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  • yb80 pp. 232-255
  • Senegal e países vizinhos

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  • Senegal e países vizinhos
  • Anuário das Testemunhas de Jeová de 1980
  • Subtítulos
  • SEMENTES DA VERDADE SÃO PLANTADAS
  • COMEÇA A ATIVIDADE MISSIONÁRIA
  • COMEÇA O CRESCIMENTO
  • SURGE OPOSIÇÃO
  • INTENSIFICAMOS NOSSOS ESFORÇOS
  • ESFORÇO PARA OBTENÇÃO DE RECONHECIMENTO LEGAL
  • A OBRA SE ESTABELECE MAIS SOLIDAMENTE
  • EXPANSÃO DE NOSSO CAMPO DE ATIVIDADE
  • A OPOSIÇÃO NÃO OS DETÉM
  • O INÍCIO DA OBRA EM GÂMBIA
  • OS CLÉRIGOS CLAMAM
  • AS “BOAS NOVAS” CHEGAM AO MÁLI
  • OS PRIMEIROS ESFORÇOS NA MAURITÂNIA
  • MAIS PROGRESSO NO SENEGAL
  • AS ASSEMBLÉIAS “PAZ NA TERRA”
  • ENTRAMOS NOS ANOS 70
  • UMA ASSEMBLÉIA EXCEPCIONAL
  • UMA OLHADA NO NOSSO PROGRESSO
  • “DE ALDEIA EM ALDEIA”
  • A FÉ QUE SUSTÉM
  • FÉ ATIVA ENTRE OS GAMBIANOS
  • OS CRISTÃOS DO MÁLI RECEBEM RICAS BÊNÇÃOS
  • CONTINUAMOS A CHAMAR OS “SEDENTOS”
Anuário das Testemunhas de Jeová de 1980
yb80 pp. 232-255

Senegal e países vizinhos

O Senegal é um país de contrastes. Situado na extremidade ocidental da grande protuberância da África, é constantemente varrido pelos ventos abrasadores do deserto do Saara, ao norte, ou pelas brisas frescas do Oceano Atlântico ao oeste e ao sul. O imenso deserto de areia, ao norte, pouco a pouco dá lugar às regiões úmidas, semelhantes a selvas, do distrito meridional. Mas os contrastes não terminam aqui. Encontram-se igualmente no povo e na sua origem, nos costumes e nas religiões.

As tribos nômades do norte da Mauritânia, pelo que parece atraídas pelo grande rio Senegal, cujas águas sustêm a vida, abriram caminho gradualmente em direção ao sul por volta do século onze da Era Comum, levando consigo seu idioma árabe e seus costumes, bem como sua religião muçulmana. Eram os berberes, ou zenagas, este último termo dando sem dúvida origem ao nome “Senegal”. Mas os descendentes de Cã que também emigraram para o continente africano, foram igualmente atraídos por esta terra de contrastes. Encantadas por um clima mais moderado e brisas refrescantes do oceano, as tribos africanas do sul avançaram pouco a pouco em direção ao norte, estabelecendo-se nos férteis vales dos rios Casamance e Gâmbia. Levaram consigo seus costumes, suas línguas e sua religião animista. Pela fusão gradual desses dois grupos étnicos diferentes, que se encontraram numa terra que liga o ardente deserto, ao norte, com a quente e úmida selva do interior, foi lançado o alicerce de uma nova nação e novo povo. Viria a ser mais tarde a República do Senegal.

Todavia, outros olhos se voltaram para esta terra estranha, mas cativante. Assim chegaram em 1455 os primeiros europeus. Foi então que o explorador veneziano Ca Da Mosto (comissionado por Henrique, príncipe de Portugal) pôs os pés no cabo rochoso que se projeta no Atlântico. Conhecido hoje por Cabo Verde, é onde se acha atualmente a cidade de Dacar, a capital, a porta da África Ocidental. Os europeus introduziram novos costumes, novas línguas e, com efeito, uma religião diferente, aumentando assim os contrastes que já existiam aqui.

No século dezesseis começou aqui o tráfico de escravos, cujo objetivo era fornecer mão-de-obra barata para as plantações nas Américas. Os holandeses se estabeleceram na Goréia, uma ilha próxima, e logo comerciantes espanhóis, portugueses, ingleses, holandeses e franceses visitaram regularmente a costa ocidental da África. Em 1635, chegaram os missionários católicos que abriram caminho em certas partes do país para as potências coloniais. A cobiça egoísta resultou logo em conflitos e em guerra, os franceses obtendo finalmente a vitória em 1817. Seguiu-se então a verdadeira colonização do Senegal.

SEMENTES DA VERDADE SÃO PLANTADAS

Em 1914, enquanto os poderes mundiais disputavam o domínio da África, o amoroso Criador, Jeová Deus, estabeleceu seu governo celestial, que no devido tempo libertará os oprimidos e trará consolo a todas as raças. Mas quando chegariam até o Senegal estas boas novas do reino estabelecido? Foi em 1951 que penetraram neste país os primeiros raios da luz espiritual. Uma Testemunha de Jeová, que trabalhava nessa época numa firma comercial, pôde passar seis meses neste país. Deixou brilhar a sua luz? Certamente! No pouco tempo que permaneceu no Senegal, lançou diligentemente as primeiras sementes da verdade.

Mas para crescerem, as sementes plantadas precisam de água e de cultivo. (1 Cor. 3:5-9) Quem mais iria a esta terra do sol quente e das chuvas refrescantes para ajudar as sementes a criar raízes e crescer? Quem estaria disposto a deixar os confortos de seu lar para ir a uma terra nova, estranha em muitos respeitos, para consolar as almas deprimidas? Como os amigos da verdade se regozijaram quando em 1953 um proclamador do Reino, de tempo integral, atendeu à chamada e foi enviado ali pela Sociedade Torre de Vigia!

Será que as autoridades coloniais acolheriam bem estes sinceros esforços de levar a mensagem de paz e esperança ao povo faminto da verdade? Ao contrário. Este primeiro pioneiro especial teve de entrar no Senegal como representante de uma firma têxtil. Ele observa: “No início, até certo ponto foi difícil suportar o isolamento, viver sem companhia cristã e sem reuniões. Mas a obra de pregação me manteve ocupado, e logo achei pessoas que estavam dispostas a escutar.”

O povo do Senegal é caloroso e hospitaleiro. Vivendo numa terra de religiões contrastantes, as pessoas em geral gostam de falar sobre religião. Como cerca de 80 a 90 por cento dos habitantes são muçulmanos, surgem muitas perguntas sobre diferenças entre a Bíblia e o Alcorão, e essas perguntas levam amiúde a sérias palestras. Mas já havia oposição naqueles dias de pequenos começos. Grande quantidade de nossas revistas foi distribuída numa região do Senegal naquele ano, e essa atividade suscitou a ira do clero da cristandade, que temia que seus pastos fossem despojados. Todavia, apesar da interferência oficial, das ameaças de multas, de prisão e expulsão, a obra criou raízes. Suscitou-se interesse que foi cultivado.

Por exemplo, um barbeiro português recebeu testemunho em 1953. Aceitou o livro “Está Próximo o Reino”, fez bom progresso e logo começou a assistir às pequenas reuniões que haviam sido organizadas na casa de uma pessoa interessada na verdade. Qual seria o resultado? Pois bem, ele veio a ser o primeiro publicador de congregação no Senegal. Mas, desde 1953, esta semente vem produzindo frutos abundantes, e 17 membros de sua família glorificam agora ativamente o nome de Jeová.

