Observando o Mundo
‘NÃO HÁ TRANSFUSÃO DE SANGUE SEGURA’
O ministro da Saúde no Brasil, Alceni Guerra, está preocupado com o elevado número de pacientes contaminados por transfusões de sangue. Segundo entrevista concedida à revista Veja, ele disse: “Controlar o comércio do sangue no país é essencial no combate à Aids e a outras doenças transmitidas pelo sangue.” À guisa de exemplo, uma menina de dez anos “foi contaminada com o vírus da hepatite B, durante uma transfusão de sangue”. Todavia, segundo o jornal O Estado de S.Paulo, esta menina “é apenas uma dos milhares de vítimas em sua maioria anônimas, das transfusões de sangue realizadas no País. Acredita-se que 50% dos hemofílicos [tratados freqüentemente com transfusões de sangue] sejam portadores do vírus da hepatite”. Assim, o hematologista Celso Guerra, presidente da Associação Paulista de Medicina de São Paulo, admitiu que “não há transfusão de sangue totalmente segura em nenhum lugar do mundo”.
“A MELHOR HORA PARA LADRÕES”
“A melhor hora para ladrões, arrombadores, traficantes de drogas e outros malfeitores” se empenharem em suas atividades ilegais no distrito ático da Grécia “são as horas das tardes de domingo”, afirma o jornal ateniense Elefterotypia. Por quê? Porque cerca de 3.800 policiais e 500 oficiais estão ocupados nesse período em manter “a ordem e a segurança” nas partidas de futebol e em outras competições atléticas. E se acontece também de ser um domingo de clássico, a força é reforçada por 700 policiais e 100 oficiais. O jornal acrescenta: “A presença dos agentes da polícia em cada competição atlética é mais indispensável do que a presença dos atletas.”
O RELÓGIO É REACERTADO
Durante 43 anos, o “Relógio do Dia de Juízo Final” do Bulletin of the Atomic Scientists (Boletim dos Cientistas Atômicos) tem indicado a condição da segurança internacional com respeito à guerra nuclear. “O risco de uma guerra nuclear global ser iniciada na Europa diminuiu significativamente”, declarou a revista em abril. “Embora de modo algum se garanta êxito, esta e a maior oportunidade em quatro décadas para se criar um mundo seguro, sustentável. Conseqüentemente, atrasamos os ponteiros do relógio do Bulletin quatro minutos, para marcar 10 minutos para a meia-noite.” Contudo, isto não é o mais distante que os ponteiros já foram recuados da meia-noite. Tanto em 1963 como em 1972, os ponteiras foram acertados para 12 minutos para a meia-noite, quando se assinaram tratados entre os Estados Unidos e a União Soviética, embora a Guerra Fria continuasse. “O conflito foi frio só no sentido de que a Terceira Guerra Mundial não ocorreu”, afirma o Bulletin. “Nos últimos 45 anos foram travadas aproximadamente 125 guerras, e mais de 20 milhões de pessoas foram mortas.”
VÍTIMAS DA BOMBA-A
Exatamente quantas pessoas morreram em resultado das bombas atômicas lançadas em Hiroxima e em Nagasáqui em 1945? De acordo com uma pesquisa publicada recentemente pelo Ministério da Saúde e do Bem-Estar do Japão, a partir de 1988, 295.956 mortes têm sido atribuíveis às bombas. Destas, 25.375 pessoas em Hiroxima e 13.298 em Nagasáqui morreram, alegadamente, no dia do bombardeio; as demais morreram desde então, muitas alguns dias após o bombardeio, em decorrência das doenças causadas pela radiação. Os parentes dos que morreram criticaram o governo por ter esperado tanto tempo para realizar a pesquisa. Além disso, “ela não trata realmente de todos os aspectos dos bombardeios, ou do total dos que morreram em resultado deles”, afirma Yoshio Saito, vice-secretário-geral da Confederação Japonesa das Organizações dos Padecentes da Bomba-A e H.
NOVO ESTADO ÍMPAR
Na segunda-feira, 23 de abril de 1990, a Namíbia foi aceita nas Nações Unidas como o 160.º estado-membro. O novo estado, que se tornou independente da África do Sul em 21 de março de 1990, é ímpar em vários sentidos. Por um lado, é maior do que o Paquistão, contudo tem menos de dois milhões de habitantes. Somente a Groenlândia e a Mongólia são maiores do que a Namíbia e têm densidade demográfica inferior. A Namíbia é também ímpar na variedade de idiomas falados por sua população relativamente pequena, diversos deles conhecidos por seus estalidos incomuns. “Há línguas e dialetos, falados pelos índios africanos, numerosos demais para se enumerar”, diz um prospecto turístico da Namíbia. Todavia, o idioma oficial é o inglês.
