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Ter filhos — responsabilidade e recompensaTorne Feliz Sua Vida Familiar
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leite suficiente descobrem que não há falta dele. Em alguns casos, a lactação regular adia o recomeço da ovulação e do ciclo menstrual, e até tal ponto tende a ser um contraceptivo natural. A Sociedade Americana do Câncer diz que “as mães que amamentam revelam menos casos de câncer do seio”. A lactação é também proveitosa para o orçamento da família!
O DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA — COMO APONTARÁ VOCÊ A FLECHA?
23. Que princípios sobre o treinamento do filho ou filha são subentendidos no Salmo 127:4, 5?
23 “Como flechas na mão dom homem valente, assim são os filhos da mocidade. Bem-aventurado o homem que enche deles a sua aljava.” (Salmo 127:4, 5,Imprensa Bíblica Brasileira)O valor duma flecha depende de quão bem ela é apontada quando parte do arco. A flecha tem de ser apontada com cuidado e perícia, para que atinja o alvo. Da mesma maneira, é vital que vocês, como pais, ponderem sabiamente e com oração a espécie de começo de vida que darão ao seu filho ou filha. Quando ele ou ela sair de sob os seus cuidados, tornar-se-á adulto equilibrado e maduro, respeitado pelos outros e uma honra para Deus?
24. (a) Que espécie de ambiente domiciliar devem os pais esforçar-se a prover aos seus filhos? (b) Por que é isso importante?
24 As decisões devem ser tomadas antes da chegada do bebê, com respeito ao cuidado e à instrução que receberá. Os pais são basicamente todo o mundo do bebê recém-nascido. Como será este mundo? Mostrará que os pais tomaram a peito o seguinte conselho da Palavra de Deus: “Sejam tirados dentre vós toda a amargura maldosa, e ira, e furor, e brado, e linguagem ultrajante, junto com toda a maldade. Mas, tornai-vos benignos uns para com os outros, ternamente compassivos, perdoando-vos liberalmente uns aos outros, assim como também Deus vos perdoou liberalmente por Cristo”? (Efésios 4:31, 32) Qualquer que seja a vida doméstica, refletir-se-á na criancinha. Esforce-se a tornar o mundo do bebê um de paz e segurança, de calor humano e amor. O bebê que é querido absorverá estas qualidades e amoldará concordemente as suas emoções. Perceberá os sentimentos que você tem e seguirá seu exemplo. As leis genéticas de nosso Criador fizeram maravilhosas provisões para o desenvolvimento do bebê no ventre; como será modelado fora do ventre? Muito dependerá das condições domésticas que você provê. Estas, tanto quanto os genes, determinarão que espécie de adulto o bebê se tornará. “Educa o rapaz segundo o caminho que é para ele; mesmo quando envelhecer não se desviará dele.” — Provérbios 22:6.
25, 26. Por que é razoável que os pais dediquem muito tempo e atenção aos seus filhos?
25 Nem o homem, nem a mulher, pode produzir uma única folha de grama, mas, juntos, podem produzir outro humano, de infinita complexidade e diferente de todas as outras pessoas na terra! Esta é uma realização espantosa, tão espantosa que é difícil de crer que tantos, hoje, deixam de reconhecer a santidade da responsabilidade que a acompanha! As pessoas plantam flores, regam-nas, adubam-nas, mantêm-nas livres de ervas daninhas — tudo para ter um belo jardim. Não devemos tomar ainda mais tempo e exercer maior empenho para fazer que os filhos se tornem belos?
26 Os casais têm o direito de ter filhos. Seus filhos têm o direito correspondente de ter pais, não apenas de nome, mas de fato. O cristão dedicado a Deus pode gastar muito tempo e energia em divulgar conhecimento bíblico, na esperança de fazer um discípulo, e, ainda assim, nem sempre é bem sucedido. Não devem os pais cristãos gastar ainda mais tempo para ‘criar seus próprios filhos na disciplina e na regulação mental de Jeová’? (Efésios 6:4) Se criarem um filho para ser bom servo do Dador da vida, Jeová Deus, não é isso motivo de alegria? Assim, de fato, terem tido este filho ou esta filha mostrar-se-á altamente recompensador. — Provérbios 23:24, 25.
27. Na orientação do desenvolvimento do filho, por que se deve tomar em consideração a própria personalidade dele?
27 O Salmo 128:3 compara os filhos a mudas de oliveiras: “Tua esposa será como uma videira frutífera, nas partes mais recônditas da tua casa. Teus filhos serão como mudas de oliveiras ao redor da tua mesa.” As árvores podem ser modeladas de diversas maneiras por serem dirigidas assim. Algumas são levadas a crescer rentes a um muro. Outras se espalham baixo sobre o solo. Mais outras até mesmo são feitas pequenas e ananicadas, pela poda e constrição de suas raízes, como no caso do bonsai. Um velho ditado enfatiza como o treinamento inicial também amolda a criança: ‘Conforme se dobra o galho, assim cresce a árvore.’ Precisa haver um senso de equilíbrio. Por um lado, a criança precisa de orientação, para que se ajuste a normas justas. Ao mesmo tempo, não se deve esperar que se conforme a algum ideal preconcebido dos pais quanto à exata personalidade que deve ter. Não se pode fazer a oliveira produzir figos. Eduque a criança de modo certo, mas não a force num molde predeterminado, que não lhe permita exprimir normalmente sua personalidade distinta e seus dons herdados. Dê-se tempo para chegar a conhecer este filho que produziu. Daí, assim como se dá com um raminho novo, dê ao seu filho orientação bastante forte para protegê-lo e sustentá-lo na direção certa, mas bastante suave para não inibir o seu desenvolvimento na plena capacidade para o bem.
UMA RECOMPENSA DA PARTE DE JEOVÁ
28. Que proveito tiramos do que Gênesis 33:5, 13, 14, diz sobre a preocupação de Jacó com os seus filhos?
28 Jacó da antigüidade, mostrou esta preocupação ao cuidar de seus filhos. Quando se lhe propôs fazer uma viagem, cujo passo talvez fosse demais para eles, Jacó disse ao proponente: “Meu senhor se apercebe de que os filhos são delicados, e que há ao meu cargo ovelhas e gado vacum que amamenta, e se os fizerem andar depressa demais por um só dia, então certamente morrerá o rebanho inteiro. Por favor, passe o meu senhor adiante do seu servo, mas continue eu mesmo a viagem segundo a minha conveniência, no passo do gado que está diante de mim e no passo dos filhos.” Anteriormente, ao encontrar-se com seu irmão Esaú, perguntou-se-lhe: “Quem são estes contigo?” Jacó respondeu: “Os filhos com quem Deus tem favorecido teu servo.” (Gênesis 33:5, 13, 14) Hoje, os pais não só devem mostrar consideração amorosa para com seus filhos, assim como Jacó fez, mas também encará-los assim como ele — como favor da parte de Jeová. Naturalmente, antes de se casar, o homem deve ponderar seriamente se pode sustentar esposa e filhos. A Bíblia aconselha: “Cuida dos teus negócios lá fora, põe o teu campo em condições, e depois edifica a tua casa.” (Provérbios 24:27, Brasileira) Em harmonia com este conselho prático, o homem deve fazer de antemão os preparativos para o casamento e a vida familiar. Então, até mesmo uma gestação não planejada será acolhida com alegria e não com o temor do fardo financeiro.
29. Por que se deve dar séria consideração antecipada ao assunto de ter filhos?
29 O assunto de ter filhos claramente merece ser considerado com a devida seriedade, não apenas quanto ao primogênito, mas também quanto aos que vierem depois. Acham os pais difícil alimentar, criar e educar os filhos que já têm? Então o respeito pelo seu Criador, bem como a qualidade do amor, certamente devem induzi-los a ponderar que autodomínio podem exercer para diminuir o possível aumento da família.
30. (a) Por que podemos dizer que o filho pertence realmente a Deus? (b) Como deve isso influir no conceito dos pais?
30 Na realidade, de quem é o filho? Seu, em certo sentido. Mas, em outro sentido, o filho pertence ao Criador. Confiou-se-lhe o cuidado dele, assim como se confiou aos seus pais o cuidado de você, quando criança. Mas, você não era realmente propriedade de seus pais, para ser tratado de qualquer modo que eles quisessem; tampouco seu filho é sua propriedade, neste sentido. Os pais não podem dirigir ou controlar o momento da concepção, nem o desenvolvimento da criança no ventre. Não podem nem mesmo ver ou entender plenamente os maravilhosos processos envolvidos nisso. (Salmo 139:13, 15; Eclesiastes 11:5) Se alguma imperfeição física causa um aborto ou um natimorto, não podem fazer a criança morta voltar à vida. Assim, precisamos reconhecer humildemente que Deus é o Dador da vida de todos nós e que pertencemos todos a ele: “A Jeová pertence a terra e o que a enche, o solo produtivo e os que moram nele.” — Salmo 24:1.
31, 32. (a) Que responsabilidade têm os pais perante Deus? (b) Qual é o resultado de se cuidar devidamente desta responsabilidade?
31 Você é responsável pelos filhos que traz ao mundo e também tem de prestar contas ao Criador sobre a maneira de criá-los. Ele criou a terra, intencionado que fosse habitada, e deu aos nossos primeiros pais humanos a faculdade da procriação, para alcançar este objetivo. Sua deserção dele colocou-os do lado do Adversário, que desafiara a legitimidade do exercício da soberania de Deus sobre a sua família de criaturas no céu e na terra. Se criar seus filhos para se tornarem pessoas de integridade para com seu Criador, você e sua família poderão provar que o Adversário não tem razão e que Jeová Deus é veraz. Conforme diz Provérbios 27:11: “Sê sábio, filho meu, e alegra meu coração, para que eu possa replicar àquele que me escarnece.”
32 Cumprir você com sua obrigação para com os seus filhos, junto com sua responsabilidade perante Deus, pode dar-lhe um senso de verdadeira realização na vida. Poderá acompanhar em apreço de pleno coração a declaração do Salmo 127:3: “O fruto do ventre é uma recompensa.”
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Seu papel como pai ou mãeTorne Feliz Sua Vida Familiar
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Capítulo 8
Seu papel como pai ou mãe
1-3. (a) Que efeito pode o nascimento dum bebê ter sobre os pais? (b) Por que é importante, para o pai e para a mãe que eles compreendam seu papel como genitores?
NA VIDA, muitos acontecimentos nos afetam em grau muito limitado. Outros têm efeito maior e duradouro. O nascimento dum filho claramente é um destes últimos. Depois disso, a vida nunca mais será a mesma para o marido e a mulher. Embora a nova personalidade seja muito pequena no lar, ela se fará sentir com uma voz e uma presença que não podem ser desconsideradas.
2 A vida dos pais deve tornar-se mais rica e mais feliz. Mas, apresenta um desafio, e, para se obterem os melhores resultados, ambos os genitores precisam enfrentar este desafio. Foram necessários vocês dois para produzir o filho, e ambos desempenharão um papel vital no desenvolvimento de seu bebê, a partir do nascimento. Nunca antes foi tão grande a necessidade de sincera, unida — e humilde — cooperação.
3 A compreensão do papel desempenhado por cada genitor, e como estes papéis podem ser harmonizados, deve ajudar muito em satisfazer as necessidades de seu bebê, com bons resultados. Precisa haver equilíbrio. Embora a mente se esforce a ser razoável, as emoções amiúde causam desequilíbrio. Temos a tendência de ir a extremos, do muito pouco para o excesso, e novamente de volta ao muito pouco. É desejável que o pai exerça a chefia, mas, se ele se exceder nisso, tornar-se-á autoritário. Convém que a mãe participe na educação e na disciplina dos filhos, mas, se ela assumir estes deveres e excluir o pai, minará a estrutura da família. O que é bom é bom, mas algo bom pode tornar-se mau se for levado a extremo. — Filipenses 4:5.
O PAPEL DECISIVO DA MÃE
4. Quais são algumas das coisas que o bebê precisa de sua mãe?
4 O recém-nascido é totalmente dependente da mãe quanto às suas necessidades imediatas. Se ela amorosamente suprir essas necessidades, o bebê sentir-se-á seguro. (Salmo 22:9, 10) Precisa ser bem alimentado, e mantido limpo e quente; mas, não basta suprir-lhe as necessidades físicas. As necessidades emocionais são igualmente importantes. Se o bebê não receber amor, tornar-se-á inseguro. A mãe logo pode aprender a saber quão grande é realmente esta necessidade, quando seu bebê clama por atenção. Mas, se os seus choros forem constantemente desconsiderados, poderá adoecer. Se sofrer privação emocional por um período de tempo, fica afetado seu desenvolvimento emocional pelo resto de sua vida.
5-7. Segundo uma pesquisa recente, como é o bebê afetado pelo amor e pela atenção da mãe?
5 Experiências feitas em muitos lugares diferentes confirmaram o seguinte fato: Os bebês adoecem e até mesmo morrem se forem privados de amor, conforme expresso pela fala e pelo toque, por carícias e abraços. (Veja Isaías 66:12; 1 Tessalonicenses 2:7.) Embora outros possam fazer isso, a mãe, em cujo ventre o bebê passou a viver e foi nutrido durante os primeiros meses de sua vida, além de qualquer dúvida, é a pessoa mais indicada para isso. Ocorre uma interação natural entre mãe e filho. O desejo instintivo dela, de segurar o bebê recém-nascido perto de si, é correspondido pela busca instintiva do seu seio pelo bebê.
6 As pesquisas têm demonstrado que o cérebro do bebê é muito ativo e que se promove o desenvolvimento mental quando se lhe estimulam os sentidos do tato, da audição, da visão e do olfato. Quando o bebê mama, ele percebe o calor e o cheiro da pele da mãe. Olha quase que continuamente para o rosto dela, enquanto mama. Não só ouve a voz dela, quando fala ou canta, mas também as batidas de seu coração, o som que ouvia enquanto ainda estava no ventre. Numa publicação norueguesa, a psicóloga de crianças Anne-Marit Duve observou:
“Visto que a atividade dos alunos revela claramente o grau de atividade cerebral, temos motivos para crer que um elevado grau de estímulo da pele, um alto grau de contato — não sendo um dos menos importantes o contato durante a amamentação — pode estimular a atividade mental, a qual, por sua vez, pode levar a maior capacidade intelectual na vida de adulto.”
7 Portanto, quando o bebê sente freqüentemente o toque da mãe, quando ela o apanha, abraça ou banha e seca, o estímulo que recebe desempenha um papel importante no seu desenvolvimento e no que será na vida posterior. Embora levantar-se durante a noite e gastar tempo em acalmar o bebê que chora não seja o passatempo mais agradável, o conhecimento dos benefícios posteriores pode compensar em muito a perda de sono.
