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  • Equador
  • Anuário das Testemunhas de Jeová de 1989
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  • As Boas Novas Chegam ao Equador
  • Os Primeiros Equatorianos Encontram a Verdade
  • “Resposta à Minha Oração”
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  • Sacrifícios aos Milhares
  • Jovens Aceitam a Verdade
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Anuário das Testemunhas de Jeová de 1989
yb89 pp. 198-252

Equador

NO MEIO da terra, mas longe de seu centro — jaz o Equador, cortado pela linha do equador. Florestas tropicais nas baixadas se contrastam com as “cidades de eterna primavera” nos planaltos da rochosa cordilheira dos Andes. Duas correntes marítimas ao longo da costa do Pacífico disputam um revezamento para alertar o país. A fria Corrente Peruana domina de maio a dezembro, trazendo frio e tempo seco para as regiões centrais. Daí, de janeiro a abril, prevalece a corrente quente chamada El Niño, trazendo calor e umidade, embora refresque o país com novas chuvas sazonais.

O povo equatoriano é tão variado como o é o país em que vivem. Dentre as dezenas de tribos indígenas, talvez a mais conhecida seja a dos otavalos. Geralmente com trança no cabelo, os homens usam um chapéu escuro de feltro e um poncho azul-marinho sobre calça e camisa brancas. Alguns são viajantes internacionais, vendendo no exterior cobertores, xales e ponchos tecidos. Por outro lado, os índios colorados vestem-se escassamente. Os homens se distinguem por um corte de cabelo em forma de tigela, fixado por uma pasta bem alaranjada.

Outro segmento importante da população, os negros, podem traçar suas raízes diretamente à Jamaica ou à África. A Espanha também deixou a sua marca, tanto nas características faciais como na arquitetura, em resultado da influência dos “conquistadores” que vieram em busca de ouro. Acrescente a isso grandes grupos de comerciantes orientais, judeus, árabes e europeus, e terá o Equador de hoje. São pessoas hospitaleiras que geralmente se cumprimentam com um aperto de mãos e um caloroso sorriso. Essa cordialidade ajudou a muitas delas a aceitar uma mensagem que muito enriqueceu a sua vida.

As Boas Novas Chegam ao Equador

Foi em 1935 que as boas novas do Reino de Deus foram ouvidas pela primeira vez no Equador, pelo menos por alguns. Naquele ano, duas Testemunhas de Jeová a caminho do Chile, Theodore Laguna e seu companheiro, passaram dez meses pregando aqui. Daí, em 1946, chegou à cidade portuária de Guayaquil um grupo de missionários da Escola de Gileade designados para o Equador. Eram Walter e Willmeta Pemberton e Thomas e Mary Klingensmith.

Depois de cuidarem das necessárias formalidades legais, esses primeiros missionários logo estavam a caminho da capital, Quito, localizada num planalto de cinzas vulcânicas a uns 3.000 metros acima do nível do mar. Visto que não havia estradas trafegáveis que levassem a tal atitude, eles foram de trem de Guayaquil a Quito. Recordando essa viagem, disseram: “Éramos felizardos de não ter de viajar sobre o teto ou dependurados do lado do trem, como muitos. Não poucos carregavam bananas, abacaxis e galinhas para vender mais adiante ao longo do percurso.”

Para vencer a subida íngreme sobre o que se chamava Nariz do Diabo, o trem avançava laboriosamente sobre uma série de linhas de retrocesso. O trem vencia a subida íngreme numa direção até certo ponto, parava, e daí ia de marcha à ré pela próxima secção do ziguezague. Isto foi feito repetidas vezes, até chegarem ao topo. Depois de dois dias, ao cair da tarde, aproximaram-se de seu destino. Tomados de espanto viram picos vulcânicos cobertos de neve, o mais notável sendo o Cotopaxi — um dos mais altos vulcões ativos do mundo, com 5.897 metros de altitude.

Começava a verdadeira vida missionária. Primeiro, alugar uma casa. O alimento era comprado diariamente, pois não havia geladeira. Usava-se um fogão a lenha para cozinhar. Como se lavava a roupa? Não com uma lavadora automática. Era esfregada à mão, peça por peça, numa tábua de lavar. Mas, como disse um dos missionários: “Não me lembro de a gente ter-se queixado muito. Simplesmente íamos em frente com a obra de pregação.”

Isto também era um desafio, porque o seu espanhol era muito limitado. Não obstante, com fé em Jeová, começaram a ir de casa em casa com cartão de testemunho, discos, e muitos sinais de linguagem de invenção própria. Os bons resultados não demoraram a aparecer.

Os Primeiros Equatorianos Encontram a Verdade

Certa noite, quando Walter Pemberton passava por uma estreita rua secundária em Quito, para fazer o reconhecimento do território, um menino correu em sua direção e perguntou-lhe as horas; daí, voltou correndo e entrou por um vão de porta. Dando uma espiada lá dentro, Walter viu um homem fabricando um par de sapatos. Walter se apresentou, em seu sofrível espanhol, explicando ser um missionário, e perguntou ao homem se ele tinha interesse pela Bíblia. “Não, mas tenho um irmão que está muito interessado”, respondeu. Tratava-se de Luis Dávalos, um adventista que começava a ter sérias dúvidas a respeito de sua religião.

Cedo na manhã seguinte, Walter visitou Luis. Walter relata: “Com o pouco de espanhol que eu conhecia, expliquei-lhe o propósito de Deus de fazer da terra um paraíso em que a humanidade viveria para sempre sob o Reino de Deus.”

Ouvindo isso, Luis replicou: “Como é possível? Jesus disse que iria para o céu preparar-lhes um lugar.”

Walter mostrou-lhe que Jesus tinha em mente um pequeno rebanho e que esse pequeno rebanho era limitado a 144.000. (Luc. 12:32; Rev. 14:1-3) Explicou também que Jesus falou de outras ovelhas que não são desse aprisco mas que teriam a esperança de viver aqui na terra. — João 10:16.

“Toda a minha vida sempre me ensinaram que todos os bons vão para o céu”, disse Luis. “Preciso de mais prova a respeito desse grupo terrestre.” Assim, examinaram juntos outros textos, depois do que Luis exclamou: “É a verdade!” — Isa. 11:6-9; 33:24; 45:18; Rev. 21:3, 4.

Luis parecia um homem morrendo de sede num deserto, mas seu anseio era pelas águas da verdade. Imediatamente quis saber o que a Bíblia ensina sobre a Trindade, a imortalidade da alma, o inferno, e outras doutrinas. Desnecessário é dizer que Walter só pôde sair de lá tarde naquela noite. Logo no dia seguinte Luis dava testemunho a todos os seus amigos, dizendo-lhes: “Encontrei a verdade!”

“Resposta à Minha Oração”

Por volta dessa época, Ramón Redín, um dos fundadores do movimento adventista no Equador, também ficou desiludido com a sua religião. Dissensões no seio da igreja o incomodavam. Na realidade, Ramón duvidava das religiões em geral. Certo dia, orou a Deus: “Por favor, mostra-me a verdade. Se o fizeres, servir-te-ei fielmente pelo resta da vida.”

Pouco depois disso, um amigo seu, Luis Dávalos, disse-lhe que tinha algo muito importante para lhe dizer. “Ramón, você sabia que os Adventistas do Sétimo dia não têm a verdade?” Ramón respondeu: “Luis, aprecio a sua preocupação para comigo, mas o fato é que religião alguma ensina a verdade da Bíblia, e, por isso, não estou interessado em nenhuma delas.” Mesmo assim Ramón ficou com uma revista A Sentinela, e o endereço do lar missionário, e prometeu que pelo menos falaria com os missionários para ver se poderiam responder às suas perguntas. A sua aparente indiferença não espelhava os seus verdadeiros sentimentos; ele tinha um profundo desejo de descobrir se existia tal coisa como verdadeiro cristianismo. Assim, ao sair da casa de seu amigo, ele passou duas horas procurando o lar missionário.

Walter Pemberton, que ainda lutava para aprender espanhol, fez o que pôde para responder às perguntas de Ramón, tais como: “Dão as Testemunhas de Jeová às pessoas a liberdade de raciocinar à base das Escrituras?” Walter respondeu: “Não obrigamos a ninguém a agir contra a sua consciência. Desejamos que as pessoas raciocinem à base das Escrituras, que é a maneira de chegarmos a conclusões corretas.”

“Mas, as Testemunhas de Jeová guardam o sábado?”, perguntou Ramón. “Seguimos o que a Bíblia diz sobre o sábado”, respondeu Walter. — Mat. 12:1-8; Col. 2:16, 17.

Surpreendentemente, apesar do limitado inglês de Ramón e do fraco espanhol de Walter, a verdade começou a se cristalizar na mente de Ramón. Ramón se lembra: “Fiquei tão impressionado naquela primeira hora que me lembro de ter dito a mim mesmo: ‘Isto deve ser a resposta à minha oração!’”

As palestras continuaram nos dias seguintes. Walter lia os textos na sua Bíblia em inglês e Ramón acompanhava na sua em espanhol. Quinze dias depois da visita inicial, Ramón Redín, junto com Luis Dávalos e três outros equatorianos, estavam entre os integrantes do primeiro grupo organizado de testemunho no Equador. Deus atendera à sua oração em que pedira que lhe mostrasse a verdade, e o irmão Redín tem feito o máximo para cumprir o seu voto de servir fielmente a Deus pelo resto da vida. Agora com 87 anos, serve prazerosamente como pioneiro especial.

Pedro Acha a Resposta

Esse grupo pequeno, mas rapidamente crescente, logo recebeu a adesão de um homem jovem que há 17 anos procurava a verdade. Quando ele, Pedro Tules, tinha 10 anos, ouviu um padre tentar explicar a Trindade. Não entendendo o assunto, Pedro perguntou-lhe como era possível que três pessoas fossem um só deus. A resposta do padre foi uma reguada na cabeça e uma série de insultos. Pedro disse a si mesmo: ‘Algum dia descobrirei toda a verdade sobre isso.’

Por fim, depois de se associar por algum tempo com os adventistas, ele passou a assistir a reuniões das Testemunhas de Jeová. O “mistério” da Trindade foi quase que instantaneamente solucionado. Ele aprendeu que não se tratava de um mistério, mas sim de uma falsidade. Jesus Cristo não é, como alguns dizem, “Deus Filho”, mas sim “o Filho de Deus”. (João 20:31) Ficou impressionado com o fato de que todas as Testemunhas pregam de casa em casa, um trabalho que ele já tentara convencer os adventistas a fazer. Ele cria que esse método de evangelização era necessário para se seguir o exemplo dos apóstolos. (Atos 5:42; 20:20) Mesmo assim, Pedro não se decidia, quanto à religião.

