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  • Perseguição com a permissão de Jeová — por quê?
    A Sentinela — 1971 | 15 de setembro
    • Perseguição com a permissão de Jeová — por quê?

      “Jeová sabe livrar da provação os de devoção piedosa, mas reservar os injustos para o dia do julgamento, para serem decepados.” — 2 Ped. 2:9.

      1, 2. A que conclusão errônea talvez cheguem os perseguidores dos verdadeiros cristãos, e por que não intervém Jeová?

      DESDE o dia em que Abel, segundo filho de Adão e Eva, foi morto pelo seu irmão ciumento, Caim, as fiéis testemunhas de Jeová têm sido odiadas e amargamente perseguidas. Um escritor inspirado, do primeiro século E. C., na sua carta aos hebreus, descreveu o tratamento que receberam, e Jesus de Nazaré, que também foi morto por opositores desencaminhados, advertiu de antemão seus verdadeiros seguidores de que eles também sofreriam perseguição similar. (Heb. 11:4, 36-38; João 15:18-20) Todos estes maus tratos não têm justificativa, e o Senhor Deus Jeová os poderia ter impedido. Por que não o fez? — Veja Habacuque 1:13.

      2 Os que agem traiçoeiramente poderiam ficar com um falso senso de segurança. O salmista bíblico escreveu: “Por que é que o iníquo desrespeitou a Deus? Ele disse no seu coração: ‘Não exigirás prestação de contas.’” (Sal. 10:13; 76:7) Mas a demora de Deus em exigir uma prestação de contas não se deve a uma fraqueza ou à falta de preocupação com os oprimidos. Pedro, apóstolo de Jesus, nos assegura: “Jeová sabe livrar da provação os de devoção piedosa, mas reservar os injustos para o dia do julgamento, para serem decepados.” (2 Ped. 2:9) Portanto, a perseguição dos justos pelos iníquos serve a um propósito de Deus; às vezes, é verdade, ele a permitiu como castigo, quando seu povo o desagradou (Isa. 12:1), mas, na maior parte, a perseguição serviu para identificar os inimigos de Deus (Deu. 25:17-19), bem como os favoravelmente dispostos para com ele. (Mat. 25:34-36) Serviu como prova de integridade da parte de seu próprio povo, e, mediante a libertação deste, como vindicação do nome de Jeová. — 1 Ped. 4:1, 2; Pro. 27:11.

      3. O que são os dramas proféticos, e que evidência deles há na Bíblia?

      3 Os tratos de Deus com seu povo e os adversários deste, nos tempos passados, foram muitas vezes simbólicos ou representativos dos seus tratos conosco, hoje, e uma das narrativas mais dramáticas da Bíblia se encontra no livro de Ester. (1 Cor. 10:11; Gál. 4:24-26; Luc. 17:26-30) Será de grande proveito ler este livro inteiro. Daí, com os pormenores ainda bem lembrados, considere o significado deste drama profético dos nossos dias.

      4. Como se identifica a questão do tempo do drama de Ester nos tempos modernos, e o que representa o Rei Assuero?

      4 A história começa na corte do Rei Assuero, que governava o vasto império da Pérsia e da Média, desde a Índia até a Etiópia. “Ora, aconteceu . . . no terceiro ano de ele reinar, [que] ele deu um banquete a todos os seus príncipes e seus servos.” (Ester 1:1-9) O que sugere isso nos tempos modernos? No fim dos “tempos dos gentios” de dominação mundial, em 1914, chegara o tempo para o cordeiro do Rei Davi, Jesus Cristo, assumir sua autoridade celestial como Rei, para governar sobre todos os seus súditos com poder e autoridade régios, subjugando seus inimigos e enaltecendo os que aprovava. (Luc. 21:20-24; Sal. 110:1, 2; 1 Cor. 15:25; Mat. 24:45-47, Almeida) Numa previsão notável, fornecida ao apóstolo João, conforme registrada em Revelação 12:10, 12, houve pouco depois um tempo de grande alegria para os que compreendiam a profecia bíblica. “E ouvi uma voz alta no céu dizer: ‘Agora se realizou a salvação, e o poder, e o reino de nosso Deus, e a autoridade do seu Cristo [Messias], porque foi lançado para baixo o acusador dos nossos irmãos, o qual os acusa dia e noite perante o nosso Deus! Por esta razão, regozijai-vos, ó céus, e vós os que neles residis!’” Havia, pois, finalmente, grande regozijo na corte celestial. Então, o Rei Assuero, sentado no seu trono régio em esplendor e exercendo autoridade ilimitada para com o seu vasto império, bem podia representar o poder régio nas mãos de Jesus Cristo neste “tempo do fim”. — Dan. 12:1-4.

      5, 6. (a) O que se exigiu que a Rainha Vasti fizesse e com que resultado? (b) Como se reconhece o paralelo hodierno?

      5 Além disso, podia-se esperar corretamente que os estudantes da Bíblia, na terra, que aguardavam estes eventos, participassem desta celebração alegre. (Sal. 97:1; 96:8) Que paralelo disso houve entre os súditos do Rei Assuero? “No sétimo dia, quando o coração do rei se sentia bem por causa do vinho, ele disse . . . que trouxessem Vasti, a rainha, no toucado real perante o rei, para mostrar aos povos e aos príncipes a sua lindeza; pois ela era linda de aparência. Mas a Rainha Vasti se negava a vir à palavra do rei transmitida por intermédio dos oficiais da corte. Em vista disso, o rei ficou muito indignado e se acendeu a sua ira no seu íntimo.” (Ester 1:10-12) E isso corretamente! Seria altamente prejudicial para o prestígio do rei e causaria desprezo para com a sua autoridade em todo o império. O rei procurou conselho jurídico dos seus sábios, que o aconselharam: “Se parecer bem ao rei, proceda da sua pessoa uma palavra real e seja ela inscrita entre as leis da Pérsia e da Média, para que não passe, que Vasti não pode entrar perante o Rei Assuero; e dê o rei sua realeza a uma companheira dela, uma mulher melhor do que ela.” Isto agradou ao rei e ele ordenou que fosse feito. — Ester 1:13-22.

      6 Vasti, cujo nome significa “bela”, era a rainha, casada com o rei; mas, apesar desta posição preferencial que tinha, foi deposta porque não acatou as ordens do rei, de se juntar a ele na sua festa alegre. Nos eventos que cercaram a entronização do Messias, Jesus Cristo, nos céus, em 1914, participaram com o Rei, na sua celebração, todos os que aguardavam o reino de Deus? As profecias da Bíblia, junto com os fatos físicos em cumprimento, fornecem a resposta.