“BEBÊS” DE FARINHA
Numa forma inédita de ensinar às alunas a responsabilidade e as realidades da maternidade, o professor dum colégio de San Francisco, EUA, tem dado a cada uma de suas alunas um saco de farinha de 2,5 quilos como bebê. “Vocês precisam tratar seu bebê como se ele fosse de verdade, vinte e quatro horas por dia, durante as próximas três semanas”, ele lhes diz. Isto inclui colocar roupas de bebê no saco, inclusive fralda, cobertor e mamadeira, carregá-lo e tratá-lo com amor e cuidado o tempo todo. Quando as alunas estão longe de seus bebês, precisam arranjar babás. Quando o bebê é perdido ou quebrado, a aluna acaba recebendo um bebê mais pesado — um saco de farinha de 5 quilos. As estudantes aprendem rapidamente o quanto um bebê afetaria a vida delas, e o colégio tem tido poucos casos de adolescentes grávidas. Certa aluna disse: “Era apenas um saco de farinha que não chorava nem gritava, que não precisava ser alimentado nem colocado para dormir, e ainda assim não via a hora de me livrar dele.”
UM MONUMENTO AO EGO
É três vezes maior do que o palácio de Versalhes, tem 12 andares de altura, tem mais de 360.000 metros quadrados de área, ostenta o segundo maior lustre da Europa, com 980 lâmpadas, e tem um abrigo antiaéreo que fica 90 metros abaixo do solo. Trata-se do “monumento da Romênia mais visível dos excessos do Sr. Ceaucescu, que governou o país durante 24 anos”, noticia o jornal The Wall Street Journal, e “uma das muitas dores de cabeça [que ele] legou ao povo”. O palácio foi construído por uns 100.000 trabalhadores nos últimos dez anos, a um custo superior a um bilhão de dólares. Um quarto da velha cidade de Bucareste foi até mesmo demolido para dar lugar ao grandioso bulevar Ceausescu, cuja construção foi ordenada para conduzir à entrada principal — 2 metros mais largo do que o Champs Élysêes. Agora, ninguém sabe o que fazer com ele. “Era tudo um sonho faraônico”, afirma Stefan Andreescu, professor de História em Bucareste.
DÍVIDA DOS EUA
Em abril de 1990, a dívida nacional dos Estados Unidos atingiu pela primeira vez 3 trilhões de dólares (3 seguido de 12 zeros), informou o Departamento do Tesouro dos EUA. O primeiro trilhão foi atingido em 1981. O novo nível da dívida, dividido entre a população, chega a 12 mil dólares para cada homem, mulher e criança. Presumindo-se que não se façam mais dívidas e que não se acrescentem juros, o pagamento da dívida nacional à razão de mil dólares por segundo, ininterruptamente, levaria quase cem anos para ser liqüidado.
MUSEU DO LIXO
Ao passo que os museus geralmente se dedicam a temas mais estéticos, inaugurou-se um museu no estado de Nova Jérsei, EUA, dedicado ao lixo. O novo museu dá aos visitantes uma idéia de como é estar num depósito de lixo, com uma exposição de itens descartados espalhados pelo chão, pelas paredes e pelo teto. Todos os itens vieram de latas de lixo, a única regra sendo que nenhum deles deveria cheirar. A exposição sobre biodegradabilidade (degradação no ambiente) ajuda os observadores a ver o que acontece ao lixo com o passar das anos. Ao passo que produtos agrícolas e caixas de papelão desaparecem em 100 anos, utensílios de plástico e garrafas de refrigerante permanecem. Outras exposições enfatizam a conservação e a reciclagem. Espera-se que o museu conscientize especialmente os jovens dos crescentes problemas mundiais da remoção do lixo.
FATOR DO CONTROLE DE PESO
Não só o que a pessoa come, mas também com quantas outras ela come é agora encarado como fator no controle de peso. Pesquisadores da Universidade Estadual da Geórgia, EUA, descobriram que quanto maior é o número de comensais, tanto mais cada pessoa tende a comer. “Isto sugere que fatores sociais podem fornecer fortes induzimentos a comer, e que os que tentam perder peso devem tomar cuidado extra ao comer com outros”, comenta a Carta de Berkeley Wellness, Universidade da Califórnia.
ANALFABETISMO NO MUNDO
“Um bilhão de pessoas no mundo não sabem ler — nem mesmo seu próprio nome, na maior parte”, publicou a revista Asiaweek. “E o analfabetismo não está diminuindo, como muitas, pessoas instruídas ingenuamente imaginam.” A Índia lidera o mundo com 290 milhões de pessoas que não sabem ler nem escrever, ao passo que a China vem a seguir com 250 milhões. Em muitos países, os meninos têm mais probabilidade de receber instrução do que as meninas. O índice global é que 1 de cada 5 homens não sabe ler, em comparação com 1 de cada 3 mulheres.
MORTES EVITÁVEIS
A Organização Mundial da Saúde (OMS), segundo noticiado em O Estado de S.Paulo adverte que, se as nações não ‘lutarem contra os milhares de mortes prematuras, pelo menos 200 milhões de pessoas morrerão, na década de 90, vítimas de enfermidades evitáveis’. Todavia, ‘vacinas baratas, antibióticos e terapia de reidratação oral são capazes de evitar a morte de 40 milhões de pessoas por ano’. A OMS comunica que ‘as doenças cardíacas matam no mundo 12 milhões por ano; a seguir vêm a diarréia, o câncer, a pneumonia e a tuberculose. Também, “a Aids ocupa o 13.º lugar na lista, com 200 mil mortes anuais”. Hiroshi Nakajima, diretor-geral da OMS, disse: “A doença é hoje a maior força destrutiva do mundo.”