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A vida tem objetivoA Vida Tem Objetivo
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Capítulo 1
A vida tem objetivo
1, 2. Mesmo quando alguém leva uma vida agradável, que perguntas desconcertantes talvez o aflijam? (Eclesiastes 1:2-4, 10, 11)
QUÃO bom é estar vivo, sentir que se realiza alguma coisa e que a vida tem verdadeiro significado! Ninguém gosta mesmo duma vida sem finalidade — duma vida sem objetivo.
2 Em toda a terra há milhões de pessoas que trabalham arduamente e procuram encontrar felicidade na vida. Contudo, vem a hora em que a gente pára e se pergunta: O que é que estou fazendo? Pode parecer que a vida é apenas uma questão de se viver alguns poucos anos, criar filhos, para levarem avante o nome da família, repetindo então os filhos o mesmo ciclo. Será que não há objetivo maior em tudo isso?
3, 4. (a) Quais são as coisas que podem rapidamente mudar todos os planos de nossa vida? (Salmo 90:10) (b) Se quisermos alguma coisa que dê mais significado à nossa vida, que pergunta nos confrontará, exigindo uma resposta?
3 As pessoas sabem também que demasiadas vezes acontece que uma reviravolta econômica, uma guerra ou outra calamidade pode eliminar os esforços de toda uma vida. O que é ainda mais triste é que a perda dum ente querido, por causa de doença, acidente ou crime, pode fazer a vida parecer de repente terrivelmente vazia, sem finalidade. No melhor dos casos, a vida parece curta demais. Comparada com o perene universo em volta ‘de nós, a duração da vida humana se parece ao mero tique dum relógio.
4 Certamente, deve haver algo melhor em reserva para a humanidade, algo que dê verdadeiro significado à nossa vida. Neste caso, o que é? Para termos a resposta a esta pergunta, temos de obter primeiro a resposta a uma pergunta ainda mais básica: São este universo e toda a vida nele o produto dum “Arquiteto-Mestre”, a saber, de Deus?
EXISTE UM ARQUITETO-MESTRE QUE TEM UM OBJETIVO?
5. Que efeito pode ter a incerteza ou dúvida sobre a existência dum Criador sobre a nossa vida e a vida daqueles que nos cercam?
5 Nosso ponto de vista sobre a origem das coisas pode exercer uma influência muito mais forte sobre como encaramos a vida, e a nossa atitude para com os em volta de nós, do que muitos se apercebem. A incerteza a respeito da existência dum Criador universal pode deixar-nos na dúvida a respeito dum objetivo definido da vida. Também pode deixar-nos na dúvida a respeito de nossas verdadeiras obrigações para com as outras pessoas. Neste caso, o que acontece? Bem, se não tivermos certeza, simplesmente teremos de modelar nossa vida segundo o que cada um achar melhor. Isto significa não ter nenhum padrão específico a respeito do que é certo e do que é errado, nenhum senso real de responsabilidade para com os outros? Não é difícil de ver quantos problemas isso pode causar e quão prejudicial pode ser para o usufruto da vida.
6, 7. (a) Por que chegam alguns à conclusão de que não há Criador, mas, o que talvez despercebam? (b) Que conclusões a respeito dum Criador podem ser tiradas logicamente pela comparação do universo com um relógio? (Isaías 40:26)
6 Que motivo há para se crer num Arquiteto-Mestre, num Deus que tem um objetivo? Vendo tanta injustiça e tanto sofrimento, muitos chegam à conclusão de que não há Criador. Mas, talvez despercebam o fato de que há muitas coisas que só podem ser explicadas por uma criação. Quando se mostra a alguém um relógio e se lhe diz que este não foi feito por ninguém, ele não vai acreditar nisso, ou vai? Provavelmente reconhecerá que este instrumento para a marcação do tempo tem um objetivo específico, o que mostra, além disso, que aquele que o fez teve um objetivo em mira. O que diremos então a respeito do infinitamente mais complexo e espantoso universo em torno de nós? O problema talvez seja o de não se entender qual é o objetivo do Criador. Consideremos algumas evidências que mostram que precisa haver um Criador com um propósito.
7 Os corpos celestes giram nas suas imensas órbitas a velocidades enormes, com precisão espantosa, já por incontáveis milhões de anos. Os planetas orbitam em torno do sol de modo ordeiro; as incontáveis estrelas e os outros corpos celestes estão organizados em galáxias e até mesmo em aglomerados galácticos. Seu tamanho gigantesco e sua assombrosa precisão de movimento fazem o melhor dos relógios parecer extremamente rudimentar, em comparação. Não nos sentimos compelidos a perguntar: Como pode o relógio necessitar dum fabricante, mas não o muito mais espantoso e preciso universo? Além disso, será que algo tão complexo e preciso pode existir sem objetivo?
8. Por que é contrário à evidência dizer que o universo é produto do acaso ou de forças cegas? (Hebreus 3:4)
8 Dizer que toda esta precisão e ordem surgiram por acaso ou por forças cegas contraria toda a evidência. Será que nós conhecemos algo ordeiro que tenha vindo à existência por mero acaso? Não importa em que pensemos — numa máquina, numa linha de montagem, numa casa ou mesmo numa simples vassoura — cada uma destas coisas foi projetada por alguém: o homem. A matéria inanimada nunca se arranjou sozinha, por acaso, em um produto ou processo ordeiro. Não importa quanto tempo se conceda a isso, a força dos ventos ou o movimento das águas nunca ajuntarão a matéria ao ponto de produzir mesmo a máquina mais simples. Tudo o que é feito com um objetivo requer alguém inteligente que o organize e produza.
9. Que evidência fornecem as matérias radioativas, de que a matéria não existiu sempre?
9 Suponhamos que adotemos a atitude de que não há Criador. Neste caso teríamos de dizer que o universo sempre existiu, que a matéria nele é eterna. No entanto, a evidência clara mostra que a matéria não existiu sempre. Por exemplo, sabemos que alguns elementos da terra são instáveis, quer dizer, são radioativos. O urânio, por exemplo, continua a irradiar partículas radioativas até que, por fim, se transforma em chumbo. Mas, se a matéria sempre tivesse existido, não mais haveria hoje elementos radioativos. A radioatividade se teria ‘esgotado’ há muito tempo, assim como a água escoa por fim completamente dum barril furado.
10. Como indica a existência de temperaturas diferentes que o universo teve início?
10 Outra evidência são as temperaturas diferentes encontradas no universo, desde o calor escaldante do sol até o frio gélido do espaço sideral. As leis cientificamente aceitas sobre a operação do calor (chamadas leis da termodinâmica) declaram que o calor sempre passa dum corpo quente para um mais frio, até que ambos tenham a mesma temperatura. Ora, se o universo e a matéria nele tivessem existido eternamente, haveria (segundo a “termodinâmica”) a mesma temperatura em toda a parte, e ainda por cima muito fria! Mas, graças a Deus, isto não se dá. Nosso sol continua a irradiar calor e energia, assim como fazem miríades de outras estrelas. Isto prova que o universo e a matéria de que é composto tiveram início.
11, 12. A que conclusão nos leva o estudo do átomo?
11 Quando os cientistas estudam a matéria, em especial, o átomo, encontram evidência de que toda a matéria é produto de energia — quantidades enormes dela. Antigamente, pensavam que o átomo fosse a forma mais simples de matéria, a partícula básica indivisível de toda a matéria. Mas, depois de anos de estudo, descobriram que a estrutura do átomo é tão complexa, que eles ainda não conseguem desvendar todos os seus segredos. É evidente que a fonte da tremenda energia que formou o átomo, e toda a matéria, e que pôs o universo em movimento, tem de ser uma pessoa, possuidora de um intelecto muito superior ao do homem. Sim, essas coisas constituem evidência poderosa e fatual de que o universo realmente teve origem num tempo específico do passado. Foi criado.
12 E que dizer do planeta em que todos nós, humanos, vivemos, esta terra? Que evidência dum desígnio inteligente e objetivo é revelada pela sua capacidade de sustentar a vida?
SOL E TERRA — UMA RELAÇÃO PRECISA
13, 14. Como fornece o sol a evidência da existência dum poderoso e benevolente Arquiteto-Mestre? (Salmo 74:16)
13 Os homens têm produzido usinas atômicas — reatores termonucleares — e sua produção de energia é superior à de outros métodos. Mas, precisam ser constantemente controladas, para não haver uma explosão devastadora. Mesmo assim, já houve alguns acidentes. Ora, os reatores produzidos pelos homens são pequeníssimos e insignificantes em comparação com o nosso sol. Se os potentes processos explosivos que ocorrem no sol fugissem ao controle, a terra ficaria instantaneamente incinerada. No entanto, o sol tem produzido constantemente luz e calor já por bilhões de anos, aparentemente com pouca ou nenhuma alteração. Calcula-se que a conversão de apenas um por cento da massa do sol em energia manteria a atual intensidade de luz pelo menos por um bilhão de anos.
14 Quão razoável é, pois, concluir que os reatores feitos pelos homens necessitaram um desígnio inteligente, mas que o reator solar muitíssimo maior e muito mais seguro, o sol, veio à existência por mero acaso? Não deveríamos antes atribuir o mérito a um benevolente Arquiteto-Mestre, por ter projetado um “reator” solar que irradia com segurança a quantidade exatamente certa de sua enorme energia através de uns 150.000.000 de quilômetros de espaço, até a nossa terra?
15. Como se evidencia o desígnio objetivo na distância que há entre a terra e o sol?
15 Examinemos mais de perto os fatores que tornam possível que a terra utilize a energia solar dum modo que garante a continuação da vida. A distância entre a terra e o sol é exatamente certa. Se o sol estivesse mais perto, a terra seria quente demais para a vida; se estivesse mais longe, seria fria demais.
16. (a) O que tem que ver a rotação da terra sobre o seu eixo com a provisão de alimentos para a humanidade e para os animais? (Salmo 104:14, 19-22) (b) Para que fim serve, em nosso benefício a inclinação do eixo da terra na sua órbita em torno do sol? (Gênesis 1:14; 8:22)
16 A velocidade da rotação da terra provê à terra toda períodos alternados de dia e noite, de duração adequada para o crescimento das plantas. As plantas, pelo uso da energia solar, transformam água e bióxido de carbono em açúcares. Este processo, conhecido como fotossíntese, é vital para a produção de alimentos para os animais e o homem. (Gênesis 1:29, 30) A inclinação da terra sobre o eixo, numa direção fixa, num ângulo de cerca de 23,5 graus em relação à vertical, produz as estações. O tempo que a terra leva para uma órbita em torno do sol faz com que as estações tenham a duração apropriada. Embora a duração do dia e da estação varie um pouco nas diferentes partes da terra, contudo, as abundantes variedades de vegetação recebem a energia necessária para seu crescimento.
NOSSA ATMOSFERA — MEIO AMBIENTE IDEAL PARA A VIDA
17. Como cooperam o sol e a atmosfera da terra para fornecer proteção contra o aspecto mortífero da radiação solar?
17 Se quaisquer dos já mencionados aspectos fossem alterados substancialmente, significaria um desastre para a vida na terra. No entanto, eles são apenas uma fração das coisas essenciais para a vida. De fato, sem a atmosfera em volta da terra, a luz e a energia do sol seriam inúteis e até mesmo perigosas. A ampla atmosfera da terra protege a vida contra os raios mortíferos. E a própria radiação solar ajuda a atmosfera a produzir uma camada de ozônio, uma forma de oxigênio que filtra os mortíferos raios ultravioleta.
18. É simplesmente “por acaso” que há suficiente oxigênio na atmosfera da terra e que este está muito diluído com nitrogênio? Explique isso.
18 A constituição da atmosfera da terra também é muito importante para a continuação da vida. Por exemplo, nós, humanos, não podemos viver sem oxigênio. Quando o cérebro fica privado dele mesmo apenas por alguns minutos, ele fica seriamente danificado. Disso costuma resultar a morte. Não é excelente que o oxigênio exista em abundância na atmosfera? Mas, por outro lado, o oxigênio torna também possível o fogo. Portanto, a enorme quantidade deste gás em volta de nós poderia ser destrutiva para a vida; poderíamos estar em perigo de ser queimados. Por que não acontece isso? Porque o oxigênio na nossa atmosfera é grandemente diluído com nitrogênio, um gás relativamente inerte.
19. A que conclusão podemos chegar pela comparação da atmosfera do sol com a da terra?
19 Além disso, a atmosfera foi preparada como que segundo uma boa “receita”, com outros ingredientes essenciais nas proporções certas — bióxido de carbono, vapor de água, e assim por diante. No sol é necessária uma atmosfera constituída principalmente por hidrogênio, mas na atmosfera da terra, o hidrogênio, por causa de sua qualidade explosiva, seria uma constante ameaça. Se não houvesse um Arquiteto-Mestre com um objetivo, por que haveria tal equilíbrio, como que uma “cooperação”, tanto na atmosfera do sol como na da terra, para a terra estar tão admiravelmente apropriada para a vida, ao passo que o sol, tão longe, está equipado para sustentar essa vida?
A ÁGUA — LÍQUIDO SUSTENTADOR DA VIDA
20, 21. (a) A terra é exclusiva entre os planetas por ter grandes quantidades de que substância vital? (b) Quais são alguns dos fins valiosos para que servem os poderosos oceanos?
20 Além da atmosfera, com a mistura exatamente certa de gases, também a água, na sua forma líquida, normal — em grande quantidade — é essencial para a vida física. Neste respeito, a terra é exclusiva entre todos os planetas. O enorme volume dos oceanos é a base do ciclo das chuvas, que torna possível o crescimento vegetal. Os oceanos impedem também as flutuações extremas de temperatura.
21 Sem os oceanos, falharia também outro ciclo: o ciclo de oxigênio e bióxido de carbono. O oxigênio é usado pela vida animal, o bióxido de carbono, pela vida vegetal. Os oceanos absorvem e liberam bilhões de toneladas de bióxido de carbono, conforme a necessidade, para manter o estoque sempre em equilíbrio. Naturalmente, os oceanos são também fonte de abundante riqueza mineral e animal. — Deuteronômio 33:19.
22. Por que é a água tão valiosa para nutrir a vida vegetal e animal?
22 A água é um líquido extraordinário, quase “milagroso”. É o líquido de maior poder solvente. Por este motivo, pode armazenar os compostos químicos necessários para sustentar a vida vegetal. A água penetra no solo e dissolve as substâncias químicas, sustentadoras da vida, encontradas ali. Daí, leva consigo estes nutrientes ao passo que circula nas diversas partes das plantas. (Isaías 55:10) A água é o constituinte primário do sangue, que leva a nutrição vitalizadora às células do corpo humano e animal. Nosso corpo, de fato, é cerca de 70 por cento água.
23. Por que é importante para a nossa vida a estabilidade da água como líquido, sob uma ampla variedade de temperaturas?
23 É também notável que a água permanece líquida sob uma ampla variedade de temperaturas normais. Se ela se evaporasse mais depressa, a água da chuva não poderia permanecer sobre o solo ou dentro dele para dissolver os minerais e transportá-los para as plantas. A vegetação perderia a sua umidade depressa demais, e grandes regiões se tornariam em desertos. Se o ponto de ebulição da água fosse muito mais baixo do que é agora, haveria o perigo de nosso sangue ferver, quando ficássemos expostos ao sol quente. Se a água se congelasse ou solidificasse depressa demais, a precipitação pluvial seria insignificante e as plantas morreriam.
24. Para que fim serve a propriedade incomum da água, de expandir-se quando congela?
24 Além disso, a água se expande ligeiramente quando se transforma em gelo, de modo que flutua em vez de afundar. Isto impede que os lagos e outros grandes corpos de água congelem totalmente, com o conseqüente prejuízo para a vida. Esta capacidade de expansão desempenha um papel na produção de solo, porque a água penetra nas frestas e nas fendas de rochas e depois se expande, ao congelar, rebentando as rochas, que se transformam em solo fino e arável — tudo isso sem que o homem se precise preocupar.
25. Se raciocinarmos sobre o fato de a terra ter tal abundância de água, a que conclusão somos induzidos? (Jeremias 10:12, 13)
25 Por que acontece que, dentro de todos os líquidos, há tanto desta água valiosa na terra? Certamente, isso não ocorreu apenas por acaso. Sua provisão deve ser a obra dum Arquiteto-Mestre — de alguém que realmente se importa com a sua criação viva na terra!
A EVIDÊNCIA É INCONFUNDÍVEL
26. Embora Deus seja invisível aos olhos humanos, como podemos saber que existe tal Projetista-Mestre e Criador?
26 Deveras, aquele que examina de perto a evidência visível em volta dele pode ver que tem de existir um Personagem supremamente inteligente, um Projetista-Mestre e Criador. Embora este benevolente Projetista não possa ser visto com os olhos naturais, “as suas qualidades invisíveis são claramente vistas desde a criação do mundo em diante, porque são percebidas por meio das coisas feitas, mesmo seu sempiterno poder e Divindade”. — Romanos 1:20.
27. Por que não é razoável exigir que vejamos a Deus para crer que ele existe?
27 Alguns exigem ver a Deus antes de crerem na sua existência. No entanto, tem sentido esperar ver Aquele que criou todas estas coisas maravilhosas? Mal podemos olhar diretamente para o sol, e certamente ficaríamos cegos e seríamos queimados se alguns dos sóis maiores estivessem tão perto da terra como o nosso. Então, quanto brilho teria o Criador desses sóis, se ele se revelasse aos olhos humanos! Deus respondeu a Moisés, que pediu para ver a Sua glória: “Não podes ver a minha face, porque homem algum pode ver-me e continuar vivo.” — Êxodo 33:20.
28. Em harmonia com Romanos 1:20, que evidência do amor e do cuidado dum Arquiteto-Mestre podemos ver ao observar o universo?
28 No entanto, se usarmos nossa faculdade de raciocínio, poderemos ver, na criação, uma expressão de ilimitado poder e controle. O acaso ou forças cegas nunca poderiam exercer controle objetivo, nem estabelecer leis. A lei e o controle são evidências das qualidades invisíveis dum Arquiteto-Mestre. Também, o cuidado com que o universo foi composto (inclusive nosso sistema solar e o planeta Terra), provendo-se todas as coisas boas para a vida da humanidade, indica grande amor e muito interesse. Estas são caraterísticas que só podem ser dum personagem inteligente e compassivo.
29. Tendo chegado à conclusão de que há um Criador, que perguntas merecem ser consideradas por nós, a seguir?
29 Mas, importa-se Deus com a sua criação, em nossos dias? Tendo projetado e produzido o universo, interessa-se ainda em lidar com ele? Será que, na mente de Deus, há um futuro para o homem e um propósito para com cada pessoa viva ou que já viveu?
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Deus — o generoso dono-de-casaA Vida Tem Objetivo
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Capítulo 2
Deus — o generoso dono-de-casa
1, 2. Tomando em consideração o excelente lugar de moradia que nossa terra é, qual é nossa reação normal, como “hóspedes” neste planeta?
SUPONHAMOS que você esteja viajando e procurando um lugar adequado para passar as férias. Depois de ir bastante longe, até uma região isolada, encontra um belo jardim. Vê uma casa e chega-se a ela para perguntar a respeito duma possível hospedagem. Para a sua surpresa, há um letreiro na porta, que reza: ‘Bem-vindo. Sinta-se como em casa’! Entrando na casa, encontra tudo o que poderia desejar para uma vida confortável: água, aquecimento, luzes, e mais uma despensa bem provida, com um letreiro: ‘Sirva-se à vontade.’ Qual seria a sua reação? Diria: ‘Isso é inacreditável! Quão generoso e bondoso deve ser o dono desta casa!’?
2 Na realidade, esta ilustração se ajusta à situação do homem em relação com o Criador da terra, Deus. Veja como o Criador, tal como um generoso dono-de-casa, fez provisões para os que vieram a habitar neste “lar” planetário, a terra:
3, 4. Como está nosso bom “lar” equipado em matéria de luz, calor e energia?
3 Um bom lar costuma ter luz, usualmente no teto, e uma suave luz noturna, para que seus moradores não estejam em total escuridão durante toda a noite. A terra tem o sol como fonte primária de luz e a suave luz da lua para ‘dominar a noite’. — Gênesis 1:14-18.
4 A casa tem uma fonte de energia para aquecimento, para a operação de aparelhos, e assim por diante. A terra tem o sol. Este não só banha a terra com energia, que pode ser utilizada pelo homem e pela vida vegetal, mas a sua ação, no decorrer dos séculos, proveu uma enorme quantidade de combustível, especialmente combustíveis fósseis, tais como carvão e petróleo. Assim como numa casa bem abastecida, estes se encontram armazenados no “porão” da terra, para serem usados sempre que preciso.
5. Que outras coisas para nosso conforto e prazer estão armazenadas no “porão” de nossa “casa”? (Jó 28:1-6)
5 Neste “porão”, o Criador colocou também bondosamente ricos depósitos de metais, e deu ao homem a capacidade de encontrar meios para extraí-los dos minérios. Para o agrado especial dos homens e especialmente das mulheres, Ele colocou também neste “porão” pedras preciosas que aumentam o prazer na vida, bem como substâncias químicas essenciais para a vida.
6. (a) Que evidência fornece o “sistema de encanamento” de nosso “lar” planetário da existência dum Criador que se importa conosco? (b) Compare os morros e montes de Deus com os montes de pedra e terra criados pelos homens. (Salmo 104:10, 11)
6 Uma casa precisa também dum bom sistema de encanamento. O “sistema de encanamento” de nossa “casa” terrena é uma maravilha. Se o homem pudesse construir uma montanha, ajuntando um grande montão de rochas e terra, poderiam os homens que vivessem nela obter água pura, fresca e agradável de mananciais nas suas encostas? Vimos montes enormes, criados pelos homens, nas vizinhanças de minas e eles são apenas manchas feias na paisagem. Considere, pois, os princípios maravilhosos de engenharia envolvidos no sistema complexo de canais e pressões subterrâneas, pelo qual a terra, mesmo os montes mais altos, têm um suprimento de água. E onde há pouca ou nenhuma chuva, tal como no deserto do Saara, há lugares onde só é preciso cavar um pouco para se encontrar água.
7. Como proveu o Criador um “tapete” autoconservador para nosso “lar”? (Gênesis 1:11, 12)
7 Assim como em muitas residências boas, onde o piso é coberto para ter beleza e para dar conforto, o Criador também “atapetou” a terra com vegetação, flores e florestas. E com apenas um pouquinho de paisagismo, quão depressa um lugar desolado pode ser transformado num parque! Os lugares maculados pelas atividades do homem são em pouco tempo cobertos por um “tapete” de grama. Rios poluídos, quando se impede a fonte da poluição, logo se limpam sozinhos.
8. Que previsão e cuidado mostrou nosso generoso “Dono-de-casa” em abastecer a “despensa” de nosso “lar”?
8 Assim como um bom lar tem uma despensa bem provida, na “despensa” da terra há toda forma de alimentos, nos campos e nos pomares, e nos oceanos. Medite na sabedoria necessária para prover de antemão a vegetação no mar e na terra, os cereais, as árvores frutíferas e as nogueiras, a fim de produzirem regularmente e com abundância durante muitos milhares de anos, para que os animais, os insetos, a vida marinha, e, finalmente, a vida humana, pudessem continuar a existir. O suprimento nunca se esgota. E a terra pode produzir em abundância para alimentar ainda muitos mais, até que Deus declare que ela está ‘cheia’, ao limite confortável. — Gênesis 1:28.
9. Pode a humanidade atribuir a si o crédito por seu belo “lar” e seu equipamento? (Jó 38:4, 26, 27)
9 Certamente, nenhum de nós teve qualquer coisa que ver com a fabricação desta bela “casa”. A Bíblia nos diz que é a Deus que “os céus pertencem . . ., mas a terra ele deu aos filhos dos homens”. (Sal 115:16) A maneira em que nosso lar, a terra, está equipado com todo o necessário para o usufruto da vida mostra refletido preparo. E ela nos foi dada de graça! Poderíamos desejar evidência mais convincente, como testemunho da existência dum Criador, que não somente é poderoso e sábio, mas também bondoso e generoso? Na realidade, ele disse a todos: ‘Sirvam-se’, deixando “o seu sol levantar-se sobre iníquos e sobre bons, e [fazendo] chover sobre justos e sobre injustos”. (Mateus 5:45) Realmente, se não fossem a má administração e o mau uso do potencial e dos recursos da terra, por parte do homem, as pessoas, em todos os países teriam verdadeiro prazer em viver neste belo planeta.
10. Em vista do que acabamos de considerar, o que se pode dizer sobre a teoria de que a terra veio à existência em resultado da ação de forças cegas?
10 O fato de que a terra, com pouca atenção por parte do homem, supriu-lhe todas as necessidades, durante séculos, lança sérias dúvidas sobre a teoria de que ela veio à existência em resultado de forças cegas. Se fôssemos aceitar esta teoria, como explicaríamos o potencial da terra, de prover as coisas para toda a sua população, animal e humana, durante milênio após milênio? Além disso, evidenciam-se, neste respeito, objetivo e desígnio. As forças cegas nunca são capazes nem de ter um objetivo, nem um desígnio preconcebido. — Jeremias 10:12.
11. Que fatores indicam que a criação terrestre não é mera experiência — algo temporário ou um brinquedo nas mãos do Criador? (Isaías 45:18)
11 A excelência de nosso lar terreno certamente é evidência convincente de que foi criado, sim, mais do que isso, de que foi criado com um objetivo específico, e que não é apenas uma experiência ou um brinquedo nas mãos de algum ser superior. Foi também projetado para existir para sempre. “A terra . . . não será abalada, por tempo indefinido ou para todo o sempre”, diz o salmista inspirado. — Salmo 104:5.
12, 13. Que declaração de Deus mostra que a criação terrestre não necessitava de nenhum melhoramento?
12 O que a Bíblia diz sobre a preparação da terra como lar para o homem está em plena harmonia com esta conclusão, quanto ao propósito de Deus para com ela. Ficamos sabendo que, quando Deus completou os passos primários na formação e na preparação da terra, ele declarou que sua criação era ‘boa’. Ao término completo do trabalho, ele o declarou “muito bom”. (Gênesis 1:4, 10, 12, 18, 21, 25, 31) Esta declaração divina significa que a obra era perfeita e plenamente adequada para o seu objetivo — com uma excelência além da faculdade de compreensão do homem imperfeito. — Salmo 145:3-5, 16.
13 Ter-se declarado que a criação terrena era ‘muito boa’ significa também que Deus não precisa intervir periodicamente, a fim de assegurar que a terra produza as coisas necessárias para a humanidade. Não, há muitos milhares de anos atrás, ele gastou muito tempo em preparar e equipar este planeta, a fim de que desempenhasse seu papel designado durante o futuro indefinido. Isto magnifica a sabedoria do Criador. De que modo?
A PREVISÃO DE DEUS
14, 15. Como demonstrou Deus extraordinária previsão no tempo em que a terra foi criada?
14 Ora, pense em quanta perspicácia, sim, previsão, foi necessária da parte de Deus, a fim de providenciar que a terra continuasse a sustentar a vida por tempo indefinido. Antes de o homem surgir no cenário, fez-se plena provisão para a vida animal, havendo amplo suprimento de nutrição disponível, na forma de vegetação. Depois, disse-se ao primeiro casal humano a que se ‘tornasse muitos e enchesse a terra’. (Gênesis 1:28) Isto significava que a população da raça humana aumentaria a bilhões. Contudo, a terra continuaria a sustentar a vida vegetal, animal e humana. E isto apesar de milhões de hectares de terra jazerem sem cultivo e os homens terem feito muito para arruinar ainda outras áreas dela. O salmista apreciativo escreveu sobre a maneira grandiosa em que Deus fez as provisões:
15 “[Jeová] faz brotar capim verde para os animais e vegetação para o serviço da humanidade, a fim de que saia alimento da terra, e vinho que alegra o coração do homem mortal, para fazer a face brilhar com óleo, e pão que revigora o próprio coração do homem mortal. Quantos são os teus trabalhos, ó Jeová! A todos eles fizeste em sabedoria. A terra está cheia das tuas produções.” — Salmo 104:14, 15, 24.
16. Precisamos temer que a terra, algum dia, deixe de produzir alimentos suficientes para todos? (Salmo 65:9)
16 Quão grande é a capacidade da terra para produzir alimentos? O diretor do Escritório das Nações Unidas Para Assuntos Inter-Agenciais e Coordenação disse que, se o potencial agrícola da terra fosse aumentado ao máximo, ela poderia alimentar pelo menos 38 bilhões de pessoas (dez vezes a atual população da terra). Naturalmente, isto exigiria melhor cooperação internacional do que existe agora.
DEUS EXPULSARÁ OS “HÓSPEDES” QUE FAZEM MAU USO DE SUA “CASA”
17. Será que alguém tem motivo de acusar a Deus de estar favorecendo a certos, tais como seus adoradores, com abundância material? (Salmo 36:7, 8)
17 A humanidade, em geral, não tem motivo para queixar-se, porém, antes, devia apreciar a abundância existente na terra. Nem pode acusar a Deus, de ser parcial. Mesmo os que não o adoram tiram proveito de sua generosidade. O apóstolo Paulo disse a um grupo de pessoas em Listra, na Ásia Menor, adoradores de Zeus e Hermes (Mercúrio): “[Deus] permitiu, nas gerações passadas, que todas as nações andassem nos seus próprios caminhos, embora, deveras, não se deixou sem testemunho, por fazer o bem, dando-vos chuvas do céu e estações frutíferas, enchendo os vossos corações plenamente de alimento e de bom ânimo.” — Atos 14:16, 17.
18. (a) Será que os homens, em geral, têm agradecido a Deus sua bondade para com todos ou a têm atribuído a ele? (b) A quem cabe a culpa da desigualdade na distribuição dos bens providos por Deus?
18 Mas os homens, em geral, foram “hóspedes” ingratos do Criador. Em grande parte, foram desrespeitosos e desperdiçadores das belas provisões da terra. A ganância produziu o açambarcamento de terras e de alimentos. Tais gananciosos mostraram pouco interesse nos outros “hóspedes” na terra. Em resultado, muitos foram privados das coisas necessárias. A ganância tem sido a base de cruéis e devastadoras guerras. — Veja Tiago 4:1, 2.
19, 20. (a) Pode o homem esperar conseguir endireitar as coisas na terra, em benefício de todos? (b) O que é razoável esperar que Deus faça, como dono-de-casa sensato?
19 Em vista de tal situação, surge a pergunta sobre se a nossa “casa” terrena poderá alguma vez ser posta em ordem. Do ponto de vista humano, isso é impossível. Conforme disse o Rei Salomão: “Aquilo que foi feito torto não pode ser endireitado, e aquilo que é carente é que não se pode contar.” (Eclesiastes 1:15) Mas Deus, como bom dono-de-casa, está interessado na sua “casa” e nos “hóspedes” nela. Não expulsaria o dono-de-casa sensato aqueles que danificassem sua propriedade e não limparia a sua casa em benefício de hóspedes que a apreciassem? Não devemos esperar que Deus faça o mesmo? — Revelação (Apocalipse) 11:18.
20 Como limpará o Criador a terra, de que se abusou durante séculos? Intenciona ele mantê-la limpa? É possível que a terra se torne um ‘lar ajardinado’, paradísico, permanente, para o homem?
[Foto na página 20]
Assim como uma casa bem provida revela um dono-de-casa sábio e generoso . . .
[Fotos na página 21]
. . . assim também a terra produtiva revela um desígnio inteligente por parte dum Criador generoso.
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Um lar paradísico nos esperaA Vida Tem Objetivo
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Capítulo 3
Um lar paradísico nos espera
1-3. (a) Por que não é razoável supor que se deixe o homem abusar da terra, até que ela se transforme num globo sem vida? (b)É possível que o homem, por observar a criação e pelo seu próprio raciocínio, descubra por que as coisas são assim como são e qual é o objetivo de Deus? (Jó 28:12-14, 28) (c) Onde podemos obter entendimento de Deus e de seu propósito? (d) É razoável crer que Deus tenha dado a Bíblia como registro de seus pensamentos e modos de agir?
OUVE-SE cada vez mais a queixa, em todo o mundo, de que ‘o homem está transformando a terra num enorme depósito de lixo’. Será que isso vai acontecer realmente?
2 Apesar de todos os danos causados pela ganância e violência do homem, este planeta ainda está cheio de beleza — de vales luxuriantes, montes cobertos de neve, cataratas, praias orladas por palmeiras, e uma grande variedade de vida vegetal e animal. Devemos pensar que o Criador de tudo isso permita que a humanidade administre e use tão mau os recursos da terra, que este esplêndido planeta se transforme num globo sem vida? O bom raciocínio diz que não. Então, o que pretende Deus para a nossa terra? As coisas materiais, visíveis, criadas, podem contar-nos algo sobre o Criador da terra, mas não podem dizer-nos tudo o que precisamos saber. Não nos podem dizer quais são os objetivos de Deus para o futuro. Então, quem ou o que nos pode dizer isso?
3 Para sabermos isso, precisamos de alguma Revelação do próprio Criador. A fim de que os homens não estivessem em escuridão a respeito de Seu propósito, o Deus Todo-poderoso, Jeová, proveu uma Revelação em forma escrita. Esta é encontrada na Bíblia. É verdade que este livro foi escrito por homens. Mas eles admitiram que não registraram a sua própria sabedoria. Um dos escritores da Bíblia, o Rei Davi, declarou: “Foi o espírito de Jeová que falou por meu intermédio, e a sua palavra estava na minha língua.” (2 Samuel 23:2) Certamente, não era difícil para Aquele que projetou o cérebro humano ativar os processos mentais de homens dum modo que os habilitasse a escrever os pensamentos Dele. Sendo a Bíblia o único livro antigo a fazer a afirmação de ter sido inspirado pelo Criador da terra, Jeová Deus, nenhuma outra fonte pode fornecer-nos qualquer idéia sobre o que ele intentou para a terra e o homem sobre ela. — 2 Timóteo 3:16, 17.
A PROMESSA DUM PARAÍSO FEITA POR JESUS
4. Que homem notável indicou um grandioso futuro para a humanidade, e por que devemos crer nas suas palavras?
4 Certas palavras proferidas há mais de dezenove séculos, por um homem inspirado, a um criminoso indicam claramente um grandioso futuro. Este homem inspirado era Jesus, amplamente reconhecido como profeta e um dos maiores instrutores que já viveu. A Bíblia o identifica como o prometido Messias ou Cristo, o Filho de Deus, que existia como pessoa espiritual antes de nascer como homem. (Mateus 16:13-16; Lucas 1:30-33; Filipenses 2:5-7) Jesus Cristo disse ao malfeitor: “Estarás comigo no Paraíso.” — Lucas 23:43.
5, 6. (a) O que fez com que as palavras de Jesus, em Lucas 23:43, fossem entendidas de modo diferente, por diversas pessoas? (b) O que nos fornece a orientação para saber como as palavras de Jesus ao malfeitor devem ser entendidas?
5 Esta promessa de Jesus Cristo foi entendida de diversas maneiras pelos leitores da Bíblia. Muitas traduções da Bíblia citam Jesus como dizendo: “Em verdade te digo, hoje estarás comigo no paraíso.” (Centro Bíblico Católico) Em vista da pontuação, alguém poderia concluir que o malfeitor estaria com Jesus no paraíso naquele mesmíssimo dia. Deve-se notar, porém, que no texto grego original aparece pouca ou nenhuma pontuação. Isto torna necessário que o tradutor escolha o lugar da pontuação. Por isso, as palavras podem também ser pontuadas para rezar: ‘Em verdade te digo hoje, estarás comigo no paraíso.’ A idéia transmitida assim indica que o malfeitor estaria com Jesus no Paraíso num tempo futuro.
6 Este entendimento das palavras de Jesus harmoniza-se com o restante da Bíblia. Naquele dia, quando morreu, Jesus não foi para o céu, nem para outro lugar intermediário. Estava morto no Hades, no domínio da sepultura, durante três dias (ou parte deles). — Mateus 27:62-66; Atos 2:24, 27.
7. (a) Como foi a palavra “paraíso” entendida pelas pessoas no tempo em que Jesus fez a sua promessa ao malfeitor? (b) Como podemos provar que o homem a quem Jesus falou não fazia nenhuma idéia sobre ir para um paraíso celestial?
7 Além disso, o malfeitor teria entendido a referência de Jesus ao “paraíso” em harmonia com o uso então corrente. E qual era? Um paraíso era um jardim ou parque. Aquele homem não era discípulo de Jesus, e por isso não fazia nenhuma idéia sobre um paraíso celestial. Os livros da Bíblia, disponíveis naquele tempo, não apresentavam aos crentes a oportunidade de viver no domínio espiritual, com Deus. Foi só com a vinda de Jesus Cristo que se trouxe à atenção a esperança de vida nos céus invisíveis. (2 Timóteo 1:10) Embora os discípulos de Jesus o ouvissem falar sobre o “reino dos céus”, nem mesmo eles compreendiam plenamente o que isto significava. (Mateus 13:24, 31, 33) Mais tarde, perguntaram ao ressuscitado Jesus Cristo: “Senhor, é neste tempo que restabeleces o reino a Israel?” (Atos 1:6; compare isso com as palavras anteriores dos apóstolos a Jesus, em João 16:17, 18.) De modo que pensavam ainda em termos da terra, esperando que Jesus estabelecesse seu reino em Jerusalém. Visto que os próprios discípulos de Jesus não compreendiam plenamente coisas celestiais, naquele tempo, então, como podia o malfeitor imaginar que Jesus estava falando de outra coisa, e não dum paraíso terrestre?