      UMA PROVA DE LEALDADE

      7. O que aconteceu em 1918, e o que exigia o propósito de Jeová para o “tempo do fim” no que se refere aos da classe ‘escrava’?

      7 Em 1918, Jesus, o Mensageiro messiânico, acompanhou a Jeová ao templo espiritual de modo repentino e inesperado, para começar o julgamento do povo de Deus. (1 Ped. 4:17; Mal. 3:1) Jesus, o Messias, sabia de antemão que alguns dos que o procuravam não o faziam com motivação pura. Um dos objetivos do julgamento era expor esta atitude do coração daqueles que procuravam o reino messiânico de Deus e lidar concordemente com os que a demonstrassem. (Mat. 24:48-51) Assim como se dá com um amo de escravos, o Messias tinha a prerrogativa de agir segundo a sua própria vontade e a de seu Deus Jeová, ao tratar com os que biblicamente são chamados de classe ‘escrava’. O objetivo de Jeová, neste “tempo do fim”, já ficou estabelecido com muita antecedência. (Isa. 46:8-11) Não era importante que os plenos pormenores deste objetivo não fossem conhecidos da classe ‘escrava’, na terra. Seu voto de dedicação a Jeová os tornava responsáveis, para fazerem tudo o que Jeová e seu Rei messiânico lhes pedissem fazer, segundo a sua Palavra, as Escrituras Sagradas. Então, tendo sido eliminados do céu os inimigos de Jeová, chegara o tempo de o Rei messiânico e Juiz começar a cumprir o propósito de Jeová para com a terra. Ele sabia o que aguardava esta classe de servos na terra e sabia que apenas a união completa dentro de suas fileiras e a sinceridade quanto à execução do propósito de Deus os habilitariam a cumprir com a responsabilidade bíblica que haviam de ter. Por este motivo, pareceria que ele impunha aos seguidores ungidos de suas pisadas, na terra, uma prova muito severa para eliminar os que não aceitavam a sua direção. — Mal. 3:2, 3; 1 Ped. 2:4-8; Isa. 8:13-15.

      8. Como foram provados os que afirmavam ser da classe da “noiva”? Com que resultado?

      8 Permitiu-se o desenvolvimento de certas condições dentro da organização religiosa, que esquadrinhavam a profundeza da devoção de coração de cada um dos que afirmavam estar casados com o Rei messiânico, Jesus, como membro da classe da “noiva”. (Sal. 45:10-14; João 3:29) Sua submissão foi provada especialmente de três modos: primeiro, quanto a confiarem na doutrina da Palavra de Deus, conforme revelada através de seu canal de comunicação; segundo, quanto à sua disposição de participar na pregação destas boas novas do reino messiânico, que tinha de ser feita antes de se concluir o propósito de Jeová neste “tempo do fim”; e, terceiro, quanto à sua completa lealdade à sua organização terrestre, que ainda havia de ser edificada numa estrutura plenamente teocrática, o que se teria de fazer durante este “tempo do fim”. Isto era essencial, não só para habilitar seu povo a se manter firme e a enfrentar a severa perseguição, que Jesus sabia que ainda sofreriam, mas também para que seu povo estivesse pronto para assumir a obra de responsabilidade que teriam, depois de este atual sistema de coisas ter sido destruído na vindoura tribulação mundial. Durante a Primeira Guerra Mundial, de 1914 a 1918, nenhum dos do povo de Deus se dava conta do pleno alcance desta responsabilidade religiosa que os aguardava. Contudo, os que amavam a Deus aceitaram sinceramente as provações que lhes sobrevieram de dentro da organização perturbada e a prova ardente imposta a eles para purgá-los e purificá-los, conforme predito pelo profeta Malaquias. Houve alguns, porém, que falharam e que se rebelaram, e, portanto, iguais a Vasti, não eram submissos quando veio a chamada de eles mostrarem sua beleza piedosa e sua submissão ao Rei messiânico.a — Luc. 14:17-21.

      9. Que obra de colheita se havia de fazer durante o “tempo do fim”, e como foi ela predita?

      9 Mais pormenores foram fornecidos por Jesus na sua ilustração do campo, no qual certo homem havia semeado trigo e no qual um inimigo havia passado a semear joio. Quando isso foi relatado ao amo, ele disse: “Deixai ambos crescer juntos até a colheita; e na época da colheita direi aos ceifeiros: Reuni primeiro o joio e o amarrai em feixes para ser queimado, depois ide ajuntar o trigo ao meu celeiro.” (Mat. 13:30) A colheita mencionada ali ocorreria após o julgamento no templo e se aplicaria aos que eram membros fiéis da “noiva” de Cristo, seus seguidores ungidos, que haviam de reinar com ele no céu. (Luc. 22:28, 29; Rev. 3:21) Mas não era do propósito de Deus ajuntar apenas este grupo. (Luc. 12:32) Sem que os ungidos o soubessem naquele tempo, Jeová tinha um propósito adicional, e este era ajuntar mais tarde uma grande multidão, que ele se propunha a usar como núcleo duma sociedade humana justa, que viveria na terra sob o reino messiânico. (João 10:16; 2 Ped. 3:13) Isto exigiria muito trabalho da parte dos ungidos, e eles teriam de estar unidos, porque a obra da pregação do reino messiânico seria feita no meio de grande oposição. (Mat. 10:16-18) Isto também foi prefigurado no drama de Ester, ao passo que se desenrolava.

      SUBSTITUIÇÃO DOS INSUBMISSOS

      10. Que medidas tomou o Rei Assuero para substituir Vasti, e como ficaram Mordecai e Ester envolvidos nisso?

      10 Primeiro, porém, o Rei Assuero achou necessário substituir a rainha deposta. Seus conselheiros lhe recomendaram que se ajuntassem todas as virgens jovens, as mais belas de todo o domínio, para que ele escolhesse dentre elas aquela que lhe agradaria mais como sucessora de Vasti. Antes de qualquer jovem poder ser levada ao rei, tinha de ser corretamente preparada para se encontrar com ele. Isto incluía um ano de tratamento de beleza, incluindo massagens com diversas espécies de óleo, sob a supervisão estrita de Hegai, eunuco de confiança no serviço do rei. Ester, cujo nome significa “murta”, foi incluída entre estas jovens, e ela achou imediatamente favor aos olhos de Hegai, de modo que “ele se apressou em dar-lhe as suas massagens e seu alimento devido, e a dar-lhe sete moças escolhidas da casa do rei”. Ester não havia revelado qual era seu povo ou sua parentela, pois o seu próprio primo Mordecai lhe havia ordenado que não o revelasse. Mordecai sabia que Ester sofreria muitas mudanças de ambiente e pressões que poderiam induzi-la a se desviar da lei de seu próprio povo, na qual tinha sido instruída pelo seu tutor, Mordecai. Ele estava decidido a não deixar que o resultado final fosse este para ela. Por isso continuou a manter de perto a supervisão do bem-estar espiritual dela. “E Mordecai andava dia após dia diante do pátio da casa das mulheres para saber do bem-estar de Ester e o que se fazia com ela.” — Ester 2:1-11.

