-
O fumar veio para ficar?Despertai! — 1981 | 8 de setembro
-
-
dos homens nos países ocidentais morrem de doenças cardíacas, e o câncer mata muitos dos demais. A evidência revela que fumar cigarro é a causa principal desses terríveis flagelos.
A Faculdade Real de Medicina da Grã-Bretanha chamou o hábito de fumar de “tão grande causador de morte quanto foram as grandes doenças epidêmicas como o tifo, a cólera e a tuberculose”. O Serviço de Saúde Pública dos E.U.A. diz que o fumar é nossa “principal causa de doenças e morte evitáveis”.
A evidência se acumula. Em janeiro de 1979, p diretor nacional de saúde dos E.U.A. publicou um relatório sobre fumar, citando 30.000 trabalhos de pesquisa como referências. “Fumar cigarro”, dizia o relatório, “é o fator do ambiente, singelo e evitável, que mais contribui para doença, deficiência e morte nos Estados Unidos”. Comentando editorialmente o relatório, o Times de Nova Iorque observava: “O fumo está matando mais de 350.000 americanos cada ano.”
O relatório do diretor nacional de saúde dos E.U.A., em 1980 sublinhava os efeitos desastrosos do fumo nas mulheres, que começaram mais recentemente a fumar em massa. “Estão aparecendo agora entre as mulheres os primeiros sinais de uma epidemia de doença relacionada com o fumo”, disse ele. “Dentro de três anos, calcula-se que o índice do câncer pulmonar ultrapassará o do câncer da mama.”
O Dr. Halfdan Mahler, diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, disse em março de 1980: “Fumar é provavelmente a maior causa singela evitável da saúde precária no mundo.”
Caso seja fumante e centenas de conceituadas autoridades médicas lhe dissessem estas coisas sobre seu hábito, o que faria?
Está Caindo da Moda?
Dezenas de milhões de fumantes, aceitando a evidência, deixaram de fumar. Só nos Estados Unidos há uns 30 milhões de ex-fumantes. A maioria dos homens nos E.U.A. fumava em 1965, mas, em 1979, menos de 37 por cento fumavam. Durante esse período, até mesmo o número de mulheres fumantes diminuiu de 32 para 28 por cento. Mais de metade da população adulta do Canadá fumava em 1965; hoje menos de 42 por cento fumam.
Sim, muitos fumantes foram ajudados a abandonar o hábito. Em 1978, foram consumidos nos Estados Unidos 2.000.000.000 de cigarros menos do que no ano anterior. Daniel Horn, da Câmara Nacional de Compensação do Fumo e da Saúde, proclamou com otimismo: “Ganhou-se o combate contra o fumo. Tudo o que resta é fazer uma operação de limpeza.” Mas, será que é verdade?
De forma alguma! Conforme replicou um empresário do Instituto do Fumo: “Não tencionamos ficar de braços cruzados contemplando a destruição de nossa indústria.” De modo que foram gastos US$ 875 milhões (cerca de Cr$ 78.750.000.000,00) em ano recente na propaganda de cigarros, mais do que o que foi gasto em qualquer outro produto vendido nos Estados Unidos. Na realidade, o declínio de 2.000.000.000 no consumo de cigarros nos E.U.A. foi apenas de 617 bilhões de cigarros para 615 bilhões, menos de um terço de um por cento de decréscimo.
O fato é que a indústria de cigarros continua a crescer, à medida que novos mercados são explorados nos chamados países do Terceiro Mundo. Em ano recente, os E.U.A. aumentaram suas exportações de fumo mais de 20 por cento! Assim, foram produzidos mundialmente em 1978 100 bilhões de cigarros mais do que em 1977.
Para assegurar que o fumar não caia da moda, a indústria de cigarros explorou outro mercado — a juventude. Segundo explica o psicólogo Dr. Ronald Shor: “Os adolescentes estão à procura de sugestiva identidade de adulto, e estão tentando encontrar um meio de levar uma vida feliz e normal de adulto sem terem de renunciar ao seu espírito jovem. É exatamente o que as propagandas [de cigarro] dizem que pode acontecer à pessoa, se se tornar fumante.”
Assim, 6.000.000 de jovens nos E.U.A., de menos de 20 anos de idade, fumam agora. Há, evidentemente, uma percentagem maior em outros países, conforme observa a revista World Health: “Na Bélgica, 50 por cento dos jovens comecem a fumar aos 15 anos. Na República Federal da Alemanha, 36 por cento na faixa de 10 a 12 anos já são fumantes confirmados e regulares.”
