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Acabará o mundo num holocausto nuclear?Despertai! — 1983 | 22 de março
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Acabará o mundo num holocausto nuclear?
Será a Terra Arruinada Numa Guerra Nuclear?
ATÉ O ANO PASSADO, conforme se disse, as nações “atômicas” já teriam armazenado pelo menos 50.000 ogivas nucleares. A potência combinada de tais armas rivalizaria com uma explosão de 1.600.000 bombas do tipo que os Estados Unidos lançaram sobre Hiroxima, Japão, em agosto de 1945.
Umas meras 300 superbombas do estoque desse medonho arsenal, se lançadas num ataque conjunto sobre centros populacionais-chaves nos Estados Unidos, poderiam aniquilar 60 por cento da população e transformar vastas áreas num deserto. Os norte-americanos suspeitam que 300 megabombas representam não mais do que 3 por cento do arsenal soviético. Por sua vez, os norte-americanos estão preparados para destruir os russos de maneira similar.
Os líderes políticos, embora empenhados numa corrida para armazenar armamentos, continuam a advertir solenemente que algum dia as potências mundiais terão de “reunir-se à mesa de conferências com o entendimento de que a era de armamentos terminou, e a raça humana precisa harmonizar suas ações a esta verdade ou então morrer”, para citar o presidente Dwight Eisenhower, em 1956. Um quarto de século mais tarde, o ex-presidente Jimmy Carter, em seu discurso de despedida, ecoou o temor de que se houvesse sobreviventes dum holocausto nuclear, eles “viveriam em desespero em meio às ruínas envenenadas de uma civilização que cometera suicídio”. Os líderes soviéticos concordam que a guerra nuclear significa “desastre universal”.
Albert Einstein foi um cientista “puro” que ia em busca de conhecimento pela causa da verdade. Tal empenho levou-o a conceber uma fórmula para desvendar a energia latente dentro do átomo: E=mc2 (a energia é igual a massa vezes a velocidade da luz ao quadrado). Ao dividir um átomo (fissão) ou ao combinar os átomos (fusão) ocorre uma liberação de energia de proporções horrendas. Quanta energia? Ora, a quantidade de massa fissionável despendida na destruição de Hiroxima foi do montante de cerca de um grama.
Em 1950, dois anos antes do teste da primeira bomba de hidrogênio, ou termonuclear, Einstein advertiu que o “envenenamento radioativo da atmosfera e o conseqüente aniquilamento de toda e qualquer vida na terra tem sido incorporado ao âmbito das possibilidades técnicas”.
Os líderes mundiais concordam que em 6.000 anos de “civilização” esse perigo não tem tido precedente. O homem acabou apoderando-se de uma força que pode provocar a sua própria extinção. Se todas as bombas nucleares fossem empregadas juntas, toda a vida poderia ser destruída.
O planeta Terra poderia morrer: Num milionésimo de segundo cidades inteiras são vaporizadas. Crateras mais profundas que a altura de um arranha-céu assinalam o ponto em que uma bomba de um megaton explodiu numa explosão de superfície. O dia se transforma em noite à medida que nuvens em forma de cogumelo se aglutinam, cobrindo um continente para derramar uma “chuva negra” de radiação letal. Ondas de incêndio envolvem as ruínas. Figuras carbonizadas de cães, cavalos e humanos cobrem os escombros. Se há sobreviventes, a radiação os mata. Se ainda assim há sobreviventes, eles cambaleiam em estado de choque num mundo privado de toda coisa conhecida — alimento, roupa, luz, energia, saneamento, comunicação, medicação, família, amigos, polícia, governo — a civilização.
Não existe maneira de impedir isso?
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Como foi em HiroximaDespertai! — 1983 | 22 de março
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Como foi em Hiroxima
Será a Terra Arruinada Numa Guerra Nuclear?
