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Desvendando a fonte básicaDespertai! — 1971 | 8 de outubro
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o grau de envenenamento que resultaria de seu uso em ampla escala de combustíveis fósseis, nem da capacidade limitada dos rios, dos lagos e até mesmo dos oceanos, em absorver os restos lançados neles. As pessoas que ambicionaram os primitivos instrumentos de poupar trabalho e equipamentos prestimosos de início procuravam aliviar de algum modo a sua carga. Não se propuseram deliberadamente a destruir seu ambiente. Mas, tampouco ficaram mui preocupadas quando o dano se tornou mais evidente.
O autor Lewis Mumford afirma a respeito do conceito empedernido que a sociedade industrial desenvolveu: “Prestar atenção a assuntos tais como sujeira, barulho, vibração, era considerado uma finura afeminada.” Relata que, quando o inventor escocês James Watt desejou aprimorar seu esquema da máquina a vapor, de modo a reduzir seu barulho alto, os fabricantes da Inglaterra impediram Watt de fazê-lo. Por quê? Gostavam da evidência audível de poder que o barulho dava! Um moderno industrial da Alemanha mostrou que a atitude pouco mudou. Conforme noticiado em Der Spiegel, de 14 de setembro de 1970, quando entrevistado sobre a poluição do Reno, ele demonstrou alguma preocupação com a morte dos peixes, más, disse: “Tomar banho, pescar e romance — isso tudo é um monte de drogas.” Sacrificar tais coisas era simplesmente o “preço do progresso”.
Chegando à raiz do problema, o ecologista Barry Commoner declara: “Os primitivos estragos causados aos nossos recursos eram usualmente feitos com bom conhecimento das conseqüências prejudiciais, pois é difícil fugir do fato que a erosão rapidamente acompanha o desflorestamento de uma encosta de colina. [E é preciso apenas senso comum para se compreender que, se sobrecarregar uma corrente de lixo, isso atingirá as pessoas rio abaixo.] A dificuldade reside, não na ignorância científica, mas na ganância deliberada.”
Ainda há ignorância, naturalmente. Os cientistas admitem que ainda não conhecem os plenos efeitos de muitas das combinações químicas que estão sendo espalhadas no ar, no solo e na água. Esta ignorância é perigosa. Mas, a apatia diante de tal perigo, apatia arraigada no egoísmo humano, “ganância deliberada”, tem impedido qualquer paralisação real ou até mesmo um atraso no desenvolvimento tecnológico de novos instrumentos e produtos químicos.
Que esperança ou remédio existe então? O que dizer dos êxitos obtidos em certas áreas, em deter o envenenamento do ambiente? Poderá levar ao pleno alívio?
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Pode o homem solucionar o problema?Despertai! — 1971 | 8 de outubro
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Pode o homem solucionar o problema?
UMA coisa é saber qual é o problema e como veio a existir. Solucioná-lo é outra coisa bem diferente.
Pode isto ser feito? Bem, o corpo humano saudável pode pensar uma ferida se obtiver bons cuidados. Assim, também, a terra pode sarar suas feridas se obtiver a espécie correta de cuidados.
O homem, porém, tem de operar em harmonia com as leis naturais já estabelecidas para a terra. Tais leis não mudarão. O homem tem de mudar. Não há de forma alguma outra escolha.
Quais, então, são as perspectivas de que o homem venha de novo a se harmonizar com a terra?
As Perspectivas
Algumas correntes, um lago aqui e acolá, o ar sobre algumas cidades — essa é a extensão do êxito que o homem tem obtido ao tentar inverter a tendência desastrosa. O que dizer da situação geral?
Encarando realisticamente a situação geral, há pouca base para otimismo. Por exemplo, olhe o que aconteceu na cidade de Nova Iorque. Lá por volta de 1955, seu comissário sobre a poluição atmosférica predisse: “Dentro de 10 anos, nossa cidade será um bom lugar para se inalar o ar.” Um pesquisador também predisse: “Por volta de 1965, o ar respirado pelo homem que cruza a Rua 42 será tão fresco quanto o ar dum desfiladeiro de montanha suíço.”
Quem vive em Nova Iorque poderia chamar de ridículas tais predições. O ar de Nova Iorque se acha tão grandemente poluído agora que é taxado quer de ‘insatisfatório’ quer de ‘insalubre’. Aquelas predições otimistas não se baseavam na realidade.
James Skehan, autoridade da Faculdade de Boston, fez esta avaliação realística: “Conseguir que nossa terra volte a um nível aceitável de poluição vai ser quase tão difícil quanto cessar todas as guerras que já existiram ou que existirão.” Conseguiu o homem acabar com a guerra? Não. Em 1969, a Academia de Ciências da Noruega calculou que, desde 3600 A. E. C., o mundo só teve 292 anos de paz, mas 14.531 guerras que mataram centenas de milhões de pessoas. E nosso século tem visto o pior de tudo.
Podem Leis Realizar Isto?
Podem novas leis, ou maior rigor no cumprimento das leis, frear a maré? Sem dúvida, podem ser de ajuda. Mas, em fins de 1970, U. S. News & World Report observou que a poluição atmosférica e da água nos EUA aumentava “apesar dos regulamentos mais estribos e gastos substanciais por parte do governo e da indústria”.
Uma nova lei muito anunciada nos EUA atinge os carros. Depois de 1.º de janeiro de 1975, o monóxido de carbono e os hidrocarbonetos nas descargas dos novos carros têm de ser reduzidos pelo menos 90 por cento em comparação com os modelos de 1970. Depois de 1.º de janeiro de 1976, os óxidos de nitrogênio têm de ser reduzidos também pelo menos em 90 por cento.
Ao passo que isso é encorajador, observe o que Russell Train, conselheiro presidencial quanto ao ambiente, afirma: “Realmente projetamos que a poluição resultante das descargas dos automóveis fique numa curva descendente até por volta de 1985. Depois disso, até mesmo com o motor de combustão interna mais livre de poluição que possamos agora imaginar, o simples aumento em número dos carros fará com que a curva suba de novo.”
Reciclagem do Material?
Uma sugestão sensata para se reduzir a poluição do solo é a reciclagem, isto é, a reutilização do material ao invés de jogá-lo fora.
No presente, menos de 10 por cento dos produtos têxteis, de borracha e de vidro nos EUA são reutilizados. Apenas 20 por cento do papel e do zinco, 30 por cento do alumínio, e cerca da metade do cobre, do chumbo e do ferro são reutilizados. A crescente produção de todas essas coisas, então, provém primariamente de novas fontes, tais como novo algodão, madeira e minério.
Por que não se reutiliza mais material? Uma razão é ilustrada por uma companhia que escolhe o lixo e vende os materiais. The Wall Street Journal comenta sobre o dono: “Ele perde US$ 2 [Cr$ 10,00] por tonelada em cada tonelada de lixo com que lida, porque não consegue vender a maioria dos materiais que preserva.” Um exemplo: das 1.200 toneladas de papel que processou de novo, só conseguiu vender 200 toneladas. Ninguém queria o restante.
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