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O hábito dá cabo da oposiçãoDespertai! — 1986 | 8 de abril
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novo estudo que indicava que as vítimas de câncer tendiam a ser grandes fumantes. A revista Reader’s Digest deu prosseguimento a essa história e seguiu-se ampla publicidade. Em 1953, uma campanha contra os cigarros parecia estar destinada ao êxito. Será que o mundo largaria esse hábito?
A Colossal Indústria Fumageira
Em público, a indústria fumageira insistia que o caso contra os cigarros carecia de provas, eram simples dados estatísticos. Mas, de súbito — e ironicamente — revelou sua própria arma secreta, o cigarro de baixo teor de alcatrão. O novo produto dava uma imagem de segurança e de saúde aos amedrontados fumantes que não queriam deixar de fumar, ao passo que a publicidade novamente provou sua capacidade de vender uma imagem.
Na realidade, as marcas de baixo teor de alcatrão eram mais tranqüilizadoras para a consciência do fumante do que para sua saúde. Os cientistas mais tarde comprovariam que muitos fumantes compensavam o baixo teor por inalar mais profundamente e por reter a fumaça nos pulmões mais tempo, até obterem tanta nicotina quanto antes. Mas, passar-se-ia ainda outro quarto de século até que pesquisadores pudessem demonstrá-lo. No ínterim, a indústria dos cigarros emergiu como uma das mais lucrativas do mundo, agora atingindo vendas anuais superiores a US$ 40 bilhões.
Economicamente, essa indústria hoje em dia é mais forte do que nunca. Os clientes continuam comprando. O consumo anual cresce 1 por cento ao ano, nos países industrializados, e em mais de 3 por cento nos países em desenvolvimento do Terceiro Mundo. No Paquistão e no Brasil,a o crescimento é, respectivamente, de seis a oito vezes mais rápido do que na maioria dos países ocidentais. Um quinto da renda individual na Tailândia vai para a compra de cigarros.
Ainda assim, para muitos indivíduos refletivos, a forte influência do caso de amor do mundo pelos cigarros, que já dura 100 anos, não é, de forma alguma, o fim da história. Poderia haver algo mais do que parece à primeira vista, neste fenomenal aumento do consumo de cigarros, especialmente desde 1914, e sua quase cega aceitação por parte de tanta gente? Que dizer daquelas questões raramente consideradas, tais como a ética desse hábito? Será que fumar é moralmente neutro, ou é censurável? Nosso próximo artigo apresenta alguns pontos perspicazes.
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Encare os fatos: o fumo hoje em diaDespertai! — 1986 | 8 de abril
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Encare os fatos: o fumo hoje em dia
SURPRESO de que tenha surgido a demanda de cigarros, um dos editores do Boletim de Saúde da Faculdade de Medicina de Harvard questiona: “Por que será que um vício desvanecente, sujeito [na década de 1870] a boa dose de opróbrio em meados da era vitoriana, subitamente se restabeleceu?” Sim, como certo anúncio recente (nos EUA) se jacta perante as fumantes: “Você percorreu um longo caminho, garota.” Os historiadores atribuem ao vício, à publicidade e às guerras ter o fumo granjeado aceitação pública. “Depois do vício, a publicidade é o mais poderoso aliado da indústria em sua batalha para ganhar o coração e a mente do fumante”, informa recente pesquisador. Isso é verdade, mas será que há algo mais envolvido nessa história?
A História por trás da História
Para os estudiosos da Bíblia, o significado da era do cigarro não pode ser posto de lado, sem mais nem menos. Por que não? Porque essa era — especialmente desde 1914 — cumpre profecias. Primeiro, em 1914, ‘nação se levantou contra nação’ numa guerra mundial. Daí, como Jesus Cristo predisse mais, a sociedade humana foi perturbada por ‘crescente aumento do que é contra a lei’. À medida que a guerra deixou as pessoas desiludidas e abalou seus valores vitorianos, isso abriu caminho para esta aceitação sem precedentes do cigarro. — Mateus 24:7, 12.
Em 1914, o mundo entrou numa era de ansiedade, e a indústria de cigarros prosperou. Muitos fumantes contraíram o hábito para combater as tensões do que a Bíblia chama de “tempos críticos, difíceis de manejar”. Os atrativos da publicidade e a dependência da nicotina ajudaram a tornar a auto-indulgência uma nova disposição da sociedade. A Bíblia predisse com exatidão que as pessoas nos últimos dias seriam “mais amantes de prazeres do que amantes de Deus”. — 2 Timóteo 3:1-5.
Tudo isto nos devia ajudar a sentir a urgência de nossos tempos. Em vez de ‘não fazer caso’, como Jesus disse que se dera com alguns humanos numa época anterior de crise, podemos aprender nossa lição da História. A Bíblia nos incentiva a ter esperança no Reino de Deus, e não em campanhas fúteis para reformar o mundo — nem em sonhos vãos de que as nações, algum dia, largarão seus maus hábitos. — Mateus 24:14, 39.
Pode o Mundo Livrar-se Desse Hábito?
As perspectivas não parecem promissoras de que o mundo se livre do hábito de fumar. Em 1962, o Colégio Real de Médicos da Inglaterra soou seu primeiro aviso contra o fumo, mas, em 1981, os ingleses compravam 110 bilhões de cigarros. O Médico-Chefe do Serviço de Saúde dos Estados Unidos deu seus primeiros avisos sobre os riscos para a saúde em 1964. Mas, no ano seguinte, viu-se um recorde de vendas. Em 1980, os americanos compravam anualmente 135 bilhões de cigarros a mais do que em 1964, apesar do aviso sobre a saúde, dado pelo médico-chefe, impresso em cada maço! A realidade é que o mundo agora compra quatro trilhões de cigarros por ano.
Quer fume, quer não, o dinheiro envolvido no comércio de cigarros, nestes dias, deveria esclarecer-lhe que, com toda a probabilidade, nem os governos, nem os políticos, irão acabar com o comércio fumageiro. Nos Estados Unidos, por exemplo, embora 350.000 pessoas morram todo ano por fumar cigarros, o fumo representa US$ 21 bilhões em impostos. Também fornece empregos, diretos ou indiretos, a 2 milhões de pessoas. E as empresas
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