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  • A brandura é um requisito cristão
    A Sentinela — 1967 | 15 de novembro
    • A brandura é um requisito cristão

      1-3. Por que a brandura é própria para o cristão?

      QUANDO ouve a previsão de tempo, no verão, será que fica contente de ouvir dizer que a temperatura subirá bem acima de 37, 8 graus centígrados à sombra, sendo o intenso calor acompanhado de elevada umidade? Ou, no inverno, será que fica contente de ouvir o locutor que dá a previsão do tempo dizer que descerá bem abaixo de zero, havendo ventos gelados de grande velocidade que causarão enormes nevascas? Não, a pessoa mediana não aprecia tais previsões do tempo, porque não é agradável empreender as atividades diárias em tais temperaturas extremas.

      2 Não obstante, o que dizer se a previsão declarasse que o tempo será brando ou ameno, que a temperatura ficaria por volta dos vinte e três graus, e haveria pouca umidade, ficando o céu azul, coberto apenas de nuvens brancas? Ora, isso faz com que a pessoa mediana se sinta bem! Deseja sair em tal tempo bonito, respirar ar puro e sentir-se revigorada. Sim, o tempo deste tipo é mui agradável. Ora, até mesmo a atitude da pessoa não raro melhora! Não há dúvida de que o tempo ameno é desejável, mas os duros extremos não o são.

      3 O mesmo, também, acontece com a personalidade cristã. Como qualidade, a brandura é desejável, antes que a dureza. A bem dizer, não só é desejável, mas é um requisito cristão. O apóstolo Paulo declarou em Efésios 4:1, 2: “Eu . . . suplico-vos que andeis dignamente da chamada com que fostes chamados, com completa humildade mental e brandura.” Incentivou Timóteo a ‘empenhar-se pela justiça, pela devoção piedosa, pela fé, pelo amor, pela perseverança, pela brandura de temperamento’. (1 Tim. 6:11) Quando aconselhava as esposas, Pedro lhes disse que fizessem que seu adorno fosse “a pessoa secreta do coração, na vestimenta incorrutível dum espírito quieto e brando, que é de grande valor aos olhos de Deus”. (1 Ped. 3:4) A brandura, então, é realmente mais do que desejável. É exigida dos cristãos.

      O QUE É

      4. O que mais torna tão importante a brandura?

      4 A brandura é tão importante que a Bíblia nos diz que é um dos produtos, ou frutos, do espírito santo de Deus. Em Gálatas 5:22, 23, afirma Paulo: “Os frutos do espírito são amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, brandura.” Assim, esta qualidade, a brandura, é um produto da força ativa de Deus que atua por meio dos cristãos receptivos na terra. Quando os cristãos estão em sintonia com Deus, quando moldaram suas vidas aos requisitos delineados por Deus em Sua Palavra escrita, e quando suplicam e permitem que o espírito de Deus opere neles, então, produzem esta qualidade. A falta de brandura indica, algo que falta, que não foi adquirida a madureza cristã, que o espírito de Deus não opera livremente em tal pessoa.

      5. O que significa ser brando?

      5 Exatamente o que significa ser brando? Brandura significa ser calmos e moderados em nossas maneiras e ações, temperados em nossos sentimentos e comportamento para com os outros. Significa ser gentis e ternos. Esta gentileza poderá ser comparada à usada quando se cuida dum bebê. A mãe amorosa jamais pensaria em pôr o bebê no berço por jogar asperamente a criança em seu bercinho, não se preocupando onde vá parar ou que dano lhe seja causado. Não, a mãe amorosa é cuidadosa e terna. Ela segura o bebê com ambas as mãos e gentilmente o carrega de um lugar para o outro, de modo a não lhe causar dano. Ela o segura com suficiente firmeza para executar sua tarefa. A brandura é isso, ser gentil, ser terno, ser cuidadoso, mas ser suficientemente firme a fim de executar as necessárias tarefas da vida.

      6, 7. Quais são algumas das coisas que a brandura não é?

      6 Há algumas coisas que a brandura não é. Não é dura. Não emprega linguagem abrupta ou cortante quando se fala com outros. Não se endurece contra o próximo. Os maridos podem compará-la a um colarinho de camisa. Se o colarinho estiver muito duro, torna-se áspero, irritante e cortante para o pescoço. O marido prefere um colarinho que não irrite, que seja brando para o pescoço, mas suficientemente firme para manter a sua forma. A brandura é similar a isso. Não é dura, irritante nem cortante.

      7 A brandura não é impaciente, nem de temperamento ríspido. Não é difícil de agradar, nem exigente e meticulosa com cada coisinha. Não é discordante nem beligerante. Conforme Paulo instou com Tito que lembrasse aos cristãos primitivos, significa ‘não ultrajar a ninguém, não ser beligerantes, ser razoáveis, exibir toda a brandura para com todos os homens’. — Tito 3:2.

      8, 9. Será a brandura um sinal de fraqueza?

      8 A brandura não deve ser confundida com fraqueza de personalidade ou covardice, contudo, pois certamente não é. Só porque uma pessoa cultiva uma disposição branda e evita extremos de linguagem e comportamento não significa que lhe falte coragem ou que seja inefetiva. Em realidade, indica força íntima e mostra que a pessoa controla seu espírito. Mostra que a pessoa está sendo moldada pelo espírito de Deus, e como seria possível isto tornar a pessoa fraca ou inefetiva? Não, não confunda a brandura com o ser tíbio, irresoluto, instável, vacilante, ou sem força de vontade. Não o é, não. Pelo contrário, o cristão que tem este fruto do espírito de Deus é forte, corajoso e determinado.

