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Glutonaria — por que evitá-la?A Sentinela — 1979 | 15 de junho
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Glutonaria — por que evitá-la?
“COMAMOS e bebamos, pois amanhã morreremos.” Era assim que alguns encaravam a vida, conforme indicado pelo apóstolo Paulo. Mas, será que o homem vive para comer, ou come para viver? Aqueles sobre os quais Paulo falava, evidentemente, concluíam que viviam para comer e beber. (1 Cor. 15:32) No entanto, estavam errados.
É verdade que Jeová criou a humanidade com a capacidade de comer. Por este motivo, Deus fez provisões para satisfazer a necessidade de alimento, do homem, e disse ao primeiro homem, Adão: “Podes comer à vontade.” — Gên. 2:8, 9, 16.
Sim, o homem devia “comer à vontade”, para se saciar. Isto faria bem ao seu organismo e o habilitaria a servir adequadamente ao propósito para o qual foi criado. Foi por isso que o sábio disse a respeito da humanidade pecadora: “Eu mesmo gabei a alegria, porque a humanidade não tem nada melhor debaixo do sol [além de servir ao propósito de Deus] do que comer, e beber, e alegrar-se, e que isto os acompanhe no seu trabalho árduo pelos dias da sua vida.” — Ecl. 8:15.
O QUE É GLUTONARIA?
O alimento abundante que Deus proveu devia servir a esta finalidade. A comida não devia ser desperdiçada, porque o desperdício mostraria falta de apreço por esta provisão. Mas, habitualmente comer demais também revelaria a falta da devida gratidão. Este é o motivo de se ter de evitar a glutonaria.
Mas, o que é glutonaria? O Grande Dicionário Etimológico-Prosódico da Língua Portuguesa, de Francisco Silveira Bueno, define “glutonaria” como “comilança, gula, vício de comer em excesso”, e a “gula” como “vício de comer demasiadamente, sem necessidade”. Descreve o glutão como “comilão, devorador”.
A GLUTONARIA É CONDENADA POR DEUS
Jeová Deus, na sua lei dada ao antigo Israel, mostrou quão sério ele considerava o assunto da glutonaria. Ordenou que os pais levassem o filho incorrigivelmente obstinado e rebelde aos anciãos da cidade e os informassem: “Este filho nosso é obstinado e rebelde; não escuta a nossa voz, sendo glutão e beberrão.” Note as caraterísticas associadas com o glutão. Ser ele obstinado e rebelde certamente traz vergonha a seus pais, humilhando-os aos olhos dos outros. — Deu. 21:18-21; veja Provérbios 28:7.
O objetivo do Provisor é que todos usufruam boa alimentação. Contudo, quando alguém procura avidamente consumir tudo vorazmente, ele não mostra nenhuma consideração e amor aos outros. E, visto que “Deus é amor”, isto contraria as qualidades do Criador. — 1 João 4:8.
POR QUE EVITÁ-LA
A glutonaria é condenada por Deus e não se harmoniza com a qualidade divina do amor. Comer em excesso não pode dar verdadeira satisfação e felicidade ao próprio glutão. Somente estes fatores já deviam induzir a pessoa ponderada a evitar a glutonaria. Mas, há outros motivos para evitá-la.
O glutão, sendo cobiçoso, priva os outros de sua parte nas boas coisas que Jeová provê para o usufruto de todos. Numa refeição, o glutão talvez torne impossível que outros comensais se saciem. Sim, por se entregar à gula, na realidade se isola dos outros. Por causa dos seus modos cobiçosos, eles talvez o evitem. Portanto, quem dá valor ao respeito e à associação com outros, evitará a glutonaria. Não fazer isso seria prejudicial para ele, do ponto de vista pessoal.
Visto que Jeová Deus criou o corpo humano com a devida capacidade para os alimentos, qualquer excesso forçosamente nos afeta. Isto é hoje reconhecido nos círculos médicos. Neste respeito, a Illustrated Medical and Health Encyclopedia observa que o excesso no comer pode contribuir para o excesso de peso, que “foi há muito reconhecido como fator contribuinte de muitas moléstias, especialmente entre os idosos e os que envelhecem”.
Jesus Cristo, o Filho de Deus, sabia dos maus efeitos físicos do excesso no comer. Por isso, advertindo seus discípulos, ele disse: “Prestai atenção a vós mesmos, para que os vossos corações nunca fiquem sobrecarregados com o excesso no comer, e com a imoderação no beber.” (Luc. 21:34) Tal condição afeta a mente e o coração da pessoa, tornando-a preguiçosa, sonolenta e descuidada. Neste estado, é obtusa quanto a respeitar a vontade de Jeová e pode ser muito negligente no desincumbimento de responsabilidades para com ele. A menos que ela modifique seu proceder, pode incorrer no desagrado de Deus e perder a vida.
