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HebraicoAjuda ao Entendimento da Bíblia
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pelo acento agudo sobre a vogal (a última) da sílaba, por uma questão de facilidade gráfica.
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HebreuAjuda ao Entendimento da Bíblia
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HEBREU
A designação “hebreu” é usada primeiramente para Abrão, diferençando-o desta forma de seus vizinhos amorreus. (Gên. 14: 13) Depois disso, em virtualmente todo o caso em que foi empregado, o termo “hebreu” (ou flexões) continua a ser utilizado como um designativo contrastante ou diferenciador — aquele que fala é duma nação não-israelita (Gên. 39:13, 14, 17; 41:12; Êxo. 1:16; 1 Sam. 4:6, 9), ou se trata de um israelita que fala a um estrangeiro (Gên. 40:15; Êxo. 1:19; 2:7; Jonas 1:9), ou mencionam-se estrangeiros. — Gên. 43:32; Êxo. 1:15; 2:11-13; 1 Sam. 13:3-7.
Como mostram os textos acima, o designativo “hebreu” já era familiar aos egípcios no século XVIII A.E.C. Isto pareceria indicar que Abraão, Isaque e Jacó se tinham tornado bem-conhecidos em uma ampla área, tornando assim reconhecido o apelativo “hebreu”. Quando José falou da “terra dos hebreus” (Gên. 40:15) a dois servos de Faraó, ele sem dúvida se referia à região em torno de Hébron que seu pai e seus antepassados há muito haviam tornado uma espécie de base de operações. Uns seis séculos mais tarde, os filisteus ainda falavam dos israelitas como “hebreus“, e o Rei Saul e o escritor (ou escritores) de Primeiro Samuel mostra(m) que “hebreus” e “Israel” eram termos equivalentes naquela época. (1 Sam. 13:3-7; 14:11; 29:3) No nono século A.E.C., o profeta Jonas identificou-se como hebreu para marinheiros (possivelmente fenícios) num barco que partiu do porto marítimo de Jope. (Jonas 1:9) A Lei também diferençava os escravos “hebreus” dos de outras raças ou nacionalidades (Êxo. 21:2; Deut. 15:12), e, ao referir-se a isto, o livro de Jeremias (no sétimo século A.E.C.), mostra que o termo “hebreu” era então equivalente a “judeu”. — Jer. 34:8, 9, 13, 14.
Em períodos posteriores, os escritores gregos e romanos chamavam costumeiramente os israelitas seja de “hebreus”, seja de “judeus”, e não de “israelitas”.
ORIGEM E SIGNIFICADO DO TERMO
É possível que o nome “hebreu” (‘Ivrí) provenha do nome Éber (‘Éver), o do bisneto de Sem e ancestral de Abraão. (Gên. 11:10-26) Em Gênesis 10:21, Éber recebe destaque especial, mencionando-se ali Sem como “antepassado de todos os filhos de Éber”. Isto talvez seja um indício divino de que a bênção noáquica expressa a Sem teria seu cumprimento especialmente nos descendentes de Éber, os fatos subsequentes atestando que os israelitas seriam os obsequiados primários com tal bênção. Tal menção específica de Éber também serviria para indicar a linhagem pela qual viria o Descendente prometido mencionado na profecia de Jeová em Gênesis 3:15, Éber desta forma tornando-se um elo específico entre Sem e Abraão. Tal conexão também se harmonizaria bem com o designar-se Jeová como “o Deus dos hebreus”.
EMPREGO NAS ESCRITURAS GREGAS CRISTÃS
Nas Escrituras Gregas Cristãs, o termo grego que tanto se pode traduzir como “hebreu” ou “hebraico” é usado especialmente como designativo da língua falada pelos judeus (João 5:2; 19:13, 17, 20; Atos 21:40; 22:2; Rev. 9:11; 16:16), a língua em que o ressuscitado e glorificado Jesus se dirigiu a Saulo de Tarso. (Atos 26:14, 15) Em Atos 6:1, os judeus de fala hebraica são diferençados dos judeus de fala grega. — Veja GRÉCIA, GREGOS.