      11. Quem ou o que é representado por (a) Mordecai? (b) Hegai?

      11 Portanto, Mordecai, cujo nome significa “como murta pura, murta triturada”, representa aqueles do restante ungido que supervisionavam de modo fiel o julgamento no templo, durante a Primeira Guerra Mundial, e que estavam interessados em cuidar de que os que substituíam a classe de Vasti fossem corretamente preparados para serem aceitos pelo Rei. Nos tempos modernos, verificou-se que os da classe de Mordecai se desincumbiram fielmente de sua responsabilidade dada por Deus. (Mar. 24:45-47) Mas é preciso observar que o próprio Mordecai não estava pessoalmente encarregado de Ester nesta questão; isto era realizado através de Hegai, que estava a serviço do rei. Portanto, Hegai representa o arranjo sob a supervisão da classe de Mordecai, a fim de preparar os da classe de Ester para a apresentação correta ao Rei. — Efé. 5:26, 27.

      12, 13. A quem tipificava Ester, como foram estes manifestos e que atitude semelhante à de Ester demonstraram?

      12 Finalmente chegou o dia para Ester comparecer perante o rei. Dessemelhante de Vasti, que se havia estribado no seu próprio entendimento, na sua resposta à ordem do rei, Ester preferiu não levar nada consigo quando foi apresentar-se ao rei, exceto aquilo que o próprio Hegai recomendasse. Também hoje, os da classe de Ester se mostram modestos na avaliação de si mesmos e dispostos a seguir o arranjo preparado para eles no seu serviço prestado ao Rei. “E o rei veio a amar Ester mais do que a todas as outras mulheres, de modo que ela obteve mais favor e benevolência diante dele do que todas as outras virgens. E passou a pôr-lhe o toucado real sobre a cabeça e a fazê-la rainha em lugar de Vasti.” — Ester 2:12-18.

      13 Deve ter sido deveras um dia alegre para o rei, ter diante de si, no trono, uma moça não só de grande beleza, mas também de modéstia e de apreço de sua relação com ele. Hoje, também, há grande regozijo ao se observar os que desde o fim da Primeira Guerra Mundial se tornaram novos crentes, recém-dedicados, que simbolizaram sua dedicação a Jeová Deus, mediante Jesus Cristo, por meio da imersão em água, a partir do ano de 1919 e especialmente até 1931. Os que entraram foram ungidos pelo espírito de Deus como membros mais novos da classe da “noiva”, porque a porta ainda não estava fechada à elevada vocação de reinar com o Messias celestial. Faziam-se substituições dos que foram rejeitados por causa de sua atitude insubmissa. Mas estes, iguais a Ester, não eram presunçosos quanto à sua nova posição. Continuaram a seguir o arranjo de Deus, assim como Ester seguia o de Mordecai. “Ester fazia o que Mordecai dissera, assim como quando viera a estar sob os seus cuidados.” — Ester 2:19, 20.

      UM ATO DE LEALDADE DEIXA DE SER RECOMPENSADO

      14. Como demonstrou Mordecai sua lealdade ao rei, e com que resultado?

      14 Então acontece uma coisa na narrativa dramática, que, na ocasião, parecia de pouca importância na história, mas havia de desempenhar um papel notável no cumprimento dos eventos. Mordecai descobriu uma trama contra o rei e a relatou a Ester, que a revelou ao rei. A investigação provou a culpa dos pretensos assassinos e eles foram pendurados. (Ester 2:21-23) A frustração desta tentativa de assassinato do rei, por Mordecai deixou de ser recompensada na ocasião, embora ficasse permanentemente registrada nos anais a seu favor. O mesmo se deu no paralelo moderno. — Heb. 6:10.

      15. Como mostram os da classe de Mordecai sua lealdade ao Rei, e como é isto trazido à atenção do Rei?

      15 Os da classe de Mordecai, no seu serviço prestado ao Rei, propendem para a organização. Quando a organização começou a ter estrutura mais teocrática, depois de ter começado o julgamento no templo, notaram prontamente alguns que pareciam ter estado em harmonia com o progresso do propósito de Jeová até aquele tempo, homens de destaque na organização, mas que ficaram descontentes e que adotaram um proceder que pôs em perigo o bem-estar dos interesses do Reino, constituindo isso uma rebelião contra o Rei. (Jud. 16-19) A classe de Mordecai trouxe este assunto à atenção de Ester, que precisava aprender organização e ser fortalecida na lealdade ao Rei. Isto se deu especialmente visto serem novatos. (Rom. 16:17, 18) Por meio da classe de Ester, o Rei veio a saber quando estes recém-escolhidos da “noiva” de Cristo escolheram a lealdade ao Rei messiânico e à organização. No entanto, naquele tempo não se deu nenhuma recompensa especial à classe de Mordecai.

      APARECE UM INIMIGO ANTIGO

      16, 17. (a) Que destaque veio a ter Hamã, e quais eram os seus antecedentes genealógicos? (b) A quem representava Hamã, e por quê?

      16 De fato, quase parecia que o ato de Mordecai não fora apreciado, porque a narrativa continua: “Depois destas coisas, o Rei Assuero engrandeceu a Hamã, filho de Hamedata, agagita, e passou a exaltá-lo e a colocar seu trono acima de todos os outros príncipes que estavam com ele. E todos os servos do rei que estavam no portão do rei dobravam-se e prostravam-se diante de Hamã, pois assim tinha ordenado o rei a seu respeito. Mordecai, porém, não se dobrava nem se prostrava.” — Ester 3:1-4.

