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O Sermão do Monte — as primeiras três felicidades”A Sentinela — 1978 | 1.° de agosto
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na Ásia Menor: “Dizes: ‘Sou rico e adquiri riquezas, e não preciso de coisa alguma’, mas não sabes [quer dizer, não estás espiritualmente cônscio de] que és miserável, e coitado, e pobre, e cego, e nu.” — Rev. 3:17.
O motivo da felicidade dos cônscios de sua necessidade espiritual é que “a eles pertence o reino dos céus”. Aceitaram Jesus como o Messias, e isso abriu-lhes a oportunidade de governarem com ele no reino celestial de Deus por Cristo. (Luc. 22:30; João 14:1-4) Como deve ter acalentado o coração da humilde “gente comum” saberem que podiam candidatar-se ao reino de Deus, ao passo que os ricos e altamente instruídos, que confiavam na sua riqueza e encaravam o povo comum como ‘amaldiçoado’ não podiam! (João 7:49) Naturalmente, os ricos podiam mostrar o mesmo espírito de humildade e apreço espiritual, que também lhes granjearia felicidade. — 1 Tim. 6:17-19; Tia. 1:9, 10.
QUAIS OS PRANTEADORES QUE SÃO CONSOLADOS?
Como segunda “felicidade”, Jesus declarou: “Felizes os que pranteiam, porque serão consolados.” (Mat. 5:4) A narrativa paralela de Lucas reza: “Felizes sois vós os que agora chorais, porque haveis de rir.” — Luc. 6:21.
“Os que pranteiam” não são todos os que expressam tristeza. Antes, são da mesma espécie de pessoas que “os cônscios de sua necessidade espiritual”, mencionados na declaração anterior de Jesus. Seu pranto é “tristeza piedosa” por causa de sua própria condição pecadora e da situação aflitiva que resultou da pecaminosidade humana. (1 Cor. 5:2; 2 Cor. 7:10) Acatam o conselho do escritor bíblico Tiago: “Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós. Limpai as vossas mãos, ó pecadores, e purificai os vossos corações, ó indecisos. Entregai-vos à mágoa, e pranteai e chorai.” — Tia. 4:8, 9.
Tais pranteadores piedosos “serão consolados”. (Veja Lucas 2:25.) Entre os consolos provenientes por meio de Jesus Cristo há o perdão de pecados e a vida eterna.
“Os pranteadores a quem Jesus se referiu podem ser chamados de “felizes” tanto agora como no futuro. Por terem fé em Jesus, usufruem o bem-estar que resulta duma relação favorável com Jeová Deus. (João 3:36) E quanto à futura felicidade, os que agora pranteiam por causa da injustiça da humanidade podem aguardar ‘alívio por ocasião da Revelação do Senhor Jesus Cristo desde o céu, com os seus anjos poderosos, em fogo chamejante, ao trazer ele vingança sobre os que não conhecem a Deus e os que não obedecem às boas novas acerca de nosso Senhor Jesus’. — 2 Tes. 1:7, 8.
Em contraste com a felicidade proferida sobre os que pranteiam, Jesus declarou: “Ai, vós que agora rides, porque pranteareis e chorareis.” (Luc. 6:25) Isto não é uma condenação do riso e da diversão. Pelo visto, Jesus referia-se aos que buscam prazeres e que dedicam sua vida a procurar seu próprio consolo. Eles nem pranteiam sua própria condição pecaminosa, herdada, nem lastimam o sofrimento de seu próximo. Procuram seus próprios ‘consolos’ numa vida de satisfação dos próprios desejos e nos prazeres fugazes que pode trazer
Jesus salientou que seu riso frívolo é só por “agora”. Eles ‘prantearão e chorarão’ quando Deus acabar com o atual sistema de coisas, que lhes forneceu o ensejo para riso e divertimento. (Mat. 13:42, 50; 22:13; 24:51; 25:30) Em harmonia com as palavras de Jesus, Tiago admoesta: “Transforme-se o vosso riso em pranto e a vossa alegria em abatimento. Humilhai-vos aos olhos de Jeová, e ele vos enaltecerá.” — Tia. 4:9, 10; 5:1-6.
FELICIDADE PARA “OS DE TEMPERAMENTO BRANDO”
Jesus disse, a seguir: “Felizes os de temperamento brando, porque herdarão a terra.” (Mat. 5:5) A que tipo de pessoa referiu-se ele?
