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  • Expressa-se com clareza?
    Despertai! — 1975 | 22 de junho
    • A arte da expressão clara está a seu alcance. Mas, exige tempo, paciência e trabalho árduo. Está disposto a despender o esforço necessário? Ficará feliz por tê-lo feito — e também ficarão os seus ouvintes.

  • Deve a história ser reescrita?
    Despertai! — 1975 | 22 de junho
    • Deve a história ser reescrita?

      A PRÓPRIA idéia de se “reescrever a história” perturba a algumas pessoas. Consideram isso uma tentativa desonesta de manipular o passado para enquadrar-se numa teoria atual ou para glorificar uma nação, raça ou religião. É este o caso?

      Sim, é — às vezes. O registro do passado do homem vez por outra tem sido “reescrito” a fim de ajustar-se a certas ideologias políticas ou religiosas. Mas, isto nem sempre acontece. Há também circunstâncias em que a história deve ser revisada.

      O importante a ter presente é o seguinte: Por que está sendo reescrita? Qual é o espírito motivador ou razão para se ajustar a história? Vejamos.

      Obter os Fatos

      Um motivo legítimo de se reescrever a história é que mais informações vieram a lume. Apesar do que alguns pensam, é amiúde difícil um escritor obter os “fatos” sobre a história. Por quê?

      Um problema especial, surpreendentemente, é a superabundância de matéria que confronta o escritor moderno; isto pode atuar qual barreira à sua pesquisa. É humanamente impossível repassar todas as informações disponíveis sobre alguns assuntos. Ao mesmo tempo, paradoxalmente, a matéria mui básica no tocante a eventos de tempos até mesmo relativamente recentes não raro está faltando ou é imprecisa em seu significado.

      Por exemplo, sabe quem descobriu o Pólo Norte? Um exame das referências lhe revelará que há afirmações e contra-afirmações a favor de pelo menos dois homens, Robert E. Peary e Frederick A. Cook. Foram escritos muitos livros sobre o assunto. Mas, quem hoje em dia pode realmente afirmar com certeza quem foi o primeiro a ir ao Pólo Norte — incidente ocorrido a menos de setenta anos?

      E há pouco mais de dez anos, o presidente estadunidense, John F. Kennedy, foi assassinado diante dos olhos de muitas pessoas. Foi ele morto por um só assassino, como em geral se crê? Ou havia realmente vários conspiradores responsáveis pela morte do presidente? A resposta a tais perguntas ainda é debatida em alguns círculos.

      Sim, como revelam estes exemplos, apenas reunir os “fatos” já torna grande o desafio para o historiador moderno. Suponhamos que qualquer dos pontos aqui mencionados pudesse ser solvido. Seria necessário reescrever a história nessa luz. Mas, às vezes os livros de história precisam ser ajustados por outros motivos.

      Novos Pontos de Vista

      O tempo talvez mova as nações e as pessoas a ter novos pontos de vista para com o passado. Através da diplomacia e dos acordos comerciais, anteriores inimigos tornam-se aliados. A perspectiva em que o passado é examinado se transforma, e os livros e monumentos históricos escritos em certo período começam a soar antiquados ou duros. O que certa vez parecia ruim, com a passagem do tempo talvez pareça hom. A história então, amiúde, é reescrita para ajustar-se a uma situação posterior.

      Assim, lá em 1868, o legislativo do território do Novo México desejava honrar seus soldados mortos. Foi dedicado um obelisco de uns dez metros de altura: “Aos heróis que caíram nas várias batalhas contra os índios selvagens no Território do Novo México.” Agora, mais de um século depois, até mesmo a maioria dos estadunidenses brancos concorda que os índios que viviam naquele território não eram mais “selvagens” do que os invasores. Assim, várias autoridades modernas do Novo México desejam erigir outro marco explicando que a linguagem original do monumento ‘reflete um modo de pensar duma era que já passou’.

      Como as atitudes mudadas influem no ponto de vista histórico pode ser visto, também, do chamado moderno espírito religioso ecumênico. Anteriormente, as histórias católicas a respeito da Inquisição tendiam a defender as ações dos tribunais dessa Igreja durante os séculos quinze e dezesseis. Mas, agora, recente livro chamado The Inquisition (A Inquisição), de John A. O’Brien, da Universidade de Notre Dame, é descrito pelos escritores católicos como assumindo “o novo ponto de observação do catolicismo pós-Vaticano II” e, assim, é “notavelmente mais honesto e isento de alegações especiais”.

      Similarmente, o espírito ecumênico parece ter influído na forma em que as publicações judaicas se referem a Jesus Cristo. Durante séculos, a tradição judaica proibia até mesmo que se pronunciasse o nome de Jesus. Hoje, porém, revela um estudo judaico, os compêndios modernos usados pelos jovens israelenses apresentam alguns dos quadros mais simpáticos para com Jesus Cristo que já foram oferecidos aos judeus modernos.

