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  • Tem seu filho problemas de aprendizagem?
    Despertai! — 1983 | 8 de novembro
    • “Não Pode Dar um Jeito Nessa Criança?”

      É de admirar que tal criança seja dada a acessos de ira, frustração e acessos de mau humor? Afinal, ela talvez “ouça” e “veja” apenas fragmentos de informação. Talvez não saiba coordenar as coisas e seja chamada de estúpida pelos colegas de classe. Pior de tudo, talvez não seja entendida pelos pais ou pela professora.

      Não é fácil, admite-se, conviver com uma criança cuja percepção e noção de tempo seja nula tão grande parte do tempo. Tal genitor talvez sinta ansiedade e frustração com mais freqüência do que outros. Infelizmente, porém, a situação difícil delas muitas vezes gera críticas. “Não pode dar um jeito nessa criança?”, talvez pergunte um observador crítico.

      O genitor talvez sinta que alguma coisa errada existe com a criança, mas não sabe o quê. Contudo, detectar cedo é importante. Se não for tratada, tal criança pode tornar-se retraída e alienada, sem nunca atingir seu potencial pleno.

      “Doutor, Meu Filho Tem Todos os Sintomas”

      É o que talvez diga um genitor preocupado, empunhando um artigo de revista sobre incapacidade de aprendizagem. Literalmente centenas de milhares de crianças estão sendo classificadas de “incapacitadas para a aprendizagem”. Algumas, é claro, realmente o são. Mas, poderia ser o caso de essa classificação estar sendo aplicada indiscriminadamente a um número grande demais de crianças?

      “Muitas crianças, que nada têm disso, estão sendo classificadas como [incapacitadas para a aprendizagem]”, diz o psiquiatra Thomas P. Millar. Por que esse erro de classificação? “Querer ser pai ou mãe sem-defeito” é uma das razões, explica Millar. O genitor, angustiado, diz: “O motivo de meu filho não estar aprendendo bem não é que eu tenha sido um genitor incompetente. Não, o motivo é que ele tem incapacidade de aprendizagem.” Mas, tem mesmo? Ou poderia ser “incapacidade parental”?

      Ou, talvez, “incapacidade de ensino”? Diz a dra. Barbara Bateman, reconhecida autoridade em incapacidade de aprendizagem: “A incapacidade de aprendizagem se tem tornado uma desculpa incrivelmente bem-sucedida para a falha das escolas públicas em ensinar adequadamente as crianças que realmente precisam de um bom ensino.”

      Outro termo usado comumente é hiperatividade (ou, hipercinesia), amiúde associada à incapacidade de aprendizagem.a Que é hiperatividade? Segundo um informe publicado pela Academia de Psiquiatria Ortomolecular, dos EUA, é a “atividade física que parece impulsionada — como se existisse um ‘tornado interno’ — de modo que a atividade está além do controle da criança, em comparação com outras crianças”. Os sintomas? períodos curtos de concentração, distrair-se com facilidade, movimento impulsivo de um lugar para outro, dificuldade em se concentrar numa coisa, incapacidade de ficar sentada quieta.

      “Meu filho é assim”, um genitor talvez diga. Mas não se apresse em diagnosticar seu filho. O fato de ele ser inquieto, vigoroso ou agitado, não significa necessariamente que seja hiperativo. Pode existir alguma outra causa — alergia a certo alimento, falta de sono, ou algum problema de audição ou visão.

      Naturalmente, a incapacidade de aprendizagem e a hiperatividade são bem reais, embora os números talvez sejam exagerados. Que deve fazer caso suspeite que seu filho sofre de incapacidade de aprendizagem? Procure conselho especializado. A criança não deve ser classificada de “incapacitada para a aprendizagem” a menos que tenha sido submetida a um exame cuidadoso.

      Tenha uma conversa franca com o(a) professor(a) de seu filho. Não receie fazer perguntas. Certifique-se se é realmente incapacidade de aprendizagem, não incapacidade de ensino. Descubra o que é, e o que pode ser feito a respeito. Às vezes, simplesmente entender um problema pode ser de ajuda. Uma vez feito o diagnóstico, o que vem em seguida?

