuso sexual de crianças”Despertai! — 1985 | 22 de agosto
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De Nossos Leitores — respostas sobre “o abuso sexual de crianças”
A EDIÇÃO de 8 de junho de 1985 de Despertai! publicou uma série de três partes intitulada “O Abuso Sexual de Crianças — Poderá Proteger Seus Filhos”. No mundo atual, este assunto desagradável é um problema a respeito do qual os pais devem ficar alertas, e muitos de nossos leitores escreveram cartas em que expressavam sua gratidão pelas informações apresentadas. Gostaríamos de compartilhar algumas de suas expressões.
“Suas Sugestões Foram Muito Úteis”
Eis aqui trechos duma carta procedente dos Estados Unidos: “Muito obrigada pelas informações sobre o abuso sexual de crianças. Quando éramos crianças, tanto eu como minha irmã sofremos abusos sexuais por parte dum primo. Agora, ambas temos famílias e queremos fazer tudo que pudermos para proteger nossos filhos. Certamente iremos aplicar os sólidos conselhos deste artigo.”
Dos Estados Unidos: “Apreciei realmente seu artigo ‘O Abuso Sexual de Crianças — Poderá Proteger Seus Filhos’. Suas sugestões foram muito úteis e simples. Tenho também um par delas que gostaria de compartilhar com os Srs.: Pode ser muito perigoso as crianças terem seus nomes escritos nas camisetas. Elas têm mais probabilidade de acompanhar um estranho que saiba o nome delas. Também, quando um filho fica birrento, os pais amiúde o ameaçam, dizendo: ‘A polícia vem pegá-lo!’ Isto faz com que as crianças fiquem com medo e, talvez, não queiram dirigir-se à polícia caso venham a precisar de ajuda.”
Dos Estados Unidos: “Depois de ter relido o número de 8 de junho de Despertai! sobre o abuso sexual de crianças, queria que soubessem que é um dos melhores que já li. Naturalmente, gostaria de ter tido estas informações há vários anos, antes de minhas duas lindas netinhas terem sofrido tão terríveis e implacáveis abusos sexuais. Mas, se isso impedir que alguma outra criança sofra como elas sofreram, ficarei muito contente.”
“Fui Vítima”
Muitas cartas confirmaram os temíveis danos causados pelo abuso sexual de crianças. Por exemplo, aqui temos uma do Brasil: “Quando criança, fui vítima de abusos sexuais por parte de meus três irmãos. À medida que o tempo passou, comecei a sofrer de depressão nervosa e ansiedade neurótica. O sentimento de culpa era um tormento diário. Perturbações emocionais e mentais foram as cicatrizes deixadas em minha mente. Seus recentes artigos sobre este assunto certamente conscientizarão a muitos e abrirão os olhos dos pais quanto à possibilidade de seus filhos serem violentados sexualmente por pessoas animalescas.”
Outra carta do Brasil afirma: “Acabo de ler seus artigos sobre o abuso sexual de crianças, e lembrei-me de uns incidentes que ocorreram comigo quando era criança. Meu próprio irmão mais velho costumava abusar sexualmente de mim, embora não estivéssemos longe de nossos pais. Devido à falta de comunicação franca e aberta em nosso lar, nunca me senti à vontade para expor à minha mãe o que estava acontecendo comigo. De modo que quase me tornei um homossexual. Oro a Jeová para que esses artigos abram os olhos de muitos pais com respeito a esse tipo de perigo.”
Uma carta da Inglaterra continha a seguinte observação: “Algumas pessoas talvez considerem seu artigo como uma reação exagerada e talvez fiquem chocadas de ter de informar a seus filhinhos como agir caso alguém mesmo um parente próximo — toque em suas partes íntimas, ou lhes peça para ver ou tocar nas deles. Tenho uma mensagem para tais pessoas: ‘Os conselhos do artigo são excelentes.’”
“Quem Vai Acreditar em Você?”
Algumas cartas esclarecem as táticas utilizadas pelos que cometem abusos sexuais. Escreve um leitor da Inglaterra: “Quando pequenino, sofri abusos sexuais por parte de um homem mais velho por quem nutria grande respeito. Conforme seu artigo esclareceu, as carícias indecentes (a que se restringiram os abusos) foram feitas sob o disfarce de brincadeiras e cócegas. Isso me deixou com tremendos sentimentos de culpa e de vergonha.”
Uma leitora dos Estados Unidos nos lembra que não são só os adultos que abusam sexualmente de crianças. Escreve ela: “Avisei a meus filhos sobre os adultos, jamais imaginando que seria uma menina de nove anos e meio que iria afagar incorretamente minha filhinha de quatro anos.”
Outra leitora da Inglaterra nos conta: “Meu padrasto era juiz de direito; assim, quando começou a abusar sexualmente de mim, não pensei que houvesse algo de errado. Quando cheguei aos 12 anos, eu já sabia que isso era errado, mas não podia contá-lo a ninguém, pois ele me repetia constantemente: ‘Quem vai acreditar em você? E não seja ingrata. Veja todas as coisas que você tem.’ Logo nos meus primeiros anos de adolescência, meus irmãos e um tio abusaram sexualmente de mim. Assim, já aos 14 anos, eu consumia tóxicos, julgando ser este o único meio de alcançar a felicidade. Cresci sendo uma pessoa muito promíscua, que era o único meio de poder comprar tóxicos. Gostaria de agradecer-lhes mais uma vez pelo artigo. Posso certificar-me agora de que meu filho jamais tenha de passar pela dor que eu sofri.”
