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  • A política — seus frutos na Primeira Guerra Mundial
    Despertai! — 1985 | 22 de julho
    • A política — seus frutos na Primeira Guerra Mundial

      Há quase 2.000 anos, Jesus Cristo proferiu seu famoso Sermão do Monte, em que forneceu os princípios básicos para a conduta cristã. Em vez de ódio, ensinou o amor; em vez de vingança — o perdão e a não-violência. (Mateus, capítulos 5 a 7) No decurso da História, a cristandade tem afirmado seguir o exemplo dele. Mas, o que revela um exame mais detido da política no século 20? Têm os governos da cristandade realmente aplicado o cristianismo? Ou têm eles, consciente ou inconscientemente, seguido os princípios cínicos que Nicolau Maquiavel observou em seus estudos da História humana? Em seu livro O Príncipe [Ed. Cultrix, tradução de Antonio D’Elia], ele expôs os métodos que os estadistas bem-sucedidos tinham usado por séculos a fio. Suas principais máximas acham-se alistadas na página 7.

      À MEDIDA que o mundo entrava no século 20, o futuro parecia relativamente estável. As principais potências européias tinham estabelecido alianças com o equilíbrio de forças que, teoricamente, deviam garantir a paz. Mas, como escreveu o historiador R. R. Palmer em A History of the Modern World (História do Mundo Moderno), “os europeus criam estar-se dirigindo para uma espécie de planalto, pleno de progresso benigno e de civilização mais abundante, em que os benefícios da ciência e das invenções modernas teriam mais ampla difusão. . .. Em vez disso, a Europa tropeçou no desastre, em 1914”.

      O prof. A. J. P. Taylor chega mesmo a declarar: “É difícil, efetivamente, descobrir qualquer causa de hostilidade entre as Grandes Potências européias no início do verão setentrional de 1914.” Todavia, os políticos europeus ‘tropeçaram no desastre da Grande Guerra’ de 1914-18. Por quê? De acordo com esse mesmo professor, a causa foi “o sistema de alianças [a Tríplice Aliança entre Alemanha/Áustria Hungria/Itália versus a Tríplice Entente composta da França/Rússia/Inglaterra] . . . Deviam supostamente contribuir para a paz, mas contribuíram para a guerra”.

      Jesus ensinou: “A quem te esbofetear a face direita, oferece-lhe também a outra”, e: “Continuai a amar os vossos inimigos.” (Mateus 5:39, 44) Maquiavel indicou que ‘o método bestial da força era freqüentemente necessário’ para que um governante atingisse seus objetivos. Escreveu: “Daí ser necessário a um príncipe, para manter-se, aprender a não ser bom, e usar ou não usar o aprendido, de acordo com a necessidade”! Segundo ele, os princípios cristãos teriam de ser sacrificados a bem da conveniência.

      Quando os governantes políticos europeus católicos, protestantes e ortodoxos — reis, imperadores, presidentes e primeiros-ministros — declararam guerra em 1914, aos ensinos de quem estavam consciente ou inconscientemente seguindo? Aos do Mestre que professavam ter, Jesus Cristo? Ou aos conselhos pragmáticos de Maquiavel?

      “A guerra que acabará com todas as guerras”, e a guerra “para tornar o mundo seguro para a democracia” foram alguns dos lemas utilizados para justificar a carnificina geral a que os líderes políticos conduziram os jovens de 1914. E que espécie de guerra foi aquela? Qual o preço pago — não pelos políticos — mas pelo povo?

      Resultados da Primeira Guerra Mundial

      Talvez a Batalha do Somme, no norte da França, epitomize o sacrifício humano sem sentido da Grande Guerra. Declara o prof. Palmer: “A Batalha do Somme, que foi de julho a outubro [de 1916], custou aos alemães cerca de 500.000 homens, aos ingleses 400.000, e aos franceses 200.000.” O tributo total — 1.100.000 homens! Com que resultado? “Não se obteve nada de valor”, declara o historiador Palmer. Mas, perdeu-se muito — 1.100.000 pais, maridos e filhos que deixaram milhões de genitores, esposas e órfãos pesarosos. Este foi o tributo mortífero de uma única batalha! Qual a sua causa básica? A política divisiva que explorou o nacionalismo e o patriotismo, para fornecer bucha para canhão para uma guerra que jamais devia ter sido travada.