Por quatro ou cinco meses ele continuou a assistir às reuniões dos adventistas, ao passo que também se associava com as Testemunhas. Por fim, Walter Pemberton disse-lhe: “Pedro, você tem de tomar uma decisão. Se os adventistas estão certos, então, vá com eles. Mas, se as Testemunhas de Jeová têm a verdade, então, apegue-se a elas. A verdade deve estar acima de tudo.” — Compare com 1 Reis 18:21.

“Isso me ajudou a tomar a melhor decisão da minha vida”, diz Pedro, “e assim fui batizado em símbolo de minha dedicação em 10 de agosto de 1947”. No ano seguinte Pedro começou a trabalhar de pioneiro e tem continuado fielmente no serviço de tempo integral desde então. Foi o primeiro equatoriano a cursar a Escola de Gileade, depois do que retornou ao Equador para ajudar na obra aqui.

Mais Ajuda da Sede

Em 1948, a obra de pregação teve um verdadeiro ímpeto quando mais 12 missionários foram designados para o Equador, seis destes para Quito e os outros seis para a maior cidade e principal porto do país, Guayaquil. Albert e Zola Hoffmann estavam entre os que foram enviados a Guayaquil. Nunca antes haviam visto tantas pessoas curiosas e interessadas! Albert Hoffman descreve isso da seguinte maneira:

“Domingo de tarde fizemos o nosso primeiro trabalho de testemunho em grupo ao longo da margem do rio, onde normalmente havia pessoas. Usamos o fonógrafo com os discos em espanhol. Primeiro dizíamos às pessoas que tínhamos uma maravilhosa e importante mensagem, e daí ligávamos o fonógrafo. Logo juntava-se muita gente para ouvir.”

Similarmente, quando os missionários trabalhavam com as revistas nas ruas, se ficassem parados nas movimentadas áreas comerciais, eram prontamente rodeados por uma multidão amistosa. Alguns faziam perguntas e outros queriam revistas. Isto era uma experiência emocionante para esses novos missionários, ainda mais porque não estavam acostumados a ver um interesse tão efusivo.

Uma ocasião especialmente lembrada por aqueles primeiros missionários ocorreu em março de 1949. O que foi? A primeira visita de zona ao Equador, feita pelo irmão N. H. Knorr, presidente da Sociedade Torre de Vigia, e seu secretário, M. G. Henschel. Em Quito, 82 pessoas vieram para ouvir o discurso: “É Mais Tarde do Que Imagina!” O mesmo discurso foi programado para Guayaquil. Observando o entusiasmo dos novos missionários em anunciar o discurso, o irmão Knorr disse: “Não fiquem desanimados se poucos vierem.” Afinal, eles trabalhavam ali por apenas dois meses e meio. Mas, todo mundo ficou surpreso com o comparecimento de 280 pessoas, e um incontável número ouviu o discurso pelo rádio.

Terremoto Muda a Designação Missionária

Em 1949, pareceu apropriado começar a dirigir a atenção a algumas cidades em volta de Quito, no planalto andino. Foi escolhida a de Ambato. Contudo, em agosto, essa cidade central bem como outras menores nas cercanias, foram atingidas pelo mais destrutivo terremoto que esse país já tivera em gerações. Vilarejos inteiros desapareceram. Calculou-se que mais de 6.000 pessoas perderam a vida. Ambato estava em ruínas.

A destruição foi tão grande que no ano seguinte ainda não havia lugares apropriados para os missionários morar. Assim, decidiu-se que seriam enviados a Riobamba, a próxima cidade, em direção ao sul. Jack Hall e Joseph Sekerak receberam a tarefa de abrir esse território virgem. Mas, o progresso era lento nessa cidade isolada e muito católica.

Aplicavam o Que Aprendiam

Certo dia, ao dar testemunho em Riobamba, Jack colocou o livro “Seja Deus Verdadeiro” com César Santos, um jovem casado. Ele ficou tão empolgado pelo que lia que não conseguiu largar o livro naquela noite até lê-lo de ponta a ponta. O capítulo que causou uma reação imediata foi: “O Uso de Imagens na Adoração.” Ele leu: “Não terás outros deuses diante de mim. Não farás para ti imagem de escultura . . . Não te encurvarás a elas nem as servirás.” (Êxo. 20:3-5, Almeida) Acontece, porém, que César tinha devoção especial a Santo Antonio, um santo católico, e tinha uma imagem dele em sua casa. Mas, com a continuação da leitura, César olhou com ar irritado para essa imagem de seu ex-santo preferido e disse: “Vou te tirar daí já já.” Terminou de ler o capítulo, ergueu-se, agarrou a imagem, levou-a para fora e deu fim nela.

Quando passou a falar a seus parentes e amigos a respeito do que aprendera, estes pensavam que ele havia enlouquecido. Contudo, uma semana depois ele visitou seu irmão mais novo, Jorge, e pediu-lhe que lesse o livro. Jorge ficou impressionado com a sua lógica, e sentiu-se profundamente sensibilizado pela perspectiva de uma terra paradísica. Um mês depois ele já acompanhava os missionários no serviço de campo.

Mas, Jorge ainda tinha algumas coisas a aprender. Certo dia, ele estava comendo quando Jack Hall o visitou. A mãe de Jorge servia sangue frito, um prato comum nessa parte do país. Ao lhe ser oferecido, Jack polidamente recusou e aproveitou a oportunidade para explicar o que a Bíblia diz sobre o sangue. (Gên. 9:4; Atos 15:28, 29) Jorge acatou prontamente. Para surpresa de sua mãe, recusou-se a terminar de comer a porção que restava no prato.

Logo outros membros dessa família também se beneficiaram com a verdade.

Decididas a Servir a Deus

Orffa, cunhada de César, de 18 anos, certa vez pedira a um padre católico que lhe dissesse quem criou Deus. Ele não sabia, de modo que ela perguntou a um pastor evangélico. Este também não sabia responder. Daí, ela perguntou a César, e este lhe explicou à base da Bíblia que Jeová não tem princípio nem fim. (Sal. 90:2) Esta verdade simples bastou para acender em Orffa uma chama de interesse que se espalhou para suas duas irmãs. Apesar de forte oposição familiar, ela e sua irmã mais nova, Yolanda, passaram a estudar a Bíblia e a secretamente assistir às reuniões. Por causa disso, seus pais as surravam toda vez que voltavam das reuniões.

Até então a esposa de César, Lucía, irmã de Orffa, era indiferente para com a urgente mensagem da Bíblia. Daí, certo dia, Orffa a repreendeu, dizendo: “Veja só o que eu tenho de suportar por causa da verdade!”, descendo nas costas o vestido, para mostrar os vergões e os hematomas. Dali em diante, Lucía progrediu rapidamente.

No ínterim, o padre mandara que a mãe de Orffa a expulsasse de casa, e a mãe obedeceu. Contudo, isso resultou em bênção. Agora independente, Orffa passou a preparar-se para o batismo, junto com Lucía. Na assembléia seguinte, quem melhor do que Yolanda, a irmã mais nova delas, para juntar-se a elas entre os candidatos ao batismo! Sem se preocupar em como seria recebida ao voltar para casa, ela viajara mais de 150 quilômetros de ônibus para ser batizada junto com suas irmãs. As três ficaram de pé lado a lado e expressaram a sua determinação de servir a Jeová custasse o que custasse!

Protesto Contra a Oposição Clerical

Com a chegada de mais missionários no início dos anos 50, a pregação das boas novas rapidamente começou a se expandir para as cidades isoladas na baixa região costeira — Manta, La Libertad, Milagro, Machala, e outras. O rápido crescimento, e os grandes grupos de publicadores que participavam no ministério, alarmaram a Igreja Católica. Era um território que ela conquistara com a ajuda dos “conquistadores”, e não se dispunha a tolerar rivalidade alguma. Por outro lado, os cristãos verdadeiros têm o apoio do invencível espírito de Jeová, e intensidade alguma de perseguição pode apagar o seu desejo ardente de difundir as boas novas do Reino de Deus. Qual foi o desfecho?

Pedro Tules se recorda: “Nos subúrbios de Quito, numa região chamada Magdalena, depois que o padre instigara uma turba contra nós, um homem se aproximou e disse: ‘Sr. Padre, o que é que o senhor está fazendo aqui?’ O padre respondeu: ‘Estou protegendo meu rebanho dessa gente. Eu sou o único que tem o direito de ensinar-lhes a respeito de Deus.’ O homem respondeu: ‘Não, o senhor tem o direito de ensinar na igreja, mas aqui fora, nas ruas e nas praças, eles têm total liberdade de ensinar a Bíblia. Não estão prejudicando a ninguém. Eu não conhecia essas pessoas antes, mas quero que todos saibam que são bem-vindas em minha casa a qualquer hora.’”

Em outra comunidade perto de Quito, o padre tentou expulsar as Testemunhas da cidade. Ao cruzarem uma ponte, o padre e a sua turba ameaçaram jogar os publicadores no rio. Justamente nesse instante surgiu um homem a quem Pedro visitara várias vezes. “Olá, Pedro”, disse ele. “O que é que se passa por aqui?”

Em resposta, Pedro disse: “Estávamos pacificamente ensinando a Bíblia ao povo, mas esse homem instigou as pessoas contra nós e nos está expulsando da cidade.”

Diante disso, o homem sacou um revólver, aproximou-se do padre, e gritou: “Ei! o que é que o senhor está fazendo? Não sabe que essas pessoas têm os mesmos direitos que o senhor? O que o senhor está fazendo é uma violação da lei.” Quando o padre tentou justificar as suas ações, o homem replicou: “O que aconteceu aqui vai aparecer amanhã em El Comercio!” Acontece que esse homem trabalhava para esse jornal e, fiel à sua promessa, a conduta anti-cristã do padre foi manchete no principal jornal de Quito no dia seguinte.

O Governo Adverte os Opositores

Alfred Slough lembra-se de outro incidente que ocorreu quando era missionário: “Um sujeito ‘valentão’ fingiu interesse, mas daí arrancou um exemplar de A Sentinela das mãos de uma missionária e orgulhosamente rasgou-a em pedaços. Nesse momento percebi o padre vindo de bicicleta, com a batina esvoaçando, aproximando-se rapidamente para constatar a nossa presença.

