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HerodesAjuda ao Entendimento da Bíblia
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o desejo de que Caio logo se tornasse imperador. As suas observações, ouvidas pelo servo de Agripa, chegaram aos ouvidos de Tibério, que lançou Agripa na prisão. Sua vida esteve por um fio durante vários meses, mas, no ano seguinte, Tibério morreu e Calígula se tornou imperador. Ele libertou Agripa e elevou-o à posição de rei sobre os territórios que seu falecido tio, Filipe, e Lisânias, haviam governado.
Na ocasião do assassinato de Calígula, que os peritos datam de 41 E.C., Agripa se achava em Roma. Conseguiu agir como elemento de ligação ou negociador entre o Senado e seu amigo, o novo imperador, Cláudio. Cláudio expressou seu apreço por galardoá-lo com o território da Judéia e da Samaria. O Rei Herodes Agripa I tornou-se então governante de quase o mesmo domínio que seu avô, Herodes, o Grande, havia possuído. Nessa oportunidade, Agripa solicitou e recebeu de Cláudio o reino de Cálcis, para seu irmão, Herodes. (Este Herodes só obtém menção histórica como rei de Cálcis, pequeno território na encosta O das montanhas do Antilíbano.)
Agripa era aceitável aos judeus por causa de sua ascendência asmonéia por parte da família de sua avó, Mariamne. Ao passo que defendia a causa dos judeus sob o jugo romano, ele também criou uma fama nada invejável de perseguidor dos cristãos, que eram geralmente odiados pelos judeus descrentes. Ele “eliminou Tiago, irmão de João, pela espada”. (Atos 12:1, 2) Vendo que isto agradou aos judeus, mandou prender e encarcerar a Pedro. A intervenção dum anjo, causando o livramento de Pedro, provocou grande agitação entre os soldados de Agripa, e resultou na punição dos guardas encarregados de Pedro. — Atos 12:3-19.
EXECUTADO PELO ANJO DE DEUS
O governo de Agripa chegou abruptamente ao fim. Em Cesaréia, durante uma festa em honra a César, ele vestiu magnífico traje real e começou a proferir um discurso público perante uma assistência reunida de pessoas provenientes de Tiro e de Sídon, que tentavam fazer as pazes com ele. A assistência respondeu aos brados: “A voz de um deus e não de homem!” A Bíblia registra sua execução sumária como um hipócrita condenado: “O anjo de Jeová o golpeou instantaneamente, porque não deu a glória a Deus; e, comido de vermes expirou.” (Atos 12:20-23) Os cronologistas situam a morte do Rei Herodes Agripa I em 44 E.C., aos 54 anos, e depois de ter reinado três anos sobre toda a Judéia.
4. Herodes Agripa H. Bisneto de Herodes, o Grande. Era filho de Herodes Agripa I e de sua esposa, Cipros. Foi o último dos príncipes da linhagem herodiana, segundo os historiadores. Agripa tinha três irmãs, chamadas Berenice, Drusila e Mariamne (III). (Atos 25:13; 24:24) Foi criado na casa imperial de Roma. Quando tinha 17 anos, seu pai faleceu, mas os conselheiros do imperador Cláudio o julgaram jovem demais para assumir os domínios de seu pai. Assim sendo, Cláudio designou governadores para os territórios. Depois de permanecer em Roma por certo tempo, Agripa II recebeu a realeza de Cálcis, pequeno principado na encosta O da cordilheira do Antilíbano, depois que seu tio (Herodes, rei de Cálcis) morreu.
Não foi muito tempo depois disso que Cláudio o designou rei sobre as tetrarquias que antes pertenciam a Filipe e a Lisânias. (Luc. 3:1) Foi-lhe também dada a supervisão do templo de Jerusalém, e, por volta de 48-66 E.C., foi investido da autoridade de designar os sumos sacerdotes judaicos. Nero, sucessor de Cláudio, ampliou ainda mais seus domínios, concedendo-lhe Tiberíades e Tariquéia, na Galiléia, e Júlia, na Peréia, junto com seus povoados dependentes.