  • Pais — que podem fazer?
    Despertai! — 1983 | 8 de novembro
    • Pais — que podem fazer?

      “NADA DÁ CERTO!” “Ele simplesmente não entende!” Assim desabafa o genitor frustrado. Como pode você ter êxito ao lidar com seu filho que sofre de incapacidade de aprendizagem? E o que pode fazer a respeito da hiperatividade, se o problema for este?

      A criança com problemas de aprendizagem precisa do que todas as outras precisam — ser amadas, entendidas e aceitas por seus pais. Mas talvez requeira tempo e atenção adicionais. Ela talvez perceba que há “algo de errado” com ela. Precisa ser vez após vez reassegurada de que é inteligente, não retardada. Simplesmente precisa de mais tempo para aprender do que as outras crianças.

      Em muitos lugares existem programas educacionais especializados. Ensinar uma criança que não aprende pelo método normal exige técnicas de ensino especiais. Para os pais isso muitas vezes é difícil; as emoções se interpõem no caminho. Em alguns lugares existem organizações dedicadas a ajudar os pais dessas crianças.

      Além disso, há muito que você, o genitor, pode fazer para melhorar a situação doméstica. À medida que tornar o ambiente do lar ordeiro, cheio de amor e firmeza pelo que é direito, seu filho se sentirá seguro e feliz. Ao mesmo tempo, tenha em mente que os problemas de comportamento de seu filho podem ser resultado direto de sua incapacidade de aprendizagem; talvez esteja extravasando suas frustrações. Oferecem-se a seguir algumas sugestões para ajudar, não a curar, mas a controlar seu filho incapacitado para a aprendizagem.

      Se a criança tiver problemas de percepção auditiva, primeiro certifique-se de que quando você lhe dirige a palavra, ela lhe dê atenção. Daí fale devagar, sem dar instruções demais de uma só vez. Peça-lhe que repita o que você disse. Lembre-se, ela nem sempre “ouve” você. De fato, tais crianças freqüentemente ouvem mal os sons: “Oh!, pensei que o sr. disse saia,” mas na verdade a palavra foi “sala”. Você pode também experimentar escrever as instruções e enfiá-las no bolso dela. Ela talvez andará com um bolso cheio de instruções, mas pelo menos se lembrará do que fazer!

      Disciplinar uma criança com incapacidade de aprendizagem e que talvez seja hiperativa de modo algum é fácil. A mãe de Márcio recorda-se: “Concluí que Márcio era incapaz de distinguir o certo do errado. Passei a desculpar seu comportamento. Mas, no fim daquele ano meus problemas eram maiores, e ele não me respeitava.”

      Portanto, não desista! Como Provérbios 29:15 recomenda sabiamente: “A vara e a repreensão é que dão sabedoria; mas, o rapaz deixado solto causará vergonha à sua mãe.” Como, porém, lidar com uma criança assim?

      “Quando se trata de comportamento, procuro sondar bem a minha filha para distinguir reações tipo não posso das não quero”, diz Sandra, cuja filha tem incapacidade de aprendizagem. “Daí sei se devo usar de compreensão ou de firmeza ao lidar com o problema.”

      Tal perspicácia demonstrará à criança sua justiça e firmeza pelo que é direito. Isso pode ser extremamente eficaz no relacionamento com ela.

      Que dizer sobre punição? Uma punição longa, como um mês sem TV, em geral é ineficaz. Por quê? Porque lá pela metade do mês ela não mais se lembrará do motivo da punição. Mas, avisá-la de que um passeio ao zoológico (ou outra coisa que ela aguarde) será cancelado se continuar a se comportar mal, em geral funciona melhor. Naturalmente, ela precisa ter certeza de que você está falando sério. Você deve ter determinação. “Deixai simplesmente que a vossa palavra Sim signifique Sim, e o vosso Não, Não”, recomenda a Bíblia. (Mateus 5:37) Dá realmente certo?