APRENDER AMOR POR SER AMADO
8-10. (a) O que aprende o bebê do amor de sua mãe? (b) Por que é isso importante?
8 Ser o bebê amado é vitalmente importante para o seu desenvolvimento emocional. Aprende a amar por ser amado, pela exposição aos exemplos de amor. Falando sobre o amor a Deus, 1 João 4:19 diz: “Amamos porque ele nos amou primeiro.” As lições iniciais de amor cabem principalmente à mãe. A mãe inclina-se sobre o bebê no berço, põe a mão no peito dele e o sacode suavemente, chegando o rosto perto ao do bebê e diz: ‘Eu te vejo, meu queridinho’, ou algo assim. O bebê, naturalmente, não conhece as palavras (que na realidade talvez nem sejam muito lógicas). Mas remexe-se e arrulha de prazer, porque reconhece que a mão brincalhona e o tom da voz lhe dizem claramente: ‘Eu te amo! Eu te amo!’ Sente-se reconfortado e seguro.
9 Os bebês e as criancinhas aos quais se mostra amor apreciam isso, e, imitando o amor, praticam-no, pondo os pequenos braços em volta do pescoço da mãe e dando-lhe entusiásticos beijos. Agradam-se da acolhedora reação emocional que recebem da mãe, em resultado disso. Começam a aprender a lição vital de que há felicidade tanto em dar amor como em recebê-lo, de que, por semearem amor, também o colhem em troca. (Atos 20:35; Lucas 6:38) A evidência mostra que, se não houver logo contato com a mãe, mais adiante a criança pode achar difícil ter profundo apego e compromisso com outros.
10 Visto que as crianças começam a aprender logo após o nascimento, os primeiros anos são os mais vitais. Durante esses anos, o amor da mãe é decisivo. Se ela conseguir mostrar e ensinar amor — não indulgência — poderá causar um bem duradouro; se falhar nisso, poderá causar dano permanente. Ser boa mãe é um dos trabalhos mais desafiadores e recompensadores que a mulher pode ter. Apesar de todas as tensões e demandas que causa, que outra “carreira” que o mundo oferece pode sequer chegar perto disso em significado e satisfação duradoura?
O PAPEL VITAL DO PAI
11. (a) Como pode o pai fixar seu papel na mente do filho? (b) Por que é isso vital?
11 É natural que, na primeira infância, a mãe desempenhe o papel de maior destaque na vida da criança. Mas, a partir do nascimento do bebê, o pai também deve desempenhar um papel no mundo do bebê. Mesmo quando a criança ainda é bebê, o pai pode e deve ficar envolvido, cuidando ocasionalmente do bebê, brincando com ele e consolando-o quando chora. Deste modo, o pai se fixa na mente da criança. O papel do pai deve aos poucos assumir maior destaque, com o passar do tempo. Se ele esperar demais para começar, pode dar início a um problema que surge especialmente quando o filho se torna adolescente e a disciplina se torna mais difícil. O filho adolescente, em especial, pode necessitar da ajuda de seu pai. Mas, se não se estabeleceu já antes uma boa relação, o abismo produzido no decorrer dos anos não pode ser vencido apenas em algumas semanas.
12, 13. (a) Qual é o papel do pai na família? (b) Quando o pai se desincumbe corretamente de sua responsabilidade como tal, como pode isso afetar o conceito que os filhos têm sobre a autoridade?
12 Quer a criança seja menino, quer menina, a influência das qualidades masculinas do pai pode fazer uma contribuição vital para o desenvolvimento duma personalidade completa e equilibrada. A Palavra de Deus mostra que o pai deve ser o chefe da família. Ele é responsável por prover sustento material para ela. (1 Coríntios 11:3; 1 Timóteo 5:8) Contudo, “o homem não vive somente de pão, mas . . . o homem vive de toda expressão da boca de Jeová”. Quanto aos filhos, ao pai também é mandado prosseguir “em criá-los na disciplina e na regulação mental de Jeová”. (Deuteronômio 8:3; Efésios 6:4) Embora deva ser motivado pela afeição natural para com seus filhos, deve ser movido, acima de tudo, pelo senso de responsabilidade para com seu Criador, para fazer o melhor, a fim de se desincumbir da comissão divina que tem.
13 Junto com o calor humano, a ternura e a compaixão que a mãe expressa, o pai pode contribuir uma influência estabilizadora, de força e de orientação sábia. A maneira em que ele se desincumbe de sua tarefa dada por Deus pode ter um efeito acentuado sobre a atitude posterior dos filhos para com a autoridade, tanto humana como divina, quanto a se eles vão respeitá-la e quão bem poderão trabalhar sob a direção de outra pessoa, sem se agastarem ou rebelarem.
14. Que efeito pode ter o bom exemplo do pai sobre seu filho ou sua filha?
14 Se tiver um filho, o exemplo do pai e a maneira de ele resolver os assuntos podem contribuir muito para determinar se o rapaz se desenvolverá como pessoa fraca e indecisa, ou alguém varonil, firme, com coragem de convicção e disposto a assumir responsabilidades. Pode afetar a espécie de marido ou pai que o filho finalmente será — alguém rígido, desarrazoado, duro, ou equilibrado, compreensivo e bondoso. Se houver filha na família, a influência do pai e a relação com ele pode afetar todo o conceito dela sobre o sexo masculino, e pode contribuir para o seu futuro sucesso no casamento ou frustrá-lo. O efeito da influência paterna começa na infância.
15, 16. (a) Que responsabilidade de ensino lança a Bíblia sobre o pai? (b) Como se pode desincumbir dela?
15 A extensão da responsabilidade do pai para ensinar é mostrada nas instruções de Deus ao seu povo, em Deuteronômio 6:6, 7: “Estas palavras que hoje te ordeno têm de estar sobre o teu coração; e tens de inculcá-las a teu filho, e tens de falar delas sentado na tua casa e andando pela estrada, e ao deitar-te e ao levantar-te.”
16 Não apenas as palavras em si encontradas na Palavra de Deus, mas também a mensagem que transmitem precisam ser incutidas cada dia na mente da criança. Sempre há oportunidades para isso. As flores no jardim, os insetos no ar, os pássaros ou os esquilos nas árvores, as conchas na praia, as pinhas nos montes, as estrelas cintilantes no céu noturno — todas estas maravilhas falam sobre o Criador, e você deve interpretar aos seus filhos o significado da linguagem delas. O salmista disse: “Os céus declaram a glória de Deus; e a expansão está contando o trabalho das suas mãos. Um dia após outro dia faz borbulhar a fala, e uma noite após outra noite exibe conhecimento.” (Salmo 19:1, 2) Por estar atento a usar essas coisas, e especialmente recorrendo às coisas diárias da vida para ilustrar e enfatizar princípios corretos, e para mostrar a sabedoria e os benefícios do conselho de Deus, o pai pode edificar na mente e no coração de seu filho a base mais essencial para o futuro: a convicção de que Deus não somente existe, mas também que ‘ele recompensa os que seriamente o buscam’. — Hebreus 11:6.
17, 18. (a) Como deve o pai disciplinar seus filhos? (b) O que é mais eficiente do que estabelecer muitas regras?
17 A aplicação da disciplina também faz parte do papel do pai. “Que filho há a quem o pai não disciplina?” é a pergunta feita em Hebreus 12:7. Mas, cabe a ele a obrigação de fazer isso dum modo que não vá a extremos, corrigindo demais a ponto de causar irritação ou até mesmo molestação. A Palavra de Deus diz aos pais: “Não estejais exasperando os vossos filhos, para que não fiquem desanimados.” (Colossenses 3:21) Restrições são necessárias, mas, às vezes, podemos multiplicar e aumentar regras até que se tornem opressivas e desanimadoras.
18 Os fariseus, da antigüidade, amavam as regras; acumulavam montões delas e produziam safras de hipócritas. É falha humana pensar que os problemas podem ser resolvidos simplesmente por se estabelecerem regras adicionais; mas as experiências da vida tornam claro que a chave real é atingir o coração. Portanto, seja econômico com regras; procure antes incutir princípios, objetivando o que o próprio Deus faz: “Porei as minhas leis na sua mente e as escreverei nos seus corações.” — Hebreus 8:10.
O PAI E A MÃE SÃO SÓCIOS
19. O que se pode fazer para garantir boa comunicação no lar?
19 O pai costuma ganhar o sustento, e quando volta para casa, depois do trabalho, talvez esteja cansado, e talvez ainda tenha outros deveres a cumprir. Mas, deve arranjar tempo para gastar com sua esposa e seus filhos. Precisa comunicar-se com a sua família, reservando tempo para palestras familiares e projetos da família, para diversões e excursões da família. Assim se edifica a união e a solidariedade da família. Pode ser que, antes de virem os filhos, ele e sua esposa passavam muito tempo fora de casa. Mas, continuarem assim, correndo para cá e para lá, e possivelmente até altas horas da noite, não seria viver à altura da responsabilidade da paternidade e maternidade. Não seria justo para com os seus filhos. Mais cedo ou mais tarde, os pais teriam de pagar o preço pela sua falta de regularidade e responsabilidade. Iguais aos adultos, os filhos se dão muito melhor quando a vida tem uma estabilidade e regularidade básica; isto contribui para a saúde mental, física e emocional. A rotina diária da vida familiar terá seu pleno complemento de altos e baixos, sem que os pais ainda os aumentem. — Veja Mateus 6:34; Colossenses 4:5.
20. No que se refere a disciplinar os filhos, o que podem os pais fazer para estarem unidos nos seus esforços?
20 O pai e a mãe devem cooperar em lidar com os filhos, ensinando-os, estabelecendo limites para eles, disciplinando-os e amando-os. ‘Uma casa dividida contra si mesma não pode ficar de pé.’ (Marcos 3:25) Os pais farão bem em considerar a disciplina que se deve adotar; poderão assim evitar que os filhos presenciem qualquer desunião com respeito à disciplina. Senão, franqueariam aos filhos tentar ‘dividir e vencer’. De fato, ocasionalmente pode acontecer que um dos genitores reaja de modo precipitado, ou se ire, e administre disciplina extrema, ou, considerando-se todos os fatores, que talvez realmente não era necessária. Talvez seja possível que os genitores falem sobre isso em particular, e, então, aquele que agiu de modo imprudente talvez queira pessoalmente endireitar a situação com o filho. Ou, caso uma palestra particular não seja possível, o genitor que acha que dar apoio ao cônjuge significaria confirmar uma injustiça talvez possa dizer algo assim: ‘Entendo por que você se zangou, e o mesmo aconteceria comigo. Mas, parece haver algo que você não percebeu, que . . .’, esclarecendo depois o que talvez tenha sido despercebido. Isto pode exercer uma influência calmante, sem revelar divisão ou desacordo na presença do filho disciplinado. Conforme diz o provérbio inspirado: “Pela presunção só se causa rixa, mas há sabedoria com os que se consultam mutuamente.” — Provérbios 13:10; veja também Eclesiastes 7:8.
21. Deve a aplicação da disciplina caber apenas a um dos genitores? Por que sim ou por que não?
21 As Escrituras Hebraicas mostram que a aplicação da disciplina é um papel duplo: “Escuta, meu filho, a disciplina de teu pai e não abandones a lei de tua mãe.” As Escrituras Gregas Cristãs fazem o mesmo: “Filhos, sede obedientes aos vossos pais em união com o Senhor, pois isto é justo.” Às vezes, o pai acha que aplicar a disciplina é trabalho de sua esposa. Ou a esposa talvez adote o conceito oposto, não fazendo mais do que apenas advertir o filho travesso com: ‘Espere só o seu pai chegar!’ Mas, se há de haver felicidade na família, e se cada genitor há de receber o amor e o respeito dos filhos, então deve ser compartilhado o dever. — Provérbios 1:8; Efésios 6:1.
22. O que deve ser evitado ao se lidar com um pedido do filho, e por quê?
22 Os filhos precisam ver a cooperação unida de seus pais, neste respeito, e a disposição de cada um de arcar com sua responsabilidade. Se o filho que quer alguma coisa sempre ouve o pai dizer: ‘Vá perguntar à sua mãe’, ou se a mãe invariavelmente transfere a decisão novamente de volta para o pai, então o genitor que verifica que terá de dizer “não” ao pedido é lançado no papel de vilão. Naturalmente, pode haver circunstâncias em que o pai talvez diga: ‘Sim, pode ir para fora, por um pouco — mas fale primeiro com mamãe para ver quando o jantar vai estar pronto.’ Ou a mãe talvez ache, ocasionalmente, que, embora não objete a certo pedido, seu marido devia expressar-se sobre o assunto. Ambos, contudo, devem estar atentos a não incentivar ou permitir que o filho jogue um genitor contra o outro, para obter o que quer. A esposa também se prevenirá para não usar sua parte na autoridade de maneira competitiva, procurando por meio da indulgência obter a maior parte do afeto do filho, às custas do marido.
23. Na família, limita-se tomar decisões necessariamente apenas ao pai?
23 Na realidade, em decisões de família, cada membro pode ter pontos em que sua decisão merece consideração especial. O pai tem a responsabilidade de decidir as questões que envolvem o bem-estar geral da família, amiúde tomando as decisões depois de palestrar com os outros e de dar consideração aos desejos e às preferências deles. A mãe talvez tome decisões a respeito da cozinha e de muitos outros assuntos domésticos. (Provérbios 31:11, 27) Os filhos, ao passo que crescem, poderão ser permitidos fazer certas decisões sobre onde vão brincar, alguma escolha na roupa ou em outras coisas pessoais. Mas, deve haver suficiente supervisão parental para cuidar de que se siga princípios sadios, que a segurança dos filhos não fique em perigo e que não se infrinjam os direitos de outros. Isto pode dar aos filhos um início gradual em tomar decisões.
É FÁCIL HONRAR A VOCÊS, PAIS?
24. Terem os filhos que honrar pai e mãe lança que responsabilidade sobre os genitores?
24 Diz-se aos filhos: “Honra a teu pai e a tua mãe.” (Efésios 6:2; Êxodo 20:12) Fazendo isso, também honram o mandamento de Deus. Será que você torna isso fácil para eles? Esposa, você deve honrar e respeitar seu marido. Não é isso muito difícil quando ele faz pouco ou nenhum esforço de acatar o que a Palavra de Deus requer dele? Marido, você deve prezar e honrar sua esposa como sua ajudadora amada. Não é isso difícil, quando ela não coopera? Então, facilitem aos seus filhos obedecerem à ordem de Deus, de que devem honrar a vocês, seus pais. Granjeiem o respeito por proverem um lar pacífico, uma boa série de normas, bons exemplos na sua própria conduta, ensino e instrução sadios, e disciplina amorosa, quando necessária.
