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Governos — por que são necessários?Despertai! — 1985 | 22 de julho
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Governos — por que são necessários?
NÃO importa em que parte do globo viva, possui algo em comum com toda a humanidade — está sujeito a um governo. Poderá concordar ou não com as diretrizes de seu Governo, mas provavelmente admitirá a necessidade de governo.
Por que, porém, isso se dá? Por que os governos têm sido uma parte tão essencial do modo de vida humano já por milhares de anos? Que tipos diferentes de governo existem? De que proveito lhe são como indivíduo — mesmo quando talvez discorde deles?
Em especial, desde que o homem decidiu originalmente viver em cidades, fez-se mister alguma forma de governo político. A vida citadina tinha de ser governada, para o benefício de todos. Com efeito, nossa palavra “política” deriva-se da palavra grega para “cidade”, pólis, e o adjetivo, politokós, “relativo a um cidadão”. Naturalmente, a necessidade de alguma forma de governo foi reconhecida por sociedades que precederam as antigas cidades-estados gregas. Há milhares de anos, a Suméria, o Egito, Israel e Babilônia foram organizados sob várias formas de governo. — Êxodo 18:13-17.
No entanto, talvez tenha sido na Grécia antiga, amiúde chamada de berço da democracia, que a filosofia política começou a ser expressa de forma mais clara, e foram propostas novas idéias. Filósofos, tais como Platão e Aristóteles, argumentaram a favor das virtudes de diferentes sistemas políticos. O conceito de Aristóteles era de que a política é a ciência da felicidade coletiva. Cria ser função do Estado organizar uma sociedade para a máxima felicidade do maior número de pessoas. Essa idéia básica se evidencia na maioria dos governos, uma vez que provêem os instrumentos essenciais para o benefício de todos os cidadãos: estradas, educação, rede de esgotos, polícia e o sistema judiciário — para citar apenas alguns.
Durante milhares de anos o homem experimentou quase toda forma concebível de governo e de filosofia política — desde as monarquias (na atualidade quase que totalmente substituídas por repúblicas) até diferentes tipos de democracia (ostensivamente o governo do povo), e uma variedade de oligarquias e ditaduras. (Para uma definição dos termos, veja destaque na página 10.) Desde 1917, presenciamos o surgimento do comunismo, do fascismo e do nacional-socialismo (o partido nazista da Alemanha).
“A Era das Ideologias Competidoras”
A experiência do século 20 demonstra que a arte de governar está sendo duramente testada. Como escreveu o prof. Burns em seu livro Ideas in Conflict (Idéias em Conflito): “Com toda a probabilidade, os historiadores do futuro recordarão o século 20 como um dos mais cruciais no histórico da humanidade. Sem dúvida inventarão nítidas caracterizações para ele, chamando-o, talvez, de Era do Conflito Mundial, de Era da Revolução e da Contra-revolução, de Era das Ideologias Competidoras, ou, mais simplesmente, de Era da Agonia.”
Mas, deve-se admitir que nenhum sistema produziu um governo que satisfaça a todo cidadão. Será isso o suficiente para se afirmar que os sistemas políticos fracassaram? Não necessariamente; há muita gente com motivação tão egoísta ou estreita que apenas sua própria filosofia os satisfaria. E esta, então, talvez desagradasse à maioria. Assim, como realmente podemos testar para ver se alguma forma de governo ou de filosofia política é a resposta real e completa para as necessidades da humanidade?
Jesus Cristo formulou uma regra que também podemos aplicar à política: “Toda árvore boa produz fruto excelente, mas toda árvore podre produz fruto imprestável . . . Realmente, pois, pelos seus frutos reconhecereis estes homens.” (Mateus 7:17-20) Apliquemos essa regra aos sistemas políticos de nosso século 20, tendo em vista chegarmos à forma mais proveitosa de governo para toda a humanidade.
