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A eliminação do crime mediante a lei — é possível?Despertai! — 1980 | 8 de janeiro
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resultado. (Êxo. 31:18) Então, existe alguma esperança de um mundo livre do crime?
A fim de considerar tal pergunta, vamos primeiro examinar a finalidade da lei mosaica. O apóstolo Paulo, antes de se tornar cristão, era aluno de um dos melhores professores de direito de Israel, e era zelosíssimo quanto à imposição estrita da lei. Ele escreveu aos cristãos: “Por que, então, a Lei? Ela foi acrescentada para tornar manifestas as transgressões, até que chegasse o descendente a quem se fizera a promessa.” (Gál. 3:19) A Lei, por apontar os vários erros que todos os homens cometem, tornava manifesto que todos são pecadores e não conseguem viver segundo uma lei perfeita. Como Paulo prosseguiu dizendo: “Realmente, eu não teria chegado a conhecer o pecado, se não fosse a Lei; e, por exemplo, eu não teria conhecido a cobiça, se a Lei não dissesse: ‘Não deves cobiçar.’” — Rom. 7:7; Êxo. 20:17.
Não importa como alguém vivesse — não roubando, não cometendo adultério ou homicídio, ou quaisquer violações especialmente citadas — não poderia dizer que jamais cobiçara ou desejara algo errado. Por conseguinte, sabia que era pecador. Mas a Lei lhe fazia o bem, porque lhe fazia ver que nem ele nem ninguém mais poderia viver segundo qualquer código legal. — Rom. 3:10-20.
Assim, o fato de que o pecado está em toda humanidade torna todos os humanos imperfeitos, todos naturalmente desobedientes. No entanto, alguém talvez diga: ‘Embora todos sejamos pecadores, alguns são bem acatadores da lei, assim, como pode isto significar que não se consegue abolir a anarquia?’ A pecaminosidade existente em nós, e que transmitimos a nossos descendentes, é muito pior do que imaginamos. A Bíblia, com a evidência real — uma nação que esteve sob a lei mosaica durante cerca de 15 séculos — nos diz isso. O apóstolo, falando a seus colegas cristãos, afirma: “Quando estávamos de acordo com a carne, as paixões pecaminosas, incitadas pela Lei, trabalhavam em nossos membros para que produzíssemos fruto para a morte.” (Rom. 7:5;1 Cor. 15:56) Segundo esta declaração, os vários mandamentos da Lei, que proibiam certos atos, incitavam as pessoas a fazer estas mesmíssimas coisas.
Por conseguinte, era a Lei ruim, ou é ruim termos lei hoje? De forma alguma! O apóstolo explica: “Acaso o bom se tornou morte para mim? Que isso nunca aconteça! Mas o pecado sim, para que se mostrasse como pecado, produzindo para mim a morte por intermédio daquilo que é bom; para que o pecado se tornasse muito mais pecaminoso por intermédio do mandamento. Pois sabemos que a Lei é espiritual; mas eu sou carnal, vendido sob o pecado.” (Rom. 7:13, 14) Não nos mostra isso quão entranhado está em nós o pecado? Não é evidência para nós de nossa pecaminosidade, de que somos tão contrários, e tão inclinados à desobediência, sim, à rebelião, de que, quando uma autoridade nos manda não fazer algo que será ruim para nós, isto é justamente o que nós desejamos fazer, embora, talvez, não tenhamos pensado nisso antes?
O criminólogo Jerome H. Skolnick, da Universidade da Califórnia em Berkeley, EUA, destacou esta tendência da humanidade, ao dizer: “Nem todos reverenciam a lei penal, ou não do mesmo jeito. Por sancionarmos uma lei, podemos até mesmo tornar mais popular a conduta proibida.”
Isto mostra por que os governos mundiais não podem erradicar o crime mediante a lei. Onde, então, reside a esperança?
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Como se acabará com o crimeDespertai! — 1980 | 8 de janeiro
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Como se acabará com o crime
Chegar à Raiz do Problema
É ÓBVIO que a eliminação do crime exige a eliminação do pecado — a erradicação de todos os vestígios de pecaminosidade de nós, individualmente. Pois a lei não pode funcionar do modo tencionado ou desejado se as pessoas, como indivíduos, não sustentarem seus princípios. Inversamente, se o pecado for removido, o amor e os princípios corretos — a essência da lei — seriam seguidos com motivação íntima, do coração. Não haveria então necessidade alguma de um código de leis que proibissem certos erros e especificassem penas.
Como declaram as Escrituras: “A lei é promulgada, não para o justo, mas para os que são contra a lei e os indisciplinados, ímpios e pecadores.” (1 Tim. 1:9) A pessoa justa, estando livre dos desejos e pensamentos ruins, faria “naturalmente” a coisa certa.
A fim de nos revelar este fato, de nos fazer saber nossa necessidade, foi a razão de Deus ter dado a Lei a Israel, e por que dispomos dela hoje em forma impressa, para todos poderem lê-la. Convictos de nossa situação ruim, estamos na posição correta de nos voltar para o modo justo de Deus. Somente Deus, que é o Soberano Universal, pode fornecer-nos um modo de agir. Ele tem feito isto, e o modo é realmente muito simples.
O Arranjo de Deus Para a Justiça
A Bíblia delineia o arranjo de Deus. Acha-se ao alcance de toda a humanidade. Visto que todos nós somos pecadores, tendo herdado a imperfeição de nossos antepassados, a começar com o pecaminoso Adão, somos impotentes. Nenhuma lei pode salvar-nos. O único meio de livramento é alguém não culpado assumir a pena pelos nossos pecados. Foi isto que Deus proveu por enviar seu Filho à terra como homem perfeito e justo. Lemos: “Porque, havendo incapacidade da parte da Lei, enquanto ela estava fraca por intermédio da carne,
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