“Logo depois de sua chegada formou-se uma turba, encabeçada pelo homem que rasgara A Sentinela e ajudado por duas freiras. Os demais eram na maioria jovens, que enchiam seus bolsos de pedras. Em grupo, passamos a caminhar lentamente para cruzar os vários quarteirões que nos separavam do ponto de ônibus, com a turba bem atrás de nós. Durante essa caminhada tensa, eles se contentaram em atirar pedras pequenas em nós. Felizmente, ninguém ficou gravemente ferido. Quando o ônibus parou, a turba por fim teve um grande ímpeto de coragem e atacou, atirando pedras maiores ao se aproximarem. Quando chegaram perto do ônibus, todas as irmãs e os jovens há haviam embarcado, assim, entrei no ônibus. Partimos debaixo de uma chuva de pedras e de lama atirados para dentro do veículo, enquanto moradores dessa região que também estavam no ônibus gritavam iradamente para a turba, chamando-a de selvagens. As pessoas no ônibus bondosamente nos cederam o lugar e nos ajudaram a limpar a lama, mostrando assim que o que ocorrera era a ação de apenas uns poucos mal orientados, que cumpriram cegamente a vontade do padre. Tivemos excelente oportunidade de dar testemunho, durante todo o percurso até a cidade.”

A reação da imprensa foi imediata, com manchetes assim: “PADRE INSTIGA CRIME”, “FANÁTICOS ATACAM MEMBROS DA SEITA TESTEMUNHAS DE JEOVÁ EM MAGDALENA”, “INTOLERÂNCIA RELIGIOSA”.

Naturalmente, o padre negou ter participado na ação da turba, dizendo que estava em outra parte do bairro. Algumas sociedades e comissões católicas dessa região também fizeram um abaixo-assinado declarando sua inocência. Mas, o Ministério do Governo ordenou que o chefe de polícia respondesse: “A Constituição e as leis da República permitem liberdade de religião, e, por essa razão, nós, como autoridades, somos obrigados a atentar para que os direitos dos cidadãos não sejam ameaçados. . . . Recomenda-se que doravante não se repitam incidentes similares a esse que ocorreu no dia seis deste mês, senão, esta autoridade será obrigada a punir os responsáveis de acordo com a lei.”

Não obstante, havia de vir mais fustigação, pois a Igreja não estava disposta a deixar escapar seus cativos.

A Difícil Cidade de Cuenca

Cuenca, a terceira maior cidade do Equador, com 152.000 habitantes, era uma autêntica fortaleza da Igreja Católica. Visto que a população ainda não havia recebido testemunho, Pedro Tules e Carl Dochow, um formado de Gileade mais recente, foram designados para lá em outubro de 1953. Era uma designação muito difícil, e não raro desencorajadora.

Carl lembra-se de uma empregada doméstica fanática que disse, agitadamente: “Vocês não crêem na Virgem.” Quando ele abriu a Bíblia em Mateus 1:23, ela começou a tremer e disse: “Estamos proibidos de ler a Bíblia.” Daí voltou abruptamente para dentro de casa, deixando Carl plantado à porta. Noutra ocasião, certa empregada ouvia com interesse, mas, quando a patroa chegou e viu o que se passava, chutou a pasta de Carl escada abaixo. Ainda noutra ocasião, ele foi expulso de um pátio por um irado morador que brandia um pedaço de pau. Sempre que os missionários davam testemunho na área de San Blas, o padre tocava os sinos da igreja; e quando as crianças vinham correndo, ele as instigava a atirar pedras nos missionários.

Em três anos, nem uma única pessoa em Cuenca teve a coragem de tomar posição em favor da verdade. Muitas vezes Carl caminhava triste ao longo do rio e orava a Jeová para que lhe desse uma designação mais produtiva. Por fim, foi designado para a cidade costeira de Machala, habitada por pessoas tranqüilas e de mentalidade aberta. Contudo, esta não foi a última vez que Cuenca viu as Testemunhas de Jeová.

Motim Violento Numa Assembléia

Riobamba, a cidade a qual Jack Hall e Joseph Sekerak haviam sido enviados em 1950 para abrir o território, estava nas manchetes em 1954. Em março, realizava-se ali uma assembléia de circuito, no Teatro Íris. Tudo ia bem até que um padre jesuíta denunciou as Testemunhas de Jeová pelo rádio e disse que não tinham o direito de realizar assembléia na “cidade católica de Riobamba”. Ele convocou o povo para impedir a realização da conferência pública programada para o dia seguinte. Mas os irmãos alertaram a polícia a respeito dessas ameaças.

O discurso público com o tema “O Amor É Prático Num Mundo Egoísta”, começou na hora marcada, com 130 pessoas presentes. Mas, dentro de dez minutos, podiam-se ouvir à distância gritos de “Viva a Igreja Católica!” e “Abaixo os protestantes!”. A cada minuto o barulho aumentava, à medida que a turba se aproximava do teatro.

Oito policiais bloqueavam a entrada do teatro. Quando a multidão de furiosos opositores aumentou, os policiais puxaram a espada e os fizeram recuar até a esquina próxima; de lá a multidão continuou a atirar pedras na direção da entrada. Apesar dessa comoção, porém, o programa foi realizado até o fim. Apropriadamente, o discurso final foi: “Perseverar Até o Fim.”

Para proteger os que saíam do salão havia uns 40 policiais. Mas, à medida que os irmãos se afastavam da área de proteção policial, a situação se tornava mais tensa. O endereço do lar missionário e do Salão do Reino era bem conhecido, e uma turba ainda maior se concentrava ali. Novamente foi necessário pedir proteção policial. Policiais acompanharam os missionários até a casa e cercaram-na a noite toda. Não podendo atingir as Testemunhas, a turba enlouquecida deu vazão à sua fúria contra o prédio do apartamento, atirando pedras e quebrando praticamente todas as janelas de frente para a rua, provocando revolta nas outras seis famílias que também moravam ali e que não eram Testemunhas de Jeová.

Protesto Nacional Contra a Intolerância

À medida que os irmãos caminhavam pelas ruas no dia seguinte, repetidas vezes eram abordados por pessoas que, apesar de terem pouco interesse na obra das Testemunhas, desejavam expressar sua desaprovação pelo que acontecera na noite anterior. No segundo dia, a nação inteira protestava. Uma onda de artigos de jornal em favor da liberdade de adoração e em defesa dos direitos das Testemunhas de Jeová varreu o país por uma semana inteira.

El Comercio, o jornal de maior prestígio na capital do país, descreveu o ataque e depois trouxe à atenção a Inquisição, o pogrom (movimento popular de violência contra os judeus] de Hitler, e outros acontecimentos selvagens da história.

Um colunista do jornal principal de Guayaquil, El Universo, escreveu sobre “Frutos da Intolerância”, dizendo:

“O que pretendo, neste artigo, é formular uma pergunta direta ao diretor do Colégio de São Felipe, onde ensinam intolerância a ponto de lançar seus jovens alunos num ataque com paus e pedras contra as pacientes . . . Testemunhas de Jeová. O Diretor Reverendo Padre Jesuíta deve responder a essa pergunta, se for um homem capaz de arcar com as conseqüências de seus atos. A pergunta, muito simples, é a seguinte: O que acharia o Diretor se, nos países em que os católicos são minoria as pessoas procedessem da mesma maneira que ele faz com que seus alunos procedam com relação aos protestantes? . . . Os católicos no mundo inteiro, encabeçados pelo Sumo Pontífice, estão pedindo tolerância. Eles a exigem em todas as suas formas; eles a pedem nas Nações Unidas, na Conferência de Berlim e em todos os congressos e em todos os encontros em que o Leste e o Oeste se reúnem. O Santo Pontífice e chefe do catolicismo, em íntima concordância com Churchill (protestante) e Eisenhower (protestante), pede tolerância à Rússia e seus satélites, a liberdade para os arcebispos e cardeais presos . . .

“Que diferença existe entre um grupo de comunistas na Tchecoslováquia que, de paus em punho, ataca católicos que oram num templo e os alunos de São Felipe que, de paus em punho, atacam Testemunhas de Jeová em Riobamba enquanto estas ouvem a um sermão sobre ‘Amor Nesta Era Egoísta’?”

As maldições do padre jesuíta de Riobamba haviam resultado numa bênção, como no caso de Balaão, pois Jeová estava com Seu povo. — Números 22:1-24:25.

Maior Afeição por Cristo

Nessa época, Carlos Salazar, um jovem equatoriano que aprendera a verdade nos Estados Unidos, ingressou no ministério de tempo integral.

Ele tinha apenas 16 anos de idade quando uma pioneira em Nova Iorque deixou com a mãe dele uma Bíblia e o livro “Isto Significa Vida Eterna”, e esta, por sua vez, os entregou a Carlos para que os lesse. Não se interessando por religião, ele os colocou na estante. Mas, certo dia, ao brincar no Central Park, ele quebrou a perna e, assim, teve de ficar retido em casa. Com tempo de sobra, relutantemente aceitou a proposta da pioneira de estudar a Bíblia, mas apenas sob a condição de que ela lhe ensinasse um pouco de inglês. Ele conta: “Quanto mais eu lia o livro, tanto mais me convencia de que era a verdade.”

Logo Carlos passou a assistir a reuniões e a participar no serviço de campo, até mesmo postando-se nas esquinas oferecendo as revistas. A mãe dele lhe dera o livro, sim, mas quando o viu lendo ficou tão irada que ameaçou enviá-lo de volta ao Equador. Ela imaginava que no Equador não houvesse Testemunhas de Jeová. Assim, em 1953, acompanhado de sua tia-avó Rosa, uma devota católica-romana, Carlos voltou para o Equador.

“Carlos, agora que você está de novo no Equador, é preciso que volte a assistir à Missa”, disse sua tia-avó.

Mas Carlos não queria renunciar a algo tão valioso como a esperança de vida eterna. (João 3:36) As palavras de Jesus: “Quem tiver maior afeição pelo pai ou pela mãe do que por mim, não é digno de mim”, tinham para ele verdadeiro sentido. (Mat. 10:37) Ele respondeu: “Tia Rosa, a senhora no momento não entende o que estou fazendo. Mas, agora que estou aqui no Equador, minha intenção é ser Testemunha de Jeová, e a senhora precisa respeitar a minha vontade.”

Depois de ser batizado, em 1954, Carlos começou a trabalhar de pioneiro. Em 1958 tornou-se o segundo equatoriano a ser convidado à Escola de Gileade. Foi designado de volta a seu país, onde continua no ministério de tempo integral. Finalmente, depois de dez anos de paciente testemunho, a tia-avó também aceitou a verdade; e, aos 84 anos, continua como Testemunha ativa.

Corajosas Irmãs Defendem as Boas Novas

Em 1958, duas irmãs formadas da Escola de Gileade também foram enviadas ao Equador. Unn Raunholm, da Noruega, e sua companheira Julia Parsons, da Terra Nova, foram designadas para Ibarra, uma bela cidade aninhada num vale ao norte de Quito. Fez-se ali mais uma valente defesa da liberdade de adoração. A irmã Unn guarda estas vívidas recordações:

“Ao começarmos a cobrir o território na cidade de Ibarra, verificamos que havia cidadezinhas vizinhas em que não podíamos trabalhar, como San Antonio, onde se faziam belas esculturas em madeira, além de muitas imagens religiosas. Assim que o padre sabia de nossa presença, surgia a cavalo ou correndo seguido de um grupo de pessoas e causando tamanha comoção que éramos obrigadas a partir. Assim, decidimos trabalhar noutra cidadezinha próxima, chamada Atuntaqui.

