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Argentina: paladina da liberdade — ou da intolerância religiosa?Despertai! — 1978 | 22 de setembro
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em espanhol) foi organizada e, mais tarde, reconhecida oficialmente pelo Governo argentino.
cancelado o registro legal em 1950
Em 1949, o governo criou um departamento de cultos ou de religião, no Ministério das Relações Exteriores. Exigiu-se que todas as religiões se registrassem junto a esta agência recém-constituída. No entanto, em 26 de maio de 1950, negou-se tal registro às Testemunhas de Jeová! E, em 12 de julho desse mesmo ano, cancelou-se o reconhecimento legal delas!
Desde então, por todos esses últimos 28 anos, as Testemunhas de Jeová repetidas vezes fizeram apelos às autoridades. Recorreram aos ministros das Relações Exteriores, a governadores e até mesmo a presidentes. Parte de seus apelos foi para que, pelo menos, lhes fosse dada a oportunidade de explicar sua posição. Todavia, todos esses apelos caíram em ouvidos de mercador! As Testemunhas de Jeová foram julgadas e condenadas sem nem mesmo uma audiência de instrução e julgamento!
Que razão lhes foi apresentada para tal tratamento? Foi-lhes dito que sua organização “é contra os sagrados princípios da Carta Magna, devido ao ensino de uma doutrina oposta às Forças Armadas e ao respeito que se deve prestar aos símbolos da Nação”.
questões de consciência
Em todas as partes do mundo, as Testemunhas de Jeová não participam em cerimônias tais como a da saudação à bandeira, e em cantar hinos nacionais. Por que não? Porque, para elas, isto constituiria um ato de adoração em violação direta do primeiro e do segundo dos Dez Mandamentos. — Êxo. 20:3-5.
Tomam uma posição similar à dos três hebreus em Babilônia. (Veja Daniel, capítulo 3.) Durante tais cerimônias, os escolares que são Testemunhas ficam quietamente de pé, em atitude respeitosa. E jamais se intrometem com outros que participam em tais cerimônias.
Também é freqüentemente questionada a objeção de consciência, da parte dos membros varões dentre as Testemunhas de Jeová, ao serviço militar obrigatório. Todavia, os jovens Testemunhas não são nem desertores nem anarquistas. Apresentam-se às autoridades militares na data em que estas os convocam. Mas, solicitam isenção por causa de suas crenças baseadas na Bíblia. E tal isenção lhes é concedida em muitos países, especialmente no mundo ocidental.
Esta recusa de portar armas bélicas se baseia em numerosos princípios bíblicos. Um deles se encontra em Mateus 22:39, onde Jesus disse a seus seguidores: “Tens de amar o teu próximo como a ti mesmo.” Outra ordem é dada em Mateus 5:21, onde Jesus disse: “Não deves assassinar.” Similarmente, no livro bíblico de Isaías, capítulo 2, versículo 4, diz-se ao povo de Deus: ‘Terão de forjar das suas espadas relhas de arado, e não aprender mais a guerra.’
falam a história e a Bíblia
A História e a Santa Bíblia mostram que os cristãos do primeiro século tinham crenças idênticas às das Testemunhas de Jeová hodiernas. Eles se recusavam a realizar o que consideravam ser atos de adoração para com o imperador e seus emblemas estatais. E não participavam no serviço militar ou na guerra.
Esta posição dos cristãos primitivos tem sido comprovada por muitos historiadores através das eras. Um deles é Juan Bautista Alberdi, que participou na formulação da Constituição argentina. Em sua obra El Crimen de la Guerra (O Crime da Guerra), disse: “A atual sociedade é uma mistura de dois tipos: [o tipo] bélico ou pagão, [o tipo] pacífico ou cristão.”
Graças a tal “mistura”, a oposição não era algo inesperado para os cristãos. Jesus Cristo avisou-os claramente de antemão de que os governos de “César”, do mundo, tentariam interferir na adoração dos cristãos verdadeiros. É por isso que Pedro, apóstolo cristão, disse: “Temos de obedecer a Deus como governante antes que aos homens.” — Atos 5:29.
equilíbrio positivo
O pequeno grupo de cristãos do primeiro século foi incompreendido, caluniado e perseguido. Todavia, deixou um saldo positivo de benefícios para a humanidade.
Sem recorrer à violência e às armas de guerra, o verdadeiro cristianismo transformou a própria vida daqueles que abraçaram seus ensinos. Isso resultou em as pessoas substituírem práticas que prejudicavam a si mesmas e a seu próximo por práticas benéficas, do mais elevado calibre moral e espiritual.
Comentando sobre as Testemunhas de Jeová na Argentina, o Herald de Buenos Aires, de 31 de março de 1978, declarou: “Não importa quão irritantes possam ser suas práticas às autoridades governamentais, as Testemunhas de Jeová têm provado, através dos anos, ser cidadãos trabalhadores, sóbrios, parcimoniosos e tementes a Deus, do tipo que a nação manifestamente precisa.” Alta autoridade naval expressou-se da seguinte forma: “Quanto à moral e à honestidade das Testemunhas, não existe nenhuma dúvida.”
Todavia, apesar desta excelente folha de serviços de honestidade, moralidade, integridade e obediência à lei, as Testemunhas de Jeová se tornaram alvo de tratamento cruel e desumano. Intensificou-se a intolerância contra elas. Alguns dos eventos que ocorreram são comentados no próximo artigo.
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Intensifica-se a intolerância religiosaDespertai! — 1978 | 22 de setembro
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Intensifica-se a intolerância religiosa
A OCASIÃO: O dia 9 de julho de 1976. O lugar: pequena escola rural, na região nordeste da Argentina. O evento: um feriado nacional argentino.
Repórteres do semanário noticioso Gente visitavam a escola. Por quê? Estavam interessados nas condições precárias da escola, especialmente por causa de sua proximidade à fronteira com o Brasil. Os repórteres haviam escrito que muita gente estava entrando ilegalmente no país. Assim, visitaram a escola para ver qual era a situação.
No entanto, os repórteres acharam que precisavam tornar mais sensacionalista o seu artigo. Assim, o que fizeram? Colocaram algumas crianças de costas para a bandeira, enquanto outros alunos participavam na cerimônia da bandeira. Com os alunos em tal posição, os fotógrafos tiraram fotos.
Seu artigo foi publicado em 15 de julho. Declarava que as crianças de costas para a bandeira eram Testemunhas de Jeová! Era isso verdade? Absolutamente que não! Ora, os quatro filhos de Testemunhas nem sequer compareceram às aulas naquele dia! E mesmo que estivessem ali, seria contrário à sua formação cristã mostrar qualquer desrespeito assim pela bandeira de seu país.
Assim, esta notícia torcida sobre a aparente falta de respeito das Testemunhas de Jeová pela bandeira surgiu na imprensa. E rapidamente se espalhou por toda a nação.
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