Em 1954, um casal de pioneiros especiais chegou com o fim de dar mais ajuda. Além do problema de se adaptarem ao clima, aos costumes e à alimentação, esses primeiros pioneiros enfrentaram outras dificuldades. Muitas das pessoas com quem entravam em contato não sabiam ler francês (a língua nacional) e foram gastas muitas horas para lhes ensinar primeiro a ler e daí ajudá-las a entender a Bíblia. Mas com muita paciência e a bênção de Jeová, a obra começou a se implantar. A mensagem do reino de Deus começava a se fazer sentir no Senegal.

Por exemplo, em 1954, havia três grupos de estudo bíblico no Senegal, a assistência, em média, sendo de 20 pessoas. Durante a pregação de casa em casa aqui, entrou-se em contato com pessoas da Goréia, e soube-se que a maioria dos residentes dessa ilha havia lido nossa literatura. Com efeito, vinham falando a outras pessoas que ela continha a verdade absoluta. Por conseguinte, embora não se tivesse trabalhado de casa em casa na Goréia, “esta ilha já havia recebido o testemunho”, escreveu um proclamador do Reino.

COMEÇA A ATIVIDADE MISSIONÁRIA

Em 1955 houve mais aumento. No dia 15 de maio, o pequeno grupo ficou maravilhado ao ver que mais seis pessoas tomavam posição a favor de Jeová. Perto do fim do ano, houve mais um atendimento à ‘chamada de Macedônia’. (Atos 16:9) Jean Queyroi, diplomado da Escola Bíblica de Gileade da Torre de Vigia, chegou ao Senegal e nossa obra ficou mais solidamente estabelecida.

Mas que espécie de território aguardava esse missionário? Como era o povo aqui? Como reagiria à mensagem do Reino?

Muitas coisas haviam mudado no Senegal desde o começo do século onze, quando nômades árabes da Mauritânia descobriram as refrescantes águas do rio Senegal, ou as tribos emigrantes da África se estabeleceram pela primeira vez ao longo dos rios Casamance e Gâmbia. No decorrer dos séculos seguintes, diversas tribos se desenvolveram nesta terra de contrastes.

A mais populosa é a dos uolofes, que são uma raça de pessoas de estatura grande e imponente e que usam roupa de cores vivas. Os homens usam calças largas e um boubou, uma grande veste que vai até o chão, ostentando deslumbrantes cores. As casas dos uolofes são na maioria quadradas e feitas de palha ou argila. A poligamia é muito comum entre eles. Há também os sereres, cuja ocupação principal é a agricultura, o cultivo de milho-painço e amendoim. Os peúles (fulas) são, segundo se pensa, descendentes de casamentos entre os berberes e as tribos africanas locais, e são geralmente criadores de gado. A tribo dos tuculeros foi a primeira a adotar a religião muçulmana. E há os saracolés (soninqués), os mandingas e os diúlas, que são os plantadores de arroz e comerciantes.

Embora quase todos os residentes do Senegal afirmem ser ou muçulmanos ou católicos, em todas as partes está presente obviamente a prática das antigas religiões animistas. Os grigris, ou amuletos para dar sorte, são vistos presos aos braços, à cintura, às pernas e aos tornozelos, ou entrelaçados no cabelo das pessoas. Amiúde, tais artigos são pendurados no pescoço das ovelhas, cabritos e até mesmo dos cavalos. Grandes somas de dinheiro são pagas para que esses amuletos sejam benzidos para proteger o portador contra os espíritos maus ou para conservar a afeição de um marido ou de uma esposa. O Senegal era realmente uma terra de contrastes que aguardava os zelosos servos de Jeová — uma terra de matas e de florestas; de pássaros selváticos e animais ferozes; de águas claras e refrescantes e de regiões infestadas de malária; de amendoim e de arroz; de óleo e de têxteis; de criadores de gado e de pescadores que usam redes para pescar, de exóticos vilarejos africanos e da grande capital moderna, Dacar, com mais de 798.700 habitantes.

O missionário Jean Queyroi tinha muito para fazer quando apareceu no cenário em 1955. Ele observa: “Havia apenas um pequeno grupo isolado no Senegal quando eu cheguei. Mas encontrei um território maduro para a colheita. E que variedade! Dacar é uma grande cidade cosmopolita, com senegaleses, guineenses, malienses, togoleses, daomeanos, mauritanos, libaneses e sírios, bem como portugueses e outros europeus, especialmente franceses. Havia um grande trabalho à frente. A população muçulmana não mostrou muito interesse na verdade, mas sempre deu ouvidos. Logo foram iniciados estudos bíblicos e o povo começou a desenvolver interesse pela verdade.”

Uma dificuldade que as primeiras Testemunhas encontraram foi conseguir suficientes publicações bíblicas no país para uso no serviço de campo. Todos os livros e publicações tinham de ser enviados pelo correio em pacotes pequenos, e, toda vez que passavam pela alfândega, a situação era delicada. Ocasionalmente, um agente zeloso da alfândega abria um pacote e ao ver todas as publicações, fazia muitas perguntas. Diversos pacotes foram confiscados deste modo.

COMEÇA O CRESCIMENTO

Embora o verdadeiro cristianismo estivesse aqui ainda nos seus dias de pequenos começos, a organização amorosa de Jeová não passou por alto o pequeno núcleo que se desenvolvia neste país. Com grande alegria e emoção, esses árduos proclamadores do Reino se prepararam para a visita de um diretor da Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados de Pensilvânia (EUA) M. G. Henschel acompanhado de Harry Arnott. Além disso, tiveram o privilégio e as alegrias adicionais das assembléias de 1955! Seis dos discursos principais dos congressos foram proferidos pelos irmãos visitantes numa assembléia de três dias, de 5 a 7 de dezembro de 1955, para apenas um pequeno grupo de publicadores. Em resultado desta visita, formou-se uma congregação em Dacar, a primeira no Senegal. Relatou um auge de 18 publicadores durante o ano de serviço de 1956.

Quão emocionados ficamos de ver 42 pessoas presentes à Comemoração de 1957! Naquele ano, houve um auge de 22 publicadores, um aumento de 50 por cento sobre o ano anterior. Naturalmente, durante esse período, o Senegal ainda era colônia francesa, e havia muitos franceses que trabalhavam aqui. Entrou-se em contato com tais, e diversos deles empreenderam a obra de pregação. Mas, como não permaneceram no Senegal, só contribuíram com aumento temporário na congregação local, regressando à França depois de um curto período.

Foi em 1956 que se entrou em contato com uma família que mais tarde desempenharia um papel importante no desenvolvimento dos interesses do Reino nesta terra de contrastes. Iniciou-se um estudo com uma jovem senhora católica, e pouco depois o marido também começou a estudar — um homem proeminente na administração de impostos do governo local. Eles eram de famílias bem conhecidas em Dacar e São Luis. Muitos pontos doutrinais precisaram ser elucidados, mas a verdade produziu com o tempo bons resultados. O marido costumava fumar muitíssimo, e no seu escritório, em cima de sua escrivaninha, havia uma série de cachimbos, não se mencionando os isqueiros, os cartuchos de tabaco, etc. Daí, certo dia, não havia mais nada disso ali! “Sim”, disse ele com confiança, “eu os joguei todos fora. Para mim, já acabou — não fumo mais!” Certamente, foi um passo na direção certa!

A família inteira, corajosamente, tomou sua posição. E que agitação não causou isso em Dacar! “O quê! Os Fourcault vão tornar-se Testemunhas de Jeová? Que vergonha!” Como eles procediam de famílias bem conhecidas, havendo alguns membros em postos elevados, sua nova posição para com a verdade da Bíblia não agradou quase a ninguém. Resistindo a toda oposição, porém, progrediram rapidamente ao ponto de simbolizarem sua dedicação a Jeová pelo batismo em água. O resultado foi que, com o tempo, todos os membros da família se tornaram testemunhas ativas de Jeová.