8. De que modo harmonizava-se a promessa que Jesus fez ao malfeitor com as Escrituras Hebraicas, com que os judeus, em geral, estavam familiarizados?
8 A promessa que Jesus fez ao malfeitor está de acordo com as declarações da Bíblia, de que a terra foi feita com um objetivo. Deus “não a criou simplesmente para nada, [mas] a formou mesmo para ser habitada” (Isaías 45:18; Salmo 104:5) Seria desarrazoado supor que Deus, depois de ter gasto séculos na preparação da terra, com tanto cuidado, a destruísse ou deixasse erma, só porque algumas pessoas não a apreciavam. Na realidade, a própria terra tem o potencial de ser o lugar mais deleitoso para se viver.
PREDITA UMA “NOVA TERRA” PARADÍSICA
9-11. (a) Tinham os judeus algum conhecimento de algo que virtualmente era um paraíso terrestre? Quando? (b) Como descreveu Moisés a terra da Palestina como lugar deleitoso para se viver?
9 É digno de nota de que o conceito dum paraíso terrestre já era conhecido por muito tempo aos conterrâneos de Jesus, os israelitas. Quando se mudaram para a Terra da Promessa, esta lhes parecia como um paraíso. Jeová, por meio de Moisés, descreveu-a como sendo muito mais bela e produtiva do que até mesmo o opulento vale do Nilo, onde haviam vivido, dizendo:
10 “Pois a terra à qual vais para tomar posse dela não é como a terra do Egito de que saístes, onde semeavas a tua semente e precisavas irrigar com o teu pé, como a uma horta de verduras. Mas a terra à qual passais para tomar posse dela é uma terra de montes e de vales planos. Ela bebe a água da chuva dos céus, uma terra pela qual Jeová, teu Deus, está zelando. Os olhos de Jeová, teu Deus, estão continuamente sobre ela, do princípio do ano até o fim do ano.” — Deuteronômio 11:10-12.
11 Numa anterior descrição da terra, Moisés havia dito: “Jeová, teu Deus, te introduz numa terra boa, uma terra de vales de torrente de água, de fontes e de águas de profundeza surgindo no vale plano e na região montanhosa, uma terra de trigo e de cevada, e de videiras, e de figos, e de romãs, uma terra de azeitonas e de mel, uma terra em que não comerás pão com escassez, em que não carecerás de nada, uma terra cujas pedras são ferro e de cujas montanhas extrairás o cobre.” — Deuteronômio 8:7-9.
12. Quando a nação de Israel retornou do exílio, de que modo proveu Deus ali na terra de Judá, “novos céus” e uma “nova terra”?
12 Por meio de seu profeta Isaías, Deus predisse com muita antecedência que a nação de Israel seria levada ao exílio, pelos seus inimigos, por causa de sua desobediência. Então, a sua anterior terra paradísica ficaria desolada. Mas, ao dar esta profecia, Deus não deixou a nação sem esperança, porque disse: “Eis que crio novos céus e uma nova terra; . . . crio Jerusalém como causa para júbilo e seu povo como causa para exultação.” (Isaías 65:17, 18) Deus prometia ali o restabelecimento da nação na terra de Judá, tendo novamente Jerusalém por capital. Os “novos céus” não seriam novos céus invisíveis, mas a governança da terra de Judá, exercida por Zorobabel, da tribo de Judá, um governo sobre o país. A “nova terra” era um povo arrependido, purificado e disciplinado, trazido de volta à sua terra desolada, que este começou a cultivar e a embelezar. Restabeleceram ali a adoração de Jeová Deus e reconstruíram o templo em Jerusalém. — Esdras 3:1, 2, 10.
13. O que mostra que Deus ajudou os israelitas restabelecidos nos seus esforços de produzir uma condição paradísica na sua terra desolada?
13 No seu empenho de embelezar a terra de Judá, para alcançar sua anterior condição paradísica, os israelitas receberam ajuda direta da parte de Deus, conforme indicava a profecia de Isaías a respeito de seu retorno. Deus prometera: “O ermo e a região árida exultarão, e a planície desértica jubilará e florescerá como o açafrão.” (Isaías 35:1, 2) De modo similar, o salmista disse que, se a nação fosse obediente a Deus, “Jeová, da sua parte, dará o que é bom, e a nossa própria terra dará a sua produção”. — Salmo 85:12.
UMA GLORIOSA “NOVA TERRA” NOS ESPERA
14. Que garantia temos de que as profecias sobre a “nova terra” têm um significado ainda maior para nós, hoje?
14 Tem esta profecia, sobre uma “nova terra”, algo que ver conosco, hoje? Sim, é um vislumbre do que Deus fará para a terra inteira. Séculos depois de Isaías ter profetizado, o apóstolo Pedro escreveu aos cristãos espalhados pela então conhecida terra, dizendo: “Há novos céus e uma nova terra que aguardamos segundo a sua promessa, e nestes há de morar a justiça.” (2 Pedro 3:13) Esta vindoura sociedade da “nova terra”, portanto, ocupará uma região muito maior do que a da antiga Judá.
15. O que nos revela a visão dada ao apóstolo João a respeito do vindouro paraíso terrestre?
15 Além disso, a visão do apóstolo João, registrada no livro bíblico de Revelação ou Apocalipse, não deixa dúvida de que, no cumprimento final, a sociedade da “nova terra” habitará o globo inteiro. O apóstolo João escreveu: “Vi um novo céu e uma nova terra; . . . ‘Eis que a tenda de Deus está com a humanidade, e ele residirá com eles e eles serão os seus povos.’” (Revelação 21:1-3) A expressão “novos céus” refere-se ao governo de Deus, exercido desde o céu, onde se encontra o seu trono. (Mateus 5:34) No tempo devido, a humanidade praticará exclusivamente a adoração verdadeira de Deus, e o favor, a ajuda e a proteção de Deus estarão com ela. Os “novos céus” concederão bênçãos à humanidade, na terra embelezada. — Salmo 115:16.
16, 17. (a) Como mostra o livro de Gênesis, que o propósito original de Deus para com o homem era a vida eterna num paraíso? (b) Como revela a profecia de Deus, em Genesis 3:15, que Deus não abandonou seu propósito, quando Adão pecou?
16 Que tal belo destino para a terra é o propósito de Deus é demonstrado pelos seus tratos com a raça humana. Segundo a Bíblia, o primeiro homem, Adão, foi informado de que morreria apenas pela desobediência. Portanto, se tivesse permanecido obediente, nunca teria morrido. (Gênesis 2:17; 3:19) Teria continuado a viver e o jardim paradísico teria continuado como lar do homem perfeito, dado por Deus. Ao passo que a família de Adão aumentasse, ela teria estendido o paraíso à terra lá fora, sob a direção de Deus.
17 Depois do pecado de Adão, Deus indicou à descendência de Adão que ele não havia abandonado seu objetivo para com a terra. Prometeu produzir um “descendente”, uma descendência, que seria o libertador da humanidade. (Gênesis 3:15) Com este propósito para com a raça humana, Deus permitiu que Adão tivesse filhos. Estes podiam viver tendo esta promessa por esperança.
18. (a) Que revelação posterior mostrou que a promessa do “descendente” seria de importância para a humanidade, aqui mesmo, na terra? (b) Quem seria o “descendente” e que autoridade teria?
18 Mais tarde, esta esperança dum paraíso futuro foi reforçada pela Revelação dada a Abraão, de que o “descendente” viria por meio de sua linhagem e ‘abençoaria todas as famílias da terra’. (Gênesis 22:18) Cerca de oitocentos anos mais adiante, na corrente do tempo, Deus disse ao Rei Davi, de Jerusalém, que seu descendente se sentaria para sempre no trono. (2 Samuel 7:12, 13, 16) Tudo apontava para um filho da linhagem de Davi superior a todos os reis anteriores daquela linhagem. Este seria o Messias (que significa “ungido”), o qual ocuparia para sempre o trono de Davi (Salmo 45:6, 7; Gálatas 3:16) O apóstolo Paulo aplicou esta profecia a Jesus Cristo, o Filho de Deus, nascido na terra na linhagem de Davi. Paula disse sobre ele: “Deus é o teu trono para sempre”, quer dizer, Deus é o alicerce e o sustento do trono de Cristo, por todo o tempo vindouro. — Hebreus 1:8, 9.
19. Como nos asseguram os Salmos que o paraíso produzido por meio de Cristo, o “descendente”, durará para sempre?
19 Em todos os Salmos, escritos durante um período de séculos, fez-se repetidas vezes referência ao governa justo de Deus sobre a terra, “por tempo indefinido” e “por tempo indefinido, para todo o sempre”. (Salmo 9:7, 8; 10:16, 17; 29:10; 145:21) Todas estas profecias têm cumprimento no governo de Jesus Cristo, a quem Deus ressuscitou dentre os mortos e enalteceu à posição mais elevada depois de si mesmo. (Efésios 1:20-22) O Salmo 37:29 revela que os homens viverão para sempre neste lar paradísico, declarando: “Os próprios justos possuirão a terra e residirão sobre ela para todo o sempre.”
ANTES DO PARAÍSO, UMA TERRA PURIFICADA
20. Que exemplo temos para nos assegurar que Deus removera da terra todos os elementos que seriam destrutivos para a paz?
20 Mas, surge a pergunta: Como assegurará Deus que haja paz permanente na terra, para não se estragar o usufruto da vida? Assim como um homem começaria com uma limpeza de sua casa, por expulsar os maus inquilinos, Deus intenciona preparar o caminho para uma paz permanente na terra renovada, por purificá-la dos maus elementos. Fez isso para o antigo Israel, quando expulsou as nações cananéias, corrutas, que haviam estado na posse da terra, a fim de que Israel pudesse possuí-la em paz. — Levítico 18:24-27.
21. Por que é impossível, no tempo atual, que haja condições inteiramente justas, embora muitas pessoas as desejem?
21 Atualmente, muitos gostariam de ver paz e justiça na terra. Mas, o atual sistema de coisas — dominado por poderosos elementos religiosos, políticos e comerciais — mantém o povo numa garra firme. É difícil para as pessoas fazerem o que é direito. E as boas novas do propósito de Deus para com a terra sofrem a oposição dos clérigos dos sistemas religiosos dominantes, do crescente ateísmo e dos canais de notícias e propaganda. A Bíblia diz que as nações andam ‘na improficuidade das suas mentes, ao passo que estão mentalmente em escuridão e apartadas da vida que pertence a Deus, por causa da ignorância que há nelas, por causa da insensibilidade dos seus corações’. — Efésios 4:17, 18; veja João 3:19.
22. O que promete Deus realizar para aqueles que desejam fazer o que é direito?
22 Este sistema de coisas cobriu a terra como que com um véu cegante. Mas Deus promete arrancar este véu. Ele disse profeticamente que destruiria “a coberta que cobre todos os povos, e o véu que está posto sobre todas as nações”. — Isaías 25:7, Imprensa Bíblica Brasileira.
23. (a) Por que se terá de travar uma guerra para limpar a terra? (b) Quem não precisa temer esta guerra, e por que não?
23 Jesus Cristo, como Rei celestial, trará o fim deste sistema de coisas no que a Bíblia chama de “a guerra do grande dia de Deus, o Todo-poderoso”. (Revelação 16:14) Aqueles que procuram fazer o que é direito não precisam temer esta guerra, porque ela será seletiva, eliminando os que prejudicam seu próximo e que não querem servir a Deus. Estes iníquos, por meio de seu egoísmo e de sua ganância, “arruínam a terra”, e por isso eles mesmos terão de ser arruinados. — Revelação 11:18; 2 Pedro 2:9.
24. Por que não há outra maneira de trazer paz e felicidade, exceto pela eliminação daqueles gananciosos que persistem era atuar contra o seu próximo?
24 De modo que Deus promete eliminar o sistema de coisas que oprime o povo. Junto com isso, Deus intenciona também eliminar aqueles que persistem em enganar, defraudar e oprimir seu próximo. (Salmo 72:4; 103:6) Enquanto tais “inquilinos” permanecem na “casa” terrena de Deus, não pode haver paz e felicidade para aqueles que sinceramente as desejam. Não ha outra maneira. O preço dum paraíso é a eliminação desses gananciosos. A regra é: “O iníquo é resgate para o justo.” Diz o provérbio: “O justo é quem é socorrido mesmo da aflição, e em lugar dele entra o iníquo.” Quer dizer, o iníquo, que causa aflição, recebe retribuição, o que dá ao justo alívio da aflição. — Provérbios 21:18; 11:8.
25, 26. (a) A que compara a Bíblia a ação de limpar a terra? (b) Que pergunta surge sobre a permanência da terra purificada?
25 Tal eliminação do atual sistema mundial, no qual a religião falsa, a política, o comércio e o materialismo predominam, removerá a injustiça e a opressão. A Bíblia compara o instrumento usado a um grande vendaval: “Eis que certamente sairá o vendaval de Jeová, o próprio furor, sim, uma tormenta rodopiante. Rodopiara sobre a cabeça dos iníquos. A ira de Jeová não recuará até que ele tenha executado e até que tenha realizado as idéias de seu coração. Na parte final dos dias, dareis a isso vossa consideração com compreensão.” — Jeremias 23:19, 20.
26 O governo de Deus será então indisputado na terra. Mas, trará felicidade permanente, sem reverter à desobediência e à ruína do paraíso, num tempo posterior? O motivo pelo qual seu funcionamento será enormemente superior ao governo do homem é o tema que merece nossa atenção a seguir.
[Nota(s) de rodapé]
A plena consideração desta palavra Hades, e da correspondente palavra hebraica, Seol, é publicada no livro É Esta Vida Tudo o Que Há?, editado pela Watchtower Bible and Tract Society of New York, Inc., Nova Iorque, E. U. A., e distribuído pela Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados, Rua Guaíra, 216, 04142 São Paulo, SP, Brasil.
[Foto na página 27]
Texto grego de Lucas 23:42, 43, do MS. Vaticano 1209, com a tradução literal, linha por linha, à direita.
cometeu e estava dizendo Jesus
lembra-te de mim quando
entrares no rei-
no de ti e ele disse a
ele Amém a ti
estou dizendo ho-
je, comigo estarás
no paraíso e
[Foto na página 33]
Homens de fé aguardavam um governo de Deus, no céu, que regeria a terra.
[Foto na página 34]
Deus eliminará da terra todos os que causam dano.
[Foto na página 35]
Na terra purificada haverá duradoura felicidade.
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Precisamos ser governados por Deus?A Vida Tem Objetivo
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Capítulo 4
Precisamos ser governados por Deus?
1, 2. O que se poderia pensar, ao ver as más condições na terra?
QUANDO olha em volta de si e vê as muitas coisas indesejáveis que ocorrem em toda a terra — doença, injustiça, crime, ódio e guerra — talvez ache difícil de harmonizar isso com o conceito de que há um poder supremo que governa o universo.
2 Talvez diga: ‘Se eu fosse o Criador, faria desde já algo a respeito.’ Muitos mostram que pensam do mesmo modo, ao perguntarem: ‘Por que não faz Deus alguma coisa? Será que Deus se importa?’
3. Se alguém tivesse o poder de impor mudanças neste mundo tornaria com isso as pessoas felizes?
3 Mas, presumindo que você, leitor, fosse bastante poderoso para acabar imediatamente com tudo o que causa dificuldades, ficariam as pessoas felizes com isso? Exigiria que você fizesse vastas mudanças, em todos os sistemas e instituições deste mundo, de fato, uma mudança total no modo em que o mundo funciona. Isto requereria alterações drásticas nos planos pessoais e modos de vida de todos. Seriam tais mudanças forçadas acolhidas cordialmente por todos? Dificilmente. As pessoas não gostam de ser obrigadas a levar determinado modo de vida. Conforme dizem, querem ‘fazer o que bem entendem’.
A LIVRE VONTADE É ESSENCIAL
4, 5. Sentem-se as pessoas felizes quando a sua vida é regulamentada em todas as coisas? Apresente um exemplo.
4 Para as pessoas se darem bem entre si, em felicidade, precisa haver uma mudança da mente e do coração. Esta mudança não pode ser produzida pelo mero exercício de poder e autoridade. As pessoas precisam estar dispostas a mudar.
5 Por exemplo, um homem talvez seja pai amoroso, provendo as necessidades da vida, junto com algo mais, para seu filho ou sua filha. Mas o que acontece quando este pai usa de sua autoridade para regulamentar cada pormenor da vida do filho, mesmo quando este se torna adulto? É verdade que o filho, ou a filha, talvez leve uma vida aparentemente segura, sem sofrer necessidades materiais. Mas, fará isso com que se sinta feliz? Não. Muitas vezes ouvimos a queixa feita pelos filhos dos ricos e poderosos: ‘Quero levar a minha própria vida. Prefiro tomar as minhas próprias decisões. Eu talvez cometa alguns enganos, mas pelo menos a minha vida será real.’ Tais pessoas mostram que na realidade se sentem inseguras, apesar de todas as suas aparentes vantagens. O domínio total não leva à felicidade humana.
6. Basicamente, por que as pessoas querem estar livres para fazer o que bem entendem?
6 Deus, quem fez a humanidade, sabe que os homens têm este sentimento profundo. Ele os fez “à sua imagem”, o que inclui terem uma medida gene rosa de livre-arbítrio e escolha. (Gênesis 1:27) Deus podia ter constituído os homens em autômatos, feitos de modo que não pudessem fazer nada de errado. Mas não fez isso. Eles tampouco são orientados por instintos inatos, assim como os animais. Deus fez os homens dando-lhes livre-arbítrio próprio e o desejo de exercê-lo.
7. (a) Que ato foi provido por Deus, para que as pessoas possam exercer sabiamente este livre-arbítrio? (b) Que qualidades demonstrou Jeová Deus em não obrigar os homens a obedecer a ele, conforme salientado em Romanos 2:4 e 2 Pedro 3:15?
7 Em resultado, a humanidade preza a liberdade às vezes mais do que a própria vida. Todavia, a fim de que cada humano possa adotar o proceder sábio, no exercício do livre-arbítrio, Deus provei; orientação na forma duma consciência, e, além disso, Seu próprio conselho sábio e suas instruções Mas Deus não é ditatorial. Não obriga as pessoas a adotar o proceder recomendado por ele. Devemos ser deveras gratos por esta maneira sábia de lidar conosco. — Romanos 2:4; 2 Pedro 3:15.
8. Por que preferem muitos o governo do homem ao governo de Deus?
8 Muitos acham que a admissão da existência de Deus e o reconhecimento de seu governo com certeza entraria em conflito com o exercício de seu livre-arbítrio. Por isso, preferem o governo humano, embora este traga consigo suas próprias restrições e até mesmo dificuldades. Preferem tolerar o governo do homem, em vez de procurar o governo de Deus. Por quê? Porque o governo do homem admite uma medida considerável de egoísmo. Não exige mudanças intimas, profundas — a transformação da personalidade. O governo do homem não requer que se harmonize a vida com aquilo que é inteiramente correto, assim como o governo de Deus exorta. Se alguém duvida disso, só precisa olhar em volta, para ver se encontra verdadeiro amor ao próximo e a adoção de princípios puros, honestos e retos na vida diária da maioria da humanidade.
9. Embora a maioria das pessoas tenha escolhido o governo do homem, o que mostra a evidência quanto a se são felizes e estão satisfeitas?
9 No entanto, mesmo sob o governo do homem, as pessoas nunca ficaram realmente contentes. E atualmente, as pessoas ficam cada vez mais dessatisfeitas com todas as formas de governo criadas pelo homem. Isto é evidenciado pelas muitas demonstrações públicas contra certos planos de ação, governamentais. Manifesta-se ainda mais fortemente nos distúrbios internos, nas revoluções e nas mudanças de governo, em todo o mundo. Não obstante, muitos não acham que o governo de Deus seja o modo de obter genuíno alívio. Por que não?
SERÁ QUE DEUS ESTÁ “MORTO”?
10. O que querem dizer as pessoas com “Deus está morto”, e qual é uma das fortes evidências de que elas não tem razão?
10 Alguns dizem: “Deus está morto”, quer dizer, não está interessado nos assuntos do homem e é indiferente, sem ter a intenção de asseverar a sua autoridade. Mas não é assim! O assombroso cuidado, até nos mínimos detalhes, que Deus demonstrou na formação do universo mostra que ele tem interesse intenso nas suas criações, e, em especial, no homem, ‘feito à sua imagem’.
11. Como mostram as palavras de Jesus Cristo e do próprio Jeová que Deus esta interessado nos assuntos do homem?
11 Quando estava na terra, seu Filho ensinou que aqueles que crêem deviam orar a Deus: “Venha o teu reino. Realize-se a tua vontade, como no céu, assim também na terra.” (Mateus 6:10) Exortava as pessoas a aguardar o tempo em que Deus exerceria o domínio indisputado sobre a terra. O próprio Deus falou a alguns dos que duvidavam do seu interesse neles e que questionavam estar ele “vivo”. Tornou-lhes claro, por palavras e ações, que “Jeová . . . vive em verdade, em juízo e em justiça!” — Jeremias 4:2.
12. Por que não espera Deus até que a humanidade lhe peça que a governe?
12 Pois bem, espera Deus que os homens abandonem o governo do homem e peçam que ele seja seu governante exclusivo? Não. As nações nunca entregarão voluntariamente seu governo a Deus. A Bíblia diz profeticamente: “Por que se alvoroçaram as nações e continuam os próprios grupos nacionais a murmurar coisa vã? Os reis da terra tomam sua posição, e os próprios dignitários se aglomeraram à uma contra Jeová e contra o seu ungido [ou: Cristo], dizendo: ‘Rompamos as suas ligaduras e lancemos de nós as suas cordas [todos os requisitos e restrições que o governo de Deus traria consigo]!’” — Salmo 2:1-3.
13. (a) O que quer dizer Deus ao declarar: “Eu sou o Alta e o Ômega”? (b) Temos evidência da intervenção de Deus nos assuntos da humanidade?
13 Jeová declara: “Eu sou o Alfa e o Ômega, o primeiro e o último, o princípio e o fim.” (Revelação 22:13) Visto que o alfa e o ômega são a primeira e a última letra do alfabeto grego, Deus quer dizer que, quando inicia algo, ele o leva a cabo. Além disso, a história bíblica fornece relato após relato em que Deus interveio nos assuntos dos homens. Estes atos manifestavam seu vivo interesse em realizar o que queria, naquela ocasião. Todos estes eram passos em direção ao cumprimento de seu propósito, de que sua vontade fosse feita na terra, no seu tempo designado, conforme consideraremos mais adiante.
14. Que certeza podemos ter de que o governo do homem nunca trará paz e felicidade à terra?
14 Por que precisamos do governo de Deus? Porque o governo da terra, que pode trazer paz e harmonia, não pode proceder de nenhuma outra fonte. Nenhuma pessoa ou grupo de pessoas, dentre homens e mulheres, pode exercer o domínio correto sobre a humanidade. Ao fazer a terra, não era do propósito de Deus que homens governassem a humanidade. Quando os israelitas demandaram um rei, assim como tinham as outras nações, Deus lhes esclareceu que isto causaria problemas, inclusive a perda da liberdade. E assim veio a ser. (1 Samuel 8:7-9) Até mesmo um dos reis de Israel, homem que devotava muito tempo ao estudo da vida e seus problemas, falou sobre ‘homem dominar homem para seu prejuízo’. — Eclesiastes 8:9.
15. Qual era a extensão do domínio que Deus concedeu ao homem?
15 No começo, Deus não deu ao homem nenhuma autoridade para dominar ou governar outros homens. Deus disse-lhes: “Sede fecundos e tornai-vos muitos, e enchei a terra, e sujeitai-a, e tende em sujeição os peixes do mar, e as criaturas voadoras dos céus, e toda criatura vivente que se move na terra.” (Gênesis 1:28) Mas os homens foram além disso e assumiram o domínio sobre outros homens, lutando por ele.
16, 17. (a) Como se manifesta a sabedoria de Deus em ele não dar aos homens domínio sobre outros homens? (b) Como expressou o profeta inspirado de Deus o motivo de o homem ser incapaz de dominar seu próximo?
16 A sabedoria de Deus, em não dar aos homens o domínio de uns sobre os outros, pode ser vista no exame da história do mundo. No que se refere a qualquer governante terrestre, ele talvez se saia bem por um tempo, mas os interesses das pessoas, em geral, ficam cada vez menos importantes para ele, com a continuação de seu governo. O dito, que ‘o poder corrompe’ é veraz, porque, com o tempo, o governante humano passa a aproveitar-se indevidamente de sua autoridade. Costuma tornar-se parcial, favorecendo aqueles de quem gosta, especialmente os de quem recebe coisas, e isto para o prejuízo de outros. Muitas vezes acontece que os que lhe são achegados o enganam quanto aos fatos e impedem que outros se cheguem a ele. Alguns deles temem que se lhe traga à atenção a verdadeira situação dos assuntos.
17 Governar os outros está acima da capacidade de qualquer homem. Aos poucos, ele perde o contato, não sabendo o que acontece no nível do povo comum. As narrativas bíblicas mostram que até os melhores dos governantes humanos cometeram erros sérios. É assim como disse o profeta: “Bem sei, ó Jeová, que não é do homem terreno o seu caminho. Não é do homem que anda o dirigir o seu passo.” — Jeremias 10:23.
O GOVERNO DE DEUS É O ÚNICO SATISFATÓRIO
18. Por que é o governo de Deus o único satisfatório?
18 Isso não se dá, porém, com o Deus Todo-poderoso. É evidente, em vista da sabedoria manifesta na criação universal, que o alcance de seu entendimento é enorme. (Salmo 147:5) Ele tem completo conhecimento de cada pormenor da criação e de toda lei que a governa. (Isaías 40:12-14) O raciocínio nos leva à conclusão de que o universo material é sustentado, mantido e controlado por um poder supremo. Não seria sábio sujeitar-se a um governante assim?
19. Nos tratos com pessoas, de que modo é Deus notavelmente superior aos governantes humanos?
19 Não há parcialidade no exercício do governo por Deus, como se dá no caso de governantes terrenos. A oportunidade de se tornar amigo dele está franqueada a todos. Ele não precisa de nada das suas criaturas. Não pode ser subornado. (Salmo 50:9-12) Todos estão no mesmo nível diante dele, porque quem pode dar algo ao Criador? O apóstolo Paulo pergunta: “Quem primeiro lhe deu, de modo que se lhe tenha de pagar de volta?” — Romanos 11:35.
20. Por que é apenas Deus, como Governante, quem pode saber o que é mesmo o melhor para todos?
20 O governante correto da humanidade teria de conhecer cabalmente a constituição humana. De nenhum outro, a não ser de Jeová, pode-se dizer: “Familiarizaste-te até mesmo com todos os meus caminhos. Pois não há palavra na minha língua, mas eis que tu, o Jeová, já sabes de tudo. Teus olhos viram até mesmo meu embrião, e todas as suas partes estavam assentadas por escrito no teu livro, referentes aos dias em que foram formadas, e ainda não havia nem sequer uma entre elas.” — Salmo 139:3, 4, 16.
21. Mostre que Deus se interessa não apenas nas pessoas como um todo, mas em cada uma delas.
21 Deus preocupa-se com cada um de nós e se interessa em nós. “Os olhos de Jeová estão em todo lugar, vigiando os maus e os bons”, diz o provérbio inspirado (Provérbios 15:3; compare isso com 2 Crônicas 16:9; 1 Pedro 3:12.) Até que ponto podemos confiar no seu cuidado? Jesus Cristo disse: “Não se vendem dois pardais por uma moeda de pequeno valor? Contudo, nem mesmo um deles cairá ao chão sem o conhecimento de vosso Pai. Porém, os próprios cabelos de vossa cabeça estão todos contados. Portanto, não temais; vós valeis mais do que muitos pardais.” (Mateus 10:29-31) Apenas o Criador conhece a mente e o coração dos homens. “Quanto a Jeová, ele vê o que o coração é.” (1 Samuel 16:7) Só ele sabe o que é preciso para moldar os de coração disposto, para que possa levá-los à condição de união e paz com ele e entre si mesmos.
22, 23. O que se pode dizer em resposta às perguntas: ‘Por que não assume Deus desde já o governo da terra? É ele vagaroso?’
22 Talvez pergunte: ‘Então, por que permite Deus que o homem governe? Por que não faz valer desde já o seu governo soberano, eliminando o sofrimento da humanidade e estabelecendo a paz?’ Ele certamente prometeu fazer isso. Mas tem um tempo para isso, e podemos estar certos de que só tardará o absolutamente necessário. O apóstolo Pedro escreveu àqueles que achavam que Deus era vagaroso: “Jeová não é vagaroso com respeito à sua promessa, conforme alguns consideram a vagarosidade, mas ele é paciente convosco, porque não deseja que alguém seja destruído, mas deseja que todos alcancem o arrependimento.” — 2 Pedro 3:9.
23 Pedro aconselhou também: “No entanto, não vos escape este único fato, amados, que um só dia é para Jeová como mil anos, e mil anos, como um só dia.” (2 Pedro 3:8) Visto que Jeová vive para sempre e não está limitado pelo tempo, ele é diferente dos homens, que têm de alcançar seus objetivos no espaço de poucos anos. Por causa do alcance ilimitado de Seu conceito sobre o passado, presente e futuro, pode atuar no tempo mais apropriado, o tempo que resultará na salvação e na vida do maior número de pessoas. E visto que ele tem o poder de ressuscitar os mortos, qualquer dano que eles tenham sofrido antes pode ser eliminado e invertido. — Lucas 20:37, 38.
24. (a) Será que Deus, como Governante do vasto universo, não tem interesse neste comparativamente insignificante planeta? (b) Por que é maior honra para Deus que as pessoas lhe obedeçam do que ter as estrelas e os planetas operando segundo a sua vontade?
24 Jeová Deus, como Governante e Controlador do vasto universo estrelado, no qual a terra é apenas um pontinho, em comparação, não está menos interessado neste “pontinho”. Ele se interessa em exercer completa soberania sobre as suas criaturas inteligentes, no céu e na terra, e em cuidar de que sejam felizes. Governar criaturas inteligentes e viventes, e tê-las voluntária e inteligentemente sujeitas à sua soberania, é muito mais glorioso para Deus e para o esplendor do seu governo do que ter estrelas ininteligentes e inanimadas obedientes a ele nas suas órbitas. Ele intenciona restabelecer esta espécie de harmonia inteligente. (Salmo 66:3, 4) E para realizar isso, Deus não fará nada mais, nada menos, do que o absolutamente necessário.
25. Que questão importante devemos considerar a seguir?
25 Mas o que causou esta desarmonia e a necessidade de Deus agir para restabelecer a paz na terra? A resposta a esta pergunta ajuda também a responder a muitas outras, tais como: ‘Por que se tem permitido a iniqüidade?’ ‘Por que se tem dado isso por tanto tempo?’ É da maior importância para nós obter o entendimento correto e cabal deste assunto. Investiguemo-lo.
[Foto na página 39]
O bom pai raciocina com o filho, dando-se conta de que o rapaz precisa fazer decisões. Assim, Deus reconhece o livre-arbítrio de suas criaturas inteligentes.
[Foto na página 45]
Deus conhece nossas tendências e necessidades individuais desde que nascemos; ele pode prover a espécie correta de governo para toda a humanidade.
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Por que permitiu Deus o sofrimento na terra?A Vida Tem Objetivo
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Capítulo 5
Por que permitiu Deus o sofrimento na terra?
1, 2. Como teve início a raça humana e que espécie de início foi?
A EVIDÊNCIA científica e a Bíblia atestam que todos os humanos descendem de um único casal original. Daí, após o Dilúvio, formaram-se três ramos principais da família humana, da descendência dos três filhos de Noé. — Gênesis 3:20; 9:18, 19.
2 O apóstolo Paulo disse: “[Deus] fez de um só homem toda nação dos homens, para morarem sobre a superfície inteira da terra.” (Atos 17:26) Este homem Adão e sua esposa Eva foram criados perfeitos, assim como todas as obras de Deus. — Deuteronômio 32:4; Gênesis 2:18, 21-23.
3. Como se comparava Adão com os anjos, na época em que foi criado?
3 Adão era filho de Deus, pleno membro da família de Deus, feito apenas um pouco inferior aos anjos. (Lucas 3:38) Os anjos são criaturas espirituais, maiores em poder e capacidade do que os homens. (2 Pedro 2:11) Mas, em parte alguma diz a Bíblia que os anjos têm maior capacidade moral. Quando Jesus Cristo era homem na terra, nascido de mulher, sua integridade moral era igual àquela de qualquer outro da família universal de Deus, no céu e na terra. — Salmo 8:4, 5; Hebreus 2:6-9; 7:26.
4, 5. Como é que a doença, as dificuldades e o sofrimento sobrevieram a toda a raça humana?
4 Então, como foi que a imperfeição e suas acompanhantes dificuldades, doenças e lutas vieram a ser a sorte da raça humana? A Bíblia explica que, sem culpa própria, todos os humanos, desde Adão e Eva, nasceram com imperfeições. Ela declara: “Por intermédio de um só homem entrou o pecado no mundo, e a morte por intermédio do pecado, e assim a morte se espalhou a todos os homens, porque todos tinham pecado.” — Romanos 5:12.
5 Segundo as leis da genética, os filhos herdam as tendências e as características, bem como os defeitos, de seus pais. Mas, como foi que o perfeito Adão se tornou deficiente, imperfeito e pecador? Por que se permitiram desde então as dificuldades e o sofrimento?
A SITUAÇÃO EXCELENTE DE ADÃO
6. Como foi Adão criado ‘A imagem e semelhança de Deus’?
6 Adão foi criado à imagem e semelhança de Deus. (Gênesis 1:26) Isto significa que ele possuía qualidades morais e era capaz de ter espiritualidade. Podia saber e aprender sobre Deus, e podia ter uma relação filial com Deus. Tinha a faculdade de raciocínio e a de consciência — o senso do que é certo e do que é errado. Adão era capaz de representar a Deus na terra, refletindo a glória de Deus — seus belos atributos — perante aqueles que haviam de nascer.
7. (a) Como proveu Deus as necessidades de Adão, que era novato na terra? (b) Como devia ter Adão correspondido a isso?
7 Deus estava em comunicação com Adão, possivelmente cada dia. De acordo com Gênesis 3:8, foi “por volta da viração do dia” que Adão e Eva “ouviram a voz de Jeová Deus” A referência a um período específico durante o dia sugere que esta talvez fosse a hora costumeira de Deus se comunicar com o homem. Sim, o Altíssimo tomava tempo para instruir Adão, como novato na terra. (Gênesis 1:28-30) Este primeiro homem precisava da ajuda e da instrução de Deus, para poder exercer o devido domínio sobre a criação inferior. Adão possuía plena capacidade para desenvolvimento espiritual e para cultivar amor. Podia aumentar em apreço e em amor pelo seu Criador, ao progredir no saber. (1 João 4:7, 8) Podia estabelecer uma relação ainda mais íntima com Ele.
8. Por que era essencial que Adão aprendesse muito sobre a vida vegetal e animal?
8 A Bíblia não diz por quanto tempo Deus se ocupou em dar instruções ao seu filho. Mas, era essencial que Adão aprendesse, entre as primeiras coisas, sobre a vida vegetal e a vida animal, visto que devia ser cultivador perito e instrutor de seus filhos na arte de jardinagem e de tratar dos animais domésticos. (Gênesis 2:15, 19) É evidente que isto podia levar algum tempo.
9. Que tarefa recebeu Adão de Deus, segundo Gênesis 2:19, 20, e de que modo podia Adão desincumbir-se dela corretamente?
9 Adão morava no lar ajardinado, edênico, que Deus fizera para ele. Esse era provavelmente uma grande região, que Adão podia percorrer. De modo que Adão podia observar os animais no seu habitat, de qualquer modo que Deus lhe facilitasse isso. Adão podia então dar-lhes nomes, segundo as suas tendências e caraterísticas. Não havia necessidade de pressa. — Gênesis 2:8, 19, 20.
10. Com o treinamento que Adão receber, o que estaria habilitado a fazer, mas que cuidado devia ter?
10 Embora Adão pudesse solucionar problemas que surgissem dentro do alcance de seu conhecimento, teria de recorrer a Deus como Projetista e Diretor quanto a como ‘sujeitar a terra’. O solo inculto, fora do jardim do Éden, teria de ser transformado num “lar” para bilhões de pessoas que ainda viriam. E assim como o construtor segue a planta do arquiteto, assim o homem teria de seguir fielmente a orientação sábia de Deus, a fim de dar beleza à terra e para o maior conforto e usufruto da raça humana. — Lucas 16:10.