Paulo descreveu a si mesmo como, primeiramente, um hebreu, e, em segundo lugar, um israelita, e, em terceiro lugar, como parte do descendente de Abraão. (2 Cor. 11:22) ‘Hebreu’ pode ter sido usado aqui para mostrar sua origem racial (compare com Filipenses 3:4, 5) e, talvez, sua língua; ‘israelita’, a sua condição de membro natural da nação que Deus estabelecera originalmente como povo para seu nome (compare com Romanos 9:3-5), e ‘descendente de Abraão’, sua inclusão entre os que herdariam as bênçãos prometidas do pacto abraâmico.
OS “HABIRUS” (“HABIRI”)
Em numerosos escritos cuneiformes encontrados em várias terras do Oriente Médio, ocorre o termo acadiano (assírio-babilônico) habiru (ou, hapiru). Em Tel El Amarna, no Egito, encontrou-se certo número de cartas que tinham sido escritas por governantes cananeus vassalos do Faraó do Egito (então seu senhor supremo) queixando-se, entre outras coisas, dos ataques contra suas cidades por parte de certos regentes coligados aos “habirus”. Ao passo que alguns se esforçam em ligar este episódio com a conquista de Canaã pelos israelitas, a evidência não parece sustentar tal conceito. O professor T. O. Lambdin afirma sobre os habirus: “Embora muitas modalidades do problema dos habirus continuem obscuras, numerosas referências tornam claro que eles consistiam mormente de errantes sem-terra que ficaram numa condição dependente de trabalhadores agrícolas ou de soldados em troca do sustento.” [The Interpreteis Dictionary of the Bible (Dicionário Bíblico do Intérprete), Vol. 4, p. 532] O professor Kline também declara: “O termo ha-BI-ru é usualmente reputado como um apelativo que designa nômades, dependentes, ou estrangeiros. ... a equiparação fonética de ‘ibhri [hebreu] com haBI-ru é altamente improvável. Além disso, a evidência existente sugere que os ha-BI-ru eram militares profissionais, com um núcleo não-semítico. . . .” — O Novo Dicionário da Bíblia, de Douglas, p. 700.
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Hebreus, Carta AosAjuda ao Entendimento da Bíblia
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HEBREUS, CARTA AOS
Uma carta inspirada das Escrituras Gregas Cristãs. A evidência aponta-a como tendo sido escrita pelo apóstolo Paulo aos cristãos hebreus na Judéia, por volta de 61 E.C. Para aqueles cristãos hebreus, a carta era oportuníssima. Tinham-se passado então cerca de 28 anos desde a morte e a ressurreição de Jesus Cristo. Na parte inicial desse período, os líderes religiosos judeus trouxeram severa perseguição sobre tais cristãos judeus, em Jerusalém e na Judéia, resultando na morte de alguns cristãos, e em a maioria dos demais serem espalhados de Jerusalém. (Atos 8:1) Os espalhados permaneceram ativos em divulgar as boas novas em toda parte a que foram. (Atos 8:4) Os apóstolos tinham permanecido em Jerusalém e ali mantiveram unida a congregação restante, e ela havia crescido, mesmo sob dura oposição. (Atos 8:14) Daí, por certo tempo, a congregação entrou num período de paz. (Atos 9:31) Mais tarde, Herodes Agripa I causou a morte do apóstolo Tiago, irmão de João, e maltratou outros da congregação. (Atos 12:1-5) Algum tempo depois, surgiu uma necessidade material entre os cristãos na Judéia, oferecendo a oportunidade para que os cristãos na Acaia e na Macedônia (por volta de 55 E.C.) demonstrassem seu amor e sua união por enviarem sua ajuda. (1 Cor. 16:1-3; 2 Cor. 9:1-5) Assim, a congregação de Jerusalém atravessara muitas dificuldades.
