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  • A religião na Inglaterra do século dezessete
    A Sentinela — 1962 | 15 de fevereiro
    • para lutarem em prol da liberdade. Portanto, quando em 1960 se descobriu uma Bíblia de trezentos anos de idade escondida na parede duma casa em Wrotham, em Kent, constituiu isso um forte lembrete de quanto os homens souberam avaliar a Bíblia quando confrontados com a severa perseguição religiosa.

      O PÊNDULO DAS ATITUDES RELIGIOSAS

      O século dezessete foi notável pelo seu grau de mudanças. O assunto ia de um extremo a outro. Sob o regime do Arcebispo Laud só se podia usar o Livro de Orações, mas, sob o regime de Oliver Cromwell, proscreveu-se o Livro de Orações. Ambos os partidos expulsaram clérigos de seus alojamentos, durante os seus respectivos regimes. Em 1604, o Rei Jaime expulsou cerca de 300 clérigos, que se tornaram conhecidos como os “irmãos silenciados”. Em 1643, foi a vez dos clérigos anglicanos, quando 2.000 deles perderam os seus alojamentos, uma questão séria para as famílias naqueles tempos. Por volta de 1662, a igreja anglicana estava de volta no poder e 2.000 não-conformistas ficaram privados deles sob o Ato de Uniformidade.

      A declaração chamada “Livro de Esportes” ajuda-nos também a entender as atitudes religiosas. Este permitia os jogos desportivos no domingo se a pessoa tivesse ido à igreja. Os puritanos opuseram-se a isso vigorosamente, apesar da multa de doze pence para cada falta ao ofício na igreja. As servas até sé recusavam a lavar os pratos no domingo.

      Depois se inverteu a situação, e os puritanos obtiveram o controle. O Parlamento aboliu em 1647 o Natal, o Easter (a páscoa do tipo atual), a festa de Pentecostes e o dia de Todos os Santos. A causa disto mostra quão forte era o desejo de voltarem aos verdadeiros ensinos cristãos. Hugh Martin expressa isso nas seguintes palavras: “Não devemos desconsiderar a veracidade da alegação puritana de que muitas das tradições destas festas eram pagãs, em vez de cristãs, embora achemos às vezes possível podermos aprender até mesmo dos pagãos. Nas Escrituras não há justificação para tais dias; não foram mencionados pelos Pais apostólicos, é muitos dos primitivos escritores cristãos, tais como Crisóstomo, Sócrates, o historiador, e Orígenes, foram bastante críticos quanto à sua observância. Há bastante evidência para indicar que muitas das festas cristãs foram deliberadamente sobrepostas às festas pagãs.”5

      As atitudes divergentes refletiam-se também na posição da mesa de comunhão. Devia o seu lado mais comprido estender-se do norte ao sul ou do leste ao oeste? Laud insistiu na primeira posição, “semelhante a um altar”. Mas, com a queda de Laud, as mesas voltaram à sua posição anterior, pelo qual houve grande regozijo. A vingança pelas ações de Laud manifestou-se na depredação de muitas igrejas, ou “casa de campanários”, como eram chamadas. Em Norwich, a catedral foi interiormente reduzida a ruínas, e o órgão, as vestimentas, os mantos, as sobrepelizes e os livros de ofício foram levados à praça do mercado para serem queimados, enquanto a multidão transformou a catedral numa cervejaria.

      O breve regime dos presbiterianos viu a introdução da Liga e Pacto Solene. Em troca de ajuda militar da Escócia, o parlamento concordou em reformar a religião na Inglaterra e estabelecer a forma presbiteriana de governo eclesiástico. A famosa Assembléia de Westminster reuniu-se para resolver os pormenores, mas pouco se fez na realidade, e o presbiterianismo nunca ganhou muita força na Inglaterra. Antes, foram os Independentes ou os não-conformistas que, especialmente durante o tempo de Cromwell, lançaram o alicerce para o que havia de durar por séculos, garantindo a sua sobrevivência.