25. Que problemas podem surgir quando os pais não estão unidos quanto a como os filhos devem ser instruídos?
25 “Melhor dois do que um”, observou o Rei Salomão, “porque eles têm boa recompensa pelo seu trabalho árduo”. (Eclesiastes 4:9) Quando dois andam juntos e um fraqueja, o outro está presente para ajudá-lo. Assim também na família, o marido e a esposa podem apoiar-se e animar-se mutuamente nos seus respectivos papéis. Em muitos campos da paternidade e maternidade esses papéis coincidem, e isto é bom para a união da família. Os filhos deviam achegar os pais ainda mais um ao outro, unindo-os no trabalho comum de prover instrução. Mas, às vezes, podem surgir questões divisórias sobre como o filho deve ser instruído e disciplinado. Às vezes acontece que a esposa dá tanta atenção ao filho, que o marido se sente negligenciado e até mesmo fica ressentido. Isto pode afetar sua atitude para com o filho. Pode esfriar-se para com ele, ou, em vez disso, cumular o filho de atenções, porém, dando menos atenção à sua esposa. Paga-se um elevado preço quando o marido ou a mulher perde este equilíbrio.
26. O que se pode fazer para impedir que o filho mais crescido fique ciumento quando a mãe precisa devotar mais tempo ao novo bebê?
26 Ainda outro problema poderá surgir quando chega um novo bebê e já houver um filho mais crescido. A mãe tem de gastar muito tempo com o novo bebê. Para impedir que o filho mais velho se sinta negligenciado e ciumento, o pai pode dar atenção extra ao mais crescido.
27. Quando um dos cônjuges é incrédulo, como se pode ajudar aos filhos em sentido espiritual?
27 É certo que melhor dois do que um, mas um é melhor do que nenhum. Pode ser que seja a mãe que, pelas circunstâncias, tem de criar os filhos sem a ajuda do pai. Ou pode ser o pai quem tenha de enfrentar o mesmo desafio. Muitas vezes, os lares são divididos em questão religiosa, no sentido de que um genitor, como servo de Jeová Deus, tem plena fé no conselho da Bíblia, mas o outro não. Quando o marido é o cristão dedicado, então ele, como chefe da família, tem mais controle sobre o rumo a seguir na instrução e disciplina dos filhos. Não obstante, talvez precise de muita paciência, autodomínio e perseverança; deve ser firme quando existe uma questão séria, contudo, razoável e bondoso, mesmo sob provocação, e deve ser flexível quando as circunstâncias permitem. Se a esposa for a crente, estando por isso sujeita ao marido, a maneira de seu proceder dependerá em grande parte da atitude dele. Será que ele apenas não se interessa na Bíblia, ou está oposto a que sua esposa pratique suas crenças e que se empenhe em ensiná-las aos filhos? Se ele se opuser a ela, a esposa terá de depender do proceder delineado pelo apóstolo: Pela maneira exemplar com que a esposa cuida dos seus deveres e pela sua atitude respeitosa, o marido talvez ‘seja ganho sem palavra’. Ela aproveitará também as oportunidades disponíveis para instruir seus filhos em princípios bíblicos. — 1 Pedro 3:1-4.
O AMBIENTE NO LAR
28, 29. Que espécie de ambiente no lar é desejável, e por quê?
28 O papel de ambos os genitores é prover um ambiente de amor no lar. Se isto for sentido pelos filhos, suas incertezas ou erros não se acumularão no seu íntimo por causa do medo de falar aos seus pais. Saberão que podem comunicar-se com eles e ser entendidos, e que os assuntos serão tratados com preocupação amorosa. (Veja 1 João 4:17-19; Hebreus 4:15, 16.) O lar não se tornará apenas um abrigo, mas um refúgio. A afeição parental fará o espírito dos filhos desenvolver-se e florescer.
29 Não se pode colocar uma esponja dentro de vinagre e esperar que ela absorva água. Ela pode absorver apenas o que há em sua volta. A esponja absorve água apenas se for colocada nela. Os filhos, também, absorvem seu ambiente. Eles sentem as atitudes e observam o que se pratica em volta deles, e absorvem essas coisas como se fossem esponja. Os filhos percebem os sentimentos que você tem, quer seja tensão nervosa, quer sossego pacífico. Até mesmo os bebês absorvem as qualidades do ambiente no lar, de modo que o ambiente de fé, amor, espiritualidade e confiança em Jeová Deus é inestimável.
30. Que perguntas poderão os pais fazer a si mesmos para saber se estão provendo boa orientação aos filhos?
30 Pergunte-se: Que normas espera que seu filho satisfaça? Será que vocês dois, os pais, estão à altura delas? O que representa sua família? Que espécie de exemplo é você para o filho? Queixa-se, acha defeitos, critica os outros e remói pensamentos negativos? É esta a espécie de filhos que quer? Ou tem elevadas normas para sua família, vivendo à altura delas e esperando que seus filhos também o façam? Entendem eles que pertencer a esta família requer satisfazer certos requisitos, que certa conduta é aceitável, e que certas ações e atitudes não o são? Os filhos querem sentir a segurança de fazer parte dela; por isso, deixe-os sentir sua aprovação e aceitação, quando satisfazem as normas da família. As pessoas têm o jeito de viver à altura do que se espera delas. Classifique seu filho como mau, e ele provavelmente o confirmará nisso. Espere dele o bem, e o estará encorajando a viver à altura disso.
31. Como deve sempre ser apoiada a orientação parental?
31 As pessoas são julgadas mais pelas suas ações do que pelas suas palavras. Os filhos, também, talvez não dêem tanta atenção a palavras como a ações, e amiúde estão atentos para descobrir qualquer hipocrisia. Palavras demais confundem as crianças. Certifique-se de apoiar suas palavras por colocá-las em prática. — 1 João 3:18.
32. O conselho de quem se deve seguir sempre?
32 Quer você seja pai, quer mãe, seu papel é desafiador. Mas o desafio pode ser enfrentado com bons resultados, por se seguir o conselho do Dador da vida. Cumpra conscienciosamente seu papel designado, como a Ele. (Colossenses 3:17) Evite os extremos, mantenha seu equilíbrio e ‘deixe a sua razoabilidade ser conhecida de todos’, inclusive de seus filhos. — Filipenses 4:5.
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O olhar, o toque e o tom da voz da mãe dizem ao bebê: “Eu te amo.”
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Planeja atividades com seus filhos?
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Instrução dos filhos desde a infânciaTorne Feliz Sua Vida Familiar
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Capítulo 9
Instrução dos filhos desde a infância
1-4. Que evidência há de que a criança pequena tem uma enorme capacidade de aprender?
A MENTE dum recém-nascido tem sido comparada a uma página sem escrita. Na realidade, muitas impressões foram feitas na mente enquanto ainda estava no ventre de sua mãe. E certos traços de personalidade já se acham indelevelmente gravados nele por herança genética. Mas, existe uma enorme capacidade de aprender, a partir do momento do nascimento. Em vez de se tratar duma única página, é como se toda uma biblioteca estivesse à espera de receber a impressão de informações nas suas páginas.
2 O cérebro do bebê, por ocasião do nascimento, pesa apenas uma quarta parte do que pesará em adulto. Mas o cérebro cresce tão velozmente, que, em apenas dois anos, já atinge três quartas partes de seu peso adulto! O desenvolvimento intelectual acompanha o passo. Os pesquisadores dizem que a inteligência da criança aumenta tanto nos primeiros quatro anos da vida, como durante os próximos treze. De fato, alguns declaram que “os conceitos que a criança aprende antes de seu quinto aniversário estão entre os mais difíceis que há de encontrar”.
3 Conceitos básicos tais como a direita e a esquerda, o alto e o baixo, cheio e vazio, bem como graus comparativos de tamanho e peso, todos parecem muito naturais para nós. Mas, a criança precisa aprendê-los, bem como uma multidão de outros. O próprio conceito da fala precisa ser gravado e fixado na mente do bebê.
4 A linguagem é classificada por alguns como “provavelmente a realização intelectual mais difícil que se exige do ser humano”. Se você já tiver lutado para aprender um novo idioma, é provável que concorde com isso. Mas, você teve pelo menos a vantagem de saber como uma língua funciona. O bebê não sabe; contudo, sua mente é capaz de aprender conceitos de linguagem e pô-los a funcionar. Não só isso, mas crianças de tenra idade, que vivem em lares ou regiões bilíngües, podem falar facilmente até mesmo os dois idiomas — antes mesmo de terem começado a freqüentar a escola! De modo que a inteligência está presente, esperando para ser desenvolvida.
O TEMPO PARA COMEÇAR É AGORA MESMO!
5. Quão cedo deve começar a educação do filho?
5 O apóstolo Paulo, escrevendo ao seu companheiro Timóteo, lembrou-lhe que ele havia conhecido os escritos sagrados “desde a infância”. (2 Timóteo 3:15) Sábios são os pais que reconhecem a fome natural da criancinha de aprender. Os bebês são muito observadores, são todo olhos e ouvidos. Quer os pais se apercebam disso, quer não, os pequeninos estão atarefadíssimos em assimilar informações, em arquivá-las, em suplementá-las e em tirar conclusões. Na realidade, se os pais não forem cautelosos, a criancinha aprenderá muito bem, em pouco tempo, como manipulá-los segundo os seus desejos. Por isso, a admoestação dada na Palavra de Deus aplica-se desde o nascimento: “Educa o rapaz segundo o caminho que é para ele; mesmo quando envelhecer não se desviará dele.” (Provérbios 22:6) As primeiras lições, naturalmente, são as de amar, com muito carinho e afeição. Mas, junto com isso, precisa haver a necessária correção, aplicada suave, mas firmemente.
6. (a) Em que espécie de linguagem é melhor falar com o filho? (b) Que ponto de vista se deve adotar a respeito das muitas perguntas que a criança talvez faça?
6 Fale ao bebê, não em “linguagem infantil”, mas em linguagem simples de gente grande, que é aquela que deseja que aprenda. Quando a criancinha aprender a falar, vai inundá-lo com uma enxurrada de perguntas: ‘Por que chove? Donde vim eu? Aonde vão as estrelas durante o dia? O que está fazendo? Por que isso? Por que aquilo?’ E assim continua, infindavelmente! Escute-as, porque as perguntas estão entre os melhores instrumentos que a criança tem para aprender. Sufocar as perguntas pode significar sufocar o desenvolvimento mental.
7. Como se pode responder melhor às perguntas duma criança pequena, e por quê?
7 Mas, lembre-se, assim como o apóstolo Paulo, de que, “quando eu era pequenino, costumava falar como pequenino, pensar como pequenino, raciocinar como pequenino”. (1 Coríntios 13:11) Responda às perguntas do melhor modo possível, mas de maneira simples e breve. Quando a criança pergunta: ‘Por que chove?’ ela não quer uma resposta complicada e detalhada. Alguma resposta tal como: ‘As nuvens ficam cheias de água e então a água cai’, talvez a satisfaça. O período de atenção da criança é curto; ela passa logo para outros campos. De modo que, assim como você dá à criança leite, até que passe a comer alimentos sólidos, dê-lhe informações simples, até que possa compreender o conhecimento mais pormenorizado. — Veja Hebreus 5:13, 14.
8, 9. O que se pode fazer para ensinar o filho progressivamente a ler?
8 A aprendizagem deve ser progressiva. Conforme já mencionado, Timóteo conhecia as Escrituras desde a infância. Evidentemente, suas mais primitivas recordações da infância incluíam ter sido ensinado a Bíblia. Isto, por certo, foi progressivo, assim como pai ou mãe, hoje, ensinaria primeiro o filho a ler. Leia para ele. Quando ainda é pequeno, ponha-o no colo, abrace-o e leia com uma voz agradável. Ele se sentirá bem, em segurança e alegre, e a leitura será uma experiência agradável, não importa quão pouco entenda. Mais tarde, poderá ensinar-lhe o alfabeto, talvez como brincadeira. Daí, formule palavras, e, finalmente, componha sentenças das palavras. E faça com que o processo do aprendizado seja algo alegre, tanto quanto for possível.
9 Um casal, por exemplo, lia em voz alta para seu menino de três anos, indicando à criança cada palavra, para acompanhá-los enquanto liam. Em certas palavras, eles paravam, e o menino completava a palavra, tal como “Deus”, “Jesus”, “homem”, “árvore”. Aos poucos, aumentavam as palavras que sabia ler, e, aos quatro anos de idade, já lia a maioria das palavras. Junto com a leitura vem a escrita, primeiro, de letras individuais, e depois, palavras inteiras. Saber escrever seu próprio nome emociona a criança!
10. Por que é sábio ajudar cada filho a desenvolver seu próprio potencial?
10 Cada criança é diferente tendo personalidade exclusiva, e deve ser ajudada a se desenvolver em harmonia com seu potencial e dons individuais, herdados. Se instruir seu filho para que desenvolva forças e habilidades herdadas, ele não precisará sentir inveja diante das consecuções de outras crianças. Cada criança deve ser amada e apreciada pelo que é. Embora você a ajude a vencer ou controlar inclinações erradas, não deve tentar obrigar a criança a se ajustar a um molde predeterminado. Antes, guie-a no melhor uso de suas próprias caraterísticas boas de personalidade.
11. Por que não é sábio comparar um filho desfavoravelmente com outro?
11 O pai ou a mãe pode fomentar o espírito de competição egoísta por dar a entender a superioridade ou a inferioridade de um filho em comparação com outro. Ao passo que as crianças pequenas, logo cedo na vida, dão indícios de egoísmo inerente, elas estão inicialmente livres de idéias de classe, superioridade e sentimentos de sua própria importância. Foi por isso que Jesus pôde usar uma criancinha como exemplo, para corrigir o espírito de ambição e de preocupação com a própria importância, que seus discípulos mostraram em certa ocasião. (Mateus 18:1-4) Portanto, evite comparar um filho com o outro, de maneira desfavorável. A criança pode tomar isso como indício de rejeição. Primeiro, ela vai sentir-se magoada, e se este tratamento continuar, ela vai tornar-se hostil. Por outro lado, a criança apresentada como superior poderá tornar-se orgulhosa e passar a incorrer na antipatia dos outros. Você, como pai ou mãe, nunca deve fazer seu amor e sua aceitação dependente de como uma criança se compara com outra. A variedade é agradável. Uma orquestra possui muitos instrumentos diferentes que dão variedade e plenitude, mas tudo é harmonioso. As diferenças de personalidade dão sabor e interesse ao círculo familiar, contudo, a harmonia não será prejudicada quando todos se ajustam aos princípios corretos de seu Criador.