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A política — seus frutos na Primeira Guerra MundialDespertai! — 1985 | 22 de julho
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A política — seus frutos na Primeira Guerra Mundial
Há quase 2.000 anos, Jesus Cristo proferiu seu famoso Sermão do Monte, em que forneceu os princípios básicos para a conduta cristã. Em vez de ódio, ensinou o amor; em vez de vingança — o perdão e a não-violência. (Mateus, capítulos 5 a 7) No decurso da História, a cristandade tem afirmado seguir o exemplo dele. Mas, o que revela um exame mais detido da política no século 20? Têm os governos da cristandade realmente aplicado o cristianismo? Ou têm eles, consciente ou inconscientemente, seguido os princípios cínicos que Nicolau Maquiavel observou em seus estudos da História humana? Em seu livro O Príncipe [Ed. Cultrix, tradução de Antonio D’Elia], ele expôs os métodos que os estadistas bem-sucedidos tinham usado por séculos a fio. Suas principais máximas acham-se alistadas na página 7.
À MEDIDA que o mundo entrava no século 20, o futuro parecia relativamente estável. As principais potências européias tinham estabelecido alianças com o equilíbrio de forças que, teoricamente, deviam garantir a paz. Mas, como escreveu o historiador R. R. Palmer em A History of the Modern World (História do Mundo Moderno), “os europeus criam estar-se dirigindo para uma espécie de planalto, pleno de progresso benigno e de civilização mais abundante, em que os benefícios da ciência e das invenções modernas teriam mais ampla difusão. . .. Em vez disso, a Europa tropeçou no desastre, em 1914”.
O prof. A. J. P. Taylor chega mesmo a declarar: “É difícil, efetivamente, descobrir qualquer causa de hostilidade entre as Grandes Potências européias no início do verão setentrional de 1914.” Todavia, os políticos europeus ‘tropeçaram no desastre da Grande Guerra’ de 1914-18. Por quê? De acordo com esse mesmo professor, a causa foi “o sistema de alianças [a Tríplice Aliança entre Alemanha/Áustria Hungria/Itália versus a Tríplice Entente composta da França/Rússia/Inglaterra] . . . Deviam supostamente contribuir para a paz, mas contribuíram para a guerra”.
Jesus ensinou: “A quem te esbofetear a face direita, oferece-lhe também a outra”, e: “Continuai a amar os vossos inimigos.” (Mateus 5:39, 44) Maquiavel indicou que ‘o método bestial da força era freqüentemente necessário’ para que um governante atingisse seus objetivos. Escreveu: “Daí ser necessário a um príncipe, para manter-se, aprender a não ser bom, e usar ou não usar o aprendido, de acordo com a necessidade”! Segundo ele, os princípios cristãos teriam de ser sacrificados a bem da conveniência.
Quando os governantes políticos europeus católicos, protestantes e ortodoxos — reis, imperadores, presidentes e primeiros-ministros — declararam guerra em 1914, aos ensinos de quem estavam consciente ou inconscientemente seguindo? Aos do Mestre que professavam ter, Jesus Cristo? Ou aos conselhos pragmáticos de Maquiavel?
“A guerra que acabará com todas as guerras”, e a guerra “para tornar o mundo seguro para a democracia” foram alguns dos lemas utilizados para justificar a carnificina geral a que os líderes políticos conduziram os jovens de 1914. E que espécie de guerra foi aquela? Qual o preço pago — não pelos políticos — mas pelo povo?
Resultados da Primeira Guerra Mundial
Talvez a Batalha do Somme, no norte da França, epitomize o sacrifício humano sem sentido da Grande Guerra. Declara o prof. Palmer: “A Batalha do Somme, que foi de julho a outubro [de 1916], custou aos alemães cerca de 500.000 homens, aos ingleses 400.000, e aos franceses 200.000.” O tributo total — 1.100.000 homens! Com que resultado? “Não se obteve nada de valor”, declara o historiador Palmer. Mas, perdeu-se muito — 1.100.000 pais, maridos e filhos que deixaram milhões de genitores, esposas e órfãos pesarosos. Este foi o tributo mortífero de uma única batalha! Qual a sua causa básica? A política divisiva que explorou o nacionalismo e o patriotismo, para fornecer bucha para canhão para uma guerra que jamais devia ter sido travada.
