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O surpreendente vulcãoDespertai! — 1976 | 22 de junho
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escala. Mas, os vulcões também têm servido para beneficiar o homem. O vapor vulcânico foi canalizado para produzir calor e energia elétrica. Fontes termais servem para fins medicinais, para lavagem de roupa e para banhos. Pode-se usar a lava como material de construção. O púmice é um agente popular para lixar e polir. E os leitos de lava, visto serem porosos e permitirem o ajuntamento de água doce, são importantes fontes de água. Muitos, deveras, para o homem, são os benefícios do surpreendente vulcão.
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Excursão até uma aldeia xerpaDespertai! — 1976 | 22 de junho
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Excursão até uma aldeia xerpa
CONFORME NARRADO AO CORRESPONDENTE DE “DESPERTAI!” NA ÍNDIA
MEU nome é Nawang Phintso, e sou um guia xerpa. Já ouviu falar dos xerpas? Deve ter ouvido. Em especial se tiver o coração cheio de coragem e disposição de desafiar os frios e agourentos Himalaias nepaleses. Meu povo, os xerpas, são amigos muito íntimos dos Himalaias. Por milhares de anos, esta cordilheira nos oferece um lar aqui em seu colo coberto de neve. O famoso Monte Evereste é nossa sentinela de cada dia. Com seus pés plantados bem diante de nós, e erguendo-se a 8.848 metros de altitude, é deveras o monarca supremo desta inteira cordilheira.
Se nós, os xerpas, parecemos orgulhosos de nosso lar montanhoso, ainda o somos muito mais de nossas filhas de faces coradas e de nossos filhos fortes e rústicos. Nossas casas são grandes e acolhedoras, e também o é nosso coração. O sorriso xerpa é um que as pessoas jamais esquecem — tão luminoso e caloroso que a pessoa se esquece do penetrante frio himalaico. Mas, por favor, venha excursionar comigo até minha aldeia de Junbesi, e prove pessoalmente nossa genuína hospitalidade xerpa.
Esta é uma excelente época do ano para excursionar, aqui no Nepal, de outubro a dezembro. Janeiro e fevereiro também são meses permissíveis, uma vez que se disponha a suportar o extremo frio e desconsiderar a forte queda de neve.
Mas, antes de partir, temos de solicitar uma licença de excursão, expedida pelo Escritório Central de Imigração. Quanto a carregadores, já fiz arranjos para dois, um par de jovens fortes e vigorosos. E aqui está Sonam, de minha aldeia, um cozinheiro muito procurado para aguçar nosso paladar quando paramos para comer.
Tudo está pronto? Daí, partimos de Catmandu em um utilitário, em direção a Lamsangu, a 72 quilômetros de distância. O ar, esta manhã, está fresquinho como uma maçã — límpido, claro e revigorante, bem próximo daqueles distantes picos montanhosos.
Acha-se em Excursão
Em Lamsangu, começamos a caminhar e a subir. A brisa da tarde é fresca. Precisa dela para ajudá-lo nesta subida. A trilha é seca, poeirenta e estreita. Olha para o alto e a vê serpenteando. De ambos os lados, os campos de milhete e de trigo vão descendo até encontrarem a corrente lá embaixo. Estica seu pescoço na esperança de conseguir vislumbrar algum pico branco. Mas, eu digo: “É preciso perseverar. Só andou por três horas. Talvez, amanhã de noite, os orgulhosos Himalaias lhe concedam uma audiência.”
Mas, para essa tardinha, embora sejam apenas 17 horas, é tempo de montar acampamento. Antes que as crescentes sombras das trevas nos sobrepujem, temos de fincar tendas e preparar algo para comer.
Chegamos à altitude de 1.800 metros, a um lugar chamado Thulo Pakha, e o frio se faz sentir. Logo Sonam preparou uma iguaria xerpa para nossos estômagos — um cozido quente e grosso de farinha de trigo frita, legumes e pimenta malagueta que efetivamente aquece nossas orelhas, e pedaços de galinha para saciar nossa fome ardente. Agora é tempo de dormir. Sei que só são 19 horas, mas precisará de muito descanso se quiser chegar até meu lar, a terra dos xerpas.