Mas, por que é que um produto conhecido como sendo causador de terríveis doenças não é proibido, ao invés de se fazer propaganda espalhafatosa dele como sendo bom para as pessoas? E, se os perigos de fumar são tão bem confirmados, por que é que tantos milhões de pessoas continuam a fumar?
-
-
Por que fumar é tão popularDespertai! — 1981 | 8 de setembro
-
-
Parte 2
Por que fumar é tão popular
APESAR de avisos de perigo para a saúde e campanhas contra o fumo, o hábito de fumar ainda goza de muita popularidade. Com efeito, muitas pessoas fumam mais do que antes.
Entre 1965 e 1978, o número de cigarros usados nos Estados Unidos subiu para quase 90.000.000.000, mas o número dos fumantes continuou quase o mesmo. Por que esse aumento de consumo por parte dos que fumam?
Teor de Nicotina e Alcatrão
O reduzido teor de nicotina e de alcatrão nos cigarros é, pelo que parece, um fator. A nicotina, um importante ingrediente do tabaco para fumar, é tema droga venenosa usada comercialmente em inseticidas. E o alcatrão são as partículas de matéria na fumaça, que também é chamado de “resíduo glutinoso da fumaça do tabaco”. Como a nicotina e o alcatrão são perigosos para a saúde, as companhias de cigarro têm diminuído o teor deles nos seus cigarros. Com que resultados?
Um deles é que os fumantes tendem a fumar mais cigarros “Em experiências preliminares”, relata Medical World News, “sete fumantes inveterados de cigarros fumaram, em média, 25% mais cigarros por dia quando passaram a usar uma marca com pouco teor de nicotina”. O Dr. Stanley Schachter, que orientou as experiências, concluiu, por conseguinte, que “a campanha de cigarros com pouco teor de nicotina é enganosa”.
Mas, por que se fumam mais cigarros quando o teor de nicotina e de alcatrão é mais baixo? Em especial, é para satisfazer o desejo ardente que o fumante sente de nicotina — a fim de que obtenha a quantidade à qual está acostumado. A nicotina atinge o cérebro em questão de alguns segundos depois de ser inalada pelo fumante. Portanto, cada baforada, explica o Dr. Michael A. H. Russell, representa uma dose de uma unidade de nicotina. Diz ele, em Drug Metabolism Reviews (1978), que é como receber uma injeção de heroína.
O viciado em heroína pode passar diversas horas sem sentir desejo ardente de outra injeção. Depois de a pessoa fumar um cigarro, leva cerca de 20 a 30 minutos para a nicotina se dispersar do cérebro para os outros órgãos. Isto é mais ou menos o intervalo de tempo entre um cigarro e outro para os fumantes inveterados — quando precisam de outra “injeção” de nicotina.
Contudo, e justo comparar o desejo ardente de um cigarro com o de heroína? Será que a nicotina realmente vicia?
É Vício Fumar?
Comumente, as pessoas dizem que fumam porque isto as descontrai, alivia a tensão nervosa e faz com que se sintam calmas. Mas as experiências mostram que, ao invés de realmente descontrair o fumante, o fumar simplesmente habilita o fumante a afastar os sintomas adversos da privação.
Este fato foi revelado quando tanto não-fumantes como fumantes foram expostos a situações tensas. Os fumantes que fumaram cigarros que continham alto teor de nicotina se sentiram, nessas situações, melhor do que quando fumaram cigarros com baixo ou nenhum teor de nicotina. Mas não se sentiriam nem melhor nem pior do que os não-fumantes nessas mesmas situações. Eis a conclusão: “O fumar não torna o fumante menos irritável ou menos vulnerável à perturbação”, disse o Dr. Schachter. Entretanto, acrescentou ele que “não fumar ou a insuficiência, de nicotina o torna mais irritável”.
Assim como o viciado em heroína precisa de heroína para afastar a irritabilidade e outros sintomas parecidos, o fumante também precisa de sua nicotina pelo mesmo motivo.
Fumar cigarro é agora considerado por autoridades no assunto uma forma de vício. Segundo o relatório Smoking or Health (Fumar ou Saúde), feito pela Faculdade Real de Medicina da Grã-Bretanha, isto “é uma forma de dependência de droga diferente da de outras drogas viciadoras, mas não menos forte”. O relatório conclui: “A maioria dos fumantes continua a entregar-se ao hábito porque está viciada à nicotina.”