AJUDE SEU FILHO A CRESCER
12. Que fatos sobre os adultos demonstram que a criança precisa de orientação correta?
12 A Palavra de Deus diz que “não é do homem que anda o dirigir o seu passo”. (Jeremias 10:23) Os homens dizem que é. Por isso, rejeitam a orientação divina, aceitam a direção humana, entram em uma dificuldade após outra e acabam provando que Deus tinha mesmo razão. Jeová Deus diz que há um caminho que parece certo ao homem, mas no fim acaba na morte. (Provérbios 14:12) Os homens, já por muito tempo, têm tomado o caminho que para eles parece certo, e isto tem levado a guerras, fome, doenças e morte. Se o caminho que parece direito aos olhos dum homem adulto, experiente, acaba na morte, como é que pode acontecer outra coisa com o caminho que parece a uma criança? Se não é do homem que anda o dirigir o seu passo, como pode ser da criança cambaleante o dirigir seu caminho na vida? O Criador provê orientação tanto para os pais como para os filhos por intermédio de Sua Palavra.
13, 14. Como podem os pais instruir os filhos em harmonia com a admoestação encontrada em Deuteronômio 6:6, 7?
13 Deus diz aos pais: “Estas palavras que hoje te ordeno têm de estar sobre o teu coração; e tens de inculcá-las a teu filho, e tens de falar delas sentado na tua casa e andando pela estrada, e ao deitar-te e ao levantar-te.” (Deuteronômio 6:6, 7) A qualquer hora, sempre que se apresentem oportunidades adequadas, deve-se prover instrução, quando a família toma junto o café da manhã, embora para muitos a manhã seja uma hora de pressa, para se aprontar para o trabalho ou para a escola, uma expressão de agradecimento pelo alimento dirigirá os pensamentos para o Criador e poderá incluir outros pontos de valor espiritual para a família. O tempo talvez permita alguns comentários sobre as atividades do dia que se inicia, ou sobre a escola, e conselho sábio sobre como lidar com problemas que possam surgir. A hora de ir para a cama, ‘ao deitar-se’, pode ser uma ocasião feliz para as crianças, se os pais lhes derem alguma atenção extra. Histórias contadas para dormir podem significar muito para os pequeninos e podem ser um meio excelente de ensino. A Bíblia está cheia de matéria, que só precisa de inventividade parental e de cordialidade para torná-la agradável à criança. Experiências pessoais de sua própria vida terão atrativo especial para seus filhos, e podem incutir boas lições. E embora possa parecer difícil achar novas histórias para contar, amiúde verificará que a criança gosta de ouvir as mesmas, vez após vez. Poderá descobrir que, por tomar este tempo extra, as linhas de comunicação com seus filhos ficarão muito mais abertas. Orar junto com os pequeninos na hora de deitar pode ainda afirmar desde cedo a comunicação com Aquele que pode fazer o máximo para guiá-los e protegê-los. — Efésios 3:20; Filipenses 4:6, 7.
14 Não importa onde esteja, ‘sentado em casa’ ou viajando “pela estrada”, tem oportunidades para instruir seu filho de maneira interessante e eficiente. Para as crianças, parte disso pode ser na forma duma brincadeira. Certo casal contou o seguinte, sobre como isto contribuiu para ajudar os filhos a se lembrarem dos pontos duma reunião de estudo bíblico:
‘Certa noitinha, levamos conosco nosso menininho, que tem seis anos de idade e não costuma prestar muita atenção nas reuniões. Indo ao salão eu disse: “Vamos fazer uma brincadeira. Quando voltarmos para casa, vejamos se conseguimos lembrar os cânticos que entoarmos e alguns dos pontos principais da reunião.” No retorno, ficamos espantados. O menino mais novo, que não costuma prestar atenção, recebeu a primeira oportunidade para falar e lembrou-se de muitos pontos. Nossos filhos acrescentaram então seus comentários, e, por fim, nós, adultos, comentamos. Em vez de ser tarefa, foi divertido para eles.’
15. Como pode a criança ser incentivada a melhorar suas realizações?
15 Ao passo que o filho fica mais velho, aprenderá a expressar idéias, desenhar coisas, fazer algum trabalho e tocar alguma música num instrumento. Ele sentirá que está realizando alguma coisa. Seu trabalho, em certo sentido, é uma extensão dele. É muito pessoal para ele. Se você o examinar e disser: ‘Está muito bom’, a animação do filho aumentará vertiginosamente. Encontre algo no trabalho dele que você pode sinceramente elogiar, e ele se sentirá encorajado. Critique-o rudemente, e ele provavelmente se acabrunhará e perderá o ânimo. Faça uma pergunta sobre certos aspectos do trabalho, se quiser, mas que não seja algo que indique rejeição do trabalho dele. Por exemplo, em vez de tomar o desenho dele e começar a refazê-lo, poderá demonstrar uma melhora em outro pedaço de papel. Isto lhe permitirá corrigir seu próprio desenho, se quiser. Por incentivar seu esforço, estimulará o desenvolvimento dele; se você o criticar rudemente, poderá desanimá-lo ou sufocar seu desejo de continuar a tentar. Sim o princípio em Gálatas 6:4 também se pode aplicar às crianças: “Prove cada um quais são as suas próprias obras, e então terá causa para exultação, apenas com respeito a si próprio e não em comparação com outra pessoa.” A criança precisa de incentivo, especialmente nos seus primeiros esforços. Se o trabalho for bom para a sua idade, elogie-o! Se não for, elogie o esforço dela, e anime-a a tentar outra vez. Afinal, não aprendeu a andar logo na primeira tentativa.
COMO POSSO EXPLICAR SOBRE O SEXO?
16. Em vista do que a Bíblia diz, que espécie de respostas devem ser dadas às perguntas que a criança faz sobre o sexo?
16 Você responde às perguntas de seu filho e incentiva-o a se comunicar. Mas, então, de repente, lhe faz perguntas sobre o sexo. Responde-lhe francamente, ou dá-lhe uma resposta enganosa, tal como dizer que o irmãozinho ou a irmãzinha foi obtido no hospital? Fornecerá a informação correta, ou deixará que os filhos obtenham respostas inadequadas ou mesmo erradas, talvez num contexto obsceno de crianças mais velhas? A Bíblia contém referências francas a bastante coisas relacionadas com o sexo ou os órgãos genitais. (Gênesis 17:11; 18:11; 30:16, 17; Levítico 15:2) Quando Deus instruiu seu povo sobre as reuniões em que se devia ler a sua Palavra, ele disse: “Congrega o povo, os homens e as mulheres, e os pequeninos, . . . para que escutem e para que aprendam.” (Deuteronômio 31:12) De modo que os pequeninos ouviam tais referências num ambiente sério e respeitoso, não na forma de “conversa de rua”.
17-19. Como se pode dar progressivamente explicações sobre o sexo?
17 Realmente, a explicação sobre o sexo não precisa ser tão difícil como muitos imaginam. As crianças apercebem-se de seu corpo desde bem cedo, descobrindo as suas diversas partes. Dê os nomes para seu filho: mãos, pés, nariz, barriga, nádegas, pênis, vulva. A criança não fica embaraçada, a menos que você de repente mude e fique “furtivo” sobre os órgãos genitais. O que apavora os pais é que pensam que terão de explicar tudo, uma vez que as perguntas comecem. Na realidade, as perguntas vêm aos poucos, conforme a criança atinge diversos estágios de desenvolvimento. Ao atingir os diversos estágios, você lhe precisa suprir apenas o vocabulário correto e explicações muito simples e gerais.
18 Por exemplo, certo dia se lhe pergunta: ‘Donde vêm os bebês?’ Você poderá simplesmente dizer algo assim: eles crescem dentro da mãe.’ Usualmente, isto é tudo o que se precisa para o momento. Mais tarde, seu filho poderá perguntar: ‘Como é que o bebê sai?’ ‘Há uma abertura especial para isso.’ E, para o momento, isto costuma bastar.
19 Algum tempo depois, pode vir a pergunta: ‘Como é que o bebê começa?’ Sua resposta poderá ser: ‘Quando o papai e a mamãe querem ter um filho, uma semente do pai encontra-se com uma célula ovular na mãe, e então começa a crescer um bebê, igual a uma semente lançada no chão que se torna uma flor ou uma árvore.’ De modo que se trata duma história que prossegue, cada parte sendo suficiente para satisfazer a criança naquele momento. Mais tarde, o filho poderá perguntar: ‘Como é que a semente do pai entra na mãe?’ Você poderá simplesmente dizer: ‘Você sabe como é um rapaz. Ele tem um pênis. A moça tem uma abertura no corpo, na qual ele se ajusta. Assim se lança a semente. As pessoas foram feitas assim, para que os bebês possam ter início e crescer na mãe, e finalmente sair como criancinhas.’
20. Por que convém que sejam os pais quem dê aos seus filhos explicações sobre o sexo?
20 Esta conversa honesta certamente é melhor do que histórias falsas ou uma reação “furtiva”, que fazem o assunto parecer repugnante. (Veja Tito 1:15.) Também é melhor que a criança ouça os fatos da boca dos pais, que podem acompanhar suas explicações com os motivos pelos quais os bebês devem vir corretamente apenas dos casados entre si, que se amam e que aceitam a responsabilidade de amar o bebê e cuidar dele. Isto coloca o assunto num plano sadio e espiritual, em vez de ser aprendido em circunstâncias que parecem dar a tudo um aspecto impuro.
A TRANSMISSÃO DAS LIÇÕES MAIS IMPORTANTES DA VIDA
21. Em vista de que tendência dos filhos é importante que os pais dêem bons exemplos aos seus descendentes?
21 Certa vez, Jesus comparou as pessoas do seu tempo às “criancinhas sentadas nas feiras, que gritam para seus companheiros de folguedos, dizendo: ‘Nós tocamos flauta para vós, mas não dançastes; lamuriamos, mas não vos batestes em lamento.’” (Mateus 11:16, 17) As brincadeiras das crianças imitavam os adultos nas suas festas e nos seus enterros. Visto que a criança tem a tendência natural de imitar, o exemplo dos pais desempenha um grande papel na educação do filho.
22. Que efeito pode a conduta dos pais ter sobre os seus filhos?
22 A partir do nascimento, seu bebê aprende de você — não só por aquilo que você diz, mas também como o diz, pelo tom da voz que usa no falar: ao próprio bebê, a seu cônjuge e a outras pessoas. Observa a maneira de os pais lidarem um com o outro, com outros membros da família e com os visitantes. O exemplo que lhe dá, neste respeito, pode começar a transmitir lições muito mais vitais do que seu filho aprender a andar, a contar ou a soletrar. Pode lançar a base para o conhecimento e a compreensão, que levam à genuína felicidade no viver. Este exemplo pode tornar a criança receptiva à comunicação de normas justas, quando já tiver bastante idade para ser ensinada por palavra e pela leitura.
23, 24. Se os pais quiserem que seus filhos se ajustem a certas normas, o que eles mesmos precisam estar dispostos a fazer?
23 “Tornai-vos imitadores de Deus, como filhos amados, e prossegui andando em amor”, é a exortação do apóstolo aos cristãos. Pouco antes disso, ele mostrou o que a imitação exigia, dizendo: “Sejam tirados dentre vós toda a amargura maldosa, e ira, e furor, e brado, e linguagem ultrajante, junto com toda a maldade. Mas, tornai-vos benignos uns para com os outros, ternamente compassivos, perdoando-vos liberalmente uns aos outros, assim como também Deus vos perdoou liberalmente por Cristo. Portanto, tornai-vos imitadores de Deus, como filhos amados . . .” (Efésios 4:31, 32; 5:1, 2) Se as vozes que a criança ouve, ou as ações que observa, transmitirem lições de irritabilidade, como fazem a conversa alta e estridente, as queixas choramingadas, a arrogância ou a ira explosiva, causará uma impressão que é difícil de apagar. Se você for bondoso e tiver consideração para com todos, se as suas normas de moral forem elevadas e seus princípios forem bons, então seu filho tenderá a imitá-lo nisso. Aja do modo que quer que seus filhos ajam; seja assim como quer que eles sejam.
24 Os pais não devem ter dois tipos de princípios, um para pregar e outro para praticar, um para seus filhos e outro para si mesmos. Que adianta mandar aos filhos não mentir, quando você mesmo mente? Se você não cumpre as promessas que lhes fez, pode esperar que eles cumpram as que fizeram a você. Se os pais não são respeitosos um para com o outro, como podem esperar que seu filho aprenda a ter respeito? Se o filho nunca ouvir o pai ou a mãe expressar humildade, como pode adotar a humildade qual norma? Um perigo sério de o pai ou a mãe darem a idéia de sempre estarem certos é que o filho pode pensar que tudo o que eles fazem está certo — mesmo quando os pais fazem coisas que revelam a natureza imperfeita e pecaminosa, e que são erradas. Dizer mas não fazer é ser igual aos fariseus hipócritas, dos quais Jesus disse: “Todas as coisas que eles vos dizem, fazei e observai, mas não façais segundo as ações deles, pois dizem, mas não realizam.” Portanto, pais, se não quiserem ter pequenos fariseus na sua família, não sejam grandes fariseus! — Mateus 23:3.
25. Como se deve ensinar o amor aos filhos?
25 As crianças aprendem sobre o amor primeiro por observarem-no, e aprendem a dar amor por receberem-no. O amor não pode ser comprado. Os pais podem cumular seus filhos de presentes. Mas o amor é principalmente um assunto espiritual, do coração, não da carteira de dinheiro, e os presentes, por si só, nunca podem substituir o genuíno amor. Tentar comprar o amor avilta-o. Mais do que dar presentes materiais dê de si mesmo de seu tempo, sua energia e seu amor. Receberá na mesma medida. (Lucas 6:38) Conforme diz 1 João 4:19 sobre o amor que Deus nos tem: “Amamos porque ele nos amou primeiro.”
26, 27. Como se pode ensinar aos filhos a alegria proveniente do dar?
26 As crianças podem aprender a ação de dar pela ação de receber. Podem ser ajudadas a aprender as alegrias de dar, de servir e de compartilhar. Ajude-as a ver que há felicidade em dar a você, a outras crianças e a adultos. Os adultos, amiúde, não querem aceitar presentes de crianças, pensando erroneamente que mostram amor por deixarem as crianças ficar com os presentes que querem dar. Certo homem declarou:
“Eu costumava recusar quando uma criança me oferecia seu doce. Pensava ser bondoso, não aceitando o que eu sabia que ela queria muito. Mas, quando não o aceitei e a deixei ficar com ele, não vi a alegria que pensava que ela ia demonstrar. Então, dei-me conta de que estava rejeitando a sua generosidade, rejeitando o seu presente e rejeitando a ela. Depois disso, sempre aceito tais presentes, para deixá-la conhecer a alegria de dar.”