      9 O apóstolo Paulo era brando, todavia, fala de si mesmo ao escrever sob a inspiração do espírito santo: “Em labores mais abundantemente, em prisões mais abundantemente, em vergões até o excesso, muitas vezes perto da morte. Dos judeus recebi cinco vezes quarenta golpes menos um, três vezes fui espancado com varas, uma vez fui apedrejado, três vezes sofri naufrágio, uma noite e um dia passei no profundo; em jornadas muitas vezes, em perigos de rios, em perigos de salteadores de estradas, em perigos da minha própria raça, em perigos das nações, em perigos na cidade, em perigos no ermo, em perigos no mar, em perigos entre falsos irmãos, em labor e labuta, muitas vezes em noites sem dormir, em fome e sede, muitas vezes em abstinência de comida, em frio e nudez. Além destas coisas de espécie externa, há o que de dia a dia me assedia, a ansiedade por todas as congregações. Em Damasco, o governador, sob Aretas, o rei, guardava a cidade dos damascenos para se apoderar de mim, mas, fizeram-me descer num cesto de vime por uma janela na muralha, e escapei das suas mãos.” (2 Cor. 11:23-28, 32, 33) Será que tudo isso se parece com a atividade duma pessoa desprovida de coragem? Por certo, embora Paulo tivesse suas falhas e fraquezas humanas, o espírito de Deus, que nele operava, tornou-o intrépido, destemido, corajoso em face de dificuldades e oposição. Todavia, ao mesmo tempo, era como um pai amoroso, pois o espírito de Deus também produziu nele uma disposição branda. Assim, também, os cristãos atualmente, ao passo que têm disposição branda, também têm a coragem e a intrepidez que o espírito de Deus produz em criaturas humanas receptivas.

      BENEFÍCIOS

      10, 11. Quais são alguns benefícios que a brandura traz?

      10 A brandura traz muitos benefícios aos que a praticam. Por um lado, traz grande calma à mente e ao corpo. A pessoa branda não fica sempre perturbada e agitada pelas ações dos outros. Não tortura sua mente e seu corpo com ansiedade e contenda contínuas. Não é a pessoa branda aquela que provavelmente ficará com úlceras ou com distúrbios mentais. Pelo contrário, a brandura ajuda a manter equilibradas as emoções, o que, por sua vez, traz benefícios mentais e físicos.

      11 Outro benefício que advém à pessoa branda é que se torna mais fácil lidar com ela. Outras pessoas apreciam associar-se com ela. Sentem-se avigoradas ao andarem em companhia duma pessoa branda, por causa de sua maneira, sua linguagem e suas ações agradáveis, assim como se sentem revigoradas num dia ameno e agradável. Este efeito agradável que os brandos produzem é bem descrito em Provérbios 16:24 (CBC), onde se lê: “As palavras agradáveis são como um favo de mel, doçura para a alma e saúde para os ossos.” Quando está junto de uma pessoa branda, sente exatamente isso. Não a teme, mas, ao invés, suas maneiras brandas são como mel, “doçura para a alma e saúde para os ossos”.

      12. Como é que ela nos ajuda a manter nosso lugar nos arranjos de Jeová?

      12 A brandura nos ajuda a manter nosso lugar no arranjo de coisas de Jeová, porque nos ajuda a ser submissos. Disse Paulo: “Mas, quero que saibais que a cabeça de todo homem é o Cristo; por sua vez, a cabeça da mulher é o homem; por sua vez, a cabeça do Cristo é Deus.” (1 Cor. 11:3) Sim, todos os servos de Deus se acham em relativa sujeição. Isso exige um espírito brando. São os orgulhosos em espírito que não desejam ser submissos a Jeová e a Seus arranjos. Neste respeito, que exemplo excelente nos deu Jesus! A respeito dele, declara a Palavra de Deus: “Mantende em vós esta atitude mental que houve também em Cristo Jesus, o qual, embora existisse em forma de Deus, não deu consideração a uma usurpação, a saber, que devesse ser igual a Deus. Não, mas ele se esvaziou e assumiu a forma de escravo, vindo a ser na semelhança dos homens. Mais do que isso, quando se achou na feição de homem, humilhou-se e tornou-se obediente até à morte, sim, morte numa estaca de tortura.” — Fil. 2:5-8.

      13. Que outra característica desagradável a brandura nos ajuda a evitar?

      13 Um benefício adicional da brandura é que nos ajuda a evitar a tendência de querermos “brilhar” aos olhos de outros, visando a autoglorificação. Esta tendência deve ser evitada, visto ser ofensiva aos cristãos maduros e também a Jeová, pois se baseia em falso orgulho. “Todo aquele que é orgulhoso de coração é algo detestável para Jeová.” (Pro. 16:5) A pessoa branda tem mais probabilidade de reconhecer isto e evitar procurar ambiciosamente brilhar às custas de seus irmãos, ou alardear suposta superioridade a eles, ou procurar dominar essas outras pessoas brandas e idênticas a ovelhas que pertencem a Deus. Afirmou Jesus: “O maior dentre vós tem de ser o vosso ministro. Quem se enaltecer, será humilhado, e quem se humilhar, será enaltecido.” (Mat. 23:11, 12) A brandura nos ajuda a agir como um escravo e não como um patrão, quando lidamos com outros cristãos. Ajuda-nos a avaliar sempre que é Jeová quem deve ser exaltado, e que todos os homens nasceram em pecado e precisam de redenção. A pessoa branda, cônscia de sua condição decaída e de sua necessidade do arranjo de resgate provido por Jeová, não tende buscar a autoglorificação.

      BRANDURA PROGRESSIVAMENTE CULTIVADA

      14-16. Mencionem três influências que obram contra a brandura.

      14 É provável que a maioria dos leitores, mesmo dos que já chegaram ao conhecimento exato da Palavra de Deus, possam olhar para trás em suas vidas e dizer para si mesmos: “Ó, certamente me lembro de muitas ocasiões em que não fui brando e deveria ter sido.” Não há dúvida de que, neste momento, não se enquadram na descrição bíblica duma pessoa branda. Isto talvez se aplique ao leitor, mas não deve angustiá-lo ou desanimá-lo tanto que deixe de tentar se tornar mais brando. Deve lembrar-se de que a brandura não é qualidade herdada, que vem naturalmente pelo nascimento. Não, devido ao pecado e à imperfeição herdados, nascemos com a tendência de fazer o mal, não de fazer o bem. “Por intermédio de um só homem entrou o pecado no mundo, e a morte por intermédio do pecado, e assim a morte se espalhou a todos os homens, porque todos tinham pecado.” (Rom. 5:12) O salmista Davi reconheceu este fato, pois disse no Salmo 51:5: “Eis que com erro me deu à luz com dores de parto, e em pecado me concebeu minha mãe.”

