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GravidezAjuda ao Entendimento da Bíblia
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tenha a devida nutrição. Se, para exemplificar, ela não ingerir suficiente cálcio, talvez perca os dentes, uma vez que seu corpo consome cálcio para formar os ossos do bebê em desenvolvimento. Ademais, o instinto protetor maternal da mulher aumentaria o sofrimento dela caso visse criancinhas passando fome e morrendo, sabendo que ela dentro em breve daria à luz uma criança, para viver em tais condições. Josefo escreveu sobre alguns homens que passavam fome na Jerusalém sitiada: “Não mostravam nenhuma compaixão pelos cabelos grisalhos ou pela infância desvalida, mas pegavam as crianças, ao se agarrarem às suas preciosas migalhas, e as jogavam ao chão.” — The Jewish War (A Guerra Judaica), tradução de G. A. Williamson, p. 291; compare com Lucas 23:29.
EMPREGO METAFÓRICO
O período de gravidez que culmina com o nascimento duma criança é usado várias vezes em sentido metafórico. Israel perdeu o favor de Deus porque o povo infiel dela ‘concebia a desgraça e dava à luz o que era prejudicial’. (Isa. 59:2-8; compare com Salmo 7:14.) Esse processo começou por permitirem que “pensamentos prejudiciais” e desejos errados lhes impregnassem a mente e o coração, e, com efeito, ali se incubassem, com o resultado inevitável de virem à luz “trabalhos (obras) prejudiciais”. — Compare com Tiago 1:14, 15.
Em outra parte, Isaías representa Israel como uma mulher que grita com dores de parto e que diz a Deus: “Assim nos tornamos nós por tua causa, ó Jeová. Ficamos em gravidez, tivemos dores de parto; é como se tivéssemos dado à luz o vento. Não conseguimos nenhuma salvação real no que se refere à terra, e nenhuns habitantes para o solo produtivo passam a nascer.” (Isa. 26:17, 18) Isto pode referir-se a que, apesar das bênçãos de Deus (compare com o versículo 15) e de Ele ter concedido a Israel a oportunidade de se tornar um ‘reino de sacerdotes e uma nação santa’ (Êxo. 19:6), Israel não havia ainda alcançado o cumprimento, há muito esperado, da promessa relativa ao Descendente, por meio de quem fluiríam as bênçãos. (Gên. 22:15-18) Os próprios esforços de Israel em obter salvação nada haviam produzido, senão a irrealidade; como nação, não podia conseguir a libertação “da escravização à corrupção” devido à qual toda a criação “junta persiste em gemer e junta está em dores”. (Rom. 8:19-22; compare com 10:3; 11:7.) Com a conquista pela Babilônia, a terra ‘se desvaneceu’ devido à sua poluição, causada pela violação do pacto de Deus, e ‘os habitantes da terra diminuíram de número’. — Isa. 24:4-6.
Em contraste, por fazer seu povo retornar do exílio, Jeová tornou Jerusalém como a mulher que ficara grávida de seu marido, e dera à luz vários filhos. — Isa. 54:1-8.
O apóstolo Paulo cita esta profecia de Isaias, capitulo 54, e a aplica à “Jerusalém de cima [que] é livre, e ela é a nossa mãe”. (Gál. 4:26, 27; compare com Hebreus 12:22.) Isto evidentemente fornece a chave para se entender a visão registrada em Revelação 12:1-5, em que uma “mulher” grávida, celeste, dá à luz “um filho, um varão, que há de pastorear todas as nações com vara de ferro”. O pastoreio das nações com uma vara de ferro está diretamente relacionado com o reino messiânico de Deus, e, assim, tal visão precisa relacionar-se com o surgimento daquele Reino, de modo que, após a derrota do ataque de Satanás contra o “filho” recém-nascido, soa-se o brado: “Agora se realizou a salvação, e o poder, e o reino de nosso Deus, e a autoridade do seu Cristo.” (Rev. 12:10) A angústia da “mulher” grávida, celeste, que antecede ao nascimento, traz à mente a expressão de Paulo em Gálatas 4:19, as “dores de parto”, ali representando, pelo que parece, o estimulante interesse e fervoroso desejo de ver alcançado o pleno desenvolvimento dos assuntos (no caso de Paulo, o pleno desenvolvimento dos crentes gálatas como cristãos).
