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Criar filhos sem a ajuda de um cônjuge — as alegrias e as tristezasDespertai! — 1982 | 8 de dezembro
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Criar filhos sem a ajuda de um cônjuge — as alegrias e as tristezas
“EU DISSE ‘não’, Cheryl, e ponto final!” Assim falou Dorothy, a mãe que sozinha cuidava de sua família de cinco pessoas. No entanto, Cheryl, de 13 anos, respondeu gritando: “Eu a odeio!”, e pôs-se quarto afora enraivecida.
“Quando ela diz isso, eu fico arrasada”, lamentou a mãe, acrescentando: “Eu a magôo, de modo que tenta magoar-me também — e o consegue. Procuro controlar meus sentimentos e não deixar transparecer quanto isso me magoa, mas simplesmente não posso conter-me.” Daí, após uma breve hesitação, a mãe disse: “Sei que ela realmente necessita de seu pai. Toda menina necessita de um pai — ele é o primeiro homem com quem ela entra em contato na vida. Agora que ele não está mais aqui, ela se sente muito frustrada.”
Dorothy descreve muito bem parte do sofrimento que experimentam os que têm de criar filhos sem a ajuda de um cônjuge. Contudo, alguém que observou e entrevistou vários genitores sem cônjuge declarou: “Em diversos casos, eles estão tendo mais êxito em criar filhos do que se observa nas famílias com ambos os genitores. Sem dúvida, isto se dá porque tais pessoas estão mais conscientes dos problemas implícitos nisso e dispendem maior esforço para compensar a situação.”
Na última década, muitos países presenciaram um impressionante aumento no número de famílias em que há um só genitor. Quase 10 por cento de todas as famílias na Grã-Bretanha, na Austrália e no Canadá são famílias nessas condições. Nos Estados Unidos esta situação existe em quase uma família em cada seis, e seu número duplicou nos últimos 10 anos. Com a probabilidade de que duas entre cinco crianças agora vivas (pelo menos nos Estados Unidos) venham a passar parte de sua vida num lar onde há somente o pai ou somente a mãe, a criação de tais filhos deve ser de interesse primordial.
A preocupação com os problemas que tais genitores enfrentam deu origem a uma série de entrevistas, realizadas a tempos atrás, com centenas de Testemunhas de Jeová, em todo o mundo, em cujos lares existia esta situação. Os resultados forneceram não só uma vívida compreensão dos problemas para criar filhos sem a assistência de um dos cônjuges, mas também sugestões úteis. Uma recomendação freqüentemente feita era a de
Comunicar-se!
“Verifiquei que, quando confidenciava a meus filhos minhas preocupações e lhes descrevia exatamente como era a situação, eles ficavam mais do que dispostos a ajudar, e tudo corria bem mais suavemente no lar”, relatou uma divorciada, mãe de dois filhos, de 9 e 12 anos. Manter confidências com os filhos e solicitar-lhes ajuda é um meio de manter abertas as linhas de comunicação. “Amiúde surgem problemas porque os filhos privados de um de seus genitores não compreendem plenamente as limitações impostas pela situação familiar, tanto em sentido financeiro como de outros modos.
Para orientar com perícia os filhos, o genitor tem de saber o que se passa na mente dos filhos. Para conseguir isso, disse certa mãe nessas condições: “À noite, após o trabalho, faço tudo o que posso para penetrar no pequeno mundo de minha filha. Ela me diz o que aconteceu na escola, e conta seus problemas com os professores e colegas. Interesso-me profundamente na vida dela. E escuto. Então falo com ela acerca do meu trabalho e das pessoas ali.”
Todavia, não é de forma automática que um filho ou uma filha relata todos os seus problemas a seu pai ou a sua mãe. Os pais bem-sucedidos em estabelecer esta relação com seus filhos aprenderam que têm de demonstrar a seguinte atitude, descrita na Bíblia: “Se puderes, responde-me; põe as tuas palavras em ordem diante de mim, apresenta-te. Eis que diante de Deus sou o que tu és; eu também sou formado do barro. Eis que não inspiro terror que te amedronte, nem será pesada sobre ti a minha mão.” — Jó 33:5-7, Versão Brasileira.
Aqui se expressa uma disposição mental calorosa, aberta e honesta. Quando um filho percebe que seu pai ou sua mãe tem tal atitude, em geral reage favoravelmente, pois não sente um ‘terror amedrontador’ de seu genitor. Este não procura dar a impressão de que é perfeito. Uma viúva que tinha três filhas adolescentes para criar adotou esta atitude: “Verifiquei ser mais fácil manter um relacionamento bem achegado com meus garotos quando eu me dispunha a admitir meus próprios erros.”
Às vezes, o pai ou a mãe precisa insistir com o filho para que faça algo para seu próprio bem, algo de que o jovem não gosta. Por exemplo, certa mãe de um rapaz de 17 anos, a quem criava sozinha, insistiu com ele para que rompesse uma amizade que era prejudicial e que o meteria em dificuldades. Depois de várias semanas de intensas discussões, o rapaz admitiu: “Mamãe, não imagina quão furioso tenho estado com a senhora, mas agora eu a compreendo.” O fator decisivo foi a comunicação franca e aberta.
