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Repete-se a história?Despertai! — 1984 | 8 de setembro
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tal ironia, depois de Napoleão ser forçado a abdicar, os Bourbons voltaram na pessoa de Luís XVIII. Retornaram, alguns dizem, sem ter aprendido ou ter esquecido coisa alguma.
Mas, trata-se apenas dum exemplo do que alguns encaram como tendência. A História parece repetir-se. Como se expressou Georg W. F. Hegel, filósofo alemão: “Os povos e os governos nada aprenderam da História, nem agiram de acordo com os princípios que se deduziriam dela.” Por que isto se dá? Quais são algumas das lições não aprendidas da História? Poderíamos nós, pessoalmente, beneficiar-nos delas?
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Lições não aprendidas da históriaDespertai! — 1984 | 8 de setembro
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Lições não aprendidas da história
Os cursos escolares e universitários de História não raro parecem eqüivaler a pouco mais do que aprender sobre eventos, batalhas, documentos e personalidades. H. G. Wells disse que “o estreito ensino de História” de nossos dias escolares era mormente“ uma lista nada inspiradora e parcialmente esquecida de reis ou presidentes nacionais”.
Todavia, para aqueles que gostam de refletir sobre as coisas, a História deveria ser uma lanterna que lançasse luz sobre as armadilhas do passado e do presente. Deveria fornecer alguma esperança quanto ao futuro. Considere, então, algumas notáveis lições da História e o que a humanidade deixou de aprender delas
LIÇÃO N.º 1 — Mudanças de governo: Como se deu nos dias da Revolução Francesa, a tendência é que um governo seja sucedido por outro idêntico, a “mudança” sendo mais aparente do que real. Assim, a tirania bem que pode suceder a tirania prévia. Nas sociedades democráticas ocidentais, como as dos Estados Unidos ou da Grã-Bretanha, um partido sucede o outro por meio de eleições. Contudo não ocorrem realmente mudanças fundamentais.
É interessante a observação feita pelo famoso escritor Paul Valery: “Todos os políticos já leram a História; mas poder-se-ia dizer que lêem-na apenas para aprender a repetir as mesmas calamidades, vez após vez.” Por que, porém, isto se dá? Basicamente porque aquilo que a Bíblia diz é verídico: “Não é do homem que anda o dirigir o seu passo.” — Jeremias 10:23.
Qual é a lição contida nisto? “Não confieis nos nobres, nem no filho do homem terreno, a quem não pertence a salvação.” (Salmo 146:3) As promessas dos homens não merecem geralmente confiança. Embora talvez tentem conscienciosamente fazê-lo, não espere que os homens realizem um governo totalmente satisfatório. Apenas Jeová Deus pode, e fará isso, por meio do seu Reino, tendo a Jesus Cristo como Rei. — Mateus 6:9, 10; Isaías 9:6, 7; Daniel 2:44.
LIÇÃO N.º 2 — A religião na política: A História aponta que o sacerdócio da religião organizada em qualquer era, quando exerce domínio político sobre a população, funciona como instrumento de manutenção do status quo, amiúde para o benefício da classe dominante. Um caso em pauta é o papel desempenhado pela hierarquia católico-romana na Europa e em outras partes, na perpetuação do sistema feudal, depois da queda do Império Romano no século 5 EC. Por um milênio ou mais, a Igreja, tanto no Ocidente como no Oriente, trabalhou intimamente ligada com os reis, czares e senhores de modo a conservar os privilégios e as mordomias dos poucos no topo da pirâmide social.
Em contrapartida, deu-se à Igreja terras (a base do poder no sistema feudal), e as pessoas se dirigiam a seus membros como “senhor Abade”, ou “senhor Bispo”. O próprio papa era, possivelmente, o monarca mais poderoso da cristandade. Pode-se depreender tal poder duma lista de prerrogativas papais editada pelo papa Gregório VII no século 11. Estas incluíam “o poder de depor imperadores” e de “anular os decretos de quem quer que seja”.