Agripa manteve uma relação incestuosa com sua irmã, Berenice, que deixou o marido, o rei da Cilícia. Este relacionamento impuro e antibíblico com a própria irmã lhe trouxe grande escândalo. — Lev. 18:9, 29; Deut. 27:22.
Quando se tornou evidente que a rebelião dos judeus contra o jugo romano (66-70 E.C.) somente significaria o desastre nacional, Agripa tentou persuadi-los a seguir um proceder mais moderado. De nada valendo seus apelos, ele abandonou os judeus e uniu-se ao exército romano, sendo ferido por uma pedra de funda, na luta real.
A DEFESA DE PAULO PERANTE ELE
As Escrituras apresentam o Rei Herodes Agripa H e sua irmã, Berenice, por ocasião de sua visita de cortesia ao governador Festo, provavelmente no ano 58 E.C. (Atos 25:13) Festo tinha sucedido ao governador Félix. Foi durante a governança de Félix que o apóstolo Paulo tinha sido acusado pelos judeus, mas Félix, ao deixar o cargo, desejava obter o favor dos judeus e deixou Paulo preso. (Atos 24:27) Incidentalmente, Félix era cunhado de Agripa, tendo-se casado com Drusila, irmã dele. (Atos 24:24) Enquanto Paulo aguardava providências de seu recurso a César (Atos 25:8-12), o Rei Agripa expressou seu desejo, ao governador Festo, de ouvir o que Paulo tinha a dizer. (Atos 25:22) Paulo ficou contente de apresentar sua defesa perante Agripa, a quem se referiu como sendo “perito em todos os costumes bem como nas controvérsias entre os judeus”. (Atos 26:1-3) A forte argumentação de Paulo moveu Agripa a afirmar: “Em pouco tempo me persuadirias a tornar-me cristão.” A isso, Paulo respondeu: “Quisera eu, perante Deus, quer em pouco tempo quer com muito tempo, que não somente tu, mas também todos os que hoje me ouvem se tornassem homens tais como também eu sou, com a exceção destes laços [cadeias].” (Atos 26:4-29) Agripa e Festo concluíram pela inocência de Paulo, mas, visto que ele havia recorrido a César, tinha de ser enviado a Roma para julgamento. — Atos 26:30-32; 25:11, 12.
Após a destruição de Jerusalém em 70 E.C., Herodes Agripa, junto com sua irmã, Berenice, mudaram-se para Roma, onde foi-lhe dado o cargo de pretor. Agripa morreu sem ter filhos, por volta de 100 E.C.
5. Herodes Filipe. Filho de Herodes, o Grande, com Mariamne (II), filha do sumo sacerdote Simão. Filipe era o primeiro marido de Herodias, que se divorciou dele para casar-se com Herodes Ântipas, meio-irmão dele. Ele é mencionado incidentalmente na Bíblia, em Mateus 14:3; Marcos 6:17, 18 e Lucas 3:19.
O nome “Herodes Filipe” é usado para diferençá-lo de Filipe, o tetrarca, pois este último também era filho de Herodes, o Grande, com outra esposa, Cleópatra de Jerusalém, segundo Josefo.
Filipe evidentemente constava da linha de sucessão do trono de seu pai, sendo o mais velho depois de seus meios-irmãos Antípater, Alexandre e Aristóbulo, sendo que seu pai executara a todos os três. O testamento inicial de Herodes o alistava como herdeiro após Ântipas. Mas, no testamento derradeiro de Herodes, foi passado por alto, o reino indo para Arquelau. Josefo relata que Herodes retirou o nome de Filipe de seu testamento em virtude de Mariamne (II), mãe de Filipe, ter ficado sabendo do complô de Antípater contra Herodes, mas não o ter revelado.
Filipe possuía uma filha, Salomé, com Herodias. Ela era evidentemente aquela que dançou perante Herodes Ântipas e, devido à orientação da mãe, pediu a cabeça de João, o Batizador. — Mat. 14:1-13; Mar. 6:17-29.