11. No começo, como se desincumbiu Adão de sua responsabilidade, e que deveres o aguardavam?
11 Como se saiu Adão quanto às coisas com que Deus o abençoara? Por um tempo, saiu-se bem, instruindo sua esposa sobre o que havia aprendido de Deus. (Compare Gênesis 2:16, 17, com Gênesis 3:2, 3.) Por Jeová ser seu Criador, ele era seu Deus. A fim de continuarem a manter a relação correta com Deus, Adão e Eva precisavam estribar-se nele e obedecer-lhe como sendo o Governante Soberano. Ao passo que aumentasse sua família, para cobrir a terra, a sujeição ao governo de Deus seria essencial, para haver ordem e harmonia. Adão e Eva podiam instruir e educar seus filhos, a fim de que estes, por sua vez, pudessem dar glória a Deus.
‘A ÁRVORE DO CONHECIMENTO’
12. Que perspectiva tinham Adão e Eva, segundo Gênesis 2:17?
12 Deus dissera a Adão que podia comer livremente de toda árvore do jardim, exceto da árvore do conhecimento do que é bom e do que é mau. (Gênesis 2:17) A este casal e seus descendentes apresentava-se a vida eterna, condicionada apenas pela sua obediência. Seria uma desgraça para toda a família de Deus, no céu e na terra, se Adão fosse tão desrespeitoso, ao ponto de desobedecer a Deus.
13, 14. (a) Por que era inteiramente próprio e correto que Adão obedecesse a Deus? (b) O que deixou de fazer Adão, com respeito às boas coisas que possuía, e que atitude desenvolveu?
13 Deus dera a Adão tudo para o usufruto dele. O próprio Adão não fizera com que a terra produzisse as boas coisas para comer. Não foi ele quem criou a sua bela companheira, Eva. Não foi ele quem fez o seu próprio corpo, com as faculdades que o habilitavam a usufruir as coisas que possuía. Mas, embora Adão amasse e usufruísse a bela vida que se lhe concedera bondosamente, não continuou no proceder obediente.
14 Por fim, Adão passou a colocar seus supostos interesses acima daqueles de seu Pai celestial. Achava mais importantes os seus desejos imediatos, do que a família de Deus e os descendentes que havia de ter. Até mesmo homens imperfeitos desprezam alguém que trai a sua família ou que vende os seus próprios filhos em escravidão e morte. E isto foi o que Adão fez. — Romanos 7:14.
15, 16. (a) Era real a “árvore do conhecimento do que é bom e do que é mau”? (b) Que outras perguntas surgem a respeito desta árvore?
15 Em que consistia o pecado de Adão? Relacionava-se com a “árvore do conhecimento do que é bom e do que é mau”. Tem havido muita conjetura sobre esta árvore. Era mesmo uma árvore? Qual era o “conhecimento” e ‘o que é bom e o que é mau’? Por que colocaria Deus tal árvore no jardim?
16 A Bíblia indica que a árvore era real, falando dela como sendo uma das árvores frutíferas do jardim. (Gênesis 2:9) Qual era o “conhecimento” representado pela árvore? A versão católica, em inglês, da Bíblia de Jerusalém faz um comentário pertinente, numa nota ao pé da página, sobre Gênesis 2:17:
17. Segundo uma nota no pé da página na versão católica, em inglês, da Bíblia de Jerusalém, que espécie de “conhecimento” representava a árvore?
17 “Este conhecimento é um privilégio que Deus reserva para si mesmo e de que o homem se apodera por pecar, [Gênesis] 3:5, 22. Por isso, não significa onisciência, que o homem decaído não possui; nem é discriminação moral, porque o homem, antes de cair, já a possuía e Deus não a podia negar a um ser racional. É o poder de decidir por si mesmo o que é bom e o que é mau, e de agir de acordo, uma reivindicação de completa independência moral, pela qual o homem se nega a reconhecer sua condição de ser criado. O primeiro pecado foi um ataque contra a soberania de Deus, um pecado de orgulho.”
18. (a) O que simbolizava a árvore? (b) Antes de o homem perfeito pecar por comer da ‘árvore do conhecimento’, que decisão tecla de tomar?
18 A árvore simbolizava, na realidade, a fronteira — a linha de demarcação — ou o limite do devido domínio do homem. Era certo e correto, sim, era essencial que Deus informasse Adão sobre esta fronteira. Comer o homem perfeito daquela árvore exigiria o consentimento deliberado de sua vontade indicaria a decisão feita de antemão, de que se retirava da sujeição ao governo de Deus, para seguir seu próprio caminho, fazendo “o que é bom” ou “o que é mau”, segundo as suas próprias decisões.
DESAFIADA A SOBERANIA DE DEUS
19. O que trouxe sobre Adão e os filhos dele o seu pecado deliberado, em harmonia com o princípio expresso em Romanos 1:28?
19 De modo que o homem seguiu um caminho independente de Deus. Deus não interferiu no livre-arbítrio de Adão. Mas a escolha errada de Adão trouxe sobre ele e seus filhos toda espécie de problemas difíceis e humanamente insolúveis. — Romanos 1:28.
20. De que modo suscitou o ato errado de Adão uma pergunta que incluía toda a humanidade?
20 Além disso, havia mais envolvido na questão do que apenas a rebelião de Adão e sua esposa. A rebelião do filho terreno de Deus suscitou a pergunta: Haveria alguém, na família terrena de Deus, o qual, usando de livre-arbítrio, escolheria ser leal ao governo de Deus, e permaneceria ele leal a Deus sob pressão ou sob a tentação de ganhar algo para si, por meio da desobediência? Assim, a integridade e a fidelidade de cada homem e mulher, a serem trazidos a existência, ficariam em dúvida na mente de todas as criaturas de Deus, no céu e na terra.
21. O pecado de Adão suscitou que questão muito maior do que a da integridade humana?
21 Esta questão, porém, era subsidiária ou secundária a uma muito maior — o desafio a respeito da legitimidade da soberania ou do governo de Deus — conforme ilustrado por acontecimentos ocorridos uns 2.500 anos mais tarde. Uma ilustração da questão envolvida é encontrada no que aconteceu na vida real com o homem Jó cujo registro foi preservado para nosso benefício.
22. Como mostra o livro de Jó que o assunto da controvérsia tornou-se realmente a integridade e a lealdade de cada humano?
22 O livro de Jó revela que um anjo celestial de Deus lançou o desafio. Compareceu perante o Altíssimo, acusando com insolência o servo devotado de Deus, Jó e dizendo que a lealdade deste a Deus baseava-se exclusivamente no egoísmo. Deus permitiu que este filho espiritual submetesse Jó a uma prova de grande adversidade. Embora Jó se mostrasse fiel sob prova, o rebelde ainda o acusou de ter mau coração. Jeová disse-lhe: “Fixaste teu coração no meu servo Jó que não há ninguém igual a ele na terra, homem inculpe e reto, temendo a Deus e desviando-se do mal? Ele ainda se agarra à sua integridade [irrepreensibilidade, fidelidade a Deus], embora me instigues contra ele para tragá-lo sem causa.” O anjo respondeu: “Pele por pele, e tudo o que o homem tem dará pela sua alma. Ao invés disso, estende agora tua mão, por favor, e toca-lhe até o osso e a carne, e vê se não te amaldiçoará na tua própria face.” — Jó 2:2-5.
23. Qual foi o resultado de Jó se agarrar à sua fidelidade, sob severo sofrimento?
23 Deus deixou que Jó fosse provado, sabendo que permaneceria fiel. E Jó realmente não saiu perdendo por sofrer por um pouco. Pois, no fim da prova, Deus recompensou Jó muito além do que usufruía antes disso, dando-lhe inclusive mais 140 anos de vida. — Jó 42:12-16; veja Hebreus 11:6.
24. (a) Na realidade, quem foi que instigou e promoveu a rebelião contra Deus? (b) Portanto, tinham Adão e Eva alguma desculpa?
24 Este vislumbre dum acontecimento invisível no céu ajuda-nos a entender a questão real quanto a por que Deus permitiu o mal. O anjo desafiador, conhecido como Satanás, o Diabo, foi realmente quem instigou a rebelião. Não obstante, o primeiro casal humano, que tomou o lado de Satanás, quando ele começou a lançar o desafio, estava deliberadamente culpado, sem desculpa.
25, 26. (a) Visto que foi Satanás, o Diabo, quem atacou Adão quanto à sua lealdade a Deus, será que Deus deixou Adão injustamente exposto a tal ataque? (b) Como pôde ter raciocinado Satanás, quando estava prestes a atacar Eva?
25 Deus havia dado a Adão todas as instruções e oportunidades necessárias, a fim de que estivesse plenamente preparado para permanecer leal a Deus, porque Deus nunca deixaria um servo Seu exposto a um ataque contra o qual não tivesse defesa. (1 Coríntios 10:13) Por conseguinte, Adão, com perfeita liberdade de exercer a sua vontade, podia ter permanecido firme e demonstrado lealdade e fidelidade. Não havia nenhum fator além de seu controle, para fazê-lo pecar, como se dá hoje no caso da humanidade imperfeita. O pecado dele era inteiramente proposital e deliberado.
26 Contudo, o adversário de Deus, o rebelde filho espiritual, procurou uma oportunidade para iniciar uma rebelião no universo. Quis usar Adão e Eva como instrumentos para lançar seu desafio ao governo de Deus. A narrativa bíblica nos conta como ele atacou primeiro a mulher. Satanás estava confiante em que, tendo vencido Eva, poderia exercer maior pressão sobre Adão.
REBELIÃO CONTRA DEUS
27. Embora fosse uma serpente que falou a Eva, como sabemos que a serpente foi realmente apenas instrumento do Diabo?
27 Como foi realmente lançado o desafio ao governo de Deus, intentado por Satanás? O relato bíblico diz que um humilde animal do campo, uma serpente, falou a Eva. Naturalmente, nenhum animal pode falar por si mesmo. Satanás, o Diabo, foi realmente quem falou, usando a serpente. Por causa desta fraude e do uso da serpente, Deus o chamou de “serpente [enganador] original”. (Revelação 12:9) Jesus salientou que Satanás foi o instigador do desafio à soberania de Deus, quando disse que o Diabo era o “pai da mentira” e homicida, desde o começo de seu proceder rebelde, no Éden. (João 8:44) o registro bíblico sobre esta primeira mentira e a rebelião reza:
28. Em vista da narrativa de Gênesis 3:1-5 (a) Como e que a pergunta que Satanás fez a Eva deu a entender que Deus estava negando a ela algo a que tinha direito? (b) Desconhecia Eva a lei de Deus, sobre não comer da ‘árvore do conhecimento’?
28 “Ora, a serpente mostrava ser a mais cautelosa de todos os animais selváticos do campo, que Jeová Deus havia feito. Assim, ela começou a dizer à mulher: ‘É realmente assim que Deus disse, que não deveis comer de toda árvore do jardim?’ A isso a mulher disse à serpente: ‘Do fruto das árvores do jardim podemos comer. Mas, quanto a comer do fruto da árvore que está no meio do jardim, Deus disse: “Não deveis comer dele, não, nem deveis tocar nele, para que não morrais.”’ A isso a serpente disse à mulher: ‘Positivamente não morrereis. Porque Deus sabe que, no mesmo dia em que comerdes dele, forçosamente se abrirão os vossos olhos e forçosamente sereis como Deus, sabendo o que é bom e o que é mau.’” — Gênesis 3:1-5.
29, 30. Como havia Eva encarado o fruto da ‘árvore do conhecimento’ antes de Satanás mentir, e como o encarava depois da mentira?
29 Até aquele tempo, a mulher havia obedecido à injunção de não comer da “árvore do conhecimento”, à qual a serpente se referiu. Ela tinha toda espécie de alimento para comer e não padecia necessidade. Entendia que comer da árvore traria maus resultados. Não era que o fruto fosse venenoso, mas Deus havia dito que comer dele traria a condenação, à morte por Ele. Ora, quando alguém, na floresta, vê certas plantas, tais como o sumagre-venenoso ou certas árvores frutíferas, de que é perigoso comer, sente-se atraído ou impelido a tocar nelas, e tomar e comer delas? Não, não há tal atrativo. Assim foi com Eva. Mas, a mentira de Satanás deu então atrativo à árvore Ela creu nas palavras dele, proferidas por meio da humilde serpente, mais do que nas de seu Criador. Lemos:
30 “Conseqüentemente, a mulher viu que a árvore era boa para alimento e que era algo para os olhos anelarem, sim, a árvore era desejável para se contemplar. De modo que começou a tomar do seu fruto e a comê-lo.” — Gênesis 3:6.
EVA FOI ENGANADA
31. O que talvez raciocinasse Eva, quando a serpente lhe falou?
31 Por que Eva não ficou pasmada e por que não fugiu quando a serpente lhe falou, o que era de surpreender? A Bíblia não o diz. É possível que ela viu a serpente na árvore e que as ações dela lhe possam ter atraído a atenção. Sabia que era um animal muito cauteloso. De modo que a serpente pode ter parecido muito sábia, e quando falou, parecia ter sabedoria especial.
32, 33. (a) Que liberdade, achava Eva, lhe daria comer ela do fruto? (b) De que modo realmente perdeu Eva a liberdade ao adiantar-se a seu marido?
32 De qualquer modo, a mentira proferida por meio deste animal convenceu-a de que ela não morreria se comesse do fruto. Antes, acreditava que obteria poderes especiais — ser semelhante a Deus, livre e independente, para julgar por si mesma o proceder a adotar. Ela não dependeria de ninguém, nem estaria sujeita a alguém. Certamente, abandonou a sujeição ao seu marido, que lhe havia declarado a ordem de Deus. Foi adiante e tomou do fruto, sem consultá-lo.
33 Foi por isso que o apóstolo Paulo enfatizou a submissão por parte da mulher cristã. Indicou que Eva, pensando que conseguiria a independência absoluta, na realidade estava fazendo exatamente o oposto e trazendo sobre si mesma a maior dificuldade. Tentou fazer algo para o qual não estava equipada. Paulo disse: “Adão não foi enganado mas a mulher foi totalmente enganada e veio a estar em transgressão.” — 1 Timóteo 2:11-14.
ADÃO TEVE FALTA DE FÉ
34, 35. (a) Visto que Adão não foi enganado, por que participou da rebelião? (b) Por que foi maior, para Adão, o problema criado pelo pecado de Eva, do que seus problemas cotidianos em cuidar do jardim do Éden, e como demonstrou ele ter falta de fé?
34 Visto que Adão não foi enganado, o que o impeliu a juntar-se a sua esposa na rebelião? Ele deixou que o anelo que tinha de sua esposa, Eva, tivesse prioridade sobre a sua relação com Deus. Portanto, quando viu sua esposa, tomou dela o fruto. — Gênesis 3:6.
35 A Bíblia não registra as palavras trocadas entre Adão e Eva. Mas, de repente, ele ficou ali com um seríssimo problema ‘na mão’. Adão talvez tenha tido problemas a resolver com relação ao seu domínio sobre os animais e ao cultivo do jardim mas esta situação com Eva era algo que lhe tocava diretamente o coração e testava sua lealdade. Tal vez se perguntasse: ‘Por que tinha de me acontece algo assim, tão de repente e tão chocante, no meio duma vida feliz? Por que permitiu Deus que ocorresse?’ Sua fé em Deus ficou testada. Devia ter demonstrado amor superior a Deus. Devia ter sabido que Deus o apoiaria. — Salmo 34:15.
36, 37. (a) Além de falta de fé, como revelou Adão que procurava desculpar-se? (b) Mas, era ele plenamente responsável pela sua rebelião?
36 Deus, certamente, teria cuidado de seu filho Adão, se este tivesse permanecido leal. Teria resolvido a questão para a completa felicidade de Adão. (Veja o Salmo 22:4, 5.) Mas, Adão não exerceu tal fé. Além disso, procurou desculpar-se, dizendo: “A mulher que me deste para estar comigo, ela me deu do fruto da árvore e por isso o comi.” — Gênesis 3:12.
37 A resposta de Adão, em que ele se desculpava, acusou a mulher como sendo a culpada. Mas Adão era plenamente responsável, e, como chefe de sua família, era com ele que Deus lidava diretamente. Era repreensível. Na realidade, Adão adotou o proceder descrito em Tiago 1:13-15:
38. Como descreve Tiago 1:13-15 o processo pelo qual os humanos perfeitos, Adão e Eva, vieram a pecar?
38 “Quando posto à prova, ninguém diga: ‘Estou sendo provado por Deus.’ Não; pois, por coisas más, Deus não pode ser provado, nem prova ele a alguém. Mas cada um é provado por ser provocado e engodado pelo seu próprio desejo. Então o desejo, tendo-se tornado fértil, dá à luz o pecado, o pecado, por sua vez tendo sido consumado, produz a morte.”
PREJUDICADA TODA A RAÇA HUMANA
39. (a) Como veio Adão a morrer “no dia” em que pecou? (Gênesis 2:17) (b) Que efeito físico teve a perda de espiritualidade sobre ele e também sobre seus filhos?
39 Adão tornou-se com isso pecador. De acordo com o significado da palavra hebraica para “pecado”, ele ‘errou o alvo’. Não conseguia mais estar à altura das normas perfeitas. Morreu em sentido espiritual e também começou a morrer fisicamente, naquele dia. Adão tinha então uma falta, uma fraqueza moral, que também o afetava fisicamente porque “o aguilhão que produz a morte é o pecado”. (1 Coríntios 15:56) Com a ruína da espiritualidade de Adão, seu funcionamento mental ficou desequilibrado, e isto contribuiu para o desequilíbrio e a deterioração de seu corpo físico. Adão tinha de morrer. (Gênesis 3:19) Não podia transmitir a plena força moral ou física aos seus filhos, porque não mais a possuía para dar. Por conseguinte, “todos pecaram e não atingem a glória de Deus”, que Adão antigamente refletia na sua perfeição. — Romanos 3:23.
40. (a) Por que expulsou Jeová Deus a Adão do jardim do Éden, depois de esse ter pecado? (b) Que ação similar é tomada hoje pelas congregações cristãs, conforme mostra 1 Coríntios 5:11-13?
40 Sendo pecador, Adão não tinha mais direito a ter comunicação com Jeová Deus. Não tinha mais direito a continuar a viver no jardim paradísico. Deus, evidentemente, falou então ao seu primogênito Filho celestial. Este Filho havia sido usado por Jeová na obra criativa. (Colossenses 1:13, 15, 17) Jeová disse: “‘Eis que o homem se tem tornado como um de nós, sabendo o que é bom e o que é mau, e agora, a fim de que não estenda a sua mão e tome realmente também do fruto da árvore da vida, e coma, e viva por tempo indefinido . . .’ Com isso, Jeová Deus o pôs para fora do jardim do Éden para lavrar o solo de que tinha sido tomado.” (Gênesis 3:22, 23) Assim também hoje, as Escrituras ordenam que a pessoa má ou imoral, que é impenitente, tem de ser desassociada da comunhão e associação da congregação cristã. — 1 Coríntios 5:11-13.
41. Visto que todos herdaram a fraqueza, pode alguém lançar a culpa de todos os seus atos maus sobre este fato? (Romanos 3:23; 5:12)
41 O que significava tudo isso para a raça humana? O resultado foi a fraqueza herdada. No entanto, ninguém pode de direito lançar sobre isso a culpa de todas as ações más que faz, porque, na realidade, todos podem pecar propositalmente e assim ter responsabilidade individual. O pecado multiplicou-se na raça humana, de modo que se manifestou a sua extrema maldade, com todas as dores e tristezas que isso traz. O pecado tem reinado sobre a humanidade, permeando quase todos os pensamentos e ações; o egoísmo está arraigado. — Romanos 5:14.
A REAÇÃO DE DEUS AO DESAFIO
42. (a) Qual foi o desafio quanto ao governo ou a soberania de Deus? (b) O que afirmou ou argumentou o Diabo sobre isso?
42 Felizmente, por causa da benignidade imerecida de Deus e de seu amor à raça humana, ele não abandonou a humanidade a ponto de que esta ficasse permanentemente extinta. Pense, porém, na situação em que Deus foi colocado: Seu governo, sua soberania, foi desafiada quanto à sua legitimidade, sua justiça e seu mérito. Segundo o Diabo, Jeová não estava governando por meio do amor. Ele afirmou que o motivo pelo qual as criaturas inteligentes de Deus obedeciam não era o de amarem o governo de Deus e o preferirem acima de todos os outros. Não, ele sustentou que a soberania de Deus derivava ‘seu apoio dos outros apenas em resultado de Ele dar todas as coisas boas àqueles que lhe obedecem — que Ele, na realidade, governava por meio duma forma de suborno. (Jó 1:9-11) Além disso, o Diabo acusou a Deus de negar algo às Suas criaturas, a que estas tinham direito. Uma destas coisas negadas era a independência completa e separada Dele, o direito de agirem assim como bem entendessem. — Gênesis 3:5.
43. Por que o Deus Todo-poderoso não distraiu ali mesmo o Diabo, mas permitiu que a iniqüidade continuasse por um tempo?
43 Deus sabia que seu governo era correto. Podia ter destruído o Diabo lá naquele instante. Mas isto não teria solucionado a questão suscitada. Porque o desafio de Satanás, apoiado por Adão e Eva, não só caluniava o nome e o governo de Deus; lançava também uma sombra sobre o nome de cada pessoa inteligente no universo. Portanto, por causa de seu próprio nome, como rei, e por causa de toda a sua família de pessoas fiéis, vivendo naquele tempo e no futuro, Deus permitiu que a iniqüidade continuasse por um tempo limitado.
44. (a) Onde estaríamos nos viventes, hoje, se Deus tivesse logo morto a Adão e Eva? (b) Que confiança tinha Deus nos homem que haviam de nascer, e mostrou-se justificada esta confiança?
44 Se Deus tivesse logo morto a Adão e Eva, nenhum de nós, os que vivemos na terra, jamais teríamos nascido. Embora Adão e Eva se tornassem maus, Deus sabia que nem todos os descendentes deles seriam assim. Muitos serviriam a Deus durante todas as provas que Satanás pudesse trazer. Portanto, Deus permitiu que Satanás continuasse, como proscrito, e permitiu que Adão e Eva tivessem filhos. Muitos dos descendentes deles provaram ser fiéis, conforme atesta o registro bíblico — Hebreus, capítulo 11.
45. (a) Quem tem sofrido por mais tempo, por Deus ter permitido a iniqüidade? (b) De fato, quem tirou proveito da permissão da iniquidade por um tempo, por Deus?
45 Embora as condições tenham sido adversas, a humanidade, na maior parte, tem sido feliz em usufruir certa medida de vida. Na realidade, poucas pessoas sofreram por mais do que apenas comparativamente poucos anos de sua vida. Assim, apesar das dificuldades, a maioria alegra-se de ter nascido. Entretanto, Jeová Deus tolerou estas coisas más, observando a iniqüidade e o sofrimento, durante cerca de 6.000 anos. Sendo Pai de sua família universal, isto o tem entristecido. (Veja o Salmo 78:40.) Tinha o poder de impedir a iniqüidade em qualquer ocasião, mas refreou-se com certo objetivo, não para seu benefício pessoal, mas para o das criaturas inteligentes do universo, agora e por todo o tempo vindouro. (Lucas 18:7, 8; Jó 35:6-8) A história do mundo e a Bíblia indicam que a questão está chegando ao tempo de ser completamente resolvida.
46. Que benefício se obterá por se deixar que a questão do governo de Deus seja plenamente examinada, embora isso já leve cerca de 6.000 anos?
46 Havia um motivo legal para a ação de Deus. Por exemplo, quando um caso é levado perante o Supremo Tribunal e ali argumentado e plenamente decidido, o acórdão do Supremo Tribunal firma jurisprudência, para se decidir a mesma questão em todos os casos individuais depois disso. Assim, também, esta questão universal, resolvida no Supremo Tribunal do céu, servirá de precedente. Nunca mais se permitirá que a iniqüidade, com o seu sofrimento acompanhante, perturbe o universo. Em Daniel 7:9, 10, temos uma visão da Corte de Jeová.
47. Além de resolver a questão universal da justeza da soberania de Deus, o que mais proveu ele?
47 Por isso, Deus permitiu a iniqüidade e o sofrimento para resolver a questão de sua soberania universal. E ao resolver a questão, Deus fez também provisões para soerguer a raça humana de sua condição lamentável. Esta provisão eliminará todo o dano causado pelo reinado do pecado sobre a raça humana. A maneira em que Deus fez esta provisão é o tema interessante que se nos apresenta no Capítulo 6.
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Recebendo instruções de Deus, Adão aprendeu a exercer domínio sobre os animais.
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Quando um caso foi eqüitativamente julgado num tribunal, a decisão firma jurisprudência. Do mesmo modo, quando o supremo tribunal do céu decidir a questão universal, toda a criação será beneficiada.
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Deus vem em socorro da humanidadeA Vida Tem Objetivo
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Capítulo 6
Deus vem em socorro da humanidade
1. Que confiança podemos ter em que Deus virá em socorro da raça humana?
JEOVÁ DEUS, em harmonia com a dignidade de seu governo universal, resolve problemas aparentemente impossíveis, de modo maravilhoso. E depois de vermos o resultado, dizemos: ‘Simplesmente não poderia ter sido feito de outra maneira, para ser tão cabal, justo e inteiramente bom.’ (Veja Isaías 55:9.) Portanto, conforme mostra a Bíblia, na própria ocasião em que se lançou o desafio à justeza de seu domínio, Deus revelou que viria em socorro da raça humana, ao anunciar: “Ele [o descendente] te machucará a cabeça [i. e., Satanás].” (Gênesis 3:15) Com o passar do tempo, Deus deixaria os homens ver a elaboração de seu propósito.
2, 3. (a) Quem foi designado por Jeová Deus para ser o prometido “descendente”? (b) Por que motivos era ele o mais lógico a ser escolhido?
2 Quem, em especial, seria designado por Deus para ser o “descendente”, para finalmente esmagar a cabeça de Satanás? O Filho unigênito de Jeová! Este foi escolhido como aquele que serviria para a solução primária da questão a respeito do mérito e da justiça do governo ou da soberania de Jeová. Por que este grandioso, tão achegado ao coração de Jeová? Ora, quando Satanás lançou o seu desafio, isso pôs em dúvida a lealdade de todas as pessoas no universo, até a deste Filho de Deus. Além disso, a questão da lealdade o enfocaria mais do que a qualquer outra das criaturas de Deus, porque era o Filho principal de Jeová, o mais próximo a Ele no universo. Havia sido colaborador de Deus em fazer o universo. (Colossenses 1:15-17) O desafiador de Deus poderia dizer: ‘Se há quem seria fiel em servir a Deus, dentre todas as criaturas, seria ele.’ Portanto, o desafio de Satanás colocou este poderoso Filho de Deus nas luzes da ribalta.
3 Outrossim, em Provérbios, capítulo oito, este Filho, personificado como a sabedoria, falando da obra criativa de Deus, diz: “As coisas de que eu gostava estavam com os filhos dos homens.” (Vers. 31 de Prov. 8 ) Ele amava profundamente a humanidade. Aceitou de bom grado esta tarefa de vindicar seu Pai, primeiro em lealdade a Ele, e, além disso, por amor à humanidade.
4. Por que não podia Deus desconsiderar o pecado ou não fazer caso dele?
4 Agora, no amor que Jeová Deus tem à humanidade, pode ele tolerar a iniqüidade que Satanás, junto com Adão, introduziram no universo? Pode Deus dizer a qualquer pessoa pecadora: ‘Ora, gosto de você e quero mostrar-lhe misericórdia, de modo que simplesmente não vou fazer caso de seu pecado’? Em harmonia com sua justiça e eqüidade, ele não pode desconsiderar o pecado e não fazer caso dele. Se fizesse isso, minaria o alicerce de seu governo. — Salmo 89:14.
5. O que acontece a um governo quando se tolera a violação da lei ou se permite que os violadores da lei se safem com isso?
5 Temos um exemplo do resultado de se ser “mole” com a violação da lei, e, em efeito, tolerá-la, em algumas das nações da terra, hoje em dia. Em muitos casos, elas foram relapsas e não zelosas em atuar contra os transgressores. Deixaram os criminosos andar soltos. O resultado é que as pessoas perdem a fé nos governos e tudo entra finalmente em colapso. O Governante Universal não permitirá que isto aconteça com as suas leis.
6. Como salientam o profeta Habacuque e o apóstolo Paulo que Deus não faz vista grossa ao pecado?
6 Por conseguinte, Jeová, o Soberano Universal, na sua responsabilidade de defender a lei e a ordem no universo, não pode fazer pouco caso do pecado. “De Deus não se mofa.” (Gálatas 6:7) Em Habacuque 1:13, o profeta diz a Jeová: “És de olhos puros demais para ver o que é mau; e não podes olhar para a desgraça. Por que olhas para os que agem traiçoeiramente?” Apenas por um bom motivo e por um tempo relativamente curto ele tem permitido a transgressão. Na realidade, a decisão de Deus, neste respeito, é a única maneira em que ele pode genuinamente ajudar a humanidade.
UM PROBLEMA JURÍDICO
7. (a) Como foi que Adão “vendeu” a humanidade à escravidão ao pecado e a morte? (b) Como expressa o Salmo 49:6-9 a incapacidade do homem de ajudar a si mesmo?
7 Adão vendera sua descendência futura à escravidão ao pecado e à morte, sem o consentimento dela. O preço que recebeu por esta “venda” foi ele fazer em egoísmo o que queria, rebelando-se contra Deus. (Romanos 7:14) A incapacidade do homem, de se livrar da escravização à morte, é expressa no Salmo quarenta e nove, versículos seis a nove: “Aqueles que confiam nos seus meios de subsistência e que se jactam da abundância das suas riquezas, nenhum deles pode de modo algum remir até mesmo um irmão, nem dar a Deus um resgate por ele, (e o preço de redenção da alma deles é tão precioso, que cessou por tempo indefinido,) que ele ainda assim viva para sempre e não veja a cova.” O preço era precioso demais, elevado demais, além do alcance de toda a humanidade. No que se referia à capacidade do homem imperfeito, o alívio estava tão afastado como “por tempo indefinido”, na realidade, além de qualquer esperança. Portanto, se o homem havia de ser liberto, Deus tinha de agir para fazer provisões. — Veja o Salmo 79:9.
8, 9. A fim de manter a dignidade e a justiça de seu governo, o que precisou fazer Jeová Deus para ajudar a humanidade?
8 Para Deus poder ter tratos com aqueles que nasceram em pecado, embora não fosse por culpa deles mesmos, ele tinha de ter uma base jurídica para lidar com eles. (Salmo 51:5; Romanos 5:12) De outro modo, todos os homens teriam de morrer para sempre, visto que a lei de Deus exigia que os pecadores fossem eliminados do universo. Apenas o sacrifício de outro homem, perfeito, como preço “precioso”, podia comprar de volta aquilo que Adão perdera. — 1 Timóteo 2:5, 6.
9 Por conseguinte, Jeová precisava de alguém — cujo sacrifício podia constituir a base jurídica — por intermédio de quem pudesse atuar. Assim como um governo humano não pode corretamente negociar com criminosos, assim Jeová Deus não podia lidar diretamente com pessoas pecaminosas e ainda manter a dignidade e justiça de seu governo.
10, 11. Ao perdoar pecados e declarar as pessoas justas, como demonstrou Deus (a) sua própria justiça e eqüidade, e (b) a maldade do pecado e sua própria misericórdia?
10 Por lançar esta base jurídica, Jeová poderia demonstrar a justeza de seu governo universal, mostrando também a extrema maldade do pecado. Ao mesmo tempo podia mostrar misericórdia aos homens. O apóstolo Paulo expressou isso do seguinte modo:
11 “Pois todos pecaram e não atingem a glória de Deus, e é como dádiva gratuita que estão sendo declarados justos pela benignidade imerecida dele, por intermédio do livramento pelo resgate pago por Cristo Jesus. Deus o apresentou como oferta de propiciação por intermédio da fé no seu sangue. Isto se deu, a fim de exibir a sua própria justiça, porque ele estava perdoando os pecados que ocorreram no passado, enquanto Deus exercia indulgência; a fim de exibir a sua própria justiça nesta época atual, para que fosse justo, mesmo ao declarar justo o homem que tem fé em Jesus.” — Romanos 3:23-26.
12. Com que problemas se confronta um homem, que misericordiosamente deseja trazer um “indesejável” à sua família, como membro dela? (Romanos 5:8)
12 Poderíamos ilustrar, com a vida cotidiana, a razoabilidade e legalidade dos tratos de Deus. Digamos que um homem, dono-de-casa, tenha uma família reta, pura e obediente. Ele sabe de um jovem, na cadeia, sentenciado com uma grande multa, por uma transgressão que cometeu. Este jovem estivera em má companhia e aprendera o proceder mau. Todavia, o homem acha que pode ajudar o preso e finalmente reabilitá-lo. Em justiça para consigo mesmo e para com sua família pura e respeitável, não pode trazê-lo logo à sua casa e fazer sua família associar-se com o jovem, naquelas condições. Então, o que pode fazer para ajudá-lo?
13. Que medidas poderia tomar o homem para tornar o jovem um membro apto e legal de sua casa?
13 O homem poderia fazer com que um amigo pagasse a multa, o que satisfaria a sentença do tribunal contra o preso, e conseguisse que o tribunal lhe concedesse a custódia dele. Depois da devida instrução e disciplina do jovem, o amigo poderia entregá-lo ao dono-de-casa, numa condição reabilitada, para que pudesse ser aceito como membro puro e respeitável da casa. Assim se satisfariam plenamente todas as exigências legais. O dono-de-casa teria sido inteiramente justo e eqüitativo nos seus tratos, e teria havido misericórdia para com o jovem.
14. Em que base reconcilia Deus a família humana consigo mesmo?
14 Na realidade, Deus trata com a família humana por meio de seu Filho, Jesus Cristo, que age como representante de Jeová no assunto. Os que obedecem ao arranjo de Deus passam a ter uma situação legal perante Ele. São remidos e reconciliados ou trazidos à harmonia com Deus. (Colossenses 1:13, 14, 20) Chegam a ter com ele uma relação pessoal e podem chamá-lo de “Pai”. — Mateus 6:9.
O FILHO DE DEUS VEM À TERRA
15. Por que foi preciso que o Filho de Deus fosse enviado à terra?
15 Por isso, enviou-se o Filho de Deus para a terra, a fim de ele se tornar humano, nascido de mulher. Podia servir para a prova de integridade aqui na terra, onde se suscitara a questão. Podia também ser o preço de resgate para a humanidade. Mediante o nascimento milagroso por meio da virgem Maria, ele se tornou filho humano de Deus. — Gálatas 4:4.
16. (a) De que modo nasceu Jesus como menino perfeito, quando sua mãe era imperfeita? (b) Por que precisava Jesus de proteção especial, enquanto menino e também mais tarde?
16 Este filho nasceu duma mulher imperfeita, mas ele mesmo era perfeito e imaculado. Sua vida perfeita foi transferida do domínio celestial, espiritual para o ventre de Maria. O anjo Gabriel havia anunciado a Maria: “Espírito santo virá sobre ti e poder do Altíssimo te encobrirá. Por esta razão, também, o nascido será chamado santo, Filho de Deus.” (Lucas 1:35) O espírito santo de Deus colocou um muro de poder invisível em volta de Maria, para que Jesus Cristo nascesse como bebê perfeito. Satanás, o Diabo, naturalmente, teria desejado destruir ou prejudicar este Filho antes de ele nascer, se fosse possível. Veja as suas tentativas posteriores de matar Jesus, conforme reveladas em Mateus 2:7-16 e Lucas 4:28-30.
17. Como mostram as Escrituras que Jesus manteve a sua perfeição até a morte?
17 Jesus, em toda a sua vida humana, permaneceu neste estado perfeito. Era “leal, cândido, imaculado, separado dos pecadores”. (Hebreus 7:26) O proceder de Jesus na vida, na terra, resolveu a questão da integridade a Deus, além de qualquer dúvida, de modo perfeito e completo. Ele disse, antes de sua morte sacrificial: “O governante do mundo está chegando. E ele não tem nenhum poder sobre mim”, e: “Agora há um julgamento deste mundo; agora será lançado fora o governante deste mundo [o Diabo].” (João 14:30; 12:31; 2 Coríntios 4:4) Satanás nunca conseguiu fazer Jesus Cristo ceder sob pressão, e por isso não tinha nenhum poder sobre Jesus, nenhuma acusação válida que pudesse lançar contra Jesus. Jesus havia ‘vencido o mundo’, por negar-se a se entregar ao pecado. — João 16:33; 8:46.
18. (a) Por que não era uma dádiva a justiça de Jesus, enquanto estava na terra? (b) Quando alguém mais, da humanidade, é declarado justo, por que é uma dádiva gratuita?
18 O apóstolo Paulo declarou a respeito de Jesus: “Aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu; e, depois de ter sido aperfeiçoado, tornou-se responsável pela salvação eterna de todos os que lhe obedecem.” (Hebreus 5:8, 9) Portanto, foi pelo próprio mérito de Cristo, que Deus o declarou justo, no fim de sua carreira terrena. Ele foi ressuscitado à vida no espírito, “declarado justo em espírito”. (1 Timóteo 3:16) Foi qualificado e empossado no céu como Sumo Sacerdote perfeito em benefício da humanidade. Deus não precisou conceder a Cristo a justiça como dádiva, porque este, como homem sem pecado, tanto tivera como retivera uma condição justa perante Deus, do começo ao fim. Por este motivo, o sacrifício de Jesus era perfeito e podia servir como base para outros homens serem declarados justos. Quando outros são declarados justos, não é à base de sua própria justiça, mas à base do sacrifício expiatório de Jesus Cristo. No caso deles, é deveras uma dádiva que recebem. — Romanos 5:17.
