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Um dia no tribunalDespertai! — 1971 | 8 de fevereiro
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sentença. Se o crime envolver uma sentença de menos de quatro anos, o tribunal talvez permita que o réu retorne para casa até o caso ser julgado, embora muito dependa do tipo de crime envolvido.
Observando o Processo
Queda-se pensativo sob a efetividade dum sistema em que a decisão fica a critério de um só homem, o juiz? Bem, em cada caso julgado naquele dia no tribunal, o juiz sempre foi cuidadoso de dizer ao réu que tinha quatorze dias em que poderia apelar da decisão. Isso levaria o caso a um tribunal de maior instancia, com três juízes. Se ainda ficasse insatisfeito, o réu poderia levar seu caso a um tribunal de ainda maior alçada na Holanda. Dos quatorze casos que observei naquele dia, nenhum moveu recurso. Se o juiz parecia errar em qualquer tempo de suas decisões, era do lado da misericórdia.
Talvez pense que este é simples tribunal municipal, em que apenas casos insignificantes ou acidentes de trânsito são julgados. Não, tratava-se de verdadeiro tribunal criminal. Por exemplo, o terceiro réu naquele dia era um homem alto, bem vestido, de boas maneiras, de trinta e oito anos. Não havia nada em suas maneiras que sugerisse que, apenas alguns meses antes, cometera um homicídio premeditado.
Os fatos, conforme apresentados ao tribunal, mostravam que ele ensopara seu patrão em gasolina e então ateara fogo nele. Embora socorrido pela polícia, a vítima sofrera graves queimaduras e morrera no hospital dois dias depois. Qual a razão do crime? Parece que o homem há muito alimentava a animosidade contra seu patrão e não raro entretinha idéias de vingança. Isto se dava por que seu patrão continuava a menosprezá-lo e a zombar dele. Era envergonhado demais para discutir o assunto com seu patrão, simplesmente permitiu que o ressentimento fosse crescendo até chegar em estado explosivo.
No julgamento o promotor público pediu uma sentença de quatorze anos de prisão. Parece-lhe uma sentença leve para tal crime? Faz-nos lembrar que a lei romana, desde seu início, tendeu sempre a avaliar pouco a vida humana. Por exemplo, na primitiva Roma, um homem descuidado de seus deveres para com seu mestre podia ser severamente punido, ao passo que, se este matasse um de seus pares, era chamado de “indivíduo imprestável” e se saía com um castigo comparativamente leve.
Outros casos que foram julgados neste dia no tribunal eram de natureza menos séria. A maioria envolvia roubos, fraudes, brigas, resistir à prisão. Um caso a respeito da moral foi julgado por trás de portas fechadas. O juiz fazia a cada réu várias perguntas, tais como: Achava-se sob a influência do álcool quando o crime foi cometido? É casado? Quantos filhos tem? Tem emprego, ou perdeu o emprego por causa desta dificuldade em que se meteu? Era como um pai, mostrando interesse pessoal neles, dizendo-lhes que deveriam aprender a controlar seu temperamento. Indicava a tolice de resistir à prisão, pois, afinal de contas, o policial tinha de cumprir seu dever e não trabalhava nisso por prazer.
Os criminosos, como os violadores do trânsito, não raro repetem o mesmo crime, e era isso que apresentava verdadeiro problema para o juiz. Os ofensores na primeira vez foram admoestados a reformar-se, e, via de regra, receberam sentenças leves. Os reincidentes foram tratados com mais firmeza.
Os efeitos do colapso moral geral através da terra são refletidos aqui em Curaçau. O roubo parece estar aumentando. O que é mais, o roubo de um tipo que anteriormente jamais se ouvira falar — roubo de caixas de esmolas das igrejas! Isto traz à mente um caso na ilha de Barbados em que um ladrão levou uma caixa de contribuição dum Salão do Reino das Testemunhas de Jeová, ao passo que a congregação estava orando.
Um dia passado num tribunal, especialmente como espectador, é deveras educativo. Aprende-se a pensar claro e logicamente; a ver uma questão de mais de um ângulo; a apreciar os direitos de um réu no tribunal. Vê-se as evidências de que vivemos nos preditos “últimos dias”, em que os crimes e os criminosos se multiplicariam. (2 Tim. 3:1-4) Acima de tudo, obtém-se apreciação mais profunda de que apenas o Deus onipotente pode endireitar as coisas todas e fazer vigorar uma lei perfeita que trará paz e vida feliz infindável para os que se pautarem pelos seus requisitos.