E qual foi o preço total pago pelo povo (mas só raramente pelos líderes) das nações combatentes? Uma fonte declara: “Já em 11 de novembro de 1918 . . . oito milhões de soldados jaziam mortos, outros vinte milhões estavam feridos, doentes, mutilados ou cuspindo sangue devido aos ataques com gás.” E que dizer das vítimas civis? “Vinte e dois milhões de civis tinham sido mortos ou feridos, e os sobreviventes viviam nos vilarejos reduzidos a estilhaços e a escombros.”
Em vista de toda esta matança, quão apropriado é o símbolo que a Bíblia utiliza para a inteira organização política mundial de Satanás por toda a História — “uma fera”.a (Revelação 13:1, 2) Vez por outra, algumas bestas-feras matam pelo simples prazer de matar. Outras chegam até a matar seus próprios filhotes.
Todavia, eram grandes as esperanças quando a Primeira Guerra Mundial terminou em armistício em novembro de 1918. Como se expressou o escritor Charles L. Mee, em seu livro The End of Order, Versailles 1919 (O Fim da Ordem, Versalhes 1919): “A Primeira Guerra Mundial tinha sido uma tragédia em pavorosa escala. Sessenta e cinco milhões de homens foram mobilizados — muitos milhões a mais do que jamais tinham sido convocados antes para a guerra — para travar uma guerra, foi-lhes dito, de justiça e de honra, de orgulho nacional e de grandes ideais, para travar uma guerra que acabaria com todas as guerras, para estabelecer uma ordem inteiramente nova de paz e de eqüidade no mundo.”
Será que os líderes políticos do mundo aprenderam uma lição com este horripilante banho de sangue? Será que as nações chamadas cristãs chegaram mais perto de praticar o amor que Cristo ensinou? Não, pois os eventos desde 1918 certamente desmentiram os lugares-comuns e os lemas que foram astutamente empregados pelos políticos, clérigos e militaristas.
É pertinente o comentário do escritor Mee: “Os diplomatas reuniram-se [na Conferência da Paz de Paris] — e, longe de restaurarem a ordem no mundo, tomaram o caos da Grande Guerra e, por vingança e inadvertência, por impotência e desígnio, selaram-no como condição permanente de nosso século.” Ter sido o caos selado como condição permanente do modo de vida do século 20 foi confirmado por eventos posteriores.
[Nota(s) de rodapé]
a Para obter informações mais detalhadas sobre a “fera” política de Revelação (Apocalipse), veja o livro “Cumprir-se-á, Então, o Mistério de Deus”, editado pela Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados.
[Foto na página 12]
A matança maciça da Primeira Guerra Mundial sublinha a tolice dos políticos.
[Crédito da foto]
Arquivos Nacionais dos EUA
[Foto na página 13]
Maquiavel baseava suas máximas políticas na História prévia.
[Quadro na página 13]
Nicolau Maquiavel (1469-1527), perito estadista e escritor, em seu livro O Príncipe, expressou as seguintes máximas sobre como alcançar êxito como governante político.
(1) “É muito mais seguro ser temido que amado . . . Os homens receiam menos ofender aquele que se faz amar do que aquele que se faz temer.”
(2) “Os fatos de nossos dias mostram que há príncipes que realizaram grandes coisas sem que tivessem em demasiada conta a fé da palavra empenhada.”
(3) “Deveis pois saber que há duas maneiras de combater: uma, com a lei, outra, com a força. A primeira é própria do homem; a segunda, dos animais. Como, porém, a primeira muitas vezes não seja suficiente, convém recorrer à segunda.”
(4) “Não é preciso, todavia, que um príncipe possua efetivamente todas as qualidades atrás enumeradas; mas é bem preciso aparentar possuí-las.” — O grifo é nosso.
(5) Deve um príncipe parecer “aos que o vêem e ouvem, todo piedade, todo lealdade, todo integridade, todo humanidade, todo religião. E nada é mais necessário aparentar possuir do que esta última qualidade. Os homens, em geral, julgam mais com a vista do que com o tato, eis que ver é dado a todos, sentir, a poucos. Todos vêem o que pareces ser, poucos sentem o que és.”