19. Que posição ocupa Jesus com respeito àqueles que querem servir a Deus?
19 Por causa deste proceder fiel, Jesus estava habilitado a se tornar defensor de todos aqueles que desejam servir a Deus. O apóstolo João escreveu: “Se alguém cometer pecado, temos um ajudador [ou: defensor] junto ao Pai, Jesus Cristo, um justo. E ele é um sacrifício propiciatório [que cobre] pelos nossos pecados.” (1 João 2:1, 2) Ele é também chamado “mediador entre Deus e os homens”. (1 Timóteo 2:5) O Diabo tem tentado achar falta nos servos de Deus desde o tempo de Abel, filho de Adão. Satanás é chamado “o acusador dos nossos irmãos, o qual os acusa dia e noite perante o nosso Deus”. — Revelação (Apocalipse) 12:10.
20. Como defensor e mediador, o que tem feito Jesus a favor dos servos de Deus?
20 Portanto, na disputa jurídica, Jesus Cristo tem comparecido perante Deus como advogado. Quando os servos fiéis de Deus têm feito um engano, cometido um pecado, Jesus tem apresentado perante Deus, o Juiz, a evidência de que eles não merecem morrer — que seu sacrifício propiciatório cobre os enganos e pecados deles. Tem mostrado que a intenção deles era fazer o que é direito, mesmo em face de sua imperfeição. (Romanos 7:15-19) Tem trazido à atenção os seus atos de fé e que invocam a Deus em verdadeiro arrependimento, quando pecam. (Hebreus 6:10) Fazem isso à base do sacrifício de Jesus. (João 16:23) E Deus aceita a intercessão de Jesus por eles.
COMO JESUS OBTÉM “FILHOS”
21. (a) Como deu Jesus, o único homem, a sua alma “como resgate em troca de muitos”? (b) Por que é ele conhecido como o “último Adão”?
21 Quando Jesus estava na terra, como homem, ele tinha o poder de ter filhos próprios, por meios humanos, naturais. Não produziu tais filhos, mas renunciou a este potencial no seu sacrifício. Conforme disse: “O Filho do homem não veio para que se lhe ministrasse, mas para ministrar e dar a sua alma como resgate em troca de muitos.” (Mateus 20:28) Jesus tornou-se assim o “último Adão”. Adão produziu filhos, imperfeitos, com tendências más. Jesus Cristo produz filhos que alcançam a justiça. As pessoas podem transferir-se da família de Adão e ser regeneradas por meio da justiça de Jesus Cristo, e, revestindo-se da nova personalidade, podem vir a ser ‘à sua imagem’. Podem ser purificadas como filhos do “último Adão”. — 1 Coríntios 15:45, 49.
22. (a) Como mostra Isaías 53:10 a maneira pela qual Cristo vem a ter filhos? (b) Retém Cristo para sempre estes filhos como seus próprios, ou o quê?
22 O profeta Isaías, por inspiração, descreveu alguns dos sofrimentos de Cristo e disse, falando a Jeová: “Se puseres a sua alma como oferta pela culpa, ele verá a sua descendência.” (Isaías 53:10) Cristo não obtém descendência pelo método natural. Mas, como o “Pai Eterno”, produz filhos com as suas próprias tendências, na maneira descrita por Isaías, porque Jeová ‘pôs a sua alma como oferta pela culpa’ para a humanidade. (Isaías 9:6) Precisamos ter em mente, porém, que Jesus Cristo, depois de os levar à perfeição humana, entrega a humanidade comprada e reabilitada a Jeová Deus, o “Pai, a quem toda família no céu e na terra deve o seu nome”. — Efésios 3:14, 15; 1 Coríntios 15:26, 28.
O RESGATE NEUTRALIZA O PECADO
23. Como se pode dizer que o resgate provido por meio de Jesus Cristo neutraliza o pecado?
23 Resumindo a questão, podemos dizer que o resgate provido por meio do Filho de Deus neutraliza o pecado de Adão. O pecado de Adão derrubou a todos. O resgate, naturalmente, não salva toda e qualquer alma humana, mas neutraliza os efeitos do pecado inerente em nós. Como? Toda alma que quiser ficar livre do pecado e da imperfeição pode conseguir que estes sejam apagados e que ela se torne totalmente limpa. Até mesmo os ressuscitados dentre os mortos terão a oportunidade de se aproveitar do resgate. (Atos 24:15) Os que não obterão a vida serão aqueles que não querem que Jeová os governe. Não amam a justiça, nem odeiam o que é contra a lei. Condenam a si mesmos, acrescentando o seu próprio pecado deliberado ao pecado que herdaram. — João 3:17-21, 36.
24. (a) No fim, haverá algo para mostrar alguma “realização” do ato rebelde de Adão? (b) Deixarão os esforços de Satanás algum vestígio duradouro no universo?
24 Portanto, o sacrifício expiatório de Cristo, administrado pelo governo de seu Reino, eliminará completamente aquilo que Adão fez. O último inimigo, a morte (a morte trazida à humanidade pelo pecado de Adão), será reduzida a nada. Quando a morte tiver sido eliminada, então não existirá mais nada de tudo o que Adão fez — tudo o que ele causou à raça humana. Não sobrará absolutamente nada para mostrar o pecado de Adão. (1 Coríntios 15:26, 55-57) E não sobrará nada para mostrar o pecado do Diabo, porque, conforme diz a Bíblia: “Com este objetivo foi manifestado o de Deus, a saber, para desfazer as obras do Diabo.” (1 João 3:8) Satanás terá completamente desperdiçado seu esforço e perdido a vida. A sombra lançada sobre o nome de Deus será totalmente apagada. O nome de Deus será plenamente vindicado, por toda a eternidade, e aqueles que querem Sua soberania existirão aqui, vivos, para o louvor dele. — Salmo 150.
25. Como deve nosso coração reagir quando vemos o que Deus tem feito para socorrer a humanidade?
25 Quanta benevolência de Deus! E quanto amor da parte do Senhor Jesus Cristo! Podemos dizer, junto com o apóstolo: “Ó profundidade das riquezas, e da sabedoria, e do conhecimento de Deus! Quão inescrutáveis são os seus julgamentos e além de pesquisa são os seus caminhos!” (Romanos 11:33) Não importa o que o mundo faça para causar dúvidas e atacar nossa fé, por termos verdadeiro apreço destas coisas, podemos exclamar: “Tal Deus merece plenamente nossa inteira devoção e serviço!’ — Veja Filipenses 3:8, 9.
[Foto na página 69]
Antes de acolher um jovem instável, estranho, como membro de sua casa, o chefe da casa desejaria que ele se arrumasse.
[Foto na página 74]
Nasceu, tendo o pecador Adão por pai . . .
[Foto na página 75]
. . . Mas pode escolher Jesus como seu “Pai Eterno”.
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Fonte e sustentador da vidaA Vida Tem Objetivo
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Capítulo 7
Fonte e sustentador da vida
1. Que perguntas surgem quando alguém pensa em tomar a Jeová por seu Deus?
SERÁ que Jeová Deus, depois de ter provido o meio para homens e mulheres ficarem livres do pecado e da imperfeição, poderá depois mantê-los vivos? Há alguma garantia real de que aquele que toma a Jeová por seu Deus possa levar uma vida infindável com saúde e felicidade?
2. Será que Deus, que criou o universo, também tem a capacidade de mantê-lo funcionando para sempre?
2 Em vista da capacidade criativa de Deus, ele certamente deve ter a capacidade de sustentar a própria terra. Se fosse necessário, poderia constantemente renovar a energia do sol. Quanto à terra, ele a tornou uma “nave espacial” auto-sustentadora, “reciclando” seus refugos e sempre renovando sua face. As florestas e os rios, deixados entregues a si mesmos, em pouco tempo se renovam e apagam quaisquer danos causados pelas obras ruinosas do homem.
3, 4. (a) É a idéia de que os homens podem viver para sempre refutada pelas palavras do Rei Salomão em Eclesiastes 1:4? Explique isso. (b) Como mostra a conclusão de Salomão, junto com as palavras de Jesus, que nossa vida, mesmo neste mundo calamitoso não precisa ser vã ou sem esperança?
3 Que dizer dos homens na terra? O Rei Salomão, grande observador da vida, declarou: “Uma geração vai e outra geração vem, mas a terra permanece por tempo indefinido.” (Eclesiastes 1:4; 1 Coríntios 7:31) Salomão não estava dizendo que seria sempre assim com as gerações humanas. Ele estava falando sobre a vaidade da vida, assim como ela é no atual sistema de coisas, em que “reina” a morte. Se ler o livro de Eclesiastes, notará que Salomão estava dando conselho sábio sobre a vida durante este tempo. Dizia basicamente que não devemos depositar nossa esperança no atual sistema mundial, nas suas coisas materiais e no seu proceder.
4 Depois de descrever a atual condição da humanidade, Salomão relatou o resultado de sua investigação, dizendo: “A conclusão do assunto, tudo tendo sido ouvido, é: Teme o verdadeiro Deus e guarda os seus mandamentos. Pois esta é toda a obrigação do homem.” (Eclesiastes 12:13) E Jesus, maior do que Salomão, explicou: “Isto significa vida eterna, que absorvam conhecimento de ti, o único Deus verdadeiro, e daquele que enviaste, Jesus Cristo.” — João 17:3.
5, 6. (a) Por que é possível que alguém viva para sempre? (b) O que há na constituição humana que prova a existência dum Criador vivente que tem um bom propósito para conosco?
5 Não será excelente quando puder associar-se com queridos amigos e parentes, sabendo que não terá de suportar a tristeza de perdê-los? É possível isso?
6 Não é somente possível — é inteiramente certo, porque “Jeová é verdadeiramente Deus. Ele é o Deus vivente e o Rei por tempo indefinido”. (Jeremias 10:10) Moisés, em oração, falou sobre a existência eterna de Deus, dizendo: “De tempo indefinido a tempo indefinido, tu és Deus.” (Salmo 90:2) Uma vez que Deus vive para sempre, ele pode iniciar a vida e mantê-la funcionando para sempre. A existência da humanidade, com as qualidades da imaginação, do apreço pela beleza, da benignidade, do amor e de outras emoções, prova que o homem tem um Criador vivente e que Este tem um bom propósito para com a humanidade. A emoção não teria nenhum lugar num mundo operado pelo acaso ou por forças cegas. Não, a vida precisa ter uma fonte vivente.
A “VIDA ESPONTÂNEA” É UMA FALÁCIA
7, 8. Como provou Luís Pasteur que a vida não pode surgir por si mesma, de matéria inanimada?
7 Em 1864, Luís Pasteur, o famoso cientista a quem a medicina e a cirurgia devem muito, disse numa conferência na Sorbonne, famosa universidade parisiense:
8 “Cavalheiros, eu apontaria para aquele líquido [estéril] e lhes diria: Tirei minha gota de água da imensidão da criação e a tirei cheia dos elementos próprios para o desenvolvimento dos seres inferiores. E espero, vigio, questiono-a, rogo-lhe recomeçar para mim o belo espetáculo da primeira criação. Mas, está muda — muda desde que estas experiências foram começadas, há vários anos; está muda porque eu a mantive afastada da única coisa que o homem não pode produzir — dos germes que se alimentam no ar — da vida, porque a vida é um germe e o germe é vida. A doutrina da geração espontânea nunca se restabelecerá do golpe mortal desta simples experiência.”
9. Como mostram hoje cientistas e outras pessoas práticas que eles têm fé na descoberta de Pasteur?
9 Esta declaração foi feita há mais de cem anos atrás, e ainda é verídica hoje em dia. Os cientistas nunca puderam fazer com que a vida surgisse espontaneamente, de matéria que já não vivia. De fato, médicos, dentistas, cirurgiões e cientistas confiam na experiência de Pasteur — têm fé nela. Esterilizam seus hospitais e seus instrumentos cirúrgicos; pasteurizam o leite e esterilizam a água, a fim de que não haja germes que possam causar infeções ou estragos. Que adiantaria tal processo, se a vida pudesse originar-se num ambiente estéril? Quanto tempo continuaria o mundo a gastar milhões de cruzeiros com este processo, se fosse achado ineficaz e falível?
10. (a) Como nos indica a Bíblia a fonte da vida? (b) O que faz aquele que pergunta: ‘Quem criou Deus?’
10 Por conseguinte, toda a evidência indica uma fonte da vida, que em si mesma vive. A Bíblia diz a respeito de Jeová Deus: “Contigo está a fonte da vida.” (Salmo 36:9) Alguém talvez pergunte: ‘Se precisa haver vida para gerar vida, então quem criou a Deus?’ Mas, isto significa apenas protelar a resposta ainda mais — uma forma de esquivar-se de encarar a questão. Tais pessoas, de modo incoerente, não parecem ter nenhuma dificuldade em crer que a matéria inanimada sempre tenha existido.
UM CRIADOR INFINITO
11, 12. O que nos demonstra a verdade de que não podemos esperar entender tudo sobre o nosso majestoso Criador? (Isaías 40:18, 22)
11 Certamente, não poderíamos esperar que o Criador do vasto universo fosse cabalmente entendido pelas suas criaturas. (Romanos 11:34) Não obstante, na ciência e na matemática existe pelo menos o conceito do “infinito”. Podemos imaginar o espaço infinito, e tanto quanto os astrônomos podem dizer, o universo pode ser infinito, ilimitado. Quanto mais os seus telescópios os habilitam a enxergar, tanto mais numerosas são as galáxias que vêem.
12 Daí, indo na outra direção, para o infinitesimamente pequeno, os físicos ainda não conseguiram encontrar a partícula derradeira. Quando o átomo foi descoberto, parecia ser simples: o átomo era a partícula indivisível, pensavam os cientistas. As experiências com o átomo, porém, mostraram que sua teoria era uma falácia. A lista de partículas ou supostas partículas que constituem o átomo já ficou bastante comprida, e ainda não está no fim.
13. Se aceitarmos as palavras de Deus em Deuteronômio 32:40, o que podemos crer a respeito de nossa própria existência?
13 Não podemos, então, conceber um Deus que não teve princípio — que sempre existiu? Isso é o que ele declara sobre si mesmo. (Deuteronômio 32:40; Romanos 16:26) Se aceitarmos esta afirmação de Deus, podemos crer que ele é capaz de infundir vida naqueles que lhe obedecem e de sustentar esta vida para sempre.
CICLOS DA TERRA EM BENEFÍCIO DO HOMEM
14. Quando vemos em volta de nós a deterioração e a morte, que pergunta surge naturalmente sobre a nossa própria vida?
14 Alguns perguntam: ‘Que dizer do fato de que todas as coisas vivas tendem a deteriorar, que as células e os tecidos se decompõem, de modo que começa a velhice, culminando na morte? Não continuaria isso para sempre, com a vida humana?’ Vejamos.
15. Qual seria a situação da terra se nada se decompusesse, fragmentasse ou mudasse de composição?
15 Todas as coisas físicas, na terra, tendem a decompor-se com a idade. Rochas fragmentam-se. Madeira decompõe-se. Imagine, porém, como seria a situação se não houvesse o efeito do tempo sobre as rochas, a madeira e outro material, e se não houvesse decomposição da matéria orgânica. Isto significaria que a terra era estéril. Poucas ou nenhumas reações químicas ocorreriam. Nosso sistema digestivo não funcionaria corretamente, porque opera por meio de reações químicas e bacteriológicas, decompondo e transformando a composição dos alimentos. Far-se-ia pouco trabalho, porque poucas coisas poderiam ser alteradas na sua estrutura. Até mesmo agora, certos plásticos que não se decompõem facilmente causam um problema na eliminação do lixo.
16. (a) Que mudanças na matéria são essenciais para haver vida na terra? (b) Em que sentido é o homem diferente dos animais, no que se refere ao motivo de os humanos morrerem?
16 Então, para que a vida terrena continue, precisa haver transformações na matéria orgânica e inorgânica. Os ciclos de nascimento e morte foram originalmente intencionados para toda coisa vivente na terra, com exceção da humanidade. Por que eximir a humanidade? Porque o homem foi feito à imagem e à semelhança de Deus. Apenas os humanos podem ser chamados “filhos” e “filhas” de Deus, não os animais. Não foi dos animais, mas sim do homem, que se disse que ‘a morte entrou por intermédio do pecado’. — Gênesis 1:27; Romanos 5:12.
17, 18. Quais são alguns dos ciclos essenciais para a continuação da vida na terra?
17 Considere alguns destes ciclos. Existe a vida vegetal que provê alimento para toda a vida animal, e, de fato, é a base de toda a vida terrena. As plantas podem fazer algo que os animais não podem — podem produzir seu próprio alimento pelo uso da luz solar. Este processo é chamado de “fotossíntese”. A vida animal, portanto, depende da vida vegetal. As plantas precisam crescer, suprir alimentos e morrer. Daí, através da maravilha da germinação das sementes, produz-se outra safra.
18 No mar, a “cadeia de alimentos” mantém a vida em vários níveis; o pequeníssimo fitoplancto vegetal é alimento para o zooplancto animal, o qual, por sua vez, alimenta os peixes maiores, inclusive alguns dos que servem de alimento para o homem. Daí, a ação bacteriana converte matéria morta em alimento para o fitoplancto, e o ciclo começa outra vez.
19, 20. Explique como o homem poderia continuar a viver para sempre, embora células e tecidos se decomponham.
19 No processo, os animais individuais morrem, sendo substituídos pela sua cria, preservando assim a espécie. Então, que esperança há duma continuada existência humana, individual? Há neste respeito qualquer diferença entre o homem e os animais?
20 Sim, há. Pois, embora as células e os tecidos nos corpos vivos se desgastem e algumas células morram, a vida tende a inverter este processo de “decomposição”. As coisas vivas produzem compostos altamente organizados e complexos, daqueles que são mais simples. Se fosse possível manter a força de vida operando em plena eficiência, os tecidos gastos seriam continuamente substituídos ou consertados. A velhice nem começaria e a pessoa nunca morreria. Apenas o Criador pode realizar isso nos homens. Ele promete vida eterna a homens e mulheres obedientes. Todos os ciclos da terra — entre eles o do nascimento e da morte das plantas e dos animais — na realidade foram providenciados primariamente para o derradeiro benefício da humanidade.
21. (a) Que evidência temos de que, mesmo com imperfeição, a vida humana antigamente era muito mais longa do que em nosso tempo? (b) Por que é nossa vida mais curta agora do que nos primeiros períodos da história da humanidade?
21 O registro bíblico revela que os homens foram feitos para viver muito mais do que os animais. Entre os primeiros descendentes de Adão, mais próximos da perfeição, houve quem vivesse tantos quantos 969 anos. Isto ilustra que a substituição das células continuou durante todos aqueles anos e que as células do sistema nervoso central (das quais os cientistas dizem que podem ser consertadas, mas não substituídas) foram mantidas em estado salutar durante séculos de vida. (Gênesis 5:27; veja também os versículos Gên. 5-31; 9:29.) As atuais gerações de vida curta, naturalmente, estão muito longe daquele tempo, tendo-se multiplicado o pecado e a imperfeição durante os milhares de anos desde então. A raça humana degenerou, mas Deus pode infundir poder naqueles que recorrem a ele, a fim de viverem por tempo indefinido. — Isaías 40:29-31.
“O PÃO DA VIDA”
22, 23. (a) Por que morrem os animais? (b) Como foram os humanos constituídos por Deus com um organismo muito superior? (c) Dentre todas as criaturas da terra, que qualidade exclusiva possuem os humanos? (d) O que se exige, da parte do homem, a fim de que ele continue a viver por tempo indefinido?
22 Ora, muito antes de aparecer o homem na terra, os animais já morriam, conforme atestado pela descoberta de fósseis. Foram criados com uma duração limitada de vida. Mas a humanidade, embora constituída dos mesmos elementos, foi criada numa natureza muito mais excelente, de ordem superior.
23 Foi a respeito dos humanos, não dos animais, que se disse que Deus ‘pôs tempo indefinido no seu coração’. (Eclesiastes 3:11) Só os humanos têm senso do passado e do futuro. Apenas os humanos são capazes de ter espiritualidade, quer dizer, de assimilar conhecimento de Deus e compartilhar de Suas qualidades espirituais e da Sua excelência moral. (Hebreus 12:9) Visto que Deus proveu à humanidade esta capacidade espiritual, ela precisa ser usada e satisfeita, para o homem funcionar corretamente — para continuar vivo. Jesus disse: “Felizes os cônscios de sua necessidade espiritual.” — Mateus 5:3.
24. Como explicou Jesus, o homem perfeito, o que sustentava a sua vida?
24 Jesus Cristo, embora fosse homem perfeito na terra, dependia de Deus para manter a vida. Ele disse: “Meu alimento é eu fazer a vontade daquele que me enviou e terminar a sua obra [i. e., a de Deus].” Disse mais: “Vivo por causa do Pai.” (João 4:34; 6:57) Falou sobre si mesmo, dizendo: “Eu sou o pão da vida. Vossos antepassados comeram o maná no ermo, e, não obstante, morreram. . . . Se alguém comer deste pão, viverá para sempre.” — João 6:48-51.
25. O que queria dizer Jesus com as palavras em João 6:48-51?
25 Naturalmente, Jesus Cristo não queria dizer que os homens comeriam seu corpo literal de carne. Mas, por se exercer fé no sacrifício expiatório de Cristo e por se “comer” o alimento espiritual provido por Deus mediante Cristo, pode-se viver para sempre. Quando? Na “nova terra”, sob o Reinado de Cristo. Este, como Sumo Sacerdote, junto com seus reis e subsacerdotes associados,a aplicará então plenamente seu sacrifício expiatório aos obedientes na terra. Em resultado disso, os corpos deles serão sarados. Daí, continuando a fazer a vontade de Deus, viverão para sempre. — João 3:16.
26. (a) É razoável supor que Deus deixaria seu Filho sofrer e morrer, para que as pessoas pudessem viver melhor apenas temporariamente? (b) Que oferta, e em que termos, faz Jeová a todas as pessoas?
26 Jeová enviou seu Filho unigênito à terra com o maior custo para si mesmo. Nunca deixaria seu Filho sofrer e morrer, a fim de prover uma vida melhor, apenas para um curto período de tempo. Ele diz a todos: “Desvia-te do que é mau e faze o que é bom, e reside assim por tempo indefinido. Porque Jeová ama a justiça e ele não abandonará aqueles que lhe são leais. Hão de ser guardados por tempo indefinido.” (Salmo 37:27, 28) Sim, Jeová é a sustentadora Fonte da vida e o grandioso Guardião da vida para sempre, para todos os que continuarem obedientes a ele.
[Nota(s) de rodapé]
a Veja os Capítulos 12 e 15. Também, A Verdade Que Conduz à Vida Eterna, editado pela Watchtower Bible and Tract Society of New York, Inc., Nova Iorque, E. U. A., e distribuído pela Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados, Rua Guaíra 216, 04142 São Paulo, SP, Brasil.
[Diagrama/Foto na página 82]
(Para o texto formatado, veja a publicação)
CICLO DO OXIGÊNIO
As plantas absorvem gás carbônico e desprendem oxigênio.
Os animais e os homens inalam o oxigênio e exalam gás carbônico.
[Diagrama/Foto na página 83]
(Para o texto formatado, veja a publicação)
CICLO DO NITROGÊNIO
Os raios combinam o nitrogênio com o oxigênio. A chuva os precipita para a terra.
As plantas verdes fornecem alimentos para os animais e para os homens.
As bactérias agem nas plantas em decomposição e no esterco animal, desprendendo o nitrogênio novamente para o ar. Outras bactérias produzem nutrientes para as plantas.
As bactérias absorvem do ar o nitrogênio para uso das plantas.
[Foto na página 80]
Os hospitais esterilizam os instrumentos cirúrgicos. Por quê? Porque a vida (bactérias que causam infecções) não se pode originar num ambiente estéril.
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Notáveis dádivas que revelam o Deus de amorA Vida Tem Objetivo
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Capítulo 8
Notáveis dádivas que revelam o Deus de amor
1, 2. Que perguntas talvez surjam na mente de alguém quando lê as declarações bíblicas no Salmo 25:8 e em Marcos 10:18?
COMO sabemos que Deus é bom? Por que não poderia o Deus Todo-Poderoso também ser mau ou pelo menos ter alguma maldade em si? Como sabemos que ele tem uma atitude e um propósito totalmente benevolentes para com a humanidade?
2 Estas são perguntas que poderão vir à mente de alguém, quando considera a declaração do salmista: ‘“Bom e reto é Jeová”, e as palavras de Jesus: “Ninguém é bom, exceto um só, Deus.” — Salmo 25:8; Marcos 10:18.
3-5. (a) Que qualidade se exigiria de Deus para ele ser bom? (b) Que duas coisas teria de prover para suas criaturas inteligentes? Por quê?
3 Para Deus ser bom, certamente deve ser um Deus que se importa com a sua criação, com cada parte dela. Primeiro, seria um Deus que fizesse arranjos para a subsistência dela.
4 Segundo, se Deus é bom, ele deve fornecer mais do que apenas as coisas físicas de que sua criação precisa apenas para ficar viva. Isto se daria em especial com a humanidade porque os homens querem mais da vida do que a mera existência. As criaturas inteligentes de Deus obviamente não foram feitas para levar uma vida insípida e monótona. Por isso, Deus tinha de providenciar a alimentação da mente por meio dos cinco sentidos. As pessoas usam estes sentidos para mais do que apenas continuar a viver. Têm capacidade de apreciar e usufruir seu ambiente. De fato, as pessoas costumam condoer-se de alguém que está privado de sua vista, da sua audição ou dos sensos do olfato e do paladar, porque ele perde os prazeres que dão sabor à vida.
5 O lar do homem, a terra, por conseguinte, deve possuir coisas que tornam a vida alegre. É isto o que os fatos mostram?
COISAS QUE NOS DELEITAM
6, 7. De que modo são as árvores frutíferas evidência da bondade de Deus?
6 Tome o milagre da árvore frutífera. Essas árvores são verdadeiras “fábricas” de frutas. Seus ramos carregam uma safra espantosa de seus produtos nutritivos. E estas “fábricas” de frutas operam de modo quieto e sem poluição, nem fumaça, radiação ou perturbação. Enquanto produzem alimentos, são ao mesmo tempo um deleite para os olhos. É um prazer andar passeando por um pomar. As árvores fornecem sombra fresca, bem como frescor para o ar, emanando oxigênio e umidade fragrância estimulante.
7 Além disso, suas frutas são mais do que mero sustento. São deliciosas, um prazer para comer assim como todos os alimentos providos por Deus. Que homem poderia conceber ou inventar o sabor dum pêssego, duma laranja, duma cereja, duma maçã, duma banana ou duma manga? No melhor dos casos, o homem pode produzir apenas fracas imitações.
8, 9. Como pode a música ser senão uma dádiva especial da parte dum Deus benevolente?
8 A música é outra dádiva maravilhosa. Pode acalmar o ânimo. Pode soerguer a pessoa às alturas do êxtase. Pode induzir à meditação sóbria ou séria. Pode incitar à ação. Certas melodias fazem lembrar lugares e acontecimentos agradáveis.
9 Quem pode explicar exatamente por que a música tem tal efeito acentuado sobre a mente e o coração do homem? Que nós somos capazes de reagir à música, que temos um senso inerente de ritmo e diferenciação de sons, para podermos usufruí-los, é realmente uma dádiva integrante colocada no nosso corpo por um Criador que aprecia as coisas belas. Além disso, os que têm talento de produzir boa música — quanto prazer derivam desta dádiva de Deus, podendo entreter seu próximo!
10. Dir-se-ia que a conversação é uma dádiva dum Deus que fez a humanidade ‘à sua semelhança’? Explique isso.
10 A capacidade de manter uma conversação é uma das dádivas mais deleitosas. Quão terrível seria se não nos pudéssemos comunicar ou se tivéssemos apenas linguagem escrita ou de sinais, ou grunhidos e rugidos. A mente humana pode expressar-se e obter reação maior na conversação do que, por exemplo, na página impressa. No entanto, a leitura e a escrita são dádivas que também são motivo de prazer.
11. Quais são algumas das outras dádivas que não são essenciais meramente para se viver, mas são muito valiosas para nosso usufruto da vida?
11 Depois há a deslumbrante demonstração de cores em toda a criação: A bela e infindável variedade de flores, os maravilhosos pores-do-sol, que nenhum artista pode duplicar, além de inúmeras outras coisas lindas na terra, na maior variedade. Estas centenas de deleites são dádivas amorosas, que nos foram concedidas bondosamente para o mais agradável uso dos sentidos.
12. O que podemos responder àqueles que, duvidando de que haja um Criador, dizem que as coisas de que gostamos têm realmente apenas objetivo funcional?
12 Ainda assim, alguns dos que duvidam da criação talvez levantem objeções. Podem dizer, por exemplo, que a fragrância e a cor das flores tem apenas o objetivo de preencher uma necessidade, porque atraem os insetos que polinizam as plantas. Sem dúvida, isto é parcelarmente verdade. Mas, se este for o único motivo da existência destas notáveis dádivas, por que é que também são motivo de prazer para os homens? Por que promovem em nós paz mental e a sensação de bem-estar? E quem pode mencionar um motivo puramente funcional para os belos pores-do-sol? Quem pode dizer que a música é essencial para manter a existência, e não uma dádiva que causa prazer?
13. O que podemos dizer sobre o fato de muitas das coisas funcionais também serem motivo de deleite?
13 O fato de que muitas coisas funcionais na vida são ao mesmo tempo fonte de grande conforto e prazer recomenda a espantosa economia de Deus, sua sabedoria diversificada e seu amor às suas criaturas.
DÁDIVAS QUE TALVEZ DEIXEMOS DE APRECIAR
14. Como estamos erroneamente inclinados a encarar as coisas que não nos dão prazer?
14 Às vezes encaramos as coisas que não nos parecem belas como não merecendo nenhum a consideração. Isto se dá em especial com os insetos, que estamos inclinados a considerar como “pragas”. Mas, nisto o Criador fez novamente algo de excelente para nós. Algumas das mesmíssimas coisas que desprezamos são na realidade uma provisão que nos poupa infindáveis horas de estafa, de modo que podemos ter tempo para usufruir as coisas melhores.
15. Que serviço excelente realiza para nós a humilde minhoca?
15 Por exemplo, considere as minhocas. Estas pequenas criaturas são absolutamente inofensivas. Às vezes ascendem a mais de cinco milhões em um único hectare de solo. Trabalham incessantemente. Movem aproximadamente de 14 a 39 toneladas de solo por hectare, cada ano, penetrando até quase dois metros e meio de profundidade. Seu corpo digere a matéria orgânica do solo, provendo uma fonte rica de cálcio, magnésio, potássio, fósforo e nitratos, essenciais para o desenvolvimento sadio das plantas. Ajudam a manter o equilíbrio alcalino e ácido do solo. Sua atividade perfuradora produz ventilação e irrigação do solo, e reduz a putrefação. Arrastam consigo folhas e outra vegetação para dentro do solo, em enriquecimento deste.
16. De que modo tornam as minhocas e os insetos os homens livres para usufruírem a vida?
16 Ora, se não houvesse as minhocas, caberia ao homem realizar todo este trabalho. Mas, não seria possível que o lavrador, trabalhando dia e noite, preparasse sua terra para as safras, assim como fazem as minhocas. E o custo seria muito superior ao que o lavrador poderia pagar. Portanto, assim como as árvores frutíferas e a vegetação produzem para a humanidade, com pouco ou nenhum esforço da parte dela, assim o fazem as minhocas. Além disso, há o grande exército dos insetos, realizando muitas tarefas enfadonhas e monótonas, deixando o homem livre para empenhos mais intelectuais e mais agradáveis.
17, 18. Até que ponto trabalham os insetos para o bem da humanidade?
17 Sobre os serviços que os insetos prestam à humanidade, Carl D. Duncan, Professor de Entomologia e Botânica, da Faculdade Estadual de San José (E. U. A.), disse:
18 “Não é demais dizer que os insetos determinam o caráter do mundo do homem num alcance muito maior do que ele mesmo, e que, se de repente desaparecessem completamente, o mundo ficaria mudado de modo tão extensivo, que é extremamente duvidoso que o homem pudesse manter qualquer espécie de sociedade organizada.”
QUE DIZER DAS “PRAGAS”?
19, 20. (a) Realmente, qual tem sido um dos principais fatores em criar o problema das “pragas”? (b) Que processo natural produz dificuldade adicional com a matança de certos animais, insetos e bactérias de moléstias?
19 O Professor Duncan citou também outro cientista, o Dr. Frank Lutz, como tendo calculado que não mais de meio por cento de todos os insetos nos Estados Unidos podem ser classificados como “praga”.
20 Na consideração dos problemas das “pragas”, é preciso reconhecer que o homem tem causado um desequilíbrio. Sua imundície e poluição têm desempenhado um papel na perturbação da ecologia. Às vezes, quando o homem extermina certos insetos ou animais, isso causa aumento anormal dos outros. Daí, os empenhos de controlar tal aumento por meio de venenos resultam na matança da maioria, mas deixando os resistentes aos venenos, dentre eles, para se multiplicarem e “tomarem conta” da proliferação. Isto constitui um problema ainda maior, tal como o chamado “super-rato”, que pode ser morto apenas com venenos muito fortes e perigosos. Problemas similares foram encontrados com certos insetos e bactérias de moléstias.
21. Por que é que tais “pragas” amiúde invadem o domínio do homem?
21 Quando as chamadas “pragas” aumentam de modo anormal, abandonam seu próprio meio ambiente e passam para o domínio pessoal do homem. Invadem e destroem os suprimentos de alimentos do homem e sujam sua propriedade. Difundem doenças, usualmente não por conta própria, mas por transportarem organismos infecciosos procedentes do lixo e do esgoto. Isto se torna especialmente evidente nas grandes cidades, onde montões de lixo largado ao acaso atraem moscas, bem como ratos, e agora os “super-ratos”, e causam a sua multiplicação.
22. De que modo trazem até mesmo as “pragas” algum benefício?
22 No entanto, mesmo estas criaturas inferiores prestam serviço por se tornarem “pragas”. Não só eliminam parte do lixo, mas a sua presença obriga o homem a agir, a fim de manter seu meio ambiente mais limpo, para que não haja “pragas” para tornar-lhe a vida miserável. Desta maneira, há certo freio para o descuido do homem, sua preguiça e sua falta de limpeza.
23. Que bem têm feito à humanidade os animais, alguns dos quais são encarados como “pragas”?
23 A “turma de saneamento” da natureza, constituída por insetos, microrganismos e animais maiores, tem feito outras coisas que o homem nunca poderia ter realizado. Estes varredores limpam o terreno das florestas dos restos de galhos e árvores mortas. Eliminam a carniça dos animais mortos. Impedem assim muitos devastadores incêndios florestais, e muita poluição e doença.
POR QUE PODEMOS SER FELIZES, A DESPEITO DOS MOTIVOS PARA PESAR
24. De que maneira são as muitas dádivas que acabamos de considerar uma evidência de que Deus é feliz e quer que nós sejamos felizes?
24 Todas estas dádivas de Deus, e muitas outras, numerosas demais para alistar, aliviam o fardo do homem. Protegem-no também contra doenças e dão-lhe prazer. Portanto, são evidência de que Deus deveras é bom e por este motivo o “Deus feliz”. (1 Timóteo 1:11) Deus gosta da vida, e seu objetivo na criação é compartilhar esta alegria com outros. (Revelação [Apocalipse] 4:11) Mas, podemos realmente ser felizes no atual sistema de coisas, usufruindo a vida que temos?
25, 26. Cite um exemplo de tristeza que na maior parte pode ser vencida por termos conhecimento dos propósitos de Deus.
25 Neste transtornado sistema de coisas, de vez em quando temos tristeza. Mas, quando entendemos os bons propósitos de Deus para conosco, podemos ser felizes, em sentido geral.
26 Por exemplo, pode haver um falecimento na família. Isto causa deveras tristeza, porque a morte é inimiga. (1 Coríntios 15:26) Mas aqueles que crêem em Deus e na sua bondade não serão vencidos pelo pesar. Sobre este ponto, o apóstolo Paulo escreveu: “Irmãos, não queremos que sejais ignorantes no que se refere aos que estão dormindo na morte, para que não estejais pesarosos como os demais que não têm esperança.” Daí, Paulo falou consoladoramente sobre a ressurreição. — 1 Tessalonicenses 4:13.
