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  • yb90 pp. 138-191
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  • Finlândia
  • Anuário das Testemunhas de Jeová de 1990
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  • As Boas Novas Chegam à Finlândia
  • Homem de Negócios Encontra um Objetivo na Vida
  • Quem Era o Outro Irmão?
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  • A Visita do Irmão Rutherford
  • Encontrou a Melodia da Verdade
  • O Fotodrama da Criação
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  • Repreensão Dada Pelo Irmão Russell
  • A Revolução e a Guerra Civil
  • Surge Nova Esperança
  • ‘Milhões Jamais Morrerão’
  • Ameaça Interna de Divisão
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  • Radiodifusão da Verdade na Estônia
  • Novo Nome, Nova Prensa e Nova Filial
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  • Uma Cooperativa Para Saúde Espiritual
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  • As Fronteiras Nacionais não Impedem a União
  • A Tradução do Novo Mundo e o Nome Divino
  • Ampliação das Dependências da Filial
  • Nova Tecnologia em Uso
  • As Expectativas Nesta Terra de Milhares de Lagos
Anuário das Testemunhas de Jeová de 1990
yb90 pp. 138-191

Finlândia

A Finlândia, com seus lagos prateados e suas florestas cobertas de manto verde, tem um dos mais elevados níveis de vida do mundo. Mas, milhares de seus corajosos habitantes procuraram um nível mais satisfatório e o encontraram, mesmo diante da ameaça de morte por um pelotão de fuzilamento.

NAVEGANDO para o leste, a frota do Rei sueco aproxima-se de seu destino. Passando por um fascinante arquipélago, os marujos avistam uma terra de intermináveis florestas, uma terra pontilhada de lagos claros como cristal e com uma área costeira cercada de milhares de ilhas — a Finlândia. O país ainda é um setor pagão da Europa neste século 12, mas os cruzados a bordo da frota tencionam mudar isso. O papa de Roma almeja estender a influência de sua igreja e, por conseguinte, instou com o Rei da Suécia que invadisse a Finlândia e, por quaisquer que fossem os meios, convertesse para o catolicismo romano os habitantes deste território do norte que vai além do círculo Ártico. A autoridade papal é ameaçada pela Igreja Ortodoxa Oriental (o catolicismo grego), que, por meio da Rússia, vem levando o seu domínio para esta terra do sol da meia-noite.

Segundo a tradição, os cruzados não deixaram ao povo local muita escolha — ou ser batizado como católico ou ser decapitado! Assim, com exceção de algumas partes no leste que permaneceram sob o controle da Igreja Ortodoxa Oriental, a Finlândia, depois de várias cruzadas, tornou-se um país católico romano. O catolicismo dominou até o século 16, quando Gustavo I Vasa, Rei da Suécia, mudou a religião de seu domínio para o luteranismo. Em 1809, a Finlândia se tornou um grão-ducado autônomo sob o domínio do czar da Rússia. Quase cem anos mais tarde, começou a penetrar nesta terra de belos lagos e espessas florestas a brilhante luz da verdade bíblica.

Entre os países povoados, a Finlândia é um dos mais setentrionais. Limita-se ao leste e ao sudeste com a União Soviética, ao oeste com a Suécia e ao norte com a Noruega.

Embora a Finlândia se situe tão ao norte quanto o Alasca, a influência moderadora da Corrente do Golfo em direção ao sudoeste torna os verões bastante agradáveis. Entretanto, o verão é curto. A neve cobre o solo, e o gelo, a superfície dos lagos por muitos meses durante o ano. Apesar de no verão a temperatura ser de 20 graus centígrados e a luz do dia durar quase 24 horas, a temperatura durante o inverno pode cair para até 40 graus centígrados abaixo de zero, e, por alguns meses, mal se vê o sol. Navios quebra-gelos, com casco reforçado, têm de abrir caminho pela água congelada para manter em movimento o tráfego no mar o ano inteiro. Visto que as florestas de pinheiros, espruces e vidoeiros cobrem a maior parte do país, prospera a indústria de papel em razão das matérias-primas fornecidas por essas árvores. O país é bastante plano, e mesmo os picos mais altos dos montes da Lapônia se elevam apenas a uns 1.300 metros.

A maioria dos cinco milhões de habitantes da Finlândia fala o finlandês. Muitos dos que moram ao longo da costa falam sueco também. No norte vive uma pequena comunidade de lapões que falam o lapão, uma língua aparentada ao finlandês. O índice de alfabetismo da população é um dos mais elevados do mundo.

As Boas Novas Chegam à Finlândia

Pregou-se a verdade bíblica na Finlândia pela primeira vez, segundo há registro, em 1906, quando a esposa de August Lundborg, diretor da obra dos Estudantes da Bíblia na Suécia, visitou a Finlândia. O irmão Lundborg relatou: “Se Deus quiser, ela irá em breve novamente à Finlândia para prosseguir com o serviço ali.”

Ebba Lundborg e outros colportores (pregadores por tempo integral), procedentes da Suécia, distribuíram publicações em sueco nas áreas costeiras do sudoeste da Finlândia, onde a população naquela época era na maioria de língua sueca. Com o tempo, alguns livros escritos pelo primeiro presidente da Sociedade Torre de Vigia dos EUA, Charles T. Russell, foram parar nas mãos da mãe de Emil Österman.

Homem de Negócios Encontra um Objetivo na Vida

Emil Österman, um homem de negócios, barbudo e enérgico, de 41 anos, da cidade de Turku, planejou fazer uma viagem ao redor do mundo à procura de um objetivo na vida. Quando leu os livros que sua mãe lhe dera, sua busca começou a mudar. Em fins de 1909, fez sua primeira escala na Suécia. Ali, obteve mais publicações bíblicas de August Lundborg. Todavia, não foi senão quando viajou para Londres que sua viagem mundial se abreviou, época em que finalmente leu a literatura que recebera na Suécia. Entendeu imediatamente que encontrara o que vinha procurando. Uma vez terminado subitamente o seu sonho de viagem ao redor do mundo, voltou para sua terra. Quase no fim daquele mesmo ano, em 1909, ele retornou à Suécia, onde foi batizado. Mais tarde, providenciou que August Lundborg fosse à Finlândia para pregar.

O relatório da filial da Suécia falava de Emil como um querido irmão, ao dizer: “Cerca de dez colportores regulares trabalharam durante o ano . . . Seis ou sete novos se juntaram à obra — um destes é um querido irmão na Finlândia que, sem dúvida, é um instrumento escolhido nas mãos do Senhor para servir seu povo naquele país. Outro irmão também naquele país parece que tenciona agora vender seu sítio e sair como colportor.”

Quem Era o Outro Irmão?

O outro irmão, que queria vender o sítio que possuía, era Kaarlo Harteva, nascido em 1882. Sua mãe, filha de um pastor luterano, deu-lhe rigorosa educação religiosa. Kaarlo era ardoroso, sincero e bem versado em línguas. Estudara engenharia, mas logo após a formatura, seu interesse religioso o atraiu para a Associação Cristã de Moços, onde se tornou secretário, bem como o gerente do Hotel Hospitz, em Helsinque, dessa associação.

No verão de 1909, quando em viagem de negócios em Helsinque, Österman conheceu Kaarlo Harteva e lhe deu um exemplar em sueco do Plano Divino das Eras. Harteva o leu avidamente. Achou que ele também devia pregar “estas boas novas do reino”. (Mat. 24:14) De modo que em abril de 1910, Harteva viajou com Österman para ir ao congresso em Örebro, Suécia, onde foi batizado. Visto que havia necessidade de oradores, ambos estes novos irmãos deram discursos naquele congresso. Não perderam tempo em se tornarem úteis à organização de Deus!

‘Junte-se a Nós. Seremos Três’

Mais ou menos naquela época, Harteva encontrou num trem um de seus ex-colegas de escola, Lauri Kristian Relander, e lhe deu zelosamente testemunho a respeito das recém-encontradas verdades. “E quantos de vocês há”? perguntou seu amigo. “No momento, há dois, um certo Österman e eu”, respondeu Harteva. “Mas se você se juntar a nós, seremos três.” Entretanto, Relander não se juntou a eles. Em vez disso, empenhou-se na política e se tornou presidente da Finlândia desde 1925 até 1931.

Que vasto campo se achava diante dos irmãos Harteva e Österman: três milhões de pessoas espalhadas num país esparsamente povoado. A primeira meta deles era traduzir as publicações da Sociedade para a língua finlandesa. Diligentemente, Harteva empenhou-se em traduzir O Plano Divino das Eras e uma variedade de tratados do idioma sueco para o finlandês, e Österman, por sua vez, financiou a impressão destes no outono de 1910. Quão exultantes ficaram por terem instrumentos mais eficazes para a obra do Reino! Confiando na ajuda do espírito de Jeová, esses homens empreenderam corajosamente o serviço com as recém-traduzidas publicações em finlandês.

“Passagem Para o Inferno”

Além de ter um suprimento de publicações na sua loja de calçados em Turku, o irmão Österman mantinha também expostos os livros na vitrina da loja. Tinha também sua própria banca de livros numa feira-livre. Gritando lemas, atraía imediatamente a atenção das pessoas.

Ele oferecia o folheto Inferno por dois markkaa (o marco finlandês), gritando: “Uma passagem para o inferno — um marco para a viagem de ida e outro para a de volta!”

Discursos Públicos Juntam Multidões

A seguir, estes dois amigos fiéis decidiram empreender uma viagem para dar discursos públicos. De modo que foram ao centro industrial da Finlândia, Tampere, e alugaram o melhor salão disponível. Encomendaram depois convites para o discurso intitulado “A Grande Recompensa”, e o anunciaram no jornal. O irmão Harteva deu o discurso, ao passo que Österman serviu como seu assistente. Numa de suas cartas, o irmão Österman nos conta os resultados:

“Uma irmã finlandesa fez a sua plena consagração e a simbolizou no lago Pyhäjärvi. Depois disso, ela foi a Viborg, onde divulga agora as boas novas como colportora. Organizou-se uma classe da Bíblia em Tampere com cinco ou seis pessoas muito interessadas, depois do que deixamos aos cuidados de Deus. Agora estamos em Turku, e aqui a nossa primeira reunião pública em finlandês foi realizada no auditório do prédio do Corpo de Bombeiros, com capacidade para 1.800 pessoas sentadas. Como em outros lugares, aqui também o mesmo tanto de pessoas teve de ficar do lado de fora.”

Estes dois colportores, encorajados com esses bons resultados, viajaram para Helsinque, a capital, e programaram um discurso público no auditório do Sindicato do Povo (agora Sindicato dos Trabalhadores) para 22 de novembro de 1910. O irmão Harteva era bem conhecido nos círculos religiosos de Helsinque, e muitos ministros e membros de várias organizações religiosas, por curiosidade, foram ouvi-lo discursar. No seu discurso, Harteva desafiou a assistência, dizendo que, se alguém conhecia algum texto bíblico que declarasse que a alma é imortal, o mostrasse em público. Os olhos de todos se voltaram para os ministros que estavam nas fileiras da frente no salão. Houve silêncio total. Daí, ele leu Ezequiel 18:4, bateu com o punho sobre a tribuna do orador e exclamou: “Portanto, a alma morre!” Claramente, pois, formavam-se as linhas de batalha entre os líderes religiosos da Finlândia e os defensores da verdade bíblica. Desse modo, semeou-se a verdade nas três maiores cidades do país, incluindo a capital.

