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Onde é que o homem se enquadra?Despertai! — 1978 | 8 de outubro
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Onde é que o homem se enquadra?
AO PASSARMOS, do exame das maravilhas e complexidades do mundo animal, para o exame da vida humana, verificamos ainda maiores maravilhas, pois o corpo humano, e especialmente o cérebro humano, é de incomensuravelmente maior complexidade Com efeito, o abismo entre o mundo animal e o do gênero humano é muito mais amplo do que o existente entre insetos e macacos.
O que constitui tal abismo? Verifica-se na diferença da constituição física, mental e espiritual. O gênero humano, de todas as tribos e nações, em toda a parte, possui um desejo de adorar. O mais ateísta dos governos não conseguiu eliminar tal caraterística. A história revela que os humanos estão sempre devotados a um deus, em um sentido ou outro. Até os que afirmam ser ateístas talvez adorem o Estado, o dinheiro, o prazer, algum herói, ou um craque esportivo ou astro do mundo das diversões, ou talvez se estabeleçam a si mesmos quais “deuses”.
Capacidade do Homem Para a Espiritualidade
A razão é que o homem, dentre todas as coisas vivas na terra, possui a capacidade de captar e entreter as coisas espirituais, e, por conseguinte, possui também moral, o que os animais não possuem. Na verdade, pode-se dizer que o homem possui capacidade inata para a espiritualidade, e tem ânsia de satisfazer tal capacidade. Aprecia a arte, a beleza e as qualidades excelentes. Pode, com a ajuda de Deus, produzir os “frutos do espírito”, que são “amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, brandura, autodomínio”. — Gál. 5:22, 23.
Objetivo, Raciocínio, Consciência da Morte
A Bíblia explica esta superioridade por parte do gênero humano por afirmar que o homem foi feito ‘à imagem e semelhança de Deus’. (Gên. 1:26, 27) Pode refletir algumas das qualidades de Deus. Antes de Adão pecar, ele era, completa e perfeitamente, “imagem e glória de Deus”. (1 Cor. 11:7) Não que fosse à imagem de Deus na aparência ou forma, mas nos atributos desejáveis de amor, raciocínio, sabedoria, compaixão e misericórdia. Possuía estas e outras qualidades de Deus numa medida apropriada ao lugar que ocupava na criação de Deus e às obrigações que tinha a cumprir.
Os humanos também fazem as coisas com objetivo, não como os animais, que fazem as coisas por instinto. Os animais cumprem um objetivo, é verdade, mas não com seu poder de raciocínio — é por instinto ou curta reação resultante de experiência, para cuidar de seu objetivo imediato. Tome, por exemplo, a descrição do comportamento da avestruz feita pela Bíblia:
“Ela deixa seus ovos na própria terra
E os mantém quentes no pó
E se esquece que algum pé pode esmagá-los
Ou mesmo uma fera do campo pode trilhá-los.
Trata rudemente os seus filhotes, como se não fossem seus —
Sua labuta é em vão, porque não tem pavor.
Porque Deus a fez esquecer a sabedoria
E não Lhe deu parte na compreensão.”
— Jó 39:14-17.
Em Animals Are Quite Different (Os Animais São Bem Diferentes), “Um Estudo da Relação Entre a Humanidade e os Animais”, Hans Bauer afirma:
“Em contraste com a humanidade, nenhum animal investiga as razões de suas ações. O animal, quando entregue a seus próprios artifícios, simplesmente procura seu próprio prazer e conforto, nada mais. É verdade que, como regra geral, usufrui fazer seja lá o que for útil à sua constituição específica. E, em muitíssimos casos, o que é útil para ele é estabelecer a vida comunitária [como no caso das térmites, das formigas, das abelhas, das aves, etc.]. — P. 204.
Isto não quer dizer que os animais não tenham sentimentos. Afirma o livro supracitado, nas páginas 24, 25:
“Temos todo motivo de admitir que os animais, tal como os seres humanos, podem temer, odiar, sentir afeição e desprezo e saudade, amar seu ambiente nativo, sentir ira e terror, possuir instintos sociais e imitativos e sentir prazer, pesar, alegria e depressão.”
Mas, tais emoções são, em geral, apenas temporárias, e não se baseiam na razão. Por exemplo, um cão poderá apegar-se e lutar a favor dum dono que o trata mui duramente e que usa o cão para realizar objetivos cruéis e iníquos.