SURGE OPOSIÇÃO

A obra progredia bem, mas não sem oposição por parte das autoridades. Certo dia, esforçando-se em alcançar outros territórios muito populosos do interior, nossos irmãos estavam trabalhando em Kaolack, uma cidade de mais de 106.800 habitantes, situada a uns 177 quilômetros de Dacar. Encontraram ali o comissário de polícia, e um missionário relembra: “Ele convidou-me a entrar, dizendo: ‘Sei o que está fazendo aqui. Siga-me!’ Levou-me para seu gabinete e mandou-me sentar. ‘Eu o conheço muito bem e tenho um dossiê sobre vocês’, disse ele. Parece que um irmão já havia sido expulso. ‘Ele era desta cidade e foi convidado a deixá-la porque estava fazendo o que você faz!’ exclamou o comissário, acrescentando: ‘Sua obra está banida aqui no Senegal. Vocês não podem pregar aqui.’ E eu estava sentado ali diante dele com uma sacola cheia de livros e folhetos que ele podia ver bem! Ele nos mandou voltar para Dacar e disse que tinha obrigação de nos denunciar. O que faríamos? Estávamos neste território virgem e não queríamos partir sem fazer algum trabalho. Portanto, fomos a outra parte da cidade e trabalhamos a manhã inteira no campo, colocando 55 livros e centenas de folhetos.” Felizmente, os irmãos não ouviram mais nada das autoridades. Mas nossa obra ficaria muitos anos sem reconhecimento legal.

INTENSIFICAMOS NOSSOS ESFORÇOS

Um casal de pioneiros assistiu à Assembléia Internacional da Vontade Divina na cidade de Nova Iorque, em 1958, e regressou com maior entusiasmo para edificar os novos irmãos. O irmão Wilfred Gooch nos visitou como superintendente de zona em janeiro de 1959, e seu excelente conselho foi grandemente apreciado pelas 31 pessoas que assistiram ao discurso principal. Entretanto, uma alegria foi seguida de outra, e foi assim que em fevereiro o irmão N. H. Knorr, então presidente da Sociedade Torre de Vigia, chegou ao Senegal pela primeira vez. Certamente, foi o evento mais importante até então no desenvolvimento de nossa obra nesta terra de variedades. Usufruímos quatro dias alegres, com um auge de assistência de 42 ouvintes atentos que estavam presentes para o discurso especial do irmão Knorr.

Jean Queyroi, que tinha o desejo de dar começo à obra em outros países de língua francesa da África Ocidental, foi enviado à Guiné em abril de 1959. Havia dois irmãos ativos em Conakry naquele tempo, e ele pôde fortalecê-los para a obra à frente, apesar de estarem isolados. Essa visita não foi, porém, sem emoção. Na mesma noite em que o irmão Queyroi desceu do avião em Conakry havia sérias dificuldades entre diferentes tribos, resultando na intervenção do exército. “Algumas pessoas foram mortas”, relembra o irmão Queyroi. “Outras ficaram feridas, e houve incêndios. Mas isto não nos impediu de no dia seguinte visitarmos as pessoas interessadas. Foram levantadas barricadas em algumas das ruas, e os habitantes estavam amedrontados. Todavia, as coisas se acalmaram ao ponto em que foi possível ajudar os dois irmãos fiéis a continuar sua obra pacífica de fazer discípulos não obstante as condições turbulentas.”

Em maio de 1959, a Sociedade pediu ao irmão Queyroi que visitasse as Ilhas do Cabo Verde, um grupo de ilhas então sob o protetorado português, situadas no Atlântico, fora da costa ocidental da África. Esta visita foi de grande benefício, visto que muitas pessoas que aceitavam a verdade no Senegal haviam emigrado dessas ilhas à procura de emprego. O irmão Queyroi levou consigo um irmão português de Dacar e, embora só conseguissem visitar uma dessas ilhas, entraram em contato com muitas pessoas interessadas e colocaram muitas publicações, a maior parte sendo distribuída grátis por causa da extrema pobreza. Nas ilhas não era como em Dacar onde há muitas religiões diferentes. Ali, a Igreja Católica ainda era muito poderosa e causava muito temor entre a população. Toda pessoa que passava em frente da igreja tinha de saudá-la; as mulheres tinham de se ajoelhar com um joelho tocando o chão, ao passo que os homens tinham de tirar o chapéu. Todos faziam o sinal da cruz. Apesar de tal forte domínio religioso, porém, os irmãos plantavam as sementes da verdade o melhor que podiam.

Até esse tempo, a maioria dos que sinceramente aceitaram a verdade bíblica no Senegal eram procedentes de Portugal e da França, sendo que a maioria destes últimos voltaram para a França depois de passarem um tempo limitado na África. Portanto, em 1960, houve um pequeno decréscimo, mas os que deixavam o país eram substituídos por outros interessados. De modo que o número dos publicadores na congregação permaneceu quase o mesmo.

Em 1960, o interesse amoroso da Sociedade levou-a a fazer arranjos para pioneiros africanos servirem ali, com o fim de entrarem melhor em contato com a população local. Muitas pessoas se agradavam de receber a visita de um europeu, ou toubab, nos seus lares, mas, em geral, nossa mensagem não era levada muito a sério. Em março desse ano, um pioneiro africano chegou de Camerum. Como ficou comovido com a calorosa acolhida que recebeu! Ele levava consigo todas as possessões que tinha no mundo numa só maleta ao descer ansiosamente do avião no aeroporto. Correram-lhe das faces lágrimas de alegria quando soube que os irmãos, em demonstração de apreço de sua chegada, haviam alugado um pequeno apartamento, mobiliando-o com uma cama, um fogão e os necessários utensílios de cozinha. Ele foi de grande ajuda em cuidar das pessoas interessadas senegalesas, que viam então que a verdade não era só para os toubab, mas também para os africanos. Naquele ano, os irmãos regozijaram-se de que 10 africanos estavam entre os 45 presentes à Comemoração.

Mas neste cativante país de contrastes, com seu clima que muda constantemente, podem surgir também problemas de saúde, conforme o irmão e a irmã Queyroi ficaram sabendo. Quão tristes se sentiram de ter de deixar seus irmãos e irmãs espirituais!

No começo de 1960, certamente ‘a colheita era grande, mas os trabalhadores eram poucos’ no Senegal. (Mat. 9:37, 38) Havia necessidade de mais trabalhadores. Quem responderia à chamada? No próprio mês de junho de 1960, quando um casal de servos de tempo integral partiu, outro casal de pioneiros desembarcou do navio no famoso porto internacional de Dacar. O irmão e a irmã Casimir Krawczyk relembram vividamente as primeiras impressões:

“Estávamos todo entusiasmados apesar da viagem um pouco difícil que acabávamos de fazer. Mas notamos um grande contraste — o calor! Será que nos adaptaríamos à mudança? Com a ajuda de Jeová, estávamos ansiosos de tentar isso.”

Trabalhando com o casal que estava para partir, o irmão e a irmã Krawczyk foram ajudados a se adaptar ao novo ambiente em que viveriam. Mas eles observaram: “Lembramo-nos de ter feito certo dia a observação de que era muito difícil trabalhar no território e especialmente fazer revisitas, porque, em certos lugares todas as casas pareciam ser exatamente iguais. Eram simples cabanas de madeira, apoiadas umas nas outras na areia quente. Mas alguém replicou que podíamos, pelo menos, ficar contentes de que as casas não mudavam de lugar — ficavam sempre no mesmo lugar. Com o tempo, a pessoa aprende a distinguir todas as moradias similares.”