      15 Em adição, temos mais coisas que nos afastam da brandura. Há forças espirituais iníquas que se opõem à atividade dos cristãos e que talvez ponham à prova sua brandura por meio de perseguição ou agravamento da parte de agentes terrestres que estão sob influência demoníaca. Tal oposição é bem descrita por Paulo em Efésios 6:12: “Temos uma luta, não contra sangue e carne, mas contra os governos, contra as autoridades, contra os governantes mundiais desta escuridão, contra as forças espirituais iníquas nos lugares celestiais.”

      16 Também temos este sistema de coisas controlado pelos demônios e seu espírito ruim, com os quais temos de contender. Diariamente, a maioria de nós tem de trabalhar entre pessoas que não têm o espírito de brandura que provém de Deus, mas têm o espírito de dureza que provém de Satanás, o Diabo. A inclinação mental ou disposição deste atual sistema de coisas obra contra a brandura cristã.

      17, 18. Visto que não podemos evitar todo contato com o mundo, o que precisamos fazer?

      17 Não podemos evitar todo contato com os que não têm espírito brando, pois, “senão teríeis realmente de sair do mundo”. O que se exige é o controle do espírito, de modo a não pagarmos na mesma moeda quando outros se nos opõem ou irritam. Este espírito controlado e brando nos socorre em tais tempos de tensão e nos habilita a fazer o que Paulo declara: “Quando injuriados, abençoamos; quando perseguidos, suportamos isso; quando difamados, suplicamos:” (1 Cor. 5:10; 4:12, 13) Nisso, também, Jesus estabeleceu o padrão. “Quando estava sendo injuriado, não injuriava em revide. Quando sofria, não ameaçava, mas encomendava-se àquele que julga justamente.” — 1 Ped. 2:23.

      18 Havendo tantas influências para o mal em operação, torna-se óbvio que os cristãos precisarão trabalhar diligentemente para cultivar esta qualidade de brandura. Não surge naturalmente, sem qualquer esforço de nossa parte, pois há demasiadas coisas que tendem antes a nos endurecer. Assim, dia a dia, ano após ano, temos de cultivar progressivamente a brandura, a fim de contrabalançar o pecado herdado, Satanás, o Diabo e seus demônios, e aqueles que são guiados pelo espírito ruim deste sistema de coisas. Se não trabalharmos arduamente para cultivarmos a brandura, então, estas coisas tendem a nos tornar duros como os outros no mundo.

      19. Que passo preliminar é necessário?

      19 Como é que cultivamos a brandura? Primeiro de tudo, por aprendermos a respeito dela; por estudarmos a Palavra de Deus e descobrirmos o que é preciso para cultivá-la, que é uma qualidade básica que o cristão tem de ter. Isso nos põe no caminho certo. Sabemos que direção precisamos tomar, diferente dos mundanos que acreditam que a brandura é uma qualidade indesejável e que acreditam que a pessoa tem de ser dura, teimosa e arrogante, a fim de ir bem neste mundo.

      20. Por que temos de levar em conta a imperfeição humana?

      20 Para nos ajudar em nossos esforços de ser brandos, à medida que passa o tempo, precisamos ter presente de forma contínua a questão da imperfeição humana. Não podemos fugir do fato de que todos nasceram imperfeitos e têm a tendência de cometer erros. A consciência disto deve fazer com que vejamos a necessidade de empatia ao lidarmos com outros. Deve fazer-nos avaliar que temos de perdoar os outros, assim como Deus lhes perdoa. Compreendamos que eles não podem pensar e agir de modo perfeito, assim como nós não podemos. A pessoa que cultiva a brandura fará isto, perdoando até mesmo “setenta e sete vezes”, pois a pessoa branda ama, e “o amor cobre uma multidão de pecados”. — Mat. 18:21, 22; 1 Ped. 4:8.

      21, 22. Por que devemos evitar provocar os outros?

      21 Se esperarmos demais dos outros, mais do que Deus espera, isso nos levará ao desapontamento. Pode trazer-nos uma prova, porque talvez cheguemos a pensar que, visto que de nada nos adiantou sermos brandos, devemos então usar táticas duras. Isto, porém, somente servirá para provocar os outros a perder sua brandura, e, por sua vez, sua reação talvez provoque adicional falta de brandura de nossa parte. É um círculo vicioso. É muito melhor não iniciar o processo! É como Provérbios 26:20 (CBC) diz: “Sem lenha o fogo se apaga: desaparecido o relator, acaba-se a questão.” Se persistirmos pressionando, exigindo e provocando os outros, não devemos ficar de forma alguma surpresos de ver os outros se irritarem, ficando talvez até mesmo irados. Afinal de contas, é contrário ao sentimento humano desejar ser provocados continuamente. Ora, em certa ocasião, até mesmo Moisés, “mui manso, mais do que todos os homens que havia sobre a terra” nos seus dias, perdeu sua brandura devido à atitude desarrazoada e provocadora dos israelitas! “Indignaram-no também junto às águas da contenda, de sorte que sucedeu mal a Moisés, por causa deles. Porque irritaram o seu espírito, de modo que falou imprudentemente com seus lábios.” — Núm. 12:3; 20:2-13; Sal. 106:32, 33, Al.