Os que viviam nos dias de Noé, antes do Dilúvio, entregavam-se ao comer, ao beber e à busca de prazeres a tal ponto, que não fizeram caso do aviso da iminente destruição, dado por Noé e sua família. Na realidade, as pessoas viviam para a comida e para a bebida. Por isso, perderam a vida. — Mat. 24:37-39.
Nos dias dos apóstolos de Jesus Cristo, parece que alguns se entregavam a excessos assim. Por isso, quando Paulo deu instruções a Timóteo e a Tito sobre quem devia servir em cargos de responsabilidade na congregação cristã, ele advertiu contra a designação de alguém cobiçoso, e especificou que o escolhido devia ser “moderado nos hábitos”. (1 Tim. 3:1-13; Tito 1:5-9) Obviamente, isto excluiria os glutões. Tais “gananciosos” não herdarão o reino de Deus. — 1 Cor. 6:9, 10.
MOTIVO ADICIONAL PARA EVITÁ-LA
Jeová diz, como conselho amoroso: “Não venhas a ficar entre os beberrões de vinho, entre os que são comilões de carne. Porque o beberrão e o glutão ficarão pobres.” (Pro. 23:20, 21) Se não quisermos cair na pobreza espiritual, sim, e talvez até mesmo na material, faremos bem em acatar estas palavras e em evitar a glutonaria.
No tempo atual, quando a maioria da humanidade desafia as leis de Deus e se rebela contra tudo o que é decente, todos os que amam a vida e que querem obter a aprovação divina precisam prestar atenção ao conselho inspirado do apóstolo Pedro, que disse: “Já basta o tempo decorrido para terdes feito a vontade das nações, quando procedestes em ações de conduta desenfreada, em concupiscências, em excessos com vinho, em festanças, em competições no beber.” (1 Ped. 4:3) Portanto, o que temos de fazer agora? Ora, conforme Paulo expressou o assunto, “a noite está bem avançada; o dia já se tem aproximado. . . . Andemos decentemente, como em pleno dia, não em festanças e em bebedeiras . . . Mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e não estejais planejando antecipadamente [de modo egoísta e com gula] os desejos da carne”. — Rom. 13:12-14.
Conforme observamos, a glutonaria não mostra apreço pela provisão amorosa de alimento, que Deus fez para a humanidade comer à saciedade. Nem mostra amor a Deus e ao próximo. Além disso, é prejudicial para o próprio bem-estar e a felicidade da pessoa. Portanto, a sabedoria prática dita que se evite a glutonaria.
É verdade que, quando alguém tomou por hábito comer demais, requererá verdadeiro esforço ‘afastar-se decididamente da mesa’, para evitar o excesso no comer. Mas, em vista da condenação bíblica da glutonaria e do fato de que os glutões não herdarão o reino de Deus, este assunto é algo a ser tomado a sério. Pode requerer oração sincera para vencer a inclinação de comer demais. Sim, será preciso orar pelo espírito de Deus e pela ajuda de Jeová em cultivar os frutos do espírito, que incluem o autodomínio. (Luc. 11:13; Gál. 5:22, 23) Mas, evitar a glutonaria é tão importante assim, e Jeová ajudará os que sinceramente procuram a sua ajuda neste respeito.
Atualmente, por causa da ganância de muitos da humanidade, outros não têm o suficiente para comer à saciedade. Em resultado disso, alguns amaldiçoam a Deus, afirmando que ele lhes dificulta muito a vida. Jeová é o grande Provisor de Alimentos, e ele espera que esta provisão seja usada com o devido respeito e apreço.
No futuro próximo, Deus, por meio de Jesus Cristo e seu reino, acabará com os glutões que desafiam a lei. Aqueles que tiverem acatado o conselho amoroso de Jeová e que não tiverem mantido associação com os glutões não passarão mais fome naquele tempo. Usufruirão o pleno cumprimento das palavras inspiradas: “[Jeová] saciou a alma ressequida; e encheu a alma faminta de coisas boas.” — Sal. 107:9.
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‘Gordos e reluzentes’A Sentinela — 1979 | 15 de junho
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‘Gordos e reluzentes’
Jeremias 5:28 descreve aqueles que se tornam prósperos por meios ilícitos: “Engordaram; ficaram reluzentes. Transbordaram também com coisas más.” Tais homens iníquos eram gordos no sentido de que estavam bem nutridos. Portanto, sua pele não pendia flácida, como se sofressem de desnutrição. Não, ela estava rechonchuda e lisa, ‘reluzente’. Mas, a prosperidade deles era apenas temporária. Jeová iria ajustar contas com eles. — Jer. 5:29.
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