ESFORÇO PARA OBTENÇÃO DE RECONHECIMENTO LEGAL

Um evento importante que influiu na vida de todo o povo, e que com o tempo teve conseqüências felizes sobre a obra de pregação, foi a concessão ao Senegal de sua independência do poder colonial da França em 1960. Já em 1958, fizemos as primeiras tentativas de legalizar nossa obra, mas sem êxito, devido à hostilidade das potências coloniais para com as Testemunhas de Jeová. Sendo então declarada a independência, fez-se uma segunda tentativa em 1961, mas novamente sem êxito, visto que as mesmas autoridades francesas ainda estavam na direção da Segurança Nacional. Quando o irmão M. G. Henschel fez uma parada em Dacar em 1963, ele nos incentivou a continuar a fazer esforços no sentido de legalizarmos nossa obra no Senegal. Esta terceira tentativa, em 1963, ficou sem resposta.

Daí, no começo de 1964, apresentamos nossa causa ao diretor dos assuntos políticos, que estava envolvido nas falsas acusações feitas contra nós — de que somos uma sociedade secreta que instiga a insubordinação, a hostilidade religiosa, e assim por diante. O diretor foi convidado a assistir às nossas reuniões e a vir sem ser esperado. As informações sobre nossa sujeição às “autoridades superiores” finalmente o convenceram de que as Testemunhas de Jeová respeitam a lei e a ordem. (Rom. 13:1-7) Outrossim, o irmão que cuidou do nosso caso assinou uma declaração no sentido de que todas as acusações feitas contra nós eram falsas. Um passo final foi visitar o Ministro do Interior. Assim, as autoridades senegalesas ficaram convencidas. Sua decisão de nos conceder reconhecimento legal foi certamente um crédito para o governo, pois as autoridades se recusaram a basear seu julgamento nas acusações de nossos inimigos, mas examinaram o caso com imparcialidade.

Estando então registrada a “Association les Témoins de Jéhovah”, podia-se fazer muito mais no sentido de se conseguir a entrada de mais publicações e trabalhadores adicionais no campo como os diplomados da Escola de Gileade, especialmente treinados. Quão evidente é que não só devemos orar para que as coisas aconteçam, mas também tomar a iniciativa para que Deus abençoe nossos esforços! E o braço de Jeová não tem sido curto. — Isa. 59:1.

A OBRA SE ESTABELECE MAIS SOLIDAMENTE

Por vários anos nossa obra aqui continuou sem a ajuda dos diplomados de Gileade, os primeiros precisando deixar o país. Quão proveitoso foi, pois, que o irmão George Amado chegou ao Senegal em 24 de setembro de 1963, e seria seguido pouco depois por outros missionários especialmente treinados! Abriu-se, então, pela primeira vez um lar missionário e diversos pioneiros especiais foram convidados a entrar no arranjo missionário embora não tivessem cursado a Escola de Gileade. Isto permitiu que mais servos de tempo integral permanecessem em suas designações.

Até então no Senegal, a obra de pregação do Reino tinha estado sob a direção da filial da Sociedade Torre de Vigia em Paris, França. Mas, para melhorar a supervisão de nossas atividades aqui, estabeleceu-se uma filial no próprio Senegal. Assim, em 22 de agosto de 1965, Emmanuel Paterakis, acompanhado de sua esposa, chegaram a este país de contrastes para gozarem do feliz privilégio de organizar a filial local. O início estava previsto para 1.º de setembro de 1965, e cuidaria também da obra de proclamação do Reino em Gâmbia, no Máli e na Mauritânia. Primeiro, era preciso encontrar um local adequado para a filial e lar missionário — uma tarefa nada fácil. Mas, com a bênção de Jeová e mediante perseverança, estabeleceu-se a filial local em Dacar.

EXPANSÃO DE NOSSO CAMPO DE ATIVIDADE

Em vista da urgência dos tempos, foram feitos arranjos para maior expansão da atividade de campo no Senegal. Outrora, quando as tribos africanas se estabeleceram ao longo do rio Casamance, acharam a região muito fértil, sendo uma terra de florestas e água, de arroz e milho-painço. Ziguinchor se tornou a capital da região de Casamance. Hoje, é uma próspera cidade de mais de 72.700 habitantes. E, assim como se tornou disponível aos primeiros colonizadores um abundante suprimento de água literal, também, em 1965, tornaram-se disponíveis as refrescantes ‘águas da verdade’ mediante outros “pioneiros” para o benefício do povo da região de Casamance. Dois pioneiros especiais foram designados para Ziguinchor, e acharam esta região predominantemente católica um campo produtivo para cultivo.

Mas o que dizer de outras áreas neste país de costumes e línguas diferentes? Estas também tinham de ser alcançadas. Quando um casal de missionários foi expulso do país do Máli, em setembro de 1965, foi designado para abrir um lar missionário em São Luís. Esta cidade de uns 88.400 habitantes se situa junto à foz do rio Senegal, uma importante via navegável que atraiu as primitivas tribos nômades a este país de contrastes. São Luís, situada em grande parte numa ilha, foi fundada em 1659, quando Luís XIV reinava na França, e foi outrora a capital da colônia francesa do Senegal. Hoje essencialmente muçulmana, esta cidade revelou ser um dos territórios mais difíceis de trabalhar para desenvolvimento. Todavia, os primeiros servos de tempo integral que trabalharam em São Luís iniciaram diversos estudos bíblicos, alguns dos quais mais tarde produziram frutos.

Thiès é uma cidade de uns 117.300 habitantes, situada a uns 64 quilômetros de Dacar, no interior. Em fins de 1965, foram feitos arranjos para o cultivo deste “campo”. Inicialmente, os dois primeiros pioneiros especiais tiveram dificuldades, visto que quase todas as ruas eram de areia vermelha, solta e poeirenta, e até mesmo caminhar era difícil, muito mais tentar usar bicicleta. Quão refrescante era um banho frio depois de muitas horas à procura de pessoas semelhantes a ovelhas entre os interessantes pequenos barracos e choças de palha!

Foram feitos arranjos para discursos públicos, filmes produzidos pela Sociedade foram exibidos e iniciaram-se estudos bíblicos. Dois missionários designados a Thiès aumentaram as fileiras dos trabalhadores da “colheita”. Mas houve dificuldades também — oposição de fora e, devido à conduta irrefletida de alguns, problemas internos. Foram tomadas medidas corretivas e estas produziram bons resultados. Há atualmente 13 publicadores do Reino em Thiès, que são ajudados por missionários designados agora ali.

A OPOSIÇÃO NÃO OS DETÉM

Certa senhora católica escolhera unir-se aos protestantes porque estes estavam mais inclinados a ler a Bíblia. Logo ela compreendeu que, embora fizessem mais leitura da Bíblia, não faziam nada para ajudar as pessoas a entender as Escrituras. Anos mais tarde, seu marido muçulmano apareceu em casa com três folhetos que adquirira de uma Testemunha de Jeová. Ele escarnecia da declaração de que Deus tem Filho. Todavia, a esposa dele, ao ler os folhetos, reconheceu a voz da verdade e escreveu à Sociedade pedindo ajuda. Não obstante muita oposição da parte do marido, esta sincera buscadora da verdade junto com sua filha jovem, fizeram esforços de estudar a Bíblia. O marido, indignado, enviou a filha de 17 anos de idade ao Líbano para que aprendesse e praticasse a religião muçulmana. Qual foi o resultado? Ela regressou totalmente convicta de que as Testemunhas de Jeová estão com a verdade!