Aberto um Escritório em Helsinque

Quando o irmão Russell visitou Estocolmo, Suécia, no fim de março de 1911, um grupo de finlandeses foi ali para conhecê-lo. Eles prosseguiram a viagem até o congresso, que foi realizado em Örebro, onde Kaarlo Harteva se regozijou ao ver sua mãe e sua tia serem batizadas. Também foi batizado um rapaz de nome Johannes Hollmerus, que posteriormente se tornou muito útil aos interesses teocráticos.

O irmão Harteva retornou a Helsinque e abriu um escritório para cuidar de atividades teocráticas. Ele escreve: ‘Consegui alugar cinco aposentos em Mikonkatu, 27. Adquiri algumas tábuas e cavaletes de serrador para servirem como assentos. Da zona rural de Mäntyharju, enviaram-me camas de campanha e roupa de cama. No principal aposento, havia uma máquina de escrever, uma escrivaninha e algumas cadeiras e bancos. Havia três camas de campanha num quarto e uma num outro. Dois quartos ficaram desocupados.’ Assim, o escritório começou a operar em junho de 1911.

Perto desse escritório, no centro de Helsinque, fica o parque Kaisaniemi. Aqui, sobre uma pequena colina, o irmão Harteva deu discurso público todos os domingos naquele verão. Com um brilho nos olhos, chamava humoristicamente esses discursos de “Sermões da Montanha”. No fim dos discursos, convidava toda pessoa que desejasse palestrar mais sobre assuntos bíblicos a se dirigir ao escritório ali perto. Alguns começaram a ir semanalmente. Assim, desenvolveu-se um pequeno grupo de Estudantes da Bíblia em Helsinque.

Os Primeiros Tratados e o Primeiro Congresso

Logo de início, o irmão Harteva compreendeu o valor da página impressa. O nome do primeiro tratado publicado foi Saarnoja kansalle (Púlpito do Povo). No ano seguinte, o nome foi mudado para Puheita kansalle (Discursos Para o Povo). Esses tratados continham artigos traduzidos da Sentinela em inglês, bem como transcrições dos discursos do irmão Russell traduzidos para o finlandês. Eram também incluídos anúncios sobre reuniões e sobre publicações disponíveis.

Em janeiro de 1912, Puheita kansalle relatava: “Quando foi publicado em finlandês O Plano Divino das Eras, teve de início uma grande distribuição por meio dos colportores, artigos em jornais e vendedores de livros. Mas logo após o Natal de 1910, ocorreu uma grande mudança, pois o entusiasmo inicial foi seguido de tão forte oposição que quase sufocou tudo. Felizmente, essa situação não durou mais de uns seis meses. Quando a ajuda da imprensa e dos vendedores de livros parecia ter cessado completamente, Deus começou a convidar mais trabalhadores para a colheita.” O relato continuava dizendo que em Helsinque cerca de 30 irmãos de língua finlandesa e 10 de língua sueca se reuniam regularmente duas ou três vezes por semana para estudar a Palavra de Deus.

Quando se programou o primeiro congresso num auditório em Helsinque, de 29 de março a 1.º de abril de 1912, cerca de 60 pessoas assistiram. Algumas delas vieram de Turku, Tampere, Pori, Vaasa, Iisalmi, Kuopio e Parikkala, o que mostra que a verdade já havia chegado a áreas bem espalhadas no sul da Finlândia.

O Irmão Russell Visita a Finlândia

Quando Kaarlo Harteva soube dos planos do irmão Russell sobre uma viagem ao redor do mundo, escreveu-lhe pedindo que, por favor, incluísse uma visita à Finlândia também. O irmão Russell aceitou o convite e informou Harteva que viria no fim de agosto de 1912.

A visita do irmão Russell foi uma ocasião emocionante para esse pequeno grupo de irmãos. Houve tremenda preparação para fazer publicidade do discurso público, que foi realizado no melhor salão de Helsinque, o auditório do Corpo de Bombeiros. Elis Salminen, naquele tempo um menino de dez anos de idade, que serviu fielmente a Jeová até sua morte em 1981, relatou que os irmãos exibiram fotos do irmão Russell maiores do que a altura de um andar. “Depois disso ouvi meus colegas de escola dizer que era aquele americano que fazia publicidade de religião”, relatou Salminen.

O próprio irmão Russell relatou a sua visita na edição da Sentinela de 1.º de outubro de 1912: “Dois irmãos finlandeses por dois anos têm estado especialmente ativos em levar a verdade a todos os que têm fome da verdade. Traduziram três volumes dos Estudos das Escrituras e o Jornal de Todo o Mundo para distribuição gratuita, às suas próprias custas. Agora, cerca de quinze colportores estão levando a verdade a todos os cantos do país. Na reunião pública, o salão ficou lotado na plena capacidade — 1.000 — muitos tendo de ficar de pé; alguns quase tinham lágrimas nos olhos porque não puderam entrar. . . . A evidência é que Deus tem filhos verdadeiros na Finlândia aos quais Sua mensagem da colheita deve agora ser levada.”

Durante a sua visita, o irmão Russell autorizou o irmão Harteva a publicar A Sentinela em finlandês, começando com o número de novembro de 1912. Recomendou-se que a nova revista fosse dada como presente de Natal a parentes e conhecidos.

Espalha-se o Testemunho

Os irmãos Österman e Harteva tinham o problema de alcançar a população espalhada naquele vasto território de mais de 1.000 quilômetros de comprimento e de uns 500 quilômetros de largura. Como dariam um testemunho eficiente? Na esperança de uma solução, o irmão Österman publicou, às suas próprias custas, anúncios das publicações da Sociedade em vários jornais. Harteva, por outro lado, decidiu concentrar sua atenção em dar discursos públicos, o que revelou ser bem-sucedido. Mas, como organizaria ele os discursos públicos? Deixemos que ele próprio o diga:

“Quando escolhia uma cidade como alvo, escrevia ao editor do jornal mais conhecido e perguntava qual era o melhor salão naquela localidade para um discurso público e quem eu deveria contatar se desejasse alugá-lo. Uma vez esclarecido isto, mandava uma solicitação por escrito, e, ao receber resposta favorável, eu redigia um anúncio que enviava para o jornal, pedindo que imprimissem volantes similares e os colocassem entre as páginas do jornal para que as pessoas ficassem sabendo do discurso público. Daí, empreendia minha viagem levando comigo alguns livros. Os locais de reunião em geral ficavam totalmente lotados. . . . Certa vez, quando tentei entrar, disseram-me que era em vão. Foi só quando expliquei que eu era o orador é que pude entrar. Em outra ocasião, foram tantas as pessoas que tentavam entrar que o salão se encheu três vezes na mesma noite, e os ouvintes esperaram pacientemente a sua vez.”

Este sucesso indica a fome pela verdade que havia na Finlândia naquele tempo. Depois da Comemoração da morte de Jesus, realizada em 1913, o relatório indica que 235 pessoas estiveram presentes em toda a Finlândia.

A Visita do Irmão Rutherford

Deu-se impulso à atividade no verão de 1913. Joseph F. Rutherford, que se tornou o segundo presidente da Sociedade, e A. N. Pierson, ambos membros da sede mundial, visitaram a Finlândia. O irmão Rutherford falou sobre o tema “Onde Estão os Mortos? — Do Ponto de Vista de um Advogado”. Alguns achavam que o advogado em questão fosse ele próprio, visto que era juiz, mas ele se referia realmente ao apóstolo Paulo. O discurso público foi um sucesso A estimativa da assistência foi de mais de 2.500 e 33 foram batizados.

Isto foi seguido de outro discurso público no parque Kaisaniemi que o irmão Harteva usara antes. O irmão Rutherford disse que era seu primeiro discurso ao ar livre, e achou interessante essa experiência.

Encontrou a Melodia da Verdade

Começara o há muito esperado ano de 1914. Havia muita emoção, visto que por cinco anos a atenção se focalizara nesse ano. Intensificou-se de modo significativo a eficiência do testemunho naquele tempo, pois seis jornais publicavam regularmente os sermões do irmão Russell.

Realizou-se um congresso em 1914. Os irmãos se perguntavam: ‘Será este o último congresso?’ Jubilosamente, 39 foram batizados. Entre eles achava-se Eero Nironen, um jovem estudante de música. Este talentoso pianista, poeta e lingüista veio à filial dois anos depois como tradutor e serviu ali fielmente até sua morte em 7 de maio de 1982.

O Fotodrama da Criação

Em princípios de 1914, Kaarlo Harteva viajou para Londres, indo a um congresso onde o irmão Russell foi o orador principal. Mal conseguia esperar para pedir informações sobre como solicitar o Fotodrama da Criação, preparado pela Sociedade, que incluía slides (diapositivos) e filme sincronizados com gravações fonográficas. Solicitou uma cópia para a Finlândia. Depois, ele viajou entusiasticamente para Berlim, Alemanha, a fim de produzir o Fotodrama em discos fonográficos no idioma finlandês.

Os irmãos esperavam com grande expectativa. Finalmente chegou o Fotodrama no último navio mercante procedente da Alemanha antes de serem suspensas todas as viagens de navio com o início da Primeira Guerra Mundial. O coração deste pequeno grupo pulou de alegria na primeira exibição, que se deu em 9 de agosto de 1914, no Teatro Apollo, em Helsinque. Antes de terminar o ano, uns 80.500 espectadores assistiram ao Fotodrama na Finlândia. Que tremendo impulso isso deu à divulgação da verdade bíblica!

A Revista Ararat

Depois de 1914, surgiram problemas econômicos. A perspectiva de alcançar imediatamente a glória celeste parecia obscurecida, e a falta de conhecimento sobre como continuar na fé teve um efeito deprimente sobre o espírito entusiástico dos irmãos. Assim, o irmão Harteva escreveu para o irmão Russell perguntando que trabalho a congregação teria de realizar uma vez terminada a colheita. Aconselhou-se-lhe que esperasse e ficasse atento à orientação de Deus.

Naquela época, Harteva, junto com outros irmãos, fundaram uma associação cooperativa chamada Ararat, e procuraram aplicar os princípios do Reinado Milenar nos negócios comerciais, livrando-se assim do serviço secular em firmas mundanas. Os leitores da edição finlandesa da Sentinela foram incentivados a se juntar a essa associação, visto que Harteva achava que A Sentinela logo não mais seria publicada devido a problemas econômicos prevalecentes e que a revista Ararat tomaria o seu lugar.

Naquela época, o irmão Harteva mantinha contatos com o irmão Lindkvist na Noruega, onde estavam sendo feitos projetos similares. Embora os irmãos fossem sinceros, tornou-se logo evidente que a publicação da revista Ararat não era orientada por Deus.

Entretanto, visto que o irmão Harteva se concentrava na associação Ararat, Martti Liesi se tornou o representante da Sociedade na Finlândia. A Sentinela continuou a ser publicada, graças às contribuições financeiras de muitos irmãos .

Repreensão Dada Pelo Irmão Russell

No número de abril da edição finlandesa da Sentinela, publicou-se uma carta pastoral de duas páginas, que dizia:

“CARTA DO IRMÃO RUSSELL AOS IRMÃOS NA ESCANDINÁVIA. Irmãos Lindkvist e Harteva. Acabo de ouvir sobre a apostasia desses dois queridos irmãos e sua ligação com um novo movimento chamado ‘Ararat’. . . . Quão triste fico quando os vejo, segundo creio, dar as costas ao inteiro programa do Evangelho! E noto, contudo, que não fizeram isso de propósito. Parece-me que mais uma vez aconteceu o que muitas vezes sucedeu durante a era do Evangelho, a saber, homens bons, sem se aperceberem, foram enganados pelo grande Adversário, sendo desviados do importante trabalho do Evangelho.”