A 6 DE AGOSTO DE 1945, às 8,16 da manhã, o povo de Hiroxima estava de pé, iniciando um novo dia. Era uma manhã quente, tranqüila.
Uma fração de segundo mais tarde, dezenas de milhares de pessoas morreram carbonizadas, estraçalhadas e esmagadas. O centro duma cidade de 340.000 habitantes foi simplesmente nivelado ao chão.
As vítimas ainda não mortas moviam-se num estado irreal. “Eu estava caída no chão coberta por pedaços de madeira”, lembra-se a sra. Hanuko Ogasawara, ainda mocinha naquele tempo. “Quando me levantei num esforço frenético para olhar em volta, havia escuridão. Terrivelmente assustada, pensei estar sozinha num mundo de mortos e fui “ateando em busca de alguma claridade. . . . Subitamente, perguntei-me o que teria acontecido a minha mãe e a minha irmã . . . Quando a escuridão começou a desvanecer, vi que não havia nada ao meu redor. Minha casa, a casa do vizinho ao lado e a próxima, tudo havia desaparecido. . . . Havia um silêncio, muito silêncio — um momento terrificante. Achei minha mãe num tanque de água. Ela desmaiara. Gritando ‘mamãe, mamãe’, eu a sacudi para que ela recobrasse os sentidos. Após voltar a si, minha mãe começou a gritar por minha irmã, feito louca: ‘Eiko! Eiko!’”
Aos seus gritos juntaram-se outros. Essas cenas, tiradas de um livro de memórias chamado Unforgettable Fire (Fogo Inesquecível), inclui este relato feito por Kikuna Segawa:
Uma mulher, que parecia grávida, jazia morta. Ao seu lado estava uma menina de uns três anos de idade que havia trazido um pouco de água numa lata vazia que encontrara. Ela tentava dar de beber a sua mãe.
Dentro de meia hora, à medida que se erguia no céu o manto de escuridão, irrompeu a onda de incêndios. O professor Takenaka tentava resgatar sua esposa de debaixo de uma viga de telhado. As chamas o afastavam, enquanto ela implorava: “Fuja, querido!” Foi uma cena que se repetiu por incontáveis vezes, à medida que maridos, esposas, filhos, amigos e estranhos tinham de abandonar os que estavam morrendo nos incêndios.
Uma hora após a explosão começou a cair uma “chuva negra” sobre as partes da cidade que ficavam a favor do vento. A precipitação radioativa continuou até o cair da tarde. A inteira conflagração de fumaças e de fogo foi sacudida por um estranho e violento tufão que durou várias horas. Desordenadas procissões de queimados e feridos começaram então a emergir da onda de incêndios. Robert Jay Lifton cita um comerciante de secos e molhados no seu livro Death in Life (Morte em Vida): “Mantinham os braços dobrados . . . e a pele deles — não apenas das mãos mas também do rosto e do corpo — estava pendurada. . . . Muitos deles morreram ao longo do caminho. Ainda posso visualizá-los — pareciam fantasmas caminhantes. Não pareciam ser pessoas deste mundo.”
Alguns vomitavam — um sintoma primário de doença radioativa. O colapso físico acompanhava o colapso emocional e espiritual. As pessoas sofriam e morriam, estupefatas e inertes, sem emitir um som sequer. “Os que tinham condições perambulavam silenciosamente pelos subúrbios nas colinas distantes, de espírito abatido, sem iniciativa”, escreveu o dr. Nichikhito Hachiya em seu Hiroshima Diary (Diário de Hiroxima).
Dentro de três meses o número de mortos em resultado da bomba de Hiroxima chegava calculadamente a 130.000. Mas, a cobrança do tributo final continua a se arrastar. Semanas após o bombardeio números incontáveis de sobreviventes começaram a apresentar hemorragias na pele. Esses primeiros sinais, acompanhados de vômitos, febre e sede, podiam ser seguidos por um esperançoso, mas enganador, período de abrandamento. Mais cedo ou mais tarde, porém, a radiação atacava as células reprodutivas, especialmente a medula óssea. Os estágios finais — a queda de cabelo, a diarréia e a hemorragia dos intestinos, da boca e de outras partes do corpo — provocavam a morte.