(6) “Deve portanto um príncipe não ter outro objetivo e outro pensamento nem dedicar-se a outro empreendimento rotineiro que não os relacionados com a guerra e a organização e a disciplina das tropas, pois a prática da arte da guerra é a única que se espera daquele que governa.”
(7) “Daí ser necessário a um príncipe, para manter-se, aprender a não ser bom, e usar ou não usar o aprendido, de acordo com a necessidade.”
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Têm trazido paz os messias políticos?Despertai! — 1985 | 22 de julho
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Têm trazido paz os messias políticos?
O EX-PRESIDENTE dos EUA, Woodrow Wilson, foi um dos líderes das negociações de paz depois da Primeira Guerra Mundial. Foi visto por alguns como “o desinteressado paladino de uma nova ordem mundial baseada na justiça e na devida consideração para com as aspirações de todos os povos”. Sua solução para os problemas da paz mundial foi a Liga das Nações. Nutria elevadas esperanças quanto a seu projeto favorito.
Certo relato reza: “Em determinado ponto, surpreendeu Lloyd George [primeiro-ministro inglês] e Clemenceau [primeiro-ministro francês] ao explicar como a liga estabeleceria uma fraternidade do homem quando o Cristianismo não conseguira fazê-lo.” Por que Cristo Jesus não “lograra êxito”? Wilson respondeu: “Ele ensinou o ideal sem delinear qualquer meio prático de atingi-lo. Essa é a razão pela qual proponho um esquema prático para cumprir Seus objetivos.”
A imprensa francesa exaltou Wilson como o “Sumo Sacerdote do Idealismo, o Promotor da Liga das Nações, o Benfeitor da Humanidade, o Pastor da Vitória e o Legislador da Paz”. Mais uma vez, o povo estava sendo levado a depositar toda a sua esperança e confiança nos políticos e em seus projetos para trazer uma “nova ordem mundial”. Será que a Liga das Nações trouxe paz duradoura? Ou contribuiu para uma era de caos?
O Messias da Itália
Logo depois da instalação da Liga surgiram outros messias políticos e eles causaram sofrimento a milhões. Em 1922, Benito Mussolini, ávido leitor de Maquiavel, assumiu o poder na Itália. Seu fascismo foi aclamado como “a verdadeira religião”. Todavia, trouxe uma era de “violência, e de fraude e de chicana nas eleições” declara o historiador Palmer. O prof. Gentile, destacado filósofo italiano do fascismo, “louvou o emprego da violência, mesmo a violência ameaçadora dos fascistas, quando utilizada nos interesses do Estado”. Declarou que tal violência é “da vontade de Deus, e de todos os homens que crêem em Deus, . . . e da lei que Deus certamente deseja para o mundo”.
Era isto uma manifestação do código de conduta de Cristo, ou das máximas de Maquiavel? Qual deles disse: “É muito mais seguro ser temido que amado”? Por certo não foi Jesus Cristo! Em contraste, ele ensinou: “Por meio disso saberão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor entre vós.” — João 13:35.
Em 1935, com a bênção da Igreja Católica, a Itália fascista atacou e derrotou a Etiópia. Que fez a respeito a Liga messiânica de Wilson? “A Liga das Nações falhou de novo . . . em prover um mecanismo de ação disciplinar contra uma Grande Potência transviada.” — A History of the Modern World (História do Mundo Moderno), de R. R. Palmer.
Uma Era de Terror
Já em 1933, Adolf Hitler, ex-obscuro católico austríaco, tornara-se chanceler da Alemanha. Não esperou muito para mostrar seu desprezo pela Liga das Nações e pelo Tratado de Versalhes, cujos termos achava que tinham humilhado grandemente a Alemanha em 1919. Retirou a Alemanha da Liga, rejeitou as restrições do tratado, e começou a reconstruir as forças armadas alemãs.