      E qual foi o preço total pago pelo povo (mas só raramente pelos líderes) das nações combatentes? Uma fonte declara: “Já em 11 de novembro de 1918 . . . oito milhões de soldados jaziam mortos, outros vinte milhões estavam feridos, doentes, mutilados ou cuspindo sangue devido aos ataques com gás.” E que dizer das vítimas civis? “Vinte e dois milhões de civis tinham sido mortos ou feridos, e os sobreviventes viviam nos vilarejos reduzidos a estilhaços e a escombros.”

      Em vista de toda esta matança, quão apropriado é o símbolo que a Bíblia utiliza para a inteira organização política mundial de Satanás por toda a História — “uma fera”.a (Revelação 13:1, 2) Vez por outra, algumas bestas-feras matam pelo simples prazer de matar. Outras chegam até a matar seus próprios filhotes.

      Todavia, eram grandes as esperanças quando a Primeira Guerra Mundial terminou em armistício em novembro de 1918. Como se expressou o escritor Charles L. Mee, em seu livro The End of Order, Versailles 1919 (O Fim da Ordem, Versalhes 1919): “A Primeira Guerra Mundial tinha sido uma tragédia em pavorosa escala. Sessenta e cinco milhões de homens foram mobilizados — muitos milhões a mais do que jamais tinham sido convocados antes para a guerra — para travar uma guerra, foi-lhes dito, de justiça e de honra, de orgulho nacional e de grandes ideais, para travar uma guerra que acabaria com todas as guerras, para estabelecer uma ordem inteiramente nova de paz e de eqüidade no mundo.”

      Será que os líderes políticos do mundo aprenderam uma lição com este horripilante banho de sangue? Será que as nações chamadas cristãs chegaram mais perto de praticar o amor que Cristo ensinou? Não, pois os eventos desde 1918 certamente desmentiram os lugares-comuns e os lemas que foram astutamente empregados pelos políticos, clérigos e militaristas.

      É pertinente o comentário do escritor Mee: “Os diplomatas reuniram-se [na Conferência da Paz de Paris] — e, longe de restaurarem a ordem no mundo, tomaram o caos da Grande Guerra e, por vingança e inadvertência, por impotência e desígnio, selaram-no como condição permanente de nosso século.” Ter sido o caos selado como condição permanente do modo de vida do século 20 foi confirmado por eventos posteriores.

  • Têm trazido paz os messias políticos?
    Despertai! — 1985 | 22 de julho
    • Têm trazido paz os messias políticos?

      O EX-PRESIDENTE dos EUA, Woodrow Wilson, foi um dos líderes das negociações de paz depois da Primeira Guerra Mundial. Foi visto por alguns como “o desinteressado paladino de uma nova ordem mundial baseada na justiça e na devida consideração para com as aspirações de todos os povos”. Sua solução para os problemas da paz mundial foi a Liga das Nações. Nutria elevadas esperanças quanto a seu projeto favorito.

      Certo relato reza: “Em determinado ponto, surpreendeu Lloyd George [primeiro-ministro inglês] e Clemenceau [primeiro-ministro francês] ao explicar como a liga estabeleceria uma fraternidade do homem quando o Cristianismo não conseguira fazê-lo.” Por que Cristo Jesus não “lograra êxito”? Wilson respondeu: “Ele ensinou o ideal sem delinear qualquer meio prático de atingi-lo. Essa é a razão pela qual proponho um esquema prático para cumprir Seus objetivos.”