Daí, ele fez um apelo aos irmãos: “Queridos irmãos, acreditamos que estes pensamentos são bíblicos, e lhos apresentamos, visto que mostram que seus atuais pensamentos e programa são totalmente errados — antibíblicos. Sua associação ‘Ararat’ não tem nada que ver com o pequeno rebanho e a obra da era do Evangelho na escolha do pequeno rebanho, mas, em vez disso, afirma ser uma obra de restauração. Verão que ainda não chegou esse tempo. . . . Incentivamos todos vocês, queridos irmãos na fé, que retornem à verdade e ao trabalho que pertence a esta era.”

Depois de receber a carta do irmão Russell, Kaarlo Harteva de início se defendeu na sua revista e declarou que o que queria era simplesmente promover a obra do Evangelho. Mas as palavras seguintes dele revelam a sua humildade: “Talvez na minha ansiedade e imperfeição eu tenha causado sofrimento aos mui amados pelo nosso Senhor. Se posso corrigir as coisas, desejo fazer tudo ao meu alcance. Acho que todas essas dificuldades tiveram um bom efeito sobre mim.” A associação Ararat foi logo dissolvida, e Harteva começou novamente a ajudar na publicação da Sentinela e a dar discursos públicos.

A Revolução e a Guerra Civil

A Finlândia ainda fazia parte da Rússia, estando sujeita ao governo czarista, quando uma revolução na Rússia derrubou o czar no outono de 1917. A Finlândia aproveitou logo a oportunidade para declarar sua independência em 6 de dezembro de 1917. No inverno de 1918, estourou uma sangrenta guerra civil na Finlândia entre os “vermelhos” e os “brancos”, socialistas e não-socialistas.

Eero Nironen fazia serviço de tradução na filial naquele tempo, e ele nos relata: ‘A situação na Finlândia tornou-se crítica. O Mistério Consumado tinha de ser traduzido bem rapidamente, e por esse motivo fui enviado para um lugar mais sossegado, para minha casa em Mäntyharju. Logo depois de chegar lá, foi explodida uma ponte de estrada de ferro ali perto . . . Os “brancos” fizeram uma convocação para o serviço militar, do qual fui eximido devido à minha miopia. Eu dava discursos públicos e continuava com meu serviço de tradução. . . . Quando as comunicações com o sul foram cortadas, perguntava-me se todos os meus irmãos haviam partido para a glória celeste e eu era o único que havia sido deixado.’

O irmão Nironen logo se viu novamente confrontado com a questão militar. Ele conta: “Fez-se uma convocação geral, e as qualificações não eram tão elevadas. Por conseguinte, a fraqueza de minha vista não me ajudou. Fui enviado para a Marinha, para o quartel no porto de Katajanokka, em Helsinque, em 25 de setembro de 1918. Planejei minha estratégia em harmonia com o que eu aprendera da Bíblia e do sexto volume dos Estudos das Escrituras. Por um ano eu estava realmente em ‘guerra’ por causa de minha convicção. Com a permissão do comandante do batalhão, pude falar publicamente no batalhão em quatro domingos.” Com o tempo, ele foi solto e pôde reassumir seu trabalho de tradução.

Surge Nova Esperança

No início de 1919, as perspectivas espirituais dos irmãos eram otimistas. Alguns desejavam servir como colportores. Um deles era Mikael Aura, um rico fazendeiro, que havia dado muita ajuda financeira à filial algum tempo antes. “Se o Senhor me achar digno de sua obra, estou disposto a fazer tudo o que puder”, disse o irmão Aura. “Com a força que tenho posso carregar muitos livros.” Ele serviu realmente por muitos anos na filial.

Felizmente, Kaarlo Harteva, que se restabelecera espiritualmente, aceitou de novo maiores responsabilidades. Quando se realizou um congresso em Tampere, em agosto, ele deu os discursos principais. Foi outra vez designado para tomar a liderança na obra. Portanto, em princípios do ano seguinte, ele substituiu a Martti Liesi, que se afastou da organização de Deus. Em questão de um ano, o número dos assinantes da Sentinela subira para 2.763, e mais de 61.000 publicações foram expedidas. É desnecessário dizer que havia um espírito muito alegre nas congregações.

‘Milhões Jamais Morrerão’

Quando Alexander H. Macmillan, da sede mundial, visitou o país em novembro de 1920, ele deu em oito localidades o discurso “Milhões Que Agora Vivem Jamais Morrerão”. Esse tema inesquecível era o tópico de muitos discursos naquele tempo.

Eero Nironen relatou: “Às vezes, eu dava quatro discursos no mesmo dia sobre este tema. De início achávamos que a mensagem era um tanto ousada, mas, visto que a organização de Jeová havia designado isso, publicamo-la com grande confiança, e agora podemos ver como está tendo cumprimento com incrementada velocidade.” O assunto gerou tanto interesse que, quando o folheto Milhões Que Agora Vivem Jamais Morrerão foi traduzido naquele mesmo ano, foram impressos otimisticamente 50.000 exemplares.

Nesse ínterim, Kaarlo Vesanto, um bem-conhecido homem de negócios em Pori, interessou-se pela verdade. Mais tarde, quando mandou construir uma casa para si, ele contratou pintores para escreverem em letras grandes nas paredes do lado de fora de sua casa o tema ‘Milhões Jamais Morrerão’. Antti Salonen, um dos pintores que fizeram o serviço, relembra: “Foi o serviço de pintura mais curioso que já fiz. Perguntava-me o que significava essa declaração.” Após descobrir isso, ele foi batizado e serviu depois por muitos anos no serviço de circuito. Agora é pioneiro especial em Pori, com a mesma disposição radiante de sempre.

Ameaça Interna de Divisão

Em princípios da década de 20, desenvolveu-se um espírito de inquietação. Começaram a surgir dúvidas sobre qual o canal que Jeová usa para administrar a verdade bíblica. Na congregação de Helsinque, alguns irmãos fundaram um “Círculo de Irmãos” em que só se permitia que homens fossem membros. O objetivo era estudarem a verdade bem a fundo. Mas logo o propósito nobre se transformou em procurar suspeitosamente erros nos ensinos da Sociedade. Achavam erradas as sugestões da Sociedade de se empenhar no serviço de campo, visto que se pensava que a obra de pregação tinha sido completada. Alguns dos destacados irmãos peregrinos até mesmo deram discursos que apoiavam a idéia de que o canal da verdade bíblica terminara com a morte do irmão Russell.

Era muito crítica a situação em Helsinque, onde um grupo se desligou da Sociedade, publicou sua própria revista e realizava suas próprias reuniões. Mas, com o passar do tempo, esse grupo desapareceu. É bem evidente que Jeová não lhe deu apoio.

Os relatórios indicam que só em Helsinque 164 abandonaram a verdade. Na Sentinela de abril de 1922, fez-se um gesto de reconciliação: “Aos queridos amigos que nos abandonaram e que por isso ficaram afligidos, estendemos nossa mão de fraternidade. Por favor, unam-se a nós novamente!” Muitos dos que se dissociaram estavam confusos, mas, quando finalmente entenderam a necessidade de uma organização progressiva, a maioria retornou.

Corredor Troca de Pista

Em 1919, um jovem na Finlândia, de nome Otto Mäkelä, bateu recorde em corrida de 3.000 metros. Mais tarde, naquele mesmo ano, ouviu na sua cidade um discurso proferido pelo peregrino Viljo Taavitsainen. Como a verdade atraiu esse pequeno, porém vigoroso, corredor! Otto decidiu mudar de pista. Depois de seu batismo, empreendeu o serviço de peregrino em março de 1921. Serviu mais tarde como superintendente de circuito por décadas, e era conhecido como excelente instrutor até o tempo em que terminou sua carreira terrestre em 1985.a

As experiências de Otto Mäkelä encheriam muitos livros. Vamos com ele a uma viagem de uns 100 quilômetros, de Iisalmi até Kärsämäki: “Comecei por volta das sete horas da manhã para chegar ao meu destino a tempo para o discurso público, às 7 horas da noite. Embora viajasse o tempo todo, não consegui chegar senão às 9 horas da noite. Havia muitas estalagens ao longo do caminho, e cada cocheiro me levava só até a próxima estalagem. Quando eu pedia uma corrida imediata até o próximo ponto, demoravam para pegar um cavalo no bosque. Depois, tinham de lhe dar de comer e de beber, também o cocheiro precisava comer. Não tinham pressa, visto que eu não parecia ser viajante de alta classe ou importante.”

Extinguido o Fogo do Inferno na Lapônia

Jalmari Niemela, outro peregrino, fala sobre seu serviço ao norte do círculo Ártico: “Quando parti de Rovaniemi, estava chovendo muito. Iniciei a viagem de bicicleta e viajei naquele dia apenas 70 quilômetros. Pernoitei numa estalagem e continuei de bicicleta no dia seguinte por cerca de 20 quilômetros. Visto que havia uma vila, decidi fazer uma parada e pregar as boas novas do Reino ali. Trabalhei na vila naquele dia e dei um discurso público à noitinha. . . . Levara comigo diversos exemplares do folheto Inferno e decidi explicar em cada reunião o que é o inferno.”

A caminho de Sodankyla a Ivalo, ele pôde falar com lapões. “Quando coloquei os folhetos Inferno e Angústia, um senhor idoso perguntou: ‘Será que o povo do sul já se tornou tão sábio que extinguiu o fogo do inferno?”’

No início, naquele tempo de incrementada atividade, a revista A Idade de Ouro proveu muito revigoramento aos irmãos . Entretanto, visto que não estava disponível no idioma finlandês, um irmão bondoso doou os fundos para a impressão da revista. Foi iniciada a impressão em 1922. A popularidade da revista se tornou evidente por ter ela até o fim do ano 6.233 assinantes. Nesse mesmo tempo, A Sentinela tinha 2.244 assinantes.

Testemunho no Idioma Esperanto

Já desde o início da obra de pregação na Finlândia, foi muito útil o conhecimento versátil que o irmão Harteva tinha sobre línguas. Ele aprendeu esperanto, um idioma desenvolvido perto do fim do século 19 para melhorar as comunicações internacionais, e era falado por mais de um milhão de pessoas em várias partes da terra. O irmão Harteva obteve permissão do irmão Rutherford de traduzir para o esperanto o livro Milhões. Foi lançado em 1922, em Helsinque, pouco antes da conferência dos esperantistas. Naquela conferência, ele deu um discurso em esperanto sob o tema “Milhões”. A verdade podia ser apresentada então aos que falavam esse idioma, alguns dos quais tinham vindo dos Estados Unidos, da China, do Japão, da Argélia, da Austrália, da Argentina, do Brasil e de outros países.

Harteva deu discursos em esperanto em 12 cidades por toda a Europa. Em Budapeste, ele deu um discurso bíblico que, com a permissão do comandante da polícia, foi traduzido para o húngaro. O irmão Rutherford enviou então um irmão da sede mundial junto com o irmão Harteva a Moscou para saberem da possibilidade de serem pregadas as boas novas do Reino ali. A reação dos residentes de Moscou foi fraca. Mas, depois de contatar os esperantistas locais, o irmão Harteva deixou um suprimento de publicações teocráticas com eles.