Uma ampla série de doenças se desenvolveram da exposição à radiação. Os processos reprodutivos foram alterados. Defeitos congênitos, cataratas, leucemia e outras formas de câncer caracterizaram a sorte dos expostos à bomba de Hiroxima.
Essa bomba, contudo, era pequena. Seus doze e meio quilotons de potência mortífera (igual a 12 1/2 milhares de toneladas de TNT) é hoje considerada uma simples arma tática. Em comparação, uma bomba de hidrogênio pode comportar tantas quantas 1.600 vezes a sua potência. O que aconteceu em Hiroxima não é nem mesmo uma milionésima parte de um holocausto que seria causado segundo os níveis atuais de preparação nuclear mundial! “O que aconteceu ao povo de Hiroxima”, escreveu Jonathan Schell, “. . . é uma imagem do que o nosso inteiro mundo está sempre sujeito a se tornar, um pano de fundo de um dificilmente imaginável horror que jaz logo abaixo da superfície de nossa vida normal, e capaz de irromper nessa vida normal a qualquer segundo”. — The New Yorker, 1.º de fevereiro de 1982.
Será desse modo que o mundo acabará?
[Destaque na página 5]
Dentro de três meses o número de mortos em resultado da bomba de Hiroxima chegava calculadamente a 130.000. Mas, a cobrança do tributo final continua a se arrastar.
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Não há meio de evitar a guerra nuclear?Despertai! — 1983 | 22 de março
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Não há meio de evitar a guerra nuclear?
Será a Terra Arruinada Numa Guerra Nuclear?
O QUE se diz aqui não é conversa sobre juízo final por parte de alguma seita religiosa fundamentalista. Trata-se de conclusões sóbrias de homens que gastaram anos compilando estudos oficiais e relatórios governamentais sobre os efeitos catastróficos da guerra nuclear sobre toda a vida na terra.
Evocar Hiroxima qual pano de fundo contra o qual magnificar em termos quantitativos o abalo global de 1.000 bombas de megaton caindo sobre as nações — é isso que se quer dizer quando se fala em holocausto nuclear.
É tão chocante, tão entorpecedor para os sentidos que a maioria das pessoas tentam bloqueá-lo da mente, simular que o perigo não existe, viver num faz-de-conta, adotando a atitude ‘comamos e bebamos, pois amanhã morreremos’. Tornam-se insensíveis diante de desastres comuns. Parece não haver retorno. É como se alguma força sobre-humana dirigisse o homem para a sua autodestruição.
Os cientistas não podem apegar-se a nenhum resquício de dúvida de que o homem se apoderou do poder de autodestruição. Mas junto com a humanidade desapareceria a vida animal e a vida avícola. Os mais prováveis sobreviventes talvez fossem algumas espécies de insetos que então pululariam em pragas incontroláveis, apressando a sua própria extinção. A vegetação, incluindo as plantações, os cereais, e os vegetais, seria devastada. Primeiro as árvores, por último a relva. A erosão do solo depositaria minerais nos cursos de água, onde a superdisseminação de algas e organismos microscópicos exauriria o teor de oxigênio e mataria de inanição a vida marinha sobrevivente. Junto com todas as coisas feitas pelo homem — abrigos, fábricas, utensílios, governos — o ambiente natural seria tremendamente alterado.
