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O congelamento nuclear — pode produzir paz e segurança?Despertai! — 1983 | 8 de julho
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O congelamento nuclear — pode produzir paz e segurança?
Como uma onda do oceano se avolumando e ganhando ímpeto, o movimento de congelamento de armas nucleares tem aumentado em tamanho e em intensidade, atraindo milhões. Alastrando-se pela Europa, Japão e Estados Unidos, seus empenhos já influenciaram a política e têm até mesmo alterado posturas nacionais com respeito à guerra. Esse movimento é incomum de diversos modos.
Os que levam a sério o estudo da Bíblia talvez se perguntem se esse movimento terá alguma parte no cumprimento das palavras bíblicas proféticas de “Paz e segurança!”. Ou, desgastar-se-á, como um modismo passageiro? — 1 Tessalonicenses 5:3.
O Que É?
O movimento de congelamento nuclear deseja pôr um fim, ou congelar, a produção, as provas e a instalação de todas as armas nucleares. Exige que todos os arsenais de armas nucleares sejam congelados nos níveis atuais. Não é apenas um movimento de protesto. Certo porta-voz importante do movimento disse que seu objetivo primário “é congelar as armas de modo que elas não carbonizem as pessoas”.
Leves agitações iniciais do movimento de congelamento nuclear se fizeram notar na Europa Ocidental, em 1979. Alguns cidadãos preocupados na Holanda pressionaram seu governo para que proibisse os mísseis nucleares em seu país. Daí veio apoio da Noruega e da Dinamarca de nem mesmo cogitar a idéia de ter mísseis nucleares em seus países. Pequenas agitações surgiram no segundo trimestre de 1980, quando a Grã-Bretanha acordou à questão dos mísseis nucleares, e por volta do fim daquele ano 80.000 manifestantes foram levados à Praça Trafalgar.
O movimento tornou-se conhecido como END (sigla em inglês de Desarmamento Nuclear Europeu) e se transformou numa onda com fortes comitês do END na França, Alemanha Ocidental, Grécia, Finlândia e Portugal, além de ativos movimentos de apoio na maioria dos outros países europeus. O END exige uma zona nuclear livre, livre de todas as armas nucleares, da Polônia a Portugal. Essa onda atingiu a Europa Oriental, onde operam grupos de debate clandestinos. No segundo semestre de 1981 o aumento do apoio às manifestações a favor do congelamento nuclear na Europa Ocidental chegou ao seguinte:
● Alemanha Ocidental — 100.000 em Hamburgo, junho de 1981.
● Sicília — 30.000 em Comiso, outubro de 1981.
● França — 40.000 em Paris, outubro de 1981.
● Inglaterra — 175.000 em Londres, outubro de 1981.
● Itália — 200.000 em Roma, outubro de 1981.
● Alemanha ocidental — 300.000 em Bonn, outubro de 1981.
● Países Baixos — 400.000 em Amsterdã, novembro de 1981.
● Espanha — 400.000 em Madri, novembro de 1981.
Nos Estados Unidos, as sementes da proposta do congelamento nuclear foram plantadas em 1979 e brotaram em 1980 com grupos de cidadãos sensibilizando os norte-americanos aos perigos e horrores da guerra nuclear. O apoio cresceu e se espalhou para outros países, acompanhado de manifestações, tais como:
● EUA — 100.000 em 150 campus de universidades, novembro de 1981.
● Alemanha Oriental — 6.000 em Dresden, fevereiro de 1982.
● Japão — 200.000 em três grandes concentrações, em Tóquio, maio de 1982.
● EUA — 700.000 na Cidade de Nova Iorque, junho de 1982.
Em 12 de junho, enquanto se realizava a Segunda Sessão Especial das Nações Unidas Sobre Desarmamento, em Nova Iorque, 700.000 proponentes do congelamento nuclear marcharam diante da sede da ONU, culminando uma semana de manifestações. Naquela mesma semana quase um milhão de pessoas fizeram manifestações na Europa, em Amsterdã, Antuérpia, Berlim, Bonn, Copenhague, Dublim, Londres, Madri e Paris.