      17 O nome de Hamã, se for de origem persa, significa “magnífico; celebrado”, mas se corresponder ao paralelo hebraico, significa “barulho, tumulto, aquele que se prepara”, sem dúvida em sentido mau. Sendo filho de Hamedata (significando possivelmente “aquele que perturba a lei”), o agagita, ele era descendente de Amaleque, neto de Esaú. Esaú havia vendido sua primogenitura ao seu irmão gêmeo Jacó, do qual descendia Mordecai. Mas, Esaú odiava a Jacó e se opunha a ele amargamente, por Jacó ter tomado o que era legitimamente seu. (Gên. 25:29-34; 27:41) Além disso, em conformidade com esta hostilidade de Esaú para com Jacó, os descendentes dele, através de Amaleque, mostraram seu ódio ao próprio povo de Deus, os israelitas, quando o próprio Jeová libertou seu povo do Egito. Os amalequitas atacaram a retaguarda dos israelitas quando partiam, e por isso Josué os combateu com a ajuda das mãos erguidas de Moisés, e os derrotou. Por causa deste ataque vil contra os israelitas, Deus disse que eles haviam erguido a mão contra o trono de Deus e que Jeová guerrearia para sempre contra os filhos de Amaleque, e isto significava até mesmo nos dias de Mordecai e Ester. (Êxo. 17:8-16) Hamã representaria muito bem os clérigos da cristandade, nos tempos modernos, os quais venderam sua primogenitura referente ao reino de Deus em troca do enaltecimento entre os reinos deste mundo, e que combatem amargamente a Deus e o povo escolhido dele, assim como fizeram os amalequitas na antiguidade. — Mat. 23:5-7, 13-15; João 11:48-50, 53.

      18. Como podia a classe de Hamã receber destaque neste “tempo do fim” quando Jesus Cristo está reinando no céu com todo o poder e autoridade?

      18 Agora, Hamã fora enaltecido acima de Mordecai, e o Rei Assuero havia ordenado que todos se curvassem e prostrassem diante dele. Então, como podemos dizer que Assuero representa o poder régio nas mãos de Jesus Cristo? As Escrituras falam de Deus permitir a ocorrência de certas coisas, coisas más, aparentemente prejudiciais para a sua própria organização e na ocasião lesivas para o seu próprio povo. Um caso disso se encontra em 2 Tessalonicenses 2:11: “É por isso que Deus deixa que vá ter com eles a operação do erro [Deus lhes envia uma força para iludir (Centro Bíbl. Cat.)], para que fiquem acreditando na mentira.” Deus não é o autor do erro nem a fonte da ilusão, mas permite que vão ter com a classe que deseja ser afetada por eles. Por isso, no cumprimento do drama profético, Jeová quer que os de seu povo passem por certa prova, a fim de provarem que apóiam a sua soberania universal e para demonstrarem sua verdadeira integridade cristã, teocrática, a ele. O Senhor Jesus Cristo, reinando à mão direita de Jeová com todo o poder no céu e na terra, permite que se desenvolva tal situação. Ele deixa que os clérigos de toda a cristandade obtenham uma posição elevada neste mundo, no meio do qual vivem os da classe de Mordecai e da classe de Ester. Isto afeta a condição do povo do Senhor na terra. Não destrói a sua própria relação com o Rei messiânico, mas se mostra um perigo, ameaçando até mesmo a vida deles. — João 16:2, 3.

      AMEAÇA DE ANIQUILAÇÃO

      19. Que atitude adotou Mordecai para com Hamã, e por que não é muito difícil para alguns nos tempos modernos reconhecer seu cumprimento?

      19 Mordecai, porém, recusou-se a se curvar diante de Hamã. As testemunhas de Jeová, hoje em dia, adotam a mesma atitude para com os clérigos da cristandade. (Sal. 139:21, 22) Em vista dos acontecimentos recentes no cenário mundial, isto talvez não seja difícil de entender. Devemos lembrar-nos, porém, que os eventos relacionados com este aspecto do cumprimento do drama profético começaram a ocorrer há alguns anos atrás, quando a rebelião não era coisa cotidiana e quando a freqüência à igreja era elevada e os líderes religiosos eram muito respeitados. Eles ocupavam posições elevadas em questões cívicas. Entraram em concordatas com líderes do mundo, não só para se fixarem de modo mais seguro, mas também para promoverem os interesses destes líderes seculares. Quando as testemunhas de Jeová, a classe de Mordecai, falou francamente contra eles, para expor a sua amizade com o mundo, que os tornava inimigos de Deus, era compreensível que aumentassem a tensão e a hostilidade entre estes servos de Deus e os clérigos da cristandade.b (Tia. 4:4) Entretanto, continuava a pregação de casa em casa por parte da classe de Mordecai, e a hostilidade dos clérigos aumentava até que finalmente se tornou evidente que estavam decididos a acabar completamente com a obra da classe de Mordecai.

      20. (a) Qual foi a reação de Hamã, e o que se propôs fazer? (b) Que paralelo tem isso hoje?

      20 Também Hamã, instigado ao extremo pelo seu orgulho e pela recusa de Mordecai, de se curvar diante dele, decidiu que aniquilaria não apenas Mordecai, mas todos os judeus. Com este fim, Hamã lançou sortes para determinar a ocasião mais auspiciosa, do ponto de vista de seus deuses, para se executar a sua trama. A sorte ou “Pur” caiu no décimo terceiro dia do décimo segundo mês lunar, adar. Ele apresentou então o assunto ao rei, acusando os judeus de serem contra a lei do rei e pedindo a publicação dum edito, em todo o império, autorizando a destruição deles. O Rei Assuero concordou, entregando a Hamã o seu próprio anel de sinete para selar o edito, tornando-o lei dos medos e dos persas, que não podia ser revogada. (Ester 3:5-15) Isto indicaria, nos tempos modernos, que o Senhor Jesus Cristo permitiria que os inimigos de seu povo fossem ao limite no seu esforço de cumprir seu objetivo de destruir a este. O resultado final, porém, caberia a ele decidir, assim como se deu também no caso de Mordecai e Ester. Estes acontecimentos dramáticos são o tema do artigo que segue.

  • Transformação do pranto em um dia bom
    A Sentinela — 1971 | 15 de setembro
    • Transformação do pranto em um dia bom

      1. Por que não ficam os verdadeiros cristãos intrigados quando vem a perseguição?

      OS VERDADEIROS cristãos sabem que serão odiados por este mundo, porque o mundo odiava também a Jesus, matando-o até mesmo cruelmente. (João 15:18-25) O apóstolo Pedro escreveu à congregação cristã: “Amados, não fiqueis intrigados com o ardor [perseguição] entre vós . . . Ao contrário, prossegui em alegrar-vos por serdes partícipes dos sofrimentos do Cristo [Messias], para que vos alegreis e estejais também cheios de alegria durante a revelação de sua glória.” — 1 Ped. 4:12, 13.

      2, 3. (a) O que permitiu a perseguição no caso de Mordecai e Ester, mas por que pranteava Mordecai? (b) Que proceder decidiu Mordecai adotar, e qual foi a resposta de Ester?