Um holocausto em plena escala acrescentaria efeitos adicionais aos causados em suas áreas locais. Por exemplo, que dizer se as setenta e seis usinas nucleares nos Estados Unidos estivessem entre os 10.000 alvos que os russos bombardeassem? Segundo a revista Scientific American, a vaporização de uma única usina gigawatt (gigas significa “gigante”) de energia atômica acrescentaria uma espécie de radiação de longa vida que impediria a habitação numa vasta área de terra por décadas. Tornar-se-ia parte da precipitação radioativa que subiria até a estratosfera, onde ficaria circulando em volta da terra até que depois de meses e anos caísse contaminando a inteira superfície do globo. Muito antes disso, a radiação imediata já teria envenenado a terra, o ar e o mar e penetrado nos tecidos, nos ossos, nas raízes, nas hastes e nas folhas de coisas vivas.
Das explosões do solo subiriam à estratosfera enormes nuvens de pó que envolveriam o planeta e possivelmente esfriariam a superfície da terra. Ao mesmo tempo, um desastre relacionado poderia ser a camada de ozônio que envolve a terra e filtra níveis mortíferos de radiação ultravioleta da luz do sol. A Academia Nacional de Ciências, dos EUA, calculou em 1975 que a detonação de 10.000 megatons de bombas nucleares no hemisfério norte tiraria 70 por cento da camada de ozônio dali e tantos quantos 40 por cento daqui, do hemisfério sul. “Se o ozônio não absorvesse grande parte da radiação solar ultravioleta”, concluíram juntos o Departamento de Defesa e a Agência de Pesquisa e Desenvolvimento de Energia, dos EUA, “a vida como atualmente conhecida não poderia existir, exceto talvez no oceano”.
Os organismos vivos e suas cercanias sem vida, estão compreendendo os cientistas, têm uma forte interdependência de um para com o outro. Ao passo que o solo, a água e o ar têm sido o meio ambiente para a vida, parece que a vida tem sido o meio ambiente para o solo, a água e o ar. O dr. Michael McElroy, físico do Centro de Física Terrestre e Planetária de Harvard, EUA, crê que os processos de vida do nascimento, do metabolismo e da decadência são grandemente responsáveis por manter o equilíbrio de importantes elementos atmosféricos tais como o oxigênio, o carbono e o nitrogênio, até mesmo a quantidade de ozônio na estratosfera.
Assim, o próprio “metabolismo” da terra depende da qualidade de vida sobre ela.
A ecosfera é um sistema global no qual uma inteira constelação de espécies forma um conjunto equilibrado, auto-reprodutivo. A ecosfera do planeta Terra é cuidadosamente regulada. É equilibrada e autoperpetuadora. A única influência perturbadora no seu meio é o homem. No presente ele dizima formas de vida nele numa média de três espécies por dia. Ele poluirá ou desintegrará qualquer fração dele em troca de lucro ganancioso. Mas agora ele ameaça não uma fração mas todo ele.
Ele pode arruinar a terra inteiramente.
[Foto na página 7]
Vítimas indefesas da ganância humana.
[Quadro na página 6]
INFINDÁVEIS MANEIRAS DE SE MORRER
● Ser queimado pela bola de fogo ou pulso termal.
● Perecer na radiação inicial.
● Ser mortalmente esmagado ou derrubado pela onda da explosão ou por seus estilhaços.
● Pela radiação mortífera causada pela precipitação radioativa local.
● Perecer numa epidemia.
● Ser envenenado pelos raios ultravioletas, do sol, depois de ser dizimada a camada de ozônio.
● Ser envenenado por radiação retardada.
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Que pode ser feito para salvar a terra?Despertai! — 1983 | 22 de março
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Que pode ser feito para salvar a terra?
Será a Terra Arruinada Numa Guerra Nuclear?
A ENORMIDADE do perigo devia induzir os homens a desmantelarem suas armas nucleares. O que, então, os induz a um rumo oposto? Você espera e confia que os líderes mundiais ainda vão reunir-se em conselho e proscrever as armas nucleares?
Quais são as perspectivas de que algum dia eles façam tal coisa? Quando na História os homens alguma vez já proscreveram as armas de guerra mais horripilantes? Permanentemente? Esta geração aprendeu a dividir e a causar a fusão do átomo. É mais fácil o homem proscrever de si mesmo esse conhecimento do que desativar a matéria? Pode ele sonegar esse conhecimento à próxima geração?