Sede Própria da Filial

Por mais de dez anos, a filial teve dependências apertadas. O número de maio de 1923 da Sentinela continha esta boa notícia: “O Senhor abençoou o zelo de alguns irmãos que puseram tudo o que possuíam sobre o altar do Senhor, de modo que neste momento em que há falta de moradias, tornou-se possível comprar um novo apartamento para a filial. O antigo escritório estava tão apinhado que quase todos os que trabalhavam ali tinham de morar espalhados na cidade.” O novo endereço era Temppelikatu, 14. No andar térreo, havia uma livraria, onde se podiam realizar as reuniões, e o andar de cima era moradia. Foram levantados fundos, o que possibilitou a compra dessa propriedade.

Quando o irmão Rutherford visitou o congresso de Örebro, na Suécia, em maio de 1925, anunciou que em Copenhague, na Dinamarca, seria aberto um escritório para a Europa Setentrional. Supervisionaria a obra na Dinamarca, Suécia, Noruega, Letônia, Lituânia, Estônia e Finlândia, mas o escritório da filial da Finlândia continuaria como antes. A Sentinela relatava: “O irmão Dey, de Londres, foi convidado a aceitar o posto como representante da Sociedade e administrador geral do Escritório da Europa Setentrional. . . . O irmão Dey renunciou a uma importante posição no governo em Londres para entrar no serviço do Rei dos reis.” As visitas regulares do irmão Dey reforçaram a atividade na Finlândia assim como têm feito as visitas dos superintendentes de zona em anos recentes.

O Escritório da Europa Setentrional gerou mais comunicações internacionais entre as Testemunhas. Assim, em junho de 1927, o congresso em Helsinque marcou época, sendo o primeiro congresso geral nórdico! Estavam presentes todos os diretores dos sete países supervisionados pelo Escritório da Europa Setentrional. Os discursos foram dados em inglês, sueco e finlandês.

Radiodifusão da Verdade na Estônia

No congresso de 1927, em Helsinque, o irmão Dey falou sobre a necessidade de missionários da Finlândia irem para a Estônia. Visto que o estoniano é um idioma aparentado estreitamente ao finlandês, os finlandeses aprenderam o idioma rapidamente e podiam ajudar assim as pessoas interessadas na Estônia. As jovens irmãs colportoras Irja Mäkelä e Jenny Felt aceitaram o convite e viajaram para Talin. Logo diversos outros finlandeses se juntaram a elas, como, por exemplo, Kerttu Ahokas. Batizada em 1919, trabalhou mais tarde fielmente na filial até sua morte em 1989.

Naquele tempo, os discursos do irmão Rutherford estavam sendo transmitidos por rádio no mundo inteiro. Podia a Sociedade ter sua própria emissora na Finlândia? Recusou-se a licença. Entretanto, quando um congresso foi realizado em Talin, na Estônia, em 1929, o discurso público do irmão Dey foi transmitido pela emissora de Talin para a Finlândia.

Essa foi a abertura. A estação de rádio de Talin concordou em transmitir daí em diante discursos pelo rádio todos os domingos em finlandês, e às vezes em inglês, estoniano, russo e sueco. A partir do outono de 1930, uma ligação telefônica da emissora em Talin com a filial na Finlândia tornou possível que os discursos fossem dados de lá mesmo. Isto continuou até setembro de 1934, quando foi lida a seguinte notícia: “Por causa da intolerância dos clérigos e o violento e calunioso ataque que fizeram nos jornais de Talin, o governo estoniano tomou agora a emissora de Talin da firma particular que a operava e proibiu daí em diante a radiodifusão dos discursos do Juiz Rutherford.”

Apesar de alguns problemas de obtenção de vistos permanentes na Estônia em princípios da década de 30, algumas Testemunhas puderam permanecer ali até a Segunda Guerra Mundial. Uma dessas era Miina Holopainen, que foi à Estônia em 1931 e serviu ali por 13 anos. Quando as linhas de batalha entre a União Soviética e a Alemanha se formavam, ela foi colocada num trem com destino à Sibéria. Mas, uma bomba atingiu o vagão e a explosão a lançou a uma grande distância dos trilhos. Os que ainda estavam vivos foram logo colocados de novo no trem. Miina, porém, permaneceu despercebida atrás de uma pilha de lenha até o trem ter partido. Ela foi então levada para o hospital em Tartu, na Estônia, visto que sofrera graves ferimentos nas pernas. Ali ela orou a Jeová para que a ajudasse a se recuperar o suficiente para poder voltar ao serviço de campo. Ela se recuperou, retornou à Finlândia e continuou por muitos anos como pioneira.

Novo Nome, Nova Prensa e Nova Filial

Por muitos anos, havíamos sido erroneamente apelidados de “hartevitas” e de “russelitas”. Todavia, não éramos apenas “Estudantes da Bíblia”. Como deveríamos ser chamados? Mikael Ollus descobriu isso de modo surpreendente: “Um emocionante evento ocorreu em 1931 quando eu e Eero Nironen estávamos sentados estudando a revista O Mensageiro que trazia as últimas notícias sobre o congresso de Columbus, Ohio, EUA. Não pudemos deixar de ficar surpresos quando nossos olhos viram um artigo que alistava as razões para o novo nome ‘Testemunhas de Jeová’, adotado pelos nossos irmãos. Jamais esquecerei aquele momento.” Finalmente, tínhamos um nome que nos identificava de modo claro. Na Finlândia o novo nome foi aceito animadamente.

Naquele mesmo ano, a Finlândia recebeu também a sua primeira prensa tipográfica, que foi instalada no subsolo do escritório da filial. O irmão Harteva escreveu o seguinte a respeito dela: “O som das máquinas de impressão, que para nossos ouvidos é como música agradável, tocou terrivelmente os ouvidos do adversário, e ele bem que gostaria de tirar da casa nossa maquinaria e a nós também.” Zumbindo com atividade, essa pequena gráfica produziu 700.000 itens impressos em 1932, o que representava cerca de 1.000 para cada publicador.

Havia, pois, necessidade de dependências maiores. Os irmãos encontraram um terreno adequado perto de um lindo parque e começaram a construir novas dependências da filial ali na primavera de 1933. O andar térreo incluía a gráfica, a sala de composição, o Salão do Reino e espaço para estocagem de publicações. Os escritórios, a cozinha e o refeitório ficavam no primeiro andar, com dormitórios no segundo andar. O endereço dessa nova filial, Väinämöisenkatu, 27, tornou-se bem conhecido aos irmãos nas três décadas que se seguiram.

“As Pedras Clamam”

Perto do fim dos anos 30, o irmão Harteva gravou os sermões de Rutherford em discos fonográficos, em finlandês. Por que em discos? Por causa da excelente nova invenção: o fonógrafo portátil. Os fonógrafos seriam usados na atividade de revisitas e de casa em casa. E na filial, as peças mecânicas foram montadas em caixas portáteis fabricadas pelos irmãos. O lema usado, quando as Testemunhas saíam no serviço de campo carregando seus aparelhos “falantes”, era: “As Pedras Clamam.”

Recebeu-se um suprimento de novos alto-falantes tão possantes que os irmãos os chamavam de “artilharia da unidade de áudio”. Leo Kallio relata: “Eu havia planejado ir à praia com minha esposa e meu filhinho. Naquele dia o carteiro me entregou um cartão que me lembrava dos planos de usar os grandes alto-falantes para tocar gravações na praia, onde se esperava que mais de 200 pessoas assistissem à fogueira ao ar livre da celebração do solstício do verão, uma herança do paganismo. Não foi fácil fazer a decisão, visto que tive de lutar fortemente contra minha carne. Apresentei o assunto em oração a Jeová, dizendo que, se fosse bem-sucedido o empenho aparentemente impossível de transportar os alto-falantes no ônibus lotado, isso serviria de evidência que meus esforços seriam abençoados. A tentativa foi bem-sucedida, embora alguns passageiros se queixassem.

“Na encruzilhada, havia uma grande pilha de tábuas, e escondemos os alto-falantes atrás dessa pilha ao passo que as pessoas começavam a chegar. Havia um salão de baile ali perto, e quando se acendeu a fogueira, todos pararam de dançar e vieram à praia. No momento em que todos estavam em volta da fogueira, toquei um disco com música. Ficaram tão surpresos que esqueceram a fogueira, e todos se viraram para olhar a pilha de tábuas, procurando saber donde vinha o som. Um guarda-civil, que tinha vindo para supervisionar o baile, aproximou-se de mim. Expliquei-lhe o que eu estava tentando fazer. Ele fez sinal afirmativo com a cabeça, e eu pude tocar as gravações do discurso. Continham fortes ataques contra a religião falsa, e isto causou bastante tumulto na assistência.

“Quando se ouviu o nome de Jeová, um grupo de moços se juntou em volta de mim e murmurou: ‘Vamos jogar esses alto-falantes no lago.’ Mas o guarda-civil olhou sério para eles. Nessa altura, alguém havia chamado o chefe da polícia rural. Coloquei rapidamente um disco com música. O chefe de polícia se perguntava quem o havia perturbado no meio dos festivais do solstício do verão, e, depois de ver o guarda-civil sorridente, partiu irado. Com a ajuda do guarda-civil, conseguimos colocar os alto-falantes no ônibus sem causar neles estragos.”

O serviço com fonógrafos culminou em 1938, quando 309 aparelhos estavam em uso, e, segundo os relatórios, 72.626 discursos foram tocados para uma assistência de 151.879. ‘As pedras realmente clamaram!’

Dissolvida a Sociedade

Em 30 de novembro de 1939, começou a “Guerra do Inverno” quando as tropas da União Soviética marcharam contra a Finlândia. As batalhas duraram mais de três meses. Depois, em junho de 1941, a Finlândia foi levada à “Guerra de Continuação” como aliada não-oficial da Alemanha. A guerra trouxe problemas quanto a produzir e distribuir o alimento espiritual. Ficaram cortadas as comunicações com a sede. Entretanto, conseguia-se obter algum alimento espiritual, através da Suécia neutra, durante os cinco anos de guerra. Mas que efeito teve a guerra sobre a atitude das autoridades para com o nosso trabalho pacífico?

Sob o manto da histeria de guerra e com o crescente espírito de nacionalismo, os opositores do Reino, instigados pelos clérigos, pressionaram o governo para que esmagasse a atividade das Testemunhas. Em 18 de janeiro de 1940, o Ministério da Justiça declarou que os folhetos Governo e Paz e A Liberdade dos Povos deviam ser confiscados. Quatro meses mais tarde, em 28 de maio de 1940, e depois de uma morosa batalha no tribunal, este decretou a dissolução da Sociedade Torre de Vigia local.

Publicadores da Teocracia

Prevendo essa decisão negativa do tribunal, os irmãos sabiamente venderam em 13 de abril de 1940 todas as possessões da Sociedade a uma recém-estabelecida companhia publicadora chamada Kustannusosakeyhtiö Vartiotorni (Companhia Publicadora Torre de Vigia). Portanto, quando as autoridades entraram em ação para confiscar os bens da Sociedade, descobriram, consternados, que não existiam bens.