O Dr. M. A. H. Russell, à base de considerável pesquisa, declara explicitamente: “Se não fosse a nicotina no fumo do tabaco, as pessoas não estariam muito mais inclinadas a fumar cigarros do que fazer bolhas de sabão ou acender estrelinhas.” Embora outros fatores também possam estar envolvidos para tornar esse hábito tão arraigado, muitos dos fumantes são obviamente viciados em sentido físico. Isto se evidencia pela sua agonia quando ficam sem fumar cigarros. Descrevendo a sua situação ao largar o hábito de fumar, Budd Whitebook escreveu para a revista Harper’s:
“Meu corpo estava mais doente do que pensei que pudesse ficar. As juntas de meus braços e ombros, os músculos do meu peito e a barriga de minhas pernas doíam tanto na primeira noite que eu me escondi no escuro e chorei. A dor durou só um dia, mas, por pelo menos uma semana, eu tinha sempre dor em alguma parte. Minha boca, meu nariz, minha garganta, meu estômago e cada um dos meus dentes sentiam a falta do fumo e da nicotina, e os efeitos duraram muito mais tempo. Eu abria a boca de tal forma que era como se estivesse ajustando uma dentadura comprada numa loja de artigos baratos. Minha garganta doía como se eu tivesse fumado demais, talvez por inalar muito por causa da falta de cigarro. Eu assoava o nariz desnecessariamente. É espantoso como várias partes de mim — falange, órgão, membrana e cabelo — queriam fumo, cada parte de seu próprio modo dolorido. Por duas semanas inteiras eu sentia náusea.”
Talvez alguém diga: ‘Não é criminoso promover um hábito que vicia e prejudica a tal ponto a saúde?’ Por que se faz isso?
Tudo por Causa de Dinheiro
Sabe-se que até mesmo pessoas consideradas benignas e respeitáveis fazem, a bem dizer, tudo por causa de dinheiro. Sim, até mesmo matam. Os governos fazem às vezes guerra, sacrificando muitas vidas, para proteger egoistamente interesses econômicos. Não há porventura um paralelo em promover o uso de cigarro?
Medical Tribune declara: “Os cigarros são uma das principais causas de morte nos Estados Unidos, contudo a maioria dos órgãos governamentais demonstrou repetidamente não estar disposta a proteger o público ou, pior ainda, age para agravar uma situação maléfica através de subsídios aos cultivadores do fumo.”
O Daily News de Nova Iorque dizia: “A atitude do governo para com o fumo é um estudo sobre hipocrisia. . . . tem fornecido subsídio para tabaco desde 1938, aumentando continuamente a soma até US$ 65 milhões [cerca de Cr$ 5.850.000.000,00] atualmente, inclusive a concessão de US$ 24 milhões [cerca de Cr$ 2.160.000.000,00] em empréstimos para a exportação de fumo para nações desprivilegiadas sob o programa de Alimentação Para Paz.”
O governo dos E.U.A. arrecada bilhões de dólares anualmente em impostos sobre cigarros. Mas milhares de cidadãos também lucram com o fumo. Só nos Estados Unidos, o hábito de fumar provê o meio de vida para umas 450.000 famílias que cultivam fumo e para 72.700 trabalhadores na indústria do cigarro. “Se acabássemos com o fumo”, exclamou um cultivador, “iríamos todos depender do seguro do desemprego e dos food stamps [selos emitidos pelo governo para os de baixa renda, resgatáveis em alimento]. O pequeno agricultor não consegue subsistir de milho e do feijão-soja”
Todavia, podem ser feitos ajustes, e as pessoas podem ganhar seu sustento por outros meios. Há alguns anos, todas as Testemunhas de Jeová que estavam relacionadas de alguma forma com o comércio do fumo saíram dele completamente. Compreenderam quão incoerente seria um cristão fornecer um produto que, segundo a evidência médica, “é responsável anualmente por mais mortes do que o número de mortos americanos nos campos de batalha da Segunda Guerra Mundial, da Coréia e do Vietnã em conjunto”.
Mas algumas pessoas talvez digam: ‘O fumante só prejudica a si próprio Por que proibir um produto do qual as pessoas acham que derivam prazer?’
-