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Separar-se-ia de seu filho?A Sentinela — 1971 | 1.° de junho
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Separar-se-ia de seu filho?
“SEPARAR-ME de meu filho? A maioria dos pais ficaria horrorizada e escandalizada diante de tal idéia. Todavia, existe uma situação em que os pais em muitas terras, especialmente em países Africanos, se separam voluntariamente de seus filhos. É a entrega ou o “empréstimo” dos filhos a amigos ou parentes.
Parece-lhe isso uma prática impiedosa? Chegaria à conclusão de que os pais que fazem isso não devem ter nenhum sentimento parental, nenhum amor pela sua própria carne e seu próprio sangue.
MOTIVOS DESTA PRÁTICA
Antes de condenar inteiramente esta prática, considere algumas das razões que motivam os pais. E mesmo que more num país em que não se realiza tal “empréstimo”, obter um conceito bíblico equilibrado desta prática talvez o ajude a gravar na mente princípios bíblicos que se aplicam ao modo em que os pais na sua parte do mundo tratam com seus filhos.
Os missionários, em algumas partes da África, têm relatado que pais sinceros lhes ofereceram uma criança. Longe de serem impiedosos, estes pais têm forte afeto aos filhos, mas eles acham que, se o filho puder obter alguma vantagem material sob os cuidados de outra pessoa, então vale a pena que façam o sacrifício.
Parentes ou conhecidos em melhor situação financeira, ou aqueles cujo lar se acha situado mais convenientemente para se freqüentar a escola, são muitas vezes rogados por pais pobres e talvez analfabetos a aceitar a responsabilidade pela criação de um ou mais de seus filhos. Vê-se assim que atrás deste costume há questões de economia e de educação. E não é verdade que, neste sentido, estes pais têm em vista um objetivo de longo alcance? O sacrifício atual da sua parte, raciocinam eles, talvez prepare o caminho para tempos mais fáceis depois, quando os filhos instruídos terão suficiente capacidade de adquisição para sustentarem a si mesmos e aos seus pais.
É verdade que os pais adotivos, nestas circunstâncias, têm de aceitar algum encargo financeiro adicional. Contudo, há também algumas vantagens materiais, porque é bastante provável que a criança “emprestada” fará em parte retribuição por se tornar servo doméstico dos membros da família. E a criança talvez aceite isso de boa vontade como preço de melhores condições de vida e oportunidades de instrução escolar.
Os pais que encaram apenas o lado materialista da vida talvez possam por fim apontar com orgulho para um filho, ou uma filha, instruído numa das escolas superiores e que se tornou sustentador da família.
DESVANTAGENS E PERIGOS
Mas nem sempre resulta isso em proveito, quer para os pais, quer para os filhos “emprestados”. Estes filhos, privados do amor materno e da disciplina do pai, são muitas vezes como plantas desarraigadas, sofrendo frustração e o sentimento de que ninguém se importa com eles. Acrescente a isso a possibilidade de que o recém-chegado talvez não seja aceito plenamente como membro da família no lar adotivo e talvez sofra discriminação, havendo favoritismo para com os outros filhos no lar.
Também, nem todos os filhos talvez estejam mental ou emocionalmente preparados para atingir os alvos fixados para eles por pais ambiciosos. Talvez não possam tirar suficiente proveito das oportunidades de educação disponíveis a eles. E que dizer da possibilidade de disciplina inadequada no lar adotivo? Não são poucos os pais que tiveram a experiência infeliz de receberem os filhos de volta sem eles terem respeito pela verdade, pela bondade ou até mesmo pela própria mãe ou pelo próprio pai.
Afastados dos olhares vigilantes de seus próprios pais, estes filhos adotivos amiúde criam pensamentos e hábitos contrários aos que os pais consideram direitos. Pode acontecer que, depois de ser tarde demais, por fim se descubra que os filhos se tornaram delinqüentes. Talvez tenham ficado expostos a maus companheiros, sem terem alguém a quem recorrer em busca de bons conselhos. Usualmente não se pode esperar que pais adotivos dêem o mesmo grau de cuidado aos filhos “emprestados” do que dão aos seus próprios.
A CONSIDERAÇÃO VITAL
Mais importante do que todas estas considerações é tomar em conta o ponto de vista de Deus sobre este assunto de “emprestar” filhos. O Grande Pai de todos os seus filhos terrestres sabe o que é melhor. Seu conselho sobre uma questão é certamente o melhor, e pode ser encontrado nas páginas das Escrituras Sagradas.
Os pais que professam servir o verdadeiro Deus precisam lembrar-se de que Jeová os considera responsáveis pelo bem-estar de seus filhos, até o tempo em que estes atinjam a idade de responsabilidade pessoal. Os pais e as mães que deixam de fazer as devidas provisões materiais para os seus filhos dependentes, assim como os adultos que deixam de fazer provisões para os pais necessitados, podem ser corretamente descritos como ‘piores do que alguém sem fé’. (1 Tim. 5:8) Mas isto não é tudo. O pai ou a mãe que deveras ama a Deus estará também ansioso de pôr em prática o conselho excelente encontrado em Deuteronômio 6:6, 7:
“Estas palavras que hoje te ordeno têm de estar sobre o teu coração; e tens de inculcá-las a teu filho, e tens de falar delas sentado na tua casa e andando pela estrada, e ao deitar-te e ao levantar-te.”