      A mãe de Márcio relatou o seguinte: “Cada vez que ele se comportava mal eu o punha de castigo por quatro minutos, sempre no mesmo canto. Se num prazo razoável ele não fizesse o que eu mandasse, se se apoderasse de brinquedos de outros, se tivesse um acesso de fúria, lá ia ele para o castigo. Isso era extremamente eficaz.”

      Outra coisa muito importante: rotina e organização. Essas dão a tais crianças a necessária estrutura. A rotina e organização diminuem a confusão. Um horário certo para as refeições, os deveres domésticos, o levantar-se e o ir dormir, e assim por diante, ajudá-las-ão a criar bons hábitos. E uma vez estabelecida uma tabela, tente apegar-se a ela.

      Uma palavra sobre o bem-estar emocional de seu filho. Como dito no artigo anterior, a criança incapacitada para a aprendizagem amiúde é mais suscetível à frustração e ao desapontamento do que outras. Que pode você fazer? As crianças aprendem muito pelo exemplo. Assim, se seu filho percebe que você é capaz de achar graça de seus próprios enganos, isso pode ajudá-lo a fazer o mesmo com os dele. Fazê-lo expor verbalmente seus sentimentos também pode ajudar. Se você expuser a ele seus próprios sentimentos, isso facilitará a ele expor os dele a você.

      Que Dizer Sobre Controlar a Hiperatividade?

      Embora nem todas as crianças com incapacidade de aprendizagem sejam hiperativas, uma significativa alta porcentagem o são. Isto, naturalmente, complica uma situação já difícil. Como no caso da incapacidade de aprendizagem, a hiperatividade pode variar de moderada a grave. Às vezes pode-se controlar a hiperatividade por uma mudança de ritmo, por simplesmente mudar para uma atividade diferente. Além disso, qual a melhor maneira de controlar a hiperatividade?

      Uso de medicamentos: Em alguns casos receitam-se anfetaminas (drogas estimulantes). Drogas estimulantes? Sim. Paradoxalmente, elas tendem a exercer um efeito calmante sobre crianças hiperativas, acondicionam a atividade dentro dos limites normais e melhoram a concentração. Se cogitar esse tipo de tratamento, desejará pesar os possíveis efeitos colaterais: nervosismo, insônia, hipersensibilidade, tonteira, palpitações, perda de apetite e interrupção do crescimento. Alguns especialistas recomendam o uso cuidadoso desses medicamentos, sob supervisão médica. Outros, contudo, são ainda mais cautelosos, dizendo que ainda não se sabe o suficiente sobre a segurança e a eficácia do uso prolongado de drogas estimulantes no tratamento da hiperatividade. Assim, você precisa decidir.

      Eliminação de Aditivos Alimentícios: Pela primeira vez em 1973, o dr. Ben Feingold, pediatra alergista do Centro Médico Kaiser-Permanente, de São Francisco, EUA, opinou que uma dieta isenta de aditivos alimentícios e corantes artificiais pode melhorar drasticamente o comportamento de pelo menos 50 por cento de crianças hiperativas. Cria-se que essas crianças têm reações alérgicas a aditivos alimentícios e corantes, que provocam efeitos adversos no comportamento.

      Mas, desde 1973 se arrasta uma controvérsia, os especialistas atacando e rebatendo esse assunto. Os seguintes comentários do dr. Stanford Miller, da Administração de Alimentos e Remédios, dos EUA, resumem a controvérsia: “Os estudos sugerem que existe um certo tipo de ligação entre o comportamento de certos grupos de crianças e os componentes alimentícios, mas, baseado na evidência que temos, sou obrigado a concluir que ainda não dá para decidir a questão.”

      Terapia Hipervitamínica: A terapia hipervitamínica tem sido usada no tratamento de algumas crianças com hiperatividade. O tratamento consiste em maciças doses de vitaminas, na supressão do açúcar e na manutenção cuidadosa da nutrição correta. Em alguns casos, tem resultado num significativo recuo da hiperatividade.