      Oliver Cromwell é ainda uma das figuras mais controversas da história inglesa. Durante o seu domínio prevaleceu uma atitude mais tolerante para com as diferenças religiosas. Cromwell achava que todas as suas ações eram governadas por Deus, uma atitude partilhada por grande número de pessoas naqueles dias. Isto o levou ocasionalmente a declarações infelizes. Na captura de Drogheda, na Irlanda, Cromwell ordenou o massacre mais horrendo, justificando-o por dizer: “Estou convencido de que este é um julgamento justo de Deus sobre estes canalhas bárbaros.”6 Winston Churchill, descrevendo a batalha de Dunbar, onde Cromwell enfrentou os escoceses religiosos, observa com compreensão: “Ambos os lados apelaram confiantemente para Jeová; e o Altíssimo, achando tão pouca escolha entre eles em matéria de fé e zelo, deve ter permitido que fatores puramente militares prevalecessem.”7

      Com o restabelecimento da monarquia, a Igreja Anglicana ficou novamente dominante e a perseguição dos puritanos foi em muitas partes renovada com vigor. Mas, os não-conformistas eram agora mais fortes, mais seguros de suas próprias idéias e objetivos. Com a morte de Carlos II, o pêndulo voltou rapidamente para o outro lado, quando Jaime colocou católicos romanos nos diversos cargos, em toda a parte. Ao procurar ganhar os dissidentes para a sua própria causa, ele os impeliu para o campo anglicano. Suas maquinações foram demasiado aparentes, e ele fugiu para a França quando Guilherme de Orange foi convidado para desembarcar na Inglaterra.

      Guilherme não concordou em governar sem liberdade de adoração. Em 1689, o Ato de Tolerância viu o fim de grande sofrimento por causa da consciência em assuntos religiosos, embora exemplos isolados, tais como o massacre de Glencoe, três anos depois, ainda revelassem muito ódio e amargura.

      Nem uma única vez, no século dezessete, voltou-se o pêndulo para um proceder realmente cristão da parte do governo e do povo. Foi uma era que se caracterizou pelo medo, pelo preconceito, pela perseguição, pela corrupção e pelo favoritismo. O enlace entre igreja e estado levou a grande restrição da liberdade para muitos e a promulgação de uma lei após outra para impedir os dissidentes. Tal página da história pode ser um aviso para hoje; seguir tal proceder seria rejeitar o conselho sadio do apóstolo, dado há dezenove séculos: “Por outro lado, os frutos do espírito são amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, autocontrole. Contra estas coisas não há lei.” — Gál. 5:22, 23:

      OBRAS DE REFERÊNCIA

      1 England Under the Stuarts, de G. M. Trevelyan, página 28.

      2 The Scottish Covenanters, de J. Barr, página 98.

      3 A Collection of the Sufterings of the People Called Quakers, de J. Besse; 1753, Tomo I, página 460.

      4 The Church and the Puritans, de H. O. Wakeman, página 133.

      5 Puritanism and Richard Baxter, de H. Martin, página 111.

      6 Cromwells’s Letters and Speeches, de T. Carlyle, Letter 98, 17 de setembro de 1649.

      7 A History of the English-speaking Peoples, de W. S. Churchill, Tomo 2, página 235.

  • “Ignorância sobre a religião”
    A Sentinela — 1962 | 15 de fevereiro
    • “Ignorância sobre a religião”

      “Nas Filipinas, certos católicos de boas intenções fazem amiúde a pergunta: Como é que vamos deter o aumento das Testemunhas de Jeová e de outras seitas similares? Pelo que parece, o único meio seguro seria os católicos chegarem a conhecer melhor a sua própria religião e a praticar esta. Na realidade, é a ignorância sobre a religião que é o mais forte incentivo da organização nos países em que é introduzida. Pois, só quando chegarmos a conhecer a nossa própria religião, não tendo meramente nascido nela, quando praticarmos a nossa religião conforme se espera que os bons católicos em toda a parte a pratiquem, jamais temeremos aquela batida à porta por parte dos que se esforcem em nos apresentar um substituto da Fé em que nascemos, fomos criados e na qual vivemos.” — Home Life, uma revista católica impressa nas Filipinas.

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