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Grécia, GregosAjuda ao Entendimento da Bíblia
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GRÉCIA, GREGOS
Estes nomes provêm de Graikoi, nome duma tribo do NO da Grécia. Os italianos aplicavam o nome (Latim, Graeci) aos habitantes da Grécia como um todo. Por fim, até mesmo Aristóteles, em seus escritos, usava esse termo de modo similar.
Outro nome antigo, “jônios”, aparece a partir do século VIII A.E.C., em registros assírios em cuneiforme, bem como em relatos persas e egípcios. Tal nome provém do de Javã (Heb., Yawán), filho de Jafé e neto de Noé. Javã era o ancestral jafético dos povos primitivos da Grécia e das ilhas circunvizinhas, bem como, evidentemente, dos primeiros habitantes de Chipre, de partes do S da Itália, da Sicília, e da Espanha. — Gên. 10:1, 2, 4, 5; 1 Crô. 1:4, 5, 7.
Ao passo que “Jônio” se aplica agora, em sentido geográfico, ao mar entre o S da Grécia e o S da Itália e a cadeia de ilhas ao longo da costa O da Grécia, tal nome certa vez tinha um significado mais amplo, que se harmonizava mais com o emprego de “Javã” nas Escrituras Hebraicas. O profeta Isaías, no século VIII A.E.C., falou da época em que os exilados de Judá, que voltavam, seriam enviados a terras distantes, incluindo “Tubal, e Javã, as ilhas distantes”. — Isa. 66:19.
Nas Escrituras Gregas Cristãs, a terra é chamada de Héllas (“Grécia”, Atos 20:2), e o povo de Héllenes. Os próprios gregos haviam empregado estes nomes, já desde muitos séculos antes da Era Comum, e continuam a fazê-lo. “Hellas” talvez tenha alguma ligação com “Elisá”, um dos filhos de Javã. (Gên. 10:4) O nome “Acaia” era também aplicado à parte central e sul da Grécia, depois da conquista romana em 146 A.E.C.
A Grécia ocupava a parte S da montanhosa península dos Bálcãs, e as ilhas do mar Jônio, a O, e do mar Egeu, a E. Ao S situava-se o Mediterrâneo. A fronteira N é indeterminada, tendo especialmente em vista que, nos períodos primitivos, os javanitas da Grécia não se consolidaram como determinada nação. No entanto, em tempos posteriores, entende-se que a “Grécia” atingia as regiões da Ilíria (que corresponde mais ou menos à parte O da Iugoslávia e Albânia) e da Macedônia. Na realidade, os macedônios talvez tenham sido da mesma raça básica que os que mais tarde foram chamados gregos.
ESTRUTURA GOVERNAMENTAL E EXPERIÊNCIAS DEMOCRÁTICAS
Ao passo que o conhecimento sobre os métodos de governo da maioria das cidades-estados gregas é obscuro, apenas os de Atenas e de Esparta sendo razoavelmente conhecidos, evidentemente vieram a diferir muitíssimo dos de Canaã, da Mesopotâmia e do Egito. Pelo menos durante o que pode ser secularmente denominado de período histórico, eles possuíam magistrados em lugar de reis, e também conselhos e uma assembléia (ekklesía) de cidadãos. Atenas experimentou o governo democrático direto (a palavra “democracia” provindo do grego dêmos, que significa “povo”, e krátos, que quer dizer “governo”). Neste arranjo, o conjunto inteiro de cidadãos formava o legislativo, falando e votando na assembléia. Os “cidadãos”, contudo, constituíam uma minoria, visto que as mulheres, os residentes estrangeiros, e os escravos, não tinham os direitos de cidadania. Imagina-se que os escravos chegavam a constituir até um terço da população de muitas cidades-estados, e, sem dúvida, seu trabalho escravo tornava possível o tempo livre necessário para que os “cidadãos” participassem da assembléia política. Pode-se observar que a mais antiga referência à Grécia nas Escrituras Hebraicas, por volta do século IX A.E.C., fala de judeus serem vendidos como escravos por Tiro, Sídon e Filístia aos “filhos dos gregos [literalmente, “javanitas” ou “jônios”]. — Joel 3:4-6.