27 Os pais em certa família, queriam ajudar seu menino a tornar-se como os descritos na Bíblia, em 1 Timóteo 6:18, “liberais, prontos para partilhar”. Assim, ao irem a um lugar para o estudo bíblico, tomavam o dinheiro que iam contribuir e o entregavam ao seu filho, deixando que ele o pusesse na caixa de contribuição. Isto ajudou a incutir nele o valor de se dar apoio a assuntos espirituais e de ajudar a suprir as necessidades materiais que isto talvez envolvesse.
28, 29. Como se pode ensinar às crianças a importância de se pedir desculpas pelos erros?
28 Assim como os filhos podem aprender a amar e a ser generosos, se a instrução correta for acompanhada pelo bom exemplo, assim também podem aprender a pedir desculpas, quando apropriado. Certo pai disse: “Quando cometo um erro com os meus filhos, eu o admito. Digo-lhes de modo bem breve por que cometi o engano e que errei. Isto lhes torna mais fácil admitirem seus erros a mim, sabendo que não sou perfeito e que compreendo.” Este conceito foi ilustrado em certa ocasião, quando um estranho visitou uma família e o pai lhe apresentou os membros dela. O visitante comentou:
“Todos os presentes foram apresentados, e então entrou na sala um menino sorridente. O pai disse: ‘E este é o nosso filho caçula, o que tem a mancha de geléia na camisa.’ O sorriso do menino desapareceu e sua fisionomia mostrou mágoa. Vendo que o embaraço ia fazê-lo chorar, o pai puxou rapidamente o menino para si e disse: ‘Eu não devia ter dito isso; desculpe.’ O menino soluçou por um momento, e depois saiu da sala, mas logo voltou, com um sorriso ainda maior e com uma nova camisa limpa.”
29 Os vínculos da afeição, certamente, são fortalecidos por tal humildade. Naturalmente, mais tarde, o pai ou a mãe pode explicar à criança como ter um conceito equilibrado sobre os problemas da vida, grandes e pequenos. Pode ajudar os filhos a aprender a não tomarem muito a sério as coisas menores, a poderem rir de si mesmos e a nunca esperarem a perfeição dos outros, assim como não querem que se espere deles.’
PROVEJA UMA SÉRIE DE VALORES REAIS
30-32. Por que é vital que os pais comecem desde cedo a ajudar seus filhos a reconhecerem os valores reais na vida?
30 Atualmente, muitos pais estão confusos sobre quais são os valores reais da vida. Em resultado, muitos filhos nunca recebem uma série de valores a tomarem por base. Alguns pais até mesmo duvidam de seu direito de modelar as atitudes de seus filhos. Se os pais não fizerem isso, outras crianças, os vizinhos, os filmes e a televisão o farão. O conflito de gerações, a revolta dos jovens, as drogas, a nova moralidade e as revoluções sexuais — tudo isso amedronta os pais. Mas a verdade é que a personalidade do filho já está bastante desenvolvida antes de começarem a surgir essas questões na sua vida.
31 Os estudos noticiados num periódico científico disseram que “a grande parte da personalidade da pessoa já é fixada antes de se iniciar na escola. Naturalmente, é do conhecimento comum que as crianças em idade pré-escolar são extremamente impressionáveis e maleáveis. . . . Entretanto, descobrimos que aquilo que elas encontraram na sua infância, em termos de atitudes e experiências, amiúde fixou normas de comportamento duradouras e às vezes imutáveis”.
32 Normas erradas podem ser mudadas, mas, outro pesquisador explicou o que acontece quando se deixam passar preciosos anos: “A criança permanece maleável durante os seus primeiros sete anos, mas quanto mais você espera, tanto mais radicalmente terá de mudar-lhe o ambiente — e a probabilidade da mudança torna-se menor em cada ano sucessivo.”
33. Quais os conceitos mais importantes que se devem ensinar aos filhos?
33 As crianças pequenas têm de aprender muitos conceitos básicos, mas os de maior importância são os do que é verdadeiro e do que é falso, o que é certo e o que é errado. Escrevendo aos cristãos efésios, o apóstolo Paulo exortou-os a obterem conhecimento exato, dizendo: “Não sejamos mais pequeninos, jogados como que por ondas e levados para cá e para lá por todo vento de ensino, pela velhacaria de homens, pela astúcia em maquinar o erro. Mas, falando a verdade, cresçamos pelo amor em todas as coisas naquele que é a cabeça, Cristo.” (Efésios 4:13-15) Se os pais forem vagarosos quanto a ajudarem seus pequeninos a desenvolver o amor à verdade e à honestidade, o amor ao que é direito e bom, os filhos ficarão indefesos contra o erro e o mal. Os anos pré-escolares passam antes de os pais se aperceberem disso. Não os deixe passar despercebidos; use esses primeiros poucos anos vitais e formativos de seus filhos para dar-lhes uma série de valores reais a que se apegarem. Poderá poupar-se assim de mágoas em anos posteriores. — Provérbios 29:15, 17.
34. Por que são importantes as normas estáveis, e qual é a melhor fonte de tais normas?
34 “Está mudando a cena deste mundo”, escreveu o inspirado apóstolo, e isto certamente é verdade quanto às suas normas materiais, emocionais e morais. (1 Coríntios 7:31) Há pouca estabilidade no mundo. Os pais precisam reconhecer que eles mesmos, por serem humanos, também podem falhar neste respeito. Se pensarem nos melhores interesses de seus filhos e realmente estiverem preocupados com a felicidade futura deles, indicarão aos seus filhos uma série de normas que são realmente estáveis. Podem fazer isso por incutir nos filhos, desde a infância, que, não importa que questões surjam, não importa que problemas requeiram solução, a Palavra escrita de Deus, a Bíblia, é onde devem buscar as respostas decisivas e mais úteis. Não importa quão confusa ou obscura as situações às vezes fazem a vida parecer, esta Palavra continuará a ser ‘lâmpada para o seu pé e luz para a sua senda’. — Salmo 119:105.
35. Quão importante é instruir os próprios filhos?
35 Sim, este é o período de sua mais valiosa oportunidade para começar a desenvolver nos seus filhos uma série de valores que possam sustentá-los durante a vida deles. Nenhuma carreira é maior, nenhum trabalho mais importante, do que instruir seus filhos. O tempo de começar é assim que nascem, desde a sua infância!
[Foto na página 117]
Faça com que o ensino seja agradável.
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O valor da disciplina dada com amorTorne Feliz Sua Vida Familiar
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Capítulo 10
O valor da disciplina dada com amor
1. De que se precisa, se os filhos hão de ser obedientes?
FILHOS obedientes, amorosos, de boas maneiras, não surgem por acaso. São amoldados e produzidos pelo exemplo e pela disciplina.
2. Em que conflitam os conceitos de muitos psicólogos de crianças com o conselho bíblico?
2 Muitos psicólogos de crianças a bem dizer colocam nas crianças um letreiro de “não toque”, como disse um deles: “Será que vocês, mães, se dão conta de que, cada vez que dão umas palmadas no filho estão dizendo que o odeiam?” Mas, Deus diz na sua Palavra: “Aquele que poupa a vara, odeia o seu filho, o que o ama, corrige-o sem demora.” (Provérbios 13:24, Missionários Capuchinhos) Há algumas décadas, especialmente em países ocidentais, o mercado foi inundado de livros sobre a educação das crianças, com teorias sobre a permissividade. Os psicólogos diziam que a disciplina inibiria o filho e atrofiaria seu desenvolvimento; e quanto a bater nele, já a mera idéia disso os horrorizava. As teorias deles entravam em choque frontal com o conselho de Jeová Deus. A sua Palavra diz que você ‘ceifa o que semeia’. (Gálatas 6:7) O que provaram algumas décadas de semear a permissividade?
3, 4. O que resultou da falta de disciplina correta no lar, e, por isso, o que recomendam muitos?
3 É bem conhecida a safra de crime e delinqüência. Os crimes juvenis constituem mais de 50 por cento dos crimes dolosos em muitos países industrializados. Em algumas partes do mundo, os campus das instituições de ensino são viveiros de perturbações, conduzindo a suspensão de aulas, brigas, ultrajes verbais e obscenidades, vandalismo, ataques, extorsões, incêndios premeditados, roubos, estupros, drogas e assassinatos. O porta-voz duma federação de professores, num grande país, atribuiu o problema da disciplina ao fracasso da escola em estabelecer contato com a criança logo cedo na vida, e atribuiu a delinqüência à degeneração da família e à falta de disposição dos pais de estabelecer normas razoáveis de comportamento para seus filhos. Sobre a questão de ‘por que alguns membros da família se tornam criminosos e outros não’, a Encyclopædia Britannica diz: “A orientação disciplinar da família ou é frouxa demais, ou severa demais, ou incoerente demais. A pesquisa americana tem sugerido que a disciplina imprópria pode ser relacionada com cerca de 70 por cento dos criminosos.”
4 Os resultados obtidos têm levado a uma inversão de opinião entre muitos e à volta da disciplina.
A VARA DA DISCIPLINA
5. Qual é o conceito da Bíblia sobre dar palmadas?
5 Dar umas palmadas no filho pode salvar-lhe a vida, porque a Palavra de Deus diz: “Não retenhas a disciplina do mero rapaz. Não morrerá se lhe bateres com a vara. Tu mesmo lhe deves bater com a vara, para que livres a sua alma do próprio Seol”, a sepultura. Novamente: “A tolice está ligada ao coração do rapaz; a vara da disciplina é a que a removerá para longe dele.” (Provérbios 23:13, 14; 22:15) Se os pais prezarem os interesses espirituais de seus filhos, não permitirão por fraqueza ou descuido que lhes escape a ação disciplinar. O amor os motivará a agirem de modo sábio e justo, sempre que necessário.
6. O que está incluído na disciplina?
6 No que se refere à própria disciplina, ela não se limita ao castigo. Disciplina significa, basicamente, ‘instrução e treinamento que segue certa ordem ou estrutura’. Este é o motivo de Provérbios 8:33 não dizer ‘sentir a disciplina’, mas ‘escutar a disciplina e tornar-se sábio’. O cristão, de acordo com 2 Timóteo 2:24, 25, “precisa ser meigo para com todos, qualificado para ensinar, restringindo-se sob o mal, instruindo com brandura os que não estiverem favoravelmente dispostos”. A palavra ‘instruir’, aqui, traduz a palavra grega para disciplina. A mesma palavra é traduzida assim em Hebreus 12:9: “Dávamos o devido respeito aos pais terrenos que nos disciplinavam; não devemos sujeitar-nos ainda mais prontamente ao nosso Pai espiritual, e assim obter a vida?” — Nova Bíblia Inglesa.
7. Que benefícios resultam da disciplina dada pelos pais?
7 O genitor que deixa de prover a disciplina não obterá o respeito do filho, do mesmo modo que os governantes não obtêm o respeito dos cidadãos, quando permitem que a transgressão passe sem punição. A disciplina, quando dada corretamente, dá evidência ao filho de que seus pais se importam com ele. Isso contribui para um lar pacífico, pois, “dá fruto pacífico, a saber, a justiça, aos que têm sido treinados por ela”. (Hebreus 12:11) Filhos desobedientes e de mau comportamento são fonte de irritação em qualquer lar, e tais filhos nunca são realmente felizes, nem mesmo com si próprios. “Castiga teu filho e ele te trará descanso e dará muito prazer à tua alma.” (Provérbios 29:17) Depois de alguma correção firme, mas amorosa, a criança pode obter de algum modo um novo conceito e um novo início, e amiúde constitui companhia muito mais agradável. A disciplina, deveras, “dá fruto pacífico”.
8. Como podem os pais dar disciplina com amor?
8 “Jeová disciplina aquele a quem ama.” (Hebreus 12:6) O mesmo se dá com os pais que realmente se preocupam com os melhores interesses de seus filhos. A disciplina deve ser dada com amor. A ira pode ser normal quando se fica encolerizado com a transgressão do filho, mas, conforme mostra a Bíblia, deve ‘restringir-se sob o mal’. (2 Timóteo 2:24) Depois de se ter acalmado, o pecado infantil talvez não lhe pareça tão grande assim: “A perspicácia do homem certamente torna mais vagarosa a sua ira, e é beleza da sua parte passar por alto a transgressão.” (Provérbios 19:11; veja também Eclesiastes 7:8, 9.) Pode haver circunstâncias atenuantes: Talvez a criança esteja excessivamente cansada ou não se sinta bem. Talvez tivesse realmente esquecido o que se lhe disse; isso acontece também com os adultos, não acontece? No entanto, mesmo que não se possa passar por alto alguma transgressão, a disciplina não deve ser dada num acesso incontrolado ou num golpe que simplesmente alivia a tensão emocional do pai ou da mãe. A disciplina envolve instrução, e, com um acesso de ira, a criança não aprende uma lição de autodomínio, mas da ausência dele. Falta a sensação de ser bem cuidada, que a criança tem na disciplina bem administrada. Portanto, o equilíbrio é essencial e promove a paz.
ESTABELECIMENTO DE LIMITES FIXOS
9. Em harmonia com Provérbios 6:20-23, o que devem os pais prover aos filhos?
9 Os pais devem prover orientações para seus filhos. “Observa, filho meu, o mandamento de teu pai e não abandones a lei de tua mãe. Ata as declarações constantemente ao teu coração; enrola-as em volta da tua garganta. Ao andares, isso te guiará; ao te deitares, isso ficará de guarda sobre ti; e quando tiveres acordado, isso mesmo se ocupará de ti. Pois o mandamento é uma lâmpada e a lei é uma luz, e as repreensões da disciplina são o caminho da vida.” Estes preceitos parentais devem orientar e proteger a criança, e refletem a preocupação dos pais com o bem-estar e a felicidade do filho. — Provérbios 6:20-23.
10. O que pode acontecer quando os pais deixam de disciplinar seus filhos?
10 O pai que falha neste respeito leva a responsabilidade por isso. Eli, sumo sacerdote no antigo Israel, deixou seus filhos entregues à ganância, ao desrespeito e à imoralidade; fez algum protesto a eles, mas não tomou nenhuma ação real para coibir sua transgressão Deus disse: “Estou julgando a sua casa por tempo indefinido pelo erro de que tem sabido, porque os filhos dele estão invocando o mal sobre Deus e ele não os reprovou.” (1 Samuel 2:12-17, 22-25; 3:13) De modo similar, se a mãe falha no seu dever, ela sofre vergonha: “A vara e a repreensão é que dão sabedoria; mas, o rapaz [ou a moça] deixado solto [ou solta] causará vergonha à sua mãe.” — Provérbios 29:15.
