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O que significa ser um bombeiro duma grande cidadeDespertai! — 1972 | 8 de junho
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metalúrgica. Os empregados extinguiram completamente o incêndio — segundo pensavam — usando a mangueira vertical da fábrica. Mas, cerca de trinta minutos depois, as chamas tendo percorrido as paredes ocas, irromperam do teto. Foi uma catástrofe.
Os bombeiros entendem de incêndio, e, assim, procuram nos quartos e apartamentos anexos os sinais dele. Retiro minhas luvas e sinto a parede; se estiver quente, talvez haja fogo ali. Assim, tem-se de fazer um buraco na parede para verificar isso. O fogo, especialmente, pode percorrer horizontalmente sem ser percebido. Se derrubamos um teto de um apartamento e houver o mínimo sinal de fogo, não nos sentimos seguros até que tenhamos derrubado o teto do apartamento seguinte para ter certeza de que não foi mais além. Assim, talvez se cause dano a um apartamento quando o incêndio nem sequer o atingiu. Mas, isso não é feito por maldade, como alguns quererem crer, mas, antes, visa proteger as pessoas.
As incompreensões, o fustigamento, a incrementada carga de trabalho, a freqüente inalação de fumaça, a procura de vítimas engodadas, o desespero nos olhos das vítimas que perderam tudo, ver morrerem os colegas bombeiros e outros — tudo isto é o desespero dum bombeiro duma grande cidade. Nosso trabalho é um trabalho árduo e arriscado. Todavia, usufruímos uma recompensa raramente igualada por qualquer outra ocupação. É a de poder ajudar as pessoas em dificuldades, estando presentes para fazer algo quando clamam por ajuda. Isto, para mim, ultrapassa todo o desânimo.
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Quais são seus hábitos de pedir emprestado?Despertai! — 1972 | 8 de junho
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Quais são seus hábitos de pedir emprestado?
HÁ CERCA de três mil anos atrás, um grupo de homens abatiam árvores ao longo dum rio quando a cunha dum machado escapou do cabo de um dos machados e caiu na água. O homem com quem isso aconteceu ficou grandemente perturbado, exclamando: “Ai, meu amo, porque foi tomado emprestado!” Sim, isso significava muito mais para o infeliz abatedor de árvores do que se fosse a cunha de seu próprio machado, porque agora não poderia devolver o que havia pedido emprestado.a
Quão diferente da maneira de pensar de muitos que pedem hoje as coisas emprestadas! Ao usarem algo emprestado, ao invés de ficarem mais preocupados porque pertence a outrem, não raro se preocupam menos. Assim, um homem talvez devolva uma ferramenta não em tão boa forma como se achava quando a pediu emprestada. Um certo estudante ou alguém que aprecia livros talvez peça emprestado um livro e então o suje ou, pior ainda, o risque. Vez após vez, encontra-se um livro numa biblioteca pública que alguém tomou emprestado e riscou, ou do qual arrancou até mesmo uma ou mais páginas.
Muitos outros, então, demonstram péssimos hábitos de pedir emprestado por deixarem de devolver o que pediram. Faz isso? Certo homem talvez peça emprestado uma ferramenta de jardim ou de automóvel de seu vizinho e então deixe de devolvê-la. Ou uma dona de casa talvez solicite o empréstimo de um vaso, uma panela ou um limpador de tapete e daí se esqueça por completo disso. Um jovem talvez peça emprestado um paletó ou guarda-chuva e então se esqueça de devolvê-lo.
O que há por trás destes péssimos hábitos de pedir emprestado? Será que o solicitante tencionava ficar com aquilo que solicitara emprestado? É bem provável que não, embora haja alguns que pedem emprestado algo simplesmente porque não desejam assumir a despesa ou a responsabilidade que a posse de certo artigo lhes traz. Daí, será a fraqueza humana? A desconsideração? Ou trata-se realmente duma forma de egoísmo? Certamente é deixar de fazer aos outros aquilo que gostaria que lhe fosse feito. (Luc. 6:31) Sabia que deixar de devolver o que pediu emprestado o coloca em péssima companhia? É verdade, pois o inspirado salmista da antiguidade, o Rei Davi, escreveu: “O iníquo toma emprestado e não paga.” — Sal. 37:21.
Via de regra, é melhor relutar em pedir algo emprestado, embora talvez haja exceções em caso de emergência. A Bíblia dá bom conselho neste respeito: “A ninguém fiqueis devendo coisa alguma.” (Rom. 13:8) Se não se tratar duma emergência ou duma necessidade, então talvez seja melhor passar sem isso do que assumir uma obrigação por pedir algo emprestado. Mas, se o fizer, mostrasse uma pessoa de bons princípios.
Primeiro de tudo, há a questão de a quem pede algo emprestado. Não deve ser apenas um conhecido de vista; devem ter mais em comum do que simplesmente o fato de a pessoa ter algo que o leitor precise. Neste respeito, parece sábio soar uma nota de precaução para as testemunhas cristãs, para que, sem pensar bem, abusem de sua amizade cristã por pedir algo emprestado a seus irmãos. Especialmente devem exercer cuidado em não aproveitar-se dos recém-interessadas.