MANUFATURAS E COMÉRCIO
Além da agricultura, como atividade principal, os gregos produziam e exportavam muitos produtos manufaturados. Os vasos gregos tornaram-se famosos em toda a área do Mediterrâneo; também eram importantes os artigos de prata e de ouro, e os tecidos de lã. Havia numerosas oficinas pequenas e independentes, possuídas pelos artífices, que tinham alguns empregados, seja escravos seja homens livres. Na cidade grega de Corinto, o apóstolo Paulo juntou-se a Áquila e Priscila no comércio de fabricação de tendas, provavelmente utilizando tecido feito de pêlo de cabra, do qual havia boa oferta na Grécia. — Atos 18:1-4.
A RELIGIÃO GREGA
O conhecimento mais antigo sobre a religião grega provém da poesia épica de Homero. Na herdade, não é certo se Homero realmente existiu. Relatos posteriores sobre a vida dele parecem fictícios. Mas os dois poemas épicos que lhe são atribuídos, a Ilíada e a Odisséia, eram recitados a cada quatro anos em Atenas, durante o período clássico. Os trechos mais antigos em papiro destes poemas, segundo se crê, datam de algum tempo antes de 150 A.E.C. Como George G. A. Murray, professor de grego, afirma sobre estes textos primitivos, eles “diferem ‘muitíssimo’ de nossa vulgata”, isto é, do texto que tem sido aceito popularmente durante os últimos séculos. Assim, diferente da Bíblia, não houve conservação da integridade dos textos homéricos, mas eles existiam “num estado extremamente fluido”, como demonstra o professor Murray.
Os poemas homéricos falavam de heróis e deuses guerreiros que eram bem parecidos com os homens. Alguns peritos sugerem uma ligação entre a Odisséia e a Epopéia de Gilgamés, de Babilônia. De qualquer modo, existe realmente evidência da influência babilônica sobre a religião grega. Certa antiga fábula grega é quase que uma tradução literal dum original acadiano.
A outro poeta, Hesíodo, provavelmente do século VIII A.E.C., atribui-se a sistematização da ampla gama de mitos e lendas gregos. Junto com os poemas homéricos, a Teogonia de Hesíodo constituía os principais escritos sagrados ou a teologia dos gregos.
Ao considerar os mitos gregos, é interessante ver como a Bíblia elucida sua possível, ou até mesmo provável, origem. Como mostra Gênesis 6:1-13, antes do Dilúvio, os filhos angélicos de Deus vieram à terra, evidentemente se materializando em forma humana, e coabitaram com atrativas mulheres humanas. Produziram uma descendência que foi chamada de “nefilins” ou “derrubadores”, isto é, ‘os que fazem com que outros caiam’. O resultado desta união desnatural de criaturas espirituais com humanas, e a raça híbrida que produziu, foi que a terra ficou cheia de imoralidade e violência. (Compare com Judas 6; 1 Pedro 3:19, 20; 2 Pedro 2:4, 5; veja NEFILINS.) Javã, assim como outros dos tempos pós-diluvianos, sendo o progenitor das raças gregas, sem dúvida ouviu o relato dos tempos e das circunstâncias pré-diluvianos, provavelmente de seu pai, Jafé, um dos
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