Sim, as necessidades espirituais dos filhos são tão importantes como seu bem-estar físico. De fato, são ainda mais importantes. É por isso que a palavra de Deus diz aos pais: “Vós, pais, não estejais irritando os vossos filhos, mas prossegui em criá-los na disciplina e no conselho de autoridade de Jeová.” (Efé. 6:4) Se os filhos, nos anos em que são mais impressionáveis, forem “emprestados” aos outros, de modo que são voluntariamente separados dos pais e das mães, por meses ou anos a fio, como podem os pais cumprir conscienciosamente estes requisitos de Deus?
E as instruções que Deus dá aos filhos também são importantes. Sua Palavra diz: “Vós, filhos, em tudo sede obedientes aos vossos pais.” (Col. 3:20) “Observa, filho meu, o mandamento de teu pai e não abandones a lei de tua mãe.” (Pro. 6:20) De que modo podem fazer isso assim como diz a Palavra de Deus, se os seus próprios pais não estiverem por perto? E como podem honrar e respeitar pai e mãe que, pelo seu proceder, aparentemente negligenciam grande parte de suas obrigações parentais corretas, lançando-as sobre outros?
CONCEITO EQUILIBRADO
Para se obter um conceito equilibrado deste assunto de se “emprestarem” as crianças, pode-se perguntar: Vale a educação mundana ou a vantagem econômica o sacrifício envolvido nisso? Talvez signifique sacrificar a paz mental do filho, ou o desenvolvimento ordeiro do filho sob a supervisão vigilante de pais amorosos. Mesmo que pareça superficialmente que o filho está em melhor situação física e material num lar adotivo, que dizer do conselho bíblico de 1 Timóteo 6:17-19, de não basear a esperança “nas riquezas incertas, mas em Deus”, e de se ‘apegar firmemente à verdadeira vida’? Não há nenhuma garantia de que a situação econômica melhor do filho resulte em ele obter a aprovação de Deus.
Quando os pais se vêem confrontados com a questão de “emprestar” seus filhos ou não, por um ou dois meses, ou mais tempo, deviam examinar cuidadosamente sua motivação e se perguntar: É isto o que Deus desejaria que eu faça? Mesmo que o filho esteja disposto, sim, ávido de deixar os pais por algum tempo, constitui isto qualquer motivo válido para se concordar com tal arranjo? Não é incomum as crianças quererem coisas que não são proveitosas.
Os pais e as mães talvez achem que estão justificados em separar-se de seus filhos quando as oportunidades de uma instrução elementar se encontram longe de seu lar. Mas, não seria melhor pensar em mudar-se com a família inteira para mais perto da escola, em vez de ceder a outro o privilégio e a responsabilidade dados por Deus de supervisionar o desenvolvimento de um dos próprios filhos?
Também, nos países em que se realizam regularmente aulas de alfabetização nas congregações das testemunhas de Jeová, muitos pais se aproveitaram delas, e aprenderam ali, sem custo, a ler e a escrever, e a inculcar nos filhos as verdades valiosas da Palavra de Deus, a Bíblia, a melhor fonte de educação que há. Assim, os pais, as mães e os filhos têm ficado mais unidos pela verdade bíblica e têm usufruído uma vida familiar mais abundante e mais feliz. E agora, estes pais simplesmente não querem separar-se de seus filhos por preço algum!
Se viver na Europa, na América do Norte ou em outro lugar onde não há tais “empréstimos”, reconhece algumas práticas às quais se podem aplicar os mesmos princípios? Alguns pais mandam seus filhos a internatos ou a acampamentos de verão, por muitos meses a fio, embora os filhos talvez fiquem assim privados do amor, da proteção e da orientação espiritual e moral que são tão vitais para eles. Os perigos e as desvantagens destas práticas amiúde são simplesmente tão grandes como os envolvidos em “emprestar” um filho. Portanto, há bons motivos para os pais amorosos, em todas as partes da terra, usarem de muito cuidado quando confrontados com algum costume ou arranjo que significaria separar-se de seu filho. A recompensa da cautela e de se fazer uma decisão baseada na Palavra de Deus pode ser a felicidade duradoura de todos, pois, “as ordens de Jeová são retas, fazendo o coração alegrar-se”. — Sal. 19:8.
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Perguntas dos LeitoresA Sentinela — 1971 | 1.° de junho
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Perguntas dos Leitores
● Como devemos entender Mateus 1:17, que fala de três séries de gerações (quatorze em cada série), de Abraão a Jesus Cristo, embora os versículos precedentes alistem apenas quarenta e uma gerações? — Bélgica.
Há uma explicação simples desta aparente dificuldade. É evidente que Mateus contou Davi duas vezes, não tomando em consideração o total, mas apenas a uniformidade dos três grupos de quatorze nomes ou gerações, como ajuda à memória. Conforme o expressa o próprio Mateus: “Assim, todas as gerações, desde Abraão até Davi, foram quatorze gerações, e desde Davi até à deportação para Babilônia, quatorze gerações e desde a deportação para Babilônia até ao Cristo quatorze gerações.”
Quando se tomam em consideração listas genealógicas tais como as encontradas em 1 Crônicas, capítulos 1 a 3, parece que houve pelo menos quarenta e seis gerações de Abraão a Jesus Cristo. Mateus abreviou a lista por omitir três reis de Judá, que eram descendentes do Rei Jeorão (Jorão) e da assassina Rainha Atalia. Ela era filha da iníqua Rainha Jezabel e usurpou o trono de Judá por sete anos. Depois de alistar Jorão (Jeorão), ele omite as próximas três gerações ou frutos desta aliança iníqua, a saber, Acazias (que reinou apenas um
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