Tanto essa moça como sua mãe foram expulsas de casa pelo pai irado. Mas isto não deteve nenhuma das duas de se batizarem em símbolo de sua dedicação ao “Deus de paz”. (Fil. 4:9) Não obstante as muitas provações, não vacilaram na fé, mas se tornaram as primeiras publicadoras do Reino em Rufisque, uma pequena cidade a diversos quilômetros abaixo da costa de Dacar.

O INÍCIO DA OBRA EM GÂMBIA

Em 1965, a recém-estabelecida filial em Dacar começou a cuidar da obra do Reino em Gâmbia, o pequeno país que se parece com um focinho de crocodilo mordendo o Senegal pelo meio. Aparentemente, é só devido à sua ocupação pelas potências coloniais que Gâmbia existe como país separado do Senegal, pois sua origem e seu povo são os mesmos. Visto que foram os ingleses que penetraram primeiro neste país que abraça o poderoso rio Gâmbia, o idioma inglês, e não o francês, veio a ser a língua falada por muitos da população local. Em 1816, o Capitão Alexander Grant fundou a cidade de Bathurst, que desde então se tornou a capital, com 50.000 habitantes. Gâmbia é o lar de cerca de 493.000 pessoas.

É muito difícil determinar a época em que as “boas novas” foram pregadas pela primeira vez em Gâmbia. Os irmãos que trabalharam em Bathurst (atualmente Banjul) encontraram pessoas que têm os livros Estudos das Escrituras, escritos pelo irmão C. T. Russell. Estas publicações foram provavelmente deixadas por “Bíblia” Brown, uma testemunha de Jeová que há anos serviu em Gâmbia por algum tempo. Ou essa literatura foi talvez levada para lá de Serra Leoa.

Em 1949, dois proclamadores do Reino, de tempo integral, entraram em Gâmbia. Naquele ano, havia considerável atividade, dois missionários e um publicador de congregação relatando a colocação de mais de 1.000 peças de literatura e oito estudos bíblicos dirigidos. Esses primeiros missionários permaneceram quase quatro anos; depois de partiram, o punhado de publicadores locais serviu por diversos anos sem ajuda de pioneiros. Todavia, em 21 de dezembro de 1958, Samuel Akinyemi, diplomado de Gileade, e sua esposa foram designados para Gâmbia. Deixaram a família e amigos na Nigéria, ansiosos de empreender o trabalho que se lhes apresentava. Durante esse período Gâmbia estava sob a direção da filial de Gana, da Sociedade.

O trabalho diligente de um pequeno núcleo de dois pioneiros especiais e dois publicadores de congregação produziu logo bons frutos, pois relatou-se um auge de nove publicadores que fizeram serviço de campo em 1959. As visitas regulares de superintendentes de zona e de circuito contribuíram muito para edificar a fé e fortalecer a organização. Embora 41 pessoas assistissem à Comemoração da morte de Cristo naquele primeiro ano, eram fortes os vínculos de Babilônia, a Grande, o império mundial da religião falsa, e as superstições e práticas antigas estavam profundamente arraigadas. Poucos aceitaram a verdade, e Gâmbia tem revelado ser uma designação bastante difícil para os proclamadores do Reino.

OS CLÉRIGOS CLAMAM

Os clamores de angústia dos falsos pastores religiosos da cristandade começaram logo a ser ouvidos em todo o país. Estavam fazendo grandes esforços para apagar a luz da verdade que começava então a brilhar. (Sal. 43:3) Apenas 10 meses depois da chegada do irmão e da irmã Akinyemi, a saber, em 16 de outubro de 1959, eles foram avisados pela polícia local de que eram considerados estrangeiros indesejáveis e tinham o prazo de 14 dias para deixar Gâmbia. Qual era a razão de tal ação? Eram “Testemunhas de Jeová”. Era tudo! Mas o caso foi levado perante o tribunal para se “defender e estabelecer legalmente as boas novas”, e os irmãos foram abençoados com a vitória, habilitando os pioneiros especiais a permanecer em Gâmbia. — Fil. 1:7.

O clero anglicano ameaçou o proprietário de um cinema local onde nossas reuniões eram realizadas. Recusando ser intimidado, o homem declarou: “Essa gente fala de Deus, não do Diabo. Portanto, por que mandá-los embora, se eu mesmo sou homem de Deus? Não! Recuso-me a obedecer aos sacerdotes!”

Em dezembro de 1960, a obra do Reino em Gâmbia veio a estar sob a direção da filial da Sociedade em Serra Leoa. As visitas regulares dos superintendentes viajantes revelaram ser muito edificantes em sentido espiritual e resultaram num auge de 15 publicadores em 1961.

Nos anos de 1961 e 1962 houve ação jurídica no cenário, pois as autoridades tendiam a qualificar as Testemunhas de Jeová de estrangeiros indesejáveis. Dois casos que envolveram dois pioneiros especiais de Serra Leoa e um superintendente de circuito em visita, foram levados perante a Corte Suprema e as decisões foram em nosso favor — uma prova evidente de que Jeová estava sustentando seus servos! Assim, permaneceu aberta a porta para atividade intensificada.

Outro passo para a frente foi a formação, em 1962, da primeira congregação gambiana do povo de Jeová. Também, a lei que declarava as Testemunhas de Jeová estrangeiros indesejáveis foi anulada, dando aos irmãos maior liberdade e paz mental. Daí, em setembro de 1965, a filial recém-organizada no Senegal começou a cuidar das necessidades dos irmãos em Gâmbia. Naquele mesmo ano visitas regulares de superintendentes de circuito do Senegal ajudaram a desenvolver as atividades teocráticas em Gâmbia. Era muito mais perto para as Testemunhas em Gâmbia assistir a assembléias de circuito e de distrito em Dacar, onde se preparou para elas um programa especial em inglês.

Tendo sido anulada a lei que qualificava as Testemunhas de Jeová de estrangeiros indesejáveis, seria então possível a entrada de nossos missionários ali, para darem ajuda? Fez-se esforço neste sentido em 1967, mas sem êxito. As autoridades baixaram um decreto que limitava a três o número de representantes estrangeiros que as Testemunhas de Jeová podiam ter em Gâmbia. Não obstante os esforços diligentes da Sociedade e dos irmãos locais para a suspensão de tal decreto, nenhum missionário ou servo de tempo integral tem podido entrar em Gâmbia para apoiar a pequena congregação em Banjul.

AS “BOAS NOVAS” CHEGAM AO MÁLI

O terceiro país da África Ocidental que veio a estar sob os cuidados da filial da Sociedade no Senegal foi o Máli. Uma enorme extensão de terra sem saída para o mar, que penetra profundamente no Deserto do Saara e que faz fronteira ao norte com a Argélia, o Máli é um país de areias — areia quente e poeirenta sob um sol abrasador — principalmente nas regiões setentrionais do Sael e do Saara. Todavia, as regiões meridionais, especialmente a parte que é irrigada pelo majestoso rio Níger, são verdejantes, com algumas florestas e luxuriante vegetação. A linda capital de Bamaco se situa em ambas as margens do rio Níger.

Os 5.000.000 de habitantes do Máli, variando desde os árabes brancos, nômades do deserto, até os tribais africanos de pele escura, são um povo amigável e hospitaleiro, contrastando-se fortemente com o inóspito deserto ao seu redor. As primeiras “águas” da verdade começaram a fluir no Máli em 1962, quando a Sociedade convidou quatro irmãos ganenses para desbravarem o campo ali. Depois de um ‘curso intensivo’ da língua francesa, em Abidjan, Costa do Marfim, o irmão Ewuley Sarpey e seus três companheiros aguardavam com entusiasmo sua nova designação. Seria muito diferente de Gana?