      2 Este privilégio de se participar na vindicação do nome Deus por meio da perseverança e da confiança no poder libertador de Jeová foi demonstrado tanto por Mordecai como por Ester, quando Hamã tramou a aniquilação de todos os judeus. Um edito, indicando o décimo terceiro dia de adar como dia fatídico, foi divulgado em todos os 127 distritos jurisdicionais do império dos persas e dos medos, inclusive em Susã, o castelo real. Quando Mordecai soube dele, pôs sobre si serapilheira e cinzas, sem dúvida em súplica a Jeová, assim como outros servos de Deus haviam feito. (Dan. 9:3; Sal. 12:1) Quando Ester perguntou pelo motivo de seu profundo pesar, ele a informou de todas as coisas que haviam acontecido e lhe deu a ordem de comparecer perante o rei e fazer-lhe uma solicitação direta a favor do próprio povo dela.

      3 Profundamente comovida por esta ordem de Mordecai, Ester lembrou-lhe que, segundo a lei dos medos e dos persas, todo aquele que comparecesse perante o rei sem ter sido convidado era morto. Só no caso de o rei lhe estender o cetro de ouro continuaria vivo. Além disso, Ester informou Mordecai de que ela não havia sido chamada ao rei já por trinta dias. Se comparecesse agora, assim como Mordecai pedia, sem ter sido convidada pelo rei, poderia ser morta. Mordecai, porém, permaneceu inflexível e respondeu a Ester: “Não imagines no íntimo da tua própria alma que dentre todos os outros judeus escaparão os da casa do rei. Pois se tu, neste tempo, ficares completamente calada, o próprio alívio e livramento, procedentes de outro lugar, pôr-se-ão de pé para os judeus; mas, quanto a ti e à casa de teu pai, vós perecereis. E quem sabe se não foi para um tempo como este que atingiste a realeza?” A obediência de Ester a Mordecai e o amor dela ao seu povo saíram vencedores. Ela respondeu: “Vai, reúne todos os judeus que se acham em Susã e jejuai por mim, e não comais nem bebais por três dias, noite e dia. Também eu, com as minhas moças, jejuarei igualmente, e então entrarei até o rei, o que não é segundo a lei; e se eu tiver de perecer, terei de perecer.” — Ester 4:1-17.

      DISCERNIMENTO EM FACE DO PERIGO

      4. Que atitude demonstraram tanto Ester como Mordecai, e que exemplo é dado pelos prefigurados por eles?

      4 Ester não se prevaleceu de sua relação com o rei. Tampouco Mordecai se estribou no seu próprio ato de lealdade, que até então não havia sido recompensado. (Ester 2:21-23) Ambos confiaram inteiramente em Jeová e procuraram a sua orientação quanto ao proceder que deviam adotar para servir como instrumentos para preservar vivo o povo de Deus. Ester, arriscando a própria vida, vestiu-se regiamente e compareceu perante o rei. “Assim que o rei viu Ester, a rainha, parada no pátio, ela obteve favor aos seus olhos, de modo que o rei estendeu a Ester o cetro de ouro que estava na sua mão.” (Ester 5:1, 2) Hoje, também, os da classe de Ester enfrentam o mesmo perigo que enfrenta a classe de Mordecai. Mas não se retraem, mas mostram verdadeiro amor a todos os do povo de Deus e cooperam com a classe de Mordecai em completa união, procurando a preservação daqueles que Deus convoca deste mundo para representá-lo neste “tempo do fim”. (Mat. 12:30; Sal. 133:1) Que exemplo para os que se associam com os ungidos de Jeová, confiantes no resultado de sua confiança no Assuero Maior, Jesus Cristo!

      5. Que pedido fez Ester, mas em que sentido foi seu proceder para com Hamã não em contradição com o de Mordecai?

      5 Ester aproximou-se do rei, mas pediu simplesmente que o rei comparecesse a um banquete que ela havia preparado para ele e para Hamã. O rei aceitou prontamente. (Ester 5:3-5) Ester aparentemente demonstrava favor a Hamã, dessemelhante de Mordecai, ao incluir Hamã neste arranjo. Isto concorda com o fato de que, no antítipo, os da classe de Ester, agindo sob as instruções da classe de Mordecai, não procuram destruir pela violência os professos clérigos cristãos da cristandade. Não procuram desfazer a intimidade de sua união entre Igreja e Estado. (Efé. 6:12) Segundo a profecia bíblica, esta precisa ser revelada no pleno grau. Os da classe de Hamã demonstrarão o que realmente são: inimigos de Deus por serem amigos do mundo. Precisa tornar-se bem evidente que os representados por Hamã são os do “homem que é contra a lei” para com Deus, positivamente destinados à destruição. — 2 Tes. 2:3, 4, 8.

      6. Como acolheu Hamã este aparente favor de Ester, mas o que se propôs então a fazer para com Mordecai?

      6 Contudo, Ester não revelou o que havia no seu coração. Sem dúvida, agindo sob a direção de Jeová, conforme é fortemente sugerido pelos acontecimentos subseqüentes, ela pediu que o rei voltasse para um segundo banquete, ao qual compareceria também Hamã. Hamã saiu “alegre e contente de coração”. Mas quando viu que Mordecai, no portão do rei, não se curvava nem tremia diante dele, ficou logo cheio de ira. Todavia, controlou-se e entrou na sua casa, onde se gabou de sua grandeza, diante de sua esposa e de seus amigos. Eles se alegraram com ele, mas concordaram também, quando Hamã se queixou de que “tudo isso — nada disso me convém enquanto eu estiver vendo a Mordecai, o judeu, sentado no portão do rei”. Então foi aconselhado por Zeres e por todos os seus amigos: “Faça-se um madeiro de cinqüenta côvados de altura. Então, de manhã, dize ao rei que se deve pendurar nele a Mordecai. Então entra alegremente com o rei para o banquete.” Isto agradou muito a Hamã. Ele decidiu que logo de manhã cedo compareceria perante o rei e lhe faria esta solicitação. — Ester 5:6-14.

      JEOVÁ MANOBRA A SITUAÇÃO

      7. Que acontecimento inesperado, naquela noite, mudou a situação para Mordecai?

      7 Os acontecimentos tomaram então um rumo inesperado. Naquela noite, enquanto Hamã tramava o mal contra Mordecai, o Rei Assuero foi deitar-se, mas não conseguiu dormir. Tirando a conclusão de que, havia omitido alguma coisa, de que estava culpado de alguma omissão ou de alguma falha, mandou que lhe trouxessem o livro dos registros e pediu que seus servos o lessem. Eles foram verificar a lista, para ver se se deixou de fazer alguma coisa. “Finalmente, achou-se escrito o que Mordecai tinha relatado a respeito de Bigtana e de Teres, dois oficiais da corte do rei, porteiros, que tinham procurado deitar a mão no Rei Assuero. O rei disse então: ‘Que honra e que grande coisa se fez por isso a Mordecai?’ A isto disseram os ajudantes do rei, seus ministros: ‘Nada se fez com ele.’” O rei determinou imediatamente honrar a Mordecai. — Ester 6:1-3.

