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Caracteres chineses — por que são escritos desse modo?Despertai! — 1984 | 22 de dezembro
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mais complicadas e abstratas, os caracteres são usualmente constituídos de várias palavras de imagens simples, ajuntadas de tal modo que as pessoas, por sua experiência comum, possam reconhecer as idéias. Por exemplo, o “sol” e a “lua” juntos significa “brilho”, o “homem” apoiado numa “árvore” significa “descanso”.
SOL + LUA = BRILHO [Artwork — Caracteres chineses]
HOMEM + ÁRVORE = DESCANSO [Artwork — Caracteres chineses]
Quiçá seja fácil entender por que estes dois caracteres são formados desse modo específico. No modo mais simples de vida do passado, não havia provavelmente nada mais brilhante do que o sol ou a lua, e breve pausa sob uma árvore seria mui repousante.
Algumas Idéias Incomuns
Há, contudo, algumas palavras que parecem ter as histórias mais incomuns por trás delas, histórias estas que parecem achar-se totalmente distantes das experiências corriqueiras, da vida diária. Tome-se, por exemplo, o caráter para “navio”. Esta por certo não é uma idéia especialmente complicada de se expressar. Todavia, de modo surpreendente, o caráter é bem complexo. É composto de três caracteres simples:
BARCO + OITO + BOCA = NAVIO [Artwork — Caracteres chineses]
A terceira parte, “boca”, é um caráter comuníssimo que também pode significar “pessoas”, assim como na expressão em português: “mais uma boca para alimentar.” De modo que o caráter para “navio” se deriva da idéia de “oito pessoas num barco”. Curioso, não é? De onde proveio tal idéia?
Considere outro exemplo. O caráter para “cobiça” ou “cobiçoso” é escrito com dois caracteres de “árvore” acima do caráter para “mulher” ou “fêmea”.
ÁRVORE + ÁRVORE + MULHER = COBIÇA [Artwork — Caracteres chineses]
A parte de cima da palavra, duas árvores lado a lado, é em si o caráter para “floresta”. Todavia, pictorialmente, todo o caráter parece representar uma mulher na frente de duas árvores, ou talvez olhando para elas. Por que a idéia de “cobiça” seria representada deste modo?
Muitos outros caracteres podem ser analisados com resultados similares. Contam-nos histórias fascinantes que parecem não ter nada que ver com as experiências corriqueiras, da vida diária, das pessoas. Parecem revelar uma formação ou fonte de idéias bem diferente da que a maioria das pessoas, especialmente os próprios chineses, considerariam típicas. De onde emanaram tais idéias?
Possível Conexão?
Se tiver algum conhecimento da Bíblia talvez tenha observado algo parecido na história por trás do caráter para “navio”. Concorda que há notável semelhança com o relato da Bíblia a respeito de Noé e sua família, um total de oito pessoas sobrevivendo ao Dilúvio dentro da arca? — Gênesis 7:1-24.
Que dizer da idéia por trás do caráter para “cobiça”? Bem, talvez se lembre da descrição da Bíblia sobre o jardim do Éden, em que duas árvores foram mencionadas pelo seu nome específico: “A árvore da vida no meio do jardim e a árvore do conhecimento do que é bom e do que é mau.” (Gênesis 2:9) Não foi o desejo descomedido de Eva de comer o fruto de uma de tais árvores que por fim resultou na queda da humanidade?
Serão meras coincidências, ou há algo mais envolvido? Num livro intitulado Discovery of Genesis (Descoberta de Gênesis), os co-autores, C. H. Kang e Ethel R. Nelson, analisaram dezenas de caracteres ideográficos chineses, inclusive os dois supracitados, e observaram que “os caracteres, quando divididos em seus componentes, vez após vez refletem elementos da história de Deus e do homem registrada nos capítulos iniciais de Gênesis”.
No entanto, talvez imagine: que conexão poderia haver entre a Bíblia e a antiga escrita chinesa? Efetivamente, pareceria difícil imaginar algo que poderia estar mais distante da Bíblia do que a linguagem dos misteriosos orientais. Mas, uma consideração e comparação objetivas do que se acha registrado na Bíblia e o que é conhecido da história confirmada nos ajudarão a ver que tal vínculo não é desarrazoado.
Indícios Provenientes da Bíblia
Os historiadores há muito indicam as planícies da Mesopotâmia como o lar original da civilização e da linguagem. Isto, com efeito, está de pleno acordo com o que a Bíblia registra. O livro de Gênesis, no capítulo 11, descreve um evento que ocorreu na terra de Sinear, na Mesopotâmia, que provê os indícios necessários para nosso exame.