Certamente revelou ser! De início, o sol ardente parecia quase insuportável, mas os quatro proclamadores do Reino aprenderam logo a aproveitar as horas mais frescas do dia. As reuniões para o serviço de campo eram realizadas às sete horas da manhã. Depois de cerca de três horas de serviço, em que caminhavam penosamente sobre areia solta e escaldante, era hora de ir buscar proteção mais fresca em casa para descansar comer e tirar uma sesta tão necessária antes de se preparar para sair ao campo novamente às quatro horas da tarde. Amiúde, a obra continuava até as horas mais avançadas depois do anoitecer, que eram mais frescas.

Dois desses pioneiros regressaram a Gana em 1964. Para os substituir, os pioneiros especiais René Peyronnet e sua esposa foram convidados a deixar sua designação na Argélia e ir ajudar a obra no Máli. Mas o clima pode ser difícil de suportar e, depois de alguns meses, surgiram problemas de saúde que os obrigaram a voltar para a França. Foram substituídos, em 10 de maio de 1964, pelo irmão e a irmã Lucien Frizon, que foram designados para a cidade de Bamaco.

Os habitantes de Bamaco viviam em pequenos pátios, cheios de diversas famílias bem juntas, amiúde partilhando as mesmas pequenas habitações. Os animais domésticos andavam soltos juntos às mulheres empenhadas em conversar ao mesmo tempo em que preparavam uma refeição. E, no meio de toda essa agitação, como que num outro mundo, podia-se observar um idoso muçulmano sentado sobre uma esteira de palha, debaixo de uma mangueira, com uma chaleira de água ao seu lado. A água servia para suas abluções antes de fazer suas orações. Não era fácil penetrar no pensamento de tais pessoas.

Era no meio deste cenário primitivo que tinham de ser proclamadas as “boas novas”. Os pioneiros oraram a Jeová para os ajudar por meio de seu espírito e se puseram a trabalhar. Serviram fiel e incansavelmente, dia após dia, declarando a mensagem de paz e de consolo. No verão de 1965, outro casal de pioneiros especiais se uniu a eles. Todavia, a mensagem do reino de Deus não era bem acolhida por todos, e as autoridades não tardaram em causar interferências. Em setembro de 1965, quando a obra de pregação do Reino acabava de ser colocada sob a supervisão da recém-estabelecida filial do Senegal, os quatro pioneiros especiais foram expulsos do Máli. Todos foram designados de novo para o Senegal.

Mas o Adversário não conseguiu queimar as sementes da verdade que foram plantadas e que então brotaram no Máli. O irmão Sarpey permaneceu no Máli e continuou a servir fielmente ali como pioneiro especial, fazendo provisões ao mesmo tempo para a esposa e dois filhos. O irmão John Ansah, que era então pioneiro regular muito zeloso, foi de grande ajuda nesse tempo crítico, devido à sua amizade com homens em autoridade. Que bênção é para nossa obra que o irmão Ansah continua no serviço de tempo integral, agora como pioneiro especial! Deveras, serve de excelente exemplo de paciência e perseverança!

OS PRIMEIROS ESFORÇOS NA MAURITÂNIA

A obra de proclamação das “boas novas” na República Islâmica da Mauritânia, esparsamente povoada, é também supervisionada pela filial da Sociedade em Dacar. Em 1956, foram recebidos os primeiros relatórios de pregação desse território. Isto indicava a existência de um pequeno oásis espiritual para os habitantes do deserto naquele país. A população, composta essencialmente de tribos árabes, nômades, tem poucas comodidades modernas, e o camelo ainda é o principal meio de transporte. O idioma oficial é o francês, embora o árabe seja a língua nacional e seja falado pela maioria dos habitantes. A atitude das autoridades para com nossa obra é muito desfavorável, de modo que não é fácil fazer discípulos nas condições atuais. As duas pessoas que publicavam em 1966 eram irmãs, esposas de homens que haviam sido enviados à Mauritânia com contratos de trabalho. Deixaram o país no fim de maio de 1967.

Não obstante, a luz da verdade foi mantida acesa na Mauritânia por um irmão que se mudou para a capital, Nouakchott, no fim de 1968. Embora fosse recém-batizado, fez muito trabalho distribuindo nossas publicações e iniciando alguns estudos bíblicos domiciliares. Mais tarde, quando ele se mudou para a França, uma publicadora isolada, em Rosso, na fronteira senegalesa, começou a dar testemunho todos os meses. Essa senhora interessada viajava freqüentemente até Dacar e assim recebia encorajamento espiritual. Além do mais, uma irmã em Dacar dirigia estudo bíblico com ela por correspondência.

MAIS PROGRESSO NO SENEGAL

Nossa obra continuava a progredir no Senegal, e, depois de se estabelecer a filial em Dacar, a supervisão melhorada resultou numa real consolidação da organização local. Houve um aumento de 33 por cento, sendo que 98 publicadores relataram em 1966, incluindo-se os 16 pioneiros especiais e missionários. As assembléias regulares de circuito e de distrito contribuíram para maior espiritualidade.

Em 1967, cerca de 15 anos após terem brilhado os primeiros raios da verdade nesta terra de contrastes, ultrapassou-se o número de 100 publicadores, havendo um auge de 120 que se empenharam no serviço. Vinham regularmente relatórios entusiásticos de São Luís, Thiès e Ziguinchor. As duas congregações em Dacar se desenvolviam constantemente, apesar do grande número de irmãos que partiam do Senegal cada ano por causa do programa governamental de “senegalização” dos empregos. Como pontas de lança na atividade, vinte proclamadores do Reino, de tempo integral, vasculharam constantemente o território variado. Que emoção foi ver 268 pessoas reunidas para a celebração da Comemoração naquele ano! O Senegal é o paraíso do pescador e também, em harmonia com as palavras de Jesus, continuamente eram ‘apanhados vivos’ homens que foram treinados a abaixar suas redes espirituais para uma pesca. — Luc. 5:9-11.

As publicações da Sociedade certamente serviram bem para dar a conhecer o Criador, Jeová Deus, aos habitantes aqui. A revista Despertai! é especialmente bem conhecida. Pessoas de toda categoria reconhecem seu valor, e quase todas as pessoas contatadas já leram ou já viram a Despertai! Muitos escutam com respeito quando ficam sabendo que os editores dessa revista são Testemunhas de Jeová. Com freqüência, as pessoas nos param na rua e nos pedem o exemplar mais recente, e, graças à Despertai!, muitos estudos bíblicos foram iniciados.

No fim dos anos 60, aumentaram constantemente as fileiras dos servos de tempo integral no Senegal. Em 1968, mais missionários entraram neste país de contrastes, tendo-se atingido um novo auge de 139 publicadores e 339 pessoas reunindo-se na comemoração da morte de Jesus. Pela primeira vez, o total de horas devotadas à obra de pregação ultrapassou a casa dos 50.000, tendo sido dirigidos cada mês 266 estudos bíblicos. Estava sendo preparado um aumento maior no futuro.

AS ASSEMBLÉIAS “PAZ NA TERRA”

E que bênçãos nos aguardavam em 1969! Com a ajuda das contribuições generosas dos irmãos em todo o mundo, muitos missionários tiveram o privilégio de assistir a uma das Assembléias Internacionais “Paz na Terra” na Europa ou na América do Norte. Que alegria! Além dos missionários, mais de 50 Testemunhas locais assistiram às assembléias em Paris, Nurembergue e Nova Iorque. Os três pioneiros especiais que trabalhavam então em Gâmbia foram à assembléia de Londres, Inglaterra. Todos os congressistas regressaram reanimados e fortalecidos para a obra à frente.