Demonstre Seu Amor
Quando uma criança perde um de seus pais, especialmente quando em decorrência de divórcio ou de separação, a situação pode ser arrasadora para sua frágil condição emocional. Certa mãe divorciada descreveu o que pode acontecer: “Freqüentemente, a reação de uma criança se manifesta por meio de explosões de ira, crise de choro, cenas de ciúme, apego exagerado e um retorno ao comportamento de bebê.” Amiúde a criança pode achar que a dissolução da família é culpa dela. Poderá recear perder também o outro genitor e ficar órfã. Tal criança necessita de segurança renovada, atenção, interesse genuíno — em suma, precisa de amor.
Para ser eficaz, o amor tem de manifestar-se abertamente por ações. “Amemos, não em palavra nem com a língua”, recomenda a Bíblia, “mas em ação e em verdade”. (1 João 3:18) Isto não significa que nunca deva dizer a seus filhos que os ama, mas que as ações, a saber, o que você realmente faz, falam mais alto. Os filhos sabem que falar é fácil. Os que vivem em lares onde há um só genitor em resultado de um divórcio sabem o que realmente significa uma promessa não cumprida. Mas, como pode o genitor privado de seu cônjuge mostrar genuíno amor?
“Para as crianças pequenas o contato físico é importante. Seguro minha filha nos braços quando falo com ela”, escreveu certa mãe que cria sozinha uma menina de cinco anos. Outra concordou, dizendo: “De vez em quando, simplesmente paro e abraço meu filho.” Expressões de carinho como estas podem ajudar a convencer a criança de que seu pai ou sua mãe tem por ela interesse genuíno.
A empatia, ou ‘compartilhar os sentimentos’, da parte do genitor também revela amor. (1 Pedro 3:8) Certa adolescente, que estava sendo criada só por sua mãe, rebelou-se com uma enxurrada de palavras quando ela lhe pediu que realizasse certas tarefas. A mãe respondeu: “Apesar do seu comportamento, ainda assim a amo. Não sinto prazer no seu comportamento, mas eu a amo. Nada do que possa dizer ou fazer me fará deixar de amá-la.” A moça imediatamente baixou a cabeça, esforçou-se a conter uma lágrima, e daí calmamente fez o que sua mãe lhe pedira. No íntimo ela sabia que sua mãe se importava com ela, que sua mãe a amava.
“Nunca esquecerei aquela manhã em que minha filha mais nova me disse: ‘Não vá trabalhar hoje, mãezinha.’ Tratava-se dum apelo real, proveniente dum coração inseguro”, relatou uma genitora privada do cônjuge. Qual foi a reação da mãe? “Considerei que era mais importante manter minha relação com ela tão estreita quanto possível”, disse ela, “de modo que decidi parar de trabalhar e viver com menos em sentido material”. Naturalmente, nem todos os que criam seus filhos sozinhos podem solucionar o problema desta forma. Todavia; muitos nessa situação adotaram um conceito realista quanto aos efeitos de seu emprego secular sobre a criação de seus filhos.
A fim de proverem o necessário para suas famílias, alguns genitores privados de cônjuge trabalham em casa. Têm serviçosa fornecidos que fazem em casa ou têm vendido seus próprios produtos de fabricação caseira, como no caso de certa mãe com quatro bocas para alimentar que, com a ajuda de seus quatro filhos, fazia sonhos e outros petiscos e os vendia aos restaurantes. Outros procuraram serviço de tempo parcial de modo a estarem em casa com seus filhos quando estes não estão na escola. Contudo, esta nem sempre é a solução, como informa Joyce Miller, presidente da Aliança Feminina dos Sindicatos Operários: “Mais de quarenta e dois por cento da força operária feminina são mulheres que sustentam sozinhas suas famílias. Como poderá dizer-lhes que aceitem um salário de meio-expediente quando têm de pagar aluguel integral?”
Não obstante, apesar de terem que trabalhar por tempo integral, muitos genitores que criam sozinhos seus filhos conseguem manter um estreito relacionamento com eles, como no caso de certa mãe que disse: “Expliquei repetidas vezes a meus filhos que a única razão pela qual trabalhava fora era para comprar alimento, roupa e prover um lugar onde pudéssemos morar. Disse-lhes que ficaria em casa com eles se não fosse absolutamente necessário trabalhar fora. Eles finalmente compreenderam, até mesmo meu filhinho de dois anos, e agora encaram muito melhor a situação.”
Os filhos podem perceber quando o pai ou a mãe prefere trabalhar a ficar com eles. Isso pode requerer certo ajuste no estilo de vida, até mesmo da parte dos jovens, para poderem viver com menos em sentido material. Não obstante, muitos pais e mães, assim como também filhos, têm reconhecido a veracidade do provérbio bíblico (Pro. 15:17): “Melhor um prato de verduras [pouco] onde há amor, do que um touro cevado [abundância] e com ele ódio.”