Em seu manifesto político, Mein Kampf (Minha Luta), Hitler explicou por que mais tarde recorreu ao terror espiritual baseado em mentiras e calúnias: “Trata-se duma tática baseada no cálculo preciso de todas as fraquezas humanas, e seu resultado levará ao sucesso quase que com precisão matemática . . . Eu consegui um entendimento idêntico da importância do terror físico para com o indivíduo e as massas.”
Hitler estabeleceu a Gestapo, que, junto com as SS, tornaram-se instrumento de terror. Por perseguir implacavelmente as minorias, ele conseguiu o respeitoso temor da maioria sem suscitar-lhe o ódio. Esta maioria não tão silenciosa saudou a Hitler como seu führer. Independente de sua formação religiosa, a maioria das pessoas transigiu ou compactuou. As máximas de Maquiavel novamente se tornaram uma realidade política.
A partir de 1936, Hitler seguiu uma política de anexação e de invasão que levou à ocupação da Renânia, de Dantzig, da Áustria e da Tchecoslováquia. Tudo isto era um prelúdio de ainda maior caos vindouro.
“Precisam Ser Mortas Como Porcos!”
Em 1936, o fascista general Franco liderou uma rebelião contra o governo republicano esquerdista de Madri. A insurreição na Espanha foi abençoada pela Igreja Católica como se fosse uma santa cruzada. Com o tempo, de acordo com o escritor C. L. Sulzberger, Hitler e Mussolini enviaram 85.000 soldados para apoiar o exército de Franco. Aviões alemães bombardearam cidades espanholas.
Antonio Bahamonde, um dos principais ajudantes-de-ordens de um dos generais de Franco, comentando o derramamento de sangue e a carnificina geral dos prisioneiros, disse que os generais de Franco “sabiam muito bem que somente pela força do terror . . . conseguiriam dominar o povo . . . Trata-se de terror disfarçado em ordem, e tal ordem é a ordem dos cemitérios.” Outro general expressou-se de forma rude: “As pessoas comuns são porcos. Precisam ser mortas como porcos!” (Miracle of November, Madrid’s Epic Stand 1936 [Milagre de Novembro, A Posição Épica de Madri em 1936], de Dan Kurzman) Estes homens eram oficiais de um exército conquistador católico em sua maioria. Em nome da conveniência política, aprovaram o assassínio.
Como em todas as guerras, ambos os lados cometeram atrocidades. Mais uma vez, os frutos da política inspiradora de ódios, apoiada pela religião, assomaram à superfície. O povo pagou o preço. A Guerra Civil espanhola, que durou três anos, resultou na morte de mais de meio milhão de pessoas. A guerra espanhola foi preâmbulo de uma tragédia bem maior — a Segunda Guerra Mundial.
A Segunda Guerra Mundial e Mais Cataclismos
A invasão da Polônia em setembro de 1939, por parte de Hitler, provocou as declarações de guerra da Grã-Bretanha e da França contra a Alemanha. A humanidade se viu confrontada em ainda outra convulsão de destruição e de miséria em massa. A política, respaldada pelo alto comércio, mais uma vez traíra o homem comum.
Por que estava envolvido o alto comércio? Em política, dinheiro significa poder, e o alto comércio detém o dinheiro. Sem ele, Hitler talvez jamais se tornasse o chanceler da Alemanha. William Shirer escreveu em The Rise and Fall of the Third Reich (Ascensão e Queda do Terceiro Reich): “Ao se aproximarem do fim os Anos Vinte, começou a fluir dinheiro para o Partido Nazista da parte de alguns dos grandes industriais da Baviera e da Renânia, que se sentiam atraídos pela oposição de Hitler aos marxistas e aos sindicatos.”
A segunda guerra mundial produziu ainda outra colheita horrenda de desumanidades do homem para com seu semelhante. Quantos pereceram nos seis anos de carnificina politicamente motivada? Alguns cálculos dizem que 55 milhões de pessoas. Outros milhões ficaram “aleijados, cegos, mutilados, desabrigados, orfanados e empobrecidos”. (The People’s Chronology [A Cronologia do Povo], de James Trager) A “fera” política tinha assolado de novo!