Apenas os humanos têm uma concepção do futuro, ou planejam para o futuro. Podem contemplar o tempo indefinido, o infinito. A Bíblia afirma sobre a dádiva de Deus ao homem: “Pôs até mesmo tempo indefinido no seu coração.” (Ecl. 3:11) Os animais, por outro lado, vivem apenas para o instante imediato ou para a satisfação pronta de seus desejos. O homem constrói para o futuro. Usa as informações e as descobertas da história para planejar seu futuro, e a maioria dos homens gostaria de continuar a perseguir seus objetivos por tempo indefinido. Os homens “receiam” o fim de sua vida. Sabem o que se passa com a vida — primeiro, o processo de envelhecimento em direção à morte, daí, a despedida dos entes queridos, a impossibilidade de executar seus projetos, a cessação de todo usufruto e o ser logo esquecido. Os animais, porém, não possuem tal “receio”, assim como a Bíblia afirma a respeito da avestruz.
Homem Foi Criado Para Viver Para Sempre e Foi-lhe Dado o Domínio Sobre os Animais
A razão desta ampla diferença é que o homem foi criado, não para morrer, mas para viver para sempre na terra. A entrada do pecado foi o que introduziu a morte. (Rom. 5:12; 6:23) No entanto, o pecado por parte do homem não introduziu o pecado e a morte no mundo animal. Os animais não têm conhecimento do pecado nem consciência para orientá-los ou condená-los O tratamento pecaminoso dos animais, por parte do homem, provocou a morte deles em alguns casos, até mesmo a extinção de algumas espécies. Mas as descobertas geológicas comprovam que os animais já viviam e morriam muito antes de o homem surgir em cena. É óbvio que sempre tiveram uma vida de duração limitada. Assim, quer morram e degenerem, quer sejam consumidos por outros animais, é algo natural que eles desapareçam de cena. Possuem instintos que os avisam do perigo. Isto assegura a sobrevivência da espécie. O animal, contudo, não sabe disso.
Originalmente, concedeu-se ao homem o domínio sobre os animais. (Gên. 1:28) Isto se deu por causa da sua grande superioridade mental. Não raro, ele tem exercido tal domínio de forma cruel e destrutiva. Entretanto, ele é o inquestionável amo deles. Deus reassegurou a Noé, após o dilúvio: “O medo de vós e o terror de vós continuará sobre toda criatura vivente da terra e sobre toda criatura voadora dos céus, sobre tudo o que se está movendo no solo, e sobre todos os peixes do mar. Na vossa mão estão agora entregues.” — Gên. 9:2.
Em harmonia com tal declaração, os animais temem o homem. Até mesmo os animais selvagens considerados perigosos usualmente fazem todo o possível para evitar o homem. Raro é o animal que procura os humanos para atacá-los. Usualmente isto só acontece quando o animal se vê encurralado e se vê obrigado a atacar. Com efeito, no estado original perfeito, os animais eram amigos do homem e certamente foram ali colocados para o bem do gênero humano. Apenas pequeníssima porcentagem, hoje em dia, pode ser considerada prejudicial, e isto se dá usualmente por causa dos maus tratos impostos a eles pelo homem, ou seus hábitos perdulários, poluidores.
Assim, o homem se enquadra no cenário terrestre como aquele que tem o domínio, e como aquele para o qual a inteira estrutura intricada de vida existe na terra. Ao passo que a criação vegetal e animal glorifica a Deus, o homem, por sua natureza e constituição criadas, caso trave um bom relacionamento com Deus, pode trazer muito mais glória a Ele. Em resposta à nossa pergunta, temos de dizer: Não, a vida aqui na terra não é produto do mero acaso. Em todas as suas formas contrabalançadas, e especialmente na obra-prima da criação terrestre — o próprio homem — o arranjo maravilhoso das coisas vivas exalta a magnificência do maior de todos os arquitetos e edificadores — DEUS.
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Ajuda ao Entendimento da BíbliaDespertai! — 1978 | 8 de outubro
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Ajuda ao Entendimento da Bíblia
[Matéria selecionada de Aid to Bible Understanding, Edição de 1971.]
ARREPENDIMENTO. A palavra portuguesa “arrepender-se” tem o sentido de “mudar de atitude com respeito a uma ação ou conduta passada (ou tencionada), etc., por causa de se sentir lástima ou dessatisfação” ou “sentir lástima, contrição, ou compunção pelo que a pessoa fez ou deixou de fazer”. Em muitos textos, esta é a idéia do hebraico nahhám. Nahhám pode significar “deplorar (sentir lástima), prantear, arrepender-se” (Êxo. 13:17; Gên. 38:12; Jó 42:6), embora, com igual freqüência, signifique “consolar-se” (Gên. 5:29; 37:35; 50:21), “aliviar-se ou livrar-se (como de inimigos da pessoa)”. (Isa. 1:24) Quer se sinta lástima ou consolo, pode-se depreender que está envolvida a mudança de idéia e/ou de sentimento.