Quem o Apóia?
O rápido crescimento e a mobilizarão de apoiadores do movimento de congelamento nuclear em ampla parte do globo caracteriza-o como incomum. Mas, quem são seus apoiadores?
Uma bem diversificada classe de cidadãos, não apenas os jovens, ‘encapelou-se’ qual força por trás do movimento de congelamento nuclear. Os apoiadores procedem de todas as rodas da vida: donas-de-casa, operários, advogados, educadores, homens de negócios, pessoas do meio artístico, médicos, clérigos, cientistas e mesmo militares de todas as patentes.
O principal apoio para essa diversificada onda humana vem de três segmentos da sociedade — normalmente considerados conservadores, estáveis — as comunidades científica, médica e especialmente religiosa. A revista U.S. News & World Report disse: “A força básica por trás da cruzada antiguerra americana consiste de líderes da maioria das igrejas do país.” Diz-se o mesmo da Europa.
O bloco oriental de nações apóia ativamente o movimento de congelamento nuclear, não só em seus próprios países, mas também em outros. Tal participação aberta é incomum. Algumas das manifestações européias foram patrocinadas por grupos comunistas, e um dos patrocinadores da passeata de 12 de junho de 1982, em Nova Iorque, foi o Partido Comunista, dos EUA.
O envolvimento de tal ampla variedade de pessoas de numerosas formações, ocupações e conceitos políticos divergentes no movimento de congelamento nuclear é outra coisa que marca essa campanha como sendo incomum. Por que milhões de pessoas se aliaram tão rapidamente?
Por Que Tão Popular?
As pessoas estão assustadas, literalmente aterrorizadas. Sofrem de “nucleofobia” — medo de guerra nuclear. Subitamente, a realidade e a possível totalidade da destruição nuclear as atingiu como um violento soco.
Acontecimentos recentes aumentaram seus temores. As regras internacionais básicas que mantiveram as coisas estáveis entre potências nucleares nos últimos 25 anos estão agora sendo desafiadas. Anteriormente, um “equilíbrio de terror” mantinha sob controle a ameaça de uma guerra nuclear. Cada nação sabia que um ataque a outra resultaria num golpe retaliatório desta, resultando na destruição total de ambas as nações — se não de todas as nações.
Esse conceito mudou. Eis o que alarma as pessoas:
● A partir de meados de 1980, começou a emergir a aprovação, por parte de líderes mundiais, de planos a longo prazo para travar uma guerra nuclear limitada. Comentários abertos saem da boca de representantes de superpotências sobre travar uma guerra nuclear limitada ou demorada, sobreviver a ela e mesmo vencê-la.
● Avanços tecnológicos conferem aos mísseis nucleares uma precisão quase milimétrica. Essa precisão dá aos mísseis a capacidade de destruir quase todos os mísseis inimigos baseados em terra antes que possam ser atingidos em retaliação, e isso, portanto, acrescenta credibilidade à conversa de se travar e ganhar uma guerra nuclear limitada.
● A ratificação do SALT II (Tratado de Limitação de Armas Estratégicas), de 1979, limitando as armas nucleares, falhou.
● Os orçamentos militares mostram acentuados aumentos, ao passo que muitos países sofrem de profunda recessão econômica.
● Cientistas, médicos e clérigos diligentemente aumentam a conscientização pública quanto à devastação que um ataque nuclear causaria aos humanos, ao meio ambiente e às futuras gerações.
Uma vez que o movimento de congelamento nuclear conscientiza o povo quanto aos efeitos mortíferos da guerra nuclear, qual é, pois, o seu objetivo?
Que Espera Realizar?