      22 Não faz muito tempo, certo jornal mencionou um incidente que também demonstra como a linguagem ou as ações duras podem provocar outros à perda da brandura. Foi um incidente com uma senhora que era membro da Câmara dos Comuns na Inglaterra. Certa vez, ela disse mui cortantemente a Winston Churchill, anterior primeiro-ministro da Inglaterra: “Se eu fosse sua esposa, poria veneno em seu café.” Churchill replicou-lhe: “Se fosse seu marido, eu o beberia.” Sim, ela lançou lenha na fogueira e provocou uma resposta acalorada. Foi como Provérbios 26:21 (Al) observa: “Como o carvão é para o borralho, e a lenha para o fogo, assim é o homem [ou a mulher] contencioso para acender rixas.” Não desejamos ser assim, de modo que teremos cuidado de não provocar os outros a perder sua brandura às vezes.

      23. Como é que reconhecermos a variedade nos ajudará a ser brandos?

      23 Outra coisa que nos ajudará a cultivar a brandura é reconhecer que Jeová permite, dentro dos devidos limites, uma grande variedade de personalidades, de preferências, de gostos e desgostos. Deus concedeu ao homem o maravilhoso dom do livre arbítrio. Ao passo que isto não nos dá completa liberdade, pois isso significaria a independência quanto a Deus e suas leis, realmente concede liberdade relativa em muitas áreas do comportamento humano. Assim, não insista em sua própria maneira ou seu próprio gosto em tudo, quando Jeová permite a variedade. Não pense que todos precisam ajustar-se a um molde que acha ser melhor. Avalie que todos são diferentes e não tente fazer as suas próprias regras, que destruiriam as interessantes diferenças que são parte da criação de Deus. Quando se exige rigidez ou concordância, quando se trata de adoração, de doutrina correta e de conduta correta, então a Palavra de Deus, seu espírito santo e sua organização visível nos manterão informados quanto ao que devemos fazer. Mas, nos casos em que os assuntos dependem principalmente da escolha pessoal, tais como no que toca ao que devemos comer, ao que devemos vestir, ao que devemos escolher como diversão e outras coisas assim, tenhamos presente então que, o que Deus permite, temos também de permitir. Isto nos ajudará a não ficarmos fàcilmente perturbados só porque outras pessoas têm gostos diferentes dos nossos.

      24, 25. Será fácil cultivar a brandura?

      24 Será que cultivar a brandura é um processo fácil? Talvez seja mais fácil para uns do que para outros, dependendo da formação da pessoa, do treinamento em seus primeiros anos, das experiências da vida e da madureza no Cristianismo. Não obstante, se for alguém que tenha dificuldade de cultivá-la, então talvez sofra mais vicissitudes do que outros, ao se esforçar em cultivá-la. Contudo, não se desanime nem deixe de tentar fazer isso. Note o que Paulo disse em Romanos 7:21-23: “Acho assim a seguinte lei no meu caso: que quando quero fazer o que é direito, está presente em mim aquilo que é mau. Eu realmente me deleito na lei de Deus segundo o homem que sou no íntimo, mas observo em meus membros outra lei guerreando contra a lei da minha mente.”

      25 Sim, a sua carne decaída, bem como as influências externas, podem criar-lhe muitas dificuldades à medida que se esforça de cultivar a brandura, mas, não deve desistir de tentar fazer isso só porque retorna às maneiras duras à vezes. Pense no bebezinho que aprenda andar. Cai vez após vez, mas levanta se e continua tentando até que finalmente tem êxito e anda com confiança. As sim, também, ao esforçar-se com ardor, progressivamente, para cultivar a brandura, talvez falhe às vezes. Mas, tire proveito da experiência e reafirme sua determinação de continuar a fazer progresso. Reconheça que crescer à madureza neste assunto de brandura leva tempo. Fique satisfeito com o melhoramento gradual e não deixe de tenta fazer isso só porque o processo leva mais tempo do que esperava.

      26. Como é que Jeová nos ajudará nesta questão?

      26 Lembre-se, também, de que Jeová é misericordioso. Quando falhamos, podemos dirigir-nos a ele em oração e pedir-lhe perdão. Também desejamos orar constantemente pedindo-lhe ajuda porque a brandura é um produto do espírito de Jeová. Se orarmos pedindo espírito de Deus, o espírito que produz brandura, então é certo que faremos progresso. Com o tempo, com esta poderosa ajuda, a pessoa que não tem brandura a adquirirá, até que se torne parte de sua personalidade, quase habitual, assim como o andar se torna quase habitual para os fisicamente maduros.

      27. Que ricas recompensas traz a brandura?

      27 Não há dúvida de que cultivar a brandura traz ricas recompensas. Resulta numa vida muito mais feliz para o leitor, muito embora esteja cercado de condições angustiantes, porque mantém seu equilíbrio e não fica angustiado nem endurecido por elas. Outra recompensa que a brandura traz é que o torna mais receptivo à verdade. À medida que Jeová lhe continua a revelar progressivamente Sua vontade, ficará muito mais inclinado a aceitar tais novas verdades e a harmonizar sua vida segundo elas. Que resultado isto lhe trará? Tiago 1:21 responde: “Aceitai com brandura a implantação da palavra que é capaz de salvar as vossas almas. “ Sim, a sua salvação está envolvida! Portanto, tenha um temperamento brando e assim se coloque em linha para o cumprimento da promessa de Deus registrada no Salmo 37:11: “Os próprios mansos possuirão a terra e acharão requintado deleite na abundância de paz.”

  • Instruir com brandura
    A Sentinela — 1967 | 15 de novembro
    • Instruir com brandura

      1, 2. Por que os cristãos precisam de brandura em nosso tempo?

      HÁ OUTRA razão pela qual o cristão precisa cultivar a brandura. Na verdade, isso o torna mais feliz, torna-se mais fácil se lidar com ele, isso o habilita a ser mais receptivo às verdades de Deus e, assim, o coloca na vereda da vida interminável; mas, há ainda outra coisa. A brandura também é necessária quando se faz a grande obra de pregação que os cristãos foram comissionados a fazer nestes críticos últimos dias.

      2 As verdades de Deus têm de ser dispensadas à humanidade. É preciso que se dê um testemunho por toda a terra, antes do fim deste presente sistema de coisas iníquo. Além disso, os que já se dedicaram a Deus têm de alimentar-se continuamente das verdades da Palavra de Deus. Tudo isto exige muita instrução, e a brandura desempenha importante papel em sua execução. Talvez haja varias maneiras de ensinar que são empregadas neste mundo, mas, no que diz respeito à Palavra de Deus, o conhecimento contido nela deve ser transmitido a outros com brandura.