11. Por que é preciso que se estabeleçam limites para os filhos?
11 É preciso que se estabeleçam limites para os filhos. Eles não se sentem à vontade quando não os têm. Terem e acatarem tais limites faz os filhos sentirem-se parte do grupo; pertencem a ele e são aceitos por ele, porque se ajustam aos seus requisitos. A permissividade deixa os jovens entregues a si mesmos e a se debaterem por conta própria. Os resultados mostram que os filhos precisam de adultos que têm firmes convicções sobre os limites, e que os transmitem a outros. Os filhos precisam reconhecer que há limites para todos na terra, e que isto resulta em felicidade pessoal e em bem. A liberdade só pode ser usufruída quando os outros reconhecem nosso campo de liberdade e nós reconhecemos o deles. Ultrapassar os devidos limites inevitavelmente significa que o transgressor está indo “ao ponto de prejudicar e de usurpar os direitos de seu irmão”. — 1 Tessalonicenses 4:6.
12. Por que é importante a autodisciplina, e como podem os pais ajudar os filhos a desenvolvê-la?
12 Quando os filhos aprendem que não acatarem os devidos limites resulta em disciplina de uma espécie ou de outra, passam a reconhecer seus próprios limites, e, pela firmeza e orientação parentais, desenvolvem a autodisciplina necessária para levar uma vida satisfatória. Ou nos disciplinamos no íntimo, ou seremos disciplinados por alguma fonte externa. (1 Coríntios 9:25, 27) Se desenvolvermos a disciplina íntima e ajudarmos nossos filhos a fazer o mesmo, nossa vida e a vida deles serão mais felizes, mais livres de dificuldades e mágoas.
13. Quais são alguns fatores importantes que os pais precisam ter em mente quando estabelecem orientações para seus filhos?
13 As orientações e as limitações devem ser claras e justas para os filhos, com concessões misericordiosas. Não espere deles nem de mais, nem de menos. Lembre-se da idade deles, pois agirão de acordo com ela. Não espere que sejam adultos em miniatura. O apóstolo disse que, quando era bebê, agia como tal. (1 Coríntios 13:11) Mas, uma vez que se estabeleceram regras razoáveis e seus filhos as entenderam, faça-as valer pronta e coerentemente. “Que a vossa palavra Sim signifique Sim, e o vosso Não, Não.” (Mateus 5:37) Os filhos realmente gostam dos pais que cumprem a sua palavra, que são coerentes e previsíveis, porque sentem que a força dos pais os apóia e sentem que podem confiar nela quando surgem dificuldades e precisam de auxílio. Se os pais forem justos, mas positivos, em corrigir a transgressão, os filhos terão a sensação de segurança e estabilidade. Os filhos gostam de saber qual a sua situação, e, no caso de pais assim, eles sabem.
14. Por que é importante a firmeza quando os filhos não reagem corretamente à orientação dos pais?
14 Requer determinação da parte dos pais mostrar firmeza quando o filho é obstinado em não obedecer a uma ordem parental. Alguns pais recorrem então a ameaças duma possível punição, empenham-se em discussões infrutíferas com o filho ou recorrem a tentativas de suborná-lo, para que faça o que eles haviam dito. Muitas vezes, tudo do que se precisa é simplesmente ser bem firme e dizer à criança, com convicção, que tem de fazer o que se lhe mandou, e já. Se o filho estivesse prestes a passar diante dum carro que se aproxima, os pais falariam com ele em termos nada incertos. Conforme salientou certo pesquisador, sobre este assunto: “Quase todos os pais fazem seus filhos ir para a escola, . . . escovar os dentes, não subir no telhado, tomar banho, e assim por diante. Os filhos, amiúde, resistem. Mas, não obstante, acatam isso, porque sabem que seus pais não estão brincando.” Você só poderá esperar que seus filhos ‘atem as suas orientações e mandamentos constantemente ao seu coração’ se os reforçar coerentemente. — Provérbios 6:21.
15. Quando os pais são incoerentes na aplicação das orientações, como pode isso afetar os filhos?
15 Quando os pais impõem orientações esporadicamente, segundo o capricho ou a disposição do momento, ou quando se adia muito a disciplina por uma desobediência, os filhos se afoitam a arriscar algumas violações, para ver até onde podem ir e com quanto se podem safar. Quando parece faltar a retribuição, os filhos são como os adultos em ficar atrevidos na transgressão. “Por não se ter executado prontamente a sentença contra um trabalho mau é que o coração dos filhos dos homens ficou neles plenamente determinado a fazer o mal.” (Eclesiastes 8:11) Portanto, diga o que quer dizer e cumpra o que diz. Assim, seu filho reconhecerá que é assim mesmo e se dará conta de que não adiantará fazer beicinho, nem discutir, nem agir como se achasse que você é cruel e desamoroso.
16. Para evitar dar ordens desarrazoadas, o que devem fazer os pais?
16 Isto requer pensar antes de falar. Regras ou ordens dadas com precipitação costumam ser desarrazoadas. “[Seja] rápido no ouvir, vagaroso no falar, vagaroso no furor.” (Tiago 1:19) Se a disciplina não for justa e coerente, o senso natural de justiça, que os filhos têm, ficará ofendido e se desenvolverá ressentimento.
CONTROLE A DIVERSÃO
17. Que conceito sobre o trabalho e o brincar devem os filhos chegar a reconhecer?
17 Brincar é parte natural da vida duma criança. (Zacarias 8:5) Os pais precisam reconhecer isso, ao passo que gradualmente introduzem na vida da criança apreço pelo trabalho e senso de responsabilidade. Daí, quaisquer tarefas que a criança talvez tenha, em geral, devem ser feitas primeiro; o brincar vem depois.
18. Que efeito podem os companheiros ter sobre os filhos?
18 Alguns filhos tornam-se “crianças de rua” ou virtualmente estranhos no lar, porque procuram diversões em outra parte. Se as associações forem impróprias, os efeitos serão impróprios. (1 Coríntios 15:33) Naturalmente, algum companheirismo fora do lar é benéfico para a criança, a fim de que desenvolva uma compreensão mais ampla das pessoas. Mas, quando há demasiada associação com os de fora, ou quando fica sem controle, o círculo familiar se enfraquece ou mesmo se desfaz.
19. Quais são algumas das coisas que os pais poderão examinar para saber se estão tornando o lar um lugar agradável para seus filhos?
19 Os pais, junto com a disciplina que aplicam para corrigir isso, poderão muito bem perguntar-se o que poderiam fazer para tornar o lar mais agradável para seus filhos; se estão gastando suficiente tempo na companhia deles, não apenas para instruí-los ou discipliná-los, mas também para serem verdadeiros amigos e companheiros de seus filhos. Costuma você estar “ocupado demais” para gastar tempo com os seus filhos, para brincar com eles? As oportunidades perdidas, para fazer isso com uma criança, nunca mais voltarão. O tempo é unidirecional, e a criança não fica parada, mas continua crescendo e mudando. As estações passam, e, como se fosse apenas ontem que seu filho era bebê, aprendendo a andar, você de repente se dá conta de que ele se transforma num jovem, e sua menina já se transformou numa moça. Apenas se você mantiver bom equilíbrio e se disciplinar no seu próprio uso do tempo, poderá evitar desperdiçar as oportunidades que este precioso período oferece — ou impedir ver os filhos afastaram-se de você, enquanto ainda são novos. — Provérbios 3:27.
20, 21. Quando houver televisão no lar, que responsabilidade devem os pais assumir, e por quê?
20 Onde a televisão é uma fonte comum de recreação, precisam fixar-se limites ao seu uso. Alguns pais usam a TV como babá. Isso talvez seja conveniente e pareça ser barato; mas, na realidade, pode mostrar-se muito dispendioso. Os programas de televisão amiúde estão saturados de violência e sexo. A impressão que se dá é que a violência é um modo aceitável de resolver problemas; o sexo ilícito aparece como parte aceitável da vida diária. Muitas pesquisas têm mostrado que isto pode dessensibilizar a pessoa para com tais práticas, especialmente os jovens. Você se preocupa que seus filhos comam alimentos salutares e não contaminados. Deve preocupar-se ainda mais com o que alimenta a mente deles. Conforme Jesus mostrou, o alimento não vai para o coração, mas o que pomos na mente pode penetrar no coração. — Marcos 7:18-23.
21 Controlar a espécie de programas a que se assiste e também quanto tempo se gasta na frente do televisor pode fazer uma grande diferença no desenvolvimento da criança. A televisão pode prover algum entretenimento agradável e até mesmo educação; mas, se não for controlada, pode tornar-se um vício, consumindo enorme quantidade de tempo. O tempo é vida, e parte deste tempo, certamente, poderia ser gasto com algo mais proveitoso. Isto se dá porque a televisão substitui o agir pelo ver. Não só toma o lugar da atividade física, mas também da leitura e da conversação. A família precisa de comunicação e união, e estarem todos simplesmente sentados juntos, calados, na mesma sala, vendo televisão, não irá satisfazer esta necessidade. Quando o problema é ver excessivamente televisão, os pais podem desenvolver nos filhos apreço por outras atividades, em vez de ver televisão — brincadeiras salutares, leitura, atividades familiares — em especial, se os próprios pais tomarem a dianteira e derem o exemplo.
AO DAR DISCIPLINA, COMUNIQUE-SE!
22. Por que é importante que os filhos entendam as palavras usadas pelos pais?
22 Certo pai conta a seguinte experiência:
“Quando meu filho tinha apenas três anos de idade, eu lhe dei um sermão bastante forte sobre o mentir, sobre como Deus odeia os mentirosos, usando Provérbios 6:16-19 e outros textos. Ele escutou e pareceu ter a reação certa. Mas, eu tinha a impressão de que não havia entendido o ponto. Por isso, perguntei: ‘Filho, sabe o que é uma mentira?’ Ele disse: ‘Não.’ Depois disso, sempre me certifico de que ele saiba o significado das palavras e por que está sendo disciplinado.”
23. O que poderá estar envolvido em ajudar os filhos a compreender que certo proceder é correto?
23 Quando os filhos ainda são pequenos, os pais talvez apenas possam indicar certas coisas como “não, não”, tais como não tocar num fogão quente. Mas, mesmo junto com tais primeiros avisos simples, podem apresentar-se razões. Pode apenas dizer que o fogão é “quente” e tocar nele “dói”. Desde o começo, porém, mantenha diante no não o princípio de que aquilo que está envolvido é para o bem dele; daí, saliente quão desejáveis são as qualidades tais como benignidade, consideração e amor. Ajude a criança a reconhecer que estas qualidades são a base de todos os requisitos ou restrições corretos. Saliente também por que certa ação expressa ou não essas características desejáveis. Se fizer isso coerentemente, poderá não só atingir a mente da criança, mas também seu coração. — Mateus 7:12; Romanos 13:10.
24. Por que é importante que o filho respeite a autoridade?
24 Do mesmo modo, deve-se inculcar progressivamente a necessidade de obediência e respeito pela autoridade. Durante o primeiro ano da vida, começará a manifestar-se a disposição, ou não, da criança de acatar as demandas dos adultos. Assim que o desenvolvimento da criança o permitir, incuta nela um apreço pela responsabilidade dos pais perante Deus. Isto pode fazer uma grande diferença na reação do filho. Sem isso, os filhos podem encarar a obediência como algo que têm de expressar apenas porque seus pais são maiores e mais fortes do que eles. Se, em vez disso, a criança for ajudada a entender que os pais não apresentam suas próprias idéias, mas transmitem ao filho o que o Criador diz, o que a Sua Palavra diz, então isso reforçará mais do que qualquer outra coisa o conselho e a orientação que os pais dão. Pode ser verdadeira fonte da força necessária quando dificuldades começarem a aparecer na vida da criança, e ele ou ela sentir a pressão e tensão de se apegar a princípios corretos diante da tentação ou da coação. — Salmo 119:109-111; Provérbios 6:20-22.
25. Como pode o conselho de Provérbios 17:9 ajudar os pais a disciplinar os filhos de modo correto?
25 “Quem encobre uma transgressão está procurando amor, e aquele que continua falando sobre um assunto separa os que estão familiarizados uns com os outros.” (Provérbios 17:9) Isto se dá também na relação entre pais e filhos. Uma vez que a criança se apercebe de seu erro e compreende por que precisa ser disciplinada, e se aplica a disciplina, o amor deve induzir os pais a evitar repisarem a transgressão. Não importa o que se faça, deixe claro que você odeia o erro, não a criança. (Judas 23) A criança talvez ache que ‘já pagou pelo erro’ e pode encarar freqüentes referências a ele como humilhação desnecessária. Pode resultar em alheá-la dos pais e de outros filhos na família. Se os pais se preocuparem com o desenvolvimento num padrão errado, então poderão tratar disso numa posterior palestra em família. Não recite e repasse simplesmente atos passados, mas considere em vez disso os princípios envolvidos, como se aplicam e por que são tão importantes para a felicidade duradoura.
MODOS DIFERENTES DE DISCIPLINAR
26. Por que não reagem todos os filhos de maneira desejável à mesma espécie de disciplina?
26 “Uma censura penetra mais em quem tem entendimento do que golpear cem vezes um estúpido.” (Provérbios 17:10) Filhos diferentes podem necessitar disciplina diferente. O temperamento e a disposição de cada filho individual precisam ser tomados em consideração. Uma criança pode ser muito sensível, e a punição física, tal como dar palmadas, talvez nem sempre seja necessária. Para outra criança, dar palmadas pode ser ineficaz. Ou uma criança pode ser igual ao servo descrito em Provérbios 29:19, que “não se deixará corrigir por meras palavras, pois ele compreende, mas não atende”. Em tal caso, o filho precisa de punição física.
27. Como ajudou certo pai seu menino a não fazer mais rabiscos na parede?
27 Certa mãe relatou:
“Meu filhinho mal tinha dois anos de idade, quando rabiscou a parede — pequenos rabiscos vermelhos perto do chão. O pai mostrou-os a ele e perguntou sobre isso. Tudo o que conseguiu foram olhos arregalados, não um Sim ou um Não. Finalmente, o pai disse: ‘Sabe, meu filho, quando eu tinha a tua idade, rabisquei a parede. É divertido não é?’ Bem, o menino aclamou-se então, todo sorrisos, e começou a falar animadamente de quão divertido era. Sabia que papai o compreendia! Mas, foi-lhe explicado que, embora fosse divertido, as paredes não eram o lugar para fazer rabiscos. Estabeleceu-se assim comunicação, e no caso desta criança, só foi preciso arrazoar mais um pouco com ela.”
28. Como pode o pai ou a mãe evitar discutir com o filho?
28 Ao dar disciplina, apresentar razões, para ensinar e instruir, é muito bom, mas usualmente não convém discutir com uma criança. Certa mãe, quando seu filho discutiu sobre fazer certo trabalho, simplesmente disse: “Quando você tiver acabado com isso, iremos ao parque”, como recompensa para ele naquele dia. Até que a tarefa designada fosse cumprida, negava-se-lhe certo prazer ou passeio. Quando ela olhava e encontrava o trabalho ainda sem acabar, dizia: “Ah! ainda não está pronto? Vamos quando você tiver acabado.” Não discuta, mas obtenha resultados.