Escreve uma leitora dos Estados Unidos: “Acabo de ler o artigo sobre ‘O Abuso Sexual de Crianças’, da edição de 8 de junho de 1985 de Despertai!. Não consegui reter as lágrimas, porque eu, também, sofri abusos sexuais. Isso me aconteceu quando tinha cinco anos. Quem cometeu tais abusos foi um homem com quem minha mãe estava namorando. Aproveitando a ausência de minha mãe e enquanto meus irmãos brincavam no quintal, este senhor tomava liberdades sexuais comigo. Tenho tentado esquecer isto, procurando apagá-lo de minha mente, esforçando-me de fingir que foi só um pesadelo, mas não foi um pesadelo. Aconteceu realmente, e, durante todos esses anos (tenho agora 27 anos) jamais contei isso a ninguém. Muito obrigada pelo artigo sobre o abuso sexual de crianças. Deu-me a coragem para escrever-lhes esta carta.”
Estas são apenas algumas das muitas cartas recebidas e que mostram a assustadora dimensão do problema. Vivemos em tempos deveras decadentes. (2 Timóteo 3:1, 3) Houve até mesmo casos que envolviam famílias cristãs e que tiveram de ser cuidados pelos anciãos das congregações! Jamais se esqueça de que, ao passo que o abuso sexual de crianças é geralmente um pecado cometido por adultos, são as crianças que assumem a carga. É trágico que tantas crianças estejam sendo privadas de sua infância por parte de adultos sem domínio de si. As feridas emocionais infligidas a estas crianças e jovens podem durar a vida inteira!
[Quadro na página 28]
Emprego Alerta da Despertai! no Oregon, EUA
Quando o número de Despertai! sobre o abuso sexual de crianças [em inglês, 22/1/85] chegou ao estado de Oregon, EUA, Joy, uma ministra das Testemunhas de Jeová, foi, junto com uma amiga, mostrar estes artigos ao sargento de polícia local, encarregado da prevenção do crime. O sargento disse que naquele momento estava dirigindo-se para o colégio comunitário local a fim de dar início a um seminário sobre o abuso sexual de crianças, de modo que levou um exemplar da revista. Nessa mesma tarde, ele entrou em contato com Joy e disse que gostaria de utilizar a revista no seminário. Joy, mostrando-se alerta, falou-lhe do número de 22 de abril de 1984 de Despertai! [8 de outubro, em português], que apresentava uma série de artigos sobre crianças desaparecidas. O sargento de polícia pediu 200 exemplares de cada revista, a fim de dar um a cada pessoa presente ao seminário.
Posteriormente, o sargento de polícia aumentou seu pedido para 250 exemplares de cada número, de modo que dispusesse de alguns extras para usar nos programas “Helpline Support” [programas de busca de desaparecidos] da polícia local. Também recomendou que Joy contatasse o Serviço de Proteção aos Menores da localidade. Ela seguiu o conselho dele e conseguiu fazer sua apresentação perante um grupo de 20 conselheiros, durante um seminário de orientação. O grupo obteve os exemplares que ainda lhe restavam, de ambas as revistas.
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Ausência de infânciaDespertai! — 1985 | 22 de agosto
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Ausência de infância
“As crianças virtualmente não têm mais infância”, declara o jornal Daily Mail, de Londres, Inglaterra. ‘Aprendem tudo muito rápido, ficam superexpostas a tudo e não mais existem controles sociais que orientem seu comportamento. O motivo destas conclusões acha-se em dois informes: Um é da Associação dos Mestres e Mestras Assistentes (sigla em inglês, AMMA), da Grã-Bretanha, e o outro é um estudo estadunidense, feito por Marie Winn, e publicado na Grã-Bretanha, Children Without Childhood: Growing Up Too Fast in the World of Sex and Drugs (Crianças sem Infância: Crescendo Rápido Demais no Mundo do Sexo e dos Tóxicos).
Crianças de até 5 anos tornam-se cada vez mais beligerantes, não respeitam os bens de outras crianças, não respeitam os adultos, e empregam linguagem obscena, segundo tais informes. A maioria dos professores indagados pela AMMA acham que os pais estão mimando seus filhos e que esta é a causa básica do aumento do comportamento anti-social das crianças. Oitenta e seis por cento desses mestres lançam a culpa na falta de nítidos padrões e expectativas no lar”; 82 por cento apontaram a falta de exemplo parental como o culpado.
Além disso, os dois informes citam os lares rompidos, os maus exemplos dados pelos mestres, e entregar-se demais a ver TV como causas dos surpreendentes maus modos das crianças. “Todos somos culpados”, confessa o Daily Mail. “Inventamos uma sociedade que é inteiramente inapropriada para a criação de filhos. Com a fácil aceitação do divórcio e de casais amigados, destruímos a família. Com uma atitude permissiva para com a disciplina, removemos as sanções.”
As crianças, muito ao contrário de indulgência, precisam constantemente de correção e disciplina bondosas, porém firmes. Como observou o sábio homem, Salomão: “A tolice está ligada ao coração do rapaz; a vara da disciplina é o que a removerá para longe dele.” Também precisam ver em seus genitores e mestres um bom exemplo de comportamento correto, porque “todo aquele que for perfeitamente instruído será semelhante ao seu instrutor” — Provérbios 22:15; Lucas 6:40.
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