      3-5. (a) Como sabemos que instruir com brandura é a maneira correta? (b) Por que as pessoas que nem ovelhas se sentiam atraídas a Jesus?

      3 Instruir com brandura é o modo correto, o modo bíblico, o modo que resulta na maior acolhida por parte dos que buscam a verdade. Sabemos que isto é verdade porque o maior instrutor que já viveu, Jesus Cristo, usou a brandura ao ensinar a verdade a outros. Esta notável qualidade, a brandura, era parte de sua personalidade, e a usava com notável efeito quando instruía os que tinham fome e sede de justiça.

      4 Que Jesus tinha disposição branda, ele mesmo deixa claro: “Vinde a mim, todos vós que estais labutando e que estais sobrecarregados, e eu vos reanimarei. Tomai sobre vós o meu jugo e tornai-vos meus discípulos, pois sou de temperamento brando e humilde de coração e achareis revigoramento para as vossas almas.” (Mat. 11:28, 29) Quão eficaz deve ter sido o ensino de Jesus por causa de suas maneiras dotadas de temperamento brando! Com ardor, as pessoas que nem ovelhas o procuravam, a fim de escutá-lo expor as verdades de Deus! Não tinham medo dele, como tinham de seus líderes políticos e religiosos duros, opressivos, que as dominavam sem se preocuparem com o bem-estar delas.

      5 Jesus sentia ternura por estas pessoas comuns que se achavam em tão penosa condição, espiritual e fisicamente. “Vendo as multidões, sentia compaixão delas, porque andavam [sendo] esfoladas e empurradas dum lado para outro como ovelhas sem pastor.” (Mat. 9:36) Jesus, com maneiras brandas, sentindo piedade destas pessoas pisoteadas e maltratadas, seria deveras uma fonte de revigoramento para as almas delas. Quão diferente era ele das pessoas com que estavam acostumadas! Que experiência edificante era estar em sua presença! Jesus não era semelhante a seus duros capatazes, mas era brando, bondoso, generoso, compreensivo e amoroso.

      6. Será que as maneiras brandas de Jesus atrairiam a todos?

      6 As maneiras brandas de Jesus não atrairiam a todos. Os que não eram que nem ovelhas e que não tinham verdadeiro amor à verdade provavelmente veriam a maneira dele como sendo tola e imprática num mundo duro. Nem a acolheriam bem os iníquos. Mas, Jesus não desejava atrair qualquer tipo de pessoas para o novo sistema de coisas de Deus. Não chamava os que amavam o que era errado e odiavam o que era certo. Suas maneiras brandas atrairiam as pessoas da espécie correta, as que amavam a justiça. Era a estas que Jesus procurava. Buscava as “ovelhas” e não os “cabritos”.

      7. Que cuidado tem de ser exercido quando se reprova a outros, conforme Jesus fez?

      7 Era quando lidava com pessoas perversas, que nem cabritos, que vemos Jesus usar linguagem e ações mais fortes. Jesus era brando, mas não era fraco. Quando necessário, denunciava outros, especialmente os hipócritas lideres religiosos, os escribas e os fariseus. Repetidas vezes, disse-lhes: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas!” (Mat. 23:13-36) Às vezes, alguns dos servos de Deus talvez precisam reprovar a outros, mas têm de exercer cuidado enorme quanto a como fazer isso, pois não têm a visão que Jesus tinha. Por isso, às vezes, não ser brando tem de ser a exceção, e deve ser ponderado mui cuidadosamente. Nisto, Jesus estabeleceu o exemplo, mas ele possuía autoridade e discernimento que as criaturas humanas imperfeitas não possuem, atualmente.

      PAULO INSTRUÍA COM BRANDURA

      8. Como foi que Paulo mostrou que se deveria instruir com brandura?

      8 O apóstolo Paulo sabia que o método de ensino de Jesus, usando a brandura, era o melhor, e era a norma a ser seguida, pois disse: “Ora, eu mesmo, Paulo, suplico-vos pela brandura e benignidade do Cristo:” (2 Cor. 10:1) Note, também, o que ele declarou em Primeira Tessalonicenses 2:5-8, em relação com sua maneira de lidar com os outros: “Nunca nos apresentamos quer com palavras lisonjeiras (conforme sabeis), quer com fingimento para cobiça; Deus é testemunha! Nem estivemos buscando glória dos homens, não, nem de vós, nem de outros, embora, como apóstolos de Cristo, pudéssemos ser um fardo dispendioso. Ao contrário, tornamo-nos meigos entre vós, como a mãe lactante que acalenta os seus próprios filhos. Tendo assim terna afeição por vós, de bom grado não só vos conferimos as boas novas de Deus, mas também as nossas próprias almas, porque viestes a ser amados por nós.” Para ser gentil, para ter afeição terna, Paulo tinha de ser brando. E era mesmo.

      9, 10. Como foi que outros acolheram a brandura de Paulo?

      9 Como foi que os irmãos na congregação cristã acolheram este apóstolo de maneiras brandas? Bem, em certa ocasião, quando Paulo disse aos homens mais idosos da congregação em Éfeso que não mais o veriam, observe a reação deles: “Deveras, irrompeu muito choro entre eles todos, e lançaram-se ao pescoço de Paulo e o beijaram ternamente, porque estavam especialmente condoídos por causa da palavra que ele falara, de que não mais iam ver o seu rosto.” (Atos 20:37, 38) Tais cristãos amavam o apóstolo de maneiras brandas, e desejavam ficar perto dele, pois obtinham revigoramento deste servo de Deus. Angustiava-os muito pensar que não mais o veriam. Em sua despedida, não houve nenhum formalismo frio, mas ternura, lágrimas e muita apreciação pelo serviço que ele lhes prestara.