Os filhos de Adão se têm empenhado, como o pai deles, em tomar a si a determinação do que deve ser bom e do que deve ser mau. O conhecimento de como dividir o átomo espalha-se. Cruza fronteiras, dividindo a sociedade em facções hostis, fronteiras que envolvem soberanias. E então?
Numa guerra nuclear total simplesmente não há lugar onde se esconder. Os abrigos são inúteis. Evacuar significa fugir duma nuvem atômica e ser apanhado por outra. As duas superpotências nucleares suspeitam que os mísseis nucleares, engatilhados e apontados sobre submarinos, podem atingir os alvos costeiros uma da outra em dez minutos. Mísseis balísticos intercontinentais, lançados a partir de cada país, podem chegar quinze ou vinte minutos mais tarde. Bombardeiros de longo alcance podem-se juntar a isso em questão de horas. Contudo, o primeiro aviso que será possível soar, a ambas as populações, será quinze minutos depois que os mísseis tiverem sido lançados. Isto é cinco minutos depois de as bombas começarem a cair.
Por que os homens aceitam a idéia de que praticar a violência é inato na natureza humana? Não fomos feitos para ser assim. “Deus fez a humanidade reta, mas eles mesmos têm procurado muitos planos.” — Eclesiastes 7:29.
Parece-lhe que uma força mais do que humana está conduzindo os homens ao desastre? A Bíblia identifica tal influência.
Essa força emana de uma criatura espiritual invisível. É a mesma criatura invisível que maquinou a rebelião no Éden. Ela é identificada nas Escrituras qual “grande dragão”, ou devorador; “serpente original”, ou enganador; caluniador e adversário de Deus chamado “Diabo e Satanás”. E a Bíblia diz que ele “está desencaminhando toda a terra habitada”. — Revelação (Apocalipse) 12:9.
Acredite, Satanás não é mera figura de linguagem, nem alegoria. Ele é uma pessoa. Ele é o grã-mestre dos mentirosos. É o assassino original. (João 8:44) A ele juntam-se outros espíritos rebeldes, os demônios. Eles constituem “os governantes mundiais dessa escuridão”, “as forças espirituais iníquas nos lugares celestiais”. — Efésios 6:12.
Já se perguntou por que seculares impérios de governos políticos opressivos têm dominado a humanidade? Esses são obras de Satanás, “o deus deste sistema de coisas” que “cegou as mentes dos incrédulos”. (2 Coríntios 4:4) Esses sistemas governamentais são retratados nas Escrituras quais monstruosidades bestiais. Os demônios, diz a Bíblia, falam “impuras expressões inspiradas” através deles. — Revelação 16:13, 14, 16; Daniel 8:20-22; Revelação 13.
Satanás também estabeleceu sobre os reinos da terra uma amante libertina, de religião falsa, “Babilônia, a Grande”. Ela também “se tornou moradia de demônios”. — Revelação 17:5, 18; 18:2.
No tempo do fim do mundo é causada à humanidade uma grande aflição, “porque desceu a vós o Diabo, tendo grande ira, sabendo que ele tem um curto período de tempo”. — Revelação 12:12.
Você tem alguma explicação melhor para os tempos em que vivemos? Se for o caso, como é que os homens impedirão esse curso de condenação traçado para a morte? Digamos que eles se manifestem para interromper esse cenário por meio de algum intervalo temporário de “paz e segurança”. Será que a sua proclamação de “paz e segurança” traria a tranqüilidade ou a destruição? — 1 Tessalonicenses 5:3.