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Eclipse solar — será coincidência?Despertai! — 1971 | 8 de fevereiro
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Eclipse solar — será coincidência?
HOMENS reverentes com freqüência se maravilharam com o traçado inteligente do sistema solar. O Criador colocou a terra bem na distância exata do sol para que recebesse a luz e o calor certos para tornar possível a vida. Também, a distância da lua é bem proporcionada para realizar seus serviços à terra — nem longe demais para fornecer luz adequada à noite, nem tão perto que as ondas atingissem alturas desastrosas.
Sabia, porém, que este ajuste de distância que permite condições de vida ideais na terra também é decisivo em tornar possível a beleza do eclipse total do sol?
Um diâmetro, o sol é realmente 400 vezes maior que a lua, mas sua distância da terra é também 400 vezes maior que a da lua. Se a lua estivesse consideravelmente mais próxima, obscureceria a cromosfera e grande parte da coroa do sol. Se estivesse um pouquinho mais longe, seria pequena demais para cobrir o sol e nunca poderíamos ver um eclipse total.
Será mera coincidência que o Criador, que deu a terra uma atmosfera belamente transparente para que seus habitantes inteligentes pudessem ver e estudar o universo; que também proveu uma variedade infindável de formações de nuvens para brincar com a luz do sol e produzir ocasos de deslumbrante beleza; que pinta o céu de maneira tão deleitosa com o maravilhoso arco-íris — tenha também colocado a lua em tal órbita que fornecesse ao homem um raro vislumbre da glória de um eclipse solar?
Considere também que a provisão deste espetáculo é uma dádiva exclusiva a terra. Não ocorre nos outros planetas, que não são habitáveis. As duas luas de Marte são tão pequeninas que não cobririam o sol, conforme visto de Marte. Júpiter possui luas maiores, mas estão tão perto que apareceriam muito maiores que o sol a alguém na superfície daquele planeta. Mas, mesmo na terra, o espetáculo do eclipse total está longe de ser algo comum.
Quando ocorreu o eclipse total em março último, até mesmo muitos dos espectadores talvez não tenham avaliado plenamente que experiência realmente rara é.
Ao consultarmos um almanaque, ficamos sabendo que um eclipse total ocorre realmente na maioria dos anos em alguma parte da terra. Já houve quarenta e nove neste século. Mas, quando se diz “em alguma parte”, é muito provável que seja lá longe, nos oceanos, que abrangem 71 por cento da superfície da terra. Daí, também, metade da área terrestre é deserto desabitado, selva, tundra ou campo de gelo. Poucos são os eclipses visíveis em áreas povoadas Se ficar onde está, pode esperar ver um eclipse total apenas uma vez em 360 anos — e nessa ocasião bem que poderá estar nublado. Nove pessoas dentre dez viveriam e morreriam sem sequer usufruir esta experiência. Por outro lado, se puder viajar algumas centenas de quilômetros no tempo certo, terá provavelmente uma oportunidade de pelo menos uma vez na vida ver um eclipse total.
Por que devia tal exibição magnífica ser visível a tão poucos de cada vez? Porque a sombra da lua é muito pequena na parte em que atinge a terra. Seria maior se a lua fosse maior ou estivesse mais perto, mas isso, conforme vimos, estragaria o espetáculo. Assim, a sombra da lua precisa ser de apenas uns 160 quilômetros de extensão, e viajando, como o faz, a mais de 1.600 quilômetros por hora, pode cobrir um local apenas por alguns minutos. Avaliando isto, maravilhamo-nos com a sabedoria do Criador manifesta em Seu projeto desta maravilha.
Realmente, deveríamos sentir-nos talvez dessatisfeitos não com a raridade do eclipse, mas com a brevidade da vida. Na verdade, Aquele que projetou o eclipse total o fez para ser visto apenas três vezes num milênio. Mas, nesse caso, conforme mostra a Bíblia, Ele projetou o espectador para viver para sempre.
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