Na manhã seguinte, saboreamos um bom desjejum de café, ovos e torradas, e então voltamos a subir e escalar montanhas de novo. Depois de três horas, atingimos uma altitude de uns 2.500 metros, onde paramos para almoçar. O local é Muldi. E, vejam só! Sua paciência é parcialmente recompensada. Vê aquelas montanhas brancas à distância? Aquela ali é Annapurna, de 7.937 metros de altitude. Este é apenas o começo, contudo. Quanto mais excursionamos, tanto mais generosa se torna a vista destes majestosos Himalaias.
Experiências Que Jamais Olvidará
Quatro dias de momentosa excursão já se passaram. Quatro dias de algumas das mais fascinantes experiências a lembrar! Experiências que, até então, só existiam em seus sonhos e nos livros de histórias. Enquanto estão frescas em nossa memória, vamos rememorar algumas delas.
A primeira manhã começou com uma experiência de gelar a espinha! Foi quando atravessamos a ponte suspensa que balançava, pairando perigosamente sobre as águas agitadas duma corrente himalaica. Mais tarde, lutamos para subir colina acima até o imponente desfiladeiro de Manga Deorali (2.380 metros), e isso por certo nos fez sentir como heróicos aventureiros. Inesquecível, também, foi aquela romântica parada para o chá na plataforma relvosa de Chitre (2.280 metros), seguida pelo passeio tranqüilo pela terra dos arbustos alpestres e de juníperos retorcidos, coroado por revigorante almoço no lindo Kirantechhap! Depois de incomum noite passada em Namdu, passamos o dia seguinte subindo mais uma vez as colinas para atravessar outro desfiladeiro, a 2.500 metros. A noitinha, chegamos a Sikri Khola, onde passamos a noite acampados junto àquelas águas reluzentes. Ali, em sono pacífico, nossos sonhos se misturaram com o rumorejar da corrente lá embaixo.
Passaram-se duas outras noites. A mais memorável delas, há de lembrar-se, foi gasta no vale dos sonhos de Chhayangma, onde fomos bem recebidos pelos solitários, porém ornamentosos, Chorten budistas. Chorten é o nome xerpa para imponentes monumentos de pedra, usualmente de vários metros de altura. Estes são constituídos de camadas. A camada mais alta tem uma grande cúpula achatada. Acima desta cúpula há um pequeno turbante, amiúde encimado por um cone vistoso. Às vezes o turbante apresenta quatro faces lisas, cada uma com um par de olhos mongolóides estreitos e coloridos. Parecem tão penetrantes e reais. Crê-se que os chortens detêm as cinzas dos ancestrais venerados. Mas, o aspecto mais atraente destes chortens é que são construídos nas partes mais seletas das encostas. Com isso quero dizer os lugares dos quais se têm linda vista panorâmica e sempre mutante das montanhas vizinhas acima e das aldeias embaixo. É uma experiência inesquecível, pacífica, sentar-se junto a um chorten e deixar os olhos deleitar-se no cenário vizinho.
Bem-Vindo à Minha Sorridente Aldeia Xerpa!
Emergimos da majestosa cordilheira de Lamjura, numa elevação de 3.614 metros. E agora, espraiando-se abaixo de nós há o sorridente vale de Junbesi. Este é o meu lar, minha feliz aldeia xerpa nos Himalaias! Adeus aos campos dispostos em terraços. Bem-vindo à terra dos majestosos pinheirais, ao meu caloroso lar xerpa nas frescas cercanias alpinas.
Antes de entrarmos na aldeia, sentemo-nos por um instante aqui nesta colina. Como vê, uma aldeia xerpa difere das aldeias de outros grupos étnicos nepaleses. Por um lado, os povoados xerpas situam-se sempre em altitudes mais elevadas. Minha aldeia de Junbesi se localiza a 2.680 metros acima do nível do mar, e encontrará aldeias xerpas maiores situadas de 3.000 a 4.200 metros acima do nível do mar, apegando-se perigosamente em íngremes encostas montanhosas.
A noite se põe rápido, de modo que é melhor descermos correndo para meu lar. Ouve o som de nosso dzo? Trata-se de nossa vaca, diferente, por certo, das vacas que conhece, visto que é um cruzamento do zebu indiano com o iaque himalaico. Os mastins da aldeia ladram furiosamente diante dos vultos escuros do entardecer. E a fumaça que sobe das casas aguça nossa fome. Alguém já disse: “Leste ou Oeste, tanto faz, mas é no lar que encontro paz”, e tenho de concordar. É tão satisfatório voltar para casa, sob os protetores Himalaias!