O movimento de congelamento nuclear espera não só mudar a seu favor a opinião da maioria das pessoas, mas também realmente mudar as atuais diretrizes políticas sobre armas nucleares. O Times de Nova Iorque disse o seguinte sobre os objetivos do movimento: “Eles acreditam que a questão básica é se podem converter a rapidamente crescente preocupação pública quanto à corrida armamentista nuclear em votos no Congresso.”
Têm sido bem-sucedidos? Pressão política da parte de apoiadores do congelamento nuclear influenciou governos europeus a reverem seu programa de armas nucleares. O então chanceler Helmut Schmidt, da Alemanha Ocidental, advertiu contra o desconsiderar o movimento por dizer que os apoiadores deste “estão enviando claras mensagens a líderes políticos”.
Nos Estados Unidos, deputados eleitos sentem a pressão. Por exemplo, em agosto do ano passado, uma resolução exigindo imediato congelamento dos arsenais nucleares norte-americanos e soviéticos, apresentada à Câmara dos Deputados, perdeu numa apertada votação de 204 a 202. Não obstante, isso pinta um quadro vívido da força que essa questão ganhou em pouco tempo.
A Rússia, também, dá-se conta da força por trás desse movimento. Pela primeira vez, pelo que se sabe, a Rússia permitiu que estrangeiros fizessem uma marcha pela paz. Um grupo de 300 manifestantes da Escandinávia liderou uma marcha de protesto antinuclear de quase um quilômetro, chamada de Marcha 82 Pela Paz, pelo centro de Moscou, em julho do ano passado, sob o lema: “Não às armas nucleares em todo o mundo.”
Forçará esse movimento os líderes governamentais a agirem para assegurar certo tipo de paz mundial? Ou será o grito ouvido apenas da boca das massas? Usará o governo seu poder para abafar esse grito por silenciar um dos principais instigadores do congelamento nuclear — o clero? Em agosto de 1982 o presidente dos EUA, Ronald Reagan, falou a um grupo internacional de altos dignitários da hierarquia católica no congresso centenário do Conselho Supremo dos Cavaleiros de Colombo e tocou nessa mesmíssima questão. Apelou aos católicos romanos para que rejeitem o congelamento nuclear.
Em conexão com tais esforços para estabelecer a paz mundial, o apóstolo Paulo escreveu em 1 Tessalonicenses 5:2, 3: “Quando estiverem dizendo: ‘Paz e segurança!’ então lhes há de sobrevir instantaneamente a repentina destruição.” Quando o próprio Jeová Deus executar o julgamento contra governos corruptos, sua ação será rápida e decisiva. Mas, será o movimento de congelamento nuclear um trampolim para o clamor “Paz e segurança!” por parte das nações? O tempo dirá.
Contudo, o seguinte fato é manifesto: O medo é a emoção dominante no movimento de congelamento nuclear. Por que existe hoje tal medo global?
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Medo global — evidência de quê?Despertai! — 1983 | 8 de julho
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Medo global — evidência de quê?
O MEDO faz parte do “sinal” do que a Bíblia chama de “tempo do fim”, “terminação do sistema de coisas”, ou “últimos dias”. (Daniel 12:4; Mateus 24:3; 2 Timóteo 3:1) Jesus disse que os homens ficariam “desalentados de temor e na expectativa das coisas que vêm sobre a terra habitada”. Dando-nos motivo para esperança, contudo, ele disse que esse temor global seria evidência de que o “livramento” estaria “se aproximando”. — Lucas 21:7, 25-28.
Está realmente em evidência hoje o medo que significaria iminente livramento? Muitos acham que sim. Você também?
Considere os Fatos
“Como nunca antes, o mundo esta cheio de medo”, disse o jornal alemão Die Welt. Chama o nosso século de “o século do medo”. Em vista dos notáveis avanços na ciência, na tecnologia, na medicina e na psicoterapia, neste século, esse aumento do medo é, porém, paradoxal. Devia ter sido possível diminuir o medo; em vez disso, aconteceu o contrário.