      10 Se Paulo tivesse empregado métodos duros e mundanos em sua obra de instrução, é mui improvável que fosse objeto de tão genuína ternura. Expressões sinceras de amor e gratidão dificilmente são feitas à pessoa dura, porque a dureza repele, não atrai. Não há choro na despedida do capataz duro e cruel, antes, porém, há grande alívio.

      APELO À LIVRE VONTADE

      11, 12. Por que a dureza não é a maneira de agir de Deus?

      11 Os métodos duros de orientar e instruir atemorizam. Não inspiram confiança e amor. Talvez consigam a obediência por algum tempo, mas não se trata de obediência voluntária. O que se impõe aos outros geralmente não perdura, mas é descartado na primeira oportunidade. Assim, a obediência forçada não é desejável nem duradoura, pois Jeová implantou no homem a livre vontade e deseja deste a obediência voluntária.

      12 A maioria das pessoas ressente e resiste à dureza, à pressão ou à compulsão. Quando “os egípcios tornaram escravos sob tirania os filhos de Israel”, como isto afetou os oprimidos? (Êxo. 1:13) Êxodo 1:14 nos diz que “continuaram a tornar amarga a sua vida com dura escravidão”. Quando o Rei Roboão disse: “Meu pai impôs-vos um jugo pesado? Pois eu o tornarei ainda mais pesado”, o povo se revoltou, como Jeová predissera. (1 Reis 12:14, CBC) Em notável contraste, Jesus disse a seus ouvintes: “O meu jugo é benévolo e minha carga é leve.” (Mat. 11:30) Não é de se admirar que as pessoas que buscavam a verdade naqueles dias o seguissem, ao invés de aos líderes religiosos mandões que “amarram cargas pesadas e as põem nos ombros dos homens, mas eles mesmos não estão dispostos nem a move-las com o dedo”. — Mat. 23:4.

      13. Como foi que Paulo apelou à livre vontade de Filêmon?

      13 Observe como Paulo apelou para a livre vontade de Filêmon na questão do escravo fugitivo, Onésimo. Quando Paulo estava na prisão, Onésimo lhe foi muito útil. Mas, Paulo escreveu ao amo do escravo, Filêmon, e disse: “Eu gostaria de retê-lo para mim, a fim de que, em vez de ministrar a ti, estivesse ministrando a mim nas cadeias que levo pela causa das boas novas.” Será, porém, que Paulo reteve para si mesmo este escravo? Não! Pois disse a Filêmon: “Mas, sem consentimento teu, não quero fazer nada, para que o teu bom ato não seja como que sob compulsão, mas de tua própria livre vontade.” Que diferença faz esta atitude! Podemos imaginar como Filêmon se sentiria se, ao invés disso, Paulo lhe dissesse: ‘Ora, veja bem, Filêmon, eu preciso deste teu escravo, de modo que vou retê-lo, não importa o que digas.’ Não, Paulo sabia como agir, pois instruía com brandura. Preferia sofrer inconveniências do que lidar com Filêmon de forma dura ou tentar compeli-lo a agir contra a sua própria livre vontade. — Filêm. 13, 14.

      14. Que outros exemplos mostram que é desejada a voluntariedade?

      14 Ao falar de generosidade, Paulo também seguia este princípio de apelar com brandura para a livre vontade dos outros. Declarou: “Faça cada um conforme tem resolvido no seu coração, não de modo ressentido, nem sob compulsão, pois Deus ama o dador animado.” (2 Cor. 9:7) Quando Pedro aconselhou os homens mais idosos da organização a respeito de sua atitude para com a posição de supervisão que ocupavam, instou com eles: “Pastoreai o rebanho de Deus que está aos vossos cuidados, não sob compulsão, mas espontaneamente.” Estes maduros não devem pensar que estão obrigados a pastorear o rebanho de Deus, mas devem fazer isto em harmonia com sua livre vontade. — 1 Ped. 5:2.

      15. Que parte desempenha a autodisciplina em se fazer a vontade de Deus?

      15 Apelar à livre vontade das pessoas, com brandura, não quer dizer necessariamente que todos que dedicam sua vida a Deus apreciarão plenamente todas as obrigações que os cristãos têm. De início, talvez alguns achem difícil de cumprir certos requisitos. Mas, só porque tais pessoas talvez demorem a cultivar a apreciação e o gosto por tais coisas não significa que não as farão. Por exemplo, ao falar sobre a necessidade de pregar as boas novas, Paulo reconheceu que alguns talvez não desejassem fazer isso de início, que talvez fosse contrário à vontade que a pessoa havia moldado até aquele ponto da vida. Disse Paulo: “Se eu realizar isso espontaneamente, tenho uma recompensa; mas, se eu o fizer contra a minha vontade, mesmo assim fui incumbido duma mordomia.” (1 Cor. 9:17) Paulo não dizia que outrem o obrigaria a fazer isto. O que dizia era que alguns teriam de vencer sua própria vontade egoísta a fim de ajustar-se à vontade de Deus, pois, de início, a carne imperfeita nem sempre se deleita em fazer o que é correto. Todavia, até mesmo aqueles que fazem isto contra vontade são abençoados, pois não são compelidos a fazê-lo, mas eles mesmos se obrigam a fazê-lo porque amam a Deus e desejam fazer a Sua vontade. É por isso que Paulo disse: “Amofino o meu corpo e o conduzo como escravo.” (1 Cor. 9:27) Assim, a obediência deste tipo para com Deus é ainda basicamente voluntária, partindo da livre vontade da própria pessoa, porque a pessoa não é forçada por outrem, mas exerce a disciplina sobre si mesma a fim de fazer a vontade de Deus.