Antes deste esperado ataque contra a Sociedade, os irmãos estabeleceram também, em 15 de fevereiro de 1940, uma associação não-registrada chamada Publicadores da Teocracia. Depois de o tribunal dissolver a Sociedade Torre de Vigia local, todas as atividades foram cuidadas por essa associação.

Os irmãos, porém, certamente não ficaram intimidados. Intrepidamente contrataram o Estádio Olímpico de Helsinque, e programaram uma conferência que seria proferida pelo irmão Harteva no dia 23 de agosto de 1940, sob o tema “O Reino Que não Pode Ser Abalado”. Foram distribuídos cerca de 78.000 convites para o público assistir ao discurso! Contudo, esta atividade despertou os opositores, e as autoridades proibiram o discurso pouco antes da hora de começar. Mas o manuscrito foi entregue aos maiores jornais do país, e assim mais de um milhão de pessoas — um pouquinho menos de um terço da população do país — puderam lê-lo na página impressa!

Embora a maioria das autoridades na Finlândia não se opusesse ativamente a nós, é preciso lembrar que a Finlândia estava cooperando com a Alemanha, e algumas das autoridades haviam adotado uma atitude inspirada pelo nazismo. Os elementos extremistas levantavam repetidas vezes falsas acusações contra a organização, de modo que, como resultado, a associação Publicadores da Teocracia também foi dissolvida por uma decisão de tribunal, em 17 de abril de 1941.

Usadas as Publicações não Obstante a Proscrição

Quando se tornou evidente que a polícia iria confiscar as publicações na filial, a maior parte foi despachada para diversos lares de irmãos. Visto que a polícia não tentou tirar as publicações da posse dos irmãos, tínhamos amplo suprimento secreto de publicações que podiam ser usadas no campo.

Otto Mäkelä nos conta um incidente relacionado com a irmã Hilma Sinkkonen em Kotka: “Esta irmã idosa colocava os livros de Rutherford embora fossem proibidos. Enquanto fazia isso, ela bateu por acaso à porta do capitão da Guarda Nacional, cuja tarefa era cuidar de que a proibição fosse levada a efeito. O capitão se tornou agressivo, achando que isso era o cúmulo da impertinência. Apanhou um fuzil e o apontou para a irmã, mas a irmã idosa calmamente disse: ‘Espere um momento enquanto eu vou em frente do fogão para o senhor não fazer um buraco na parede.’ O fuzil do capitão baixou e ele, surpreso, disse: ‘Não há nenhum homem entre meus soldados com tanta bravura como a senhora. Venha, sente-se e conte-me sobre as suas crenças.’ O testemunho que recebeu sobre a verdade causou tão profunda impressão nele que os publicadores ali não foram mais molestados.”

Harteva Preso

Visto que Kaarlo Harteva tinha parte especialmente ativa na obra, as autoridades lançaram as suas acusações diretamente contra ele. Portanto, ele achou prudente ficar na obscuridade. Assim, Toivo Nervo se tornou o editor da revista Jumalan Valtakunta (O Reino de Deus), sucessora de A Sentinela que estava proibida. Ele foi sucedido por Pentti Reikko em 1941, ao passo que Mikael Ollus se tornou o editor de Consolação.

As autoridades, porém, ainda assim consideravam Kaarlo Harteva um homem-chave das Testemunhas. Em 12 de junho de 1942, quando se aprontava para ir dar o discurso fúnebre de sua tia, Aunes Salmela, foi detido e ficou sob custódia por três semanas, o que foi seguido de prisão domiciliar.

Ainda Administrado o “Alimento Sólido”

Quando foi preciso parar a impressão das revistas em fins de 1942, os irmãos começaram a mimeografar os artigos principais da Sentinela. Essas cópias eram chamadas “alimento sólido”, e não podiam ser enviadas pelo correio. Assim, diversos mensageiros as transportavam por todo o país e as entregavam nas congregações. Esta provisão funcionou bem nos anos remanescentes da guerra.

Muitas irmãs tomaram parte notável neste trabalho. Meri Weckström, que serviu como pioneira até sua morte em 1981, contou o seguinte sobre a sua designação: “Durante a guerra, eu morava na Faculdade Sueca de Economia, e escondemos ali um caminhão cheio de publicações da Sociedade. Quando A Sentinela também foi proibida, os irmãos sugeriram que eu começasse a mimeografá-la. Eu fazia o trabalho no meu apartamento às noitinhas e noite adentro.”

Por causa dos reides aéreos, era proibido deixar transparecer luz nas janelas das casas. Meri continuou: “Certa noite, o chão da sala de estar estava cheio de pilhas de papel mimeografado. Eu estava usando a máquina na cozinha quando a campainha da porta tocou um pouco depois das 3 horas da madrugada. Fechei cuidadosamente a porta que dava para a sala de estar antes de ir abrir a porta. Para a minha surpresa, fui cumprimentada por um policial. De início pensei que haviam descoberto o meu trabalho, portanto orei a Jeová que me desse ajuda e sabedoria nesta situação. Mas o policial só disse que havia uma pequena abertura na veneziana através da qual se podia ver a luz. Com um suspiro de alívio, prometi consertá-la imediatamente, e o policial partiu.”

Meri relatou a seguir sobre o valor da matéria mimeografada: “Notei que Jeová sempre dá orientação a seu povo no tempo certo. O artigo sobre a neutralidade, que eu mimeografei durante a guerra, é um bom exemplo disso. Esse artigo ajudou os irmãos a ver mais claramente as instruções de Jeová e a atitude correta para o cristão.”

Um Tenente Torna-se Soldado de Cristo

Em 1942, Kalle Salavaara, um jovem tenente, de 23 anos, foi ferido por uma granada que explodiu e levado a um hospital para se submeter a uma operação. “Depois da operação”, conta ele, “eu estava deitado no hospital militar instalado na mesma escola onde eu havia sido aluno. À cabeceira de meu leito estava o irmão Sakari Kanerva, que me falara sobre a verdade muitas vezes antes. Nesse momento já havia decidido, restava apenas alguns assuntos práticos sobre os quais concordar. Disse comigo mesmo: ‘Amanhã, no lago Möysänjärvi, será o ponto final de minha carreira militar.’

“No dia seguinte, o irmão Kanerva me batizou. Visto que ainda estava com o corpo todo engessado, naturalmente o gesso molhou e amoleceu durante a cerimônia. Na manhã seguinte, o coronel médico Heinonen olhou para o gesso e em tom de repreensão perguntou: ‘Onde é que você andou fazendo trapalhada? O gesso todo se deformou!’

“‘Batizei-me, senhor’, foi minha resposta. Ele emudeceu. Parecia que estava fazendo um minuto de silêncio em comemoração de minha morte. ‘O que disse?’ perguntou finalmente o coronel. Pude então dar meu primeiro testemunho público.”

Uma vez recuperado, Kalle Salavaara usou sua liberdade, bem como seu passaporte militar, para se locomover, fazendo entrega do “alimento sólido” às congregações. Ao sair com matéria mimeografada para ir às congregações no sul da Finlândia, Väinö Pallari, que trabalhava em Betel, alertou-o sobre a polícia em Matku. Diversas vezes o haviam levado à delegacia para interrogatórios, e pareciam saber exatamente quando um mensageiro estava para chegar. Kalle relata:

“Quando cheguei a Matku de trem, vindo de Urjala, um policial robusto se dirigiu a mim imediatamente e num tom oficial pediu minha carteira de identidade. Eu lhe mostrei meu passaporte militar. Isso o surpreendeu. Num tom de voz bastante diferente, pediu-me que mostrasse a seguir minha carteira de trabalho. Justamente como prevenção, eu me inscrevera antes na Universidade de Helsinque. Assim, pude apresentar ao policial um documento assinado pelo reitor da universidade, mencionando um trabalho ali, embora não se indicasse que tipo de trabalho eu fazia. O policial não mais fez resistência. Quando comecei a arrastar minhas malas até o ônibus que estava à espera, ele de modo polido ofereceu-se a carregá-las. Não resisti à tentação de lhe deixar levar a mala maior, a mais pesada, que continha a matéria mimeografada proibida. Parecia estar de certa forma tão segura carregada pelo policial.”

Muitas vezes, os irmãos e as irmãs vinham de tobogã, de trenó puxado a cavalo, ou a pé, até as estações de trem, tarde da noite, para obter alguns artigos cuja circulação era proibida. Às vezes, a temperatura do inverno era de -30°C. “Ninguém se queixava”, recorda o irmão Salavaara. “Só encontrei recebedores felizes e apreciativos, o que me fazia lembrar as palavras alegres do Sermão da Montanha: ‘Felizes os cônscios de sua necessidade espiritual.’ Para eles, aquilo era como o maná do céu.”

Neutralidade Posta à Prova

O estado de guerra pôs a neutralidade das Testemunhas plenamente à prova. A consciência de Kosti Huhtakivi, Vieno Linte e Yrjö Laine, treinada pela Bíblia, não lhes permitiu servir no exército. Por isso, foram encarcerados. Mas, será que a qualidade de sua fé era suficientemente forte para suportarem a terrível provação que sofreriam em conseqüência disso?

O irmão Huhtakivi relembra: “Ordenaram que nos reuníssemos na Escola Humppila, e designaram-nos alojamentos debaixo do porta-fuzis. Certo dia, o cabo ordenou que fôssemos ao pátio junto ao mastro da bandeira. Ele estava polindo sua baioneta, jactando-se de quão afiada esta era, quando berrou a ordem: ‘Vamos!’ Fizeram-nos sair pela porta lateral da escola que nos servira de caserna. Caminhamos uma curta distância até a beira de uma floresta, junto a um terreno elevado, onde ordenaram que parássemos. Avistamos então um grupo de soldados, com fuzis na mão, que marchavam em nossa direção.”

Os soldados armados se postaram diante dos irmãos, verificaram a identidade destes e informaram-lhes que haviam sido condenados à morte pelo pelotão de fuzilamento. A sentença seria executada imediatamente.

O irmão Linte não consegue conter as lágrimas ao passo que continua a relatar a experiência pela qual passaram: “Deu-se a ordem: ‘Ação!’ após o que o padioleiro nos vendou os olhos. Daí, outra ordem: ‘Carregar!’ e podíamos ouvir o clique dos fuzis. A seguir, outra ordem: ‘Apontar!” Quão bom é ter a esperança da ressurreição’, foi o pensamento que me passou pela mente. De repente, ouvimos um grito: ‘Sargento! Uma mensagem pelo telefone.’ Isto foi seguido pela ordem: ‘Alto!’ e foi lida a mensagem telefônica em voz alta: ‘Sentença suspensa por ora’, assinada pelo coronel. Retiraram-nos as vendas dos olhos e fomos escoltados de volta para os nossos alojamentos.”

O drama havia sido bem encenado. A mesma estratégia diabólica foi usada com outros irmãos. Erkki Kankaanpää, que serve agora como coordenador da Comissão de Filial, teve também essa experiência. Ele explica: “Para começar, disseram-nos que seríamos condenados à morte. O tratamento era tão duro que não duvidamos absolutamente que isso fosse levado a cabo. Descobrimos mais tarde que se tratava de um meio de intimidação. Um julgamento simulado e, algumas horas mais tarde, fomos novamente levados perante o juiz e sentenciados a três anos e meio de prisão.”