Entre Numa Casa Xerpa
Esta minha casa xerpa é grande, de dois pavimentos, com um teto baixo, de duas águas, coberto de telhas de madeira. A maioria das casas xerpas similares à minha são construídas de frente para o sul, e possuem janelas requintadamente esculpidas.
Subimos pela limpa escada de madeira até o corredor envernizado, e entramos na sala de estar à direita. O assoalho de madeira é meticulosamente limpo e lustrado. Logo abaixo das janelas que dão para o oriente há um sofá comprido, coberto com abundantes tapetes tibetanos — magníficos tapetes de lã, representando o dragão oriental, o sol resplandecente e flores simbólicas, todos tecidos em vermelho cor de fogo, azul forte, laranja brilhante, ouro e outras tonalidades que combinam. Correspondendo ao comprimento do sofá há uma mesa de madeira em frente dele. Toda manhã pode ver minha irmã, Ang Kandi, polindo-a com alguma sobra de manteiga ou de folhas amargas da floresta. O brilho provém da manteiga, mas as folhas mantêm a mesa inteiramente livre de moscas.
Um Mar de Rostos Estranhos, mas Amigáveis!
Aqui está, mal acabou de entrar e é cercado por uma hoste de rostos estranhos e curiosos. Olhe só as nossas mulheres! Altas e de bela compleição. Não é de admirar que nos orgulhemos muito delas. Deixe-me contar-lhe algo sobre o que estão vestindo. O manto de lã negra, quente, até os tornozelos é o que chamamos de angi. Notará que um bom número das mulheres trajam coloridos aventais grossos, significando que são casadas. Aquelas botas pesadas de tecido brilhante as mantêm aquecidas e indiferentes ao frio. Possuem longos cabelos acetinados, que, nos dias úteis, trançam, formando longa echarpe floral sobre suas testas. Seus rostos são claros e rosados, com bochechas redondas e carnudas, e seus olhos negros são um pouco oblíquos. Nossos homens fortes e vigorosos também se puseram ao lado delas, rindo e brincando livremente. Eis aqui notável diferença na vida social xerpa da de todos os outros grupos étnicos do Nepal. Ao invés de se porem em segundo plano, nossas mulheres juntam-se livremente às multidões.
A Calorosa e Informal Hospitalidade Xerpa
Aqui vêm meus pais. Seus amplos sorrisos solicitam que se sente no sofá recoberto de tapetes. Ang Kandi coloca diante de você pequenas taças brancas e adornadas de porcelana, entre pires e tampas de formatos lindos. Nelas, mamãe derrama o grosso e fervente chá xerpa. Você o bebe! Atinge diretamente seus nervos cansados. É diferente de todos as outras chávenas de chá que já tomou em sua vida! E deveria ser, pois bebeu alguma vez chá cabalmente batido com manteiga de iaque, sal, açúcar e leite num liqüidificador de bambu, de 1,20 metros, chamado dongmo?
Deixe-me falar-lhe sobre a disposição dos lugares numa família xerpa. Primeiro, na ponta do sofá, mais perto do fogo, senta-se meu pai. Em seguida, você, o honroso convidado, e depois de você termina a formalidade. Ali vêm meus parentes. Dizem que vieram ver-me. Mas, na realidade, estão aqui para dar uma espiada de perto em você. No fundo de seus corações, desejariam poder falar sua língua e ver o mundo que você conhece.
Antes de começarmos a jantar, eis aqui um aperitivo! É o que chamamos de chang. É a típica e exótica cerveja xerpa. De baixo teor alcoólico, e feita em casa com milho, trigo e levedo, é de cor branca, espumante e leitosa. Mais uma vez, aquelas taças adornadas estão à sua frente. Minha irmã se dirige ao papai com o chang numa chaleira especial de porcelana enfeitada de prata. Uma por uma, enche-se a taça de todos.
Chang consegue quebrar o gelo em qualquer companhia. Depois do jantar, as disposições ainda continuam animadas. Agora o grupo inteiro se colocou ao redor das chamas saltitantes da lareira. As mulheres ficam de cócoras, amamentando no peito seus bebês rosados e rechonchudos. As piadas inconcebivelmente engraçadas dos xerpas são saudadas com altas gargalhadas. Daí, alguém deseja mudar, uma história de arrepiar os cabelos como um último trago antes de dormir! E, depois disso, é hora de todos se deitarem.