Os governantes da antiga Babilônia, Egito, América asteca, da Índia hinduísta — deveras, talvez de todas as sociedades do passado — utilizaram o sistema religioso para entrincheirar seus próprios interesses. E, a troco de vantagens egoístas, a religião do mundo sempre procurou ter vínculos estreitos com o Estado. Mas qual é a lição de tudo isso? É a de que, quando a religião se imiscui na política e se torna envolvida no mundo e em seus assuntos políticos, as massas sofrem e o resultado é a confusão. Tal fornicação espiritual contribui para ela ser repugnante a Deus. (Revelação 17:3-5) Ademais, aprendemos da Bíblia que um dos requisitos para a adoração aprovada por Deus é ‘manter-se sem mácula do mundo’. — Tiago 1:27.
LIÇÃO N.º 3 — Prosperidade material: Em algumas terras e em alguns períodos históricos usufruiu-se notável prosperidade material. Muitos sustentam que a felicidade e o contentamento aumentam com a resultante elevação do padrão de vida. Mas o que a História realmente nos ensina? Que não basta a prosperidade material para tornar as pessoas mais felizes. Além das coisas materiais, contudo, o que mais é necessário?
Em seu livro Man, God and Magic (O Homem, Deus e a Mágica), Ivar Lissner comentou: “Não deixa de causar admiração a perseverança com que o homem se tem esforçado, no decorrer de sua história, de ir além de si mesmo. Suas energias jamais foram orientadas unicamente para com as necessidades da vida. Sempre procurando, “ateando em seu caminho adiante, aspirando o inatingível. Este anseio estranho e inerente no ser humano é sua espiritualidade. . . . O homem não se contenta simplesmente em dormir, comer e aquecer-se . . . Todas as civilizações da humanidade que iá existiram estavam arreigadas na religião e na busca de Deus. Sem fé, religião e Deus, a civilização é inconcebível.”
Há dezenove séculos, Jesus Cristo disse: “Felizes os cônscios de sua necessidade espiritual, porque a eles pertence o reino dos céus.” (Mateus 5:3) Assim, embora a prosperidade material possa trazer algum prazer, desta lição histórica aprendemos que a verdadeira felicidade resulta de se cultivar nossa necessidade espiritual, e de satisfazê-la.
LIÇÃO N.º 4 — Soerguimento social: É impossível criar-se um mundo melhor sem tornar melhores as pessoas. Na realidade, a História prova que “homem tem dominado homem para seu prejuízo”. (Eclesiastes 8:9) Sim, tais acontecimentos, como a abolição da escravatura, contribuíram para o soerguimento social. Mas, vários fatores humanos continuam a trazer a morte para milhões, em guerras desumanas. Para que haja genuíno soerguimento social, as pessoas precisam aprender a amar seu próximo. (Mateus 22:39) Na verdade, a Bíblia indica que serão precisos mil anos para soerguer a humanidade à perfeição, sob a realeza de Jesus Cristo e seus co-governantes ungidos Mas, esse período está prestes a iniciar-se, e será uma das muitas realizações do Reino de Deus — Revelação 20:4-6; 21:1-5.
Sem dúvida, podemos aprender muitas lições da história humana. Mas, o que dizer das quatro lições que acabamos de mencionar? Que aplicação pessoal podemos fazer de tais lições históricas?
[Destaque na página 5]
‘Lêem-na apenas para aprender a repetir as mesmas calamidade.’
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O que as lições podem ensinar-nosDespertai! — 1984 | 8 de setembro
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O que as lições podem ensinar-nos
SE A HISTÓRIA parece repetir-se, seria o caso de haver um arquiteto invisível da triste história da humanidade? Revelam as suas obras a marca ineludível de uma personalidade má? A resposta da Bíblia é taxativa.