Se a terra há de permanecer para ser herdada pelos mansos, então ela precisa ser salva da ruína por meio de ajuda vinda de fora — fora de qualquer força em operação nos homens ou nos demônios. Nenhum parlamento político, nenhum concílio religioso, nenhuma escola ou filosofia, nenhuma ciência, nenhuma tecnologia apresenta um único raio de esperança. Essas forças humanas também são mísseis mortíferos, mal dirigidos, que saem pela culatra e atingem os que os lançam bem como arrebentam qualquer esperança de sobrevivência em qualquer parte em que aterrissem.
A quem podemos dirigir-nos para salvar a terra? Teremos de dirigir-nos Àquele que a criou.
[Destaque na página 8]
Parece-lhe que uma força mais do que humana está conduzindo os homens ao desastre?
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‘Ele não a criou em vão’Despertai! — 1983 | 22 de março
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‘Ele não a criou em vão’
Será a Terra Arruinada Numa Guerra Nuclear?
UM DOS motivos pelos quais as Testemunhas de Jeová publicam esta revista é para assegurar a seus leitores que o mundo não vai acabar num holocausto nuclear. Se uma ou mais nações recorrerão às suas bombas atômicas, não sabemos. Mas um holocausto nuclear — não esperamos isso. Isso arruinaria a terra. A obra de criação de Deus seria então arruinada. Sua Palavra nos diz positivamente: “Ele . . . não a criou em vão.” — Isaías 45:18, Trinitária.
Cremos que o Filho de Deus quis dizer exatamente isso quando declarou que os mansos herdarão a terra.
Cremos que o Pai, Deus, o Criador, formou-a para ser habitada — em justiça.
Mateus 5:5 e Isaías 45:18 declaram essas certezas tão enfaticamente que as Testemunhas de Jeová empregaram mais de 1.000.000 de horas cada dia, no ano passado, em pessoalmente visitar as pessoas em mais de 200 terras, aliviando os temores de milhões de pessoas com essas garantias bíblicas.
Quando pessoas reflexivas hoje se conscientizam de como o homem tem subjugado a terra, elas estremecem. A “natureza” não é mais uma soberana indisputada sobre o homem. O homem tem agora em suas mãos o destino da vida. A terra precisa ser protegida contra o homem.
O atual arruinamento da terra não era o que se pretendia ao se confiar ao homem a sua subjugação. Para propiciar ao homem um início perfeito, para demonstrar como o homem deveria subjugá-la, “Jeová Deus passou a tomar o homem e a estabelecê-lo no jardim do Éden, para que o cultivasse e tomasse conta dele.” — Gênesis 2:15.
É recompensador examinar mais de perto aquele maravilhoso início, no paraíso: Primeiro, “Jeová Deus passou a formar o homem do pó do solo e a soprar nas suas narinas o fôlego de vida, e o homem veio a ser uma alma vivente”. — Gênesis 2:7.
Lá estava o homem diante de seu Criador, fisiologicamente adulto e maduro, mas sem experiência e educação. Deus também fez a mulher, plenamente desenvolvida.
Eis as derradeiras formas de vida na terra, divinamente destinadas a cumprirem um grande objetivo: “Façamos o homem à nossa imagem, segundo a nossa semelhança, e tenham eles em sujeição os peixes do mar, e as criaturas voadoras dos céus, e os animais domésticos, e toda a terra, e todo animal movente que se move sobre a terra.” — Gênesis 1:26.
Logicamente, a educação começou com a Lição Número Um: ‘O caminho da vida depende de corresponder ao que eu vos ensino. Eu fiz tudo com um objetivo e de acordo com princípios fixos. Tudo que precisardes saber eu vos ensinarei. Não decidais entre vós mesmos dirigir o vosso rumo. O modo que talvez pareça certo à base de vossa própria decisão conduz à morte.’ (Salmo 36:9; Jeremias 10:23; Provérbios 3:5, 6) O inteiro teor da Bíblia confirma que essa era a essência do que o homem e a mulher deveriam ter discernido do mandamento simples: “Quanto à árvore do conhecimento do que é bom e do que é mau, não deves comer dela, porque no dia em que dela comeres, positivamente morrerás.” — Gênesis 2:17.