      O tempo alterou os pontos de vista das autoridades estaduais do Novo México, da Igreja Católica e do judaísmo. Cada qual achou sábio “reescrever a história”.

      O Outro Lado

      Há outro assunto. Um ponto de vista talvez seja bem conhecido; é a história popularizada. Mas, talvez faça outro país ou outra raça parecer atrasada ou tola. Esse último povo com o tempo deseja também contar seu lado da história. Deve-se esperar isto, não é? Assim, a história é reescrita.

      Há, naturalmente, óbvio perigo nisso. A tendência usual quando se reescreve a história no esforço de apoiar certo conceito, é “juntar e escolher” as informações, encontrando aquilo que pinta um quadro nobre da história vista do lado do escritor. Isto é parecido ao método do advogado arguto que examina a evidência e só seleciona a matéria que beneficiará seu cliente, ao passo que ignora ou suprime outras informações. Quando este espírito de “juntar e escolher” predomina, a versão reescrita da história provavelmente será tão parcial como a anterior.

      Daí, se a pessoa lê um livro histórico de certa nação, provavelmente obterá certa impressão, ler um livro de outro país lhe dará um conceito inteiramente diverso. Atualmente, para exemplificar, uma comissão de alemães e poloneses revisa os compêndios escolares de história a respeito da fronteira entre os dois países. Fortes ódios permeiam esta vizinhança já por gerações. Agora, ambos os lados afirmam que desejam que novos livros de história ajudem a amainar as acaloradas disputas fronteiriças do passado. Mas, não conseguem concordar em certos pontos.

      Se perguntar aos alemães sobre as incursões teutônicas em direção ao leste, à Polônia, há cerca de seiscentos anos atrás, talvez chamem-nas de “missão civilizadora”. Mas, pergunte aos poloneses. Talvez lhe digam que as mesmas atividades eram “agressão sob o manto de obra missionária”. Cada lado, portanto, tem certo conceito do que ocorreu no passado. Cada um pode apontar certa evidência em apoio de seu lado da história.

      Dá-se o mesmo com a história africana. Pergunte-se: ‘Quanto realmente sei sobre o passado da África?’ Francamente, a maioria das pessoas hoje aprenderam a história da África através dos olhos europeus. Para o europeu, a África era um lugar onde o comerciante, o missionário, o explorador e o conquistador faziam um grande nome para si mesmos. Os europeus amiúde consideravam atrasada a África e a chamavam de “Continente Negro”.

      Mas, será que os africanos consideram que eram tão atrasados como subentendem os europeus? Uma resposta é fornecida por Nwabueze Chukwemeka Okoye, da Faculdade da Universidade Estadual de Nova Iorque, Departamento de Estudos Africanos e Afro-Americanos. Afirma ele sobre a expansão européia na África: “O esforço era patentemente de justificar o domínio europeu sobre os africanos, não em termos de simples força (que se dava), mas, em termos duma superioridade cultural (que não se dava).”

      Atualmente, os africanos e europeus sábios compreendem que alguns europeus tinham motivos honrosos de irem para a África e que realmente fizeram certa dose de bem. Por outro lado, reconhecem que, depois da chegada dos estrangeiros, muitos dos povos africanos eram claramente explorados.

      A pessoa que lê a história e tenta ser tão objetiva quanto possível, avalia que todos os lados — alemães e poloneses, europeus e africanos — têm uma história a contar. Sabe que há, comumente, certo grau de correção em cada conceito. Mas, também está cônscio de que, para chegar pelo menos perto da verdade, tem de corretamente contrabalançar uma história contra sua oponente.

      Busca dum Padrão

      Os homens reescrevem a história, também, porque buscam um padrão em todos os eventos ocorridos. Teorias elaboradas foram criadas na tentativa de explicar por que as coisas aconteceram daquele modo. As narrativas históricas são refeitas para ajustar-se a tais idéias.

      Assim, certo historiador moderno vê as aparentemente cíclicas ascensões e quedas de impérios como “ondas”, uma seguindo a outra, atingindo a crista e então mergulhando. Outro escritor talvez analise toda história humana como acreção ou contínuo acúmulo de idéias e ideologias que atingiram seu zênite na civilização ocidental contemporânea. Outros asseveram que o mesmo crescimento de idéias, contudo, aponta para o comunismo mundial. Os homens que pesquisaram o passado, procurando algum padrão, chegaram a muitas conclusões diferentes, e cada um escreveu ou reescreveu a história em conformidade com isso.

      Há realmente, contudo, um padrão histórico? Bem, muitos dos alegados padrões históricos só existem mesmo na mente de seus criadores. Amiúde, parecem forçados e artificiais, embora alguns contenham núcleos de verdade. Mas, há

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