Em grego, usam-se dois verbos em conexão com o arrependimento: metanoéo e metamélomai. O primeiro compõe-se de metá, “depois”, e de noéo (relacionado a nous, a mente, disposição ou consciência moral), significando “perceber, notar, captar, reconhecer ou entender”. Por isso, metanoéo literalmente significa conhecimento posterior (em contraste com previsão, ou conhecimento anterior) e significa a mudança da idéia, atitude ou propósito da pessoa. Metamélomai, por outro lado, provém de mélo, que significa “cuidar de ou ter interesse em”. O prefixo metá (“depois”) fornece ao verbo o sentido de ‘deplorar’ (Mat. 21:30; 2 Cor. 7:8), ou ‘arrepender-se’.
Assim, metanoéo sublinha o ponto de vista ou a disposição mudada, a rejeição do proceder ou da ação passada como sendo indesejável (Rev. 2:5; 3:3), ao passo que metamélomai dá ênfase ao sentimento de lástima por parte da pessoa. (Mat. 21:30) Como comenta o Theological Dictionary of the New Testament (Dicionário Teológico do Novo Testamento, Vol. IV, p. 629): “Quando, portanto, o N[ovo] T[estamento] separa os significados [destes termos], revela clara consciência da substância imutável de ambos os conceitos. Em contraste, o uso helenístico amiúde acabou com o limite entre as duas palavras.” Comentando sobre as formas substantivas (p. 628), afirma: “Junto com (colocar caracteres gregos)” [metánoia], a mudança de vontade, acha-se (colocar caracteres gregos) os [metámelos; ou, metaméleia], remorso, mediante o qual o homem sofre a dor da auto-acusação.”
Naturalmente, um ponto de vista mudado amiúde traz consigo um sentimento alterado, ou a sensação de lástima talvez preceda e conduza a uma mudança definida de ponto de vista ou de arbítrio. (1 Sam. 24:5-7) Assim os dois termos, embora tendo significados distintos, estão intimamente relacionados.
ARREPENDIMENTO HUMANO DE PECADOS
O que torna necessário o arrependimento é o pecado, deixar de satisfazer os justos requisitos de Deus. (1 João 5:17) Visto que todo o gênero humano foi vendido ao pecado por Adão, todos os descendentes dele precisam arrepender-se. (Sal. 51:5; Rom. 3:23; 5:12) Conforme indicado sob o verbete RECONCILIAÇÃO, o arrependimento (seguido pela conversão) é um pré-requisito para que o homem seja reconciliado com Deus.
O arrependimento talvez se dê quanto ao inteiro proceder da pessoa, proceder este que tem sido contrário ao propósito e à vontade de Deus e que, ao invés, tem-se harmonizado com o mundo sob o controle do adversário de Deus. (1 Ped. 4:3; 1 João 2:15-17; 5:19) Ou talvez se refira a determinado aspecto da vida da pessoa, a uma prática errada que manche e macule um proceder de outro modo aceitável; poderá referir-se a apenas um ato errado ou até mesmo a uma tendência, inclinação ou atitude errada. (Sal. 141:3, 4; Pro. 6:16-19; Tia. 2:9; 4:13-17; 1 João 2:1) Por conseguinte, o âmbito das falhas poderá ser mui amplo, ou bem específico.
Similarmente, a extensão em que a pessoa se desvia da justiça poderá ser grande ou pequena, e o grau de lástima será, logicamente, comensurável ao grau do desvio. Os israelitas “se revoltaram profundamente” contra Jeová, e estavam “apodrecendo” em suas transgressões. (Isa. 31:6; 64:5, 6; Eze. 33:10) Por outro lado, o apóstolo Paulo fala do ‘homem que dá um passo em falso antes de se aperceber disso’, e aconselha os que possuem qualificações espirituais a ‘tentarem reajustar tal homem num espírito de brandura’. (Gál. 6:1, Tradução do Novo Mundo, Ed. 1971, em inglês; Visto que Jeová considera de forma misericordiosa a fraqueza carnal de seus servos, eles não precisam ficar num estado constante de remorso, devido aos erros que resultam da imperfeição herdada. (Sal. 103:8-14; 130:3) Se estiverem andando conscienciosamente nos modos de Deus, podem sentir-se alegres. — Fil. 4:4-6; 1 João 3:19-22.
O arrependimento poderá dar-se por parte
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