PROPÓSITO DA CARTA
A congregação em Jerusalém se compunha quase que inteiramente de judeus e dos que tinham sido prosélitos da religião dos judeus. Muitos deles obtiveram conhecimento da verdade desde a época da mais amarga perseguição. Na ocasião em que foi escrita a carta aos hebreus, a congregação usufruía comparativa paz, pois Paulo lhes disse: “Ainda nunca resististes até o sangue.” (Heb. 12:4) Todavia, o abrandamento da perseguição física direta até a morte não significou que a forte oposição por parte dos líderes religiosos judeus havia cessado. Os membros mais novos da congregação tinham de enfrentar a oposição, assim como os demais haviam feito. E alguns outros eram imaturos, não tendo feito o progresso em direção à madureza que, em vista do tempo, já deviam ter feito. — Heb. 5:12.
É bem patente que a carta aos hebreus foi inspirada pelo espírito de Jeová. Os imaturos cristãos hebreus, em Jerusalém e na Judéia, precisavam seriamente de conselhos, e todos na congregação necessitavam de encorajamento. O tempo se esgotava para Jerusalém. A situação demandava um estado de alerta e de fé, por parte dos cristãos ali, a fim de obedecerem ao aviso de Jesus de fugirem da cidade quando vissem Jerusalém cercada por exércitos acampados. (Luc. 21:20-22) Segundo a tradição, isto ocorreu em 66 E.C., quando as tropas de Céstio Galo se retiraram, depois de iniciarem um ataque contra a cidade. Daí, em 70 E.C., Jerusalém e seu templo seriam arrasados pelo general romano, Tito. Cada membro da congregação cristã, e especialmente os imaturos, teriam de fortalecer-se para estes eventos momentosos. Sua fé era submetida à prova pela oposição que enfrentavam diariamente da parte dos judeus. Precisavam edificar a qualidade de perseverança. — Heb. 12:1, 2.
Oposição judaica
Os líderes religiosos judeus, através de propaganda mentirosa, tinham feito tudo a seu alcance para suscitar o ódio. A determinação deles de combater o cristianismo com toda arma possível é demonstrada por suas ações, conforme registradas em Atos 22:22; 23:12-15, 23, 24; 24:1-4; 25:1-3. Eles e seus asseclas fustigavam constantemente os cristãos, utilizando evidentemente argumentos no esforço de quebrantar sua lealdade a Cristo. Atacavam o cristianismo com o que talvez parecesse ser forte argumentação para um judeu, e difícil de refutar.
Naquele tempo, o judaísmo tinha muito a oferecer, no sentido de coisas tangíveis, materiais, e de aparência externa. Tais coisas, talvez dissessem os judeus, provavam que o judaísmo era superior, e que o cristianismo era tolice. Ora — disseram eles a Jesus — como pai, a nação possuía Abraão, a quem foram dadas as promessas. (João 8:33, 39) Moisés, a quem Deus falara “boca a boca”, era o grande servo e profeta de Deus. (Núm. 12:7, 8) Os judeus tinham a Lei, e as palavras dos profetas, desde o início. Não provaria esta própria antiguidade que o judaísmo era a religião verdadeira? — talvez perguntassem. Na inauguração do pacto da Lei, Deus falara por meio de anjos; com efeito, a Lei fora transmitida mediante anjos, pela mão do mediador, Moisés. (Atos 7:53; Gál. 3:19) Nessa ocasião, Deus realizara espantosa demonstração de poder, ao fazer estremecer o monte Sinai; o alto som duma buzina, fumaça, trovões e relâmpagos acompanharam tal gloriosa demonstração. — Êxo. 19:16-19; 20:18; Heb. 12:18-21.
Além de todas estas coisas antigas, lá estava o magnífico templo, com seu sacerdócio instituído por Jeová, cumprindo diariamente seus deveres, com muitos sacrifícios. Tais coisas eram acompanhadas pela riqueza das vestes sacerdotais, e pelo esplendor dos ofícios realizados no templo. ‘Não havia Jeová ordenado que os sacrifícios pelo pecado fossem trazidos ao santuário, e o sumo sacerdote, o descendente de Arão, irmão do próprio Moisés, não entrava no Santíssimo, no Dia da Expiação, com um sacrifício pelos pecados de toda a nação? Nessa ocasião, não se dirigia, de forma representativa, à própria presença de Deus?’, talvez argumentassem os judeus. (Lev., cap. 16) ‘Ademais, não era o reino uma possessão dos judeus, um deles (o Messias, que viria posteriormente, como diziam) devendo sentar-se no trono, em Jerusalém, para governar?’