      Mas, de novo, os especialistas não são unânimes. Alguns afirmam que a terapia hipervitamínica aparentemente não surte efeito sobre a incapacidade de aprendizagem ou a hiperatividade, alertando que podem surgir problemas de saúde causados pelos efeitos colaterais de altas dosagens de vitaminas. Como explicam a melhora em crianças tratadas com terapia hipervitamínica? Atenção aumentada da família para com os problemas da criança e a determinação de ajudá-la, afirmam.

      Por outro lado, os defensores da terapia hipervitamínica argumentam que os efeitos colaterais que às vezes ocorrem se relacionam à dose usada e diminuem com a redução da dosagem.

      É aconselhável consultar um médico, especialmente um pediatra, tanto para o diagnóstico como para a aplicação de qualquer terapia acima mencionada.

      Não existe remédio fácil, é claro. Mas uma coisa parece certa. A incapacidade de aprendizagem e a hiperatividade são males reais, causados por um ou mais fatores alheios à relutância da própria criança em ficar “quieta” ou se recusar a aprender. Tal criança precisa de ajuda especial para atender às suas necessidades especiais. Acima de tudo, precisa dum genitor que entenda sua “diferença”. Isso apresenta um verdadeiro desafio para os pais, conforme mostra o artigo seguinte.

      E o futuro? Com treinamento adequado, muitas dessas crianças podem levar uma vida normal, produtiva. Leonardo da Vinci, Tomás Edison e Albert Einstein estão entre os que enfrentaram com êxito os problemas de aprendizagem.

      Mas, há uma razão ainda maior para esperança. O cumprimento da profecia bíblica indica claramente que vivemos nos “últimos dias” (2 Timóteo 3:1-5) Aproximamo-nos depressa do fim deste sistema de coisas iníquo. Que se seguirá? Uma Nova Ordem justa criada por Deus, em que as deficiências, tais como a incapacidade de aprendizagem, serão eliminadas. Imagine! Não mais haverá lacuna entre o potencial e a realização. Não mais crianças como Márcio se sentirão como um peixe fora d’água. — 2 Pedro 3:13; Revelação [Apocalipse] 21:1-4.

      [Destaque na página 8]

      “Seu filho quer aprender! . . . Seu mau comportamento é uma reação normal à frustração . . . O mau comportamento e o seu modo de dizer: ‘Dêem-me atenção! Eu tenho problema de aprendizagem. Preciso de ajuda!’” — Dr. Robert D. Carpenter

      [Foto na página 9]

      Tente distinguir reações tipo não posso das não quero.

      [Foto na página 10]

      Ele precisa de estímulo constante.

  • O relato de uma mãe
    Despertai! — 1983 | 8 de novembro
    • O relato de uma mãe

      ESTÁVAMOS com uns 25 anos e prestes a nos tornar pais. Oh!, como queríamos essa criança! Cuidei bem de minha dieta, tive bons cuidados pré-natais e fiz tudo ao meu alcance para garantir um bebê normal, sadio.

      Quando começaram os trabalhos de parto, emocionados, fomos ao hospital. Mas, quanto esperamos! Após mais de 24 horas, o médico, temeroso de que o bebê estivesse mostrando sinais de cansaço, ordenou a estimulação por indução medicamentosa do trabalho de parto.

      Horas depois acordei e soube que tivéramos uma menina. Quando vimos Jessica, quão emocionados ficamos! Notamos, porém, que ela era muito avermelhada — diferente dos demais recém-nascidos. Os médicos nos garantiram de que ela era normal e sadia; era um quadro temporário, provocado pelo parto difícil.

      Os primeiros três meses com qualquer criança podem ser bastante provadores. Mas Jessica sempre parecia estar berrando, por longos períodos. O médico não ligava, dizendo: “Ela vai superar isso.” Aos seis meses Jessica começou a engatinhar. Parecia cheia de energia, rapidamente passando de uma coisa para outra. Observadores diziam: “Observá-la me dá dor de cabeça.”

