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  • Os historiadores “clássicos” — quão fidedignos são?
    A Sentinela — 1969 | 1.° de outubro
    • Os historiadores “clássicos” — quão fidedignos são?

      OS HISTORIADORES modernos se estribam muito nos historiadores da antiga Grécia e Roma para preencher as lacunas ou confirmar certas datas na história do mundo antigo. Estas autoridades “clássicas”, na opinião de alguns eruditos, fornecem uma base mais fidedigna para a cronologia do que a informação encontrada na Bíblia. Por esta razão, é de interesse estudar aquelas fontes primitivas da história. Quão exatas, quão fidedignas são?

      Desde os fins do século dezoito de nossa Era Comum, instituições de “instrução superior” têm dado muita atenção aos escritos destes historiadores “clássicos” — homens tais como Heródoto, Xenofonte, Tucídides, Plutarco e outros. Ensinou-se a gerações de estudantes a preferir o testemunho histórico de tais escritores antigos sempre que o testemunho difira do das Escrituras Sagradas. E isto apesar do fato de que uma multidão de tais estudantes professam ser cristãos.

      Não há, pois, razão adicional para se esquadrinharem estas fontes seculares? Devíamos estar interessados não só no seu valor geral, mas também nos motivos que talvez os tenham induzido a escrever e em determinar se foram coerentemente exatos nos fatos e nas datas que assentaram por escrito. Esforçavam-se estes homens pela exatidão e veracidade? Ou escreveram alguns deles principalmente para obterem fama ou simplesmente para divertir?

      EXATIDÃO OU POPULARIDADE?

      Primeiro a atrair a atenção é o nome de Heródoto, historiador grego do quinto século A. E. C. ele tem sido chamado de “pai da história”, e, sem dúvida, deu início a uma nova corrente no que se refere ao registro da história, quando empreendeu seu projeto — o qual revela uma vívida imaginação e grande amplitude mental. Ele se sobressai como contador de histórias. Os pesquisadores atuais, porém, ficam um pouco perturbados com certas particularidades de sua obra. “Encontrou-se grande número de inexatidões nos seus relatos”, segundo o Professor A. W. Ahl, em seu Outline of Persian History (Bosquejo da História Persa), página 15.

      Segue-se aqui uma referência pertinente na Encyclopaedia Britannica (edição de 1946, Volume 10, página 772): “Os principais defeitos de Heródoto são os de ele não compreender os princípios do criticismo histórico, de não entender a natureza das operações militares e de não avaliar a importância da cronologia. . . . a mais séria de todas as suas deficiências é a sua cronologia descuidada. Mesmo para o quinto século [sua própria era], os dados que ele fornece são inadequados ou ambíguos.”

      Para se fazer justiça, precisa-se dizer que os historiadores estão em dívida com Heródoto pela transmissão de uma enorme quantidade de fatos e datas, alguns deles bastante exatos, tanto quanto se pode verificar. Todavia, não há razão para se aceitarem todos os seus dados como infalivelmente verazes.

      Xenofonte foi outro historiógrafo grego que se tornara adulto por volta do fim deste mesmo quinto século A. E. C. A sua Ciropedia tem sido chamada de “romance político e filosófico”. Os eruditos salientam que Xenofonte, nos seus escritos, “tinha pouco ou nada que se basear, exceto as histórias e tradições circulantes do Oriente, reunidas em torno da figura do grande herói-rei persa [Ciro, o Moço]”. Afirma-se também que “um nítido objetivo moral, ao qual se sacrifica a verdade literal, permeia a obra”.1

      Em sua Helênicas, ou história grega, segundo é acusado, Xenofonte exibe “traços inconfundíveis de mesquinhez mental e estreiteza de conceito, muitíssimo abaixo da dignidade dum historiador”. Afirma-se também que “certamente há sérias omissões e defeitos na obra, o que detrai grandemente seu valor”. — The Encyclopaedia Britannica, 9.a edição, Volume 24, página 721.

      Por outro lado, não pode haver dúvida de que as obras de Xenofonte possuem também coisas excelentes. “Sua descrição de lugares e das distâncias relativas é bem minuciosa e meticulosa. As pesquisas de viajantes modernos atestam a sua exatidão geral.”2 Todavia, a exatidão geográfica, por si só, certamente não é razão para se elevar seus escritos a uma posição que rivalize com a Bíblia quando se trata de assuntos de história cronológica.