“Certo dia, ao trabalharmos perto da igreja, notamos um grupo de pessoas do lado de fora, mas não prestamos atenção ao que estava acontecendo até que apareceu o delegado local. Era um homem amistoso a quem eu já havia visitado; de fato, ele até mesmo adquirira algumas publicações. Contudo, dessa vez ele excitadamente me instou: ‘Senhorita, por favor, saia imediatamente da cidade! O padre está organizando uma manifestação contra você, e eu não tenho homens suficientes para protegê-la.’ Acontece que o padre de San Antonio fora transferido para Atuntaqui, e voltava a fazer das suas.

“Visto que naquele dia éramos quatro, levou algum tempo para reunir todo mundo a fim de partir. Daí soubemos que ainda havia uma hora para o ônibus com destino a Ibarra partir. Assim, fomos para um hotel, esperando nos refugiar ali até a chegada do ônibus. Ao nos dirigirmos para lá, começamos a ouvir brados. A multidão vinha atrás de nós! A bandeira branca e amarela do Vaticano tremulava perante o grupo enquanto o padre bradava slogans como ‘Viva a Igreja Católica!’, ‘Abaixo os protestantes!’, ‘Viva a virgindade da Virgem!’, ‘Viva a confissão!’. A multidão repetia os slogans palavra por palavra.

“Justamente quando estávamos em dúvida quanto ao que fazer, dois homens se aproximaram e nos convidaram para entrar na Casa do Trabalhador. Esta pertencia ao sindicato, e garantiu-se-nos de que ali ninguém nos faria mal. Assim, enquanto a turba ficou lá fora gritando slogans como ‘Abaixo a maçonaria!’, ‘Abaixo os comunistas!’, nós lá dentro estávamos bem ocupados dando testemunho aos curiosos que vinham ver o que se passava. Colocamos todas as publicações que tínhamos.

“Lembrando o grande interesse que encontráramos em Atuntaqui, decidimos visitá-la novamente, mas dessa vez começando a trabalhar cautelosamente nos arredores da cidade. Contudo, alguém deve ter-nos denunciado, pois os sinos da igreja começaram a tocar freneticamente e logo ouvimos alguém gritar que o padre vinha ao nosso encontro acompanhado de uma turba. O padre se aproximou de mim e disse agitadamente: ‘Senhorita, como se atreve a voltar depois do que aconteceu da última vez?’ Tentei arrazoar, explicando que a constituição do país garante liberdade de religião. ‘Mas esta cidade é minha!’, disse ele. ‘Sim’, respondi, ‘mas eu tenho o direito de falar com essas pessoas, e elas têm o direito de ouvir, se desejarem. Por que o senhor simplesmente não diz ao seu povo que, se não quiserem ouvir, que não abram a porta quando nós os visitarmos? Neste caso, passaremos à casa seguinte’.

“O padre disse então à multidão: ‘Eu sairei desta cidade se essas pessoas derem mais um passo à frente!’ Diante disso, vários dos observadores instaram-nos a continuar a obra e prometeram apoiar-nos contra o padre. Contudo, como não queríamos deflagrar uma guerra civil, decidimos ser melhor partir e voltar outro dia.”

De Volta a San Antonio

“Visto que esse padre inflamado fora transferido para essa cidade, decidimos visitar novamente a outra cidade, San Antonio”, continua a irmã Raunholm. “Depois de algumas visitas, os sinos da igreja começaram a tocar e várias mulheres passaram a se juntar nas ruas com paus e vassouras na mão. Certo morador nos convidou a entrar, e, enquanto falávamos, houve fortes batidas na porta. Era o delegado. Ele instou-nos a sair da cidade, e disse: ‘Vocês sabem o que aconteceu em Atuntaqui, e sabem que não há necessidade de virem aqui pois já somos cristãos.’ Perguntei-lhe se ele achava que investir contra pessoas com paus era atitude de verdadeiros cristãos. Sugeri que saísse e pedisse às pessoas que fossem para casa. Ele concordou em tentar, mas logo voltou dizendo que não queriam obedecê-lo.

“Nisso, um vizinho nos convidou à sua casa para falar à sua família, até mesmo nos escoltando até lá. Uma vez dentro da casa, ouvimos outras batidas na porta, e eram policiais com fuzis. Haviam sido convocados de Ibarra pelo delegado. Disseram: ‘Ouvimos falar de seus problemas. Simplesmente continuem indo de casa em casa, e nós lhes daremos total cobertura.’ Agradecemos-lhes pela sua bondade e sugerimos que fossem falar com o padre local, pois ele era o instigador de tudo.”

Os policiais acataram a sugestão. Daquele dia em diante nossas irmãs não mais tiveram problemas em testemunhar na cidade de San Antonio.

Regiões Costeiras

Dois outros missionários, Ray e Alice Knoch, foram designados para levar a mensagem do Reino a cidadezinhas na costa do Pacífico. Para atingir Manta, um centro pesqueiro de uns 10.000 habitantes, eles viajaram 16 horas de ônibus, saindo de Guayaquil. Tiveram de cruzar rios em que não havia ponte. Às vezes a estrada, invadida pela vegetação, era tão escorregadia que os passageiros tinham de sair e empurrar o ônibus nas subidas íngremes.

Pregar de casa em casa era diferente de tudo a que estavam habituados. Dezenas de crianças curiosas, que nunca haviam visto um estrangeiro, seguiam-nos de casa em casa. Visto que as pessoas acolhiam bem a mensagem da Bíblia, logo formou-se ali uma congregação.

A seguir, Ray e Alice se mudaram para La Libertad, outra cidadezinha pesqueira no litoral. A viagem a esse lugar era por barco de transporte de gado. Ao chegarem, a roupa, a mobília, tudo, cheirava a curral. Mas, ali em La Libertad encontraram Francisco Angus, um homem de origem jamaicana que ouviu atentamente a mensagem. Aceitou um estudo bíblico e em cerca de seis meses ele e sua esposa, Olga, estavam prontos para participar no serviço de campo. Alice diz: “O que me impressionava a respeito de Francisco é que, após trabalhar a noite inteira, ele voltava para casa de manhã, lavava-se, e estava pronto para o serviço de campo.” Mais tarde, junto com a esposa ingressou no serviço de pioneiro, tornou-se superintendente de circuito e hoje serve como membro da Comissão de Filial.

Machala Produz Frutos

No ínterim, Carl Dochow e Nicolas Wesley, outro missionário, começavam a encontrar ouvidos atentos em Machala, a capital da banana no Equador. Joaquín Palas, robusto dono de um bar, ouviu com muito interesse à medida que Carl explicava a esperança de viver no paraíso na terra. Ele aceitou prontamente um estudo. O seu interesse era tão grande que fechava o bar durante o estudo. Ao aprender que não havia inferno de fogo ele ficou tão impressionado que passou a visitar alguns vizinhos para partilhar o que aprendera. Contudo, ficou um tanto desconcertado quando certo vizinho lhe disse: “Joaquín, você devia primeiro limpar a sua própria casa antes de vir falar sobre a Bíblia. Você nem é casado com a mulher com quem vive.”

Quando Joaquín perguntou a Carl o que devia fazer, a resposta foi que devia casar-se legalmente. No dia seguinte, ele e sua companheira procuraram as autoridades para cuidar dos papéis. A seguir, achou que devia mudar de ocupação. Vendeu o bar e passou a fabricar carvão de lenha para sustentar a si mesmo e sua esposa. Mais tarde, ambos ingressaram no serviço de pioneiro.

O Salão do Reino em Machala era uma estrutura modesta, com paredes de ripas de bambu que permitiam a livre entrada da claridade do dia e do ar. Sem os irmãos se aperceberem, certa mulher curiosa — uma vizinha — fizera uma pequena abertura na parede para espreitar o que se passava lá dentro. Durante dois meses ela observou o modo de os irmãos se cumprimentarem e se associarem antes e após as reuniões. Esse ambiente amistoso e amoroso era algo que ela nunca experimentara nas religiões às quais pertencera. O seu desejo era participar disso. Assim, Floricelda Reasco passou a assistir a reuniões e logo tornou-se irmã na fé e daí uma zelosa pioneira.

Severa Oposição em Portovelo

A poucos quilômetros de Machala fica a cidade mineira de Portovelo, aninhada nos contrafortes da cordilheira dos Andes. Ali morava Vicenta Granda, uma devota senhora católica que era uma das mais assíduas freqüentadoras da Missa. Na chamada Semana Santa, ela cumpria rigorosamente um ritual chamado rezar viacruzes. Por sete dias seguidos ela orava diante de 12 pinturas que representavam os sofrimentos de Jesus, desde a sua prisão até a sua morte. Ensinava-se aos devotos que o cumprimento desse ritual concedia-lhes o pleno perdão de todos os pecados cometidos durante o ano.

Bem, Vicenta Granda queria saber mais a respeito de Deus, de modo que adquirira duas Bíblias, as traduções Valera e Torres Amat. Ela já as tinha lido inteiramente duas vezes, e agora tinha muitas perguntas. Quando Alice Knoch visitou a sua casa e ofereceu o livro “Seja Deus Verdadeiro”, ela o adquiriu prontamente e logo ficou tão absorta na sua leitura que esqueceu-se por completo da presença de Alice. Quando esta a revisitou, Vicenta mal podia esperar para fazer suas perguntas. “A ‘Virgem Maria’ teve outros filhos?” “Qual é o nome do Pai? Sempre quis saber, mas o nosso padre diz que Seu nome não é Jeová.” Uns poucos textos na própria Bíblia dela responderam às suas perguntas. Ela ficou satisfeita. (Mat. 13:53-56; Sal. 83:18) Uma visita ocasional do superintendente de circuito e sua esposa deram-lhe ajuda pessoal adicional.

No ínterim, quando o padre viu que ela abandonara a religião católica, ele a excluiu da igreja publicamente. Certo dia, ao ir ao mercado, um grupo de ex-amigos a cercou e pretendiam bater nela por ter abandonado a sua religião. Mas, um corajoso observador chamou a polícia. Era praticamente impossível alguém testemunhar de casa em casa nessa cidade sem ser apedrejado. Mas, Vicenta Granda disse: “Mesmo que me custe a vida, jamais deixarei de estudar a Bíblia!”