O medo tem sido comparado a “um fantasma às soltas”, a uma “doença que se espalha como epidemia”. De modo que a revista alemã Hörzu diz: “Nunca antes esteve a humanidade tão temerosa como agora.” Apontando algumas causas, acrescenta: “Brutalidade e terror, egoísmo e indiferença, injustiça social, guerra, influência estrangeira, abuso de drogas, inveja, energia atômica, delinqüência juvenil, fracassos profissionais — o medo moderno tem mil nomes.”
Cada vez mais pessoas concordam que isso não é exaspero. Que dizer de você? São essas algumas das coisas das quais também, tem medo?
De Âmbito Internacional
O medo não é restrito aos habitantes de algum país. Note como a revista Time descreve a situação nos Estados Unidos:
“O ar está carregado de medo grande demais para se avaliar.” Por quê? Deve-se ao medo da guerra atômica.
Os jovens tampouco estão isentos desse medo dum desastre termonuclear. Segundo estudo recente da Associação Americana de Psiquiatria, o tema guerra nuclear está causando um impacto psicológico nas crianças. E o Times de Nova Iorque cita o dr. R. J. Lifton, professor de psiquiatria na Faculdade de Medicina da Universidade de Yale, como tendo dito o seguinte sobre crianças que crescem sob a ameaça de guerra nuclear:
“Elas têm outra formação mental que inclui a possibilidade de que tudo, elas mesmas e seus pais e todos os que conheceram ou com quem tiveram contato, seja subitamente aniquilado.”
Ou, como disse certa garota de 12 anos: “Tenho muito medo de que o mundo possa explodir.”
O medo da guerra nuclear chegou até mesmo a países que não são alvos primários de mísseis nucleares. Por quê? Devido à precipitação radioativa mundial. Partículas radioativas mortíferas que entrassem na estratosfera após uma guerra nuclear poderiam cair em qualquer parte da terra, contaminando tudo o que atingissem
Outros temores têm completado o quadro do problema. Temor de ataque terrorista. Temor de degradação do meio ambiente. Temor de crime.
Independente de onde você mora, perguntamos: Tem lido declarações similares nos jornais e nas revistas de seu país? Percebe que palavras tais como “medo”, “ansiedade”, “pavor”, “incerteza” aparecem com alarmante regularidade nas conversações e considerações, tanto particulares como públicas? Em caso positivo, já se perguntou o que isso significa?
É o Medo Algo Novo?
Mui acertadamente muitos afirmam que o medo é tão antigo como o próprio homem. Um editorial no Süddeutsche Zeitung admite isso, dizendo: “O medo da morte, da dor e da doença, da perda material e imaterial, sempre tem sido parte da constituição humana.” Mostrando, porém, que o medo assumiu nova dimensão em nossa geração, diz mais: “Novo, por outro lado é o tipo de perigo potencial que o homem agora criou, bem como seu alcance; também nova, sem dúvida, seria a gravidade das conseqüências, caso realmente ocorressem as imaginadas catástrofes.”
Para servir qual parte de um sinal verossímil que marcasse a “terminação do sistema de coisas”, como predito por Jesus, deveria haver (1) notável aumento no número de coisas que causassem medo e (2) aumento na intensidade do medo devido às possíveis conseqüências. (Mateus 24:3; Lucas 21:10, 11, 26) Esse é exatamente o ponto que estabelecem as citações já feitas. Em adição, o medo nuclear é ímpar. Nunca antes foi o homem capaz de liberar as forças poderosas encerradas no átomo — não até este século 20. Pela primeira vez, as pessoas temem a extinção completa da raça humana, de fato, a erradicação de toda vida na terra.
Mas, lembre-se de que quando vê as atuais evidências de medo aumentado, você está na verdade vendo muito mais. Está vendo que o “livramento está-se aproximando”, em consonância com a promessa de Jesus. — Lucas 21:28.