Se a carta aos hebreus estava sendo escrita para habilitar os cristãos a responder às objeções realmente suscitadas pelos judeus, então tais inimigos do cristianismo haviam argumentado da seguinte forma: O que possuía esta nova “heresia”,- que pudesse indicar como evidência de sua genuinidade, e de ter o favor de Deus? Onde estava seu templo e seu sacerdócio? Com efeito, onde estava seu líder? Teve ele alguma importância entre os líderes daquela nação durante sua vida — este Jesus, um galileu, filho dum carpinteiro, sem nenhuma instrução rabínica? E não sofreu uma morte ignominiosa? Onde estava seu reino? E quem eram seus apóstolos e seguidores? Simples pescadores e coletores de impostos. Ademais, a quem o cristianismo atraía, na maior parte? Os pobres e humildes da terra, e, o que era pior, gentios incircuncisos, e não os da semente de Abraão, é que eram aceitos. Por que deveria alguém depositar sua confiança neste tal de Jesus Cristo, que fora morto como blasfema- dor e sedicioso? Por que ouvir aos discípulos dele, homens iletrados e comuns? — Atos 4:13.
A superioridade do sistema de coisas cristão
Alguns dos cristãos imaturos talvez negligenciassem sua salvação mediante Cristo. (Heb. 2:1-4) Ou, talvez tivessem sido influenciados pelos judeus descrentes que os rodeavam. O apóstolo, indo ajudá-los com magistrais argumentos, utilizando as Escrituras Hebraicas, em que os judeus afirmavam confiar, mostra irrefutavelmente a superioridade do sistema de coisas cristão, e do sacerdócio e da realeza de Jesus Cristo. Demonstra biblicamente que Jesus Cristo é o Filho de Deus, maior do que os anjos (1:4-6), do que Abraão (7:1-7), do que Moisés (3:1-6), e do que os profetas. (1:1, 2) Efetivamente, Cristo é o herdeiro designado de todas as coisas, coroado de glória e de honra, e designado sobre as obras provenientes das mãos de Jeová. — 1:2; 2:7-9.
Quanto ao sacerdócio, o de Cristo é muitíssimo superior ao sacerdócio arônico da tribo de Levi. Depende, não da herança da carne pecaminosa, mas dum juramento de Deus. (Heb. 6:13-20; 7:5-17, 20-28) Por que, então, suportou ele tamanhas dificuldades e padeceu uma morte tão sofrida? Isto foi predito como sendo essencial para a salvação da humanidade, e para habilitá-lo qual Sumo Sacerdote, e como Aquele a quem Deus sujeitará todas as coisas. (2:8-10; 9:27, 28; compare com Isaías 53:12.) Teve de tornar-se de sangue e carne, e morrer, a fim de emancipar todos aqueles que, devido ao temor da morte, estavam em escravidão. Por meio de sua morte, conseguirá reduzir a nada o Diabo, algo que nenhum sacerdote humano poderia fazer. (2:14-16) Ele, tendo assim sofrido, é um Sumo Sacerdote que pode mostrar comiseração para com nossas fraquezas, e pode vir ajudar-nos, tendo sido provado em todos os sentidos. — 2:17, 18; 4:15.
Ademais, argúi o apóstolo, este Sumo Sacerdote “passou pelos céus” e compareceu à própria presença de Deus, não numa simples tenda ou edifício terrestre, que era mero símbolo de coisas celestes. (Heb. 4:14; 8:1; 9:9, 10, 24) Precisava comparecer apenas uma vez com seu sacrifício perfeito, sem pecado, e não vez após vez. (7:26-28; 9:25-28) Não tem sucessores, como tinham os sacerdotes arônicos, mas vive para sempre, para salvar completamente aqueles a quem ministra. (7:15-17, 23-25) Cristo é Mediador do pacto melhor, predito mediante Jeremias, sob o qual os pecados podem realmente ser perdoados, e purificadas as consciências, coisas que a Lei jamais poderia consumar. As “Dez Palavras”, as leis básicas do pacto da Lei, foram escritas em pedra; a lei do novo pacto o foi nos corações. Esta palavra profética de Jeová, mediante Jeremias, tornava obsoleto o pacto da Lei, devendo desaparecer com o tempo. — 8:6-13; Jer. 31:31-34; Deut. 4:13; 10:4.