A fim de estabelecer a paz permanente na Terra, os políticos das principais potências mundiais surgiram, em 1945, com uma Liga readaptada — a organização das Nações Unidas. Todavia, desde aquela data, já houve pelo menos 62 guerras, guerras civis, revoluções, e expurgos através do mundo, que resultaram em milhões de mortos e feridos — tudo em nome das diferenças ideológicas políticas.
O prof. Palmer escreveu bem apropriadamente: “O mundo humano tem estado nas garras de . . . um cataclismo desde 1914. A Primeira Guerra Mundial, as dificuldades do após-guerra, as revoluções russa, chinesa, turca e outras, a grande depressão, o desfile de ditadores, a Segunda Guerra Mundial, a segunda safra de mudanças revolucionárias e de dificuldades do após-guerra, tudo é parte do mesmo processo de reajuste, . . . que ainda não terminou, e para o qual o termo ‘cataclismo’ não é um termo forte demais.”
Agora, em 1985, o mundo parece dividido mormente em dois grandes campos políticos oponentes. Nestes alinhamentos, ainda existe grande variedade de sistemas políticos e sociais, que vão das ditaduras militares aos regimes democráticos. Ideologias em choque ameaçam provocar um holocausto nuclear mundial, um cataclismo que a maioria da humanidade não deseja.
Embora possa haver políticos sinceros que trabalham para o bem da humanidade, todavia, é preciso admitir que a política divisória nos trouxe à beira da extinção. Existe alguma saída? Existe algum governo ou forma de regência que possa realmente unir a família humana em genuína paz e respeito mútuo?
[Foto na página 14]
O presidente Wilson propôs a Liga das Nações como “um esquema prático para cumprir [os] objetivos [de Cristo]”.
[Crédito da foto]
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[Foto na página 15]
O fascismo de Benito Mussolini utilizava a violência nos interesses do Estado.
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[Foto na página 15]
Adolf Hitler empregava o terror para manter seu poder.
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[Foto na página 16]
O generalíssimo Franco aceitou o apoio de Hitler e de Mussolini.
[Crédito da foto]
Arquivos Nacionais dos EUA
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O melhor governo em breve!Despertai! — 1985 | 22 de julho
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O melhor governo em breve!
QUANDO não existe governo, há anarquia. Isto tem sido ilustrado vez após vez quando as forças da lei e da ordem entraram em recesso ou não conseguiram operar. Com que resultado? A maioria anárquica aproveitou-se da situação para saquear e pilhar. Isto indica que o homem não consegue viver numa sociedade ordeira a menos que haja um governo para regular a lei e a ordem, para o benefício de todos.
Outros, porém, responderão que, onde existe governo, amiúde existe outro tipo de saque — os políticos e as grandes empresas enchem os bolsos à base de sua influência. Suborno, peita e corrupção são práticas comuns na política. Lucrativos contratos governamentais são concedidos a favorecidos “amigos” empresariais. Em conseqüência disso, muitas pessoas ficaram desiludidas com a política e os políticos, e nem sequer se preocupam em votar. Por quê? Um motivo é que não raro os governos não garantiram a justiça e a equidade para todos.
Por que acontece com freqüência que, apesar dos mui alardeados ideais e manifestos humanitários, a política tem sido tão divisória e destrutiva para a vida humana?
Influência Oculta por Trás da Política
A fim de responder a esta pergunta, temos de nos reportar na História a mais de 1.950 anos, a certo monte da Palestina. Ali ocorreu uma conversa incomum que é a chave para se entender a questão do governo humano. Jesus Cristo estava prestes a iniciar seu ministério público. Satanás, arqui-rival de Deus quanto à regência universal, aproveitou a oportunidade para testar Jesus, no esforço de romper-lhe a integridade. O relato nos conta que Satanás “mostrou [a Jesus] todos os reinos do mundo [numa visão] e a glória deles, e disse-lhe: ‘Todas estas coisas te darei, se te prostrares e me fizeres um ato de adoração’”. — Mateus 4:8, 9.