      O historiador Ctésias também viveu no quinto século A. E. C. Sua obra notável, Pérsica, professa ser a história da Pérsia tirada de dados fornecidos pelos arquivos reais da Pérsia. George Rawlinson, na sua obra Seven Great Monarchies (Sete Grandes Monarquias; Volume 2, página 85), acusa Ctésias de estender deliberadamente o período da monarquia meda “pelo uso consciente de um sistema de duplicação. . . . Cada rei, ou período, em Heródoto, ocorre duas vezes na lista de Ctésias — um artifício transparente, desajeitadamente encoberto pelo expediente vulgar da invenção liberal de nomes”. O testemunho de Ctésias sofre também oposição da parte do sacerdote-historiador Beroso, do filósofo Aristóteles (4.° século A. E. C.) e de recém-descobertas inscrições cuneiformes.3

      Quão fidedignos, então, foram aqueles primitivos historiadores? Não tão exatos e dignos de confiança, que seus dados não devam ser verificados com outros fatos fidedignos. The Encyclopaedia Britannica (11.a edição, Volume 26, página 894), falando de Tucídides, historiador grego do mesmo quinto século A. E. C., observa que “o vício dos historiógrafos, no seu parecer, é o de se importarem só com a popularidade e não se esforçarem para tornar sua narrativa fidedigna”. Podemos, porém, admitir a possibilidade de que Tucídides tenha sido um pouco severo na sua avaliação.

      TUCÍDIDES É EXCEÇÃO

      O próprio Tucídides goza amplamente do conceito de ser uma certa exceção à regra de inexatidão e descuido entre os historiadores “clássicos”. Diz a Encyclopaedia Britannica: “Tucídides se destaca entre os homens dos seus próprios dias, . . . na amplitude do alcance mental que podia compreender a significação geral de determinados eventos . . . Em contraste com [seus] predecessores, Tucídides sujeitara seu material ao escrutínio mais detido.”4 E a Encyclopedia Americana (edição de 1956, Volume 26, página 596) oferece o seguinte: “Como historiador, Tucídides ocupa o lugar de maior destaque. Ele foi meticuloso e infatigável na reunião e na averiguação dos fatos, conciso e sucinto na sua narração. Seu estilo é cheio de dignidade e repleto de significado condensado.”

      Tucídides, por exemplo, havia registrado que o general grego Temístocles fugira para a Pérsia quando Artaxerxes Longímano havia apenas “recentemente subido ao trono”. (Veja Thucydides, Livro I, Capítulo 9.) A maioria dos outros historiadores diz que esta fuga ocorreu durante o reinado do pai de Artaxerxes, Xerxes I. Sobre este ponto diz o historiador romano Nepos (do 1.° século A. E. C.): “Dou crédito a Tucídides, em preferência aos outros, porque ele, dentre todos os que deixaram registros daquele período, se encontrava mais próximo do tempo de Temístocles e era da mesma cidade.” — Themistocles, Capítulo 9.

      Embora a maioria das atuais obras de referência dêem 465 A. E. C. como o ano da ascensão de Artaxerxes ao trono da Pérsia, há fortes razões para se crer que isto seja um erro. Diodoro de Sicília, historiador grego do primeiro século A. E. C., dá a data da morte de Temístocles, na Ásia Menor, como 471 A. E. C., e há razão para se crer que a sua fuga tenha ocorrido pelo menos dois anos antes, ou em 473 A. E. C. Segundo Tucídides, foi então que Artaxerxes havia “recentemente subido ao trono”. Portanto, é bastante provável que a ascensão de Artaxerxes tenha ocorrido por volta do ano 474 A. E. C.

      E em que interessa o reinado de Artaxerxes ao estudante da Bíblia? Ora, a Bíblia registra em Neemias 2:1-8 que foi no vigésimo ano daquele monarca ele emitiu o decreto da reconstrução de Jerusalém. Daniel, o profeta de Deus, foi então informado de que, desde o tempo do decreto de Artaxerxes até o aparecimento do prometido Messias haveria um período de ‘sessenta e nove semanas de anos’, ou 483 anos. (Dan. 9:25) Portanto, vindicaram os fatos da história a contagem do tempo pela Bíblia?

      O vigésimo ano, a partir de 474 A. E. C., começou em 455 A. E. C. Contando-se 483 anos a partir desta última data, chegamos ao ano 29 de nossa Era Comum, o ano do batismo de Jesus, ocasião em que recebeu o reconhecimento celestial de seu Messiado. Segundo registrou o discípulo Lucas: “Jesus também foi batizado, e, enquanto orava, abriu-se o céu e desceu sobre ele o espírito santo, em forma corpórea, semelhante a uma pomba, e uma voz saiu do céu: ‘Tu és meu Filho, o amado; eu te tenho aprovado!’” — Luc. 3:21-23.a

      Pode-se observar, assim, que dentre os historiadores “clássicos” do quinto século A. E. C., o único altamente recomendado por averiguar os fatos e pela exatidão de suas declarações apresenta testemunho que antes apóia do que impugna a cronologia bíblica.

      HISTORIADORES POSTERIORES

      Mas, que dizer dos historiadores posteriores dos gregos e dos romanos? Fornecem eles uma cronologia suficientemente exata para constituir um sério desafio para o registro bíblico? Entre eles, podemos considerar Diodoro de Sicília (do 1.° século A. E. C.). Dos quarenta livros originais de sua história, apenas quinze chegaram até nós. Cinco deles tratam da história mítica do Egito, da Assíria, da Etiópia e da Grécia, e os restantes historiam a segunda guerra persa e vão até o tempo dos sucessores de Alexandre, o Grande. Diz-se a respeito de Diodoro que “ele se deu pouco trabalho para averiguar seus dados, e, por isso, se podem encontrar freqüentes repetições e contradições no corpo de sua obra. . . . Na cronologia do período estritamente histórico ele é ocasionalmente inexato.” — The Encyclopaedia Britannica, 9.a edição, Volume 7, página 245.