27. Qual é nosso maior exemplo de alguém que continuou feliz sob circunstâncias aflitivas?
27 Todavia, podemos ter a tendência de deixar que a tristeza destrua completamente nossa felicidade. Neste respeito, porém, Jeová Deus nos dá o maior exemplo. Pense na maior expressão de sua bondade, quando enviou seu Filho à terra, como homem, a fim de que morresse por nós. Isto foi algo muito além do normal. Foi inteiramente uma benignidade imerecida da parte de Jeová. O apóstolo traz à nossa atenção o alcance deste ato amoroso, dizendo: “Deus recomenda a nós o seu próprio amor, por Cristo ter morrido por nós enquanto éramos ainda pecadores.” (Romanos 5:8) Acha que isto não causou pesar a Deus? O que pode ser mais aflitivo para um pai do que ver seu próprio filho amado morrer? Contudo, Deus derivou também a maior felicidade, ao observar a obediência e fidelidade de seu filho, e a disposição dele de morrer a favor da humanidade Deus sentiu-se também feliz ao ver os benefícios que este sacrifício traria a nós, apesar da aflição que isto causou a Ele e ao seu Filho. (Isaías 53:10, 12) Deveras, a dádiva que Deus fez de seu próprio Filho é a maior de todas as expressões de amor!
28. São os sentimentos de Jeová Deus afetados pela condição má da humanidade, por causa do pecado?
28 E já pensou na tristeza para o coração de Jeová quando ele vê a humanidade, sua criação, em aflição por ter rejeitado as suas leis e desobedecido a elas? Quando os homens fizeram o mal e trouxeram grande aflição sobre si mesmos e sobre os servos de Deus entre eles, Deus “sentiu-se magoado no coração”. — Gênesis 6:6.
JESUS, EXEMPLO DE FELICIDADE POR MEIO DE SOFRIMENTO
29. Que espécie de experiência teve Jesus durante a sua vida na terra?
29 Jesus Cristo, quando na terra, refletia perfeitamente a personalidade e o modo de agir de seu Pai. Jesus disse: “Quem me tem visto, tem visto também o Pai.” (João 14:9) Portanto, os homens não precisam ver a Deus com seus olhos literais, a fim de entendê-lo. Tinha Jesus momentos de tristeza? Falou-se dele profeticamente como sendo “homem de dores” e “foi desprezado e não o tivemos em conta”. Não obstante, estava feliz com o que realizava. A mesma profecia diz: “Por causa da desgraça da sua alma, ele verá, ficará satisfeito . . . trará uma posição justa a muita gente.” — Isaías 53:3, 11.
30. O que entristeceu especialmente a Jesus?
30 Jesus ficou muitas vezes triste, porque o povo de Israel, que devia ter conhecido a Deus, estava alienado de Deus por causa de tradições religiosas, inventadas pelos homens. Ficou “contristado com a insensibilidade dos seus corações”. (Marcos 3:5) Tinha dó das multidões, porque “andavam esfoladas e empurradas dum lado para outro como ovelhas sem pastor”. (Mateus 9:36) Isto, sem dúvida, lhe causava tristeza. Quando se dirigiu ao túmulo de seu amigo Lázaro, há pouco falecido, ‘Jesus entregou-se ao choro’. — João 11:35.
31. Como mostrou Jesus, apesar de muitas coisas tristes, que ele nunca perdeu a sua alegria?
31 Portanto, assim como acontece conosco, Jesus teve momentos de tristeza. Mas permitiu que isto lhe destruísse a felicidade de saber que fazia a obra de seu Pai? Não se alegrava com os discípulos, que ele havia instruído, e com os quais se associava por três anos? Não há nenhuma evidência de que andasse acabrunhado, com um espírito negativo para com eles ou na presença deles. Tampouco enfraqueceu ou vacilou na fé ou na ação. Sabia que “na sua mão o agrado de Jeová [seria] bem sucedido”, e que receberia de seu Pai “as chaves da morte e do Hades”, e que, com o tempo, ele desfaria assim todo o dano causado pelo pecado e pela morte. — Isaías 53:10; Revelação 1:18; 20:13.
32. (a) O que podemos concluir de nossa consideração das dádivas de Deus? (b) Como podemos nós, da nossa parte, alegrar a Deus? (Salmo 149:4)
32 Tudo isso nos fornece um vislumbre da bondade de Deus. Induz nosso coração a imitá-lo. E o maravilhoso em imitá-lo é que podemos sentir pesar, neste tempo, e ainda assim ser felizes. Outrossim, pela nossa obediência a ele, podemos alegrar o próprio Jeová. (Salmo 149:4; Provérbios 27:11) Podemos também saber que há uma vida vindoura, quando ‘não haverá mais pranto, nem clamor, nem dor’. — Revelação 21:4.
[Foto na página 89]
Deus nos proveu os lindos pores-do-sol, a fragrância das flores, o sabor dos alimentos e o prazer do som — tudo para aumentar o prazer da vida.
[Fotos na página 92]
As minhocas realizam tarefas que nenhum lavrador poderia igualar.
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A lei universal revela o objetivo da vidaA Vida Tem Objetivo
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Capítulo 9
A lei universal revela o objetivo da vida
1. Como costumam as pessoas encarar a leis?
TANTO jovens como idosos amiúde estão inclinados a encarar qualquer controle exercido sobre a sua vida como sendo indesejável. Mas, será que o ressentimento ou a resistência a qualquer regulamentação de nossas ações realmente leva à felicidade? Ou, em vez disso, pode nosso usufruto da liberdade pessoal realmente ser aumentado por nos sujeitarmos a certos regulamentos, agindo em harmonia voluntária com eles — especialmente com os estabelecidos por nosso Criador?
2. De que leis não podemos esquivar-nos? Contudo, de que modo são benéficas?
2 Os benefícios derivados das leis, para nosso usufruto da vida podem ser vistos em certas forças orientadoras ou obrigatórias no universo amiúde chamadas de “leis”. Uma destas é a lei gravidade. Tais leis, que governam as coisas físicas, são inevitáveis. Não podemos desconsiderá-las, nem anulá-las. Não podemos violá-las com impunidade. A penalidade pela violação de tais leis costuma ser executada imediatamente, como quando, por exemplo, alguém pula dum edifício alto.
3. De que proveito é para nós que as leis físicas são estáveis e de confiança?
3 As leis físicas são também constantes e estáveis. Se não pudéssemos predizer como agiriam dia após dia, faríamos muito pouco trabalho. Se não pudéssemos contar com o nascer do sol, cada dia, ou confiar em que as estações se sigam uma após a outra, em certa ordem, poderíamos perder o juízo. Sem a constância das leis naturais, a vida seria extremamente difícil.
4. Apresente um exemplo duma substância regida por leis estritas e mostre como isso nos beneficia.
4 Por exemplo, tome algumas substâncias que conhecemos bem na vida diária. Considere o oxigênio, um gás que temos de respirar para viver. No seu estado normal, é indispensável para a vida humana e animal. Mas, três átomos de oxigênio combinados constituem o ozônio, que é venenoso. Entretanto, requer condições especiais para produzir ozônio na atmosfera. Isto não acontece acidentalmente, nem a qualquer hora ou em qualquer lugar. A ação dos átomos de oxigênio, como em todas as substâncias, é governada por leis estritas, que impedem tais mudanças acidentais. Por isso, não tememos cada inalação de ar, preocupados com que nosso oxigênio se possa transformar em ozônio.
5. O que nos revela sobre o Criador a existência das leis físicas?
5 Onde há lei em vigor, precisa haver ordem. A Lei não é uma ocorrência casual, passageira, mas tem relação com o que é contínuo e constante. E quando observamos a existência de tal estabilidade nas leis que governam as coisas físicas, sabemos que há um objetivo nelas. Isto nos ajuda a reconhecer que o Criador tem um propósito em tudo. Deus também teria de manter estas leis e estar pessoalmente envolvido em sustentá-las. Não poderia ser alguém que está “longe” ou que realmente não se importa com o seu universo. — Atos 17:27.
6. (a) Explique de que modo os cientistas realmente têm fé nas leis físicas que governam o universo. (b) Seu conhecimento da fidedignidade destas leis devia induzir fé em que coisa maior?
6 As leis universais merecem plena confiança. Quando os astronautas foram à lua, confiaram nas leis que governam a gravitação e na velocidade e cronometragem exatas da terra e da lua, nas suas órbitas. Sabiam que estas leis operariam de modo fidedigno e com precisão. O mínimo desvio que houvesse significaria que os astronautas seriam lançados para sempre no espaço sideral. Eles dependiam também dos princípios da radiotransmissão e de uma série de outras leis. Tinham confiança — na realidade, fé — na certeza destas leis. Realmente, apostavam sua vida nesta fé. Seu bom êxito é notável testemunho a favor da lei universal. Não nos indica o fato de que os corpos celestes continuam a locomover-se ordeiramente e no tempo exato, sem confusão ou colisão, que seu Legislador os mantém de propósito? — Isaías 40:26.
O OBJETIVO MANIFESTO NA LEI DA PROCRIAÇÃO
7. É possível ver qualidades invisíveis por se observarem as leis físicas? (Romanos 1:20)
7 A bondade e a sabedoria são evidentes nas leis físicas e no modo em que operam nas coisas vivas. A bondade só se pode derivar dum objetivo inteligente. Um exemplo muito impressionante disso é observado na lei da procriação, estabelecida por Deus. Em que sentido?
8, 9. (a) Como se evidencia a bondade na lei de Deus a respeito da procriação? (b) Este fato deve dar-nos fé em que promessa de Deus?
8 Adão e Eva surgiram no cenário terrestre há seis mil anos, segundo a história bíblica. Violaram a lei de Deus — pecaram, e transmitiram defeitos genéticos aos seus filhos. Estes defeitos multiplicaram-se nas sucessivas gerações. Cada geração tem aumentado estas imperfeições, sendo que multidões de pessoas têm feito tudo o que é imaginável, em prejuízo de seu corpo. Muitos tornaram-se beberrões, viciados em drogas e cheios de doenças por causa da imoralidade. Pensamentos maus, ódio e assassinato também têm tido seus efeitos prejudiciais.
9 Contudo, embora ninguém seja perfeito, a grande maioria dos bebês nascidos hoje estão em condições comparativamente sadias. Têm dois olhos, dois braços, duas pernas e possuem todas as faculdades, podendo levar o que chamamos vida “normal”. Em vista de todas as forças adversas que operam já por milênios na raça humana, isto é quase que milagroso — evidência do amor e do cuidado do Criador para com a humanidade, bem como da boa qualidade e firmeza de sua obra. Visto que ele providenciou com tanto cuidado a continuação da raça humana, embora esta tenha trazido condições más para si mesma, não devíamos crer nele, quando promete dar vida eterna, em condições perfeitas?
LEIS DE MORAL — VITAIS PARA UMA VIDA OBJETIVA
10. Que outras leis temos de tomar em consideração para obter pleno entendimento de Deus e de seu propósito?
10 Deus deu as suas criaturas inteligentes outra série de regulamentos: leis de moral. Estas refletem o propósito de Deus num grau ainda maior. De fato, muitas vezes há um propósito expressamente declarado em relação com as leis de moral de Deus. (Por exemplo, leia Deuteronômio 5:16, 33; Mateus 19:17; Salmo 19:7-11; 1 Timóteo 4:8.)
11. São as leis de moral mais mutáveis ou evitáveis do que as leis físicas?
11 As leis de moral são tão estáveis e tão certas no seu resultado, como as leis que governam as coisas inanimadas e irracionais. Quem viola as leis de moral não pode ‘safar-se com isso’. Estes regulamentos têm cumprimento tão certo como a lei da gravidade, embora a retribuição pela sua violação não seja sempre tão repentina.
12. O que diz a Bíblia sobre as leis de moral, de Deus, forçosamente serem postas a vigorar?
12 A Bíblia expressa do seguinte modo o princípio com respeito às leis de moral: “De Deus não se mofa. Pois, o que o homem semear, isso também ceifará; porque aquele que semeia visando a sua carne, ceifará da carne corrução, mas aquele que semeia visando o espírito, ceifará do espírito vida eterna.” — Gálatas 6:7, 8.
13, 14. Explique o que o apóstolo Paulo queria dizer quando falou sobre ‘semear visando a carne’ e ‘semear visando o espírito’.
13 Com “carne”, o apóstolo se referia aos desejos do imperfeito corpo carnal. (Efésios 2:3) Com “espírito”, ele queria dizer o espírito ou a força ativa de Deus, que serve para orientar Seus servos de modo sadio. Paulo ilustra a operação destas forças, em Gálatas 5:19-23:
14 “Ora, as obras da carne são manifestas, as quais são fornicação, impureza, conduta desenfreada, idolatria, prática de espiritismo, inimizades, rixa, ciúme, acessos de ira, contendas, divisões’ seitas, invejas, bebedeiras, festanças e coisas semelhantes a estas. . . . Por outro lado, os frutos do espírito são amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, brandura, autodomínio. Contra tais coisas não há lei.”
A RECOMPENSA POR SE ‘SEMEAR PARA A CARNE’
15, 16. Como mostra o apóstolo Paulo o resultado da violação das leis de moral, de Deus, para a humanidade em geral?
15 Como testemunho a favor da verdade de que não se pode desconsiderar as leis de moral, de Deus, o apóstolo Paulo traz à atenção o que a humanidade tem feito. Ele comenta que os homens têm tido plena oportunidade, por observarem as obras criativas de Deus, de procurar saber mais sobre ele e de servi-lo. Mas, na maior parte, eles o têm rejeitado e têm servido deuses de seu próprio feitio. Paulo prossegue:
16 “Portanto Deus, em harmonia com os desejos dos seus corações, entregou-os à impureza, para que os seus corpos fossem desonrados entre si . . . É por isso que Deus os entregou a ignominiosos apetites sexuais, pois tanto as suas fêmeas trocaram o uso natural de si mesmas por outro contrário à natureza, e, igualmente, até os varões abandonaram o uso natural da fêmea e ficaram violentamente inflamados na sua concupiscência de uns para com os outros, machos com machos, praticando o que é obsceno e recebendo em si mesmos a plena recompensa, que se devia ao seu erro.” — Romanos 1:24-27.
17, 18. Além das doenças físicas, que outras dificuldades se causou a humanidade por violar as leis de Deus?
17 Esta “recompensa” consistia em muitas doenças; especialmente doenças venéreas. Mas este desvio do que é direito resultou também em dificuldades mentais e em toda espécie de maldade. Apresentando mais pormenores da “recompensa”, Paulo continua, dizendo:
18 “E assim como não aprovaram reter Deus com um conhecimento exato, Deus entregou-os a um estado mental reprovado, para fazerem as coisas que não são próprias, já que estavam cheios de toda a injustiça, iniqüidade, cobiça, maldade, cheios de inveja, assassínio, rixa, fraude, disposição maldosa, sendo cochichadores, maldizentes, odiadores de Deus, insolentes, soberbos, pretensiosos, inventores de coisas prejudiciais, desobedientes aos pais, sem entendimento, pérfidos nos acordos, sem afeição natural, desapiedados.” — Romanos 1:28-31.
19, 20. Quais são algumas das condições existentes hoje na terra, que evidenciam que este atual sistema iníquo de coisas está perto do seu fim?
19 Tal ‘semear para a carne’ tem sido uma das principais causas da história triste da humanidade. No nosso tempo, porém, vemos as obras da carne causar aflição maior do que nunca, em escala mundial. Ódios raciais e nacionalistas, hipocrisia, imoralidade, desonestidade, vício das drogas, crime, vandalismo e terrorismo têm causado grande temor e infelicidade na terra. Segundo a Bíblia, tal violação ampla e flagrante das leis de moral, de Deus, é evidência de que este sistema de coisas está nos seus últimos dias. Lemos:
20 “Sabe, porém, isto, que nos últimos dias haverá tempos críticos, difíceis de manejar. Pois os homens serão amantes de si mesmos, amantes do dinheiro, pretensiosos, soberbos, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, desleais, sem afeição natural, não dispostos a acordos, caluniadores, sem autodomínio, ferozes, sem amor à bondade, traidores, teimosos, enfunados de orgulho, mais amantes de prazeres do que amantes de Deus tendo uma forma de devoção piedosa, mostrando-se porém, falsos para com o seu poder; e destes afasta-te.” — 2 Timóteo 3:1-5.
HIPOCRISIA RELIGIOSA
21. Que cumprimento das palavras do apóstolo, em 2 Timóteo 3:5, vemos hoje?
21 A última parte da declaração do apóstolo mostra que não deve causar surpresa ver hoje a forma mais repreensível de hipocrisia — haver os que afirmam ser servos de Deus, mas que se mostram falsos para com a sua afirmação. Embora tenham uma forma de devoção piedosa, esta é insincera. Eles não crêem que a piedade lhes traga as verdadeiras riquezas: espiritualidade, vida e paz. De fato, esta não é a espécie de lucro que querem. Sua “forma de devoção piedosa” é mera fachada, para que possam dar uma aparência “santa” a um proceder egoísta e imoral na vida. Conforme diz a Palavra de Deus: “Eles declaram publicamente que conhecem a Deus, mas repudiam-no pelas suas obras, porque são detestáveis, e desobedientes, e não aprovados para qualquer sorte de boa obra.” — Tito 1:16.
22. Quem foram os homens que causaram a Jesus as maiores dificuldades, quando ele estava na terra, e por que advertiu as pessoas contra seguirem as práticas deles?
22 Jesus Cristo teve dificuldades com tais homens, entre os líderes religiosos dos judeus. Ele lhes disse: “Hipócritas! Isaías profetizou aptamente a vosso respeito, quando disse: ‘Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está muito longe de mim. É em vão que persistem em adorar-me, porque ensinam por doutrinas os mandados de homens.” (Mateus 15:7-9) Advertiu as pessoas a cuidarem de não praticar sua justiça na frente dos homens, apenas para serem observadas por eles. Ele disse que os hipócritas realizavam seus atos de “misericórdia” nas sinagogas e nas ruas “para serem glorificados pelos homens”. — Mateus 6:1, 2.
23. Temos um equivalente daqueles homens religiosos em nosso tempo, quando se aproxima o julgamento?
23 Falando sobre o dia em que atuaria como juiz da humanidade, Jesus disse: “Muitos me dirão naquele dia: ‘Senhor, Senhor, não profetizamos em teu nome e não expulsamos demônios em teu nome, e não fizemos muitas obras poderosas em teu nome?’ Contudo, eu lhes confessarei então: Nunca vos conheci! Afastai-vos de mim, vós obreiros do que é contra a lei.” — Mateus 7:22, 23.
24. (a) Haverá alguma vez um tempo em que não se violarão mais as leis de Deus? (b) Que pessoas receberão um julgamento adverso e quem receberá misericórdia?
24 Em vista das palavras de Jesus, vemos que Jeová, o Legislador Universal, cuidará de que suas leis sejam cumpridas. Ele intenciona também trazer toda a criação inteligente em plena harmonia com as suas leis de moral, para não haver mais violações. Isto exigirá um julgamento adverso dos violadores persistentes e inconformáveis da lei. (1 Pedro 4:17, 18) Exigirá também consideração misericordiosa para com outros, que violaram leis de moral. (Salmo 103:8-10) Quem seriam estes? Aqueles que pecaram por ignorância, imperfeição e fraqueza. Existe também um espírito mundano, muito similar ao espírito de turba, que motiva as pessoas a violar as leis da honestidade e da boa moral. (Efésios 2:1-3) Aqueles que foram arrebatados por tal espírito talvez lamentem isso mais tarde e recebam misericórdia de Deus. — Lucas 19:8-10; Atos 7:57-60; 1 Coríntios 15:9.
25, 26. Por que é razoável e oportuno voltar a estar em harmonia com o Criador?
25 Podemos fiar-nos em tal tratamento justo, mas misericordioso? Sim, porque toda a estrutura da lei de Deus, tanto da física como da moral, tem realmente o objetivo final de beneficiar a humanidade, e não de condená-la.
26 Portanto, já não é tempo de os sinceros da terra recorrerem ao Legislador universal, para voltarem à harmonia com ele? A obediência às leis dele não é penosa, mas traz liberdade exatamente o inverso do que vemos hoje em dia. — 1 João 5:3; 2 Coríntios 3:17.
27. O que pode fazer aquele que ama a vida e a paz, para ter a paz e o favor de Deus?
27 Por conseguinte, todo aquele que ama a vida em paz e segurança deve tomar estas coisas a sério e fazer imediatamente ajustes na sua vida. Deve trazê-la o mais possível à harmonia com as leis de Deus. Jeová admoestou a nação de Israel: “Vinde, pois, e resolvamos as questões entre nós . . . Embora os vossos pecados se mostrem como escarlate, serão tornados brancos como a neve.” — Isaías 1:18.
28. Que perguntas importantes merecem agora nossa atenção?
28 Alguém talvez pergunte: ‘Mas, será que posso resolver as questões com Deus? Importar-se-á Jeová Deus comigo e lidará comigo como pessoa? Talvez eu seja ruim demais para ele me escutar.’ Se Deus está ou não está interessado em você, leitor, é o assunto de nosso exame no capítulo que segue.
[Foto na página 100]
Os astronautas que foram para a lua mostraram ter fé nas leis que governam a velocidade, a gravidade e as órbitas da terra e da lua.
[Foto na página 101]
Apesar de milhares de anos de imperfeição humana, as leis de Deus ainda fazem a maioria dos bebês, nascer normais.
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Será que Deus considera você importante?A Vida Tem Objetivo
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Capítulo 10
Será que Deus considera você importante?
1, 2. Como sabemos que Deus não encara as pessoas como simples massa “indistinta” de gente, mas está interessado em cada pessoa?
COMO encara Deus a humanidade? Só como massa de gente, ou como pessoas individuais? Ou concede ele o seu favor a um grupo seleto e determinado, desconsiderando os demais?
2 Para Deus, cada pessoa é importante como indivíduo distinto. (Atos 17:26, 27) Ele “quer que todos os homens se salvem, é venham ao conhecimento da verdade”. (1 Timóteo 2:4, Almeida, revista e corrigida) O apóstolo Pedro, vendo que Deus aceitava os gentios na congregação cristã, exclamou: “Certamente percebo que Deus não é parcial, mas, em cada nação, o homem [a pessoa individual] que o teme e que faz a justiça lhe é aceitável.” — Atos 10:34, 35; 15:8, 9.
3. Como demonstrou Jesus Cristo que ele tem a mesma consideração de seu Pai para com cada pessoa?
3 Jesus Cristo foi enviado por Deus para se entregar como “resgate correspondente por todos”. (1 Timóteo 2:6) Ele ‘provou a morte por todo homem’. (Hebreus 2:9) Então, seria lógico que o Filho de Deus tivesse uma atitude despreocupada, como que dizendo: ‘Dei o meu sangue vital para todos, mas de que importância é esta uma pessoa? Não faz diferença para mim se perde a vida ou não’? Nunca! Cada pessoa recebe atenção, com oportunidade de viver.
4. Que posição ocupa Jesus Cristo com relação à raça humana, e como chegou a ocupar tal posição?
4 Por causa do sacrifício de resgate de Jesus, ele é o “resgatador” da humanidade. Jeová Deus, por ser o Criador, é dono da raça humana. Mas, como filhos do rebelde Adão, esta foi ‘vendida sob o pecado’ como “escravos do pecado”. (Romanos 7:14; 6:16, 17) Como tais, precisam ser reconciliados ou trazidos de volta a uma boa relação com Deus. (Romanos 5:10) A fim de ajudá-los, Jesus teve de comprá-los, para se tornar seu novo chefe de família ou pai, o “último Adão”, visto que o primeiro Adão os vendera ao pecado. (1 Coríntios 15:45) Esta transação legal foi prefigurada na lei de Moisés, em Levítico 25:47-49.
5. (a) Como passou a ter Jesus “autoridade para julgar”? (b) Que espécie de julgamento faz ele?
5 Por conseguinte, Deus deu a Jesus Cristo “autoridade para julgar, porque é Filho do homem”. (João 5:27) Quer dizer, por tornar-se homem na terra, na semelhança dos homens, mas sem pecado Jesus tornou-se parente chegado deles com o direito e o preço de resgatar a humanidade. (Filipenses 2:7; Romanos 8:3) Seu título “Filho do homem” indica isso. (Hebreus 2:11, 14, 15) Como juiz inteiramente justo, ele não menospreza a ninguém. Ele disse: “O julgamento que faço é justo porque não procuro a minha própria vontade, mas a vontade daquele que me enviou.” (João 5:30) Por isso, não julga segundo a aparência externa nem julga ele o povo em massa, mas segundo a situação e atitude de cada um. — Isaías 11:3, 4; Hebreus 4:15.
6. Como salientaram os apóstolos Paulo e Pedro a individualidade dos tratos de Deus?
6 Os que ele quer que todos cheguem à situação que os habilite a receber sua bênção. Isto inclui os malfeitores, como indivíduos. a apóstolo Paulo escreveu àqueles que praticavam coisas erradas: “Desprezas as riquezas de sua benignidade, e indulgência, e longanimidade, por não saberes que a qualidade benévola de Deus está tentando levar-te ao arrependimento? . . . E ele dará a cada um segundo as suas obras.” Também o apóstolo Pedro trouxe à atenção a individualidade dos tratos de Deus, quando se referiu a Ele como sendo “o Pai que julga imparcialmente segundo a obra de cada um”. - Romanos 2:4-6; 1 Pedro 1:17.
OPORTUNIDADE PARA TODOS
7. Por que é errado o conceito expresso por aquele que diz que ele é mau demais para ser restabelecido e se tornar servo de Deus?
7 No entanto, alguém talvez diga: ‘Não adianta nada eu tentar agora servir a Deus. Eu sou tão mau, que não me posso restabelecer. Não há esperança para mim.’ É um sério engano pensar assim. Naturalmente, ninguém é digno no seu próprio mérito, de receber qualquer consideração de Deus. (Romanos 5:6-10) Se fosse exigida a perfeição, todos ficariam eliminados. Mas Deus, pela sua benignidade, registrou exemplos para mostrar que não rejeita a nenhum arrependido, não importa quais as suas obras más no passado. Exige apenas que tal pessoa esteja disposta a aprender o que deve fazer e a fazer um empenho sincero para se harmonizar com Ele. — Isaías 1:18; Revelação (Apocalipse) 22:17.
8-10. (a) Cite dois exemplos que consolam aqueles que fizeram o que é errado, mas que querem voltar-se para Deus. (b) Como mostra Ezequiel 33:14-16 e Colossenses 3:5-8 que aquilo que vale perante Deus é o que fazemos agora, não o que fizemos no passado?
8 O apóstolo Paulo era tal exemplo. Anteriormente, estivera envolvido no próprio assassinato de cristãos. (Atos 7:58, 59; 9:1, 2) o próprio Paulo diz: “Fiel e merecedora de plena aceitação é a palavra de que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar pecadores. Destes eu sou o principal. Não obstante, a razão pela qual me foi concedida misericórdia era que, por meio de mim, como o principal caso, Cristo Jesus demonstrasse toda a sua longanimidade, como amostra dos que irão descansar a sua fé nele para a vida eterna.” — 1 Timóteo 1:15, 16.
9 O Rei Manassés, de Judá, era outro exemplo de um homem muito mau. Tomara a liderança em levar a nação a uma extrema idolatria e rebelião contra Deus. A nação nunca se restabeleceu. (2 Reis 21:11, 16) Mas o próprio Manassés, numa época posterior, arrependeu-se e sua oração foi aceita por Deus. — 2 Crônicas 33:11-13, 16, 17.
10 O que vale perante Deus é aquilo que alguém faz agora e no futuro, não o que ele ou ela fez no passado. — Ezequiel 33:14-16; Colossenses 3:5-8.
11. Pode alguém granjear o favor de Deus e a vida por meio de sua própria justiça, ou por viver segundo os Dez Mandamentos ou a lei mosaica?
11 Por outro lado, ninguém deve pensar que receberá o favor de Deus por causa de sua própria bondade ou de seus atos justos. (Romanos 3:10) Com isso negaria o fato de ele ser pecador. (1 João 1:8-10) Tal pessoa iludida rejeita o sacrifício de Cristo como desnecessário. É uma tentativa de ser auto justa por meio de obras — ‘obrigar’ a Deus a aceitá-la por causa de sua própria ‘bondade’ pessoal. (Romanos 4:2-8) Aqueles que têm tal atitude realmente não estão servindo a Deus, mas estão estabelecendo a sua própria norma, em vez de a de Deus. A futilidade deste empenho foi provada pelos judeus, que tentaram obter a justiça por meio da lei mosaica. — Romanos 10:1-3; Hebreus 10:1, 2.
12. Como demonstrou Jesus que Deus não é parcial, nem ajuda apenas os que têm dinheiro ou posição?
12 Deus tampouco favorece apenas certa classe de pessoas. Não se compadecia seu Filho, Jesus, de todos? Ou será que ele, por exemplo, usou seu poder curativo apenas para com os seus favoritos ou para com aqueles que lhe podiam dar dinheiro? Não, há muitos relatos de multidões de pessoas se chegarem a ele com toda espécie de doenças e de ele curar a todos. — Mateus 14:14.
A ‘AFEIÇÃO’ DE JEOVÁ AOS QUE O SERVEM
13. Que exemplos temos em Abraão e em outros quanto à intensidade e a constância do amor de Deus?
13 Jeová está sempre disposto a conceder sua ajuda e seu amor a todo aquele que os quiser receber. E a intensidade e constância de seu amor são muito maiores do que nós somos capazes de expressar uns aos outros. Note o amor de Deus a Abraão, Isaque e Jacó que eram homens imperfeitos, mas que o serviam de todo o coração. Séculos depois, Moisés disse à nação de Israel: “De teus antepassados se afeiçoou Jeová, amando-os.” (Deuteronômio 10:15) Ele suportou a obstinação da nação durante séculos, por causa deste amor. — Deuteronômio 7:7, 8.
14. Pode aquele que invoca a Deus em sinceridade e verdade esperar confiantemente que Deus o ajude?
14 O amor de Jeová é igualmente grande e duradouro para com os que o servem atualmente. (Romanos 8:38, 39) Ele, a bem dizer, está à espera duma oportunidade para ‘se afeiçoar’ de todo aquele que o invoca em sinceridade e verdade. (Tiago 4:8) “Quanto a Jeová”, diz a Bíblia, “seus olhos percorrem toda a terra, para mostrar a sua força a favor daqueles cujo coração é pleno para com ele”. (2 Crônicas 16:9) “Os seus ouvidos estão atentos às súplicas deles.” — 1 Pedro 3:12.
15. Quando Jeová Deus olha para nós, o que está procurando?
15 Quando Jeová olha para a terra e vê as muitas aflições que os homens sofrem, compadece-se muito da humanidade. Seu desejo é ajudar. Embora não faça ‘vista grossa’ à transgressão, não está procurando faltas nas pessoas, mas sim os seus pontos bons. (Salmo 130:3) ‘Lembra-se de que são pó.’ — Salmo 103:14.
16, 17. (a) Como mostrou Jesus que ele realmente queria ajudar as pessoas? (b) Que sentimentos para com as pessoas, hoje em dia têm Jeová e seu Filho?
16 Na terra, o Filho de Deus estava ansioso de usar seu poder para ajudar as pessoas. Quando certo leproso lhe disse: “Se, apenas quiseres, podes tornar-me limpo”, Jesus “penalizou-se, e, estendendo a mão, tocou nele e disse-lhe: ‘Eu quero. Torna-te limpo”’, e o curou. — Marcos 1:40, 41.
17 As curas que Jesus efetuou nas pessoas que se chegaram a ele em busca de ajuda estavam acompanhadas por profunda compaixão. Do mesmo modo, Deus e seu Filho, no tempo atual, mostram preocupação e amor para com todo aquele que interrompeu os assuntos da vida cotidiana para dar consideração às boas novas sobre o propósito de Deus. Será que você, leitor, está agora mesmo examinando a Palavra de Deus, numa pesquisa genuína para saber mais sobre ele? Em caso afirmativo, isto, em si mesmo, já é prova de que ele se interessa em você. Como se pode dizer isso com certeza?
TEMOS DE TER A AJUDA DE DEUS PARA ENTENDER
18, 19. (a) Quando alguém sinceramente pesquisa a Palavra de Deus, como recebera ajuda? (b) Por que precisamos da ajuda do espírito de Deus?
18 Esta declaração é verídica, porque Deus vê alguma bondade de coração em todo aquele que sinceramente pesquisa a sua Palavra. Em resultado disso, abre-lhe a mente para entender. Jesus disse: “Ninguém pode vir a mim, a menos que o Pai, que me enviou, o atraia.” (João 6:44) Não poderá entender os propósitos de Deus sem a ajuda do espírito de Deus, sua invisível força ativa, que pode influenciar e dirigir sua mente.
19 O apóstolo Paulo escreveu: “Ninguém veio a saber as coisas de Deus, exceto o espírito de Deus. [Quer dizer, o espírito de Deus é essencial para nos transmitir os pensamentos e os propósitos de Deus.] Ora, não recebemos o espírito do mundo, mas o espírito que é de Deus, para que soubéssemos as coisas que nos foram dadas bondosamente por Deus.” (1 Coríntios 2:11, 12; veja Atos 16:14.) Sem está ajuda, a confusão deste mundo, sua falta de fé e seu espírito, o que está em oposição a Deus, venceriam você, leitor, porque “a fé não é propriedade de todos”. — 1 Coríntios 2:14; 2 Tessalonicenses 3:2.
20. Quão profundo é o apreço de Deus por naquele que diligentemente procura informar-se sobre ele e servi-lo?
20 Ao responder assim ao esforço que você faz para obter entendimento, Deus demonstra outra bela qualidade para com a sua pessoa. Esta qualidade é o apreço. Sem dúvida, você, leitor, tem e expressa apreço das boas coisas que outros lhe fazem. Mas o apreço sentido pelos homens é muito menos profundo e de coração do que o apreço que Deus tem pelos que mostram ter fé nele e que têm respeito pela sua Palavra. Ele se alegra com tais. Jesus falou até mesmo sobre haver alegria no céu por causa de um só pecador que se arrepende ou que abandona as coisas erradas, a fim de agradar a Deus. (Lucas 15:10) Ora, Jesus disse que aquele que desse mesmo apenas um copo de água fresca a alguém, que ele reconhece como servo de Deus, de modo algum deixaria de ser recompensado. (Mateus 10:42) Deus observa e aprecia cada um daqueles que respeitam teu nome e tratam seu povo com bondade. Portanto, dá seu coração e sua ajuda a tal pessoa — Considere o exemplo registrado em Marcos 14:3-9.
21. Como mostraram certos gentios, na Ásia Menor, qual deve ser a nossa reação diante da benignidade de Deus?
21 Nós, da nossa parte, devemos corretamente mostrar apreço pela benignidade de Deus em nos ajudar a conhecer seu propósito e em nos dar a oportunidade de obter vida eterna. Devemos ser gratos de que Deus achou bom permitir-nos ser semelhantes àqueles a quem Paulo pregou em certa cidade da Ásia Menor. Ali, os judeus que afirmavam servir a Deus opuseram-se à verdade. Mas o registro diz: “Quando os das nações [os gentios] ouviram isso [sobre a oportunidade de serem aceitos por Deus], começaram a alegrar-se e a glorificar a palavra de Jeová, e todos os corretamente dispostos para com a vida eterna tornaram-se crentes.” (Atos 13:48) Aquelas pessoas apreciavam a benignidade de Deus. Este apreço ajudou-as a serem da espécie de pessoas que Deus tem prazer em aceitar.
A RESSURREIÇÃO, PROVA DO INTERESSE DE DEUS
22. Como mostra a capacidade de Jeová, de ressuscitar pessoas, que ele está profundamente interessado nelas?
22 Uma forte prova do interesse de Deus em cada pessoa é sua provisão duma ressurreição “tanto de justos como de injustos”. (Atos 24:15) Para ressuscitar alguém, Deus precisa saber tudo sobre ele. Apenas com tal informação pode Deus trazer de volta a mesma pessoa, com a mesma personalidade, para que tal indivíduo seja ele mesmo e se reconheça como tal. Isto significa que Deus precisa restabelecer cada pormenor da constituição dele. Isto inclui a sua aparência, suas tendências herdadas, a influência que o ambiente e a experiência tiveram sobre ele, junto com sua memória total. Quanto interesse e cuidado isso demonstra!
23, 24. (a) Que registro notável podem meros homens guardar duma pessoa, algo que nos ajuda a ver quão facilmente Deus pode ressuscitar alguém? (b) Que dizer de ele se lembrar e ressuscitar aqueles que já estão mortos por milhares de anos?
23 Alguém talvez diga: ‘Isso parece impossível.’ No entanto, mesmo hoje em dia, os homens podem fazer um video-teipe ou um filme sobre uma pessoa. Daí, mesmo depois de ela ter falecido, podem projetá-lo numa tela e ver as ações e os movimentos desta pessoa, e ouvir também sua voz. Centenas de pormenores ficam assim registrados. Se os homens podem fazer isso, não poderá então Deus, a quem “todas as coisas são possíveis”, ter um registro dos milhares de pormenores que constituem uma personalidade? — Mateus 19:26; Jó 42:2.
24 Até mesmo nós, humanos imperfeitos, sabemos muitos pormenores sobre um amigo íntimo, de modo que o podemos descrever com bastante exatidão. No entanto, com o passar do tempo, esta imagem se desvanece. Deus, com perspicácia muito maior, conhece totalmente cada pormenor de todas as pessoas. Sabe o que há no coração de todos. (Hebreus 4:13) Além disso, a recordação que Deus tem de tal pessoa não se desvanece, mesmo que ela já esteja morta por séculos. — Jó 14:13-15.