29. O que se pode fazer para que o filho sinta as conseqüências indesejáveis de sua transgressão?
29 Sentir as conseqüências indesejáveis de atos errados pode ajudar a criança a aprender a sabedoria dos princípios corretos. Será que o filho fez alguma sujeira? Talvez fazê-lo limpar tudo cause a mais forte impressão nele. Será que ele foi injusto ou rude? Aprender a pedir desculpas pode contribuir o máximo para corrigir uma tendência errada. Ele pode ter quebrado alguma coisa num acesso de ira. Se já tiver idade bastante, talvez se requeira dele ganhar dinheiro para substituir o objeto. No caso de alguns filhos, negarem-se-lhes certos privilégios por algum tempo pode fazê-los entender a lição necessária. Na congregação cristã, privar alguém da associação amigável é um modo usado para envergonhar certos transgressores. (2 Tessalonicenses 3:6, 14, 15) No caso dos jovens, a privação temporária do companheirismo familiar pode ser mais eficiente do que dar palmadas. No entanto, os extremos, tais como deixar o filho de castigo fora da casa, vão além do que o amor ditaria. Qualquer que seja o método usado, precisa-se mostrar aos filhos que eles têm de levar as conseqüências pelo seu comportamento. Isto lhes ensina a ter responsabilidade.
DISCIPLINA DADA COM AMOR
30. Por que é importante o equilíbrio quando os pais provêem orientação para os filhos?
30 ‘Certifique-se das coisas mais importantes’, lembrando-se de que “a sabedoria de cima é razoável”. (Filipenses 1:10; Tiago 3:17) Lembre-se de que as crianças estão cheias de energia que procura uma saída, e que estão ávidas de aprender e explorar, e experimentar novas coisas. Quando você fixa limitações e fornece orientação, mostre bom senso e seja criterioso. Precisa haver um equilíbrio entre o que é essencial e o que não é. Tendo esclarecido os limites, então, em vez de tentar controlar cada minúcia, permita que a criança se locomova livre e confiantemente dentro destes limites. (Provérbios 4:11, 12) Senão, seus filhos poderão ficar ‘exasperados’ e “desanimados”, e você se esgotará, por criar questões por motivo de coisinhas que realmente não são muito importantes. — Colossenses 3:21.
31. Que exemplo tem dado Jeová Deus quanto a dar disciplina?
31 Portanto, pais, ‘castiguem seu filho ou filha enquanto há esperança’, mas façam-no do modo de Deus, com amor. Imitem-no: “Jeová repreende aquele a quem ama, assim como o pai faz com o filho em quem tem prazer.” Faça com que sua disciplina seja tanto valiosa como amorosa, assim como a de seu Criador, pois, tais “repreensões da disciplina são o caminho da vida”. — Provérbios 19:18; 3:12; 6:23
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Mantenha abertas as linhas de comunicaçãoTorne Feliz Sua Vida Familiar
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Capítulo 11
Mantenha abertas as linhas de comunicação
1, 2. O que é comunicação, e por que é importante?
COMUNICAÇÃO é mais do que apenas conversar. Conforme o expressou o apóstolo Paulo: Se as suas palavras não forem compreendidas pelo ouvinte, ‘estará, de fato, falando ao ar’. (1 Coríntios 14:9) Será que seus filhos compreendem o que você diz, e entende você realmente o que eles procuram transmitir-lhe?
2 Para haver verdadeira comunicação, precisa haver transmissão de pensamentos, idéias e sentimentos de uma mente para outra. Se o amor pode ser chamado de coração da vida feliz em família, então a comunicação pode ser classificada como o sangue vital. Interrupções nas comunicações entre cônjuges significam dificuldades; são igualmente sérias, se não ainda mais, quando ocorrem entre pais e filhos.
ADOTE UM CONCEITO DE LONGO ALCANCE
3. Durante que período, na vida da criança, devem os pais esperar problemas na comunicação?
3 A maior sobrecarga nas linhas de comunicação entre pais e filhos não vem durante os primeiros anos da vida da criança, mas durante a adolescência — entre os 13 e os 19 anos de idade. Os pais devem reconhecer que vai ser assim. Não é realístico esperarem que, por terem sido os primeiros anos da vida de seus filhos relativamente livres de dificuldades, que os anos posteriores serão iguais. Problemas surgirão definitivamente, e a comunicação clara e eficiente pode ser um fator chave na solução ou redução deles. Reconhecendo isso, os pais precisam olhar para o futuro, pensar no futuro, pois, “melhor é o fim posterior dum assunto do que o seu princípio”. — Eclesiastes 7:8.
4. Devem todas as comunicações na família ser na forma de conversação? Explique isso.
4 Há muitas coisas envolvidas no estabelecimento, no desenvolvimento e na manutenção das linhas de comunicação da família. No decorrer dos anos, o homem e a mulher podem desenvolver profunda confiança, fé e entendimento mútuo, que tornam a comunicação possível mesmo sem palavras — apenas um olhar, um sorriso ou um toque já lhes podem dizer muito. Eles devem objetivar desenvolver a mesma base forte de comunicação com seus filhos. Antes de o bebê entender a fala, os pais lhe comunicam a sensação de segurança e amor. Enquanto os filhos crescem, se a família trabalhar, brincar e, acima de tudo, adorar em conjunto, fixar-se-ão fortes linhas de comunicação. Manter abertas tais linhas, porém, requer verdadeiro esforço e sabedoria.
INCENTIVE SEU FILHO A SE EXPRESSAR
5-7. (a) Por que convém que os pais tenham cuidado quanto a impedirem que a criança fale? (b) Como podem os pais ensinar aos filhos boas maneiras e cortesia?
5 Há um antigo ditado que diz: “Crianças devem ser vistas, mas não ouvidas.” Isto é verdade — às vezes. Os filhos precisam aprender que, conforme diz a Palavra de Deus, há “tempo para ficar quieto e tempo para falar”. (Eclesiastes 3:7) Mas os filhos estão ávidos de receber atenção, e os pais precisam precaver-se para não atrofiarem desnecessariamente a livre expressão. Não espere que a reação duma criança diante duma experiência seja a mesma que a dum adulto. O adulto vê um simples incidente como meramente parte do panorama da vida. A criança pode ficar muito agitada e tão absorta em algum assunto de interesse imediato, que se esquece quase de tudo o mais. A criança pequena pode irromper na sala e começar emocionada a contar algum acontecimento a papai e mamãe. Se os pais interromperem a criança com um irritado: “Fique quieta!” ou fizerem outra expressão irada, poderão esmagar o entusiasmo da criança. A conversa infantil talvez não pareça dizer muita coisa. Mas, por estimular a expressão natural de seus filhos, poderá impedir que mais adiante na vida guardem para si as coisas que você quer e precisa saber.
6 A polidez e a cortesia contribuem para a boa comunicação. Os filhos devem ter boas maneiras, e os pais devem dar o exemplo na sua própria comunicação com eles, bem como em outros sentidos. A repreensão será necessária e deve ser dada quando preciso, até mesmo com severidade. (Provérbios 3:11, 12; 15:31, 32; Tito 1:13) Entretanto, se os filhos forem habitualmente interrompidos, continuamente corrigidos ou, pior ainda, rebaixados e mesmo ridicularizados pelo pai ou pela mãe, quando falam, é provável que fiquem retraídos — ou vão falar com outro quando querem conversar. Quanto mais velho fica o filho ou a filha, tanto mais acentuado isso se tornará. Por que não faz o seguinte: no fim deste dia, pare e reexamine suas palestras com seu filho ou sua filha, e então pergunte-se: Quantas vezes eu disse algo que expressou apreço, encorajamento, elogio ou louvor? Por outro lado, quantas vezes eu disse coisas que deram a entender o contrário, que tenderam a ‘rebaixá-lo ou rebaixá-la’, que demonstraram dessatisfação, irritação ou exaspero? Talvez fique surpreso com o que seu exame revelar. — Provérbios 12:18.
7 Freqüentemente, precisa haver paciência e autodomínio parentais. Os jovens estão inclinados a ser impetuosos. Podem simplesmente dizer o que lhes vem à mente, talvez interrompendo a palestra de adultos. O pai ou a mãe poderia repreender rudemente o jovem. Mas, às vezes é mais sábio escutar cortesmente, dando assim exemplo de autodomínio, e depois dar uma breve resposta, lembrando à criança a necessidade de ser cortês e ter consideração. Portanto, nisso se aplica novamente o conselho de ser “rápido no ouvir, vagaroso no falar, vagaroso no furor”. — Tiago 1:19.
8. Como poderiam os pais encorajar os filhos a se dirigirem a eles em busca de orientação?
8 Você quer que seus filhos se sintam induzidos a procurar sua orientação quando têm problemas. Pode animá-los a fazer isso por mostrar que você também está procurando orientação na vida e tem alguém a quem olha com sujeição. Certo pai, comentando a maneira em que mantém boa comunicação com seus filhos enquanto ainda são pequenos, disse o seguinte:
“Quase cada noite faço orações com os filhos na hora de irem para a cama. Em geral, já estão na cama, e eu me ajoelho ao lado dela, segurando-os nos braços. Profiro a oração e amiúde eles depois fazem uma. Não é incomum me beijarem e dizerem: ‘Papai eu te amo’, revelando então algo que têm no coração. No aconchego de sua cama e na segurança do abraço de seu pai, eles podem falar sobre algum problema pessoal em que querem ajuda ou talvez apenas expressem afeição.”
Nas refeições e em outras ocasiões, se as suas orações não forem rotineiras, mas expressivas, proferidas de coração e mostrando relação genuína com seu Criador e Pai celestial, isto poderá contribuir imensamente para uma relação sadia com seus filhos. — 1 João 3:21; 4:17, 18.
OS ANOS DE TRANSIÇÃO
9. O que se pode dizer sobre os problemas e as necessidades dos adolescentes, em comparação com os de filhos mais novos?
9 A adolescência é um tempo de transição, um período em que seu filho ou sua filha não é mais criança, mas ainda não é adulto. Os corpos dos adolescentes sofrem mudanças, e estas afetam as emoções. Os problemas e as necessidades dos adolescentes diferem daqueles do período precedente. De modo que os pais precisam ajustar seu modo de tratar desses problemas e necessidades, porque aquilo que funcionava para uma criança antes da adolescência, nem sempre funcionará para o adolescente. Há necessidade de se apresentarem mais razões, e isto requer mais comunicação, não menos dela.
10. (a) Por que não bastam para os adolescentes as explicações simples sobre o sexo? (b) Como poderiam os pais entrar numa palestra com o seu filho sobre o sexo?
10 A explicação simples que você deu ao seu filho pequeno sobre o sexo, por exemplo, não satisfará as necessidades dos adolescentes. Eles sentem impulsos sexuais, mas o embaraço muitas vezes faz com que se refreiem de se dirigir ao pai ou à mãe com perguntas. Os pais precisam tomar a iniciativa, e isto não será fácil, a menos que se tenham criado e mantido boas linhas de comunicação, em especial por serem cordiais companheiros de seus filhos, no trabalho e na diversão. O começo da ejaculação seminal no rapaz ou da menstruação na moça será menos aflitivo se tiverem sido explicados com antecedência. (Levítico 15:16, 17; 18:19) O pai, talvez num passeio com o filho, possa levantar a questão da masturbação, mencionando que a maioria dos jovens tem pelo menos algum problema com ela, e perguntar: ‘O que se dá com você, neste respeito?’ ou: ‘Acha que isto é problema?’ Até mesmo algumas palestras em família podem tratar de problemas relacionados com a adolescência, contribuindo tanto o pai como a mãe com seu conselho de modo descontraído, mas franco.
ENTENDIMENTO DAS NECESSIDADES DOS ADOLESCENTES
11. Em que diferem os adolescentes dos adultos?
11 “Adquire sabedoria; e com tudo o que adquirires, adquire compreensão.” (Provérbios 4:7) Vocês, pais, devem entender o jeito dos jovens; mostrem que compreendem seus sentimentos. Não se esqueçam de como vocês eram quando jovens. Lembrem-se, também, de que, embora todos os mais velhos já foram jovens e sabem o que significa isso, nenhum jovem jamais foi idoso. O jovem adolescente não quer mais ser tratado como criança, mas ainda não é adulto e ainda não tem muitos dos interesses dos adultos. Ainda quer muita diversão e precisa de tempo para ela.
12. Como querem os adolescentes ser tratados pelos pais?
12 Há certas coisas que os jovens querem em especial de seus pais, neste estágio da vida. Querem ser compreendidos; querem ser tratados mais do que nunca como indivíduos; querem orientação e direção coerentes, e que tomem em consideração que eles estão-se tornando adultos; e querem muito sentir-se necessários e apreciados.
13. Como talvez reajam os adolescentes às restrições parentais, e por quê?
13 Os pais não devem ficar surpresos por começar a surgir no adolescente certa medida de resistência às restrições. Isto se deve a que os jovens aproximam-se, por fim, da independência e do desejo normal de terem maior amplitude de movimento e escolha. Os bebês indefesos precisam do constante cuidado dos pais, os filhos pequenos precisam de cuidadosa proteção, mas ao passo que se tornam mais velhos, o campo de atividade se amplia, e os vínculos com os de fora do círculo familiar começam a aumentar e a ser fortalecidos. As tentativas de independência podem tornar o filho ou a filha um pouco difícil de se lidar. Os pais não podem permitir que sua autoridade seja desconsiderada ou anulada — para o próprio bem de seus filhos. Mas, podem lidar com isso sabiamente e manter a comunicação, se se lembrarem do que motiva esta conduta, possivelmente perturbadora.
14. Como poderão os pais lidar com bom êxito com o desejo de maior independência que o filho tem?
14 O que devem os pais fazer, quando se vêem confrontados com o impulso de maior independência de seu filho ou de sua filha? Este impulso é como uma mola comprimida que se segura na mão. Solte-a de repente, e ela sairá pulando sem controle, numa direção imprevisível. Segure-a demais, e você se esgotará e também a enfraquecerá. Mas, solte-a aos poucos, de modo controlado, e ela ficará no seu devido lugar.