Uma Cooperativa Para Saúde Espiritual

Em 1932, foi estabelecida uma cooperativa de nome Al Sano. Não só importava e vendia alimentos naturais, mas publicava também uma revista com o mesmo nome, bem como outras publicações que tratavam de assuntos de saúde. Alguns irmãos faziam parte desse negócio, e este chegou a se ligar estreitamente com a Sociedade.

O irmão Rutherford, pouco antes de sua morte, em 1942, autorizou que a cooperativa publicasse a verdade na forma de outra publicação, caso as da Sociedade fossem proibidas. Assim, foram publicados livros sobre saúde pela Al Sano, e na sua revista Terveyttä Kaikille (Saúde Para Todos), publicavam-se alguns artigos da Sentinela.

O serviço de campo era realizado de modo incomum durante a proscrição. Kalle Salavaara explica isso: “Nosso objetivo era o mesmo que temos agora: Desejávamos mostrar às pessoas que o Reino de Deus era a única solução para todos os seus problemas. Isso exigia estratégia teocrática e paciência. As pessoas costumavam perguntar: ‘Vocês são da farmácia daquele grupo religioso?’ e daí descreviam seus males demoradamente. Depois de fazermos algumas recomendações e oferecermos brochuras sobre saúde, mudávamos a conversa para a mensagem do Reino. ‘Naturalmente, os produtos de saúde não podem impedir a velhice e a morte’, dizíamos, ‘mas não seria maravilhoso poder viver com saúde e ser jovem para sempre?’ Muitas vezes, a conversa se tornava bem frutífera.

Congressos Durante a Proscrição

Com extrema cautela e inventividade, foi possível continuar a realizar reuniões e congressos durante a guerra. Por exemplo, programou-se um “Festival de Caça e Pesca” num sítio em Haarajoki, e, naturalmente, o assunto dos discursos não era caçar animais, mas pescar homens.

No verão de 1943, foi realizada no centro de Helsinque, num clube de estudantes, uma grande reunião, chamada “Festival da Família Pentti Reikko”. Foram distribuídos convites somente aos que foram recomendados por duas Testemunhas fidedignas. Tivemos mais de 500 presentes.

O irmão Reikko nos conta o que aconteceu depois de ter sido enviada dessa mesma reunião uma carta oficial às autoridades:

“Algum tempo depois, recebi intimação da Polícia do Estado para comparecer a um interrogatório. O interrogador tinha em mãos a nossa carta, e exigiu informações sobre onde reuniões como esta eram realizadas. ‘Como é possível realizarem uma reunião como essa no centro de Helsinque sem o nosso conhecimento, quando nós sabemos quase tudo o que duas pessoas dizem uma à outra na rua?’ perguntou ele. A reunião tinha sido realizada na verdade a poucos quarteirões da delegacia de polícia.

“Programamos desse mesmo modo diversos congressos grandes, e a proteção de Jeová era bem evidente, pois as nossas reuniões nunca foram interrompidas. Em dezembro de 1943, realizou-se um congresso em que a assistência atingiu 1.260 pessoas.”

Novo Presidente Provê Orientação

Ao passo que se aproximava o fim da guerra, Nathan H. Knorr, que nessa época era o terceiro presidente da Sociedade Torre de Vigia dos EUA, recebeu com o tempo informações sobre a proscrição na Finlândia. Na carta que escreveu aos irmãos Harteva e Taavitsainen, ele lhes agradecia porque, apesar da proscrição, haviam permanecido ativos e tornado possível conservar a propriedade da Sociedade para uso futuro.

O que, porém, se daria com aquelas publicações sobre saúde que continham também artigos sobre o Reino? Visto que a literatura da Sociedade continuava a ser proibida, o irmão Knorr permitiu que os irmãos continuassem a colocar aquelas nas mãos do público. Mas, ao mesmo tempo, advertiu: “Não devem misturar a mensagem do Reino com nenhuma outra coisa. Incentivem os irmãos a fazer o seguinte: Os apóstolos, nos seus dias, foram de comunidade em comunidade sem Bíblias e sem livros. Se o Senhor achar próprio não termos nada exceto a Palavra de Deus em nossa mente e em nossa boca, usemos isso para a glória e a honra do nome de Jeová. A verdade não precisa de nenhum atrativo a não ser a verdade em si mesma.”

Fim da Guerra

A guerra com a União Soviética chegou ao fim em setembro de 1944. A Finlândia manteve sua independência, mas perdeu grandes porções de seu território. Cerca de 300.000 pessoas que foram evacuadas das áreas cedidas tiveram de ser instaladas em outras partes da Finlândia. O irmão Harteva foi solto da prisão em 27 de setembro, e, à base de uma anistia geral, todos os irmãos foram logo soltos das prisões, lançando-se assim um alicerce para um período de crescimento que nunca antes se experimentara na Finlândia.

Parecia muito difícil, quase impossível, revogar a proscrição contra a Sociedade. O próximo Ministro da Justiça, Urho Kekkonen, tomou posição favorável para com as Testemunhas. Ele sugeriu que formássemos uma nova associação religiosa, visto que então teríamos quase os mesmos direitos que a Igreja Luterana. Os irmãos seguiram o conselho dele e, em 31 de maio de 1945, o Conselho do Estado aprovou a Associação Religiosa das Testemunhas de Jeová.

Esta solução tornou possível realizar casamentos, dispensar os jovens da educação religiosa nas escolas e usufruir a proteção por lei concedida às associações religiosas registradas. Conseguiu-se finalmente, mais tarde, em 2 de fevereiro de 1949, registrar de novo a Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados.

Cortejo Para Informar

O ano de 1945 começou com vigorosa atividade pública. Em 6 de janeiro, o irmão Harteva deu um discurso no Salão de Exposições de Helsinque sob o tema “Em Direção à Luz”. Mas, havia necessidade de um local maior. De modo que se contratou o Estádio Olímpico para o discurso público, sobre o qual se fez ampla publicidade não só nos jornais, mas também nas ruas.

Sob a direção do irmão Salavaara, organizou-se um cortejo de Testemunhas com cartazes, cortejo este que se estendia por mais de meio quilômetro. Visualize o seguinte: Pelas ruas de Helsinque as Testemunhas caminham gritando lemas com o uso de megafones de papelão que seguram na mão, seguidas por um desfile de carros sonantes que anunciam a mensagem do Reino. E o primeiro na fileira é Elis Salminen, montado num enorme cavalo alazão, agitando uma faixa com os dizeres: “Testemunhas de Jeová.” Que cena! Que testemunho!

O cavalo se assustou com os cartazes e quase ia disparar quando, segundo recorda Salminen, “um dos muitos fotógrafos chegou e tirou uma fotografia de mim e disse ‘Devia ser um jumento. Foi o que Jesus montou.’” O desfile passou pelas ruas principais da capital por vários quilômetros e finalmente parou junto à estação ferroviária, onde as Testemunhas formaram uma frente unida e gritaram em uníssono o convite para o discurso público. Ao todo, 12.000 pessoas foram ao estádio para ouvir!

Testemunho Através das Ondas de Rádio

Aqueles milhares que se reuniram no estádio não foram os únicos a ouvir o discurso. Embora a Companhia Finlandesa de Radiodifusão, supervisionada pelo Estado, tivesse terminantemente recusado transmitir por rádio os nossos programas no passado, ainda assim os irmãos abordaram corajosamente a companhia e solicitaram que o discurso “Os Mansos Herdam a Terra” fosse transmitido pelo rádio. Hella Wuolijoki, uma famosa escritora, nascida na Estônia, era a diretora-geral da companhia de radiodifusão, e concedeu-nos a permissão. Ela própria estivera na prisão durante a guerra e assim foi compassiva para conosco. Portanto, um grande testemunho foi dado a uma vasta assistência até a Suécia, donde a filial enviou um telegrama dizendo: “Transmissão excelente!”

Publicada Novamente A Sentinela

Ambas as revistas Jumalan Valtakunta e Consolação começaram a ser publicadas novamente no começo de 1945. E desde o número de 1.º de julho, o nome da revista Jumalan Valtakunta passou novamente a ser A Sentinela. Será que as pessoas desejavam as revistas? Não havia muitos periódicos disponíveis como assinaturas após a guerra, portanto os publicadores angariaram um número recorde de novas assinaturas: 40.038! Isto representava quase 30 assinaturas por publicador. Foi a melhor campanha que já tiveram. Os rolamentos da impressora não chegaram a esfriar naquele ano!

O presidente da Sociedade Torre de Vigia preocupava-se profundamente com o bem-estar dos irmãos na Europa devastada pela guerra. Ele desejava visitá-los e prover a assistência necessária logo que se tornasse possível viajar. Assim, em 18 de dezembro de 1945, no período mais escuro e mais frio do ano, o irmão Knorr junto com seu secretário, Milton G. Henschel, e um representante do Escritório da Europa Setentrional, William Dey, chegaram da Suécia de navio. Eis como diz o diário de sua viagem: “Cerca de dezessete horas depois de ter deixado Estocolmo, o Bore V entrou nas águas da baía finlandesa perto de Turku, e parecia quase feliz de ter suportado a viagem e de estar em suas próprias águas, para ali empurrar as placas de gelo de 15 centímetros de espessura que enchiam o porto.” Um grupo de irmãos sorridentes da família do Betel de Helsinque lhes deu boas-vindas.

O irmão Knorr examinou os problemas resultantes da guerra. A Sociedade enviara da Suécia roupas doadas, que foram distribuídas aos pioneiros e a outros necessitados. Embora a Finlândia fosse notável produtora de papel naquela época, o governo queria exportar todo o papel a fim de conseguir moeda estrangeira para a Finlândia. Pararia a impressão de nossas revistas por causa da dificuldade de se obter papel? Para economizar, o irmão Knorr decidiu descontinuar a impressão da revista Consolação naquele tempo. O papel para A Sentinela seria comprado pela sede com dólares americanos o que foi aceito prontamente pela Finlândia. Assim, a impressão do principal canal de alimento espiritual, A Sentinela, continuou.

Durante sua visita, o irmão Knorr contou as emocionantes novas a respeito da recente abertura da Escola Bíblica de Gileade da Torre de Vigia dos EUA para treinar missionários. Seu diário mostra a reação dos irmãos finlandeses: “Em parte alguma da viagem se manifestou entusiasmo maior pela Faculdade de Gileade. . . . Vinte e dois trabalhadores de tempo integral deram seu nome.”

Os Primeiros a Ir a Gileade

Apenas alguns meses depois, em 1946, chegaram os primeiros convites para irmãos finlandeses cursarem Gileade. Quatro irmãos, Eero Nironen, Kalle Salavaara, Elai Taavitsainen e Veikko Torvinen cursaram a oitava turma. “Quando nós quatro retornamos à Finlândia no começo de 1947”, recordou o irmão Nironen, “éramos como gente nova. Foi em Gileade que comecei a entender pela primeira vez o verdadeiro significado de teocracia. Aprendemos a melhorar nosso serviço de campo, e o que era mais importante, ensinaram-nos que o dia-a-dia do cristão tem de estar cheio do espírito de Deus para que ele não execute um trabalho apenas como robô.”

Em 1950, Eero Muurainen cursou Gileade. Serviu por muitos anos como superintendente de distrito até sua morte em 1966. No decorrer dos anos, o espírito missionário inspirou até agora pelo menos 59 finlandeses a cursar a Escola de Gileade.

Serviço de Circuito Após a Guerra

Quando estourou a guerra em 1939, havia 865 publicadores na Finlândia. No fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945, o número de publicadores era quase o dobro, com um total de 1.632 publicadores que relatavam nas mais de 200 congregações.