      8. Que acontecimento assegurou a Mordecai a continuar a desempenhar um papel na realização do propósito de Jeová?

      8 Logo na manhã seguinte, Hamã veio apresentar-se ao rei e o Rei Assuero mandou que entrasse. Mas antes que pudesse executar o que havia resolvido quanto a Mordecai, o rei fêz primeiro a sua pergunta, impedindo assim o que poderia ter resultado em acontecimentos bem diferentes. Se Hamã tivesse conseguido pedir primeiro que Mordecai fosse pendurado, o rei, procurando honrar a Mordecai, poderia muito bem ter-se voltado logo contra Hamã, sem a intervenção da Rainha Ester ou de Mordecai. Assim, o papel deles neste drama teria sido baldado e eles não teriam servido para levar a cabo a guerra de Jeová contra os amalequitas. — Ester 6:4, 5.

      9. Como foi Hamã humilhado diante de Mordecai?

      9 Segundo o propósito de Jeová, o rei falou primeiro: “Que se deve fazer ao homem em cuja honra se agradou o próprio rei?” (Ester 6:6) Hamã, ainda lembrado de suas jactâncias da noite anterior, só via a si mesmo como usufruindo a estima mais elevada do rei, e concluiu que devia ser ele a quem o rei se agradava em honrar. Por isso, aconselhou o rei segundo as suas próprias ambições: ‘Traga-se o cavalo do próprio rei com uma coroa na cabeça, e mande-se montar no cavalo o homem que deve ser honrado, e faça-se que o principal oficial no domínio do rei tome o cavalo e faça o homem favorecido cavalgar na praça pública da cidade, proclamando alto diante dele: “Assim se faz ao homem em cuja honra o próprio rei se agradou.”’ Cheio de confiança, Hamã aguardava a resposta do rei, mas teve de ouvi-lo dizer: “Depressa, toma a vestimenta e o cavalo, assim como disseste, e faze assim a Mordecai, o judeu, que está sentado no portão do rei.” Hamã sentiu-se completamente esmagado. Mas não podia senão obedecer. Deixar de fazer isso significaria morte certa para ele. Assim, quando Mordecai precisava mais ser lembrado, Jeová agiu a seu favor, para a proteção dele, e lhe salvou a vida. Hamã, ao contrário, viu-se obrigado a admitir que, não ele, mas este judeu odiado e desprezado, Mordecai, era aquele a quem o rei se agradava de honrar. — Ester 6:6-11.

      INVERSÃO COMPLETA

      10. O que levou à queda de Hamã, e que paralelo disso ocorre hoje?

      10 Hamã era homem orgulhoso. Provérbios 16:18 diz: “O orgulho vem antes da derrocada e o espírito soberbo antes do tropeço.” Segundo este princípio, havia apenas um resultado para Hamã. Este tinha de ser a queda dele. Hoje acontece uma coisa exatamente igual. Nos tempos passados, os clérigos têm sido elevados às posições mais altas neste sistema de coisas. Embora afirmassem reger pela graça de Deus e por seu Rei Jesus Cristo, os clérigos realmente não têm nenhuma posição perante Deus, o que se torna cada vez mais evidente a todos os observadores compreensivos. (Mat. 7:15-23) Os da classe de Mordecai, por outro lado, estão obtendo cada vez mais favor do Senhor Jesus Cristo, especialmente desde 1926, quando se declararam favoráveis para com Deus, no número inglês de A Sentinela de 1.º de janeiro daquele ano, no artigo principal: “Quem Honrará a Jeová?” Muitos acontecimentos desde aquele tempo corroboraram estes fatos. As testemunhas de Jeová fizeram uma série de proclamações, de 1922 a 1928, muitas das quais se destinavam diretamente a expor os clérigos. Em 1930 se publicaram dois livros chamados “Luz”, explicando a Revelação ou Apocalipse, e estes também expunham os clérigos da cristandade, enaltecendo ao mesmo tempo o reino de Deus mediante o Senhor Jesus Cristo. Todas estas proclamações e exposições atordoaram os clérigos da cristandade com humilhação. Contudo, mesmo no auge de seu poder, não puderam impedir que estas e muitas outras publicações fossem distribuídas em todo o mundo, em milhões de exemplares.a Este registro ainda é autêntico, e à luz dos acontecimentos atuais se mostra ainda mais verídico. Os que quiserem verificar o registro, podem ver por si mesmos que a infidelidade dos clérigos para com a Bíblia e sua falta de interesse em elevar as normas morais do povo não são novidade, mas são assim conforme expuseram as testemunhas de Jeová já desde aquele período primitivo, quando Deus mostrou seu favor aos seus servos verdadeiros, os da classe de Mordecai, às custas dos clérigos e para a vergonha dos clérigos. Só o futuro revelará que humilhações adicionais os aguarda antes de seu fim ignominioso.

      11. Que futuro previram para Hamã a esposa e os amigos dele?

      11 Hamã se arrastou para casa, para junto de sua família e seus amigos, mas não encontrou ali nenhum consolo. Ao contrário, “lhe disseram seus sábios e Zeres, sua esposa: ‘Se Mordecai, diante de quem principiaste a cair, é da descendência dos judeus, não prevalecerás contra ele, mas sem falta, cairás diante dele.’” Mal haviam saído de sua boca estas palavras de perdição, quando chegaram os oficiais da corte do rei e passaram a levar Hamã ao segundo banquete que Ester havia preparado para o rei. — Ester 6:12-14.