O apóstolo cristão, Paulo, identifica este arquiteto da história infeliz da humanidade como “o deus deste sistema de coisas”, Satanás, o Diabo. (2 Coríntios 4:4) Ora, “o mundo inteiro jaz no poder do iníquo”! (1 João 5:19) Assim, não devia ser surpreendente que, na História, uma tirania é seguida de outra, pois os “governantes mundiais [espirituais, iníquos] desta escuridão” assim o querem. (Efésios 6:12) A História, então, deve ensinar-nos que só pode haver uma mudança verdadeiramente satisfatória de governo. A tirania só será uma coisa do passado sob o governo do Reino de Deus.
O que dizer da Lição N.º 2, envolvendo a religião e a política? É claro que a amizade da religião falsa com o mundo não impediu a decadência moral que o apóstolo Paulo forneceu como uma das características dos “últimos dias” deste sistema. Disse que as pessoas — até mesmo as professamente devotadas — seriam ‘amantes de si mesmas, amantes do dinheiro’ e “mais amantes de prazeres do que amantes de Deus”. Teriam apenas “uma forma de devoção piedosa”. — 2 Timóteo 3:1-5.
Por que os ministros das religiões do mundo falharam em frear esta onda antiespiritual? Em parte, não conseguiram fazê-lo porque sempre procuraram misturar a religião com a política. Isto os torna impuros aos olhos de Deus, e, à base disto, devíamos aprender que temos de nos abster de tal envolvimento, se havemos de ser amigos de Jeová Deus. — Revelação 17:1, 2, 5; Tiago 4:4; João 15:19.
Em aditamento, a prosperidade material não tornou verdadeiramente felizes os que a usufruíram. O materialismo também está sendo usado por Satanás e seus demônios para impedir as pessoas de servir a Deus. (Marcos 4:19) Esta lição histórica deve ensinar-nos que a felicidade genuína provém de estarmos cônscios de nossa necessidade espiritual e de fazermos algo para satisfazê-la.
Por fim, o estudo da História à luz da Bíblia, deve convencer-nos de que o soerguimento humano jamais poderá ser alcançado à parte de Deus. Naturalmente, os humanos imperfeitos não podem fazer as necessárias mudanças no mundo. Mas, isto não significa que não temos esperança. Não, deveras, pois Deus nos tem prometido algo melhor.
“Novos Céus e Uma Nova Terra”
Jeová Deus não propôs para o nosso planeta Terra a destruição num holocausto nuclear. Antes, livrará a Terra do sistema opressor injusto que há sobre ela, e que promove a infelicidade. (Eclesiastes 1:4; Isaías 45:18) Após a intervenção de Deus, mediante Jesus Cristo, vem o abismar de Satanás e seus demônios. (Revelação 19:11 a 20:3) Esse velho arquiteto da História ficará desempregado! Daí, virá a bênção duma Nova Ordem, confiada ao magistral arquiteto de Jeová — Jesus Cristo. Por meio do governo justo de Jesus, cumprir-se-á a promessa do Salmo 37:11, pois então “os próprios mansos possuirão a terra e deveras se deleitarão na abundância de paz”. Que dia maravilhoso esse será para a raça humana!
Talvez, dentre as lições não aprendidas da História, a maior de todas seja que Satanás tem sido o governante do mundo. Mas, isso mudará quando Jesus obtiver a vitória sobre ele, em vindicação do nome e da soberania de Jeová Deus. A triste história humana não mais se repetirá então, pois a Bíblia promete: “Há novos céus e uma nova terra que aguardamos segundo a . . . promessa [de Deus], e nestes há de morar a justiça.” (2 Pedro 3:13) As coisas anteriores não mais se repetirão, nem serão lembradas, mas desaparecerão. (Isaías 65:17; Revelação 21:4) Nada ameaçará alguma vez a paz e a tranqüilidade da humanidade naquela Nova Ordem prometida por Aquele cujo propósito jamais falha.
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