O número de congregações em 1945 era quase o mesmo que agora, mais de 40 anos depois. Por que não aumentou o número de congregações? A maioria das congregações em 1940 eram pequenas e bem espalhadas. Em média, havia naquele tempo apenas 5 publicadores por congregação; agora a média é de mais de 60.

Há quatro décadas, após o fim da guerra, os irmãos só tinham bicicletas como veículos, embora nas áreas rurais, os abastados tivessem carroças ou trenós puxados por cavalos. De modo geral, porém, os meios de vida dos irmãos eram escassos, eles trabalhavam longas horas e arduamente. Portanto, era difícil fazer viagens longas para assistir às reuniões. De modo que em muitos lugares, a congregação era composta dos membros de uma única família, e eles davam testemunho apenas nos territórios perto de sua casa.

O trabalho do superintendente de circuito nessas circunstâncias não era fácil. “As viagens entre congregações, que podiam ser de vinte quilômetros ou mais, eram com freqüência a pé, carregando bagagem pesada”, diz Erkki Kankaanpää. “Lembro-me de que certa vez, durante o intenso frio de fevereiro, eu e minha esposa dormimos num quarto sem aquecimento. Fomos para cama com todas as nossas roupas. Às vezes, tínhamos de dormir no mesmo quarto com uma família numerosa.” Ao melhorarem as condições de vida, o serviço dos superintendentes de circuito se tornou mais eficiente.

Aumentos Após a Guerra

Em 1947, os irmãos Knorr e Henschel retornaram à Finlândia. Embora tivessem decorrido apenas um ano e meio depois da visita anterior, observaram o notável progresso nesse tempo. Em dois anos, o auge de publicadores passara de 1.632 para 2.696. A Finlândia experimentava certamente um período de bom crescimento. Realizou-se um congresso no Salão de Exposições de Helsinque, em 13-15 de junho de 1947, com uma assistência de 5.300 pessoas e 184 foram batizadas.

É verdade que o número de congregações não aumentou, mas o aumento no número de publicadores depois da guerra foi surpreendente. Em 1950, o número de publicadores passou para mais de 4.000. A Escola do Ministério Teocrático aprimorou as habilidades dos irmãos de dar discursos públicos e melhorou sua eficiência na evangelização. Assim, em vez de a pregação ser feita pelos fonógrafos, os irmãos davam sermões mediante a palavra falada.

Em fevereiro de 1950, dois formados em Gileade, Wallace Endres e John Bruton, dos Estados Unidos, chegaram ao país. O irmão Endres substituiu na qualidade de superintendente de filial ao irmão Harteva que estava ficando idoso. O irmão Harteva continuou fiel no serviço de tempo integral até sua morte em 1957.

Aumenta a Atividade de Impressão

Depois da guerra, com o tempo o papel tornou-se novamente disponível. Desde o início de 1951, a Finlândia publicou novamente outra revista além de A Sentinela; o nome era agora Despertai! O número de revistas impressas aumentara em 1955 para mais de 1.000.000 por ano.

No período de pós-guerra, a Finlândia começou a imprimir todos os livros da Sociedade nas suas próprias prensas. Era, porém, difícil obter material e preparar capas duras para os livros, de modo que em princípios dos anos 50, usavam capas só de papelão, que eram muito frágeis. Em resultado disso, quando o irmão Knorr visitou em 1951 e em 1955, aconselhou sobre como se podia melhorar a qualidade dos livros. Nos anos entre 1945 e 1955, a Finlândia, em dependências muito apertadas, imprimiu em média 54.000 livros por ano.

Em 1955, Erkki Kankaanpää foi convidado a trabalhar na filial, onde servira antes como impressor, para superintender a gráfica. Ele e a esposa haviam cursado Escola de Gileade em 1952 e serviram depois no serviço de circuito e de distrito. E, quando o irmão Endres retornou a seu país em 1957 por causa de obrigações familiares, o irmão Kankaanpää foi designado na qualidade de superintendente de filial.

Construção de Salões do Reino com a Chegada de Ajuda Adicional

O prédio da filial adquirido em 1923 tinha um pequeno lugar de reunião conjugado que se chamava o Tabernáculo de Helsinque. A filial em Väinämöisenkatu também tinha um salão próprio para reuniões. Mas, foi só em 1956 que se construiu o primeiro Salão do Reino. Onde? Em Käpylä, naquele tempo um subúrbio de Helsinque. O próximo salão foi construído dois anos mais tarde em Lahti. Nos últimos 30 anos, mais de 180 Salões do Reino foram construídos na Finlândia, e agora há bem poucas congregações que não se reúnem em Salões do Reino próprios.

Vivian e Ann Mouritz chegaram à Finlândia da Escola de Gileade em novembro de 1959, com um inverno frio à sua espera, e logo iniciaram um estudo intensivo do idioma. Pouco tempo depois, serviram no serviço de circuito e de distrito, até serem chamados para trabalhar na filial, onde serviram até 1981. Depois, foram transferidos para seu país natal, a Austrália, onde o irmão Mouritz serve agora na qualidade de coordenador da Comissão de Filial.

Arne e Gudrun Nielsen foram designados para Finlândia em 1959, e trabalharam na filial até 1965, ano em que foram transferidos para a Dinamarca, onde ainda servem naquela filial.

Muda-se a Filial

Em meados dos anos 50, as dependências da filial em Helsinque ficaram muito apertadas. Visto que não era possível ampliar as dependências, procurou-se outro local adequado. Encontrou-se um lugar cerca de 20 quilômetros do centro de Helsinque, em Vantaa. Tinha potencial para futura expansão também, de modo que foi comprado em 1957.

Perto do fim de 1960, começou a construção da nova filial que teria espaço útil de 2.700 metros quadrados. No começo de 1962, a família de Betel se mudou para as novas dependências, onde se iniciaram naquele mesmo ano os cursos da Escola do Ministério do Reino de quatro semanas de duração para os pioneiros especiais e superintendentes de congregação. Parecia haver tanto espaço na filial que se acreditava que seria suficiente até o fim deste sistema de coisas. Mas não se deu assim.

A Caminho de Copenhague!

Quando se realizou o maior congresso na história das Testemunhas de Jeová em Nova Iorque, EUA, em 1958, apenas 263 Testemunhas da Finlândia puderam assistir. As histórias relatadas pelos que retornaram e a exibição do filme da Sociedade sobre esse congresso entusiasmaram os irmãos finlandeses no sentido de desejarem conhecer irmãos estrangeiros. Portanto, ficaram animados quando foi anunciado que se realizaria, próximo dali, uma assembléia no verão de 1961 em Copenhague, na Dinamarca, para todos os publicadores da Escandinávia. Até aquele tempo, apenas alguns irmãos haviam atravessado as fronteiras da Finlândia. A filial organizou um departamento de viagem para cuidar de todos os preparativos para os 4.000 viajantes.

No Campo de Esportes de Copenhague, o programa foi realizado em inglês, dinamarquês, norueguês, sueco e finlandês. O congresso foi uma experiência inesquecível, e ajudou os finlandeses a ver e a sentir o que realmente significava fazer parte de uma associação internacional de irmãos .

O Campo de Serviço Especial em Karvia

As Testemunhas de Jeová, como os cristãos do primeiro século, obedecem à sua consciência treinada pela Bíblia. Depois da Segunda Guerra Mundial, a posição de neutralidade das Testemunhas de Jeová do sexo masculino causou grande problema para as autoridades. Começando em 1947, irmãos foram encarcerados por 240 dias numa ilha no golfo da Finlândia, perto de Hanko, que servia de baluarte para o exército. Além disso, foram sentenciados a termos de prisão que variavam entre três e seis meses.

Em 1959, foi baixada uma lei que prolongava consideravelmente o “período do serviço” para esses que se recusavam por escusa de consciência. A antiga prisão provisória em Karvia se transformou num infame “campo de serviço especial”.

Um dos que se recusaram por escusa de consciência, Jukka Ropponen, descreve Karvia do seguinte modo: “Ao me aproximar, no carro da polícia, daquele lugar no meio dos charcos, pude ver atrás de uma alta cerca de arame farpado casernas de madeira, construídas durante a guerra. As janelas tinham grades. Era um campo de prisão, projetado segundo o estilo nazista, e não era uma vista animadora, especialmente quando a pessoa sabia que ia passar ali pelo menos os próximos dois anos. Mas, lá dentro, havia irmãos alegres, com oito a dez pessoas num quarto. O sanitário era uma tina num guarda-roupa num canto do quarto.

“O programa diário incluía passar uma hora ao ar livre sob o olhar vigilante de um guarda. Passávamos o resto do tempo atrás das grades. Tínhamos muito tempo à nossa disposição, mas um excelente programa espiritual que elaboramos ocupava os nossos dias. Estudamos a Bíblia cuidadosamente, versículo por versículo. Aos poucos, formamos uma boa biblioteca para nos ajudar nos nossos estudos. Dávamos discursos sobre muitos assuntos bíblicos. E, nessas condições, a associação com nossos irmãos aperfeiçoava a personalidade de cada um de nós.

“O serviço de campo não era grande problema. Não podíamos falar com ninguém de fora, mas escrevíamos cartas às pessoas que moravam em territórios não-designados depois de acharmos os endereços na lista telefônica. Muitas vezes, servíamos como pioneiros de férias [auxiliares]. Alguns do nosso grupo ainda não haviam feito a dedicação de si mesmos a Jeová, mas, ao progredirem espiritualmente, queriam ser batizados. Mas, onde poderíamos achar suficiente água para batizá-los? Esse era um problema difícil.

“Pedimos ao diretor da prisão permissão para realizar o batismo numa lagoa num charco ali perto, mas a resposta foi um terminante não! Talvez tenha sido uma boa decisão, pois durante o inverno a lagoa está congelada; de modo que, de qualquer forma, seria impossível o batismo. Certo dia, um guarda-louça no canto do quarto atraiu minha atenção: Ali estava, uma piscina para batismo! Em questão de dias, um enorme plástico foi introduzido às escondidas em nossa caserna. E, sem que os guardas notassem, a nossa nova piscina de batismo, forrada de plástico, foi arrastada para a sala de banho, onde realizamos o batismo. Naqueles anos de prisão, um bom número de novos foram batizados naquela piscina.”

O Presidente do País Visita o Campo de Trabalho

Embora a primeira reação pública à recusa de prestação de serviço militar por parte das Testemunhas fosse negativa, em meados da década de 60 começaram a mudar os sentimentos das pessoas. Elas começaram a achar que eram desumanos os longos termos de prisão em condições de campos de concentração. Portanto, em agosto de 1968, Urho Kekkonen, o então presidente da Finlândia, decidiu fazer uma visita pessoal a essa instituição penal.

”Foi uma surpresa total”, relembra Reima Laine que serve agora como superintendente de distrito. “O presidente Kekkonen passou muitas horas no campo, e desejava entrevistar-nos sem que outra pessoa estivesse presente. Prometeu fazer tudo o que pudesse para fazer mudar a lei para melhor.” Isto logo aconteceu, e em 1969 foi abolida essa instituição.