      À medida que Jessica se aproximava dos dois anos, as coisas pioravam. Estava sempre caindo e se machucando. Chorava facilmente e amiúde sem razão aparente. A hora das refeições em geral era uma cena de choro. Pior de tudo eram os acessos de mau humor. “Por quê?”, nos indagávamos, “só porque dissemos: ‘você não vai ganhar mais um biscoito’?”

      No lado mais alegre, o comportamento dela tinha seus aspectos divertidos. Certa vez, numa loja de departamentos, ela entrou na vitrina, desnudou o manequim e passou a tirá-lo de lá! ‘Mas, que pensa ela sobre essas coisas?’, nos perguntávamos.

      Havia também os desastres em casa, constantes confusões em larga escala. Eu emagrecia. Como podia agüentar essa criança de só dois anos mas que não dormia antes da meia-noite e levantava assim que amanhecia o dia? Mesmo os conhecidos diziam: “Ela certamente é dose para leão.” Tentávamos ser firmes, mas por que nada dava certo?

      Hiperativa?

      Nessa época, uma amiga visitante, vendo a nossa aflição, disse-nos que o filho dela era hiperativo e nos perguntou se já havíamos pensado em consultar um médico especialista em hiperatividade. Ela estava convencida de que seu filho fora ajudado, e nos instou a fazer alguma coisa.

      Hiperativa?, nos perguntávamos. Não queríamos precipitadamente tirar uma conclusão errada. Mas, após uma demorada consulta médica e alguma observação do comportamento de Jessica, ela foi, sem vacilação, diagnosticada qual hiperativa. O médico recomendou a supressão do açúcar de sua dieta e que tomasse certas vitaminas, opinando que a falta de vários nutrientes no corpo causava-lhe um desequilíbrio químico, que produzia a hiperatividade.

      Pensando no assunto, lembramos que há muito havíamos notado que após comer certos alimentos, especialmente guloseimas, Jessica parecia “super-carregada”. Agora sentíamos finalmente que tínhamos por onde começar. Passamos a manter um registro dos alimentos consumidos e do comportamento. O açúcar em si parecia não ser o culpado; parecia que alguns alimentos com açúcar não a afetavam.

      Pouco depois topamos com um artigo num jornal a respeito de um alergista e seu livro recente sobre como corantes e aromatizantes artificiais têm sido ligados à hiperatividade. Isso parecia mais específico, pensamos. Ao lermos o livro, parecia fazer muito sentido. Poderia ser esse o problema de Jessica?

      As nossas suspeitas aparentemente se confirmaram. A eliminação de todos os corantes e aromatizantes artificiais produziu resultados dramáticos! Jessica ficou bem mais calma. Era como se seu motor, antes com rotação alta demais para o corpo dela, estivesse agora na rotação normal.

      Eliminar corantes e aromatizantes artificiais, isso é muito fácil, pensávamos . . . até que passamos a ler as composições! Eles estão em toda a parte! Acrescente-se a isso comer em restaurantes, na casa de amigos — não é tarefa fácil. Contudo, havia ocasiões em que Jessica comia um confirmado “artificial” e nada acontecia. Assim, não se revelou alérgica a todos os corantes e aromatizantes artificiais.

      Problemas na Escola

      O tempo passou. Quando Jessica tinha quatro anos e meio, nasceu seu irmão, Cristiano. Pensávamos que finalmente teríamos uma vida um pouco mais normal. As pessoas notaram a mudança no comportamento de Jessica. Pela primeira vez vimos brotar sua verdadeira personalidade.

      Agora emergia uma nova dimensão. Já sabíamos que Jessica era muito desastrada, caindo muitas vezes e habitualmente derramando coisas; vivia coberta de arranhões e feridas. Mas, em breve entraria na escola. Estávamos preocupados. Por que, com cinco anos, tinha ela tanta dificuldade em segurar um lápis e colorir um desenho? Teria ela dificuldade em aprender?