É verdade, continua o escritor de Hebreus, que assombrosa demonstração de poder foi feita no Sinai, patenteando a aprovação de Deus sob o pacto da Lei. De forma muito mais vigorosa, porém, Deus deu testemunho na inauguração do novo pacto, com sinais, portentos e obras poderosas, junto com as distribuições de espírito santo a todos os membros da congregação que estavam reunidos. (Heb. 2:2-4; compare com Atos 2:1-4.) E, quanto à realeza de Cristo, seu trono está nos próprios céus, estando muito mais alto do que o dos reis da linhagem de Davi, que se sentavam no trono lá na Jerusalém terrestre. (1:9) Deus é o alicerce do trono de Cristo, e o reino dele não pode ser abalado, como o foi o reino em Jerusalém em 607 A.E.C. (1:8; 12:28) Ademais, Deus ajuntou seu povo diante de algo muito mais assombroso do que a demonstração miraculosa que foi feita no monte Sinai. Ele fez com que os cristãos ungidos se acercassem do monte Sião, celeste, e ainda abalará, não só a terra, mas também o céu. — 12:18-27.
A carta aos hebreus é de inestimável valor para os cristãos, e é forte encorajamento para terem fé, esperança, amor e perseverança. Sem tal carta, muitas das realidades a respeito de Cristo, conforme prefiguradas pela Lei, ficariam obscuras. À guisa de exemplo, os judeus sempre souberam, pelas Escrituras Hebraicas, que, quando seu sumo sacerdote entrava no compartimento Santíssimo do santuário, a favor deles, estava representando-os perante Jeová. Jamais, porém, avaliaram a seguinte realidade: que, algum dia, o verdadeiro Sumo Sacerdote compareceria realmente nos céus, na presença do próprio Jeová! E, ao lermos as Escrituras Hebraicas, como poderíamos depreender o tremendo significado do relato do encontro de Abraão com Melquisedeque, ou saber de forma tão clara o que tipificava este rei-sacerdote? Isto, naturalmente, para citarmos apenas dois exemplos de muitas das realidades que chegamos a visualizar pela leitura desta carta.
A fé, que tal carta consolida, ajuda os cristãos a apegar-se à sua esperança por meio da “demonstração evidente de realidades, embora não observadas”, e a continuarem aguardando o “lugar melhor, isto é, um pertencente ao céu”. (Heb. 11:1, 16) Numa época em que muitas pessoas confiam na antiguidade, na riqueza material e no poder de organizações, e no esplendor de ritos e cerimônias, e se voltam para a sabedoria deste mundo, ao invés de para Deus, a carta divinamente inspirada aos hebreus ajuda admiravelmente a tornar o homem de Deus “plenamente competente, completamente equipado para toda boa obra”. — 2 Tim. 3:16, 17.
ESCRITOR, E ÉPOCA E LOCAL EM QUE FOI ESCRITA
A escrita da carta aos hebreus é amplamente atribuída ao apóstolo Paulo. Era aceita como uma epístola de Paulo por alguns escritores primitivos, entre eles Clemente de Alexandria (c. 150-215 E.C.) e Orígenes (c. 185- 254 E.C.). O Papiro Chester Beatty N.º 2 (P46) (do início do terceiro século E.C.) contém Hebreus entre nove das cartas de Paulo, e acha-se alistada entre “quatorze cartas de Paulo, o apóstolo”, em “O Cânon de Atanásio”, do quarto século E.C.