25. Estão incluídos na ressurreição aqueles que não foram sepultados num túmulo, mas que se perderam no mar, ou que foram devorados por animais, e assim por diante?
25 Por conseguinte, bilhões de pessoas, nos túmulos, ainda estão na memória de Deus em todos os pormenores. (Provérbios 15:11) Mesmo aqueles que não foram sepultados, mas que foram destruídos no mar, por incêndios ou de outro modo, estão do mesmo modo vividamente na sua memória. — Revelação 20:13.
26. O que queria dizer Jesus quando mencionou que Jeová é ‘o Deus de Abraão, Isaque e Jacó, continuando depois: “Ele é Deus, não de mortos, mas de viventes, pois, para ele, todos estes vivem”? (Lucas 20:37, 38)
26 Jesus disse a respeito daqueles que Deus intenciona ressuscitar: “Ele é Deus, não de mortos, mas de viventes, pois, para ele, todos estes vivem.” (Lucas 20:38) Seu poder e sua sabedoria tornam seus propósitos tão certos, que ele “vivifica os mortos e chama as coisas que não são como se fossem”. — Romanos 4:17.
27. Que certeza podemos ter de que Cristo recebeu autoridade e poder para ressuscitar os mortos?
27 Deus concedeu a Jesus Cristo o poder de realizar a ressurreição. Quando este esteve na terra, demonstrou tal poder em vários casos. — Lucas 7:14, 15; 8:49-56; João 11:39, 43, 44.
28. (a) Como podemos expressar apreço pelas coisas que Jeová fez por nós? (b) Devia qualquer pessoa comum achar que é mentalmente incapaz de aprender da Bíblia os propósitos de Jeová?
28 Será que alguém poderia dizer de direito, então, que Deus e seu Filho não se interessam nele? Não encontra tal cuidado e interesse por parte de Jeová uma reação no seu coração, leitor? Poderá expressar-lhe seu apreço por aprender mais sobre ele e por incentivar outros a fazer o mesmo. E o que aprender sobre ele será proporcional ao seu esforço sincero de chegar a conhecê-lo. Ele lhe dará para isso a “capacidade intelectual”. — 1 João 5:20.
[Foto na página 108]
Considere Deus os homens como simples massa de rostos? . . .
]Foto na página 109]
. . .Ou interessa-se Deus em nós individualmente?
[Foto na página 117]
Os homens podem produzir filmes que preservam as ações e a voz duma pessoa muito depois de ela ter falecido. Deus se lembra ainda mais, e pode ressuscitar os mortos.
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Poderá conhecer o propósito de DeusA Vida Tem Objetivo
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Capítulo 11
Poderá conhecer o propósito de Deus
1-4. Como podemos saber o que é a verdade?
MUITAS vezes ouvimos a pergunta: ‘O que é verdade?’ Ou ‘Como pode alguém saber que ele possui a verdade?’ É possível saber com certeza o propósito de Deus para com a humanidade? — João 18:38.
2 Jesus respondeu a estas perguntas, quando disse: “Se permanecerdes na minha palavra, sois realmente meus discípulos, e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” — João 8:31, 32.
3 Jesus sabia, sem qualquer dúvida, que ele possuía a verdade, porque havia estado com Jeová Deus antes de vir à terra. (João 3:13; 17:5) Os apóstolos, por sua vez, sabiam que tinham a verdade, porque a haviam aprendido de Jesus e das Escrituras Hebraicas, as quais foram reconhecidas por Jesus como sendo a verdade da parte de Deus. Além disso, o que Jesus disse e fez cumpriu muitas das profecias das Escrituras Hebraicas. Estas Escrituras, comumente chamadas de “Antigo Testamento”, haviam sido dadas à nação de Israel, por Deus, por ele inspirar os Seus servos.
4 Possuímos agora a Bíblia inteira. Ela contém tanto as Escrituras Hebraicas (amiúde chamadas de “Antigo Testamento”) e as Escrituras Gregas (o chamado “Novo Testamento”) — os escritos dos apóstolos e de seus associados íntimos.
UM REGISTRO ESCRITO É MAIS ÚTIL
5-7. No começo, como se comunicou Deus com o homem, mas por que é bom que as comunicações de Deus foram assentadas por escrito?
5 Mas, por que um livro? Por que não uma comunicação direta da voz de Deus ou por meio de anjos enviados por ele?
6 É verdade que Deus, no começo, comunicou-se verbalmente com Adão, dando-lhe instruções. Mas, desde então, ele tem usado outros meios com igual eficácia, e ainda mais apropriados para pessoas imperfeitas. Na realidade, por causa da memória deficiente de todos os humanos, é bom que Deus fez com que suas comunicações fossem escritas, desde o tempo de Adão.
7 Considere a sabedoria de Deus, de fazer com que sua comunicação à humanidade estivesse disponível em forma escrita. Trata-se certamente dum registro muito mais fidedigno do que a mera palavra falada. A transmissão verbal de informação, de pessoa a pessoa, seria um método muito inexato. Deus teria de repetir todas as suas instruções a cada geração. E se Deus tivesse uma mensagem para toda a humanidade, teria de falar a certos homens, como seus representantes ou profetas, os quais a transmitiriam a outros. Senão, ele teria de falar a todas as pessoas em tons temíveis e trovejantes, desde o céu. Embora fosse muito impressionante, isto poderia ter efeitos indesejáveis conforme mostra Êxodo 20:18, 19.
8. Contém a Bíblia todo o conselho de Deus para nós, hoje? Como?
8 No entanto, na Bíblia possuímos “todo o conselho de Deus”, que todos podem ler. (Atos 20:27) Nada precisa ser acrescentado ou omitido. (Provérbios 30:5, 6) Os princípios que governam a humanidade são os mesmos, em todas as épocas e em todos os lugares. E por termos toda a comunicação de Deus para nós provida num livro, podemos convenientemente e à vontade recorrer a ele em consulta sobre qualquer problema humano.
9. Que benefício derivamos do registro histórico da Bíblia?
9 Temos de lembrar-nos também de que a Bíblia não só contém o conselho de Deus, mas também a história e as narrativas da vida individual daqueles que serviram a Deus e dos que não o serviram. Vemos o resultado na vida deles. A Bíblia nos fornece um relato dos tratos de Deus com a humanidade, a fim de sabermos o que ele pensa sobre certos assuntos. (Romanos 15:4) Dentre os milhares de acontecimentos da história, Deus escolheu certos eventos para serem registrados, a fim de ilustrar princípios. Alguns dos eventos eram proféticos. (Gálatas 4:24) Outros eram exemplos tirados da vida real, que servem hoje para nossa orientação. — 1 Coríntios 10:11.
10. Como somos ajudados a entender e induzidos a agir com fé pelo fato de que homens foram usados para escrever a Bíblia?
10 Visto que temos estas narrativas e precisamos delas para ter a devida orientação, não é bom que foram escritas por pessoas reais, sobre pessoas reais, amiúde elas mesmas? E estas eram muito honestas e cândidas, não ocultando nem seus erros, nem seus pecados. Não nos toca o coração ao lermos sobre as experiências, as dificuldades, as alegrias, a coragem e a fé de pessoas reais? Essas coisas agradam ao coração e à consciência muito melhor do que um livro de regras. Pode visualizar na mente a cena dos acontecimentos registrados na Bíblia; de fato, pode até mesmo identificar-se pessoalmente com eles. Quando lemos sobre o que Moisés, Davi, Jeremias e Paulo passaram na vida real, não nos dá isso uma sensação de simpatia? E essas narrativas têm o tom da verdade. Não se sente comovido por causa da realidade e do vigor destas narrativas escritas? — Veja Jeremias 20:8-11; Atos 23:12-24.
AUTÊNTICA, EMBORA ESCRITA POR HOMENS
11, 12. Embora a Bíblia fosse escrita por homens imperfeitos, que certeza podemos ter de que ela é autêntica e correta?
11 É verdade que Deus nos transmitiu a sua mensagem por meio de homens imperfeitos. Mas não há motivo para se pensar que a Bíblia seja menos autêntica do que seria uma mensagem verbal de Deus, por meio de anjos ou por meio dum livro escrito no céu e lançado para a terra. E ela tem muito mais atrativo humano. A prova do atrativo da Bíblia é que ela é em muito o livro mais amplamente distribuído, traduzido em mais idiomas do que qualquer outro livro. É o mais duradouro, e tem dado orientação a homens e mulheres de todas as idades e em todos os lugares.
12 Deus não é mentiroso. (Números 23:19) Na transmissão duma mensagem à raça humana, ele certamente cuidaria de que não contivesse nenhuma mentira. A visão da “transfiguração” é um exemplo em que uma visão da parte de Deus, junto com as palavras de Deus, corroboraram a autenticidade de acontecimentos e personagens do “Antigo Testamento”. — Mateus 17:1-9.
13. Como foi a escrita da Bíblia supervisionada por Deus?
13 Foram diversos os métodos usados em transmitir a informação escrita, que temos na Bíblia. Mas Deus estava sempre diretamente envolvido. Ele mesmo escreveu as leis básicas do pacto com Israel, os Dez Mandamentos. (Êxodo 31:18; Deuteronômio 10:1-4) Deus falou “boca a boca” com Moisés, o qual escreveu palavra por palavra grande parte do que ouviu. (Números 12:8) Mostrou-se a Moisés, em visão, o modelo do tabernáculo. (Êxodo 25:9; Números 8:4) Daí, em certas ocasiões, anjos trouxeram mensagens diretas de Deus. (Gênesis 19:1; Juízes 6:12, 21; Lucas 1:26-28) Profetas tiveram visões e sonhos dirigidos por Deus. (Gênesis 46:2; Daniel 1:17) Outros escritores foram orientados nas suas expressões pela invisível força ativa de Deus, seu espírito. — 2 Samuel 23:2; 2 Timóteo 3:16, 17; 2 Pedro 1:20, 21.
14. Que forte evidência adicional temos de que realmente podemos conhecer os modos de proceder de Jeová?
14 Além disso, temos as palavras e os atos registrados de Jesus Cristo, que veio como representante direto de Jeová Deus. Ele revelou perfeitamente como Jeová é. (João 16:27, 28) Retratou tão bem o modo de pensar e de proceder de seu Pai, em todos os sentidos, que podia dizer: “Quem me tem visto, tem visto também o Pai.” (João 14:9) A Bíblia contém a narrativa da vida de Jesus, de modo que podemos ver como ele falava e agia. Poderia haver uma comunicação melhor do que esta? — Hebreus 1:1, 2.
PROTEGIDA A COMPILAÇÃO DA BÍBLIA
15, 16. Que evidência temos de que a Bíblia atual contém todo o conselho de Deus para o seu povo?
15 É fácil para Deus alcançar seu pleno objetivo do modo como ele achar apropriado. (Isaías 46:10) Visto que ele inspirou o registro das Escrituras, é lógico que faria homens fiéis ajuntar as Escrituras Hebraicas como sendo autenticamente de Deus. Estes são os livros que a nação judaica reconheceu durante séculos como a comunicação de Deus para ela. E nossa confiança em que a sua seleção teve orientação divina, e não é o resultado de preferência humana, é fortalecida quando nos damos conta de que estes mesmos livros freqüentemente condenam aquela nação pelo seu proceder desobediente.
16 Daí, os primitivos cristãos, orientados pelo mesmo espírito de Deus, selecionaram e catalogaram os escritos inspirados dos apóstolos e de seus associados. Estes escritos têm sido significativos para a instrução dos cristãos durante os últimos dezenove séculos.
17. Que credenciais possui a Bíblia como livro de Deus?
17 Por isso não precisamos esperar por uma voz do céu ou mesmo por outro livro, a fim de conhecer o propósito de Deus. A Bíblia nos apresenta a única história fidedigna da humanidade, desde o começo. Poderá pesquisar os livros religiosos do mundo, e não encontrará todas estas coisas que se encontram na Bíblia, a saber: Um relato realístico e razoável sobre a criação, o motivo pelo qual a humanidade morre, uma narrativa genealógica e cronológica da humanidade, a partir de Adão, a maneira de ficar livre do pecado e da morte, o propósito de Deus para com o homem e a terra, e os princípios segundo os quais se deve viver para obter a vida eterna. Além disso, há as profecias, as já cumpridas e as que ainda hão de se cumprir, com a conclusão feliz dum eterno reino de paz na terra.
18-22. Visto que se fizeram muitas cópias dos escritos originais, não há então muitos erros, que tornam a Bíblia atual indigna de confiança? Explique isso.
18 Já se passaram milhares de anos desde que se começou a escrever a Bíblia. Então, que dizer da Bíblia assim como a temos hoje? Naturalmente, os manuscritos originais, autografados pelos escritores da Bíblia, não estão mais disponíveis. Mas há muitas cópias nas línguas originais. As línguas originais da Bíblia são o hebraico e o grego, com algumas partes e palavras em aramaico. Podemos ter fé em que o Deus que inspirou a Bíblia também a protegeu quando foi copiada, para que o leitor da Bíblia não fosse desencaminhado por causa de sérios erros nela. O que dizem os eruditos, aqueles que têm estudado as centenas de manuscritos nas línguas originais, que estão disponíveis?
19 Sir Frederic Kenyon, erudito bíblico e ex-diretor do Museu Britânico, declarou na introdução de seus sete volumes sobre os “Papiros Bíblicos de Chester Beatty” (que são manuscritos gregos muito antigos de partes do “Novo Testamento”):
20 “A primeira e mais importante conclusão a que se chega à base do exame deles [os papiros] é a satisfatória de que confirmam a exatidão essencial dos textos existentes. Não aparece nenhuma variação substancial ou fundamental, quer no Antigo, quer no Novo Testamento. Não há nenhumas omissões ou adições importantes de trechos, nem variações que afetem fatos ou doutrinas vitais. As variações do texto afetam questões menores, tais como a ordem das palavras ou as palavras precisas usadas . . . Mas a sua importância essencial é a sua confirmação da integridade de nossos textos existentes pela evidência duma data anterior à disponível até agora. Neste respeito, são uma adquisição de valor que marca época.”
21 Este erudito disse também a respeito do “Novo Testamento”:
22 “A última base para qualquer dúvida de que as Escrituras chegaram até nós substancialmente como foram escritas foi agora removida. Tanto a autenticidade como a integridade geral dos livros do Novo Testamento podem ser consideradas como finalmente estabelecidas.”
23. De que vantagem são as diversas traduções da Bíblia, atualmente disponíveis?
23 Atualmente, nas traduções da Bíblia em línguas modernas, temos os produtos de cuidadoso estudo dos escritos bíblicos, por eruditos que devotaram sua vida a este estudo. A maioria das traduções são resultado de comparações de manuscritos hebraicos e gregos, e foram cuidadosamente editadas. Podem fornecer um bom entendimento dos propósitos de Deus. Se o significado de certo texto não lhe for bastante claro, poderá comparar diversas traduções, no seu próprio idioma, as quais costumam variar ligeiramente em alguns poucos lugares, principalmente na escolha de palavras. Desta maneira, poderá obter o sabor das expressões originais em hebraico e em grego, e um entendimento ainda mais preciso.
A BÍBLIA, GUIA COMPLETO
24, 25. (a) Por que não fornece a Bíblia cada pormenor das coisas que ocorreram? (b) Portanto, em que sentido é a Bíblia “perfeita”?
24 Há alguns que lêem as narrativas bíblicas e se queixam: ‘Se esta é a Palavra de Deus, e é guia para nós, por que há tão poucos pormenores em alguns dos relatos?’ Entre outras coisas, indicam a brevidade da narrativa da criação. A própria Bíblia responde, que Deus colocou na Bíblia o suficiente, tudo o que realmente necessitamos. Ela diz: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e proveitosa para ensinar, para repreender, para endireitar as coisas, para disciplinar em justiça, a fim de que a homem de Deus seja plenamente competente, completamente equipado para toda boa obra.” (2 Timóteo 3:16, 17) De forma que a Bíblia é amplamente suficiente para torná-lo “sábio para a salvação”. (2 Timóteo 3:15) É “perfeita” neste sentido.
25 Outro ponto digno de nota: Sendo a palavra ou mensagem de Deus para a humanidade, a Bíblia foi escrita de tal maneira, que aqueles que realmente não procuram a Deus — os que não têm genuína fé em Deus — são induzidos a ‘revelar o que realmente são’. Por exemplo, ela não fornece cada pormenor de todo relato que registra. Às vezes, descreve a ação ou o julgamento de Deus referente a um assunto, sem explicar por que ele julgou assim. Permite que dois escritores forneçam sua própria observação dum evento, de pontos de vista diferentes.a Permite que os que não querem servir a Deus tenham ‘uma saída’, uma desculpa para achar falta, se quiserem. Neste sentido, também, a Bíblia é completa ou perfeita, porque cumpre o objetivo de Deus, de fazer com que as pessoas — tanto as altivas como as humildes — revelem o que têm no coração. — Hebreus 4:12; Mateus 13:34, 35; Lucas 8:10.
COMUNICAÇÃO COM DEUS
26. Podemos nós, da nossa parte, comunicar-nos com Deus?
26 Ao passo que nos transmite a mensagem de Deus, a Bíblia nos indica, por outro lado, um meio de comunicarmos a Deus nossos pensamentos mais íntimos e desejos do coração. Isto se faz por meio da oração. Não precisa temer que Deus não o escute. A única coisa que ele requer é um coração sincero e a admissão de que a pessoa é pecador, precisando de ajuda. (Salmos 119:145; 34:18) Àquele que clama a ele se mostrará o que deve fazer. Tal pessoa passará a saber que as orações dirigidas a Deus precisam ser feitas por meio de Jesus Cristo, como Sumo Sacerdote designado por Deus. — João 16:23, 24; Hebreus 4:15.
27. Quais são alguns assuntos apropriados para oração? (Mateus 6:9-13)
27 Sobre que se ora corretamente? Sobre tudo o que afeta a relação da pessoa com Deus; tudo o que afeta a sua espiritualidade. O apóstolo João escreveu: “Não importa o que peçamos segundo a sua vontade, ele nos ouve.” — 1 João 5:14.
28. (a) O que significa orar ‘segundo a vontade de Deus’? (b) A respeito de que coisas pessoais é correto orar?
28 “Segundo a sua vontade” significa que não seria correto orarmos por coisas que promovem estritamente interesses egoístas, tais como riquezas, estar acima de nosso próximo, vingança, prazeres egoístas e coisas assim. Mas, por exemplo, podemos rogar a Deus com respeito ao casamento — pedindo sua ajuda em prover um cônjuge adequado. Os casados podem orar a respeito da educação dos filhos ou para ter sabedoria em criar os filhos. (1 Samuel 1:10, 11, 17, 20; Juízes 13:8-14) Tais coisas decididamente afetam nossa vida e exigem ajustes, nos quais precisamos da sabedoria de Deus. Deus está interessado em nossos problemas pessoais. Até mesmo a mudança para outro lugar ou outro emprego pode ser assunto de oração, porque pode afetar a família em sentido econômico e espiritual. Seja lá o que for, o desejo de saber e fazer a vontade de Deus é o fator primário. Cada pessoa, naturalmente, tem a sua própria situação, diferente da dos outros, e isto afeta o assunto de suas orações.
29. Como pode alguém receber resposta à sua oração sobre certo assunto?
29 A resposta de Deus pode ser esperada na forma de orientação sábia no próprio caso individual da pessoa. (Salmo 32:8) Naturalmente, esta deve ser coerente e agir em harmonia com sua oração. Deve procurar na Bíblia o conselho para o problema. Pode consultar outros, que poderão ajudá-la a ver o que a Bíblia diz sobre o assunto. Deve persistir em orar sobre a questão, até obter um entendimento claro de qual é o proceder sábio a adotar. (Lucas 18:2-5) Tendo feito isso, ninguém mais pode criticá-la de direito pelas decisões feitas de boa consciência, porque “para o seu próprio amo [Deus] está em pé ou cai. Deveras, far-se-á que ele fique em pé, pois Jeová pode fazê-lo ficar em pé”. — Romanos 14:4, 10, 12.
30. (a) A que situação excelente nos levará a oração? (b) Por que não devemos temer apresentar qualquer assunto ou problema a Deus em oração?
30 Quem ora e age com fé em Deus pode ter a certeza de que será orientado para adotar o proceder mais benéfico. (Provérbios 3:5, 6) Virá realmente a conhecer a Deus, o qual promete: “A intimidade com Jeová pertence aos que o temem.” (Salmo 25:14) Não se trata dum temor mórbido, mas dum respeito salutar por Deus, porque, se você amar a Deus, desejará apresentar-lhe seus problemas e não temerá ser repelido ou rejeitado. O apóstolo João diz a respeito de tal medo inibidor: “O próprio amor lança fora o temor porque o temor exerce uma restrição.” (1 João 4:18) Nunca deve temer ou hesitar em apresentar a Jeová os assuntos mais íntimos, não importa quais sejam — inclusive seus pecados. Ele não encarará seu problema como tolo, nem se rirá de você. “Ele dá generosamente a todos, e sem censurar.” — Tiago 1:5; 1 João 1:9.
31. Como nos pode ajudar o entendimento da Bíblia e a obediência aos seus princípios a levar agora uma vida boa e feliz?
31 Alguns talvez se queixem, porque às vezes enfrentam situações muito ruins ou desanimadoras. Talvez digam: ‘Por que permite Deus que haja condições tão terríveis na terra?’ Mas, devemos desconsiderar o que Deus tem feito em dar a Bíblia às suas criaturas terrestres? Se fosse seguida por toda a humanidade, esta Palavra inspirada a habilitaria a levar uma vida muito boa, mesmo em condições de imperfeição. Pense em quão diferentes seriam as coisas se as pessoas, por exemplo, seguissem a regra: ‘Todas as coisas que quereis que os homens vos façam, vós também tendes de fazer do mesmo modo a eles.’ (Mateus 7:12) Que mudança isto causaria na terra! E no novo sistema de coisas de Deus, todos serão guiados por tais princípios. Este é um dos motivos pelos quais esta terra será então um lugar tão desejável em que viver.
32. O que recomenda a Bíblia como livro a ser estudado por aqueles que talvez tenham dúvidas sobre ela?
32 Jesus disse: “Mesmo que não me acrediteis, acreditai nas obras [que faço], a fim de que saibais e continueis a saber que o Pai está em união comigo e eu em união com o Pai.” (João 10:38) Se tiver dúvidas sobre o valor da Bíblia, poderá compreender seu valor por observar os resultados na vida de milhares de pessoas que tomam a Bíblia por seu guia. Portanto, podemos ter confiança em que as promessas bíblicas de vida, para os que seguem sua orientação, terão cumprimento certo.
[Nota(s) de rodapé]
a Veja É a Bíblia Realmente a Palavra de Deus? (Capítulo 7), editado pela Watchtower Bible and Tract Society of New York, Inc., Nova Iorque, E. U. A., e distribuído pela Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados, Rua Guaíra, 216, 04142 São Paulo, SP, Brasil.
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Até que ponto já progrediram os preparativos?A Vida Tem Objetivo
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Capítulo 12
Até que ponto já progrediram os preparativos?
1, 2. (a) O que costumam querer dizer as pessoas com a expressão: “Deus está morto”? (b) Por que é que alguns dizem isso?
NO NOSSO estudo, até o momento, falamos, muito sobre o propósito de Deus. Mas o que ele tem feito para levar a cabo este propósito? Alguns, não vendo nenhuma melhora nos assuntos do mundo, dizem que “Deus está morto”, querendo dizer que ele não faz nada para ajudar a humanidade.
2 Tal atitude resulta porque requer certa medida de fé para ver os preparativos progressivos de Deus para um novo sistema justo de coisas, que governará a terra. “A fé”, diz a Bíblia, “é a expectativa certa de coisas esperadas, a demonstração evidente de realidades, embora não observadas”. — Hebreus 11:1.
3. Como se apresentam as coisas para alguém que não tem fé?
3 Quem não tem fé realmente não tem expectativa ou esperança quanto a Deus, porque não acredita no que Deus promete. Para alguém assim, as coisas vistas parecem na superfície ser contrárias ao que aquele que tem fé está aguardando. Mas por que Deus exige fé?
4. Por que Deus exige fé?
4 Deus é como um pai, que quer que seus filhos o amem pela sua bondade e aceitem suas promessas, sem terem de ver tudo antes de crer em seu pai. O filho que não tem fé num bom pai também será desobediente, e finalmente causará dificuldades e desgraça à família. Tal filho não merece a afeição parental. Mas, assim como faria um bom pai, Deus age para com as suas criaturas terrestres, que recorrem a ele em fé, e as ajuda. — Salmo 119:65-68.
5, 6. (a) Ilustre como os acontecimentos podem ser muito enganosos para aqueles que não têm fé. (b) Que diferença havia entre os cristãos e a maioria dos Judeus, em 66-70 E. C.?
5 Uma ilustração de como as aparências superficiais das coisas enganam, em comparação com a forma em que a fé encara a verdadeira situação, é encontrada na destruição de Jerusalém, em 70 E. C. Cerca de trinta e três anos antes de acontecer isso, Jesus predisse um tempo em que Jerusalém ficaria cercada por exércitos. Quando isso ocorresse, disse ele, os cristãos deviam imediatamente sair da cidade, porque a destruição de Jerusalém seria iminente. (Lucas 21:20-24) Segundo conta o historiador judaico Josefo, do primeiro século, os romanos, sob o General Céstio Galo, em 66 E. C. cercaram Jerusalém com a intenção de captura, a cidade. Daí, por um motivo não explicado, Galo retirou-se. Aqueles judeus, e outros, que se haviam tornado cristãos, fugiram imediatamente, porque reconheciam que isto era exatamente o que Jesus, profetizara. Outros judeus, porém, perseguiram as tropas de Galo e causaram-lhes pesadas baixas.
6 A maioria dos judeus de Jerusalém ficou exultante com a sua vitória. O perigo parecia ter desaparecido. Mas os cristãos não tentaram voltar a Jerusalém. Isto pode ter parecido tolo àqueles judeus que haviam permanecido nela. No entanto, em menos de quatro anos, os romanos voltaram, sol o General Tito, e destruíram completamente a cidade, junto com nove décimos de seus habitantes. Sim, os que tinham fé viram o que não aparecia na superfície e salvaram a vida. Viram algo que os judeus, em geral, não viram, embora tivessem a oportunidade para isso. Os judeus, como povo, haviam rejeitado a Jesus Cristo, e por isso haviam rejeitado a sabedoria que os poderia ter salvo. — Veja Jeremias 8:9.
7. Como podemos saber que Deus tem trabalhado para cumprir sua promessa?
7 Precisamos ter a perspectiva certa quanto a que Deus tem feito para pôr fim ao sofrimento da humanidade, assim como prometeu. Como podemos fazer isso? Por examinarmos o registro histórico. Fazendo isso, veremos que Deus tem realizado progressivamente seu objetivo, desde o começo das dificuldades da humanidade. Veremos não apenas teorias ou especulações, mas “a demonstração evidente de realidades”, em que podemos firmar a fé.
LANÇAMENTO DO ALICERCE
8. Por que levou Deus muito tempo para introduzir seu governo sobre a terra?
8 Jeová prometeu governar a terra inteira, trazendo paz e união. Mas não vai governar simplesmente pela força. Seu objetivo é esclarecer e educar as pessoas, a fim de que o conheçam e se sujeitem voluntariamente à sua administração. (Salmo 110:3) Com isto em vista, tem levada tempo para se lançar o alicerce de todo um mundo da humanidade que o servisse. Deus tinha de prover conhecimentos das normas e dos princípios de sua administração justa e de como ela funciona.
9. Por que é o modo de Deus ensinar-nos melhor do que se falasse com voz alta desde o céu?
9 Mas Jeová é Deus invisível. (1 Timóteo 1:17) Como poderia fazer os homens de carne e sangue compreender? Não pela mera exibição de poder, falando em tons imponentes desde o céu. Não, Deus revelaria seus princípios e suas qualidades por meio dos tratos com as pessoas. Quanto mais instrutivo, convincente e comovente é não só ouvir e ler as declarações de Deus, conforme registradas por homens fiéis, mas além disso ver no registro histórico a prova de que ele também cumpriu o que disse.
10. Quando foi que Deus demonstrou primeiro ao mundo, de modo impressionante, que ele não é Deus inativo, mas que está interessado nos assuntos dos homens?
10 Durante a primeira parte da história da humanidade — até o tempo do Dilúvio — Jeová Deus deixou que os homens seguissem o caminho que escolhessem, quer tendo fé nele, quer não. Mas demonstrou que não era Deus “morto” ou inativo, quando destruiu aquele mundo. O motivo era que este se havia tornado tão corruto, que punha em perigo a adoração pura e a vida daqueles que queriam fazer o que era direito. Deus preservou na arca aqueles poucos que naquele tempo reconheciam o seu governo. — Gênesis 6:11-13, 17-20; 1 Pedro 3:20.
11, 12. (a) O que fez Deus após o Dilúvio? (b) Lançando o alicerce para seu governo sobre a terra, o que tornou ele possível para o, homens verem?
11 Depois do Dilúvio, Deus passou a lançar um alicerce para a sua vindoura administração dos assuntos da terra, pelo “descendente” prometido o Messias No ínterim, Deus deixou as nações seguir seu proceder independente e estabelecer um histórico que permanece como prova da incapacidade dos homens, de governarem a si mesmos
12 Em lançar o alicerce para seu governo sobre a terra, Jeová proveu as seguintes coisas necessárias: (1) Uma base firme para ter fé na administração que ele proveria, (2) o conhecimento dos princípios de seu governo, (3) demonstração de suas qualidades como Governante Universal e (4) identificação certa e inconfundível do Messias, Aquele que seria o Libertador da humanidade e o Rei que governaria em nome de Jeová. (Gálatas 3:24) Ao mesmo tempo, uma comparação com o governo do homem tem provado a superioridade, o mérito e a justeza do governo de Deus.
UMA NAÇÃO ESCOLHIDA PARA SERVIR EM BENEFÍCIO DE TODOS
13, 14. O que realizou Deus em nosso benefício, por usar a antiga nação de Israel?
13 Que meios usou Deus em lançar tal alicerce? Primeiro, escolheu uma nação, a nação do antiga Israel, para se tornar demonstração viva de seus princípios e tratos. Com isso, Jeová revelou a si mesmo e suas qualidades maravilhosas de justiça e sabedoria, quando castigou Israel pelos seus pecados, porque este povo, na maior parte, mostrou ser desobediente. (Romanos 10:21) Daí, também, exibiu seu amor, sua misericórdia e sua longanimidade para com eles, quando se arrependeram.
14 Além disso, a história israelita demonstra o que acontece quando se obedece ou desobedece às leis sabias e justas de Deus; ao passo que a história do mundo revela o resultado daqueles que vivem sem o benefício da lei divina. — 1 Coríntios 12:2; Efésios 4:17-19.
MOTIVO DA ESCOLHA DE ISRAEL
15. Mostrou Deus parcialidade por usar a nação de Israel? Explique isso.
15 Por que se escolheu Israel, em vez de outra nação? Não porque ela era melhor, mas por causa do amor de Deus a Abraão, antepassado dela. (Deuteronômio 7:7, 8; 2 Reis 13:23) Uns quatrocentos anos depois do Dilúvio, Jeová verificou que Abraão era homem que levou a sério a palavra de Deus, com incondicional fé e obediência. (Gênesis 15:1, 6; Romanos 4:18-22) Por conseguinte, os descendentes de Abraão, procedentes por intermédio de sua fiel esposa Sara, receberam a extraordinária bênção de serem escolhidos como povo que Jeová Deus usaria para alcançar o objetivo intencionado. O “descendente” prometido procederia por meio de Abraão, Isaque e Jacó.
16, 17. Fez Deus alguma injustiça às outras nações por lidar com o antigo Israel? Explique isso.
16 As outras nações daquele tempo seguiram seu próprio caminho de autodeterminação e desobediência a Deus. Deus permitiu que usufruíssem o sol, a chuva e os produtos da terra. (Atos 14:16, 17; Mateus 5:45) Mas Deus não manteve relações com elas, exceto quando pessoas individuais dentre elas chegaram a ele em fé ou quando estas nações tocaram nos assuntos de sua nação escolhida. — Deuteronômio 32:8.
17 Mas Jeová não se esquecera das outras nações. Embora lidasse exclusivamente com Israel, realizava o objetivo de abençoar mais tarde as pessoas destas nações, embora elas desconhecessem completamente tal fato. — Gênesis 22:18.
18. Estava Israel sob um julgamento mais pesado, por ser usado e abençoado por Deus?
18 Ninguém se pode queixar de Deus ter escolhido uma nação, a fim de prover esta base para a nossa fé e entendimento hoje. É verdade que, durante este período, Israel foi abençoado mais do que as outras nações. Mas, por levar o nome de Jeová, também recaía sobre esta nação uma responsabilidade muito séria, que as outras nações não tinham. Israel precisava prestar contas diretamente a Deus. O povo era severamente disciplinado por Jeová quando violava as leis dele. — Deuteronômio 28:15-68.
19. Que benefício adicional nos concedeu Deus por usar o antigo Israel, conforme mostra Romanos 3:1, 2?
19 Outro objetivo alcançado pelo uso de uma só nação era a preservação da verdade. Deus fez isso por manter Israel separado dos povos descrentes em volta dele, disciplinando essa nação e mantendo-a unida sob o seu pacto da Lei. Também lhes conferiu suas “proclamações sagradas”, que agora encontramos na Bíblia. (Romanos 3:1, 2) No ínterim, as outras nações, sob o governo do homem, serviram continuamente a uma grande variedade de deuses falsos de sua própria invenção, e com uma mistura confusa de doutrinas. — Salmo 96:5; 115:2-8.
20. (a) Que coisa primaria realizou a lei dada a Israel? (Romanos 10:4) (b) Que outras coisas bons obtemos do estudo das Escrituras Hebraicas?
20 Além disso, durante todo este tempo, Jeová estava resolvendo as questões para prover a melhor dádiva à humanidade — o principal “descendente” da promessa, Cristo Jesus, o Rei do reino de Deus, para governar a terra. Por meio dele, Deus dará vida a todos os homens obedientes. (Atos 17:30, 31) Quanto brilha a sabedoria de Deus em prover uma identificação inconfundível e, assim, a base para se ter fé no Messias, quando este finalmente chegou! O Altíssimo proveu esta identificação positiva na genealogia, na cronologia e na profecia das Escrituras Hebraicas. (João 5:39) Além disso, o registro histórico preservado nas Escrituras Hebraicas não só dá consolo e esperança, mas serve também qual guia para a vida atual. Fornece modelos, bem como exemplos, para “nós, para quem já chegaram os fins dos sistemas de coisas”. — 1 Coríntios 10:11; Hebreus 10:1.
JESUS ESCOLHE ASSOCIADOS PARA O GOVERNO
21, 22. Por que foi Jesus seletivo na escolha de seus discípulos íntimos, quando esteve na terra? (Lucas 9:57-62)
21 Finalmente apareceu o há muito aguardado Messias. Como ungido de Deus, Jesus Cristo foi seletivo, assim como Deus havia sido, em quem escolheu para ser seus discípulos íntimos. (Lucas 8:38, 39) É verdade que veio para prover o resgate para a salvação de todos os homens que o queiram aceitar. (Mateus 20:28; João 3:16) Mas ele sabia que só mais tarde seria o Chefe dum reino, que levaria os benefícios do seu sacrifício a toda a humanidade. E assim como qualquer governante ainda não empossado no cargo pensa primeiro nos homens que colocará em importantes cargos administrativos sob ele, assim também Jesus estava primeiro interessado naqueles que estariam associados com ele no governo do Reino. — Lucas 22:28, 29; João 17:12.
22 Por conseguinte, Jesus escolheu primeiro seus apóstolos, mediante oração e a direção do espírito de Deus. (Lucas 6:12-16) Estes haviam de ser o alicerce dum grupo administrativo a funcionar sob a sua chefia.
23. (a) Que esperança foi apresentada por meio da pregação de Jesus e de seus apóstolos? (b) Deviam estes discípulos governar outros homens, enquanto estavam na terra? (1 Coríntios 4:8)
23 Na leitura das Escrituras Gregas Cristãs, observamos que a esperança apresentada a todos aqueles que aceitavam a pregação de Jesus e de seus apóstolos era a de participar com Jesus Cristo no governo de seu Reino no céu. (2 Timóteo 2:12; Hebreus 3:1; 1 Pedro 1:1-4) Entretanto, enquanto estivessem na terra, estes discípulos não seriam governantes, mas seriam simplesmente conhecidos como a “congregação de Deus”. Apenas proclamariam as excelências de Deus ao povo. — 1 Pedro 2:9.
24. Que obra primária de Deus foi realizada a partir do tempo da ressurreição de Cristo até agora?
24 De modo que o longo período de tempo após a morte de Cristo e ele assumir o poder do Reino seria ocupado com a escolha, o treinamento, o teste, a prova e a habilitação daqueles que reinariam com Cristo. Os requisitos eram muito estritos. Segundo as Escrituras, Deus limitou o número deste grupo administrativo, seleto, sob Jesus Cristo, a 144.000 pessoas. — Revelação 14:1-3.
