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Alemanha (Parte Um)Anuário das Testemunhas de Jeová de 1975
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Compreendiam então o que Jesus queria dizer ao afirmar que não deviam temer os que podem destruir o corpo. Sabiam o que significava ser lançado numa fornalha ardente ou, como Daniel, numa cova de leões. Mas, também compreendiam que Jeová é mais poderoso, tornando as suas testas mais duras do que a de seus inimigos. Mesmo pessoas de fora reconheciam isto e é amiúde destacado quando os historiadores falam desta parte da história da Alemanha. Por exemplo, Michael H. Kater, em seu Zeitgeschichte (Publicação Trimestral de História), 1969, panfleto 2:
“O ‘Terceiro Reich’ sabia como lidar com a resistência interna apenas pela força bruta e até mesmo nesse caso não conseguiu vencer as forças da rebelião entre o povo alemão, e não conseguiu dominar o problema dos Fervorosas Estudantes da Bíblia, de 1933 a 1945. As testemunhas de Jeová emergirem, em 1945, de seu período de perseguição, enfraquecidas, mas não com espírito abatido.”
Também, numa crítica literária do livro Kirchenkampf in Deutschland (Luta das Igrejas na Alemanha), de Friedrich Zipfel, lemos:
“Dificilmente se tem feito uma análise, ou se tem escrito um livro de memórias, a respeito dos campos de concentração, em que não haja uma descrição da forte fé, da diligência da prestimosidade e do martírio fanático dos Fervorosos Estudantes da Bíblia. Isto se contrasta com as publicações de oposição em geral, escritas antes da luta que as testemunhas de Jeová tiveram antes de seu encarceramento, e que não as mencionam de forma alguma, ou apenas de passagem. A atividade dos Estudantes da Bíblia e a perseguição contra eles, contudo, é um caso muito estranho. Noventa e sete por cento dos membros deste pequeno grupo religioso foram vítimas da perseguição nacional-socialista. Um terço deles foram mortos, quer sendo executados, quer por outros atos violentos, pela fome, pela doença, quer pelo trabalho escravo. A severidade desta sujeição não tinha precedentes e era resultado da intransigente fé, que não se podia harmonizar com a ideologia nacional-socialista.”
Quão humilhado estava agora o Führer do derrotado Reich alemão! Göbbels dissera sobre ele, em 31 de dezembro de 1944: “Quem dera que o mundo realmente soubesse o que ele gostaria de lhe dizer e de lhe dar, e quão profundo é seu amor por seu próprio povo e por toda a humanidade, então abandonaria de imediato seus deuses falsos e o louvaria . . . um homem cujo propósito era libertar seu povo. . . . Jamais uma palavra falsa ou uma idéia degradada passou pelos seus lábios. Ele é a própria verdade.” Mas, este homem que procurou ser um deus cometeu suicídio.
Quão humilhados, também, ficaram aqueles que puseram sua confiança nele — por exemplo, Himmler, que também considerava Hitler como uma divindade e que inescrupulosamente executava as ordens dele. Foi Himmler que tornara dificílima a vida dos servos fiéis de Jeová por muitos anos. Por quanto sangue derramado tinha ele de assumir a responsabilidade? Em 1937, jactanciosamente disse às nossas irmãs em Lichtenburgo: “Vocês também capitularão, nós vamos reduzi-las ao seu verdadeiro tamanho, vamos agüentar muito mais tempo que vocês!” E quão deprimido estava depois do colapso do regime nazista, quando fugia e se encontrou com o irmão Lübke em Harzwalde e lhe perguntou: “Bem, Estudante da Bíblia, o que acontecerá agora?” O irmão Lübke lhe deu um testemunho cabal e lhe mostrou que as testemunhas de Jeová sempre contavam com o colapso do regime nazista e com sua libertação. Himmler se foi sem dizer uma só palavra, e pouco depois se envenenou.
Mas, apesar das condições difíceis, como se regozijavam os que adoravam a Jeová! Tiveram o privilégio de provar sua integridade ao Regente Soberano do universo. Durante o regime de Hitler, 1.687 deles perderam seus empregos, 284 seus negócios, 735 os seus lares e 457 não obtiveram permissão de exercer sua profissão. Em 129 casos, sua propriedade foi confiscada, a 826 pensionistas se negou o pagamento de suas pensões, e 329 outros sofreram outras perdas pessoais. Houve 860 crianças que foram retiradas do convívio dos pais. Em 30 casos, dissolveram-se casamentos devido à pressão por parte de autoridades políticas, e, em 108 casos, foram concedidos divórcios quando solicitados por cônjuges opostos à verdade. Um total de 6.019 foram presos, vários deles duas, três ou até mesmo mais vezes, de modo que, somando-se tudo, 8.917 prisões foram registradas. Juntando-se tudo, foram sentenciados a 13.924 anos e dois meses de prisão, duas e um quarto de vezes o período desde a criação de Adão. Um total de 2.000 irmãos e irmãs foram lançados nos campos de concentração, onde gastaram 8.078 anos e seis meses, uma média de quatro anos. Um total de 635 pessoas morreram na prisão, 253 tendo sido sentenciadas à morte e 203 delas tendo realmente sido executadas. Que belo registro de integridade!
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Alemanha (Parte Dois)Anuário das Testemunhas de Jeová de 1975
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Alemanha (Parte Dois)
COMEÇA A RECONSTRUÇÃO
Imediatamente depois da guerra, os irmãos no Betel suíço foram os únicos que tiveram contato com os irmãos alemães. Eles, tendo ouvido falar de certas tendências indesejáveis que existiam em muitas congregações, mesmo depois da
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