Isentos do Serviço Militar

Nos anos após 1969, os irmãos jovens eram condenados a nove meses de prisão, e, enquanto cumpriam a pena, ganhavam reputação de boa conduta. Muitos cidadãos notaram e acharam que condenar à prisão moços pacíficos, inofensivos na comunidade, era uma mancha negra na reputação de seu país neutro e amante da paz, a Finlândia. Por conseguinte, alguns humanistas notáveis e influentes apresentaram opiniões sobre isentar as Testemunhas de Jeová do serviço militar.

Em 1985, o governo achou por bem adotar uma nova lei. Assim, desde 1987, todas as Testemunhas de Jeová, batizadas e ativas, recebem deferimento — três anos por vez — até atingirem a idade de 28 anos. Assim, as Testemunhas de Jeová na Finlândia têm sido isentas do serviço militar em tempo de paz.

Posta à Prova a Liberdade de Pregar

Embora a constituição da Finlândia assegure liberdade de religião, tem havido de vez em quando empenhos de promulgar leis visando impedir o ministério de casa em casa. Os tribunais, até o momento, decidiram todos os casos a favor do direito de pregar.

Uma cidade, Oulu, mudou seu regulamento para rezar: “Foi suspensa a proibição da obra das Testemunhas de Jeová.” Os motivos apresentados foram mencionados. “O trabalho de organizações ideológicas e religiosas, feito de casa em casa, não perturba a paz no país. Ao contrário, do ponto de vista da população, é uma questão de comunicação benéfica e necessária que não pode ser realizada de nenhuma outra maneira.”

As Fronteiras Nacionais não Impedem a União

Os irmãos suecos têm ajudado a divulgar a verdade na Finlândia. Em anos recentes, os finlandeses, por sua vez, têm ajudado a obra de evangelização na Suécia, para onde muitos finlandeses se mudaram. De modo que começaram a ser formadas congregações de língua finlandesa na Suécia de 1972 em diante. O aumento entre a população finlandesa na Suécia tem sido grande, e há atualmente uns 1.800 publicadores de língua finlandesa na Suécia.

Visto que se permite aos viajantes escandinavos atravessar as fronteiras desses países sem passaporte, essa liberdade revelou ser proveitosa para a realização de congressos. Por causa das grandes distâncias que separam a Finlândia dos outros países escandinavos, não foram programados grandes congressos internacionais na Finlândia até 1965, quando um congresso para os suecos e os finlandeses juntos foi realizado no Estádio Olímpico de Helsinque. Isto foi repetido em 1973. E nos anos de 1978 e 1983, usou-se para dois congressos internacionais o Salão de Exposições de Helsinque. Esses congressos ampliaram o conceito dos irmãos finlandeses de modo excelente e mostraram que as fronteiras nacionais não são um obstáculo para a união cristã.

As assembléias de circuito costumavam ser realizadas nos auditórios de várias escolas. Tornou-se mais difícil na década de 70 contratar dependências de escolas. Portanto, em 1975, fez-se a decisão de construir um Salão de Assembléias, próprio, na cidade de Hämeenlinna, no sul da Finlândia. Comprou-se um prédio industrial, parcialmente terminado, que foi transformado num conveniente Salão de Assembléias com 1.200 assentos. As assembléias começaram a ser realizadas neste local em março de 1978. Dez anos mais tarde, em 1988, comprou-se outro salão, este na parte norte da Finlândia, e a primeira assembléia ali foi programada para novembro de 1989.

A Tradução do Novo Mundo e o Nome Divino

O idioma finlandês se tornou uma língua escrita só no século 16, e o “Novo Testamento” foi um dos primeiros livros a serem impressos em finlandês, em 1542. Desde essa época, é tradicional entre o povo finlandês possuir a Bíblia em casa. Em 1975, depois de grande esforço, publicou-se em finlandês a Tradução do Novo Mundo das Escrituras Gregas Cristãs.

Todavia, a Tradução do Novo Mundo não foi a primeira edição da Bíblia a usar o nome de Jeová. A primeira Bíblia em finlandês já trazia o nome em suas notas marginais. Também, o índice da Velha Bíblia da Igreja, de 1776, continha o nome divino. Não obstante, alguns sacerdotes tinham forte preconceito contra o nome, dizendo falsamente que a forma “Jeová” foi inventada pelas Testemunhas de Jeová.

Portanto, imagine o choque dos paroquianos e também dos sacerdotes quando a palavra Jehova foi descoberta acima do altar de uma igreja em Kuhmoinen depois de se remover a tinta durante renovações feitas em 1985. Ver o nome divino era demais para o conselho paroquiano. Decidiram cobrir de novo o nome.

O nome Jeová aparecia em moedas finlandesas, cunhadas no início do século 17. Alguns famosos autores finlandeses também usaram o nome Jeová em suas obras. É bem interessante que o nome de Deus em letras hebraicas aparece em muitas das mais proeminentes igrejas da Finlândia. Os mais notáveis defensores do nome de Jeová, porém, têm sido as Suas Testemunhas.

Ampliação das Dependências da Filial

O constante aumento no número de proclamadores do Reino tornou necessário ampliar diversas vezes as dependências da filial. Por exemplo, depois de decorridos dez anos após a construção da filial em 1962, havia muita necessidade de mais espaço. A impressão das revistas aumentou de 2,3 milhões anualmente para 3,7 milhões. Os livros publicados aumentaram de 40.000 por ano para mais de 200.000. Ao todo, a Finlândia imprimiu 562.000 exemplares só do livro A Verdade Que Conduz à Vida Eterna — cerca de um livro para cada três lares na Finlândia. Portanto, em 1973, acrescentou-se mais espaço, a saber, 2.200 metros quadrados, para o Departamento de Expedição e para depósito.

A família de Betel vem também crescendo, ano após ano, de modo que em 1977 foram acrescentados mais 20 dormitórios. Depois, nos anos de 1984 até 1986, foram feitas novamente grandes ampliações na gráfica e nos alojamentos. Construiu-se também um Salão do Reino separado com 300 assentos.

Nova Tecnologia em Uso

Além da ampliação das dependências da filial, ocorreu uma transformação também na tecnologia da impressão. “Demos um grande passo à frente quando mudamos da impressão tipográfica em duas cores para a impressão off-set em quatro cores”, relembra Heikki Kankaanpää, o superintendente da gráfica. “Os irmãos na Finlândia são gratos ao Corpo Governante por concederem permissão de comprar a prensa off-set de alimentação por folhas, de cinco unidades. Desde o início de 1981, imprimimos as revistas em quatro cores — uma das primeiras filiais a fazer isso. Isto aumentou grandemente a distribuição das revistas.”

“Na primavera de 1985, recebemos o computador e o sistema de fotocomposição MEPS, projetados pela Torre de Vigia (EUA). A segunda prensa off-set de alimentação por folhas, de cinco unidades, Miller-Johannisberg, fabricada na Alemanha, foi instalada em 1988. Isto dobrou nossa capacidade de impressão.”

As Expectativas Nesta Terra de Milhares de Lagos

No decorrer dos anos, as Testemunhas de Jeová têm-se mantido ocupadas na pregação das boas novas do Reino na Finlândia. De modo que a luz da verdade bíblica tem brilhado fortemente nesta terra de milhares de lagos. A proporção de publicadores para a população é uma das mais favoráveis da Europa. Em anos recentes, o aumento não tem sido dos maiores, mas o número de publicadores vem crescendo constantemente.

O nível de vida na Finlândia mudou consideravelmente para melhor. Em sentido espiritual, porém, a situação entre o povo piorou de vários modos. O interesse em empreendimentos materialistas destruiu o amor de muitos pelo próximo e seu interesse pelas coisas espirituais. As normas morais sofreram decadência. A vida agitada na cidade e a fácil disponibilidade de entretenimento mundano minaram de modo geral os hábitos de leitura das pessoas.

Embora a grande maioria do povo na Finlândia ainda pertença à Igreja Luterana, esta foi abalada recentemente por muitas crises. Depois de uma longa batalha dentro da igreja, as mulheres foram aceitas em 1986 como sacerdotisas. Muitos sacerdotes demonstraram publicamente que não têm genuína fé na Bíblia nem nas suas doutrinas e princípios morais. As pessoas sinceras ficam chocadas com esses desenvolvimentos. Por outro lado, os do povo de Jeová apegam-se firmemente aos princípios cristãos, o que faz com que se destaquem das outras religiões. Muitos percebem a diferença. Estudando a Palavra de Deus com as Testemunhas de Jeová, serão ajudados a enxergar a verdadeira luz da verdade.

Há oito séculos, quando os cruzados da antiguidade assolaram a Finlândia, certamente não trouxeram consigo as boas novas do Reino de Deus nem a luz da verdade bíblica. Nesse século 20, porém, Jeová triunfou, fazendo com que se cumpram suas profecias, e estas boas novas sejam declaradas pelas suas atarefadas e operosas Testemunhas. Por meio de mais de 17.000 pacíficos publicadores do Reino, a verdade irradia em todo este país cercado de milhares de ilhas e pontilhado de milhares de lagos claros como cristal e com densas florestas verdes.

[Nota(s) de rodapé]

a Quanto à história da vida de Otto Mäkelä, veja A Sentinela, de 1.º de outubro de 1969, páginas 599-603.

[Foto na página 141]

Emil Österman foi a primeira Testemunha na Finlândia.

[Foto na página 143]

Kaarlo Harteva, que deu um vigoroso início à obra.

[Fotos na página 147]

O primeiro escritório da filial em Helsinque. “Saarnoja kansalle”, uma das primeiras publicações em finlandês.

[Foto na página 150]

Joseph F. Rutherford no parque Kaisaniemi, onde deu seu primeiro discurso público ao ar livre, em 1913.

[Foto na página 154]

Eero Nironen, que serviu como tradutor por uns 60 anos.

[Foto na página 157]

Otto Mäkelä, que serviu por muitas décadas como viajante e na filial.

[Foto na página 161]

William Dey, superintendente do Escritório da Europa Setentrional.

[Foto na página 164]

Irmãos no serviço de campo com fonógrafos e megafones.

[Foto na página 170]

Kalle Salavaara aprendeu a verdade num hospital militar.

[Foto na página 176]

Cortejo em Helsinque, para informar sobre um discurso público, em abril de 1945.

[Foto na página 181]

N. H. Knorr e M. G. Henschel em 1955, uma das muitas visitas para dar encorajamento aos irmãos.

[Fotos na página 185]

Filial da Finlândia e vista da portaria de Betel.

[Foto na página 186]

Atual Comissão de Filial, em sentido horário: H. Kankaunpää, V. Leinonen, E. Kanknanpää, K. Kangas, J. Ropponen.

[Mapa/Quadro na página 139]

(Para o texto formatado, veja a publicação)

FINLÂNDIA

NORUEGA

SUÉCIA

Círculo Ártico

Golfo de Bótnia

Ivalo

Sodankylä

Rovaniemi

Oulu

Iisalmi

Vaasa

Kuopio

Kuhmoinen

Hämeenlinna

Mäntyharju

Lahti

Turku

Kotka

Vantaa

Helsinque

Hanko

UNIÃO SOVIÉTICA

[Quadro]

Capital: Helsinque

Idiomas oficiais: Finlandês e sueco

Religião principal: Evangélica Luterana

População: 4.954.000

Filial: Vantaa

[Tabela na página 191]

(Para o texto formatado, veja a publicação)

Finlândia

Auge de Publicadores

20.000

17.303

13.426

10.620

8.290

4.354

1950 1960 1970 1980 1989

Média de Pioneiros

3.000

2.037

952

671

285

207

1950 1960 1970 1980 1989

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