O escritor de Hebreus não se identifica pelo seu nome. Muito embora todas as suas outras cartas contenham seu nome, esta falta de identificação do escritor não eliminaria obviamente a Paulo. A evidência interna da carta aponta fortemente para Paulo como seu escritor, e o local da escrita como sendo a Itália, provavelmente Roma. (Heb. 13:24) Foi em Roma, durante os anos 59 a 61 E.C., que Paulo foi primeiramente encarcerado. Timóteo estava com Paulo em Roma, sendo mencionado nas cartas do apóstolo aos filipenses, aos colossenses e a Filêmon, escritas de Roma durante esse encarceramento. (Fil. 1:1; 2:19; Col. 1:1, 2; Filêm. 1:1) Esta circunstância se ajusta à observação feita em Hebreus 13:23 sobre Timóteo ser solto da prisão, e do desejo do escritor de visitar Jerusalém em breve.
A época da escrita foi antes da destruição de Jerusalém em 70 E.C., pois o templo de Jerusalém ainda estava de pé, sendo realizados ofícios ali, como é evidente pelo argumento usado na carta. E o comentário de Paulo, sobre Timóteo ser solto, fixa razoavelmente a época da escrita cerca de nove anos antes, a saber, em 61 E.C., quando se pensa que o próprio Paulo foi solto de seu primeiro encarceramento.
ESBOÇO DO CONTEÚDO
I. Posição superior de Cristo (1:1 a 3:6)
A. É herdeiro de todas as coisas, e aquele por meio de quem Deus fez os sistemas de coisas (1:1, 2)
B. É melhor do que os anjos (1:3-14)
1. Por ser o Filho de Deus (1:3-7)
2. Como Rei de Deus para sempre (1:8-12)
3. Por ser exaltado à destra de Deus; anjos apenas servos (1:13, 14)
C. Devemos prestar atenção excepcional às coisas faladas por Deus mediante Cristo (2:1-18)
1. Não se pode fugir da retribuição se negligenciarmos a salvação mencionada através dele, e com o testemunho de Deus (2:1-4)
2. Vindoura terra habitada ficará sujeita a Cristo, que, embora temporariamente feito menor do que os anjos, é agora exaltado, por ter provado a morte por todo homem (2:5-9)
3. Ê Principal Agente de Deus para salvação (2:10-18)
a. Teve de tornar-se de sangue e carne, dai, morrer, a fim de reduzir o Diabo a nada, e emancipar ‘todos os que pelo temor da morte estavam sujeitos à escravidão’
b. Não ajuda os anjos, espíritos, mas ajuda a descendência de Abraão, que era de sangue e carne
D. Cristo, como Filho sobre a casa de Deus, é maior do que Moisés, que era simples assistente fiel (3:1-6)
II. Nessa época é possível entrar no descanso de Deus (3:7 a 4:13)
A. Infidelidade dos israelitas no deserto, deixarem de entrar no descanso de Deus, é aviso para cristãos (3:7 a 4:5)
B. Descanso para o qual Josué conduziu Israel não era o verdadeiro ‘descanso de Deus’; ser obediente é necessário para se entrar no descanso sabático que ainda resta para povo de Deus (4:6-9)
C. Cristão precisa descansar de suas próprias obras (egoístas), compreendendo que palavra de Deus discerne “os pensamentos e as intenções do coração” (4:10-13)
III. Superioridade do sacerdócio de Cristo (4:14 a 7:28)
A. Cristo é Sumo Sacerdote designado por Deus, testado, compassivo, “à maneira de Melquisedeque”; “passou pelos céus” (4:14 a 6:3)
1. Devemos apegar-nos à nossa confissão dele e aproximar-nos com franqueza no falar do trono, para obter misericórdia (4:14 a 5:3)
2. Cristo não se glorificou, nem designou a si mesmo; ofereceu súplicas a Deus, foi ouvido graças a seu temor piedoso (5:4-7)
3. Aprendeu a obediência através do sofrimento, tornou-se responsável pela salvação dos obedientes (5:8 a 6:3)
a. Portanto, imaturos devem prosseguir à madureza
b. Treinem poderes perceptivos para distinguir o certo do errado
c. Progridam da doutrina primária até aprenderem coisas profundas sobre Cristo