Disciplina Firme, Porém Amorosa
“O amor em si só não basta”, adverte o dr. Arnon Bentovim, autoridade em criação de filhos. “Para sentir-se segura, a criança precisa de disciplina e orientação.” Alguns genitores que criam sozinhos seus filhos tentam compensar a perda do pai ou da mãe por serem tolerantes demais. Em geral, não é fácil a mãe disciplinar os filhos, especialmente meninos, que talvez se ressintam de terem perdido o pai.
Certa mãe que teve êxito em criar sozinha cinco filhos admitiu: “É só natural que meus filhos tentem fazer coisas que não fariam se meu marido estivesse presente. Tive de ser muito resoluta. Algumas vezes achei melhor sentar-me com todos eles e pedir a cooperação deles, em vez de entrar em choque frontal. Efetivamente, consegui granjear o respeito deles dessa forma.”
Os filhos reconhecem — embora usualmente bem mais tarde — a necessidade de disciplina, que inclui castigo. Certo grupo de jovens que se viu nas malhas da lei elaborou um código de regras para pais. Reconheceram o seguinte: ‘Sejam firmes e coerentes ao administrarem a disciplina. Assim se nos dá um sentimento de segurança. As crianças não querem que se lhes dê tudo o que pedem.’ Esta expressão reflete a veracidade do que a Bíblia já dizia há muito tempo: “Quem refreia a sua vara [de autoridade parental] odeia seu filho, mas aquele que o ama está à procura dele com disciplina.” — Provérbios 13:24.
Resultados Satisfatórios
Não é fácil fazer o esforço necessário para criar filhos sem a ajuda de um cônjuge. Mas muitos genitores que se esforçam em fazê-lo estão obtendo resultados satisfatórios. Estão mantendo um estreito relacionamento com os filhos e os estão vendo crescer e se tornar pessoas de bons princípios. Certa mãe nessas condições disse: “Uma grande fonte de satisfação para mim foi a lealdade de meus filhos. Tratavam-me não só como mãe, mas como amiga. A conversação e a lealdade deles me deram muita alegria.”
Amiúde filhos criados por um só genitor amadurecem mais rapidamente, visto que suas circunstâncias os obrigam a assumir mais responsabilidade no lar. Certa mãe, que vivia sem o marido, depois de distribuir a seus filhos tarefas diárias das quais não mais podia cuidar, disse: “Meus filhos estão acostumados às suas tarefas, executam-nas com eficiência e não há nenhum problema no lar. Sabem onde guardar a roupa e como manter o lar em ordem. Sabem lavar louça, preparar refeições, lavar e passar roupa, fazer compras e até mesmo limpar o jardim.” Tais jovens bem treinados se tornam adultos responsáveis e bem preparados para desempenharem seu papel na vida adulta.
Naturalmente, às vezes, mesmo em famílias cujos membros são bem achegados, podem surgir séries dificuldades. Não abrangemos neste artigo todas as possíveis soluções. Todavia, os pais que têm procurado fazer o melhor que podem em seguir as orientações registradas na Bíblia pelo Originador da vida familiar de modo geral têm tido satisfação em criar seus filhos. Dirigindo estudos bíblicos com seus filhos, incutindo neles os princípios bíblicos daí advindos, pais e mães sem cônjuge podem fazer muito no sentido de proteger seus filhos da pressão exercida por colegas para que façam o que é errado.
Muito pesar poderá ser evitado se tanto o genitor como os filhos seguirem a injunção divina, em Efésios 6:1-4: “Filhos, sede obedientes aos vossos pais em união com o Senhor, pois isto é justo: ‘Honra a teu pai e a tua mãe’; que é o primeiro mandado com promessa: ‘Para que te vá bem e perdures por longo tempo na terra.’ E vós, pais não estejais irritando os vossos filhos, mas prossegui em criá-los na disciplina e na regulação mental de Jeová.”
[Nota(s) de rodapé]
a Veja o artigo “Encontre um Trabalho Que Lhe Dê Maior Liberdade”, na revista Despertai! de 8 de agosto de 1976, páginas 8 a 11, para obter sugestões.
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Eles penetram nos rios selváticos com a mensagem da vidaDespertai! — 1982 | 8 de dezembro
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Eles penetram nos rios selváticos com a mensagem da vida
Do correspondente de “Despertai!” no Peru
GOSTARIA de viajar numa lancha através de selvas cheias de árvores gigantescas e abundante vegetação, animadas pelo canto exótico de uma grande variedade de pássaros, pelo zumbido de incontáveis insetos e pelo grito de animais selvagens? Seria certamente emocionante, você dirá.
A Região Onde as “Boas Novas” Precisam Ser Proclamadas
A selva peruana fornece largamente essas emoções, pois estende-se por uma área de 747.287 km2, cobrindo quase três quintos do país. Limita-se ao oeste com a alta cordilheira dos Andes. Essa imensa selva tropical tem uma vegetação emaranhada, cheia de milhares de insetos, alguns nocivos, tais como mosquitos, borrachudos e isangos (uma espécie de broca que penetra nos poros da pele, especialmente nos tornozelos, causando dor aflitiva). Também, há grande variedade de animais selvagens, incluindo onças, jacarés e guanganas
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