Naturalmente, muitos não puderam deixar o Senegal para assistir a uma das assembléias maiores de 1969. Portanto, a Assembléia de Distrito “Paz na Terra” realizada em Dacar, de 25 a 28 de dezembro, foi de importância especial para eles. Treze pessoas recém-dedicadas ficaram de pé para responder “Oui!’, às duas perguntas feitas durante o discurso do batismo.

Portanto, o ano de 1969 revelou ser de muitas bênçãos para a obra de fazer discípulos neste país de contrastes: um novo auge de 158 publicadores, um aumento de 15 por cento no número dos proclamadores do Reino, e 30 pioneiros ativos no serviço de campo, 19 dos quais eram diplomados de Gileade, especialmente treinados. Também, a assistência à Comemoração foi de 383 pessoas.

ENTRAMOS NOS ANOS 70

Mas o que trariam os anos 70? Em certos países da África, foi tomada ação injusta contra as Testemunhas de Jeová. Como isto influiria no povo de Deus em outros países africanos?

Amiúde sob a instigação do clero, começou a aparecer publicidade desfavorável em certos jornais religiosos. Os irmãos foram incentivados a progredir espiritualmente e a inculcar a verdade no coração dos novos, de modo que pudessem suportar a prova da perseguição. Qual foi o resultado? Mais aumento visto que 22 pessoas foram batizadas durante o ano de serviço de 1970.

UMA ASSEMBLÉIA EXCEPCIONAL

O ano de 1970 terminou com algo especial para o louvor de Jeová — uma assembléia excepcional, de 1.º a 4 de dezembro. Para os cristãos senegaleses, esta Assembléia de Distrito “Homens de Boa Vontade” revelou ser o evento mais importante até então. Quão gratos se sentiram que Jeová e sua organização visível haviam tão amorosamente feito arranjos para que 140 irmãos e irmãs dos Estados Unidos e do Canadá os visitassem! Sua presença transformou o pequeno oásis da congregação de Dacar num jardim maior, e deu à assembléia um sabor verdadeiramente internacional.

Fez-se esforço especial para se dar aos irmãos visitantes um sabor da verdadeira África. Foram hospedados em “choças” de estilo africano, com telhado de colmo. Também, preparou-se um programa especial, apresentado principalmente pelos missionários locais, para fazer viver cenas da vida africana diante dos olhos dos visitantes no próprio salão da assembléia. O cenário de um mercado senegalês, a obra de testemunho neste país bem como muitos costumes, canções e danças locais — tudo isso fez parte do programa especial.

Foi uma assembléia inesquecível, excepcional em muitos sentidos. Vinte e cinco candidatos se apresentaram para o batismo o que representava um número maior do que nunca antes se atingira no Senegal durante um ano inteiro!

UMA OLHADA NO NOSSO PROGRESSO

É interessante que, embora levasse 17 anos de trabalho para se atingir as primeiras 100 testemunhas do Reino no Senegal em apenas mais quatro anos, ultrapassou-se a casa dos 200, pois 207 pessoas participaram em declarar as “boas novas” em abri de 1971. E o número dos que observaram a Comemoração naquele ano, 459 pessoas, era uma indicação do potencial de aumento futuro!

Em Gâmbia, os irmãos prosseguiam firmemente, apesar de sua designação um tanto difícil. Regozijaram-se de ver 24 pessoas reunidas para a Comemoração de 1971, uma real fonte de encorajamento para os sete publicadores locais. O pequeno grupo isolado naquele tempo no Máli recebia ajuda de um pioneiro especial e de um pioneiro regular. Durante 1971, a Mauritânia, tinha três publicadores isolados que relatavam atividade no serviço de campo. Naquele ano, a Comemoração foi celebrada pela primeira vez na Mauritânia, com 22 pessoas na assistência.

Como foi animador ver que 45 pessoas foram batizadas no Senegal durante 1972, o número máximo até então no decorrer de um ano! Foi motivo de regozijo a assistência de 577 pessoas à Comemoração e um auge de 241 publicadores. Ao passo que levou 21 anos para se alcançar o número de 200 publicadores em apenas três anos (1971 a 1974) ultrapassou-se a cifra de 300 publicadores. Ficamos muitíssimo alegres de ver 302 publicadores no serviço de campo em 1974, e uma assistência de 705 pessoas à Comemoração, um aumento de mais de 100 por cento sobre o ano precedente. A Assembléia Internacional “Vitória Divina”, o evento mais animador de 1973, contribuiu certamente para esse aumento. A presença de cerca de 100 irmãos visitantes, procedentes de terras longínquas, serviu de estímulo. O auge de assistência foi de 510 pessoas, o mais elevado até então, e 23 pessoas foram batizadas. As pessoas na assistência tomaram a firme resolução de participar na vitória de Jeová mantendo-se fiéis a ele.

O aumento continuou a ser encorajador, com 327 proclamadores do Reino em 1975 e uma excelente assistência à Comemoração, de 826 pessoas. Mas a maioria dessas novas pessoas vive nas grandes cidades, especialmente em Dacar. O que dizer das pequenas aldeias, muitas das quais nunca haviam recebido testemunho?

“DE ALDEIA EM ALDEIA”

Durante o ano de serviço de 1976, fizeram-se combinados esforços para visitar grandes partes de território não-designado. Surgiram problemas por causa da falta de boas estradas, mas, com a ajuda de Jeová, realizou-se um excelente trabalho, conforme revelam os seguintes comentários:

“Nós nos preparamos bem, levando alimento e utensílios de cozinha, uma tenda e muitas publicações. Os principais problemas, além de estradas ruins, era o analfabetismo e nós não conhecermos os dialetos locais. Com a ajuda de intérpretes voluntários e fitas gravadas nos principais dialetos, porém, nós nos saímos bem. Numa aldeia, o chefe aceitou com prontidão uma série de livros, e, vendo o valor deles, conduziu-nos até o local de reunião da aldeia, onde ficamos esperando enquanto ele foi de choça em choça, convidando todas as pessoas a comparecer ali. Em menos de meia hora, 50 livros foram colocados.

“Em virtude do estado das pistas entre as aldeias, usávamos às vezes a ‘estrada da praia’, contornando as rochas e tentando não ficar encalhados na areia. Uma vez, tivemos de parar de repente, quando um pedaço de madeira pontuda que estava escondido na areia nos furou dois pneus! Imediatamente, alugamos uma charrete para levar os pneus até uma aldeia vizinha, para serem consertados antes que a maré levasse embora o carro e seu conteúdo. Conseguimos! No espaço de quatro dias, visitamos 20 aldeias, distribuímos 347 Bíblias e livros, 320 folhetos e 663 revistas, e obtivemos mais de 20 assinaturas.”

Oramos pelas contínuas bênçãos de Jeová sobre os que encontram alegria em declarar as “boas novas” em tais territórios. Como Jesus, os cristãos senegaleses divulgam a mensagem do Reino, não só nas cidades, mas também “de aldeia em aldeia”. — Luc. 8:1.

A FÉ QUE SUSTÉM

O número dos publicadores continuou a crescer. A assistência no Senegal à Comemoração de 1976 foi de 835 pessoas, o que indicava um excelente potencial, e em 1977 houve um auge de 334 pessoas que participaram no serviço de campo. Às vezes, o aumento é um tanto lento. Mas o que dizer dos que já estão na verdade? Estão firmemente ancorados na fé? Alguns caem da fé, mas a maioria se tem tornado forte na fé, e o progresso se manifesta tanto na qualidade como na quantidade.