B. Os que apostatam penduram de novo a Cristo na estaca, não podem ser reavivados ao arrependimento; por isso insta-se com todos para que continuem mostrando diligência e imitando os fiéis, pacientes (6:4-12)
C. Herdeiros da promessa feita por Deus a Abraão, que continuarem a confiar no sacerdócio de Cristo, têm garantida sua esperança (6:13-20)
1. Promessa de Deus e seu juramento são duas coisas imutáveis em que é impossível que Deus minta (6:13-18)
2. Entrada de Jesus como precursor “até o interior da cortina” fornece aos herdeiros da promessa a garantia de realizarem tal esperança (6:19, 20)
D. Cristo maior que Abraão; sacerdócio de Jesus é superior ao sacerdócio levítico (7:1-28)
1. Como o do Rei-Sacerdote Melquisedeque, que abençoou Abraão, e a quem Abraão (e assim Levi, ainda por nascer) pagou dízimos (7:1-10)
2. Perfeição não vem mediante sacerdócio levítico imperfeito; necessária a mudança de sacerdócio, também a mudança de lei (7:11-28)
a. Cristo era da tribo de Judá, não da de Levi
b. Sacerdócio de Cristo não depende de descendência carnal; ele possui vida indestrutível
c. Ele não tem sucessores, é capaz de salvar completamente todos os que se aproximam de Deus mediante ele
d. Sacerdotes levíticos pecaminosos ofereciam diariamente sacrifícios pelos seus próprios pecados e os do povo; Cristo sem pecados se ofereceu uma vez; foi aperfeiçoado para sempre no cargo
IV. Superioridade do novo pacto (8:1 a 10:39)
A. Mediador e Sumo Sacerdote senta-se à destra de Deus nos céus, na “verdadeira tenda”, erguida por Jeová (8:1-3)
B. Serviço sagrado prestado segundo a Lei era apenas típico de coisas celestes (8:4-6)
C. Novo pacto predito mediante Jeremias (8:7-13; Jer. 31:31-34)
1. Por ele, leis de Deus são colocadas na mente e escritas no coração (8:7-12)
2. Propósito declarado de Deus torna obsoleto anterior pacto, “prestes a desaparecer” (8:13)
D. Tenda sagrada e seus ofícios e sacrifícios sob anterior pacto eram sombra e ilustração da época em que estamos agora (9:1 a 10:18)
1. Descrição da tenda terrestre, com mobiliário, utensílios (9:1-5)
2. Só o sumo sacerdote levava sangue ao segundo compartimento, uma vez por ano (9:6-10)
a. Espírito santo mostrava assim caminho para lugar santo, ainda não manifesto então
b. Sacrifícios oferecidos não podiam tornar perfeitos os homens com respeito à consciência
3. Cristo entrou na “tenda” maior, uma só vez, com seu próprio sangue, obtendo livramento eterno e purificando consciência dos crentes (9:11-14)
4. Pacto da Lei inaugurado com sangue animal; novo pacto validado pelo sangue de Cristo (9:15-22)
5. Cristo entrou no próprio céu, apareceu perante Deus (9:23-28)
a. Por um só sacrifício, eliminou pecado de uma vez para sempre
b. Aparecerá uma segunda vez para julgamento e para salvação dos crentes
6. Ineficazes os sacrifícios animais; profecia predizia que era vontade de Deus aboli-los e estabelecer verdadeiro sacrifício mediante Cristo (10:1-10; Sal. 40:6-8)
7. Depois do seu único sacrifício, Cristo sentou-se à direita de Deus até o tempo para inimigos se tornarem seu escabelo (10:11-18)
E. Por este caminho novo e vivo de entrada podiam aproximar-se de Deus, mediante grande Sumo Sacerdote, com corações honestos, consciências limpas (10:19-39)
1. Apeguem-se à declaração pública da fé (10:23)
2. Reúnam-se, encorajando uns aos outros (10:24, 25)
3. Evitem cair na prática deliberada do pecado, que traz destruição (10:26-31)
4. Perseverem pela fé; não retrocedam para destruição (10:32-39)
V. Fé essencial para se agradar a Deus, receber recompensa (11:1 a 12:17)
A. Definição de fé (11:1-3)
B. Exemplos de fé: Abel, Noé, Abraão, Moisés e outros (11:4-40)