6. Filipe, o Tetrarca. Filho de Herodes, o Grande, com sua esposa Cleópatra de Jerusalém. Ele foi criado em Roma. Casou-se com Salomé, a filha de Herodes Filipe e Herodias. Quando seu pai morreu, Augusto César dividiu o reino, dando a Filipe a tetrarquia da Batanéia, Traconítis, Auranítis e certo território em volta de Jâmnia, com uma renda anual de 100 talentos. (É possível que mais tarde se adicionasse a Ituréia, sendo, por conseguinte, omitida por Josefo.) Ele governou por mais de trinta anos.
O nome de Filipe é mencionado apenas uma vez na Bíblia, em relação com a determinação cronológica do ministério de João, o Batizador. (Luc. 3:1) Este texto, junto com informações históricas sobre os reinados de Augusto e de Tibério, mostram que o ministério de João começou em 29 E.C.
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Herodes, Partidários DeAjuda ao Entendimento da Bíblia
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HERODES, PARTIDÁRIOS DE
[Gr., Herodianoí].
A identificação exata deste grupo não é segura, pois não há nenhuma menção dos herodianos (BJ; CBC; PIB) na história secular, e poucas referências bíblicas se faz a eles. (Mat. 22:16; Mar. 3:6; 12:13) Há fortes objeções a se crer, como alguns o fazem, que os herodianos fossem quer domésticos de Herodes, quer seus soldados, quer os oficiais da sua corte. A maioria dos peritos crê, e o peso dos argumentos é, no sentido de que eles eram partidários judaicos ou adeptos do partido da dinastia dos Herodes, que recebeu sua autoridade de Roma. Durante o ministério de Jesus Cristo, Herodes Ântipas encabeçava tal dinastia.
Politicamente, os herodianos se situavam no meio-termo, sofrendo a oposição, de um lado, dos fariseus e dos zelotes judaicos que advogavam um reino judeu completamente independente do controle romano, e, do outro lado, dos que advogavam a completa absorção da Judéia pelo Império Romano. Alguns dos saduceus, classificados como livres-pensadores e moderados no judaísmo, provavelmente pertenciam à escola herodiana de pensamento. Esta última conclusão provém das narrativas feitas por Mateus e Marcos da declaração de Jesus sobre o fermento. Segundo Mateus 16:6, Jesus disse: “Vigiai-vos do fermento dos fariseus e dos saduceus”, ao passo que Marcos 8:15 afirma: “Acautelai-vos do fermento dos fariseus e do fermento de Herodes.” A repetição da palavra “fermento” sublinhava que havia uma diferença nos ensinos corruptos dos dois grupos. Ao invés de “Herodes”, este último texto reza “herodianos” em alguns manuscritos, a saber, o Papiro Chester Beatty N.° 1 (P45), o Codex Washingtonianus I e o Codex Koridethianus.
Uma coisa é certa: os partidários de Herodes e os fariseus, embora abertamente opostos uns aos outros em seus conceitos políticos e judaísticos, estavam solidamente unidos em sua violenta oposição a Jesus. Pelo menos em duas ocasiões estes grupos oponentes fizeram consultas entre si sobre o melhor modo de livrar-se de seu oponente comum. O primeiro caso relatado ocorreu pouco depois da Páscoa de 31 E.C., durante o Grande Ministério de Jesus na Galiléia. Ao ver Jesus restaurar a mão ressequida dum homem no sábado, “os fariseus saíram então e começaram imediatamente a entrar em conselho contra ele com os partidários de Herodes, a fim de o destruírem”. — Mar. 3:1-6; Mat. 12:9-14.
A segunda ocasião relatada se deu cerca de dois anos depois, apenas três dias antes de Jesus ser morto, quando os discípulos dos fariseus e os partidários de Herodes uniram forças para submeter Jesus à prova na questão dos impostos. Tais homens foram secretamente contratados “para pretenderem ser justos, a fim de que o pudessem apanhar na palavra, para o entregarem ao governo e à autoridade do governador”. (Luc. 20:20) Eles prefaciaram sua pergunta direta sobre os impostos com palavras lisonjeiras, destinadas a pegar Jesus desprevenido. Não obstante, Jesus, percebendo sua iniqüidade astuciosa, declarou: “Por que me pondes à prova, hipócritas?” Então os reduziu por completo ao silêncio com sua resposta sobre a questão do pagamento de impostos. — Mat. 22:15-22; Luc. 20:21-26.
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