      QUANDO PREGA A OUTROS

      16. Será que Pedro concordou com os métodos de Jesus e Paulo?

      16 A espécie de pessoas que Jeová deseja que vivam em sua nova ordem são as que acolherão o apelo da verdade por sua própria livre vontade. Com tais pessoas, nosso modo de instruir será muitíssimo eficaz quando feito com brandura. De casa em casa, ao revisitarmos tais pessoas interessadas, ou quando lhes ensinamos a Bíblia em seus próprios lares, o instrutor conseguirá lhes inculcar muito melhor seus pontos por meio de um apelo brando, gentil, aos princípios, à lógica e à beleza da verdade. Pedro mostrou que este método era aquele que deveríamos usar na obra de instruir outros, quando disse: “Mas, santificai o Cristo como Senhor nos vossos corações, sempre prontos para fazer uma defesa perante todo aquele que reclamar de vós uma razão para a esperança que há em vós, fazendo-o, porém, com temperamento brando e profundo respeito.” — 1 Ped. 3:15.

      17, 18. Como é que a falta de brandura impede a instrução?

      17 Quando o cristão instrui com brandura, seu ouvinte poderá melhor concentrar-se na matéria que é apresentada. Não se desviará dela, como aconteceria se o instrutor tivesse maneiras discordantes. O instrutor duro, argumentativo e desagradável desviará da matéria parte da atenção do estudante e a focalizará no instrutor. Isto seria um obstáculo ao seu progresso. O instrutor duro talvez até faça outros tropeçar e os afaste da verdade! Por outro lado, quem instrui com brandura verifica que esta qualidade é uma ajuda e poderá dizer, como disse Paulo: “De modo algum damos qualquer causa para tropeço, para que não se ache falta no nosso ministério.” — 2 Cor. 6:3.

      18 É necessário ter muita paciência quando se prega a outros. Nisso, de novo, a brandura ajuda o cristão. A pessoa branda não fica fàcilmente perturbada quando é vagaroso o progresso de outros, ou quando encontra indiferença para com a mensagem. Dá-se muito melhor por ser paciente do que aquele que não tem brandura, pois tal pessoa é mais inclinada a ser precipitada, fàcilmente irritável e impaciente quando não obtém logo resultados. Mas, se deixássemos nossa brandura porque o progresso é vagaroso ou por causa de respostas negativas, estaríamos frustrando nosso propósito, trabalhando contra aquilo que tentamos conseguir.

      19. Se surgir oposição, a que não deve ser atribuída?

      19 Avalie que o instrutor brando nem sempre obterá ouvidos que ouvem. Com efeito, alguns se oporão e lutarão contra até mesmo a mais branda das pessoas, como fizeram contra Jesus. Mas, se houver oposição ao instrutor das boas novas, deve ser por causa da mensagem que leva, por causa de representar o Deus Altíssimo, Jeová, e não por motivo de qualquer rudeza ou dureza em palavra ou em ações de sua parte.

      20, 21. Por que devemos manter nossa brandura até mesmo quando se nos opõem?

      20 Manter a brandura sob provocação ajudará até mesmo alguns destes oponentes a mudar sua atitude de coração. Provérbios 15:1 (CBC) declara: “Uma resposta branda aplaca o furor, uma palavra dura excita a cólera.” Tão eficaz é a brandura ao se lidar com oponentes, especialmente por ignorância, que Provérbios 25:15 (CBC) diz: “A língua doce pode quebrantar ossos.” A disposição branda, pode, com o tempo, contribuir muito para derrubar o preconceito e a oposição. “O escravo do Senhor não precisa lutar, porém, precisa ser meigo para com todos, qualificado para ensinar, restringindo-se sob o mal, instruindo com brandura os que não estiverem favoràvelmente dispostos, visto que talvez Deus lhes dê arrependimento, conduzindo a um conhecimento exato da verdade.” — 2 Tim. 2:24, 25.

      21 Muitos são aqueles que de início se opõem, mas que ficam assombrados com as qualidades cristãs daquele que prega a eles e assim começam a investigar a mensagem que levam, eventualmente se tornando servos dedicados de Deus. Que poderoso motivo é este para que o cristão não ‘retribua a ninguém mal por mal’, quando confronta pessoas desarrazoadas! Mas, até mesmo se persistir a oposição, o cristão não retalia. Lembra-se do incidente em que os samaritanos não receberam Jesus. “Vendo isso, os discípulos Tiago e João, disseram: ‘Senhor, queres que mandemos que desça fogo do céu e os aniquile?’ Mas ele [Jesus] se voltou e os repreendeu.” A vingança pertence a Deus. Ele é o Juiz e ele cuidará dos oponentes endurecidos, no devido tempo. — Rom. 12:17; Luc. 9:54, 55.

      ENTRE OS IRMÃOS CRISTÃOS

      22. Onde mais é uma necessidade a brandura?

      22 A brandura deve ser usada não só com os de fora da congregação cristã ou o círculo familiar. Não pode ser posta de lado só porque a pessoa lida com os da fé cristã. Pelo contrário, se usamos a brandura com aqueles que não são da fé, precisamos usá-la ainda mais quando lidamos com nossos irmãos cristãos. A brandura não é uma veste que o cristão usa para fazer figura, de modo a impressionar os de fora. Tem de se tornar parte de sua personalidade. Deve ser usada a todo o tempo, especialmente ao lidar com os de dentro da congregação cristã. “Realmente, então, enquanto tivermos tempo favorável para isso, façamos o que é bom para com todos, mas especialmente para com os aparentados conosco na fé.” — Gál. 6:10.

      23. Como é que a brandura ajuda quando surgem mal-entendidos?

      23 Se surgir um mal-entendido entre irmãos cristãos, a brandura os ajudará a fazer o que é certo. “Concordemente, como escolhidos de Deus, santos e amados, revesti-vos das ternas afeições da compaixão, benignidade, humildade mental, brandura e longanimidade. Continuai a suportar-vos uns aos outros e a perdoar-vos uns aos outros liberalmente, se alguém tiver razão para queixa contra outro. Assim como Jeová vos perdoou liberalmente, vós também o fazei.” (Col. 3:12, 13) Os que cultivam o espírito brando farão mais prontamente as pazes com seu irmão e perdoarão como Deus perdoa. Os de temperamento brando serão mais provavelmente “da mesma mentalidade, mostrando empatia, exercendo o amor fraternal, sendo ternamente afetuosos, tendo humildade mental”. Sua brandura os ajuda a se aproximar da profundeza de amor e afeição que Pedro recomendou, ao dizer: “Acima de tudo, tende intenso amor uns pelos outros.” (1 Ped. 4:8) Não há nada tão importante nas relações entre os irmãos cristãos de modo que substitua a brandura, a ternura, a empatia e o amor por táticas frias e duras.