      Chegou o tempo de ir à escola. Emocionada e feliz, Jessica ansiava muito aprender. Aí começaram as colorizações, as colagens, os recortes, essas coisas do jardim da infância. Mas, logo percebeu-se sua óbvia dificuldade com tais habilidades.

      Ajudamo-la muito em casa. Essas horas de deveres de casa amiúde eram dolorosas para ela e para nós. Perto do fim daquele ano pensamos: Por que parece tão difícil para uma criança de outro modo brilhante aprender a escrever o alfabeto? Outras coisas também nos intrigavam: Por que ela sempre escrevia seu nome Jesscia? E por que freqüentemente trocava letras, como b por d?

      Na primeira série Jessica progrediu bem depressa em algumas matérias. Parecia ler com facilidade, mas em matemática e escrita era muito fraca. Parecia estranho que as anotações da professora no caderno dela eram, quer “excelente”, quer “péssimo”. “Eu não ouvi”, ou “não vi o que estava no quadro negro”, explicava.

      Prontamente levamo-la para exames de audição e de vista, que, para nossa surpresa, revelaram que a audição e a visão dela eram normais. A situação, porém, apenas piorou. Havia demasiadas dores de cabeça e de estômago relacionadas com a escola, bem como repetidos casos de choro na classe e de novo ao chegar em casa.

      Mesmo em casa, notávamos uma criança de quase sete anos que, para fazer alguma coisa, tinha de ser mandada vez após vez, como se não nos ouvisse. Parecia muito distraída. Sempre calçava os sapatos no pé errado e punha o vestido com as costas para frente. Os dias da semana nada significavam para ela e não sabia a diferença entre ontem, hoje e amanhã.

      Na segunda série os problemas de Jessica na escola pioraram ainda mais. Como podia ela, mesmo conhecendo a palavra, chegar no exame escrito e inverter as letras, como dsise em vez de disse? O mesmo se dava com a matemática. Conceitos simples como 2 + 2 = 4 pouco ou nada significavam para ela. A professora anotava insistentemente: “Vocês precisam ajudar Jessica em casa.” Estávamos irritados!

      Também Incapacitada Para a Aprendizagem?

      Finalmente, após uma de nossas muitas idas à escola, pedimos para consultar o especialista em incapacidade de aprendizagem. Descrevemos Jessica e seus problemas de aprendizagem. Prescreveu-se uma avaliação psicológica. Tensos, aguardávamos os resultados.

      Foram conclusivos. Jessica era, sem dúvida, incapacitada para aprendizagem. Ela tinha problemas de percepção, tanto auditiva como visual. As memórias visual e auditiva estavam bem abaixo da média, e havia problemas significativos com coordenação motora.

      Foi doloroso encarar esses fatos, mas os aceitamos. O psicólogo nos explicou o que essas descobertas significavam, no caso de Jessica. Ela poderia, com ajuda adequada, por meio de técnicas especiais de ensino, aprender as coisas que deixara de compreender e, com o tempo, alcançar a sua turma.

      Certamente nos sentimos aliviados. Ela realmente havia prestado atenção o tempo todo! Não era sua culpa que o cérebro interpretasse errado os sinais recebidos dos olhos e ouvidos. Pela primeira vez realmente entendíamos a nossa filha.

      Já faz alguns anos desde que a incapacidade de aprendizagem de Jessica foi detectada. Lamentamos apenas que perdemos anos valiosos até descobrir a causa de seus problemas. Além da ajuda especial que lhe é dada na escola, achamos muito útil um professor particular. O progresso tem sido além do que esperávamos. Ela recuperou seu senso de valor-próprio. Em vez de ser uma criança frustrada, rejeitada, candidata a sérios problemas emocionais, ela sabe agora que pode aprender. É feliz na maior parte do tempo, e o vínculo de amor entre nós se aprofundou.

      Quanto ao futuro, sabemos que para Jessica poderá levar mais tempo do que o normal para atingir a maturidade ou estado adulto. Mas, tendo isolado o problema e aprendido a como lidar com ele, faremos tudo o que pudermos para ajudá-la a atingir seu pleno potencial. — Contribuído.

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