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“A era da ganância”A Sentinela — 1990 | 15 de fevereiro
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“A era da ganância”
SE O homem tem dificuldade em acabar com o resfriado comum, quais são as suas probabilidades de eliminar a bem mais complexa moléstia da ganância?
Parece que a ganância e o egoísmo nem mesmo têm de ser aprendidos — são aparentemente inatos. Basta observar duas criancinhas entretidas com seus brinquedos para constatar isso.
A ganância humana, em nível individual, já é bastante comum e bastante ruim, mas quando se trata de ganância em nível nacional ou internacional, milhões de pessoas são afetadas, para seu prejuízo. Considere, por exemplo, o comércio internacional de drogas. Certa revista de língua espanhola diz que esse é o maior negócio do mundo — 300 bilhões de dólares por ano. Milhões de vidas são arruinadas e incontáveis mortes prematuras são provocadas pelo abuso de drogas. Qual é a causa primária da alarmante proliferação do narcotráfico? Sem dúvida alguma, a ganância.
A revista World Press Review destaca a ganância como sendo o motivo. Cita a revista Cambio 16, de Madri, que afirma que “apenas 10 a 20 por cento de todos os lucros das vendas de drogas vão para os países produtores. Outros 10 por cento retornam a rede de tráfico na forma de reinvestimentos em laboratórios, veículos e armas. . . . O restante dos lucros acaba ficando nos países consumidores e no refúgio dos impostos do sistema bancário mundial”.
Isso desfaz o conceito de que a necessidade é a causa da ganância, de que a ganância é apenas uma peculiaridade dos pobres ou dos menos afortunados. Obviamente a ganância é uma fraqueza humana generalizada que envolve a sociedade como um todo, inclusive aqueles que realmente não passam nenhuma necessidade. Uma das estranhas características da ganância é que ela é muito insidiosa — até mesmo pessoas normalmente satisfeitas com a sua sorte na vida manifestarão ganância se surgir uma oportunidade inesperada.
A colunista Meg Greenfield lamenta: “Você abre o jornal num dia qualquer e lê sobre os grandes júris, os promotores públicos especiais e as citações questionáveis, os embustes, as trapaças e as fraudes, e isso é muito deprimente. Mesmo admitindo que algumas das acusações levantadas são infundadas e outras são exageradas, parece-me que as pessoas freqüentemente fizeram coisas e conseguiram safar-se de coisas que nunca deveriam ser permitidas. . . .É a este ponto que chegamos: até mesmo grande parte do nosso altruísmo é indulgente, ganancioso.”
Quão Difundida?
A ganância não é algo novo entre a humanidade, embora sem dúvida tenha aumentado devido às pressões da vida no século 20. Já se alastrou tanto que um editorial na revista The Christian Century dá à década de 80 um nome que, no seu conceito, se equipara a nomes como “A Era da Ansiedade”, dos anos 50, ou “A Década do Primeiro Eu”, dos anos 70. Esse editorial rotulou a década de 80 de “A Era da Ganância”!
Hoje em dia, pode-se ver a ganância onde quer que haja pessoas — em locais de trabalho, em escolas e na comunidade como um todo. Sua influência corrompedora tem penetrado no comércio, na política e mesmo nas religiões que predominam no mundo.
Freqüentemente, a ganância leva à corrupção ou à fraude. O jornal The Canberra Times, por exemplo, atribui à Austrália a duvidosa honra de liderar o mundo em fraudes de seguros de carro. O periódico australiano Law Society Journal parece confirmar isso, dizendo: “Reivindicações e declarações fraudulentas feitas por segurados custam às seguradoras, e indiretamente a outros segurados, milhões de dólares cada ano.” Acrescenta que “este é um crescente problema grave, em especial nos campos de incêndio culposo, pilhagem de cais e seguro de veículos e mobília de lar”.
Portanto, é fácil entender por que tantos zombam da idéia de que um dia a ganância seja eliminada. Ora, acham que a ganância nunca acabará e que um mundo livre da ganância é apenas um sonho impossível.
A Ganância Será Eliminada
Com que base se pode fazer essa afirmação, aparentemente impossível de se cumprir? Ela se baseia no fato de que viver livre da ganância já é uma realidade. Embora essa consecução não seja perfeita, mostra o que se pode fazer com educação e motivação apropriadas. O artigo seguinte mostrará exatamente como poderá haver um mundo todo sem ganância.
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Imagine um mundo sem ganânciaA Sentinela — 1990 | 15 de fevereiro
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Imagine um mundo sem ganância
CONSEGUE visualizar um mundo em que as pessoas cooperam em vez de competir? Um mundo em que os humanos tratam os outros como gostariam de ser tratados? Estas são as características de um mundo sem ganância. Que mundo este seria! Existirá algum dia? Sim. Mas como pode a ganância — tão arraigada na humanidade — ser eliminada?
Para sabermos isso, primeiro temos de entender a origem da ganância. A Bíblia revela que ela nem sempre foi uma característica da raça humana. O profeta Moisés faz-nos lembrar que no princípio não havia defeitos, tais como a ganância, no primeiro homem, obra perfeita dum Criador sem ganância: “A Rocha, perfeita é a sua atuação, pois todos os seus caminhos são justiça.” Então, de onde veio a ganância? O primeiro casal humano permitiu que ela se desenvolvesse neles — Eva, num antegozo ganancioso do que obteria comendo do fruto que Deus
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