25. Qual e a finalidade da severa prova a que tem sido submetidos os prospectivos membros do governo do Reino de Cristo?
25 Jeová educa e disciplina estes prospectivos reis e sacerdotes por meio das muitas provas pelas quais passam. Deste modo, tornam-se exatamente aptos para o lugar que tem para eles no seu governo. (Efésios 2:10; Romanos 8:29) Além disso, por causa desta perfeita educação e prova, ele pode ter a certeza de sua eterna lealdade e incorrução no governo. Diz-se a respeito deles: “Não se achou falsidade na sua boca; não têm mácula.” (Revelação 14:5) Isto significa que sua devoção e integridade estão livres de defeito. (Veja Romanos 7:25.) São fidedignos em todos os sentidos. Jeová pode dar-lhes, com segurança, a vida imortal, celestial. (1 Coríntios 15:50-54) Mas vejamos agora como Deus pensou também no restante da humanidade, enquanto testava e aprovava aqueles que usaria como seu grupo governamental.
ASSEGURADOS GOVERNANTES MISERICORDIOSOS
26. Como se habilitou Cristo para se tornar o Sumo Sacerdote e Governante da humanidade?
26 Jesus Cristo, Cabeça da congregação, passou pelo mais severo teste para provar suas qualificações. Diz-se sobre ele: “Temos por sumo sacerdote, não alguém que não se possa compadecer das nossas fraquezas, mas alguém que foi provado em todos os sentidos como nós mesmos, porém sem pecado.” (Hebreus 4:15) Quanta sabedoria e justeza da parte de Deus! Portanto, o Governante que ele coloca sobre a humanidade nunca agirá com injustiça ou parcialidade.
27. Que experiências o prepararam para ser governante em quem podemos ter plena fé?
27 Também, por causa da experiência anterior de Cristo, no céu, onde trabalhou com seu Pai na criação de todas as outras coisas, ele entende a constituição dos homens e das mulheres. (João 1:10; 2:25) Mais do que isso, porém, por tornar-se homem de sangue e carne, na terra, sentiu o serviço de Deus sob condições adversas. Compreende totalmente os problemas humanos. Sabe o que significa sofrer. (Hebreus 5:7-9) Todos os homens podem ter plena fé no governo de Cristo, sabendo que ele passou com bom êxito pelas mesmas provações e sabe de que os homens necessitam. — Hebreus 4:16; João 16:33.
28. Por que não foi desperdício de tempo a concessão dum período de 1.900 anos, até agora, por Deus?
28 Considere também a sabedoria de Deus na maneira de ele escolher ó grupo dos 144.000 reis e sacerdotes associados. Não foi desperdício de tempo. Durante o amplo alcance dos últimos dezenove séculos, estes homens e mulheres foram escolhidos de todas as rodas sociais, todas as raças, línguas e formações. Simplesmente não existe nenhum problema que alguns deles não tenham enfrentado e vencido. Eles também serão governantes associados compassivos e misericordiosos, capazes de ajudar homens mulheres de toda espécie.
ALICERCE DUMA “NOVA TERRA”
29. Que preparativos adicionais terá de fazer Deus, para que o seu reino cause a realização de sua vontade “como no céu, assim também na terra”? (Mateus 6:10)
29 Será que a mera escolha dos últimos daqueles que se hão de tornar reis e sacerdotes celestiais com Cristo completa os preparativos de Deus? Significa isso que o reinado milenar pode começar então e que a ressurreição dos mortos pode ocorrer? Não, porque primeiro Deus precisa limpar a terra por destruir o sistema corruto de coisas que agora existe. Entretanto, ao fazer isso, não vai deixar um “vácuo”. Quer dizer, não vai deixar a terra como globo desolado, sem vida, sem pessoas para o servirem, assim como tampouco deixou no dilúvio. (Isaías 45:18) Antes, Deus terá pessoas sobreviventes que começarão a produzir condições paradisíaca Estarão presentes quando chegar o tempo para acolher de volta os mortos e ajudarão a tais no caminho para a vida.
30. Que grupo adicional será ajuntado por Deus, para sobreviver destruição do atual sistema de coisas?
30 Quem serão os sobreviventes daquela destruição? O apóstolo João, descrevendo a visão que Cristo lhe deu, diz, depois de falar dos 144.000 herdeiros do Reino: “Depois destas coisas eu vi, e eis uma grande multidão, que nenhum homem podia contar, de todas as nações, e tribos, e povos’ e línguas.” O anjo que trouxe esta visão explicou a seguir quem era esta multidão sem número: “Estes são os que saem da grande tribulação, e lavaram as suas vestes compridas e as embranqueceram no sangue do Cordeiro.” — Revelação 7:9, 14; Isaías 2:2-4.
31. Que papel desempenhará a “grande multidão” no propósito progressivo de Deus?
31 Estas pessoas constituirão o núcleo, o “alicerce” duma “nova terra”. (Veja Isaías 51:16.) Sobrevivendo à “grande tribulação”, começarão imediatamente a trabalhar, sob a direção dos “novos céus” de Cristo e seus 144.000 reis e sacerdotes associados, a fim de subjugar a terra. Empenhar-se-ão na verdadeira adoração na terra, como representantes de Deus, e apresentarão a verdadeira adoração aos mortos ressuscitados. Logicamente, cuidarão de que haja alimentos e lares disponíveis para estas pessoas, e servirão de instrutores nos caminhos da justiça.
32. Quem comporá a “grande multidão”, e quando são selecionados e ajuntados?
32 Visto que os da “grande multidão” hão de sobreviver à “grande tribulação”, é evidente que seriam ajuntados dentre aqueles que vivem no tempo logo antes do fim do atual sistema de coisas. Esta obra de ajuntamento, pois, também faz parte da obra preparatória de Deus, antes de começar o reinado milenar de Cristo. O ajuntamento da “grande multidão”, porém, não leva séculos, assim como se deu com os tratos de Deus com Israel, e, depois, com seu ajuntamento dos 144.000 co-herdeiros de Cristo. Não obstante, leva tempo. Tal seleção e ajuntamento ocorrem agora, e evidentemente estarão completos durante o tempo de vida de uma só geração. Alguns desta geração sobreviverão para o reinado do reinado milenar de Cristo. — Lucas 21:32.
33, 34. (a) O que realizou Deus durante o tempo de cerca de 6.000 anos da história da humanidade? (b) Pode-se dizer corretamente que “Deus está morto” ou que ele é vagaroso?
33 Em resumo, vemos que Deus certamente não desperdiçou o tempo. (2 Pedro 3:9) Fez questão que ficasse registrado que o homem não pode governar o mundo com bom êxito. Ele demonstrou sua paciência e suas boas qualidades nas medidas progressivas adotadas para introduzir o governo do seu Reino. Mostrou que espécie de governo ele administra. E deu-nos evidência abundante de que Jesus Cristo é o principal daquele “descendente” prometido de Abraão, o Messias, o Rei que governará a terra em justiça. — Gálatas 3:16.
34 Por conseguinte, aqueles que sinceramente querem conhecer a Jeová Deus, podem conhecê-lo. Podem obter firme fé nos seus propósitos, porque possuem realidades em que basear esta fé.
[Foto na página 141]
Os sobreviventes da grande tribulação serão aqueles que agora demonstram fé nas promessas de Deus.
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Modelo de coisas vindourasA Vida Tem Objetivo
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Capítulo 13
Modelo de coisas vindouras
1. O que torna difícil que se obtenha justiça sob o atual arranjo judicial?
HOJE em dia, há tal confusão de leis, nos livros da maioria das nações, que a pessoa que procura justiça usualmente não é sábia se procurar ser seu próprio advogado. Além disso, existem “brechas” nelas, que costumam favorecer os ricos. Não seria agradável viver sob um código de leis que fosse franco e simples quando um processo no tribunal não seria dispendioso, nem mesmo para o homem comum, e quando qualquer homem, rico ou pobre, poderia informalmente apresentar seu caso perante o tribunal e obter uma audiência imparcial?
2, 3. Por que é proveitoso que consideremos a lei que Deus deu a Israel?
2 Assim era o código da lei mosaica, que Deus deu a Israel. A Bíblia diz sobre esta lei: “As decisões judiciais de Jeová são verdadeiras; mostraram-se inteiramente justas.” (Salmo 19:9) A qualidade excelente das decisões judiciais de Jeová pode ser vista num exame de alguns dos estatutos, que compunham este código de pouco mais de 600 leis.
3 Os cristãos não estão debaixo daquela lei, dada a Israel, mas podem considerá-la com proveito. Por quê? Porque a Lei esclarece como Jeová encara os assuntos e ilumina os princípios pelos quais ele lida com a sua criação, em todas as ocasiões.
4. Que posição e autoridade tinha Jeová no governo do antigo
4 A administração do governo de Israel era sem igual, em que Jeová era seu Governante supremo e absoluto. Ele era o Rei, e, além disso, era Deus, o Chefe da religião. O profeta Isaías disse: “Jeová é o nosso Juiz, Jeová é o nosso Legislador, Jeová é o nosso Rei; ele mesmo nos salvará.” — Isaías 33:22.
5. Em Israel, de que modo era a obediência à lei também a pratica da verdadeira adoração?
5 A idolatria, ou a adoração de qualquer outro deus, portanto, era ao mesmo tempo traição, uma ofensa contra o governo. Do mesmo modo, a violação flagrante da lei do país era um ato de desrespeito para com Deus, o Chefe da adoração daquela nação. A violação deliberada da lei era igual a uma blasfêmia. Assim, a obediência à lei fazia parte da verdadeira adoração.
DIREITOS CIVIS
6, 7. Descreva como se protegiam os direitos civis.
6 Não havia problemas de direitos civis, sob a Lei, enquanto seus juízes e seus governantes obedeciam a Deus. Ela protegia tanto o nativo, como o residente forasteiro, e até mesmo o estrangeiro temporário no país. — Êxodo 22:21; 23:9; Levítico 19:33, 34.
7 Sob a Lei, o pobre não ficava privado da justiça por ser pobre, nem o rico, só porque era rico. — Levítico 19:15; Êxodo 23:3.
CONSIDERAÇÃO BONDOSA COM O POBRE
8. Na Lei, como se dava consideração ao pobre?
8 A economia de Israel era na maior parte agrícola, tendo cada homem sua própria herdade. Alguns israelitas, devido à péssima administração ou a reveses financeiros, talvez ficassem pobres e tivessem de vender sua terra. Também alguns residentes forasteiros podiam ficar em má situação. Em bondade para com eles, o arranjo era que cada lavrador, na colheita, não ceifasse os cantos de seu campo. Devia deixar para trás qualquer molho de cereais esquecido pelos ceifeiros. (Levítico 19:9, 10; Deuteronômio 24:19-21) Ficava como respiga para o pobre. — Rute 2:15, 16.
9, 10. Como se beneficiavam todos com as leis que protegiam os pobres?
9 Naturalmente, isto exigia trabalho da parte do pobre, porque a respiga não era fácil. Por conseguinte, não havia pobres ociosos ao encargo do governo — não havia subsídio, nem estado de beneficência social. (Deuteronômio 15:11; Rute 2:3, 7) Isto é paralelo ao princípio cristão, em 2 Tessalonicenses 3:10, onde lemos: “Se alguém não quiser trabalhar, tampouco coma.”
10 Junto com os arranjos para que o pobre pudesse ganhar o sustento, todos os cidadãos tinham a obrigação de ser generosos com os necessitados. Isto promovia a fraternidade e a união nacional. — Levítico 25:35-38.
“ESCRAVIDÃO” QUE NÃO ERA OPRESSIVA
11. No antigo Israel, por que a escravidão não era dura e opressiva, assim como tem sido em tempos mais recentes?
11 A “escravidão” em Israel não era semelhante à opressiva escravidão conhecida em tempos mais recentes. Na realidade, era um meio de proteger a família que, por reveses financeiros ou calamidades, se via obrigada a vender sua herdade e que por fim esgotava o dinheiro recebido da venda e ficava pobre. Ou podiam ter ficado muito endividados. Daí, em vez de serem autônomos, como antes, a família, ou certos membros dela, podiam passar para a “escravidão”. Mas, esta escravidão era muito similar ao nosso hodierno princípio de emprego, de trabalhar para outro, o que para muitos é uma forma de ‘escravidão econômica’.
12. Qual era o arranjo para os “escravos” hebreus?
12 Por exemplo, o “escravo” hebreu não devia ser tratado como propriedade, mas como “trabalhador contratado”. Além disso, devia ser liberado após seis anos de servidão. (Levítico 25:39-43) Ao ser liberado, seu amo ou “patrão” tinha de dar-lhe coisas materiais, segundo as suas possibilidades, para ajudar o homem e sua família a fazer um novo começo. (Deuteronômio 15:12-15) Por meio deste arranjo, a família evitava ficar indigente e podia ter alimento e roupa até a ocasião em que pudesse prosseguir por conta própria.
13. (a) Que possibilidade de liberdade havia antes de se cumprirem os seis anos normais de servidão? (b) Que proteção se provia para as moças hebraicas, que eram escravas?
13 Outrossim, quem estivesse em “escravidão” podia empenhar-se em projetos, ou em outros negócios ou investimentos, de modo que, em alguns casos, o homem podia comprar a sua liberdade da servidão. Ou um parente chegado podia pagar-lhe a dívida, deixando assim o homem como pessoa livre. (Levítico 25:47-54) A filha que ia para a “escravidão” amiúde era tomada por esposa pelo seu amo. Tinha de receber seus plenos direitos, assim como no caso de qualquer esposa. — Êxodo 21:7-11.
PROTEÇÃO PARA AS MULHERES
14. Como se protegia a mulher divorciada?
14 As mulheres eram protegidas pelas leis matrimoniais. O homem tinha de ter um motivo válido para se divorciar de sua esposa, e exigia-se dele, além disso, que lhe desse uma certidão de divórcio. A certidão de divórcio a protegia contra qualquer acusação falsa, em caso de novo casamento. — Deuteronômio 24:1; veja a explicação que Jesus deu a respeito do divórcio, em Mateus 19:3-9.
15. Que leis serviam para dissuadir da fornicação?
15 O homem que seduzisse uma virgem, que não era noiva, tinha de se casar com ela, à discrição do pai da moça, e nunca se podia divorciar dela. (Deuteronômio 22:28, 29; Êxodo 22:16, 17) No caso duma moça que era noiva, a pena de morte para o homem protegia-a contra um ataque sexual, que era considerado tão sério como o assassinato. — Deuteronômio 22:25-27.
16. (a) Era a poligamia um arranjo original de Deus? (Mateus 19:4-6) (b) Por que tolerou Deus a poligamia no antigo Israel?
16 Embora se permitisse a poligamia, esta era regulada em benefício da mulher. A poligamia, uma prática de longa data, era tolerada porque ainda não chegara o tempo de Deus para endireitar todas as coisas. Deus esperou até o tempo do cristianismo para restabelecer a condição original de monogamia. (1 Coríntios 7:2) O modo de proceder de Deus têm sido o de instruir e guiar seu povo conforme este é capaz de entender e aceitar a correção de seus modos. Jesus disse aos seus discípulos em João 16:12: “Ainda tenho muitas coisas para vos dizer, mas não sois atualmente capazes de suportá-las.” De modo que, após a morte e a ressurreição de Jesus, muitas coisas foram esclarecidas e endireitadas para eles.
17. Como era protegida a esposa menos amada, num casamento polígamo?
17 No casamento polígamo, uma das esposas amiúde era mais favorecida pelo marido. Mas a Lei provia proteção para a esposa menos amada. Por exemplo, se o filho desta fosse o primogênito do pai, ele não ficaria privado dos seus direitos de primogenitura, porque o pai não podia dá-los a um filho nascido posteriormente à sua esposa favorita. — Deuteronômio 21:15-17.
18. Como se protegiam as mulheres, mesmo entre os inimigos de Israel?
18 Nem mesmo as mulheres em cidades inimigas eram sexualmente molestadas. Tampouco havia prostitutas na vizinhança dos acampamentos do exército, porque as relações sexuais eram proibidas aos soldados empenhados em operações de guerra. — Deuteronômio 21:10-14.
LEIS CRIMINAIS
19. Que vantagem havia de não existirem prisões no antigo Israel?
19 As leis criminais eram muito mais excelentes do que as hoje existentes nos códigos penais. Não havia provisão de prisões, sob a Lei. Apenas mais tarde, durante o governo dos reis, instituíram-se incorretamente prisões em Israel. (Jeremias 37:15, 16; 38:6, 28) Visto que não se sentenciava ninguém à prisão, por nenhum crime, significava que nenhum criminoso era alimentado e abrigado às custas da população trabalhadora que acatava a lei.
20. Qual era a pena pelo furto, e que benefícios trazia?
20 Quando um homem furtava algo de seu próximo, ele não era encarcerado. Deste modo, podia trabalhar para pagar por aquilo que havia furtado. Sua vítima não sofria perda. Além disso, exigia-se que o ladrão pagasse o dobro, ou mais, daquilo que havia furtado, dependendo do objeto furtado e do que fez com ele. (Êxodo 22:1, 4, 7) Se não pagasse, era vendido em escravidão. Tinha de trabalhar para sua vítima ou para outro israelita, até ter pago a multa aplicada a ele, pelo que havia furtado. (Êxodo 22:3) Se ele presunçosamente se negasse a acatar a sentença proferida contra ele, era morto. (Deuteronômio 17:12) Esta lei não só ajudava a vítima do ladrão, mas também era uma forte dissuasão contra o furto.
21. (a) Qual era a pena pelo assassinato doloso? (b) Qual era o arranjo para o homicida acidental?
21 A vida era considerada sagrada, sob a Lei. O assassino doloso não podia, de modo algum, ser eximido. Sem falta, era morto. Lemos assim em Números 35:30-33: “Todo aquele que golpear fatalmente uma alma deve ser morto como assassino, pela boca de testemunhas, e uma só testemunha não pode testificar contra uma alma para ela morrer. E não deveis aceitar nenhum resgate pela alma dum assassino que merece morrer, pois, sem falta, deve ser morto. . . . E não deveis poluir a terra em que estais; porque é o sangue que polui a terra, e não pode haver nenhuma expiação para a terra quanto ao sangue que se derramou sobre ela, exceto pelo sangue daquele que o derramou.” Esta lei eliminava tal iníquo da sociedade israelita. Não ficava livre para cometer outros assassinatos. O homicida acidental, porém, podia receber misericórdia. — Números 35:9-15, 22-29.
22. Como se enfatizava especialmente a santidade da vida?
22 Nem mesmo um assassinato não solucionado era deixado sem expiação. A cidade mais próxima do cenário do homicídio era considerada culpada de sangue e sob maldição, a menos que os anciãos da cidade realizassem a cerimônia exigida, a fim de se eliminar perante Deus a culpa comunal pelo derramamento de sangue. Incutia-se assim profundamente, no povo, a santidade da vida. — Deuteronômio 21:1-9.
23. Descreva a lei a respeito do rapto.
23 A integridade da pessoa era considerada inviolável. O rapto era crime capital. O raptor, em cuja mão a pessoa era encontrada ou que havia vendido o raptado, em escravidão, sem falta era morto. — Êxodo 21:16; Deuteronômio 24:7.
SEM DELINQÜÊNCIA
24. Como se mantinha o respeito pela família, e com que resultado?
24 Quando a nação seguia a Lei, poucos eram os problemas de delinqüência juvenil. A unidade essencial da nação era a família. Ensinava-se grande respeito pelos pais, bem como pelos maiorais da nação. (Êxodo 20:12; 22:28) Distúrbios causados por turbas eram condenados. (Êxodo 23:1, 2) O filho em idade responsável, que era incuravelmente rebelde, talvez tornando-se glutão e beberrão, devia ser executado. (Deuteronômio 21:18-21) Quem golpeasse seu pai ou sua mãe, ou invocasse o mal sobre eles, devia ser morto. (Êxodo 21:15, 17; Levítico 20:9) O respeito pelo lar e pela família resultava em respeito pelos governantes da nação, especialmente pelo seu Governante Principal, Jeová Deus.
RESPEITO PELOS DIREITOS DE PROPRIEDADE
25. Como se manejavam as coisas perdidas e achadas?
25 Nos tempos modernos, o costume popular seguido com respeito a objetos achados é ‘o que é encontrado é guardado’. Mas em Israel, alguém que achasse um animal ou outro objeto tinha a obrigação de devolvê-lo ao seu dono. Se o dono morasse longe e fosse desconhecido, então o objeto devia ser guardado até que se achasse o dono. (Deuteronômio 22:1-3) Para ajudar o dono, que viesse à aldeia procurar sua propriedade perdida, aquele que a achou, naturalmente, tinha de relatar isso aos anciãos ou oficiais da cidade.
26, 27. (a) Que respeito se mantinha pelo lar e pela propriedade? (b) De que benefício eram essas leis para o pobre?
26 A santidade do lar era muitíssimo respeitada. Um homem não podia cobrar uma dívida por entrar na casa do devedor para obter o que havia sido prometido em penhor. O credor tinha de esperar do lado de fora e deixar o homem trazer-lhe o objeto empenhado. (Deuteronômio 24:10, 11) Tampouco podia o credor apossar-se do penhor que constituía o próprio meio de vida de alguém, nem sua roupa essencial, visto que o pobre talvez tivesse apenas alguns grãos de cereal para moer, a fim de alimentar sua família, ou uma só veste exterior, como cobertura.
27 Sobre isso está escrito em Deuteronômio 24:6, 12, 13: “Ninguém deve tomar como penhor um moinho manual ou sua mó superior, porque toma em penhor uma alma. E se o homem estiver em dificuldades, não te deves deitar com o seu penhor. Deves terminantemente restituir-lhe o penhor assim que se pôr o sol, e ele se tem de deitar no seu manto e tem de abençoar-te; e isto significará para ti justiça perante Jeová, teu Deus.”
BONDADE PARA COM OS ANIMAIS
28. Como mostrou Deus a sua consideração e bondade nas suas leis referentes aos animais?
28 Os animais também deviam receber consideração bondosa. Quando um homem visse um animal doméstico em aflição, exigia-se dele ajudá-lo mesmo que pertencesse a um inimigo seu. (Êxodo 23:4, 5; Deuteronômio 22:4) Os animais de carga não deviam ser sobrecarregados ou maltratados (Deuteronômio 22:10; Provérbios 12:10) O touro não devia ser açaimado, a fim de que pudesse, usufruir os frutos do seu trabalho quando debulhasse cereais. (Deuteronômio 25:4) Também se promovia a bondade para com animais selváticos O homem não devia tirar tanto a ave materna como seus ovos, exterminando assim a família. (Deuteronômio 22:6, 7) Entre os animais domésticos, e pessoa não devia matar o touro ou o ovídeo junto com sua cria, no mesmo dia. Tudo isso era para impedir o espírito de crueldade. — Levítico 22:28 veja a consideração de Deus para com os animais conforme expressa em Jonas 4:11 e Levítico 25:4, 5, 7.
ZELO PELA VERDADE
29, 30. Que leis governavam as testemunhas num caso judicial?
29 Nos interesses da justiça e da misericórdia, a testemunha num caso judicial tinha de testemunhar o que sabia sobre o caso. Se não fizesse isso, ficaria sujeita a uma maldição pública, proferida pelos juízes. Tal maldição seria executada por Deus. (Levítico 5:1; Provérbios 29:24) Não devia cometer perjúrio, porque isto significaria mentir “perante Jeová”. Se se verificasse que as acusações lançadas contra outro eram deliberadamente falsas, o acusador sofreria a mesma penalidade que se teria aplicado ao falsamente acusado.
30 Por conseguinte, lemos em Deuteronômio 19:16-19: “Caso se levante contra um homem uma testemunha que trame violência, para levantar contra ele uma acusação de revolta, então os dois homens que tiverem a disputa têm de ficar de pé perante Jeová, perante os sacerdotes e perante os juízes que estiverem em exercício naqueles dias. E os juízes têm de pesquisar cabalmente, e se a testemunha for uma testemunha falsa e tiver levantado uma acusação falsa contra seu irmão, então tendes de fazer-lhe assim como ele tramou fazer ao seu irmão, e tens de eliminar o mal do teu meio.”
31. Que outras leis promoviam o zelo pela instiga e também tendiam a impedir testemunho falso e descuidado num processo criminal?
31 Ninguém podia ser morto só por evidência circunstancial. Tinha de haver pelo menos duas testemunhas oculares, para confirmar a verdade. (Deuteronômio 17:6; 19:15) As testemunhas contra um homem culpado dum crime capital deviam ser as primeiras a participar em apedrejá-lo até morrer. Esta lei promovia o zelo pela justiça em Israel. Não só os juízes, mas cada cidadão precisava assim demonstrar seu desejo de manter a terra livre de culpa de sangue, perante Deus. Era também um impedimento para o testemunho falso, precipitado ou descuidado. Derivava-se um bem da lei expressa em Deuteronômio 17:7, que reza: “A mão das testemunhas deve ser a primeira a vir sobre ele para o entregar à morte, e depois a mão de todo o povo; e tens de eliminar o mal do teu meio.”
RELAÇÕES SEXUAIS PROIBIDAS
32. Que relações sexuais ilícitas eram puníveis com a morte?
32 O adultério era punível com a morte, para ambos os envolvidos. (Levítico 20:10) As práticas revoltantes do homossexualismo e da bestialidade traziam a pena de morte, segundo Levítico 20:13, 15, onde está escrito: “Quando um homem se deita com um macho assim como alguém se deita com uma mulher, ambos realmente fazem algo detestável. Sem falta devem ser mortos. Seu próprio sangue está sobre eles. E quando um homem dá a sua emissão seminal a um animal, “sem falta deve ser morto, e deveis matar o animal.” — Veja também Levítico 20:16, 17; Romanos 1:24-28.
PUREZA
33, 34. De que modo promovia a Lei a limpeza física?
33 A Lei exigia do povo não só a pureza moral, mas também a limpeza física. As leis sobre a limpeza exigiam que os israelitas destruíssem os vasos de barro, que tivessem entrado em contato com um animal que morreu por si mesmo. Outros vasos, bem como vestimentas, tinham de ser lavados. Esta lei mantinha os israelitas atentos a serem limpos. Pessoas com doenças transmissíveis eram postas de quarentena. (Levítico 13:4, 5, 21, 26) Vestimentas e casas infectadas sofriam quarentena, e, em alguns casos, eram destruídas. (Levítico 13:47-52, 55; 14:38, 45) Não se devia comer nenhum sangue. — Levítico 7:26.
34 Do ponto de vista da medicina, a lei do saneamento e da quarentena, junto com as leis de moral e a proibição quanto ao sangue, serviam de maravilhosa proteção contra a febre tifóide, o tifo, a peste bubônica, a hepatite, a gonorréia e a sífilis, e uma série de outras doenças.
“MISERICÓRDIA” COM OS ARREPENDIDOS
35. Tinham os juízes certa latitude, num processo judicial, para mostrar misericórdia segundo as circunstâncias?
35 A Lei não era dura ou inflexível. Os juízes tinham certa latitude para mostrar misericórdia. Se um homem pecasse contra seu próximo e depois se arrependesse, podia ser restabelecido no favor de Deus por primeiro endireitar o assunto com o prejudicado e depois apresentar a Jeová uma oferta pela culpa. (Levítico 6:2-7) Jesus Cristo aludiu a esta lei, quando disse: “Se tu, pois, trouxeres a tua dádiva ao altar e ali te lembrares de que o teu irmão tem algo contra ti, deixa a tua dádiva ali na frente do altar e vai; faze primeiro as pazes com o teu irmão, e então, tendo voltado, oferece a tua dádiva.” (Mateus 5:23, 24) Hoje, os servos de Deus não podem ter paz com Ele, se procederem de modo errado para com o seu próximo.
O ANO DO JUBILEU
36. Que provisão excelente fazia a lei sobre o ano do Jubileu?
36 O Jubileu, que ocorria cada qüinquagésimo ano, era tempo de regozijo. Todas as herdades que haviam sido ‘vendidas’ eram devolvidas aos seus proprietários. Os escravos hebreus eram soltos, mesmo que sua servidão de seis anos ainda não se tivesse cumprido. (Levítico 25:8-13, 39-41) Esta lei tinha o grandioso efeito de restabelecer a economia no seu estado original e equilíbrio, que Deus estabelecera quando Israel entrou na Terra da Promessa. Impedia a situação que hoje vemos em muitos países — uma classe de latifundiários extremamente rica, e uma classe de “peões” extremamente pobres. Nenhum monopólio de terra era possível quando se fazia vigorar a lei.
37. Em resumo, que motivo podemos apresentar para devermos estudar a lei que Deus deu a Israel?
37 Assim, a Lei tornava o cidadão um homem livre. Cada família estava protegida contra um estado de pobreza perpétua. Mantinha-se a dignidade da família e a espiritualidade dela continuava elevada. O pai podia passar tempo com a família, sendo que os dias sabáticos e os anos sabáticos proviam tempo para dar atenção a coisas tais como instruir os filhos. Assim, embora os cristãos não estejam hoje sob a lei mosaica, esta fornece vislumbres dos modos e tratos de Deus, e uma “sombra das boas coisas vindouras”. — Hebreus 10:1.
[Foto na página 145]
A Lei fazia provisões para os pobres, exigindo que as beiradas dos campos fossem deixadas para serem respigadas por eles.
[Foto na página 155]
A proclamação do ano do Jubileu exigia que todas as propriedades de terra fossem devolvidas aos seus donos originais.
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A eliminação do crime e da injustiçaA Vida Tem Objetivo
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Capítulo 14
A eliminação do crime e da injustiça
1. Como torna este mundo difícil viver segundo o que é direito?
NÃO é verdade que, não importa quão bom você procure ser, está rodeado por condições que lhe tornam isso difícil? No mundo comercial, com sua luta pela sobrevivência econômica, há pressões para defraudar, a fim de enfrentar a competição. Na vida cotidiana, observamos imoralidade, o vício das drogas, linguagem suja, ódio e o espírito de vingança. E estas práticas, em grande parte, são feitas parecer normais e corretas, pelo mundo das diversões e pelos meios de propaganda.
2. Será que as pessoas se dão conta do efeito do mau ambiente?
2 Não obstante, muitos se dão conta da forte influência que o mau ambiente exerce, e amiúde se mudam de um bairro para outro, na esperança de encontrar condições melhores, especialmente por causa de seus filhos. Sabem que o mau ambiente pode ser prejudicial para os bons princípios que ensinaram aos filhos.
3, 4. (a) Como foi o antigo Israel afetado pelo ambiente? (b) Qual tem sido o fator principal em produzir um mau ambiente?
3 Mesmo no antigo Israel, sob a lei mosaica, o ambiente, embora fosse bom, nem sempre era favorável à adoração fiel de Deus. Israel estava cercado por nações idólatras. (Deuteronômio 13:6, 7, 12, 13) Os israelitas eram pecadores, assim como toda a humanidade. E embora a lei ajudasse a manter muitos deles firmes na verdadeira adoração de Deus, a maioria mostrou-se desobediente. (2 Crônicas 36:15, 16) Cederam ao seu ambiente. Outrossim, Satanás, o Diabo, exerceu forte influencia, durante os séculos desde a queda do primeiro homem, estorvando as pessoas de obter conhecimento de Deus. O apóstolo Paulo escreveu:
4 “Agora, se as boas novas que declaramos estão de fato veladas, estão veladas entre os que perecem, entre os quais o deus deste sistema de coisas tem cegado as mentes dos incrédulos, para que não penetre o brilho da iluminação das gloriosas boas novas a respeito do Cristo que é a imagem de Deus.” — 2 Coríntios 4:3, 4.
AMBIENTE MUDADO
5, 6. O que intenciona Deus fazer a respeito de nosso atual ambiente?
5 Assim, torna-se evidente que um ambiente mudado ajudaria muito os homens pecaminosos a ‘transformar a mente’, para obedecerem aos bons princípios de Deus. (Romanos 12:2) Deus intenciona produzir exatamente tal ambiente, sob o reinado milenar de Jesus Cristo.
6 Primeiro, precisa desaparecer o sistema iníquo de coisas, por ser destruído por Deus. (1 João 2:17) Daí, o Diabo, “o deus deste sistema de coisas”, precisa ser amarrado, para que não possa mais influenciar a humanidade a rebelar-se contra Jeová Deus. (Revelação 20:1, 2) Ele tem feito isso por enganá-la e por usar suas imperfeições para induzi-la a pecar, o que traz a morte. — Revelação (Apocalipse) 12:9; Hebreus 2:14, 15.
7-12. Descreva as condições a serem trazidas pelo Reinado de Cristo
7 Os Salmos fornecem-nos vislumbres proféticos das condições que prevalecerão quando Cristo governar a terra qual Rei:
8 “Nos seus dias florescerá o justo e a abundância de paz.” “Virá a haver bastante cereal na terra.” “Veracidade é que brotará da própria terra e justiça é que olhará para baixo desde os próprios céus. Também Jeová, da sua parte, dará o que é bom, e a nossa própria terra dará a sua produção.” — Salmos 72:7, 16; 85:11, 12.
9 E o profeta Isaías escreveu a respeito de Jesus Cristo:
10 “O domínio principesco virá a estar sobre o seu ombro. E será chamado pelo nome de Maravilhoso Conselheiro, Deus Poderoso, Pai Eterno, Príncipe da Paz. Da abundância do domínio principesco e da paz não haverá fim, sobre o trono de Davi e sobre o seu reino, para o estabelecer firmemente e para o amparar por meio do juízo e por meio da justiça, desde agora e por tempo indefinido. O próprio zelo de Jeová dos exércitos fará isso.” — Isaías 9:6, 7.
11 Ilustrando o ambiente útil que o novo sistema de coisas trará, Isaías disse:
12 “A vereda do justo é retidão. Sendo tu reto, aplainarás o próprio rumo do justo. Sim, pela vereda dos teus julgamentos, ó Jeová, temos esperado em ti. . . Quando há julgamentos teus para a terra, os habitantes do solo produtivo certamente aprenderão a justiça.” — Isaías 26:7-9.
13. Será mais fácil para os ressuscitados aprenderem a verdade sobre Deus do que era na sua vida anterior? Por quê?
13 Com a proclamação e a vigência dos julgamentos de Jeová em toda a terra, a “grande multidão”, que sobreviverá à destruição do atual sistema de coisas para aquele novo sistema, poderá instruir os ressuscitados, sem o impedimento da parte dos opositores iníquos de Deus e Cristo (Revelação 7:9, 10, 14-16) Prevalecendo justiça e paz, quanto mais clara se destacará a verdade! Quanto mais prontamente poderão os ouvintes obedecer e ‘aplainar’ seu proceder na vida!
14. Como foram acentuadas por este sistema de coisas as mas tendências que herdamos de pais imperfeitos?
14 No tempo atual, os homens cometem atos criminosos, e alguns tornam-se o que nós chamamos de ‘criminosos empedernidos’. Todos têm fraquezas quanto ao pecado, numa direção ou noutra. (Romanos 6:19) Todos receberam estas fraquezas por herança genética; (Salmo 51:5) Por exemplo, alguém pode ter a tendência de ter um gênio incontrolável e ser violento. Alguns são mais agressivos do que outros, inclinando-se a ‘fazer justiça por conta própria’, quando acham que se fez alguma injustiça. Outros são mais facilmente enlaçados pela imoralidade, pelo excesso de bebidas alcoólicas, e assim por diante. Mas, relativamente poucas dessas pessoas praticariam comumente atos criminosos. Requer um mau ambiente como ‘meio cultural’ no qual as más tendências são nutridas e estimuladas, junto com uma situação que ‘cria’ ou oferece a oportunidade ou o incentivo para uma ação em violação da lei. — 1 Coríntios 15:33.
15. (a) De que modo serão desenvolvidas boas tendências pelo ambiente sob o reino de Cristo? (b) O que terá de ser feito pela pessoa, para se reabilitar?
15 Mas, quando este mundo iníquo for eliminado e Satanás amarrado, para não mais poder interferir, a humanidade poderá aos poucos ser reabilitada. As boas tendências das pessoas serão fomentadas e estimuladas pelo bom ambiente; as más inclinações serão desestimuladas. Maus desejos e atos estarão ‘fora de lugar’ e serão encarados como algo a ser rejeitado. No entanto, exigirá esforço da parte da pessoa para ‘afastar de si a ira, a maldade e a linguagem ultrajante’, e para ‘revestir-se da nova personalidade, a qual, por intermédio do conhecimento exato, está sendo renovada segundo a imagem Daquele que a criou’. (Colossenses 3:8-10) É preciso ter um forte desejo de mudar, porque Deus quer súditos voluntariamente obedientes (Salmo 81:11-13) Sob a administração de Cristo e de seus reis e sacerdotes associados, aquele que fizer as mudanças será ajudado de toda maneira possível, não estorvado nos seus esforços — Revelação 7:17.
OS QUE DEIXARÃO DE OBTER A VIDA
16, 17. (a) Quem deixará de receber a vida eterna no novo sistema de coisas? (b) Quando Jesus estava na terra, como se colocavam os líderes religiosos em grande perigo?