Para a bênção eterna da humanidade, Jesus rejeitou tal oferta. Mas, o que este encontro vital nos conta a respeito de Satanás e o sistema mundial, “todos os reinos do mundo”? Que Satanás é o invisível “governante deste mundo”. (João 12:31; 14:30; 16:11) Assim, o apóstolo João podia escrever: “Nós sabemos que somos filhos de Deus e que o resto do mundo todo ao nosso redor está sob o poder e o domínio de Satanás.” — 1 João 5:19, A Bíblia Viva.
Por conseguinte, é o espírito perverso de Satanás que permeia o sistema político do mundo. Ele é a verdadeira fonte dos princípios compilados por Maquiavel. Satanás é “o espírito que atua nos filhos rebeldes [de Deus]”, pois é “o príncipe das potestades do ar”. — Efésios 2:2, Bíblia Vozes.
Alguns talvez achem difícil aceitar a existência de um poder espiritual maligno, invisível, que motive os governantes políticos do mundo. Todavia, esta é a chave para se entender o quadro geral que a Bíblia apresenta de uma contenda pela soberania universal. (Revelação 12:7-9) Satanás tem utilizado a política para dividir a humanidade, e desviar a atenção do homem da verdadeira esperança de uma regência justa restaurada, a saber, o governo do Reino de Deus, por Cristo. — Mateus 4:23; 9:35.
Quão bem-sucedido tem sido Satanás! Por explorar a política e o nacionalismo divisivos, ele tem utilizado homens que “exaltaram o Estado como divino . . . ou o identificaram com a marcha de Deus através da História”. Para alguns, a “adoração do Estado como a personificação do espírito da nação era essencial para a realização do destino nacional”. (Ideas in Conflict [Idéias em Conflito], de Edward Burns) A Alemanha nazista foi um exemplo clássico disso. “Nada foi tão patrocinado quanto a adoração do nazismo e do seu Führer”, declara o prof. Palmer. Mesmo agora, os políticos utilizam este mesmo instrumento para promover suas ambições, mas em detrimento do gênero humano. Devido aos interesses próprios políticos, vemo-nos confrontados com uma possível extinção.
O que poderia retirar o homem da beira do desastre nuclear? Existe qualquer forma de governo que possa unir a humanidade? O que seria necessário para tornar todas as pessoas leais a um único governo justo?
Paz e União — Como?
O historiador Edward Burns escreveu: “O controle e o declínio do nacionalismo, e sua substituição por uma organização mundial eficaz, sem dúvida constituem um dos problemas mais críticos de nossos tempos modernos.” (O grifo é nosso.) Outras mentes têm-se empenhado em encontrar uma solução para a ânsia de união dos homens. O filósofo hispano-americano George Santayana “não via nenhum modo de se abolir a guerra exceto pela criação de um governo universal capaz de impor sua vontade a todos os estados da Terra. Não bastaria nenhuma Liga das Nações ou Nações Unidas”. — O grifo é nosso.
Por que os políticos não têm conseguido alcançar este ideal de um só governo universal? Um motivo é que o nacionalismo paroquial se interpõe no caminho. Como declara certo historiador: “Controlá-lo ou eliminá-lo por quaisquer outros meios que não a educação na fraternidade humana será difícil, enquanto tivermos um mundo cada vez mais afligido de ódios e de temores.” (O grifo é nosso.) Raciocinava o autor H. G. Wells: “É necessário que a mentalidade comum da raça possua aquela idéia da unidade humana, e que a idéia da humanidade como uma só família devia ser um tópico de instrução e de entendimento universais.” — O grifo é nosso.
É exeqüível tal programa educacional? Não só é exeqüível; é uma realidade! Onde? Entre vários milhões de Testemunhas de Jeová em 203 nações e terras. Estas já fizeram uma mudança de coração e de mente. Por sua vez, as Testemunhas de Jeová também influenciam mais de quatro milhões de associados. Que mudanças produziram? Criou-se entre elas um espírito supranacional, baseado no amor cristão. Abandonaram o nacionalismo, que está “associado ao racismo, ao paroquialismo, à mentalidade bitolada, à intolerância, à perseguição e ao fanatismo”. — Ideas in Conflict, página 502.