Virá algum “livramento” assim por meio do movimento pró-congelamento nuclear? Muitos acham que sim. Mas, que aspecto tem uma manifestação pró-congelamento nuclear? E oferece ela esperança de “livramento”?
Manifestação Pró-congelamento Nuclear — Seu Aspecto
Um, Dois, Três, Quatro
Não queremos guerra nuclear
Cinco, Seis, Sete, Oito
Não queremos sofrer radiação
(Rimado, em inglês.)
Ruídos de recitações, música rock, gritos de slogans e hinos competem pela atenção de seus ouvidos num fundo de alarido de milhares de vozes. Seus olhos se deparam com um calidoscópio de imagens: cartazes e faixas com dizeres em cores vivas — muitos chavões, alguns com tiradas originais de humor ou horror; manifestantes metidos em roupas esquisitas, com máscaras assustadoras; efígies de papelão; homens de roupa esporte; ministros religiosos com seu colarinho característico, frades da cristandade de batina marrom, monges budistas de batina cor de açafrão, jovens, idosos, mães carregando crianças e um cachorro com uma placa de uma só palavra pendurada no pescoço — Paz.
Setecentas mil pessoas nas ruas de Nova Iorque, todas com um só objetivo — evitar que aconteça uma guerra nuclear.
Essa foi a maior manifestação pró-desarmamento já vista nos Estados Unidos. Os organizadores da manifestação escolheram o 12 de junho para coincidir com a Segunda Sessão Especial das Nações Unidas Sobre Desarmamento, destarte provendo uma dramática oportunidade para forçar na ONU o assunto do congelamento nuclear.
Prevaleceu um clima de carnaval naquele dia. Contudo, o manto da devastação nuclear reaparecia constantemente nos visuais e nos ruídos da multidão. Foi uma demonstração pacífica. E embora a vasta maioria fosse de norte-americanos, muitos outros países estavam representados. Um quadro que deu sabor internacional à manifestação foi uma delegação japonesa de jovens e idosos que punham colares de papel multicoloridos de pombas da paz no pescoço de todos com quem se encontravam, distribuindo cartões coloridos com mensagens pessoais de paz escritas em caracteres japoneses.
“Por que vocês, senhoras, estão aqui?” Certa mulher de seus 60 anos respondeu: “Queremos tornar o mundo seguro para os nossos netos.” Outra respondeu: “Queremos deixar um mundo para os nossos netos.”
Um cientista nuclear do Laboratório Nacional de Argonne, perto de Chicago, que trabalha para o Departamento de Energia dos EUA, explica por que participava na manifestação. “Pelo mesmo motivo que todos os outros, por causa da corrida armamentista. Acho que existe uma realíssima ameaça de uma guerra nuclear acidental e eu seria morto. Não gosto de ver seres humanos serem mortos, quer sejam russos, quer sejam americanos.”
Aí está o chefe de medicina nuclear de um dos maiores hospitais de Nova Iorque. Por que participa na manifestação? Ele responde com uma só palavra: “Apavorado!” Quer que a energia nuclear seja usada pacificamente na medicina, não na guerra.
O pastor de uma universidade de Kentucky participa na marcha porque acha que as manifestações pró-congelamento nuclear “forçarão os líderes do governo a estabelecerem a paz”.
O cidadão comum — surpreendentemente — marcha lado a lado com grupos organizados de profissionais e membros de sindicatos. Os clérigos estão visíveis em todas as partes. Aqui e acolá se vêem grupos de religiosos no meio da multidão de manifestantes. À primeira vista, um grupo unido. Uma olhada mais de perto, porém, revela existir por baixo um apoio fragmentado. Por se comparar os dizeres nas faixas e cartazes e ouvir as ideologias deles nota-se uma diferença de opinião quanto a que contorno final deve o congelamento nuclear assumir. Também, considerável número de manifestantes promovem seus descontentamentos pessoais ou causas políticas preferidas via questão do congelamento nuclear.