Com o tempo, ela mudou-se para Machala, onde era mais fácil progredir espiritualmente. Em 1961 foi batizada e mais tarde naquele mesmo ano tornou-se pioneira e tem estado no serviço de tempo integral desde então.

Mais tarde, Joaquín Palas e sua esposa foram designados para Portovelo como pioneiros especiais. Não sendo exceção, também enfrentaram amarga oposição da parte do padre, que achava que mandava na cidade. Certa vez o padre disse a Joaquín que se ele não saísse da cidade até uma certa data, ele mandaria o povo incendiar a sua casa. Mas, antes que o padre pudesse cumprir a sua ameaça, a própria casa dele pegou fogo!

Apesar dos esforços de parar a obra do Reino nessa cidade, formou-se uma congregação no início dos anos 70, e hoje os nossos irmãos podem reunir-se e realizar o seu trabalho vitalizador pacificamente.

Nem Todos Aceitam a Verdade

Num cenário de extasiante beleza nas encostas ocidentais da cordilheira dos Andes, fica a cidadezinha de Pallatanga. Foi ali que Maruja Granizo entrou em contato com a verdade 24 anos atrás, quando sua irmã a visitou. Ela ficou impressionada com o que ouviu a respeito do ‘fim do mundo’. Mas a sua reação não foi tão favorável assim quando foi-lhe dito que o nome de Deus é Jeová. Não obstante, ainda assim ela queria aprender mais sobre assuntos espirituais. Assim, perguntou ao padre local a respeito da condição dos mortos e da ressurreição. O padre desdenhosamente descartou a pergunta dizendo que o único tipo de gente que cria na ressurreição eram aqueles que tinham pesadelo por terem comido demais. Mas, essa observação sarcástica não apagou o interesse de Maruja.

A sua irmã mais tarde voltou junto com Nancy Dávila, uma jovem irmã de Machala. Nancy tinha modos tão bondosos e amorosos que Maruja sentiu-se movida a dizer a si mesma: ‘Este é o tipo de amigos que eu quero para meus filhos.’ Uma das primeiras perguntas de Maruja foi “Onde estão os mortos? E existe ressurreição?” Maruja lembra-se de que ao ouvir a resposta de que os mortos estão inconscientes na sepultura e esperando uma ressurreição, ficou tão entusiasmada que desejava falar com todo mundo a respeito dessa recém-encontrada verdade. (Ecl. 9:5; João 5:28, 29) Assim, ela convidou Nancy a acompanhá-la na visita a vizinhos, no alto das montanhas.

Mas, como em outras regiões, o padre era como um rei nesses vilarejos. Assim, quando estavam a caminho para visitar o vilarejo natal de Maruja, bem alto nas montanhas, as ordens do padre evidentemente chegaram antes. Numa casa elas foram saudadas com um grande letreiro rabiscado com palavras obscenas.

Numa outra casa, um parente disse: “O padre disse que os que saem por aí pregando devem ser mortos a pauladas e pedradas.” Maruja respondeu “Se vocês me matarem, quem irá para a prisão — vocês ou o padre?”

“Nós”, respondeu o parente.

“Mas, pense em seus filhos”, arrazoou Maruja. “Quem cuidará deles quando vocês forem para a cadeia? O padre não se importa com a quem ele manda que seja morto, porque não é ele quem será chamado às contas por isso. Nós não somos cachorros. Se formos mortos, alguém fará acusações e vocês terão de prestar contas por isso.”

Registro de Perseverança

Depois de ficar dois meses em Pallatanga, Nancy teve de voltar para Machala, e Maruja novamente ficou sozinha com seus quatro filhos e mãe idosa. Todavia, ela sentia urgente necessidade de associar-se com o povo de Jeová. Assim, foi para Riobamba procurar as Testemunhas. Assistiu ali a uma assembléia de circuito e foi batizada.

Por algum tempo ela viajava a Riobamba para se associar, sempre que tivesse suficiente dinheiro. Mais tarde, apesar das ameaças de vizinhos de ferir ou até mesmo matar as Testemunhas, os irmãos de Riobamba passaram a ajudá-la a dar testemunho em Pallatanga.

Os ânimos se acirraram certo dia quando os irmãos de Riobamba programaram a exibição de um filme da Sociedade na praça central de Pallatanga. Tudo estava tranqüilo até a primeira menção do nome Jeová. Subitamente, o povo começou a gritar: “É melhor que Maruja Granizo saia daqui, senão, não nos responsabilizaremos pela sua vida!” Uma pessoa arrancou o lençol que servia de tela para a projeção. Os sinos da igreja começaram a tocar freneticamente, e as pessoas começaram a sair de casa com paus e pedras na mão. Assim, os irmãos rapidamente juntaram seu equipamento e embarcaram no ônibus para deixar a cidade. Quando o ônibus estava saindo, fez-se uma contagem e viu-se que faltava um irmão, Julio Santos! Será que fora pego pela turba?

De repente, viram um homem de grande porte vir correndo em direção do ônibus, liderando a turba, atirando pedras e gritando: “Pauladas e pedradas neles!” Era Julio! A turba de algum modo ficara entre ele e o ônibus; assim, num desesperado ardil de autopreservação, Julio fingiu ser um deles. Ao alcançar o ônibus, pulou a bordo e lá se foram para Riobamba.

Maruja e sua família também pegaram o ônibus, por razões de segurança. Mas uma vez fora da cidade, desembarcaram e rumaram para casa. Como fariam isso? A turba os procurava. Várias vezes tiveram de se esconder, enquanto a turba passava. Finalmente, tarde da noite, chegaram a casa sãos e salvos.

O que resultou de 24 anos de perseverança nesse território isolado? Primeiro, aquele padre que causara tantos problemas em Pallatanga foi expulso 20 anos depois pelos mesmos cidadãos, que o acusaram de imoralidade e roubo. Gradativamente o povo tornou-se mui receptivo à mensagem da Bíblia. Embora funcione ali apenas um pequeno grupo isolado, a própria Maruja dirige 11 estudos bíblicos. Em 1987, usou-se o salão de um grande restaurante para a Comemoração, e 150 pessoas compareceram. Sim, Pallatanga é uma moderna Macedônia, cercada de montanhas de extasiante beleza, suplicando que alguém passe para lá e ajude esse pequeno grupo a pregar as boas novas em seu vasto território.

‘A Única Religião Que Tem a Verdade’

Alguns, como Jorge Salas, que morava em Ibarra, chegaram até mesmo a procurar as Testemunhas de Jeová. Ele lera o livro intitulado La Gran Obra, escrito por um certo Dr. Berrocochea, que na época morava no Uruguai. Entre outras coisas, o livro dizia que a única religião que tinha a verdade eram as Testemunhas de Jeová. Era isso o que Jorge queria. Assim, ele decidiu ir a Quito para procurar as Testemunhas, e se não as encontrasse ali, ele iria a Guayaquil, ou até mesmo ao Uruguai, se necessário.

Em Quito, ele começou a procurar as Testemunhas às cinco e meia da manhã. Depois de se cansar de andar, pegou um táxi. Quando o motorista do táxi ficou cansado de transportá-lo, ele pegou outro. Ao meio-dia o segundo motorista estava com fome e desejava parar. Mas Jorge insistiu que continuassem.

Finalmente alguém mostrou-lhe onde morava uma Testemunha, e de lá ele foi acompanhado até à entrada do lar missionário. Arthur Bonno, o cozinheiro do dia, atendeu a porta de avental e o convidou a entrar. Jorge pensou: ‘Se o cozinheiro é um gringo e está tão bem vestido, como não será o missionário que vai me atender?’ Logo em seguida apareceu para atendê-lo um missionário com fortes feições indígenas. Era Pedro Tules. Novamente ele se perguntou: ‘Que tipo de religião será essa, em que os índios são servidos por pessoas de pele clara?’ Iria descobrir que essa não é a única maneira em que as Testemunhas de Jeová são diferentes. Logo ele mesmo abandonou sua vida imoral, casou-se novamente com sua esposa divorciada e ajudou a ela e a maioria de seus filhos a aceitar a verdade.

Diferentes de Jorge, alguns de início desejavam que as Testemunhas de Jeová fossem embora.

Um Comerciante Polonês

Em Guayaquil, João e Dora Furgala, que emigraram da Polônia, eram donos de uma loja de ferragens que era bem conhecida de todos os construtores, carpinteiros e encanadores da cidade. Zola Hoffman colocou um tratado com Dora, e revisitou-a no fim de semana. Mas João, o marido de Dora, não gostou de ver interrompido seu dia de descanso. Assim, ele adquiriu todos os livros que Zola tinha na bolsa, pensando que isso acabaria com as visitas, pois ela nada mais teria para oferecer-lhes. Contudo, Zola enviou um missionário que falava polonês, e iniciou-se um estudo com Dora.

Mais tarde, quando os Furgalas foram convidados para as reuniões congregacionais, João respondeu: “A Dora pode ir e transmitir-me o que aprende.” João não se entusiasmou a respeito da Bíblia até que sofreu um leve ataque cardíaco e o médico mandou que ficasse de cama por 15 dias. Para ocupar a mente, passou a ler a Bíblia e as publicações. Subitamente, sentiu-se como um homem a quem pela primeira vez se abriam os olhos. Todo dia ele chamava sua esposa e dizia: “Ei! Veja! Descobri algo novo!” Logo ambos foram batizados. Mas, por causa da loja, daria João realmente prioridade ao serviço de Jeová?

Para João Furgala, ser um conhecido comerciante não era desvantagem, pois não se envergonhava das boas novas. (Mat. 10:32, 33) Junto com ferramentas e outros materiais, ele montou um atraente mostruário das publicações da Torre de Vigia. Enquanto seu ajudante atendia um freguês, João dava-lhe testemunho. Naquele tempo era costumeiro dar uma comissão ao cliente que comprasse uma certa quantidade de material. João, porém, oferecia uma assinatura grátis de nossas revistas. Não era incomum fazer 60 ou mais assinaturas por mês.

Um Político Aceita a Verdadeira Justiça

Pessoas de todas as rodas da vida — os ricos e os pobres, os que estão na prisão e os que são proeminentes neste sistema de coisas — precisam ter a oportunidade de ouvir a verdade. Rafael Coello estava à procura da justiça social desde a juventude. Isto o levou a ser membro do Partido Comunista, em 1936. Por sete anos participou em levantes e protestos. Desiludido, renunciou ao partido comunista e envolveu-se em vários outros. Nestes conseguiu fama e notoriedade. Certa vez, foi nomeado pelo presidente do Equador como embaixador numa reunião especial dirigida pelas Nações Unidas. Noutra ocasião, quando o partido de oposição estava no poder, ele foi preso. Foi na prisão que Albert Hoffmann visitou-o e deixou com ele o livro “Seja Deus Verdadeiro”.