Daí, então, cuide daquilo que pediu emprestado. Evite pedir algo emprestado que não possa ser substituído, tal como um objeto raro ou precioso, ou algo a que o dono atribua um valor sentimental.
Ademais, certifique-se de devolver aquilo que pediu emprestado, e de fazê-lo prontamente. Se quem empresta algo não estipular um tempo específico, então o leitor deveria, e deve apegar-se ao mesmo:
Quando deseja devolver algo, mas verifica que quem o emprestou não está em casa, o que deveria fazer? Não o deixe nos umbrais da porta, ou no quintal dos fundos. Devolva-o quando a pessoa estiver em casa, de modo a poder agradecer-lhe pessoalmente. Ou, se já pediu emprestado algum item a seu vizinho, repetidas vezes, e agora deseja pedi-lo emprestado de novo e ele não está em casa, o que deve fazer? Poderá servir-se do objeto à vontade! Não, a menos que ele tenha declarado especificamente que poderia fazê-lo.
A consciência de devolver aquilo que se pede emprestado contribui para boas relações. O que o ajudará neste sentido é o sentimento de responsabilidade quanto ao que pede emprestado. Mostre que aprecia o favor que lhe é feito por não só devolver prontamente o que pediu emprestado, mas também por se certificar de que se ache nas mesmas condições do que quando o emprestou, senão em melhores condições. Talvez tenha pedido algumas roupas emprestadas; por que não mostrar apreciação por mandá-las lavar, ou lavá-la a seco antes de devolvê-las? Se pedir emprestado uma ferramenta, certifique-se de que esteja tão limpa ou tão afiada, ou, em outras condições tão boas ou até mesmo melhores do que quando a pediu emprestada. É uma dona de casa que às vezes pede emprestado açúcar, ovos, manteiga ou outra coisa de que inadvertidamente sentiu falta, devido a circunstâncias? Então, mostre apreciação por não só devolver na primeira oportunidade aquilo que tomam emprestado, mas também por adicionar um pouco mais, ou alguns biscoitos, frutas ou doces, como compensação. Pode realmente fortalecer sua amizade por devolver as coisas com juros, por assim dizer, pois isto mostra apreciação, e as pessoas gostam de fazer as coisas para os que demonstram apreciação.
Pense agora: Pediu emprestado algo e deixou de devolvê-lo? Então, a todo custo, devolva-o agora. Faça-o hoje mesmo.
[Nota(s) de rodapé]
a A Bíblia, em 2 Reis 6:1-7.
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Já fui escrava da dança orientalDespertai! — 1972 | 8 de junho
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Já fui escrava da dança oriental
Do correspondente de “Despertai!” no Ceilão
A MÚSICA oriental tem muito o que contar. Mas, a dança conta muita coisa que a música sozinha não pode contar. Proclama a glória dos deuses e dos homens tidos em honra; fala da força, da beleza e da flexibilidade do corpo humano, sim, dos próprios anseios do coração. Estas são algumas das razões pelas quais a dança oriental captou minha atenção.
Tudo começou quando, em idade bem tenra, comecei a freqüentar aulas de balé ocidental. Isto era envolvente. Quase todo o meu tempo era tomado em cultivar a arte da dança.
Aprender e Praticar as Danças Orientais
Certo dia, houve um recital de um modo oriental de dançar. Com sua linguagem fascinante de gestos e porte, a dança oriental captou todo a meu interesse. Embora meu avô fosse convertido por alguns missionários metodistas e minha mãe fosse anglicana, eu ainda era uma mulher cingalesa, uma jovem oriental. E não possuía o Oriente uma cultura e herança muito mais antigas do que o Ocidente?
Assim, ao terminar minha instrução secular, e vencendo muita oposição por parte de minha família, decidi especializar-me em várias formas de dança no Ceilão e na Índia. Ainda em tenra idade, obtive um diploma de dança kandyana no Ceilão. A dança kandyana é aquela pela qual o Ceilão é mais conhecido. Kandy é uma linda cidade aninhada nas colinas do Ceilão. Foi a última capital dos reis cingaleses. Estes reis casaram-se com princesas do sul da Índia. Assim, tiveram muito que ver com a introdução destas danças, junto com sua influência religiosa hindu, no Ceilão.
Daí, empreendi meus estudos na Índia, onde obtive um diploma de Bharata Natya, sendo a primeira cingalesa e a primeira “cristã” a fazer isso. A Bharata (significando “Índia”) Natya (“dança”) Sasthra (“ciência”), segundo se diz, é o início de todas as formas de dança do Oriente. É conhecida como a essência culminante dos Quatro Vedas, os escritos sagrados hindus. Trata-se duma técnica altamente desenvolvida e difícil, visto que engloba todos os aspectos
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