      IDENTIFICAÇÃO E EXPOSIÇÃO

      12. Como efetuou Ester a exposição de Hamã, e qual foi o resultado para este?

      12 Então, no fim do segundo banquete, chegou o tempo para Ester fazer seu pedido ao rei. “Se eu tiver achado favor aos teus olhos, ó rei, e se parecer bem ao rei, dê-se-me a minha própria alma ao meu pedido, e meu povo, à minha solicitação. Pois fomos vendidos, eu e meu povo, para sermos aniquilados, mortos e destruídos. Ora, se tivéssemos sido vendidos apenas como escravos e apenas como servas, eu teria ficado calada. Mas a aflição não convém quando é com dano para o rei.” O rei ficou muito agitado. “‘Quem é este, e onde é que está este que se afoitou a fazer isso?’ Ester disse então: ‘O homem, o adversário e inimigo, é este mau Hamã.’” O rei, incapaz de conter o seu furor, retirou-se para o jardim do palácio, para recuperar a calma. Hamã, aterrorizado com a virada da situação, pleiteou pela sua vida junto a Ester, porque sabia que a face do rei se havia posto contra ele. Seus rogos foram tão intensos, que caiu sobre o leito dela, ao lado dela, justamente quando o rei voltou do Jardim. Vendo isso, o rei disse: “‘Há de se violar também a rainha, estando eu na casa?’ A própria palavra saiu da boca do rei, e eles cobriram a face de Hamã. Harbona, um dos oficiais da corte perante o rei, disse então: ‘Há também o madeiro que Hamã fez para Mordecai, que falou bem referente ao rei, erguido na casa de Hamã — de cinqüenta côvados de altura.’ Então disse o rei: ‘Pendurai-o nele.’ E passaram a pendurar Hamã no madeiro que tinha preparado para Mordecai; e o furor do rei se aplacou.” — Ester 7:1-10.

      13. (a) Como se realizou a identificação da classe de Ester e como tem aumentado isso a exposição da classe de Hamã? (b) O que prefigurou ser Hamã pendurado no madeiro preparado para Mordecai?

      13 A exposição de Hamã como arquiinimigo, por Ester, exigiu que revelasse a sua própria identidade. Quando se identificaram os da classe de Ester, nos tempos modernos, segundo o registro histórico? A melhor evidência é a identificação ocorrida no domingo, 26 de julho de 1931, numa assembléia do povo de Jeová em Columbus, Ohio, E. U. A. Naquela ocasião, adotaram uma resolução pela qual se identificaram com o nome de “testemunhas de Jeová”. (Isa. 43:10, 12) Publicou-se um folheto, contendo esta resolução, o qual recebeu distribuição ampla. Esta identificação também serviu para expor a classe clerical. O ódio que já haviam manifestado aos verdadeiros servos de Deus foi então revelado em ação ainda mais forte, e a classe de Hamã ficou identificada de modo ainda mais positivo como sendo contrária a Deus, decidida a destruir os servos de Deus. (Mat. 23:29-36) O povo de Jeová se viu confrontado com oposição como nunca antes na sua história.b O cumprimento da ação de se pendurar Hamã no madeiro preparado para Mordecai não precisa esperar a destruição de Babilônia, a Grande, pois, por meio destes atos, a partir daquele tempo, os da classe de Hamã morreram aos olhos de Deus e aos olhos dos sinceros em todo o mundo. Além disso, os dez filhos de Hamã sobreviveram a ele, continuando o quadro até um cumprimento adicional.

      14. Que trabalho adicional se viu então para os da classe de Mordecai?

      14 Foi naquele mesmo ano de 1931 que se publicou o primeiro duma série de três livros chamados Vindicação, e naquela mesma assembléia se proferiu um discurso explicando em pormenores o capítulo nove de Ezequiel. Neste discurso foi identificado no cumprimento antitípico o homem vestido de linho e com um tinteiro de escrevente, bem como os que suspiravam e gemiam, que haviam de ser marcados nas testas, e também os vinte e cinco homens diante do templo, que adoravam o sol, em vez de a Jeová Deus. Os da classe de Mordecai e da classe de Ester, juntos, davam-se então conta de que tinham uma obra adicional a fazer, para a qual estavam sendo retidos na terra por mais algum tempo. Esta era a de acharem os que suspiravam e gemiam por causa das condições produzidas pelos que pervertiam a adoração verdadeira de Deus, representados pelos vinte e cinco homens que adoravam o sol, a saber, a classe clerical. Esta ação de salvar vidas havia de ocorrer antes de se trazer a destruição sobre todos os que não haviam recebido o sinal na sua testa. Portanto, a identificação do povo de Jeová pelo nome significativo de testemunhas de Jeová ocorreu numa ocasião de grande necessidade do povo de Deus e simultaneamente com o início de uma nova fase importante do propósito de Deus neste “tempo do fim”.

      ORGANIZADOS PARA A DEFESA E PARA A OFENSIVA

      15. (a) Que inversão para os da classe de Mordecai predisse Jesus? (b) Que ameaça havia ainda contra os judeus, e que medidas tomou Mordecai para frustrá-la?

      15 Mordecai foi então promovido e recebeu o anel de sinete do rei, que fora removido do dedo de Hamã, antes de este ser pendurado. O cumprimento está em harmonia com a profecia de Jesus, quando ele disse: “É por isso que vos digo [isto é, aos clérigos dos seus dias]: O reino de Deus vos será tirado e será dado a uma nação que produza os seus frutos.” (Mat. 21:43) Tratava-se deveras de uma inversão dramática ocorrida nos nossos dias. Mas era preciso fazer algo mais. Embora a vida pessoal de Mordecai ficasse a salvo e ele tivesse sido enaltecido, os dez filhos de Hamã ainda viviam e ainda vigorava o decreto de extermínio de todos os judeus em todo o império, no dia 13 de adar. Mordecai dava-se conta de que havia uma saída para os judeus, não tomada em conta no decreto de Hamã. Tratava-se da autorização concedida ao povo de Jeová de se reunir e combater em defesa própria. Os judeus podiam assim tomar a iniciativa contra os que os queriam destruir e podiam em vez disso destruir os inimigos maldosos. O rei concordou com isso e o decreto neste sentido foi selado com o seu anel, enviando-se cópias a todos os 127 distritos jurisdicionais. — Ester 8:1-14.

      16. (a) Que mudança de atitude ocorreu então entre os judeus? (b) Como se cumpriu isso nos tempos modernos?