Enormes e brancas, as máquinas de limpeza motorizadas esperam até que os manifestantes terminem a sua marcha. À medida que estes se dispersam, logo na sua retaguarda vêm uma série desses mamutes mecânicos devorando a papelada no chão e limpando as ruas. Se o movimento de congelamento nuclear vai falhar e ser varrido da mente dos políticos, e se tais manifestações surtirão algum efeito, tal como crescente pressão sobre governos para que façam proclamações de paz, resta ver.
Contudo, se não pudermos olhar com confiança para movimentos humanos como o congelamento nuclear, a que podemos recorrer em busca de esperança de paz e segurança duradouras?
[Destaque na página 9]
“O ar está carregado de medo grande demais para se avaliar.”
[Foto na página 8]
O medo envolve o mundo.
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Verdadeira paz e segurança — pelo congelamento nuclear ou pelo Reino de Deus?Despertai! — 1983 | 8 de julho
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Verdadeira paz e segurança — pelo congelamento nuclear ou pelo Reino de Deus?
CONGELAR os arsenais nucleares nos níveis atuais é como deter a temperatura de um paciente febril com 40 graus centígrados. Não basta! Armas e febres são meros sintomas de um mal mais profundo. A cura resulta de se eliminar a causa do problema. Por exemplo, a atual estocagem de armas nucleares contém o potencial explosivo equivalente a mais de três toneladas de TNT para cada homem, mulher e criança na terra — 13.000.000.000 de toneladas! Sente-se seguro vivendo sob tal ameaça?
Visto que o congelamento das armas nucleares não é o suficiente, que dizer sobre a eliminação de todas as armas nucleares? Desarmamento global não é idéia nova. O famoso físico Albert Einstein advogou-a. E desde 1945 se tem ouvido a voz de uma hoste de outros dignitários apelando em favor do desarmamento nuclear global. Contudo, nos últimos 10 anos o total em conjunto de ogivas nucleares dos EUA da União Soviética mais do que duplicou. Crê realmente que estamos agora mais perto do desarmamento nuclear do que 37 anos atrás?
Livrar a terra de armas nucleares não findará as guerras. Desde o último uso da bomba atômica há três décadas, mais de 130 guerras foram travadas. Assim, teria você genuína paz e segurança se desaparecessem todas as armas de guerra?
Eliminar todos os instrumentos de guerra é um passo gigantesco em direção à paz e à segurança, mas não é suficiente. E necessário tocar, educar e mudar o coração das pessoas. Movimento humano algum pode fazer isso. Mas Deus pode. O Todo-Poderoso Deus Jeová pode ler e curar corações. (Jeremias 17:10; Salmo 51:10) Mas, ele fará mais do que isso. O Reino de Deus, o governo celestial pelo que há muito se ora, estabelecerá paz e segurança na terra. (Mateus 6:10) Acha realista essa solução?
O livro antiguerra nuclear The Fate of the Earth (O Destino da Terra) vê um governo mundial como único meio seguro de se evitar um holocausto nuclear, e propõe adicionalmente: “Em suma, a tarefa não é nada menos do que reformular a política: reformular o mundo.” E isso é justamente o que Jeová se propõe fazer. Crê honestamente que as nações abdicarão voluntariamente de sua soberania?
Para os que se opõem ao governo justo, Deus usará seu poder do Reino de maneira controlada, destruindo todas as nações contrárias ao Seu movimento de paz. (Daniel 2:44) Em adição, o sistema educacional do Reino de Deus instruirá a todo amante sincero da paz nos verdadeiros caminhos do desarmamento, de modo que ‘espadas se transformem em relhas de arado’. — Isaías 2:4; Salmo 46:8, 9.
Portanto, não se engane em pensar que movimentos humanos podem trazer salvação, pois a Bíblia avisa: “Quando estiverem dizendo: ‘Paz e segurança!’ então lhes há de sobrevir instantaneamente a repentina destruição, assim como as dores de aflição vêm sobre a mulher grávida, e de modo algum escaparão.” (1 Tessalonicenses 5:3) Mas para os de coração honesto há uma esperança segura. Confiam — e você também pode confiar — em que Deus em breve introduzirá verdadeira paz e segurança, que será duradoura. — Salmo 72:7, 8; Isaías 9:6, 7.