Para ilustrar isso, tomemos o exemplo da família Fourcault. Já mencionamos como encontraram a verdade. Contudo, quão forte seria a sua fé em face de terríveis calamidades? Primeiro, um desastre de automóvel deixou gravemente feridos todos os membros da família, exceto os dois rapazes mais velhos. A maioria deles foi hospitalizada. Contudo, não cessaram de alimentar sua fé em família mediante estudo bíblico regular em conjunto, e esse infortúnio revelou a importância vital do desenvolvimento espiritual. Para este fim, cultivaram o espírito de pioneiro. Henri, o rapaz mais velho, entrou no serviço de tempo integral como pioneiro regular e depois como pioneiro especial. Seu irmão Jean-Marc fez o mesmo pouco depois. A mãe se tornou pioneira regular. Logo, porém, esta família unida e zelosa enfrentaria uma desventura ainda maior. A irmã Fourcault foi hospitalizada para uma grave intervenção cirúrgica. Fez uso sábio de seu tempo, dando testemunho e iniciando estudo bíblico na enfermaria. Daí, houve outro infortúnio! Quando a irmã Fourcault estava para deixar o hospital, morreu de súbito de embolia.

A irmã Fourcault se sentiria feliz de ver a reação madura de sua família, inclusive dos pequenos. Foi maravilhoso observar sua fé na ressurreição. (João 5:28, 29; 11:21-25) A única filha, Sylvie, de 11 anos de idade naquele tempo, deu corajosamente sua primeira apresentação na Escola Teocrática algumas horas depois do enterro. Havia sido prometido a sua mãe hospitalizada que esta parte do programa seria gravada em fita para o benefício dela, e isto foi feito apesar de sua morte. Quando se ofereceu à pequena Sylvie a gravação, ela a apertou contra o coração e disse com seriedade: “Eu a guardarei com muito cuidado, para que minha mãe, após sua ressurreição, possa ouvir meu primeiro sermão.”

Os três rapazes Fourcault, os mais velhos, estão agora no serviço de tempo integral. Dois dentre eles estudaram na Escola de Gileade, Henri tendo cursado a qüinquagésima quinta turma, e Jean-Marc, a qüinquagésima nona. Voltaram para servir no Senegal.

FÉ ATIVA ENTRE OS GAMBIANOS

Gâmbia também tem seus exemplos de fidelidade. Ralph Phillott, um ancião leal da congregação Banjul, morreu depois de um longo período de enfermidade. Um excelente testemunho foi dado às centenas de pessoas que assistiram ao discurso fúnebre.

Um evento muito importante para nossos irmãos em Gâmbia foi a notável assembléia de circuito realizada em maio de 1976. Pela primeira vez, três pessoas foram batizadas numa assembléia em Banjul. Dois eram gambianos locais. Um deles recebeu testemunho pela primeira vez em 1959. Por anos vinha freqüentando a congregação, procurando ao mesmo tempo reformar sua igreja. Finalmente, viu a necessidade de sair de Babilônia, a Grande, e daí foi batizado. Uma senhora, que foi imersa no mesmo tempo, é uma bem-conhecida professora aposentada, e o batismo deles no rio Gâmbia foi um excelente testemunho na comunidade.

Que prazer foi ver um aumento de 67 por cento no número dos proclamadores em Gâmbia durante 1977, com um auge de 11 proclamadores do Reino! A recente campanha de enviar cartas a membros da profissão médica, junto com o folheto As Testemunhas de Jeová e a Questão do Sangue, tem ajudado a tornar mais conhecidas neste país nossa obra e nossa posição bíblica.

O pequeno grupo de publicadores na cidade de Banjul é grato de que não fica esquecido, cada vez que se planeja uma visita de superintendente de zona para a África Ocidental. Em fevereiro de 1978, pareciam receber C. W. Barber, do Corpo Governante, sua esposa, e seu companheiro de viagem, David Mercante, com tanta alegria como os primeiros cristãos tiveram ao serem visitados pelo apóstolo Paulo. Por ocasião desta visita de zona em Gâmbia, programou-se uma reunião especial à qual 38 pessoas assistiram.

OS CRISTÃOS DO MÁLI RECEBEM RICAS BÊNÇÃOS

Um importante marco na história da obra no Máli foi atingido quando, em janeiro de 1973, três pioneiros especiais partiram de Dacar para irem estabelecer-se em Bamaco. Os vigorosos esforços que fizeram, apesar das condições difíceis produziram excelentes resultados. Esses pioneiros devotavam mensalmente até 200 horas ao serviço de campo, colocando em média 300 revistas e dirigindo até 23 estudos bíblicos cada um! Um pioneiro obteve 100 assinaturas num só mês. Seguiu-se um belo aumento. Em 1973, havia só 7 Testemunhas no Máli, incluindo-se os pioneiros. Mas, em 1975, 23 pessoas estavam declarado as “boas novas”, e em 1977 havia 32 publicadores do Reino no campo.

A Assembléia de Distrito “Trabalhadores Jubilosos”, em dezembro de 1977, revelou ser um grande encorajamento para os irmãos malienses que puderam viajar até Dacar, no Senegal. Ficaram profundamente impressionados com a hospitalidade e amizade cristãs que seus irmãos lhes manifestaram, e vários dentre eles planejavam ir ao Congresso Internacional “Fé Vitoriosa” de 1978, em Paris. Naturalmente, o mesmo rico banquete espiritual foi planejado para a assembléia de Dacar em dezembro de 1978.

CONTINUAMOS A CHAMAR OS “SEDENTOS”

Nas oito congregações do Senegal, 56 pioneiros e missionários trabalhavam ombro a ombro com uns 300 concrentes. É verdade que os mais de 380 proclamadores do Reino no Senegal no Máli, em Gâmbia e na Mauritânia são aparentemente um grupo insignificante em comparação com uma população total de cerca de 11.000.000 de habitantes. Contudo, confiantes em Jeová, continuam a combater a seca espiritual.

Embora alguns tenham perdido sua visão espiritual nos anos recentes, “o sólido alicerce de Deus fica de pé”, e “Jeová conhece os que lhe pertencem”. (2 Tim. 2:19) Assim, com renovado zelo, os felizes proclamadores das “boas novas” continuam a convidar os de coração honesto a ‘vir e tomar de graça a água da vida’. (Rev. 22:17) No Senegal, este país de contrastes, novamente afetado pelas secas persistentes, continuamos a servir a Jeová e a nos preparar para o dia em que, como o paraíso espiritual do tempo atual, “o ermo e a região árida exultarão, e a planície desértica jubilará e florescerá como o açafrão”. — Isa. 35:1.

No ínterim, como pequenos oásis numa terra árida, os fiéis servos de Jeová no Senegal, no Máli, na Mauritânia e em Gâmbia continuarão a fazer o convite animador de vir à Fonte de todas as águas, Jeová Deus. Unindo nossas vozes às de todos os nossos concrentes no mundo inteiro, continuamos a clamar: “Eh! todos vós sedentos! Vinde à água. . . . Escutai, e a vossa alma ficará viva.” — Isa. 55:1-3.

[Foto na página 252]

Um testemunho eficaz é dado de choça em choça. Os habitantes do Senegal raramente estão ocupados demais para escutar atenciosamente as boas novas do reino de Deus.

[Mapa na página 233]

(Para o texto formatado, veja a publicação)

SENEGAL

Dagana

São Luiz

Louga

Kayar

Thiès

Mbacké

Dacar

Rufisque

Dioubel

Mbour

Fatick

Koalack

Tambacunda

GÂMBIA

Banjul (Bathurst)

Bignona

Kolda

Ziguinchor

MAURITÂNIA

MÁLI

GUINÉ

GUINÉ — BISSAU

Oceano Atlântico

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