      16 Isto causou uma grande transformação. Agora, em vez de grande pranto entre os judeus, e em vez de jejuns, choro e lamentação, eles começaram a alegrar-se e a reunir-se, e uniram-se para tomar posição contra seus inimigos. Além disso, o temor dos judeus caiu sobre os povos do país e muitos começaram a dizer-se judeus. (Ester 8:15-17) Esta parte do drama teve um cumprimento dramático durante a década crítica de 1930. Dando-se conta de que tinham o direito de tomar todas as medidas pacíficas e legais para a proteção de sua vida, os servos de Deus passaram a apelar para os tribunais e para os governos, a favor de sua obra dada por Deus, de encontrar os sinceros para com Jeová e seu povo. Tomaram-se medidas adicionais de unificação, e, por volta de 1938, havia-se alcançado plenamente a estrutura teocrática da organização. Os do povo de Deus estavam então plenamente unidos e preparados para o tempo do cumprimento antitípico de 13 de adar.c

      17. Quando veio o antitípico dia 13 de adar e o que aconteceu nele?

      17 Este tempo veio durante o período da segunda guerra mundial. Toda a evidência leva à conclusão de que os inimigos do povo de Deus haviam decidido usar esta situação da guerra, com seu patriotismo, seu nacionalismo, seus preconceitos e suas acusações falsas de comunismo, por um lado, e de nazismo, pelo outro lado, a fim de apanhar as testemunhas de Jeová e destruí-las. Começou a formar-se um ataque global que parecia poder exterminar completamente a pregação mundial dos da classe de Mordecai e da de Ester, bem como seus companheiros, que já haviam começado a se juntar a eles.d Poderia ter sido realmente um dia desolador, um de pranto, mas estes fiéis servos de Deus não enfrentaram inermes esta ação conjugada. Durante este tempo, representado pelo dia 13 de adar, as testemunhas de Jeová lutaram como nunca antes. Travaram uma luta espiritual para preservar a sua vida espiritual em todo o mundo, combatendo desde uma sede central e oferecendo uma frente unida contra o inimigo. Houve baixas, mas não houve luta com armas carnais, da parte do povo de Jeová. (2 Cor. 10:3, 4) Jeová abençoou esta demonstração de coragem da parte de suas testemunhas até mesmo nos campos de concentração, e o resultado desta luta tem causado uma impressão duradoura nos que suspiravam e gemiam na cristandade, visto que os clérigos se expuseram mais do que antes como sendo contrários a Deus e contrários ao reino de Cristo.e (2 Tes. 1:4, 5) Esta contínua morte espiritual dos clérigos aos olhos de pessoas sinceras é bem representada pela morte dos dez filhos de Hamã, mortos em 13 de adar. Junto com eles foram mortos 500 inimigos de Deus em Susã e 75.000 nas outras partes do domínio. A luta continuou no castelo de Susã em 14 de adar, e mais 300 inimigos dos judeus foram mortos, enquanto nos distritos longínquos os judeus celebravam a sua vitória. — Ester 9:1-19.

      DO PESAR PARA A ALEGRIA

      18. Qual foi o resultado dos esforços do inimigo de aniquilar o povo de Deus, e o que representa a continuação desta guerra espiritual?

      18 O dia planejado para ser um dia de pranto se havia tornado um dia bom, um dia de vitória, de vindicação e de alegria! O mesmo se deu também nos tempos modernos! Quando começou a Segunda Guerra Mundial, em 1939, havia 71.509 do povo de Jeová unidos em defesa da adoração verdadeira. Quando acabou a guerra entre as nações do mundo, longe de terem sido aniquilados, os do grupo fiel de testemunhas ativas se haviam multiplicado quase por dois, e em 1945 havia 141.606 que travavam a guerra espiritual contra os inimigos de Deus. Mas a nossa guerra espiritual em defesa própria ainda não acabou. Ela continua até hoje, conforme representado pela celebração anual de “Purim”, imposta a todos por Mordecai, a saber, “de celebrarem regularmente o décimo quarto dia do mês de adar e o décimo quinto dia dele, de ano em ano, segundo os dias em que os judeus descansaram dos seus inimigos e o mês que se lhes mudou de pesar em alegria e de pranto num dia bom”. (Ester 9:20-32) Neste ano (1971), os judeus ortodoxos celebraram sua “festa de Ester” em 10 de março, e a sua festa de Purim em 11 e 12 de março.

      19, 20. Que resultado final é certo, e como devemos encarar o cumprimento do “trabalho forçado” imposto pelo Rei Assuero?

      19 Visto que a prova plena da libertação por Jeová já faz parte do registro histórico tanto nos tempos antigos como nos modernos, aguardamos com confiança e viva expectativa a “grande tribulação” no futuro próximo, quando todos estes da classe de Hamã, bem como seus apoiadores, literalmente ceifarão o que semearam, assim como o Rei Assuero declarou a respeito de Hamã: “Recaia sobre a sua própria cabeça seu ardil mau que maquinou contra os judeus.” (Ester 9:25; Mat. 24:21, 22) Quando este tempo vier, o Assuero Maior acabará literalmente com todos os seus inimigos e enaltecerá os da classe de Mordecai e os da de Ester à posição que lhes é reservada no reino messiânico. — 2 Tes. 1:6-10.

      20 No ínterim, precisam realizar-se os preparativos finais dos demais dos súditos do Rei, segundo o propósito de Jeová para este “tempo do fim”. Isto é indicado em Ester 10:1: “E o Rei Assuero passou a impor trabalho forçado ao país e às ilhas do mar.” Quão abençoado é atualmente o privilégio das “outras ovelhas” do Messias, de cumprir de todo o coração e lealmente a comissão hodierna de serviço! Fazem isso por cooperarem, para o seu próprio benefício eterno, com os que tomam a dianteira neste “trabalho enérgico” promovido pelos cristãos ungidos que foram prefigurados por Mordecai. “Pois Mordecai, o judeu, era o segundo depois do Rei Assuero, e era grande entre os judeus e aprovado pela multidão de seus irmãos, trabalhando para o bem de seu povo e falando paz a toda a descendência deles.” — Ester 10:2, 3.

      “Assim disse Jeová: ‘Num tempo aceitável te respondi e num dia de salvação te ajudei; e eu te estive resguardando.’” — Isa. 49:8.

  • Consideração para com a vida demonstrada pelo primitivo cristianismo
    A Sentinela — 1971 | 15 de setembro
    • Consideração para com a vida demonstrada pelo primitivo cristianismo

      ✔ O antigo mundo romano se deleitava com o derramamento de sangue. Entretanto, no livro As Catacumbas de Roma, em inglês, W. H. Withrow salienta que o primitivo cristianismo “deu nova santidade à vida humana, e até mesmo denunciava como assassinato o costume pagão de destruir um filho ainda por nascer. A [matança pela] exposição de bebês era uma terrível prática pagã prevalecente, permitida até mesmo por Platão e Aristóteles. Tivemos evidências da terna caridade dos cristãos em resgatar da morte estes enjeitados ou em salvá-los de um destino ainda mais horrível — duma vida de infâmia. Os cristãos sustentavam também o ‘cânon contra a matança de si mesmo’ [suicídio], estabelecido pelo Todo-poderoso, crime que os pagãos haviam até mesmo exaltado como virtude. Ensinava que a perseverança paciente no sofrimento, como no caso de Jó, demonstrava uma coragem mais sublime do que a renúncia à vida por parte de Catão”.

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