15. O que mostra que o desenvolvimento de Jesus em adulto se deu sob orientação parental?
15 Encontramos um exemplo de tal desenvolvimento controlado em direção à independência no caso de Jesus, como menino. O relato histórico de Lucas 2:40 diz a respeito de seus anos pré-adolescentes que “o menino continuava a crescer e a ficar forte, estando cheio de sabedoria e o favor de Deus continuava com ele”. Seus pais, sem dúvida, desempenhavam um grande papel neste seu desenvolvimento, pois, embora ele fosse perfeito, sua sabedoria não veio automaticamente. Proveram-lhe regularmente o clima espiritual para sua instrução, conforme o relato continua a contar. À idade de 12 anos, enquanto a família estava em Jerusalém, assistindo à festividade de Pentecostes, Jesus entrou no templo e passou a conversar com os instrutores religiosos que havia ali. Pelo visto, seus pais permitiram a seu filho de 12 anos certo grau de liberdade de movimento. Partiram de Jerusalém sem se darem conta de que ele ficara para trás, talvez presumindo que estivesse com outros amigos ou parentes. Três dias depois, encontraram-no no templo, não tentando ensinar os mais velhos, mas “escutando-os e interrogando-os”. Sua mãe fez-lhe ver a angústia mental que haviam sofrido e Jesus, sem desrespeito, na realidade respondeu ter pensado que eles seguramente sabiam onde encontrá-lo antes de partirem. Embora usasse de certa liberdade de movimento, o relato diz que Jesus, depois, “continuou a estar-lhes sujeito”, ajustando-se à orientação e às restrições deles, ao se tornar adolescente, e “progredia em sabedoria e em desenvolvimento físico, e no favor de Deus e dos homens”. — Lucas 2:41-52.
16. Quando os pais têm problemas com um adolescente, de que devem lembrar-se?
16 De modo similar, os pais devem permitir que filhos e filhas adolescentes tenham certo grau de independência, aumentando-a aos poucos conforme se chegam à idade adulta, e deixando-os tomar cada vez mais decisões pessoais, sob a orientação e a supervisão dos pais. Ao surgirem dificuldades, a compreensão do motivo ajudará aos pais a evitarem criar um grande caso de incidentes menores. Muitas vezes, o adolescente não é deliberadamente rebelde contra seus pais, mas procura estabelecer certo grau de independência, sem saber como fazê-lo. Portanto, os pais podem cometer enganos, talvez criando questão com coisas erradas. Se o assunto não for muito sério, deixe-o passar. Mas, quando é sério, seja firme. Não ‘coe mosquitos’, nem ‘engula camelos’. — Mateus 23:24.
17. Que fatores devem os pais tomar em consideração, quando impõem restrições a filhos adolescentes?
17 Os pais podem ajudar a promover uma boa relação com seus filhos e filhas adolescentes, por mostrarem bom equilíbrio nas restrições que lhes impõem. Lembre-se de que, embora “a sabedoria de cima é primeiramente casta”, ela é também “razoável” e “cheia de misericórdia”, “sem hipocrisia”. (Tiago 3:17) Há algumas coisas que a Bíblia mostra serem totalmente inaceitáveis, incluindo furto, fornicação, idolatria e outros graves erros similares. (1 Coríntios 6:9, 10) Com respeito a muitas outras coisas, o certo ou o errado pode depender do alcance ou do grau a que o assunto foi levado. O alimento é bom, mas, se estamos comendo demais, ficamos sendo glutões. O mesmo se dá também com algumas formas de recreação, tais como danças, jogos, festas, ou atividades similares. Muitas vezes, não é o que se faz, mas a maneira em que é feito e na companhia de quem é feito. Portanto, assim como não condenaríamos o comer, quando realmente nos referimos ao que é glutonaria, os pais não devem estabelecer uma proibição total a algumas atividades juvenis, se a verdadeira objeção é à forma extrema ou ao grau a que alguns as levam, ou a algumas circunstâncias indesejáveis que poderiam introduzir-se. — Veja Colossenses 2:23.
18. Como podem os pais acautelar os filhos sobre seus companheiros?
18 Todos os jovens sentem a necessidade de ter amigos. Poucos podem ser considerados “ideais”, mas, não têm seus próprios filhos também seus pontos fracos? Talvez queira restringir a associação deles com certos jovens, por encará-los como potencialmente prejudiciais. (Provérbios 13:20; 2 Tessalonicenses 3:13, 14; 2 Timóteo 2:20, 21) No caso de outros, talvez veja algumas coisas de que gosta, e outras de que não gosta. Em vez de excluir alguém completamente, por causa de alguma falha, talvez queira expressar apreço aos seus filhos pelas boas qualidades de seu amigo, ao mesmo tempo salientando a necessidade de cautela nos pontos fracos, exortando seu filho ou sua filha a serem uma força para o bem, nestes pontos, para o benefício duradouro do amigo.
19. Em harmonia com o princípio apresentado em Lucas 12:48, como se pode ajudar os filhos a terem o conceito correto sobre a liberdade?
19 Um modo de ajudar seu filho ou filha adolescente a desenvolver um conceito correto sobre maior liberdade é ajudá-lo ou ajudá-la a ver que a maior liberdade vem acompanhada de maior responsabilidade. “A quem muito foi dado, muito se reclamará dele.” (Lucas 12:48) Quanto mais responsáveis os filhos se mostrarem, tanto maior confiança os pais podem ter neles. — Gálatas 5:13; 1 Pedro 2:16.
COMUNICAÇÃO DE CONSELHO E CORREÇÃO
20. Além de poder e autoridade sobre os filhos, de que mais se precisa para impedir o colapso das comunicações?
20 Quando alguém o aconselha, mas não entende a sua situação, você acha que o conselho dele não é realístico. Se ele tiver o poder de obrigá-lo a satisfazer suas demandas, você talvez se ressinta disso como sendo injusto. Os pais devem ter em mente que “o coração entendido é o que procura conhecimento”, e que “o homem de conhecimento está reforçando o poder”. (Provérbios 15:14; 24:5) Você pode ter poder sobre seus filhos, mas, se este for reforçado pelo conhecimento e pelo entendimento, você será mais eficiente em se comunicar com eles. Não mostrar entendimento quando se corrige os jovens pode levar a um “conflito de gerações” e ao colapso das comunicações.
21. Como devem os pais lidar com os filhos que se envolveram em séria transgressão?
21 O que fará, se o seu filho entrar em dificuldades, cometendo um sério erro ou algum mal que toma você de surpresa? Nunca deve tolerar o mal. (Isaías 5:20; Malaquias 2:17) Mas, aperceba-se de que então, mais do que nunca, é a hora em que seu filho ou sua filha precisa de ajuda compreensiva, e de orientação perita. Igual a Jeová Deus, poderá na realidade dizer: ‘Venha, e resolvamos as questões; a situação é séria, mas não está além de remédio’. (Isaías 1:18) Acessos de ira ou condenações rudes podem sufocar a comunicação. São demasiados os jovens, que ao cometerem um erro, disseram: ‘Eu não podia falar com os meus pais — eles teriam ficado furiosos comigo.’ Efésios 4:26 diz: “Se você ficar com raiva, não deixe que isto o faça pecar.” (A Bíblia na Linguagem de Hoje) Controle suas emoções, ouvindo o que seu filho ou sua filha tem a dizer. Então, a sua justeza em escutar fará a correção mais fácil de aceitar.
22. Por que os pais nunca devem dar a entender que se desinteressaram de seus filhos?
22 Talvez não se trate apenas de um incidente, mas de um período de dificuldades, um padrão que evidencia alguma tendência indesejável. Embora a disciplina seja essencial, os pais nunca devem dar a entender, por palavra ou no espírito, que se desinteressaram de seu filho. Sua longanimidade será uma medida da profundeza de seu amor. (1 Coríntios 13:4) Não combata o mal com o mal, mas vença-o com o bem. (Romanos 12:21) Só se causa dano quando o jovem é humilhado diante dos outros, com declarações de que ele é “preguiçoso”, “rebelde”, “não presta” ou “sem esperança”. O amor não deixa de esperar. (1 Coríntios 13:7) O jovem pode ir ao ponto de que se torna delinqüente e parte de casa. Sem expressarem qualquer aprovação, contudo os pais podem manter aberto o caminho para seu retorno. Como? Por mostrarem que não rejeitam a ele, mas o seu proceder. Podem continuar a expressar-lhe sua crença de que ele tem boas qualidades e que esperam que estas vençam. Se vier a ser assim, é provável que ele, igual ao filho pródigo da ilustração de Jesus, possa voltar para casa com a garantia de que sua volta penitente não será recebida com rudeza ou frieza. — Lucas 15:11-32.
O SENSO DE VALOR INDIVIDUAL
23. Por que é importante que os adolescentes sintam que são membros valiosos da família?
23 Todas as criaturas humanas necessitam de algum reconhecimento, de serem aceitas e aprovadas, de sentirem que fazem parte de algo. Naturalmente, para alguém receber a aceitação e a aprovação necessárias, ele não pode tornar-se independente demais. Precisa ficar dentro dos limites de conduta aprovados pelo grupo a que pertence. Os jovens adolescentes acham que precisam fazer parte da família. Faça-os sentir que são membros valiosos do círculo familiar, contribuindo para o seu bem-estar, e deixe-os ter alguma participação no planejamento e nas decisões da família.
24. O que devem os pais evitar, para que um filho não passe a invejar outro filho?
24 “Não fiquemos egotistas”, disse o apóstolo, “atiçando competições entre uns e outros, invejando-nos uns aos outros”. (Gálatas 5:26) O louvor dos pais, quando o filho ou a filha se sai bem em alguma coisa, ajudará a impedir que surja tal espírito; mas, comparar um jovem desfavoravelmente com outro, que é freqüentemente apresentado como superior, criará inveja ou ressentimento. O apóstolo disse que cada um deve provar “quais são as suas próprias obras, e então terá causa para exultação, apenas com respeito a si próprio e não em comparação com outra pessoa”. (Gálatas 6:4) O jovem quer ser aceito pelo que é, e por quem ele é, e pelo que consegue fazer, sendo amado pelos pais por essas coisas.
25. Como podem os pais ajudar seus filhos a desenvolver um senso de valor?
25 Os pais podem ajudar seu filho ou sua filha a desenvolver um senso de valor por instruí-los a assumirem as responsabilidades da vida em todos os campos. Eles têm instruído seus filhos desde a infância, em honestidade, veracidade e no tratamento correto dos outros; edificam sobre esta base anterior por mostrarem como estas qualidades se aplicam na sociedade humana. Isto inclui como assumir a responsabilidade dum emprego e ser fidedigno nele. Jesus, ao ‘progredir em sabedoria’, como adolescente, pelo visto aprendeu o ofício de seu pai adotivo, José, pois, mesmo quando já tinha a idade de 30 anos e iniciou a sua obra pública do Reino, as pessoas se referiam a ele como sendo “o carpinteiro”. (Marcos 6:3) Os rapazes, durante a adolescência, deviam especialmente aprender o que significa trabalhar e satisfazer um patrão ou freguês, mesmo que o trabalho seja tão simples como o de levar recados. Deve-se mostrar-lhes que, por serem diligentes, sérios e de confiança, granjeiam amor-próprio, e o respeito e apreço dos outros; que assim não somente dão crédito aos pais e à família, mas também ‘adornam o ensino de nosso Salvador, Deus, em todas as coisas’. — Tito 2:6-10.
26. Que costume antigo corrobora que a filha era membro valioso da família?
26 As filhas, também, podem aprender prendas domésticas e como cuidar da casa, granjeando apreço e louvor tanto dentro como fora da família. O valor potencial duma filha para a família é ilustrado pela prática, nos tempos bíblicos, de exigir um dote ou um preço pela noiva, quando a filha era entregue em casamento. Isto, sem dúvida, era encarado como compensação pela perda de seus serviços para a família. — Gênesis 34:11, 12; Êxodo 22:16.
27. Por que devem ser bem aproveitadas as oportunidades de educação?
27 As oportunidades de educação devem ser bem aproveitadas para habilitar os jovens a enfrentarem os desafios da vida no atual sistema de coisas. Esses jovens estão incluídos na exortação do apóstolo, de que “os nossos aprendam também a manter obras excelentes [um emprego honesto, Nova Bíblia Inglesa], a fim de satisfazer as suas necessidades prementes, para que não sejam infrutíferos”. — Tito 3:14.
A PROTEÇÃO DO CÓDIGO MORAL DA BÍBLIA
28, 29. (a) Que conselho dá a Bíblia sobre as associações? (b) Como podem os pais ajudar os filhos a acatar este conselho?
28 Os pais estão compreensivelmente preocupados quando as circunstâncias, talvez o bairro em que moram ou a escola que seus filhos freqüentam, os obrigam a se associar com alguns jovens que são delinqüentes e autodestrutivos. Os pais podem dar-se conta da veracidade da declaração bíblica, de que “más associações estragam hábitos úteis”. Por isso, não estão dispostos a aceitar o argumento do filho que pede: ‘Todos os outros podem fazer isso; por que eu não posso?’ É provável que nem todos os outros o façam, mas isto não é motivo suficiente para seu filho fazê-lo, se for errado ou imprudente. “Não invejes os homens maus [ou as crianças más] e não te mostres almejante de ficar com eles. Porque seu coração está meditando a assolação e seus próprios lábios estão falando desgraça. Os da casa serão edificados pela sabedoria, e serão firmemente estabelecidos pelo discernimento.” — 1 Coríntios 15:33; Provérbios 24:1-3.
29 Você não pode acompanhar os filhos durante a escola ou através da vida. Entretanto, por edificar sua família com sabedoria, pode dar-lhe um bom código de moral e princípios corretos para sua orientação. “As palavras dos sábios são como aguilhadas.” (Eclesiastes 12:11) Na antigüidade, essas aguilhadas eram paus compridos com ponta. Eram usadas para cutucar os animais, a fim de que andassem na direção certa. As palavras sábias de Deus nos manterão avançando no caminho certo, e, caso nos desviemos, farão nossa consciência aferroar-nos, para mudarmos de rumo. Para o bem-estar eterno de seus filhos, faça-os acompanhar de tal sabedoria. Comunique-a a eles por palavra e por exemplo. Incuta neles uma série de valores reais, e isto é o que seus filhos procurarão nos outros, ao escolherem companheiros pessoais. — Salmo 119:9, 63.
30. Como podem os pais prover aos filhos um código de moral dado por Deus?
30 Em tudo isso, lembre-se de que os valores morais são incutidos com mais probabilidade, se houver um ambiente no lar em que esses princípios são respeitados e seguidos. Tenha as atitudes que quer que seus filhos tenham. No seu próprio lar, dentro do círculo familiar, certifique-se de que seus filhos encontrem entendimento adulto, amor, perdão, um grau seguro de liberdade e independência, junto com justiça e eqüidade, e o sentimento de aceitação e de pertencerem, de que necessitam. Desta maneira, comunique-lhes um código de moral dado por Deus, para levarem consigo além do círculo familiar. Não lhes poderá dar herança melhor. — Provérbios 20:7.
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