A Dança de Mani Rimdu
Esta é a segunda manhã que passa junto com os xerpas em Junbesi, e o dia promete ser bem movimentado. Como vê, nós, os xerpas, começamos a celebrar a festa de danças de Mani Rimdu. Durante três noites consecutivas, teremos lua cheia. Realizam-se as danças no mosteiro de Chiwong, espetacularmente situado no alto de um penhasco, a 2.950 metros acima do nível do mar. A festa de Mani Rimdu é exclusiva dos xerpas. Mas, suas origens remontam ao mundo do teatro tibetano de antanho.
Para esta ocasião, a maioria de nossos homens e rapazes se vestem de calças laveda, cinto de couro, paletó ocidental e gorro nepalês. No entanto, sua figura é simples demais quando comparada ao estonteante adorno de nossas mulheres, que se vestem de caros angis de seda, usados sobre blusas de cetim soltas e graciosas. Os angis são, na maioria, pretos, púrpura, dourados ou cor de cobre, ao passo que as blusas são vermelhas, alaranjadas e cremes. Grandes colares e jóias caraterísticas de ouro pendem pesadamente sobre seu peito e de suas orelhas. Os cabelos negros, acetinados, são entremeados de linhas de cores quentes. Para coroar tudo isso, dispõem daqueles gorros altos e elegantes de pele, ricamente bordados em ouro em volta da coroa. Isto combina com suas botas igualmente atraentes, usualmente pretas, vermelhas e azul-turquesas.
Às oito da manhã estamos prontos para partir. Os homens, bem como as mulheres, transportam grandes quantidades de manteiga, queijo, ovos e dinheiro, que são oferecidos ao sacerdote principal do mosteiro. Depois de duas horas de caminhada, subindo e descendo, chegamos ao mosteiro de Chiwong. Encontra ali uma onda de gente que superlota as sacadas e que entram e saem pelo portão principal.
Por volta das 11 horas, começa a dança, exclusivamente da parte dos subsacerdotes do mosteiro, ao passo que o sacerdote principal fica olhando. Algumas das expressões mais inimaginavelmente horríveis e desumanas são representadas nas máscaras usadas pelos dançarinos. Os címbalos se chocam, soam as trombetas, e os enormes tambores do mosteiro trovejam sua batida rítmica. Enquanto isso, aqueles lamas (sacerdotes) cheios de energia dançam uma história completa. Quando terminam, já são 18 horas.
As danças do dia pertencem aos lamas, enquanto que a noite é deixada inteiramente para os leigos. Sim, durante três noites em série, homens e mulheres xerpas pouco dormem. A pálida e pacífica lua no alto parece censurar a loucura das festanças lá embaixo. Entoam-se canções folclóricas bem alto e bom som, os agudos tons femininos misturando-se com as vozes masculinas, profundas e ressoantes. Quanto aos velhos e as crianças, tiram sua soneca ao ir passando a noite.
Adeus!
Você afirma que precisa partir, e não podemos impedi-lo. Assim, permita, por obséquio, que meu povo lhe diga adeus do modo xerpa: Desejam adorná-lo com o tradicional lenço branco. É sinal de profundo respeito. Vou descer com você até Catmandu. Sonam, nosso cozinheiro, bem como nossos dois fiéis carregadores, nos acompanharão. Quanto a Sonam, nossos carregadores e eu, voltaremos em breve, e esperamos que retorne também. Faça o favor de voltar. Volte de novo a este vale himalaico de Junbesi — à sempre sorridente aldeia xerpa!
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Evolução e cristianismo — são compatíveis?Despertai! — 1976 | 22 de junho
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Qual É o Conceito da Bíblia?
Evolução e cristianismo — são compatíveis?
SEGUNDO a teoria da evolução, todas as coisas vivas se desenvolveram de organismos unicelulares que vieram à existência há centenas de milhões de anos. Supostamente, apenas as mudanças biológicas produziram a infinita variedade de plantas e animais existentes hoje na terra.
Entre os que aceitam esta teoria acham-se muitos que crêem em Deus. Sustentam que Deus iniciou e dirigiu o inteiro processo evolucionário. Concorda com tal conceito?
Muitos acham que não existe real conflito entre a teoria da evolução e os princípios básicos do cristianismo. No entanto, há certos assuntos básicos em que não podem absolutamente conciliar-se.
Destacada entre estes é a afirmação dos evolucionistas de que todas as formas de vida se desenvolveram
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