      Depois há Plutarco (c. 46-c. 120 E. C.) “Muito se falou sobre as inexatidões de Plutarco; e não se pode negar que ele é descuidado com números e que ocasionalmente contradiz as suas próprias declarações.” (Plutarch’s Lives, Introdução, do tradutor e revisor A. H. Clough, página xviii.) Ele escreveu sobre Temístocles e seu tempo, bem como sobre outros gregos e romanos distintos.

      Quanto a Lívio, historiador romano que morreu no ano 17 E. C., parece que a maioria das suas obras históricas nos foram transmitidas apenas em citações e epítomes dos escritores posteriores. Diz W. Lucas Collins, M. A., um dos seus tradutores: “Infelizmente, a parte perdida, contendo a história posterior e mais autêntica do povo romano, e mais especificamente do período de que o escritor era contemporâneo, é a que mais gostaríamos de ver.” Conforme era costume no seu tempo, Lívio introduziu na sua narrativa as tradições então existentes.

      Precisamos lembrar-nos de que estes historiadores do primeiro século tiveram de depender de fontes anteriores quanto aos dados relacionados com o período das monarquias dos assírios, dos babilônios e dos persas. Algumas destas fontes, conforme já aprendemos foram prejudicadas pelo descuido e pelas inexatidões cronológicas. E, além disso, o processo de copiar registros antigos introduz incertezas adicionais.

      Segue-se, portanto, que os historiadores “clássicos” posteriores não podem apresentar razões mais fortes contra a contagem de tempo pela Bíblia do que os seus predecessores do quinto século A. E. C. De fato, poucos daqueles escritores “clássicos”, anteriores ou posteriores, demonstram muita preocupação com a exatidão ao guardarem registro do tempo. Fornecem aos leitores modernos uma abundância de informação sobre eventos, costumes e filosofias dos seus tempos — informação valiosa de fundo histórico. Na maior parte, porém, parecem ter dado menos atenção à marcação exata das datas.

      REFERÊNCIAS

      1 The Encyclopaedia Britannica, 11.a edição, Volume 28, página 886.

      2 Ibid., 9.a edição, Volume 24, página 721.

      3 Ibid., 9.a edição, Volume 6, página 599.

      4 Ibid., 11.a edição, Volume 26, página 894.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Veja ‘Seja Feita a Tua Vontade na Terra’, páginas 116-123.

      [Foto na página 604]

      HERÓDOTO

      TUCÍDIDES

      XENOFONTE

  • Perguntas dos Leitores
    A Sentinela — 1969 | 1.° de outubro
    • Perguntas dos Leitores

      O que queria Jesus dizer quando falou que seus seguidores fariam obras maiores do que ele havia feito? — V. W., E. U. A.

      Jesus disse: “Digo-vos em toda a verdade: Quem exercer fé em mim, esse fará também as obras que eu faço; e ele fará obras maiores do que estas, porque eu vou embora para o Pai.” (João 14:12) Ele não quis dizer que as obras feitas por seus seguidores seriam maiores em poder milagroso e produziriam demonstrações mais espantosas deste poder. Os fatos subseqüentes mostram que não fizeram isso; por exemplo, não fizeram nenhum milagre que ultrapassasse a ressurreição, por Jesus, de Lázaro que já estava morto por quatro dias. (João 11:38-44) Jesus apresentou como razão para ele dizer que fariam obras maiores o fato de que ia ter com o Pai no céu. Isto poria fim à sua atividade pessoal como pregador na terra, acabando com ela, encerrando as obras maravilhosas que havia feito. Os seguidores, por outro lado, permaneceriam na terra por muito tempo, durante o qual poderiam fazer as obras que Jesus fizera e continuar nisso por mais tempo do que ele, talvez acumulando mais delas, e certamente estendendo a atividade sobre uma região muito maior. Jesus se havia restrito à Palestina, e, na maior parte, havia limitado suas atividades aos judeus; mas os seus seguidores trabalhariam em todas as nações.

      Jesus, com a sua partida, tornou também possível o derramamento do espírito santo sobre os seus seguidores, e por esta razão podiam pregar em muitas línguas e difundir a obra, fazendo uso mais eficiente de outros dons do espírito na realização de obras maravilhosas. Conforme Jesus lhes dissera por ocasião de sua partida: “Recebereis poder e sereis testemunhas de mim tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até à parte mais distante da terra.” (Atos 1:8) Portanto, quando Jesus deixou a terra, terminou a sua obra como pregador na terra, e com a sua partida, veio sobre os seus seguidores o espírito santo, dando-lhes poder para fazer um serviço aumentado, incluindo todas as nações. Eles abrangeram uma área maior e serviram por mais tempo do que Jesus, e, neste sentido, fizeram obras maiores.

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