[Foto na página 12]
FORJAREMOS ESPADAS [MÍSSEIS] EM RELHAS DE ARADO
[Foto/Gráfico na página 12]
(Para o texto formatado, veja a publicação)
Aumento previsto do arsenal mundial de ogivas nucleares nesta década.
75.000 OGIVAS EM 1990
50.000 OGIVAS EM 1972
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Desarmamento ou desilusão?Despertai! — 1983 | 8 de julho
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Desarmamento ou desilusão?
“Eliminar a ameaça de uma guerra mundial — uma guerra nuclear — é a mais crítica e urgente tarefa da atualidade. A humanidade confronta-se com uma opção: precisamos parar a corrida armamentista e passar ao desarmamento ou enfrentar a aniquilação.” — Documento Final da Primeira Sessão Especial das Nações Unidas Sobre Desarmamento, 1978.
Fez-se progresso em ‘eliminar a ameaça de uma guerra nuclear’? Para responder a essa pergunta e dar um passo rumo ao desarmamento global, reuniu-se a Segunda Sessão Especial Sobre Desarmamento, de 7 de junho a 9 de julho de 1982. Note os comentários de chefes de estado e líderes mundiais nessa Segunda Sessão Especial:
● Primeiro-ministro do Japão, Sr. Zenko Suzuki: “Nesses quatro anos a corrida armamentista agravou a ameaça à paz, aumentando a ansiedade dos povos e impondo cargas mais pesadas a cada nação, às custas de seu desenvolvimento econômico e social.”
● Mensagem papal pronunciada pelo cardeal Agostino Casaroli, secretário de estado da Santa Sé: “Parece haver pouquíssima melhora. Alguns na verdade acham ter havido uma piora, pelo menos no sentido de que as esperanças nascidas daquele período podiam agora ser descritas como meras ilusões.”
● Primeiro-ministro da República da Finlândia, Sr. Kalevi Sorsa: “Estadistas dedicados e sinceros, muitos deles neste recinto, têm feito o máximo para deter esse desenvolvimento. Contudo, a corrida armamentista prossegue. É como se a corrida armamentista tivesse escapado ao controle humano racional.”
● Primeiro-ministro da República de Uganda, Sr. M. Otema Allimadi: “O quadro é sem dúvida sombrio. . . . Nos últimos quatro anos, as esperanças outrora suscitadas . . . se têm desgastado quase a ponto de desespero.”
● Presidente dos Estados Unidos, Sr. Ronald Reagan: “As Nações Unidas estão dedicadas à paz mundial e sua Carta proíbe claramente o uso internacional da força. Contudo, a onda de beligerância continua a aumentar. A influência da Carta se tem enfraquecido mesmo nos quatro anos desde a primeira sessão especial sobre desarmamento.”
● Primeiro-ministro do Canadá, Sr. Pierre Elliot Trudeau: “Creio que temos de aceitar o fato de que a total segurança se tornou para todos os países um objetivo incansável no mundo de hoje.”
● Primeira-ministra do Reino Unido, Sra. Margaret Tatcher: “Precisamos procurar um sistema melhor do que a coibição nuclear, para evitar a guerra. Mas, sugerir que entre o Oriente e o Ocidente existe ao alcance tal sistema na época atual, seria uma pretensão perigosa.”
Foi a Segunda Sessão Especial mais bem-sucedida do que a Primeira? O Sr. Kittani, presidente da Assembléia Geral da ONU, responde: “Apesar de todos os nossos preparativos e esforços, esta sessão não foi um sucesso. Nossas esperanças e aspirações, junto com as de incontáveis milhões, permanecem longe de serem concretizadas.”
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