Sete anos depois um homem de aparência bondosa visitou a casa de Rafael Coello, que conta: “Reconheci instantaneamente que era alguém a quem eu esperava sem me dar conta disso. Albert Hoffman me visitava novamente.” Iniciou-se um estudo no livro “Isto Significa Vida Eterna”. Logo Rafael encontrou o que procurava por todos aqueles anos — o entendimento de que a verdadeira justiça viria apenas por meio do Reino de Deus. O seu batismo em 1959 suscitou uma comoção e tanto, pois ele era bem conhecido como político por mais de 20 anos.

Assim como ele fora um vigoroso lutador em favor da justiça humana, ele agora tornou-se um forte defensor da justiça divina. Relembrando o passado, o irmão Coello diz: “Tenho sido privilegiado de falar da justiça de Jeová a homens de todos os níveis, desde ex-presidentes a bem humildes operários.” Estando bem familiarizado com o Palácio da Justiça em Guayaquil porque servira ali como juiz em tribunais de apelação, ele regressou para dar testemunho a cada um das dezenas de juízes e advogados que atuavam ali. Em resultado, estabeleceu um extenso itinerário de revistas com ex-colegas de profissão.

Fraternidade Internacional

Visto que os irmãos trabalharam tão intensamente plantando e regando as sementes da verdade do Reino, pessoas de todos os tipos têm ouvido as boas novas. Mas é Jeová quem tem dado o crescimento. (1 Cor. 3:6) O seu espírito que opera em toda a sua organização visível tornou isso possível.

Por causa do incentivo recebido na Assembléia Internacional da Vontade Divina, em Nova Iorque, em 1958, muitos irmãos vieram ao Equador para servir onde a necessidade era maior. Numa visita do presidente da Sociedade, em 1959, ele falou a 120 pessoas que haviam vindo de outros países. Devido aos empenhos destes, muitos novos vieram a ter conhecimento da verdade. Alguns tiveram participação ativa na formação de novas congregações e em treinar eficazmente irmãos locais para responsabilidades congregacionais.

Em 1967, as Testemunhas equatorianas sentiram ainda de outra maneira a genuinidade de nossa fraternidade internacional. Em que ocasião? Na Assembléia Internacional “Filhos da Liberdade de Deus”, realizada em Guayaquil. Estiveram presentes diretores da Sociedade, além de uns 400 irmãos visitantes de vários países. Que alegre companheirismo com mais de 2.700 irmãos e pessoas interessadas equatorianos isso representou! De fato, houve muitas expressões de apreço, tanto de irmãos nativos como dos visitantes do exterior.

Diferente Espírito em Cuenca

Em 1967 parecia apropriado tentar novamente organizar a pregação das boas novas na terceira maior cidade do Equador, Cuenca. Como poderia isso ser feito? Primeiro, Carlos Salazar foi enviado para lá como pioneiro especial. Pouco depois, também chegaram quatro recém-formados de Gileade — Ana Rodriguez e Delia Sánchez, de Porto Rico, e Harley e Cloris Harris, dos Estados Unidos.

Naquela época, a única Testemunha local nessa cidade de mais de 100.000 habitantes era Carlos Sánchez, um homem jovem paralisado da cintura para baixo por causa de um acidente de automóvel ocorrido alguns anos antes de aprender a verdade. Para todas as reuniões os missionários o carregavam pelas escadas de seu apartamento, colocavam-no na traseira duma motoneta e daí novamente o carregavam pelas escadas até o Salão do Reino. O sorriso em seu rosto e sua atitude otimista eram um verdadeiro encorajamento para este pequeno grupo.

Lembre-se, Cuenca tinha a reputação de ser a mais forte cidade católica no Equador. Uma das primeiras coisas que chamou a atenção dos missionários foi o espantoso número de igrejas. Parecia que tinha uma a cada quatro ou cinco quarteirões. E sobressaindo a todas as outras havia a enorme catedral na praça principal. Toda manhã, bem antes do amanhecer, os missionários eram acordados pelos sinos das igrejas, convocando as pessoas para a Missa bem cedo na manhã. Durante a chamada Semana Santa, as imagens das diversas igrejas eram levadas para fora e conduzidas em procissão pelas ruas de Cuenca. Levava um dia inteiro para terminar essa procissão de imagens.

Assim, o pequeno grupo de Testemunhas começou a trabalhar de casa em casa com grande cautela. Ainda se ouvia falar de casos de turbas atirando pedras em tentativas anteriores de trabalhar em certas áreas da cidade. Contudo, para surpresa dos missionários, nada disso acontecia agora. Ao contrário, as pessoas os convidavam a entrar na primeira visita e adquiriam muitas publicações. Estavam famintas espiritualmente.

A respeito de um dos mais conhecidos padres em Cuenca, Harley Harris conta: “Constantemente ouvíamos falar de um padre procedente da Espanha chamado Juan Fernández. Ele estava em desacordo com o bispo de Cuenca porque se recusava a cobrar diferentes preços para as várias categorias de Missas. Para ele, as Missas eram todas iguais. O problema era que não produzia suficiente dinheiro para satisfazer o bispo. Ademais, ele tirou quase todas as imagens de sua igreja. Os católicos liberais aplaudiram, ao passo que os mais conservadores se escandalizaram.

“Daí, certo dia, uma senhora nos falou a respeito de uma vizinha que se recusara a nos ouvir e que, depois, relatara isso ao padre Fernández. Para sua grande surpresa e de outros, ele publicamente a criticou na Missa e disse aos presentes que se alguém viesse à sua casa falar a respeito da Bíblia deviam ouvir, pois a Bíblia contém a verdade.

“Achei que devia visitar esse padre, e, depois de algum esforço, consegui seu endereço de residência. Convidei-o a vir à nossa casa e tive o prazer de recebê-lo numa visita de duas horas. Surpreendentemente, ele tinha um bom conhecimento de alguns ensinos básicos da Bíblia. Quando lhe perguntei que posição achava ele deveria tomar o cristão em caso de conflito político entre dois países, ele respondeu imediatamente: ‘Existe apenas uma posição que o cristão pode adotar, e esta é a neutralidade, pois não se pode obedecer ao mandamento de Jesus de amar e ao mesmo tempo matar o próximo.’ A palestra terminou num clima caloroso e cordial, e ele pediu várias de nossas publicações.”

Mas, devido ao seu conflito com o bispo, ele foi dispensado de seus deveres de sacerdote e enviado de volta à Espanha naquela mesma semana. Os seus comentários soltaram as algemas mentais de muitos na cidade, que depois disso davam atenção à mensagem bíblica.

Ainda havia algo que parecia refrear as pessoas de tomarem uma posição firme em favor da verdade. Muitos estudavam a Bíblia e vinham às reuniões; mas, quando se tratava de sair no serviço de campo, quase ninguém tinha coragem de fazer isso. Concluímos que se tratava de medo do próximo. O que poderia ajudar a vencer essa barreira?

“Mamãe, Eu Não Posso Morrer Ainda”

Bob e Joan Isensee, ex-missionários, escolheram criar seus filhos em Cuenca. Certo dia, quando Mimi, a filha de dez anos, brincava na escola, ela foi esmagada sob as rodas de um caminhão basculante carregado. Foi levada às pressas a um hospital. Fizeram-se esforços desesperados para salvar-lhe a vida. Quando a sua angustiada mãe chegou, Mimi ainda estava consciente, e sussurrou: “Mamãe, eu não posso morrer ainda. Até agora não dirigi nenhum estudo bíblico!” E, por iniciativa própria, essa criança disse às enfermeiras que não queria sangue no seu tratamento. Esta foi a primeira experiência do hospital com as Testemunhas de Jeová. E foi inesquecível.

Chegou o médico. Ele disse que seria necessário uma cirurgia para determinar a extensão dos danos internos. O pai disse que concordava, mas, “nenhum sangue, por favor, porque a Bíblia proíbe o uso de sangue em qualquer forma!” (Atos 15:28, 29) O médico ficou chocado. Nunca enfrentara uma cirurgia dessa gravidade com o pedido de não usar sangue. O pai disse que a responsabilidade era dele, como pai, e não do cirurgião. Aceitaria a plena responsabilidade pelo que viesse a acontecer. A única coisa que pedia era que, sem violar a lei de Deus sobre o sangue, o médico fizesse tudo ao seu alcance para salvar a vida da criança.

Humildemente, o médico respondeu: “Visto que tenho minhas próprias crenças religiosas e quero que outros as respeitem, vou respeitar as suas. Farei o possível.”

Ao ser levada para a sala de cirurgia, Mimi disse a seu pai: “Não se preocupe, papai. Eu já orei a Jeová.”

Passaram-se mais de cinco longas horas. Nesse período, muitas pessoas que conheciam a família, ou que souberam do acidente, foram ao hospital aguardar o resultado. No ínterim, os pais lhes explicavam que, se a sua filha viesse a falecer, eles teriam a certeza de vê-la de novo na ressurreição. Que efeito teve isso sobre outros?

Ouviram-se comentários como este: “Eu também sou pai e sei o que é perder um filho; mas você demonstra mais calma do que eu demonstraria.” Outro disse: “Se eu tivesse fé como essas pessoas, eu seria o homem mais feliz que existe.” Uma vizinha que morava na casa ao lado, cujo marido falecera algum tempo antes, veio para consolá-los e saiu ela mesma consolada. Ela disse: “Por dois anos, desde a morte de meu marido, tenho andado deprimida; mas, ver vocês e a esperança que têm em Deus fez com que eu encontrasse a felicidade pela primeira vez.”

Mas, que dizer da criança? Finalmente a longa operação terminara, e os pais, ansiosos, se aproximaram do médico para ter notícias. Os órgãos internos haviam sofrido danos muitíssimo graves. A artéria do diafragma fora rompida e a menina perdera mais da metade do sangue. O fígado fora lacerado em vários lugares. Devido à tremenda pressão, o estômago havia sido forçado através do diafragma. O caminhão por muito pouco não rebentou o coração.

O médico disse que apreciara a atitude calma dos pais, pois isso o habilitara a começar a cirurgia com uma disposição mental mais equilibrada. Mimi recuperou-se em pouco tempo, para grande alegria de todos. A inteira experiência resultou num tremendo testemunho, à medida que as notícias corriam na cidade de Cuenca. A emissora de rádio falou da notável fé e tranqüilidade da família Isensee. Um médico proeminente disse ao pai: “Saiba o senhor que esse caso é considerado um verdadeiro milagre entre os homens do círculo médico.”

Um Ciclista Entra Numa Corrida Diferente

Mario Polo, antigo morador de Cuenca, era famoso por ter vencido vários anos seguidos a corrida nacional de ciclismo e ter-se aposentado invicto. Com boa razão, a cidade de Cuenca se orgulhava muito desse seu filho nativo.