Não importa quantos bilhões de anos a terra tenha girado no espaço; não importa quantas eras Deus tenha usado para preparar os processos de vida nela, chegou o tempo em que ele transferiu ao homem o cuidado dela. Ele sabia que essa criatura senciente, dotada de pensamento e vontade era capaz, mais cedo ou mais tarde, de alcançar o derradeiro poder sobre a criação terrestre. Mas agora, porém, o homem apoderou-se de tal poder com intenção destrutiva.
Se você fosse o criador da terra, que faria? Você a abandonaria às mãos de um mundo de homens que pensam que certa forma de soberania política é mais importante do que o bem-estar da obra de Deus?
A decisão de lançar bombas atômicas não precisa necessariamente ser tomada através de um deliberado e resoluto conselho de homens bem-intencionados. Isso pode ser desencadeado por um ditador tresloucado. Ou por um punhado de terroristas. Ou mesmo por acidente. Três vezes, nos anos recentes, as forças norte-americanas foram alertadas quanto à ameaça de um ataque. Duas vezes aconteceu por causa de um chip defeituoso num computador. Uma vez alguém, por engano, colocou no sistema sonoro uma gravação de teste reproduzindo um ataque de mísseis — isso assustou o Comando Norte-Americano de Defesa Aérea, que pensou que era real!
Sim, se fosse o criador da terra, você a abandonaria aos cuidados de zeladores que penduram o destino dela no acaso cego, precário e frívolo?
Os homens e as nações têm culpa diante do Dono da terra. Voluntariamente e com intenção violenta eles fazem pairar sobre o planeta o perigo da destruição nuclear. Nenhum deles é isento de culpa por asseverar a intenção de lançar bombas nucleares apenas como ‘retaliação defensiva’. “É outro aspecto incongruente da situação nuclear o fato de que, ao passo que cada lado considera a população do outro lado como vítimas inocentes de governo injusto”, disse o redator Jonathan Schell, “cada qual se propõe a punir o outro governo por aniquilar aquela já sofrida e oprimida população”. — The New Yorker, 8 de fevereiro de 1982.
Deus não permitirá a ruína da terra. Ele interferirá. Agirá assim, mesmo que isso irrite a todas as nações no planeta: “As nações ficaram furiosas, e veio teu próprio furor e o tempo designado . . . para arruinar os que arruínam a terra.” — Revelação (Apocalipse) 11:18.
Talvez ouça alguns zombarem da aplicação das profecias de Revelação aos tempos modernos. Ora, que desafiem a aplicação. Que submetam ao teste o assunto. Mas, assim como os homens não poderiam sobreviver a uma guerra nuclear total desencadeada por eles mesmos, tampouco poderão sobreviver à “guerra do grande dia de Deus, o Todo-poderoso”. — Revelação 16:13, 14, 16.
Essa guerra livrará a terra para sempre dos sistemas políticos bestiais, junto com “os reis da terra e os seus exércitos”. Quando terminar, até mesmo Satanás, o Diabo, será lançado no abismo. Será uma guerra seletiva. Poupará os mansos da terra. Eles herdarão uma terra limpa, não a escória de uma terra poluída, irradiada. Sim, uma terra para ser embelezada sob uma nova ordem justa governada do céu. — Revelação 19:19 a 20:3; 7:9, 10, 13-17.
Por que estão as Testemunhas de Jeová convencidas de que a terra não será arruinada por um holocausto nuclear ou por qualquer outro meio à disposição do homem? Porque, embora os filhos de Adão, como um todo, tenham subjugado a terra dum modo desaprovado, há os que são mansos, suscetíveis de ensino e receptivos aos modos do Criador. Estão dispostos a efetivar Seu propósito de povoar a terra e cuidar dela do modo como ele se propôs. — Salmo 37:34.
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