      A imprensa francesa exaltou Wilson como o “Sumo Sacerdote do Idealismo, o Promotor da Liga das Nações, o Benfeitor da Humanidade, o Pastor da Vitória e o Legislador da Paz”. Mais uma vez, o povo estava sendo levado a depositar toda a sua esperança e confiança nos políticos e em seus projetos para trazer uma “nova ordem mundial”. Será que a Liga das Nações trouxe paz duradoura? Ou contribuiu para uma era de caos?

      O Messias da Itália

      Logo depois da instalação da Liga surgiram outros messias políticos e eles causaram sofrimento a milhões. Em 1922, Benito Mussolini, ávido leitor de Maquiavel, assumiu o poder na Itália. Seu fascismo foi aclamado como “a verdadeira religião”. Todavia, trouxe uma era de “violência, e de fraude e de chicana nas eleições” declara o historiador Palmer. O prof. Gentile, destacado filósofo italiano do fascismo, “louvou o emprego da violência, mesmo a violência ameaçadora dos fascistas, quando utilizada nos interesses do Estado”. Declarou que tal violência é “da vontade de Deus, e de todos os homens que crêem em Deus, . . . e da lei que Deus certamente deseja para o mundo”.

      Era isto uma manifestação do código de conduta de Cristo, ou das máximas de Maquiavel? Qual deles disse: “É muito mais seguro ser temido que amado”? Por certo não foi Jesus Cristo! Em contraste, ele ensinou: “Por meio disso saberão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor entre vós.” — João 13:35.

      Em 1935, com a bênção da Igreja Católica, a Itália fascista atacou e derrotou a Etiópia. Que fez a respeito a Liga messiânica de Wilson? “A Liga das Nações falhou de novo . . . em prover um mecanismo de ação disciplinar contra uma Grande Potência transviada.” — A History of the Modern World (História do Mundo Moderno), de R. R. Palmer.

      Uma Era de Terror

      Já em 1933, Adolf Hitler, ex-obscuro católico austríaco, tornara-se chanceler da Alemanha. Não esperou muito para mostrar seu desprezo pela Liga das Nações e pelo Tratado de Versalhes, cujos termos achava que tinham humilhado grandemente a Alemanha em 1919. Retirou a Alemanha da Liga, rejeitou as restrições do tratado, e começou a reconstruir as forças armadas alemãs.

      Em seu manifesto político, Mein Kampf (Minha Luta), Hitler explicou por que mais tarde recorreu ao terror espiritual baseado em mentiras e calúnias: “Trata-se duma tática baseada no cálculo preciso de todas as fraquezas humanas, e seu resultado levará ao sucesso quase que com precisão matemática . . . Eu consegui um entendimento idêntico da importância do terror físico para com o indivíduo e as massas.”

      Hitler estabeleceu a Gestapo, que, junto com as SS, tornaram-se instrumento de terror. Por perseguir implacavelmente as minorias, ele conseguiu o respeitoso temor da maioria sem suscitar-lhe o ódio. Esta maioria não tão silenciosa saudou a Hitler como seu führer. Independente de sua formação religiosa, a maioria das pessoas transigiu ou compactuou. As máximas de Maquiavel novamente se tornaram uma realidade política.

      A partir de 1936, Hitler seguiu uma política de anexação e de invasão que levou à ocupação da Renânia, de Dantzig, da Áustria e da Tchecoslováquia. Tudo isto era um prelúdio de ainda maior caos vindouro.

      “Precisam Ser Mortas Como Porcos!”

      Em 1936, o fascista general Franco liderou uma rebelião contra o governo republicano esquerdista de Madri. A insurreição na Espanha foi abençoada pela Igreja Católica como se fosse uma santa cruzada. Com o tempo, de acordo com o escritor C. L. Sulzberger, Hitler e Mussolini enviaram 85.000 soldados para apoiar o exército de Franco. Aviões alemães bombardearam cidades espanholas.