“Toda a terra continuava a ter um só idioma e um só grupo de palavras”, afirma Gênesis 11:1. Tal unidade, contudo, era utilizada mal pelas pessoas, em desafio ao propósito de Deus para elas. “Disseram então: ‘Vamos! Construamos para nós uma cidade e também uma torre com o seu topo nos céus, e façamos para nós um nome célebre, para que não sejamos espalhados por toda a superfície da terra.” — Gênesis 11:4.
A torre, por certo, era a abjeta Torre de Babel. Assim, foi na terra de Sinear, na Mesopotâmia, que Deus confundiu a linguagem do homem. “É por isso que foi chamada pelo nome de Babel, porque Jeová confundiu ali o idioma de toda a terra, e Jeová os espalhou dali por toda a superfície da terra.” — Gênesis 11:9.
Uma Controvérsia
Este relato bíblico, naturalmente, não é prontamente aceito pela comunidade científica. No que diz respeito a esta, não existe realmente acordo algum sobre como a linguagem da China se desenvolveu. E as opiniões entre os peritos se dividem quanto a se a escrita chinesa se desenvolveu na China ou se foi importada, pelo menos inicialmente.
Por exemplo, I. J. Gelb, em seu livro A Study of Writing (Estudo Sobre a Escrita) declara: “A derivação direta da escrita chinesa da Mesopotâmia, sugerida por alguns peritos à base de comparações formais dos signos chineses e mesopotâmios, jamais foi provada por rigoroso método científico.” Similarmente, David Diringer escreveu em seu livro The Alphabet (O Alfabeto): “A tentativa de alguns peritos, de provar a origem suméria da escrita primeva da China, subentende, pelo menos, grandes exageros.”
O que se deve observar, contudo, é que a Bíblia não afirma que todas as demais línguas se desenvolveram ou se derivaram do “um só idioma e um só grupo de palavras” utilizado pelo povo ali em Sinear. O que se indica é que as línguas resultantes da confusão eram tão diferentes e tão distanciadas umas das outras que as pessoas tiveram de abandonar o projeto de construção e mudar-se “por toda a superfície da terra”, porque não mais conseguiam entender ou comunicar-se umas com as outras.
É evidente que o que ocorreu ali foi que o processo de confundir seu idioma obliterou os padrões da língua original da mente das pessoas, e os substituiu por outros novos. Assim, as novas línguas que falaram eram inteiramente diferentes da que conheciam antes. Não eram ramificações ou derivadas do “um só idioma” original.
O ponto a se ter presente, contudo, é que, embora seus padrões lingüísticos fossem alterados, evidentemente seus pensamentos e suas recordações não o foram. As experiências, tradições, temores, amores, sentimentos e emoções delas permaneceram. Estes foram levados com elas para onde quer que foram, e exerceram profunda influência sobre as religiões, as culturas e as línguas que se desenvolveram nos distantes cantos da Terra. No caso dos chineses, tais recordações pelo visto assomaram também em seus caracteres pictográficos e ideográficos.
Não é surpreendente, portanto, que Diringer, citado acima, depois de expressar sua objeção à teoria de que a escrita chinesa se derivasse diretamente da escrita suméria, admitisse que “o conceito geral de escrita talvez tivesse sido emprestado, de forma direta ou indireta, dos sumérios”.
O Que Podemos Concluir?
Nosso breve exame das idéias por trás dos caracteres ideográficos chineses traz a lume a questão de sua origem. Como vimos, os peritos acham difícil de aceitar a proposição de que a escrita chinesa se derive de uma fonte externa. Mas sua objeção se respalda na falta de semelhança formal ou externa. Até que haja mais evidência arqueológica disponível, a questão talvez permanece sem solução.
Por outro lado, observamos que não deixa de ser notável a semelhança entre as idéias por trás de muitos dos caracteres chineses e o registro da Bíblia sobre a história inicial do homem. Malgrado a evidência seja apenas circunstancial, é, sem embargo, fascinante pensar que existe uma possibilidade de que a caligrafia chinesa praticada pelo nosso jovem estudante poderia ter como base as idéias trazidas de Sinear, em resultado da confusão e da dispersão das pessoas, ocorridas na Torre de Babel.
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Católicos não-praticantes da EspanhaDespertai! — 1984 | 22 de dezembro
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Católicos não-praticantes da Espanha
Embora haja liberdade religiosa na Espanha, apenas uma minoria freqüenta as igrejas. O jornal El País, da Espanha, noticia que, ao passo que 95 por cento da população da Espanha tenham recebido o batismo católico, certo estudo, com base nas estatísticas de 1982, mostra que apenas 32,5 por cento realmente praticam sua religião, e que há um declínio do número dos que assistem à Missa nos domingos.
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