Nas Escrituras, o termo ‘temperamento brando’ ou “mansidão” não sugere covardia, nem fraqueza ou a aparência de suavidade condescendente e hipócrita. Ao contrário, a mansidão é uma qualidade íntima de brandura e pacificidade que as pessoas usam em primeiro lugar na sua relação com Deus, no acatamento de Sua vontade e orientação. Em vez de se tornarem amarguradas diante da ampla opressão e injustiça na terra, os realmente mansos discernem que esses ais são na maior parte devidos à imperfeição humana. Não sentem amargura para com Deus, mas um vivo senso de dependência. Esta disposição mental, por sua vez, reflete-se na conduta para com o próximo, que se harmoniza com o conselho: “Não retribuais a ninguém mal por mal. . . . Se possível, no que depender de vós, sede pacíficos para com todos os homens.” — Rom. 12:17-19; Tito 3:1, 2.
A felicidade dos de temperamento brando se deve a que “herdarão a terra”. Como se dá isso? Jesus, que em sentido perfeito era “de temperamento brando e humilde de coração”, é o principal Herdeiro da terra. (Sal. 2:8; Mat. 11:29; 28:18; Heb. 1:2; 2:5-9) As Escrituras Hebraicas predisseram que o “filho de homem” teria consigo governantes associados no seu reino celestial. (Dan. 7:13, 14, 22, 27) Como “co-herdeiros de Cristo”, os de temperamento brando compartilham da herança da terra por Jesus. (Rom. 8:17) Além disso, no domínio terrestre do reino de Jesus, muitas outras pessoas “semelhantes a ovelhas” entrarão na vida eterna. (Mat. 25:33, 34, 46) Esta é deveras uma perspectiva feliz!
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Perguntas dos LeitoresA Sentinela — 1978 | 1.° de agosto
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Perguntas dos Leitores
● Apresenta a Bíblia quaisquer definições específicas sobre o que é moral ou imoral nas relações sexuais entre marido e mulher? É da responsabilidade dos anciãos congregacionais esforçar-se a exercer controle sobre tais assuntos maritais íntimos entre os membros da congregação?
Deve ser reconhecido que a Bíblia não apresenta nenhumas regras ou limitações específicas sobre a maneira em que o marido e a mulher realizam suas relações sexuais. Existem breves descrições de apropriadas expressões de amor, tais como as em Provérbios 5:15-20, e em diversos versículos do Cântico de Salomão (1:13; 2:6; 7:6, 8). Estes textos, bem como outros, tais como Jó 31:9, 10, pelo menos fornecem um indício do que era costumeiro ou normal quanto ao jogo de amor e às relações sexuais, e coincide com o que hoje é geralmente encarado como costumeiro e normal.
O mais vigoroso conselho das Escrituras é que devemos ter completo amor a Deus, e amor ao nosso próximo como a nós mesmos; o marido deve amar sua esposa como seu próprio corpo, e deve prezá-la e honrá-la. (Mat. 22:37-40; Efé. 5:25-31; 1 Ped. 3:7) Conforme diz o apóstolo, o amor “não se comporta indecentemente, não procura os seus próprios interesses, não fica encolerizado”. (1 Cor. 13:4, 5) Isto certamente impede que se imponham ao cônjuge práticas incomuns, que este considera desagradáveis, ou mesmo repugnantes e pervertidas.
As Escrituras não vão além desta orientação básica, e, por isso, não podemos fazer mais do que aconselhar em harmonia com o que a Bíblia diz. No passado, publicaram-se nesta revista alguns comentários relacionados com certas práticas sexuais incomuns, tais como a copulação oral, dentro do matrimônio, e estas foram classificadas como crassa imoralidade sexual. Nesta base, chegou-se à conclusão de que aqueles que se empenhavam em tais práticas sexuais estavam sujeitos a serem desassociados, se fossem impenitentes. Adotava-se o conceito de que estava dentro da autoridade dos anciãos congregacionais investigarem e agirem na qualidade judicativa com respeito a tais práticas na relação conjugal.
Um cuidadoso exame adicional deste assunto, porém, convence-nos de que, em vista da ausência de claras instruções bíblicas, trata-se de
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