1. Homens de fé morreram, não obtiveram cumprimento das promessas (11:4-13)
2. Buscavam lugar melhor, um que pertencia ao céu (11:14-38)
3. Serão aperfeiçoados, mas não à parte dos co-herdeiros de Cristo (11:39, 40)
C. Fé exige disciplina (12:1-17)
1. Cercados por tão grande nuvem de testemunhas, devemos pôr de lado todos os pesos ao correr a corrida, olhando atentamente para Jesus (12:1-3)
2. Não menosprezemos a disciplina de Jeová, que é para nosso bem (12:4-11)
3. Endireitemos nossas veredas, busquemos a paz, santificação (12:12-14)
4. Cuidado para que nenhuma coisa ou pessoa “venenosa” macule outros na congregação (12:15-17)
VI. Superioridade da posição do cristão (12:18-29)
A. Não se chega a um monte literal, mas à Sião celeste e a Jerusalém, à assembléia de anjos, à congregação dos primogênitos, a Deus, o Juiz de todos, e a Jesus, o Mediador (12:18-24)
B. Deus abalará tanto a terra como o céu para remover coisas abaláveis (12:25-27)
C. Cristãos recebem reino que não pode ser abalado (12:28, 29)
VII. Exortações e comentários finais (13:1-25)
A. Conselhos sobre amor fraterno, hospitalidade, conservar honroso o casamento, e confiar em Jeová (13:1-6)
B. Imitem a fé dos que lideram; evitem deixar-se levar por ensinos estranhos (13:7-9)
C. Sofram o vitupério de Cristo, aguardando a cidade que virá (13:10-14)
D. Ofereçam sacrifícios de louvor, façam o bem, partilhem com outros (13:15, 16)
E. Sejam submissos aos que lideram (13:17)
F. Escritor solicita orações dos irmãos, promete visitar Jerusalém, termina com cumprimentos (13:18-25)
Veja o livro “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”, pp. 232-237.
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HébronAjuda ao Entendimento da Bíblia
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HÉBRON
[associação, liga]. Uma cidade antiga, da região montanhosa de Judá, construída sete anos antes de Zoã, no Egito. (Núm. 13:22) Hébron está situada a c. 31 km a S-SO de Jerusalém, e jaz a aproximadamente 915 m acima do nível do mar. Goza da distinção de ser um dos locais mais antigos ainda habitados do Oriente Médio. O nome antigo de Hébron, “Quiriate-Arba” (cidade de Arba) parece ter-se derivado de Arba, seu fundador anaquim. (Gên. 23:2; Jos. 14:15) A cidade e suas colinas próximas há muito são famosas por seus vinhedos, romãzeiras, figueiras, oliveiras, damasqueiros, macieiras e nogueiras. Abençoada com numerosas fontes e poços, Hébron acha-se cercada por quilômetros e mais quilômetros de verde.
Os patriarcas Abraão, Isaque e Jacó passaram parte de sua residência como forasteiros em Hébron. (Gên. 13:18; 35:27; 37:13, 14) Sara morreu ali, e foi sepultada numa caverna da adjacente Macpela. Esta caverna, comprada de Efrom, o hitita, por Abraão, junto com o terreno adjacente, tomou-se um cemitério familiar, onde Abraão, Isaque, Rebeca, Léia e Jacó também foram enterrados. — Gên. 23:2-20; 49:29-33; 50:13.
Na ocasião em que Moisés enviou os doze espias à Terra Prometida, Hébron era habitada pelos descendentes gigantescos de Anaque. (Núm. 13:22, 28, 33) Cerca de quarenta anos depois, Hoão, rei de Hébron, uniu-se a outros quatro reis numa ofensiva contra Gibeão, cidade que fizera a paz com Josué. Os israelitas responderam ao apelo de ajuda de Gibeão e, auxiliados por Jeová, derrotaram os exércitos dos cinco reis que subiram contra Gibeão. Depois disso, estes cinco reis, que se haviam escondido numa caverna, foram executados e seus cadáveres foram pendurados em estacas até à noite. — Jos. 10:1-27.
Ao prosseguir a campanha de Israel no S de Canaã, os habitantes de Hébron, inclusive
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