      24. Como se deve dar conselho a alguém que tropeça no erro?

      24 Às vezes, o cristão talvez tropece no erro. Então, precisa de conselho. Como deve ser dado? “Irmãos, mesmo que um homem dê um passo em falso antes de se aperceber disso, vós, os que tendes qualificações espirituais, tentai restabelecer tal homem num espírito de brandura.” (Gál. 6:1) Promove-se a restauração da pessoa que dá um passo em falso, antes de se aperceber disso, quando ela é corrigida com brandura. Naturalmente, se o erro for voluntário e a pessoa persistir nele ao ponto de praticar a iniqüidade, então a congregação cristã tomará outras medidas para punir tal malfeitor e para proteger a congregação. — 1 Cor. 5:11-13; 2 João 9-11.

      25, 26. Que cuidado devem exercer os que lideram, e qual é a sua relação correta para com seus irmãos?

      25 Os superintendentes e os servos ministeriais devem exercer grande cuidado e esforçar-se àrduamente para continuarem a progredir em brandura. As muitas responsabilidades que têm, os vários problemas e dificuldades de que cuidam podem obrar no sentido da perda de brandura, se recorrerem a seu próprio arrazoamento e espírito humanos imperfeitos. Desejam confiar em Jeová e buscá-lo continuamente para obterem a orientação dele pelo Seu espírito santo. Desse modo, sua brandura será mantida e aumentará. A congregação será edificada e encorajada por estes pastores brandos que produzem os frutos do espírito de Deus, mas ficaria desanimada e dividida pela dureza. E, na congregação cristã, qualquer pessoa que persistir em lidar duramente com o rebanho de Deus, com o tempo, será removida de seu privilégio de servir a seus irmãos. Pedro avisou aqueles que lideravam de que não deveriam fazer isso ‘como que dominando sobre os que são a herança de Deus, mas tornando-se exemplos para o rebanho’. — 1 Ped. 5:3.

      26 Jesus mostrou que as pessoas que lideram deveriam servir, ou ministrar, a seus irmãos. “Pôs água numa bacia e principiou a lavar os pés dos discípulos e a enxugá-los com a toalha.” Explicando por que fizera isto, disse Jesus: “Vós me chamais de ‘Instrutor’ e ‘Senhor’, e falais corretamente, pois eu o sou. Portanto, se eu, embora Senhor e Instrutor, lavei os vossos pés, vós também deveis lavar os pés uns dos outros. Pois estabeleci o modelo para vós, a fim de que, assim como eu vos fiz, vós também façais.” Em outra ocasião, declarou a seus seguidores: “Quem quiser tornar-se grande entre vós, tem de ser o vosso ministro, e quem quiser ser o primeiro entre vós, tem de ser o vosso escravo.” É a este tipo de humildade que os servos de Deus desejam imitar hoje em dia. Aqueles que têm espírito brando não terão dificuldade em fazê-lo, pois a brandura é o companheiro natural da humildade. — João 13:5, 13-15; Mat. 20:26, 27.

      27. Onde mais é essencial a brandura?

      27 A brandura é essencial na menor unidade da congregação, a saber, o círculo familiar. Pais e mães lidam uns com os outros e com seus filhos com brandura, não recorrendo a demonstrações de temperamento ruim ou falta de razoabilidade. O chefe de família, o marido, precisa dar muito conselho e disciplina, mas deve fazê-lo com brandura. Esta maneira branda de lidar com os filhos produzirá grande efeito a favor do bem nas mentes jovens. Aprenderão desde a infância que a forma branda é a forma de se lidar com os outros. Ao crescerem, tornando-se adultos, o espírito brando crescerá junto com eles e se tornará parte de sua personalidade cristã.

      28. Quais são os resultados da brandura?

      28 Instruir com brandura, então, é a maneira de agir de Deus. Obtém os melhores resultados quando pregamos aos de fora da congregação cristã, quando ensinamos e aconselhamos os de dentro da congregação, e quando instruímos e corrigimos no círculo familiar. Contribui para grande paz e felicidade, individual e coletivamente. Que imenso prazer é nos achar entre uma inteira sociedade de pessoas que produzem os frutos do espírito de Deus, que trabalham, vivem e instruem outros com brandura! Que Deus abençoa tais pessoas, Jesus deixou claro ao dizer: “Felizes os de temperamento brando, porque herdarão a terra.” — Mat. 5:5.

  • Será que dá “conforme tem resolvido no seu coração”?
    A Sentinela — 1967 | 15 de novembro
    • Será que dá “conforme tem resolvido no seu coração”?

      ELE tinha apenas nove anos, mas estava imbuído do espírito das boas novas do reino de Deus. Isto era evidente da carta que escreveu à filial da Sociedade Torre de Vigia (EUA) em Atenas: “Meus pais me disseram que se eu passasse nos exames escolares anuais com uma nota excelente, eles me dariam de presente 500 dracmas [cerca de NCr$ 46]. Com efeito, passei nos exames, e meus pais me deram este prometido presente em dinheiro, dizendo que eu o empregasse conforme quisesse. Depois de ter refletido, cheguei à decisão de usar este dinheiro para expandir a publicação das boas novas, e lhes remeto por meio do nosso superintendente.”a

      Notável? Sim; mas não é completamente ímpar, pois exercerem as boas novas do reino de Deus este efeito sobre as crianças pode também ser observado naquilo que uma criança rodesiana de cinco anos escreveu à filial da Sociedade Torre de Vigia (EUA) em Salisbury: “Prezados Irmãos, Aqui está meu donativo à Sociedade de 1/- [um xelim; valor, cerca NCr$ 0,38] que

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