      Antonio Bahamonde, um dos principais ajudantes-de-ordens de um dos generais de Franco, comentando o derramamento de sangue e a carnificina geral dos prisioneiros, disse que os generais de Franco “sabiam muito bem que somente pela força do terror . . . conseguiriam dominar o povo . . . Trata-se de terror disfarçado em ordem, e tal ordem é a ordem dos cemitérios.” Outro general expressou-se de forma rude: “As pessoas comuns são porcos. Precisam ser mortas como porcos!” (Miracle of November, Madrid’s Epic Stand 1936 [Milagre de Novembro, A Posição Épica de Madri em 1936], de Dan Kurzman) Estes homens eram oficiais de um exército conquistador católico em sua maioria. Em nome da conveniência política, aprovaram o assassínio.

      Como em todas as guerras, ambos os lados cometeram atrocidades. Mais uma vez, os frutos da política inspiradora de ódios, apoiada pela religião, assomaram à superfície. O povo pagou o preço. A Guerra Civil espanhola, que durou três anos, resultou na morte de mais de meio milhão de pessoas. A guerra espanhola foi preâmbulo de uma tragédia bem maior — a Segunda Guerra Mundial.

      A Segunda Guerra Mundial e Mais Cataclismos

      A invasão da Polônia em setembro de 1939, por parte de Hitler, provocou as declarações de guerra da Grã-Bretanha e da França contra a Alemanha. A humanidade se viu confrontada em ainda outra convulsão de destruição e de miséria em massa. A política, respaldada pelo alto comércio, mais uma vez traíra o homem comum.

      Por que estava envolvido o alto comércio? Em política, dinheiro significa poder, e o alto comércio detém o dinheiro. Sem ele, Hitler talvez jamais se tornasse o chanceler da Alemanha. William Shirer escreveu em The Rise and Fall of the Third Reich (Ascensão e Queda do Terceiro Reich): “Ao se aproximarem do fim os Anos Vinte, começou a fluir dinheiro para o Partido Nazista da parte de alguns dos grandes industriais da Baviera e da Renânia, que se sentiam atraídos pela oposição de Hitler aos marxistas e aos sindicatos.”

      A segunda guerra mundial produziu ainda outra colheita horrenda de desumanidades do homem para com seu semelhante. Quantos pereceram nos seis anos de carnificina politicamente motivada? Alguns cálculos dizem que 55 milhões de pessoas. Outros milhões ficaram “aleijados, cegos, mutilados, desabrigados, orfanados e empobrecidos”. (The People’s Chronology [A Cronologia do Povo], de James Trager) A “fera” política tinha assolado de novo!

      A fim de estabelecer a paz permanente na Terra, os políticos das principais potências mundiais surgiram, em 1945, com uma Liga readaptada — a organização das Nações Unidas. Todavia, desde aquela data, já houve pelo menos 62 guerras, guerras civis, revoluções, e expurgos através do mundo, que resultaram em milhões de mortos e feridos — tudo em nome das diferenças ideológicas políticas.

      O prof. Palmer escreveu bem apropriadamente: “O mundo humano tem estado nas garras de . . . um cataclismo desde 1914. A Primeira Guerra Mundial, as dificuldades do após-guerra, as revoluções russa, chinesa, turca e outras, a grande depressão, o desfile de ditadores, a Segunda Guerra Mundial, a segunda safra de mudanças revolucionárias e de dificuldades do após-guerra, tudo é parte do mesmo processo de reajuste, . . . que ainda não terminou, e para o qual o termo ‘cataclismo’ não é um termo forte demais.”

      Agora, em 1985, o mundo parece dividido mormente em dois grandes campos políticos oponentes. Nestes alinhamentos, ainda existe grande variedade de sistemas políticos e sociais, que vão das ditaduras militares aos regimes democráticos. Ideologias em choque ameaçam provocar um holocausto nuclear mundial, um cataclismo que a maioria da humanidade não deseja.

      Embora possa haver políticos sinceros que trabalham para o bem da humanidade, todavia, é preciso admitir que a política divisória nos trouxe à beira da extinção. Existe alguma saída? Existe algum governo ou forma de regência que possa realmente unir a família humana em genuína paz e respeito mútuo?

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