Quando a esposa de Mario, Norma, começou a estudar com as Testemunhas de Jeová, ele decidiu participar do estudo uma vez, para ver se obteria resposta a algumas de suas perguntas. A primeira coisa que quis saber foi: “Quem é a meretriz mencionada no livro de Revelação?” (Rev. 17:3-5) O missionário respondeu que, em geral, começamos com coisas mais simples da Bíblia. Mas, visto que Mario fizera a pergunta, o missionário explicou que a Bíblia usa o símbolo de uma mulher imoral chamada Babilônia, a Grande, para representar o conjunto mundial de religiões que não se mantêm separadas do mundo. — Tia. 4:4; Rev. 18:2, 9, 10.

Daí em diante, Mario interessou-se profundamente pelo estudo da Bíblia e fez grandes esforços para estar presente, embora trabalhasse um tanto longe da cidade. Daí, certa noite, ele chegou ao lar missionário com um ar de profunda preocupação estampado na face. Ele adquirira certas publicações dos evangélicos que faziam fortes acusações contra as Testemunhas de Jeová. O missionário disse que, se essas acusações contra nós o preocupavam, a melhor maneira de respondê-las seria pedir que um evangélico estivesse presente para ver se poderia sustentá-las. Mario achou isso muito justo. Assim, ele e o missionário visitaram o pastor protestante que distribuía essas publicações.

Mario pediu ao pastor que fosse à sua casa para sustentar o que dissera contra as Testemunhas de Jeová. Ele foi obrigado a aceitar o convite, senão, o seu não comparecimento seria uma admissão de que as acusações eram falsas.

Havia dez pessoas, inclusive amigos de Mario e parentes, esperando quando o pastor, acompanhado de outro pregador de sua igreja, chegou. O assunto escolhido para ser discutido foi a Trindade. Toda vez que se citava um texto para apoiar a doutrina, Mario, sua esposa, ou um de seus amigos mostrava ao pastor por que isso não se aplicava. O missionário praticamente nada precisou dizer.

Depois de cerca de meia hora, o pastor olhou para o relógio e disse que tinha outro compromisso. “Mas o senhor ainda não provou um ponto sequer”, protestou um dos presentes. “Não diga que nos vai deixar à mercê desses lobos, como o senhor os chama!” O pastor saiu, dizendo que pensaria num futuro encontro, mas recusou-se a marcar um dia.

Ele realmente voltou certo dia, e disse a Norma Polo que voltaria — mas numa ocasião em que nenhuma Testemunha de Jeová estivesse presente. Isto parecia injusto a Mario, que foi à casa do pastor e avisou-o de que ele seria bem-vindo à sua casa apenas quando as Testemunhas de Jeová estivessem ali para se defender. Para Mario já era bem claro quem tinha a verdade e a coragem de defendê-la.

Daquele tempo em diante, Mario continuou a fazer firme progresso. Logo participava no ministério de campo ali mesmo na sua própria comunidade, e, mais tarde, sua esposa e sua filha juntaram-se a ele.

À medida que vários moradores nascidos na cidade passaram a identificar-se como Testemunhas de Jeová, o efeito sobre outros foi tremendo. Médicos, advogados, joalheiros, fazendeiros — pessoas de todas as rodas da vida em Cuenca — aceitaram a verdade às centenas. Vinte anos atrás não havia congregação em Cuenca. Hoje há 11 congregações nesse território. Nas ruas em que as procissões religiosas costumavam durar um dia inteiro na chamada Semana Santa, bastam agora alguns minutos para ver o que passa — os vestígios de uma era que não é mais. Em contraste, o nome de Jeová é agora conhecido de uma extremidade à outra da província.

A Necessidade: Encorajamento

Em fins dos anos 60 e início dos 70, a obra do Reino no Equador teve um período de expansão tranqüila. A influência de outras religiões, bem como a sua capacidade de incitar as pessoas, diminuíram. Os publicadores trabalhavam arduamente para divulgar as boas novas do Reino em todos os cantos do país.

Em 1963 havia 1.000 publicadores ativos no ministério de campo. Cinco anos depois, o número chegara a 2.000. Em 1971, o total chegara a 3.000. Mais dois anos depois relatamos 4.000 proclamadores do Reino; no ano seguinte foi 5.000, e, por volta de outubro de 1975, atingíramos o auge de 5.995.

Daí, porém, pela primeira vez em muitos anos, houve decréscimo. Em 1979, o total de pregadores ativos das boas novas caíra para pouco mais de 5.000. O que estava acontecendo? Aparentemente alguns dos novos aqui haviam sido levados pelo entusiasmo por uma data, em vez de edificar um apreço genuíno por Jeová e seus modos. De qualquer modo, em 1980 houve de novo um pequeno aumento, e novamente em 1981, mas o progresso era lento.

O que impedia o crescimento, quando naquele tempo tantos países relatavam grandes aumentos em seu território? Apostasia era algo de que não se ouvia falar aqui. Aparentemente não havia impureza que fizesse Jeová refrear Seu espírito. Meditou-se muito sobre o assunto, com oração. As perspectivas de aumento eram excelentes, pois 26.576 assistiram à Comemoração em 1981 — uma proporção de 5 pessoas interessadas para cada publicador do Reino.

Decidiu-se que o que os nossos irmãos realmente precisavam era de encorajamento. Os anciãos e os servos ministeriais precisavam ser lembrados de sua responsabilidade de tomar a dianteira no campo. Os que se haviam tornado inativos necessitavam de que se dirigisse estudos bíblicos com eles, para reacender seu apreço por coisas espirituais.

Assim, após compilar o relatório do ano de serviço de 1981, a Comissão de Filial providenciou convidar todos os anciãos e servos ministeriais para breves reuniões em cidades centrais por todo o país. Os irmãos se alegraram muitíssimo com as informações que lhes foram transmitidas. Todos partiram com renovada disposição para o trabalho. Naquele ano de serviço houve um aumento de 14 por cento em publicadores, e 19 por cento em estudos bíblicos domiciliares. A assistência à Comemoração pulou para 34.024, um aumento de 28 por cento! Realmente, os campos estavam maduros para a colheita.

Chuvas Torrenciais

A seguir, surgiu um novo obstáculo. Por dez meses seguidos, de outubro de 1982 a julho de 1983, o país sofreu fortes chuvas e inundações, algo sem paralelo na memória dos últimos cem anos. Em Guayaquil e arredores, registraram-se mais de 2.500mm de precipitação pluviométrica em poucos meses. Pontes foram arrancadas, isolando cidades. As comunicações se tornaram extremamente difíceis. Salões do Reino e casas de irmãos sofreram danos.

Mas, os irmãos estavam decididos a continuar a realizar as reuniões. Em Babahoyo, alguns tinham de passar por água até a cintura para chegar às reuniões. Mais para o sul, em Milagro, a água chegava quase à altura do joelho, dentro do Salão do Reino. Mas os irmãos simplesmente arregaçavam as calças e realizavam as reuniões, apesar das inundações.

Fizeram-se árduos empenhos para manter contato com os irmãos, mesmo os em áreas isoladas. Quando se soube que alguns careciam de alimentos e de outras necessidades, a filial informou disso às congregações e nossos irmãos locais corresponderam generosamente. De todo o país, bondosamente proveram o dinheiro, o alimento, a roupa e os medicamentos necessários. Bem no meio desse período de chuvas incessantes, a filial marcou outra reunião com os anciãos e servos ministeriais. Contaram-se experiências animadoras, e ofereceram-se sugestões sobre como a obra de pregação poderia ser realizada apesar de tal tempo inclemente. As palavras de Paulo pareciam muito apropriadas: “Prega a palavra, ocupa-te nisso urgentemente, em época favorável, em época dificultosa.” — 2 Tim. 4:2.

Qual foi o resultado? Relatórios de muitas das congregações adversamente atingidas pelo mau tempo indicaram notáveis aumentos. No fim do ano de serviço de 1983, apesar das chuvas, os nossos irmãos tiveram em média um aumento de 17 por cento em publicadores, e haviam atingido o auge de 7.504. Nesse mesmo período, os estudos bíblicos domiciliares aumentaram 28 por cento! Quanto mais os nossos irmãos trabalhavam no território, tanto mais este produzia.

Necessidade de Ampliar a Filial

A obra do Reino no Equador é relativamente nova, em comparação com muitos outros países. A atividade de pregação sistemática começou apenas 40 anos atrás. Assim como o crescimento de um jovem exige novas roupas, a expansão da obra do Reino aqui tornou necessário ampliar as dependências da filial.

De início, a filial simplesmente operava junto a um lar missionário. Em 1957, construíram-se novas instalações em Guayaquil. Mais tarde, essa estrutura foi ampliada. Em 1977, na sua visita como superintendente de zona, o irmão Grant Suiter sugeriu que os irmãos começassem a procurar um local maior nos arredores de Guayaquil. Certo dia, um irmão veio à filial e perguntou se estaríamos interessados num terreno que ele gostaria de doar à Sociedade. Ficava justamente nos arredores de Guayaquil. Quão emocionados nos sentimos de aceitar essa oferta!

Outra urgente necessidade naquele tempo era de um local para realizar um dos congressos de distrito — mesmo que fosse ao ar livre. Depois de uma limpeza preliminar nesse novo terreno, realizou-se ali o primeiro congresso. O declive provia um anfiteatro natural, e os irmãos estenderam cobertores no chão para se sentar. Por vários anos esse local serviu para assembléias de circuito e de distrito no litoral.

Por fim, em fins de 1984, iniciaram-se os trabalhos para a construção de um belo Salão de Assembléias nesse local. Foi planejado para ter 3.000 assentos. Dispunha-se de mais de 30 hectares para essa construção. Contudo, precisava-se de mais do que um Salão de Assembléias. Com a aprovação do Corpo Governante, no início de 1985 começou a construção de um novo prédio de filial noutra parte do mesmo terreno. Que período emocionante, à medida que os irmãos sentiam as bênçãos de Jeová sobre seus empenhos de terminar todos esses projetos! A construção começou pouco antes de se iniciar o programa de construção internacional, da Sociedade, mas o prédio foi terminado sob a direção deste. Os irmãos se alegraram de receber ajuda profissional de trabalhadores voluntários internacionais de construção, vindos de 14 países. Que bênção foi essa ajuda! Expressamos profundo apreço a cada um dos que ajudaram.