A Bíblia proveu relances desta grande obra educacional a ser realizada nesta geração. Jeová garantiu, mediante seu profeta Isaías, que “todos os teus filhos serão pessoas ensinadas por Jeová e a paz de teus filhos será abundante”. (Isaías 54:13) Isto prosseguirá até que toda a Terra ‘encha-se do conhecimento de Jeová assim como as águas cobrem o próprio mar’. — Isaías 11:9.
Jesus também declarou, como parte do sinal dos últimos dias deste sistema político, comercial e religioso: “Estas boas novas do reino serão pregadas em toda a terra habitada, em testemunho a todas as nações; e então virá o fim.” (Mateus 24:14) Isto explica a intensiva campanha educativa de casa em casa que as Testemunhas de Jeová realizam neste século 20. Estão anunciando o governo do Reino que, em breve, tomará medidas desde o céu para ‘esmiuçar e pôr termo a todos estes reinos [políticos atuais], e ele mesmo ficará estabelecido por tempos indefinidos’. — Daniel 2:44.
O Que Nos Reserva o Futuro Próximo?
No entanto, antes de esse governo teocrático do Reino, por Cristo, poder assumir o controle de toda a Terra, é preciso que ocorram certos eventos, de acordo com a profecia da Bíblia. O livro de Revelação delineia os personagens. Estes são:
“Uma mulher . . . ‘Babilônia, a Grande, a mãe das meretrizes.’” (Revelação 17:3-5) Ela representa o império mundial da religião falsa que influencia muitos “povos, e multidões, e nações, e línguas”. — Revelação 17:15.
Uma “fera cor de escarlate” que leva nas costas a mulher. Esta fera, imagem da “fera” maior já mencionada antes na Revelação concedida a João, simboliza a organização internacional que agrupa numa só arena os representantes de quase todos os sistemas políticos deste mundo. Tratava-se originalmente da Liga das Nações. Agora trata-se das Nações Unidas. Com efeito, é uma conspiração contra o Reino de Deus. Objetiva fazer o que somente o Reino de Deus pode fazer — estabelecer a paz permanente. — Revelação 13:1, 2, 15; 17:3, 8; 20:4.
Assim sendo, que eventos devem ocorrer em breve? A Revelação nos assegura que a “fera cor de escarlate” e os que brandem nela o poder político, “odiarão a meretriz e a farão devastada e . . . a queimarão completamente no fogo”. (Revelação 17:16) O que pressagia esta linguagem vívida? Que os elementos políticos, representados nas Nações Unidas, voltar-se-ão contra o império mundial da religião falsa a fim de destruí-lo. Mas, isto significa que também se voltarão, por fim, contra os verdadeiros representantes do Reino de Deus por Cristo, a saber, as Testemunhas de Jeová.a Qual será o resultado?
Isso provocará uma reação dos céus, ‘do montado num cavalo branco, que julga e guerreia em justiça’, isto é, “A Palavra de Deus”, Cristo Jesus. (Revelação 19:11-16) Assim as nações se verão confrontadas com a guerra do Armagedom, da parte de Deus. (Revelação 16:16) Esta guerra justa contra Satanás e seu “mundo” assinalará o fim de todos os sistemas políticos. Será seguida pela restauração da regência teocrática sobre toda a Terra. A Terra transformar-se-á num estado paradísico e será habitada pelos mansos que farão a vontade de Deus. A política destrutiva terá desaparecido da Terra. — Salmo 2:2, 9; 37:29.
Em vista do fracasso óbvio de todos os sistemas políticos em satisfazer as mais profundas necessidades da humanidade, não deveria o leitor voltar-se para o governo que pode satisfazer a toda a humanidade? Em vista da urgência dos tempos em que vivemos, convidamo-lo para entrar em contato com as Testemunhas de Jeová em sua localidade a fim de examinar mais cuidadosamente a evidência que indica estar próximo o governo do Reino de Deus. — Lucas 21:25-33.
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