Mudanças na Administração

Em 1949, Albert Hoffman tornou-se o primeiro superintendente de filial, e fez muito para organizar a obra aqui bem no seu começo. Daí, em 1950, essa supervisão foi transferida para John McClenahan, também formado em Gileade. De novo, em 1970, foi necessário fazer algumas mudanças na administração. Outro formado de Gileade, Harley Harris, foi designado superintendente de filial e tem servido na filial desde então. No presente, a filial é administrada por uma comissão de cinco homens: Francisco Angus, Arthur Bonno, Harley Harris, Vern McDaniel e Laureano Sánchez.

Sacrifícios aos Milhares

A história da obra do Reino no Equador contém centenas de milhares de casos de sacrifícios da parte de nossos irmãos — alguns tão pequenos que passam despercebidos a nós como humanos, mas nunca a Jeová. A todos esses fiéis se aplica a garantia registrada em Hebreus 6:10: “Deus não é injusto, para se esquecer de vossa obra e do amor que mostrastes ao seu nome.”

Os que vieram de outros países para servir aqui, por muito tempo se lembrarão das frustrações de tentar se expressar numa língua que apenas começavam a aprender. A língua nativa lhes soava como uma saraivada de palavras atiradas em sua direção com a velocidade de uma metralhadora. Disse certo missionário: “Sentia-me como um bebê aprendendo novamente a falar.”

E que dizer das ocasiões em que pensavam estar começando a dominar o idioma mas diziam algo que dava uma idéia errada? Por exemplo, certo irmão foi a uma loja de ferragens e, após consultar seu dicionário inglês-espanhol, disse: “Quiero una libra de uñas”, confundindo “unhas” com “pregos”, pois em inglês nail pode significar tanto prego como unha! Uma irmã estava em pé num ônibus quando o motorista deu uma partida abrupta que a fez cair no colo de um homem. Pensando estar desculpando-se, ela disse: “Con su permiso” (“Com licença”). Os passageiros deram uma boa risada quando o homem respondeu com gentileza: “Sinta-se à vontade, senhorita.”

A irmã Zola Hoffman, que se apegou à sua designação missionária no Equador até o fim de sua carreira terrestre, é bem lembrada por seu testemunho destemido. Temia ela falar a alguma pessoa a respeito das boas novas? Dificilmente! O seu território preferido era a área comercial em Guayaquil. Ela era conhecida ali por quase todo mundo — executivos, advogados, juízes, e muitos outros. Ao seu funeral compareceram muitas pessoas da cidade a quem ela dera testemunho. Assim, o Salão do Reino ficou superlotado, e havia pessoas em pé do lado de fora, até o outro lado da rua. Entre os presentes havia algumas das 94 pessoas a quem ela pessoalmente ajudara a dedicar sua vida a Jeová.

A outrora voz forte do irmão Albert Hoffman é hoje apenas um forte sussurro. O que aconteceu? Certa noite, ao voltar de carro de uma reunião, ele parou num semáforo. Um desconhecido se aproximou, encostou um revólver no seu pescoço, e disse algo; provavelmente queria dinheiro. Visto que Albert tinha deficiência de audição, não atendeu imediatamente. Irritado, o homem puxou o gatilho. A bala varou o pescoço de Albert, alojando-se no ombro direito, cortando no trajeto as cordas vocais. Apesar desse dano causado à sua voz, Albert continua a expressar louvores a Jeová, ainda que agora através de um forte sussurro. Ele tem um passado de quase 60 anos no serviço de tempo integral.

Outro também notável por sua determinação é Herman Gau, que veio da Alemanha com a esposa para servir onde a necessidade era maior. Ele gosta que as coisas sejam feitas, e rápido, independente de que dificuldades surjam. Visto que a pequena congregação na cidadezinha de Puyo, na selva, precisava dum Salão do Reino, o irmão Gau ponderou: “Vamos entrar no mato e cortar algumas árvores para termos madeira.” Ele achou o que lhe parecia ser uma excelente árvore reta, mas um irmão nativo o acautelou: “Eu não a cortaria, se fosse o irmão. Ela tem formigas.”

“Formiga alguma vai impedir-me de usar essa bela árvore para um Salão do Reino!”, disse Herman. Daí, atacaram-na a machadadas. Quando essa árvore parcialmente oca tombou, milhares de formigas furiosas na defensiva lhes cobriram o corpo. Em desespero, os irmãos correram até o rio e pularam na água, com roupa e tudo. Daí em diante, Herman dava ouvidos quando algum nativo lhe falava a respeito de árvores. “Mas”, diz ele com um sorriso cordial, “o Salão do Reino foi construído!”

Jovens Aceitam a Verdade

Contudo, existe algo muito mais desafiador do que construir Salões do Reino. Trata-se de criar filhos na verdade. Jorge e Orffa Santos têm estado quase 30 anos no serviço de tempo integral. Nesse ínterim também criaram cinco filhos, todos os quais estão agora no serviço de tempo integral, seguindo o bom exemplo dos pais. O caso deles é apenas um dentre muitos que mostram a importância do bom exemplo parental no treinamento dos filhos no caminho em que devem andar. — Pro. 22:6.

Carlos Salazar, porém, não teve tal tipo de criação espiritual. Ao contrário, quando decidiu servir a Jeová, foi expulso de casa por sua mãe e evitado por seus irmãos e irmãs carnais. Não obstante, durante os 34 anos que tem devotado ao ministério de tempo integral, ele ganhou mais de 12.000 irmãos e irmãs espirituais apenas no seu país natal, o Equador — sem mencionar os mais de 3.000.000 que compõem a fraternidade internacional. Quanto ele veio a apreciar o cuidado amoroso que Jeová dispensa aos que se tornaram “órfãos” pela causa das boas novas!

Jim e Frances Woodburn têm demonstrado muito zelo como casal de missionários, semeando amplamente as sementes do Reino. Eles têm visitado muitos colégios, oferecendo o livro Sua Juventude — O Melhor Modo de Usufruí-la. Este livro tem preenchido uma tremenda necessidade nas escolas quanto a ajudar os jovens a aprenderem melhores princípios de moral, respeito para com os professores e compreensão do perigo das drogas. Apresentou-se também o livro A Vida — Qual a Sua Origem? A Evolução ou a Criação? — como algo ímpar, o único livro sobre a evolução que apresenta os dois lados da questão. Professores e administradores de escolas permitiam ao casal Woodburn ir diretamente às salas de aula apresentar esses livros aos alunos. Até mesmo as escolas dirigidas por padres e freiras eram receptivas. Certo padre convocou todos os alunos ao auditório da escola e disse: “Este é exatamente o livro de que vocês precisam, e gostaria de incentivar a cada um de vocês a obter um exemplar.” Das mais de 65 escolas visitadas, nenhuma sequer recusou permitir ao casal Woodburn oferecer aos alunos essa matéria vital! Às vezes eles colocavam mais de mil livros por mês.

Perspectivas Futuras

Ao percorrermos hoje as ruas de Quito, Cuenca, Riobamba e San Antonio, é difícil imaginar que aqui pouco tempo atrás travaram-se vigorosas batalhas em favor da liberdade de pregar as boas novas. Turbas ruidosas foram substituídas por pessoas pacíficas que escutam com profundo respeito a mensagem da Bíblia. Monumentos à vitória que Jeová nos deu se encontram agora em toda a parte — Salões do Reino em que 188 congregações se reúnem para alimentar-se da Palavra de Deus.

Este ano houve novo aumento em publicadores — para um auge de 13.352. O número de estudos bíblicos é quase o dobro do número de publicadores, e 66.519 estiveram presentes na Comemoração da morte de Cristo — sendo tudo isso um indicativo de que ainda há muito o que fazer em ajudar outros a também aceitar a verdade.

Quão reanimador foi que durante o calor da perseguição equatorianos sinceros vieram em defesa dos irmãos e das irmãs, a fim de dar-lhes “um copo de água fria”. Como Jesus disse, tais pessoas de modo algum perderão a sua recompensa. (Mat. 10:42) Milhares de pessoas aqui na linha do equador, das planícies cobertas de florestas tropicais aos cumes nevados das montanhas, já têm sido recompensadas com as refrescantes águas da verdade. O nosso sincero desejo é que milhares mais se beneficiem antes que esse sistema chegue ao fim.

[Foto na página 201]

Thomas e Mary Klingensmith, à esquerda, e Willmetta e Walter Pembertom foram os primeiros missionários da Escola de Gileade no Equador, 1946.

[Foto na página 207]

Pedro Tules, primeiro equatoriano a cursar a Escola de Gileade.

[Foto na página 209]

N. H. Knorr, à esquerda, o terceiro presidente da Sociedade Torre de Vigia, e em pé com ele M. G. Henschel, também da sede mundial, na sua visita ao Equador, em março de 1949. Albert Hoffman, à direita, foi o primeiro servo de filial do Equador. Mais tarde sobreviveu a um tiro.

[Foto na página 210]

César Santos deixou a adoração de ídolos para tornar-se Testemunha de Jeová.

[Foto na página 215]

Carl Dochow, missionário formado em Gileade, encontrou resistência na cidade de Cuenca.

[Foto na página 218]

Carlos Salazar, o segundo equatoriano a cursar a Escola de Gileade.

[Foto na página 220]

Unn Raunholm, enviada como missionária para o Equador em 1958.

[Foto na página 223]

Ray e Alice Knoch, missionários designados para os vilarejos na costa do Pacífico.

[Foto na página 227]

Maruja Granizo, à esquerda, com seus netos e nora.

[Foto na página 230]

John Furgala, à esquerda, em frente de sua loja de ferragens.

[Foto na página 233]

Rafael Coello, ex-juiz do tribunal de apelações, dá testemunho a ex-colegas no Palácio da Justiça, em Guayaquil.

[Foto na página 238]

Ex-missionários Bob e Joan Isensee e seus filhos. Eles enfrentaram a questão da transfusão de sangue.

[Fotos na página 241]

Mario Polo após vencer uma prova ciclística nacional. Mario e sua esposa, Norma, agora promovem a verdade bíblica.

[Fotos na página 245]

O novo Lar de Betel no Equador, e sua recepção.

[Foto na página 246]

Novo Salão de Assembléias ao ar livre e nova filial, vista nos fundos.

[Mapa/Quadro na página 202]

(Para o texto formatado, veja a publicação)

OCEANO PACÍFICO

COLÔMBIA

Ibarra

Atuntaqui

San Antonio

EQUADOR

Quito

Manta

Ambato

Riobamba

Babahoyo

Guayaquil

Milagro

La Libertad

Andes

Cuenca

Machala

PERU

[Quadro]

Dados Sobre o Equador

Capital: Quito

Idioma Oficial: Espanhol

Religião Principal: Católica-Romana

População: 10.054.000

Publicadores: 13.352

Pioneiros: 1.978

Congregações: 188

Assistência à Comemoração: 66.519

Filial: Guayaquil

[Gravura de página inteira na página 199]

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