16 Apenas aqueles que cometerem a ‘blasfêmia contra o espírito santo’ morrerão naquele novo sistema de coisas. (Mateus 12:31, 32) Este pecado é uma ação deliberada, proposital, rebelde blasfema contra Deus. Então, de que modo ‘contra o espírito santo’?
17 Para ilustrar isso, considere os fariseus. Eles se colocaram em grande perigo de cometer este pecado, e, pelo visto, alguns deles o cometeram. Talvez descressem do Messiado de Jesus só por falta de fé como se deu com Saulo, que mais tarde s’ tornou o apóstolo Paulo. (1 Timóteo 1:12, 13) Mas quando Jesus falou sobre o pecado imperdoável, os fariseus acabavam de presenciar as poderosas palavras e obras de Jesus, em resultado do espírito de Deus sobre ele. Quando eles viam e sabiam que o espírito de Deus operava por meio de Jesus, realmente eram culpados de blasfêmia contra o espírito santo. Como? Deliberadamente atribuíram as obras de Jesus ao poder dos demônios. Os fariseus visavam um objetivo inteiramente egoísta. Queriam desencaminhar as pessoas para poderem manter sua posição de destaque — Mateus 12:22-30.
18. Poderia o cristão perder a vida eterna?
18 Isto se pode dar com alguns dos que se tornam cristãos e depois deliberadamente se desviam da adoração pura de Deus. Hebreus 10:26, 27, diz que, “se praticarmos o pecado deliberadamente depois de termos recebido o conhecimento exato da verdade, não há mais nenhum sacrifício pelos pecados, mas há uma certa expectativa terrível de julgamento”. — Veja Hebreus 6:4-6.
19. (a) Qual é o “pecado que incorre em morte”? (b) Como deve o verdadeiro cristão encarar aquele que aparentemente cometeu esta espécie de pecado? (c) Pode o cristão julgar que alguém cometeu o pecado imperdoável? Explique isso.
19 O apóstolo João menciona também um “pecado que incorre em morte”, em contraste com aquele que não o faz. (1 João 5:16, 17; veja Números 15:30.) O verdadeiro cristão não manterá associação com alguém que professa ser cristão, mas que, em vista da evidência observada, parece estar blasfemando o espírito de Deus, evidentemente pecando deliberadamente sem sinal de arrependimento. (2 João 9-11) O cristão não orará a favor de tal pessoa. Todavia, não pode ler o coração dela e não pode julgar que ela tenha realmente cometido o pecado imperdoável. Não pode saber com certeza que a pessoa não se arrependerá mais tarde. Reconhece que Cristo age como Juiz por Deus, e que ele pode esquadrinhar os “rins” (as emoções e os pensamentos mais íntimos), o “coração” (a sede primária da motivação) e que Cristo pode determinar se alguém cometeu ou não a blasfêmia contra o espírito santo. — Revelação 2:23; João 5:22, 30.
20. Como se lidará com pecadores irreformáveis e impenitentes durante o reinado milenar de Cristo?
20 Tais pessoas incorrigíveis e irreformáveis serão mortas durante o reinado milenar de Cristo. Sua execução, sendo permanente, é representada nas Escrituras por serem lançadas no simbólico “lago de fogo”, que é a “segunda morte”, diferenciada da morte herdada de Adão. (Revelação 20:14, 15) Por conseguinte, os perturbadores da paz daquele novo sistema de coisas não serão deixados permanecer para causar dificuldades.
VIDA MELHOR MESMO JÁ AGORA
21, 22. (a) Precisa-se esperar pelo reinado milenar de Cristo para levar uma vida melhor e mais feliz? (b) Considere as palavras do apóstolo Paulo sobre este assunto, em 1 Timóteo 4:8.
21 Mas, àqueles que lêem este livro agora dizemos, assim como o apóstolo disse a alguns dos que procuravam tornar-se servos maduros de Deus: “No entanto, em vosso caso, amados, estamos convencidos de melhores coisas e de coisas acompanhadas de salvação.” (Hebreus 6:9) Não precisamos esperar até o reinado milenar de Cristo para tomar uma boa dianteira em servir a Deus. Podemos e devemos fazer isso desde já.
22 O apóstolo disse mais: “A devoção piedosa é proveitosa para todas as coisas, visto que tem a promessa da vida agora e daquela que há de vir.” (1 Timóteo 4:8) Podemos ficar livres dos muitos envolvimentos do mundo, e podemos ter paz mental e um objetivo na vida. Podemos usufruir a vida, junto com melhores relações com nossa família e nosso próximo. Acima disso, porém, podemos aguardar com expectativa a possível sobrevivência à vindoura “grande tribulação”, sem morrer, e com a certeza duma vida em plena medida no novo sistema de coisas de Deus
23, 24. (a) Depois de vermos o que a Palavra de Deus diz, devemos esperar ou buscar a verdade em outro lugar? (b) Precisamos procurar outro Messias ou que se levante algum grande homem para nos livrar? (c) Então, o que e certo fazer?
23 Estamos numa situação similar àquela da nação de Israel, quando estava para entrar na Terra da Promessa Moisés disse-lhes: “Este mandamento que hoje te ordeno não é demasiado difícil para ti, nem está longe. Não está nos céus, de modo que se diga: ‘Quem ascenderá por nós aos céus e o obterá por nós, a fim de que no-lo deixe ouvir, para que o cumpramos?’ Nem está do outro lado do mar, de modo que se diga: ‘Quem passará por nós para o outro lado do mar e o obterá para nós, a fim de que no-lo deixe ouvir, para que o cumpramos?’ Pois a palavra esta muito perto de ti, na tua própria boca e no teu próprio coração, para que a cumpras.” — Deuteronômio 30:11-14.
24 Não lhe será realmente difícil de saber o que Deus exige de sua pessoa e fazê-lo. Jesus Cristo o ajudará se tiver fé e agir segundo esta fé. (Mateus 11:28-30) Não precisa ter alguém que vá ao céu para obter a necessária mensagem. Jesus fez isso, e nós temos os seus mandamentos na Bíblia. Não precisa viajar para algum país distante — “do outro lado do mar” — para obter sabedoria ou filosofia dos homens ali. Não precisa obter uma educação superior, nem pesquisar cada religião, presente e passada, para achar a verdade. Leu na Bíblia sobre o propósito de Deus. Está na sua própria boca e no seu coração. São “estas boas novas do reino”. (Mateus 24:14) Conforme disse a apóstolo de Cristo: “Se declarares publicamente essa ‘palavra na tua própria boca’, que Jesus é Senhor, e no teu coração exerceres fé, que Deus o levantou dentre os mortos, serás salvo. Porque com o coração se exerce fé para a justiça, mas com a boca se faz declaração pública para a salvação.” — Romanos 10:5-10.
25. Requer Deus de nós algo grande, ou o que é que ele requer?
25 Portanto, Deus não exige de você, leitor, nenhuns atos grandes e poderosos, mas ele diz: “Ele te informou, ó homem terreno, sobre o que é bom. E o que é que Jeová pede de volta de ti senão que exerças a justiça, e ames a benignidade, e andes modestamente com o teu Deus?” (Miquéias 6:8) Não é isto algo razoável — não é realmente o que todos deviam fazer?
26, 27. Quais são algumas das coisas em que podemos ganhar uma dianteira desde já?
26 Portanto, poderá desde já ganhar uma dianteira, eliminando de sua própria vida a injustiça. A fim de evitar ser desviado de seu proceder pelo mau ambiente, terá de se afastar da associação íntima daqueles que fazem coisas más. Paulo escreveu aos que procuravam servir a Deus: “Eu vos escrevi na minha carta que cesseis de manter convivência com fornicadores, não querendo dizer inteiramente com os fornicadores deste mundo, ou com os gananciosos e os extorsores, ou com os idólatras. Senão teríeis realmente de sair do mundo.” (1 Coríntios 5:9, 10) Talvez tenha amigos e colegas de trabalho, que fazem coisas erradas, e, naturalmente, não se pode separar por completo da associação deles. Mas não se associaria com eles em fazer o que é errado, nem manteria constantemente associação íntima com eles. A associação que deve procurar é a boa dos cristãos, os quais observa fazer coisas certas. Esta o fortalecerá. — Hebreus 13:7.
27 Tendo feito isso, permaneça firme neste proceder. Confie em Deus e espere que ele elimine totalmente a injustiça, o crime e a infelicidade no seu novo sistema justo de coisas. — Isaías 32:1, 16-18.
[Fotos na página 159]
Um ambiente ruim contribui para o crime.
[Foto na página 160]
Sob o governo de Jesus Cristo, o ambiente saudável estimulará à boa conduta.
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O fim da doença e da morteA Vida Tem Objetivo
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Capítulo 15
O fim da doença e da morte
1. A que foram as pessoas amiúde induzidas pelo medo da morte?
DENTRE todas as coisas que têm causado pesar e sofrimento à humanidade, a doença e a morte estão na dianteira. Até mesmo o medo da morte tem mantido as pessoas numa forma de servidão, e ameaças de morte têm obrigado a muitos a cometer atos em violação de sua consciência — por exemplo, sob o regime nazista, quando alguns foram aterrorizados até traírem seus próprios amigos. (Hebreus 2:15) Quanto alívio sentirá a humanidade quando estes inimigos, a doença e a morte, forem abolidos! — 1 Coríntios 15:26.
2, 3. (a) Acabar-se com a morte eliminará que outras coisas indesejáveis? (b) De que nos libera agora a promessa de Deus de abolir a morte?
2 Somente o Criador pode ajudar as pessoas a sair desta situação lastimável. E ele não só prometeu fazer isso, mas também lançou o alicerce para a eliminação completa e permanente da morte, sob o governo dos “novos céus” de Jesus Cristo e de seus reis e sacerdotes associados. Deus promete à humanidade que “enxugará dos seus olhos toda lágrima, e não haverá mais morte, nem haverá mais pranto, nem clamor, nem dor.” Ele acrescenta, para nos dar fé e certeza: “Estas palavras são fiéis e verdadeiras.” (Revelação 21:4, 5) Com a eliminação da doença e da morte, também desaparecerão os efeitos debilitantes da velhice, com sua pele enrugada e seu cabelo grisalho.
3 Sabermos desta promessa divina e crermos nela elimina grande parte da tristeza causada pela morte. Não mais estaremos “pesarosos como os demais que não têm esperança”. — 1 Tessalonicenses 4:13.
NÃO É UMA ESPERANÇA NOVA
4. Por que podemos dizer que a esperança de que a morte será abolida não é nova?
4 Esta esperança não é nova. Homens e mulheres, que serviram a Deus há milhares de anos, tiveram esta esperança que os consolava e fortalecia. Embora soubessem que iam morrer, também tinham fé em Deus, de que seriam trazidos de volta, com a oportunidade de ter vida eterna. Alguns destes fiéis foram realmente testemunhas oculares de ressurreições realizadas por Deus, por meio de seus profetas e por Jesus e os apóstolos. Naturalmente, aqueles ressuscitados por fim morreram novamente. Mas os servos de Deus aguardavam então uma “ressurreição melhor”, sob o reino messiânico, quando não mais será necessário morrer de novo, exceto pela desobediência deliberada. — Hebreus 11:16, 35.
5. Que evidência temos de que Abraão, Jó e Daniel tinham certeza de que, morrendo, não permaneceriam mortos para sempre?
5 Abraão demonstrou ter fé notável na ressurreição. (Hebreus 11:17-19) O fiel e perseverante Jó falou sobre estar no Seol, na sepultura, e de ser lembrado por Deus no tempo determinado por Ele. (Jó 14:13) E quando o profeta Daniel pediu entendimento de sua profecia de longo alcance, que havia de se cumprir no “tempo do fim”, o anjo de Deus disse-lhe: “Descansarás, porém, no fim dos dias erguer-te-ás para receber a tua sorte.” — Daniel 12:8, 9, 13.
QUEM RECEBERÁ UMA RESSURREIÇÃO TERRESTRE
6. (a) Que dois grupos gerais de pessoas receberão uma ressurreição terrestre? (b) Na sua ressurreição, qual será a atitude daqueles que, antes de morrerem, foram servos de Deus?
6 A ressurreição, dentre os mortos, será apenas o primeiro passo no propósito de Deus, de reabilitar aqueles que faleceram. Eles sairão da sepultura para ser acolhidos e recebidos pela “grande multidão” de sobreviventes da “grande tribulação”, após a destruição do atual sistema iníquo de coisas haverá dois grupos de pessoas ressuscitadas para viver novamente na terra: (1) Aqueles que se mostraram fiéis a Deus, no passado, entre os quais estão os mencionados no capítulo onze de Hebreus, e (2) aqueles que, antes da morte, nunca foram servos de Deus. “Há de haver uma ressurreição tanto de justos como de injustos”, disse o apóstolo Paulo. (Atos 24:15) Os do primeiro grupo não terão nenhuma dificuldade em aprender e aceitar as provisões de vida, feitas por Deus mediante o sacrifício de Cristo. De bom grado serão obedientes às leis então existentes. Tais fiéis, mesmo agora, enquanto ainda estão na sepultura, são contados por Deus como “viventes”, porque é certo que ele os ressuscitará. — Lucas 20:37, 38.
7. O que se fará a favor dos ressuscitados que não haviam servido a Deus no passado?
7 Aqueles que antes não serviram a Deus, após serem ressuscitados, terão de aprender sobre Jeová, o verdadeiro Deus, e suas bondosas provisões mediante Jesus Cristo. A “grande multidão” de sobreviventes da tribulação será responsável por instruí-los. (Romanos 10:14) As boas novas terão de ser esclarecidas a estes ressuscitados, porque Deus declarou que é preciso que, “no nome de Jesus, se dobre todo joelho dos no céu, e dos na terra, e dos debaixo do chão [na sepultura], e toda língua reconheça abertamente que Jesus Cristo é Senhor, para a glória de Deus, o Pai”. — Filipenses 2:10, 11.
8. Serão os ressuscitados julgados à base de suas ações passadas, ou em que base?
8 Exigir-se-á que os ressuscitados sejam obedientes às leis então vigentes, e eles serão julgados “pelas coisas escritas nos rolos, segundo as suas ações”. (Revelação 20:12) Os “rolos”, pelo visto, representam a Revelação da vontade de Deus para a humanidade, durante aquele período milenar.
A PERFEIÇÃO NÃO É LOGO ALCANÇADA
9. Qual será a situação da “grande multidão”?
9 Os membros da “grande multidão” não serão logo perfeitos, assim que acabar a “grande tribulação”. Mas sobreviverão à destruição deste sistema de coisas por causa de sua fé e obediência, e constituirão o “alicerce” da “nova terra”. (Revelação 7:14-17; veja Isaías 51:16.) De modo que, sem dúvida, continuarão em fidelidade e farão rápido progresso em direção à perfeição, ao seguirem as coisas escritas nos “rolos”. — Salmo 37:30, 31.
10. O que se fará a respeito da séria invalidez que membros da “grande multidão”, bem como os ressuscitados, tiveram antes?
10 Que dizer dos membros desta “grande multidão”, que sofrem de séria invalidez, tal como doença cardíaca, paralisia, cegueira, perda de braços ou pernas, e assim por diante? É razoável crer que recebam cedo uma cura destes defeitos. Quando Jesus esteve na terra, ele ilustrou tais curas. Curou instantaneamente mãos e braços ressequidos, fortaleceu membros paralíticos e restaurou a vista aos cegos. Essas partes do corpo não cresceram novamente aos poucos. (Lucas 6:8-10; João 5:5-9) Do mesmo modo, os ressuscitados voltarão logicamente com corpos sãos. Isto se deu também com todos aqueles que as Escrituras relatam como ressuscitados. (Lucas 8:54, 55) Lázaro, por exemplo, estava parcialmente decomposto, mas ele voltou do sepulcro com as partes decompostas renovadas. (João 11:39-44) Deus fez a seguinte promessa ao seu povo, que ele intencionou restabelecer na terra deles, na antiguidade: “Nenhum residente dirá: ‘Estou doente.’ O povo que mora na terra serão os a quem se perdoa seu erro.” As pessoas poderão fazer as coisas normais da vida, mesmo sem serem ainda perfeitas. — Isaías 33:24.
COMO VIRÁ A PERFEIÇÃO
11. (a) Como se alcançará a perfeição? (b) Por que se precisa fazer uma mudança espiritual antes de haver uma cura física?
11 Entretanto, a plena perfeição física evidentemente virá apenas conforme a pessoa, por causa de sua fé em Cristo, fizer progresso espiritual em ‘revestir-se da nova personalidade’. Embora alguém tenha sido curado duma grande invalidez, ao passo que ele praticar o que é direito, chegará cada vez mais perto da perfeição. Aproveitar-se-á regularmente da provisão de Deus para a sua cura, por meio do sacrifício expiatório de Cristo. (Revelação 22:2) Cristo eliminará misericordiosamente todas as imperfeições de tal pessoa. Esta mudança espiritual terá de ser feita primeiro, porque o pecado é à causa da morte, e ninguém pode ser perfeito, num corpo físico, a menos que o pecado seja completamente eliminado de sua personalidade. A Bíblia sempre relaciona a doença com o pecado. — Lucas 5:18-25; 1 Coríntios 15:56; Romanos 6:23.
12. Que luta tem agora cada servo de Deus em transformar a sua personalidade, e por quê?
12 O apóstolo Paulo descreve a “luta” agora travada por cada um daqueles que procuram transformar sua personalidade, para se tornaram plenamente agradáveis a Deus. Ele diz: “Aquilo que quero, isso não prático; mas aquilo que odeio é o que faço. . . . O bem que quero, não faço, mas o mal que não quero, este é o que prático . . . Quem o produz não sou mais eu, mas o pecado que mora em mim.” (Romanos 7:15-20) Todos os humanos, por meio de herança, foram produzidos “em erro”, em pecado. (Salmo 51:5) Também, todos têm aumentado este pecado, no decorrer de sua própria vida, tendo sido influenciados erroneamente pelo ambiente.
13. O que pode alguém fazer a respeito das (a) más tendências que ‘apanhou’ do seu ambiente, e (b) das más tendências que herdou?
13 Mesmo já hoje a pessoa pode genuinamente livrar-se das coisas que ‘apanhou’ do seu ambiente, com a ajuda da Palavra de Deus, de Seu espírito e da sua própria associação com os servos de Deus. Mas é diferente com aquilo que provém da sua constituição genética, que é parte dela em sentido físico e mental. É verdade que pode lutar contra estas falhas, com bastante êxito, porque o apóstolo nos diz que podemos ‘transformar nossa mente’, ‘revestir-nos da nova personalidade’, ‘produzir os frutos do espírito’, ‘ter uma boa consciência’ e ‘manter uma conduta excelente’. (Romanos 12:2; Efésios 4:24; Gálatas 5:22, 23; 1 Pedro 3:16; 2:12) Mas não podemos eliminar inteiramente estas tendências más, herdadas, só por meio de tal esforço. O apóstolo disse a respeito de sua própria situação: “Homem miserável que eu sou! Quem me resgatará do corpo que é submetido a esta morte? Graças a Deus, por intermédio de Jesus Cristo, nosso Senhor! Assim, pois, com a mente, eu mesmo sou escravo da lei de Deus, mas com a minha carne, escravo da lei do pecado.” — Romanos 7:24, 25.
14. (a) Quando as fraquezas inerentes do cristão o fazem pecar, o que pode ele fazer para continuar no favor de Deus? (b) Como será a pessoa finalmente liberta de todas as fraquezas herdadas, que causam pecado e aflição?
14 No tempo atual, o cristão pode receber o perdão de seus pecados mediante a fé em Jesus Cristo e no sacrifício de sua vida a favor de nossos erros. E ele tem de acompanhar suas orações, pedindo perdão, por fazer o melhor que pode para harmonizar-se com o proceder certo. Nunca pode afrouxar na luta contra as inclinações erradas, e, com a ajuda do espírito de Deus, não precisa ser uma batalha perdida. Sua consciência pode estar limpa. (Romanos 8:2, 11-13; Hebreus 9:14) No novo sistema de coisas, porém, Cristo administrará o pleno benefício de Seu sacrifício, para que as fraquezas herdadas, as ‘deformidades’ genéticas, recebidas dos antepassados, sejam corrigidas. A pessoa será curada em todos os sentidos. Que alívio! Que libertação, quando se puder fazer exatamente o bem que se tem no coração para fazer, todo o tempo! Deveras, graças a Deus mediante Jesus Cristo.
15. (a) Quando não será mais uma luta fazer sempre o que é certo? (b) Como é este ponto salientado pelo apóstolo Paulo, em 1 Timóteo 1:8, 9? (c) Como era Jesus um exemplo do fato de que um homem justo não precisa dum código de leis que proíba o assassinato, o furto, e assim por diante?
15 Portanto, durante o reinado milenar de Cristo, a pessoa pode ficar gradualmente menos sobrecarregada pelas tendências pecaminosas. Fará cada vez mais as coisas certas. Daí, quando tiver alcançado a perfeição, não será mais uma luta para fazer as coisas certas. Será natural fazer o certo. Não se estará nem um pouco inclinado a furtar, a cometer imoralidade, a odiar ou a caluniar os outros. O apóstolo Paulo disse a respeito da lei mosaica, que legislava contra tais coisas: “Ora, sabemos que a Lei é excelente, desde que seja manejada licitamente no conhecimento do seguinte fato: de que a lei é promulgada, não para o justo, mas para os que são contra a lei e os indisciplinados, ímpios e pecadores.” (1 Timóteo 1:8, 9) Quem é perfeito não precisa de lei para adverti-lo a não fazer estas coisas iníquas. Quando Jesus esteve na terra, era-lhe natural fazer o que era certo. Ele ‘amava a justiça e odiava o que era contra a lei’. (Hebreus 1:9) Tinha uma reação imediata, motivada pelo coração, de fazer o bem e rejeitar o mal. Considere a narrativa sobre a sua tentação por Satanás e também o esforço errôneo de Pedro, de fazer com que Jesus evitasse aquilo que Deus lhe apresentara para fazer. — Mateus 4:1-11; 16:21-23.
ACOLHIMENTO DOS RESSUSCITADOS
16. (a) Poderão os ressuscitados ser identificados por si mesmos e seus amigos? (b) Qual é o propósito de Deus em trazer alguém de volta, à terra, por meio duma ressurreição? (c) Embora o ressuscitado não seja julgado pelas suas ações passadas, será que tal atuação passada terá algum efeito sobre a sua vida após a ressurreição?
16 Quanto aos ressuscitados, Deus “recriará” com exatidão cada pessoa, com todo o seu padrão de vida, sua personalidade e sua memória, assim como fora antes. O ressuscitado poderá identificar-se como sendo a mesma pessoa. Também, seus anteriores companheiros o conhecerão pela sua aparência e pelas suas caraterísticas. Poderá então recomeçar a vida, após a interrupção causada pela sua morte, com as mesmas motivações, inclinações e tendências que demonstrara antes. Todavia, seus pecados e erros passados não lhe serão levados em conta. Por que não? Porque o propósito de Deus, em trazê-lo de volta à terra, é oferecer-lhe a oportunidade de se aproveitar do sacrifício de Cristo e de ser liberto do pecado. No entanto, o que alguém fez no passado, se tiver sido mau, terá efeito sobre sua personalidade, e será preciso vencer as resultantes tendências más. Quanto mais injusto tiver sido seu proceder anterior, tanto mais terá de mudar. Alguns talvez não se aproveitem da oportunidade de mudar. — Isaías 26:10.
17. Será que, para alguém que morreu há séculos, parecerá que passou muito tempo entre sua morte e sua ressurreição?
17 Para o ressuscitado, o tempo que esteve morto parecerá apenas um instante, visto que a morte é a não-existência. É comparada na Bíblia com um sono profundo. (João 11:11-14; 1 Tessalonicenses 4:13, 14; Eclesiastes 9:5, 10) Milhares de anos, ou um só dia, parecerão apenas como um instante de tempo. De modo que, para o ressuscitado, será como que atravessar um portal para sair do atual sistema iníquo de coisas e entrar no novo sistema justo e ordeiro de coisas.
18. (a) O que terão de aprender os ressuscitados? (b) Como é que os ressuscitados não serão, logicamente, trazidos de volta a um mundo inteiramente desconhecido, com uma ‘lacuna nas comunicações’?
18 Naturalmente, quem faleceu há muitos anos atrás, ficará surpreso de encontrar a situação na terra tão diferente. Terá de ser informado pelos membros da “grande multidão” a respeito das obras que Deus realizou no ínterim, em especial por dar Seu Filho como sacrifício expiatório. Terá de aprender também que as boas condições são o resultado do Reinado de Cristo. Estaria em harmonia com a benevolência de Deus presumir que os membros duma família e os amigos possam acolher de volta seus entes amados, que faleceram, assim como se deu nas ressurreições relatadas na Bíblia. (Lucas 7:12-15; 8:49-56; Hebreus 11:35) Daí, depois de um período de instrução, os ressuscitados, por sua vez, poderão acolher e ajudar seus entes queridos, ainda mortos, que subseqüentemente serão trazidos de volta. Deste modo, ninguém será ressuscitado num mundo totalmente desconhecido, mas, antes, num companheirismo cordial, sem ‘lacuna nas comunicações’. Este processo continuará até que todos os mortos resgatados estejam finalmente ressuscitados. Quão jubiloso será aquele tempo!
DEUS TORNA-SE “TODAS AS COISAS PARA COM TODOS”
19. Embora a perfeição venha por meio do governo milenar de Cristo, quando se concederá a vida eterna àqueles que estiverem na terra?
19 No fim dos mil anos, terão sido destruídos os últimos vestígios do pecado e de sua conseqüência, a morte. (1 Coríntios 15:26) Mas, será que alcançarem todos, então, esta perfeição na terra significa que tais pessoas não poderão mais pecar? Não, porque a Bíblia revela que aqueles que atingem este estado não terão garantida a vida eterna até que se provem fiéis contra o ataque final de Satanás, o Diabo. Quando o reino e o sacerdócio de Cristo realizarem o restabelecimento da perfeição, Cristo entregará o Reino de novo a Deus, e o homem novamente estará na relação com Deus que Adão teve. Restabelecer-se-á a situação existente no começo, e o destino derradeiro e duradouro do homem caberá só a Deus decidir. Deus permitirá este ataque de Satanás e de suas hostes demoníacas.
20. Que prova sobrevirá aos habitantes perfeitos da terra, no fim dos mil anos?
20 Revelação 20:7-10 descreve o que ocorrerá como prova para os habitantes da terra: “Ora, assim que tiverem terminado os mil anos, Satanás será solto de sua prisão [o abismo, onde foi lançado pouco antes do começo dos mil anos], e ele sairá para desencaminhar aquelas nações nos quatro cantos da terra, Gogue e Magogue, a fim de ajuntá-los para a guerra. O número destes é como a areia do mar [um número não especificado, portanto humanamente indeterminável]. E avançaram sobre a largura da terra e cercaram o acampamento dos santos e a cidade amada. Mas desceu fogo do céu e os devorou. E o Diabo que os desencaminhava foi lançado no lago de fogo e enxofre, onde já estavam tanto a fera como o falso profeta; e serão atormentados dia e noite, para todo o sempre.” — Veja Revelação 20:1-3.
21. (a) Que questão será novamente suscitada? (b) Qual será o resultado?
21 Esta profecia mostra que algumas das pessoas então na terra se agruparão para atacar os fiéis sobre ela. Serão induzidas a isso por Satanás e seus demônios. Por que fariam isso pessoas perfeitas? Assim como Adão e Eva, querem a independência de Deus. Estão convencidas de que há a oportunidade de fazer isso. Satanás oferecerá assim a ‘última resistência’, para vencer sua luta pela grande questão que ele suscitara originalmente, a saber, a questão da justeza do governo de Deus. Ele fracassará, porque os fiéis, sem dúvida constituindo a grande maioria da humanidade, permanecerão firmes. Daí, Satanás e os que o tiverem seguido serão lançados no “lago de fogo”. Este é a “segunda morte”, onde ficarão por toda a eternidade em ‘tormento’ (os carcereiros, na antiguidade, eram chamados de “atormentadores” [Mateus 18:34, Almeida, revista e corrigida]. Ficarão ‘encerrados’ para sempre na não-existência.
22. (a) Como pode Deus com segurança garantir a vida eterna na terra àqueles que permanecerem fiéis na prova final? (b) Que exemplo temos de que Deus pode conhecer alguém tão cabalmente, que pode ter a certeza de que ele nunca pecará?
22 Àqueles que fielmente se tiverem mantido firmes a favor do governo ou da soberania de Deus conceder-se-á então a vida eterna. Eles ‘passarão a viver’, quer dizer, terão garantida a vida real, (Revelação 20:4-6) Deus se tornará assim “todas as coisas para com todos”. (1 Coríntios 15:28) Mas, como pode Deus garantir com segurança que estes viverão para sempre? Porque ele conhece cabalmente os que o amam e que nunca se desviariam dele. Temos o exemplo desta capacidade de Deus no caso de Jesus Cristo, a quem Deus conhecia tão cabal e totalmente, que podia predizer que Cristo permaneceria fiel, em todas as provas. Deus fez até mesmo que seus profetas escrevessem de antemão sobre muitos dos próprios pormenores daquilo que Cristo faria em obediência a Deus, sob severas dificuldades. — Isaías 53:7, 11; Salmos 40:7-10; 45:7.
CUMPRIDO O PROPÓSITO DE DEUS PARA COM A TERRA
23. Como se usufruirá a vida, com plena oportunidade de usar os talentos e as habilidades para o bem-estar de todos na terra?
23 Assim, embora tenha levado tempo, o propósito de Deus para com a terra terá glorioso cumprimento. A terra será um grandioso paraíso, cheio de humanos que louvam a Deus e que têm amor uns aos outros. Mas, não ficará então a terra cheia demais? Não. Podemos ter a certeza de que Deus sabe o número de pessoas que podem viver confortavelmente na terra. De modo que pode reservar bastante espaço para montanhas e mares, bem como lugar para o habitat da vida selvática, para beleza e recreação. Ajustará as coisas de modo que não haja sensação de aperto, como se dá hoje no caso das grandes cidades. A vida será agradável, todas as pessoas estando em harmonia. No entanto, visto que estas variarão em personalidade e em dons e talentos, e habilidades, haverá infindáveis perspectivas de interesse e prazer a ser usufruídos na sua companhia. Os muitos campos de atividade fornecerão absorvente estudo, pesquisa e empreendimento, com um objetivo real e duradouro. Cada um poderá contribuir com seus talentos e habilidades para o bem-estar comum, e terá energia e tempo para isso. — Veja Isaías 40:29-31 e o princípio expresso em Eclesiastes 5:18-20.
24. (a) Qual será então a relação do homem com os animais? (b) Ocorrerão acidentes sérios?
24 Quando Deus criou o homem e a mulher, disse-lhes que subjugassem a terra e exercessem domínio sobre a criação animal. (Gênesis 1:28) A terra foi concedida como dádiva ao homem — seu lar. (Salmo 115:16) Portanto, o homem saberá como cuidar da terra, exercendo controle devido e amoroso sobre os animais. Os animais serão amigos do homem e instintivamente respeitarão seu domínio. Deus demonstrou isso quando restabeleceu o antigo Israel depois do exílio em Babilônia. (Oséias 2:18) De plena posse de suas faculdades, com todos os seus sentidos atentos, o homem não sofrerá acidentes sérios. Veja os animais no seu meio ambiente natural. O morcego, com seu equipamento de “sonar”, voa no escuro, evitando sem errar os objetos, mesmo tão finos como uma corda de piano. O pássaro pousa perfeitamente num galho ou ramo. Eles estão plenamente equipados para a vida que levam e gostam de viver. Com raciocínio ainda mais forte, podemos presumir que o homem, sendo superior aos animais, estará perfeitamente à vontade no seu meio ambiente.
25. Por que nunca se tornará a vida então monótona e tediosa?
25 O trabalho será então alegre. O homem não terá de comer o pão ‘no suor do seu rosto’, assim como se disse a Adão, depois de ele ter pecado. (Gênesis 3:19) O trabalho e o exercício de todas as suas faculdades manterão os homens ocupados em empreendimentos meritórios e objetivos. Assim como prefigurado no antigo Israel, quando aquele povo obedecia à lei, haverá ampla concessão de tempo para associação com os mais próximos e mais íntimos, bem como para conhecer novos amigos. Assim se terá amigos em toda a terra, os quais sempre permanecerão amigos. Tudo isso resultará de se fazer amizade com aqueles que mais amam a humanidade, Jeová Deus e seu Filho, Jesus Cristo. — João 15:14.
[Foto na página 169]
Quando Jesus Cristo esteve na terra, ele realmente trouxe os mortos de volta à vida.
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Pode confiar em receber uma recompensaA Vida Tem Objetivo
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Capítulo 16
Pode confiar em receber uma recompensa
1. A quem podemos agradecer estar aqui na terra?
A VIDA é uma dádiva de Deus. Ninguém teria vida nenhuma, se Deus, por causa de sua própria generosidade, não tivesse criado o primeiro homem e a primeira mulher. (Revelação [Apocalipse] 4:11) Visto que somos pecaminosos, não estaríamos aqui se Deus não tivesse pacientemente ‘agüentado’ nosso modo de proceder. “Se vigiasses os erros, ó Já, ó Jeová, quem poderia ficar de pé?” escreveu o salmista. — Salmo 130:3.
2. Embora a vida seja uma dádiva gratuita, de que depende a continuação dela?
2 A vida é deveras uma dádiva gratuita. E é da vontade de Deus que a raça humana continue vivendo. (1 Timóteo 2:3, 4) Ele não só deu à humanidade vida, mas vida com um objetivo. Deus não concede a vida eterna aos seus inimigos, porque estes apenas causariam desordens na terra e prejudicariam os outros. Por isso, obtermos a vida eterna depende de nossa fé em Deus, o que realmente significa que temos de ser amigos de Deus. “Sem fé é impossível agradar-lhe bem, pois aquele que se aproxima de Deus tem de crer que ele existe e que se torna o recompensador dos que seriamente o buscam.” — Hebreus 11:6.
3. Qual é o objetivo principal em se estudar a Bíblia?
3 Nossa fé, portanto, granjeia a amizade de Deus, e esta amizade significa uma recompensa. Quando você, leitor, estuda a Bíblia, assim como está fazendo, realmente o está procurando — quer dizer, procurando conhecê-lo, agradar a ele e tornar-se amigo dele. E ao passo que aprende mais sobre ele, sua fé se torna mais forte, mais solidamente fundada. — 2 Pedro 1:5-8.
4. Se sinceramente buscarmos a Deus. por estudar a sua Palavra, que garantia podemos ter?
4 Talvez se pergunte: ‘Por que consigo ver estas coisas, a respeito dos propósitos de Deus, quando muitos dos meus amigos e conhecidos não as vêem?’ Pode deveras sentir-se feliz com isso, porque dentre milhões de pessoas, Deus achou próprio deixá-lo saber seu propósito. Ele atrai a si todo aquele a quem quer, mas não arbitrariamente, nem sem um bom motivo. Não podemos ver o que Deus vê. Deus revela seus segredos àqueles que têm uma mente que indaga com sinceridade, para conhecê-lo, assim como salientou Jesus. (Mateus 13:10-15) E ele sabe exatamente quando a situação está certa para a pessoa ver e entender a verdade das boas novas. (Atos 8:25-36) A escolha de amigos, por Deus, é certa. Ele não comete enganos. Por isso, pode ter a certeza de que se lhe abrirá uma oportunidade para ter vida eterna. — Atos 13:48.
5. Que amoroso apreço mostra Deus, pelos que sinceramente o buscam?
5 Jeová Deus vê o coração. Ele abençoa os que usam sua faculdade de raciocínio e pesquisam sinceramente sua Palavra. Aprecia e favorece aqueles que lhe prestam nem que seja o mínimo serviço, oferecendo-lhes oportunidades adicionais para conhecê-lo. — Mateus 10:40-42.
6. Por que não devemos subestimar ou menosprezar as oportunidades que Deus nos apresenta para conhecê-lo?
6 Entretanto, o apóstolo Paulo advertiu: “Cooperando com ele, também nós instamos convosco Para que não aceiteis a benignidade imerecida de Deus e desacerteis o propósito dela.” (2 Coríntios 6:1) Cabe àquele a quem Deus favorece com a sua benignidade apreciá-la e prosseguir, passando a estabelecer uma relação verdadeira e duradoura com ele. (2 Coríntios 6:2) Quão lamentável é quando alguém, que recebeu o favor de Deus, se desvia e sai perdendo a bela recompensa! — Provérbios 4:5-9.
OBJETIVO PESSOAL NA VIDA AGORA
7. (a) Em vista do que já estudamos, o que podemos concluir? (b) O que acontecerá se alguém seguir um objetivo na vida, o qual desconsidera a vontade de Deus?
7 Conforme considerou até agora a Palavra de Deus sobre o propósito dele, a verdade tornou claro que sua própria vida deveras TEM UM OBJETIVO. É da vontade de Deus que harmonizemos nossa vida com o propósito dele, porque somente a sabedoria e a orientação de Deus podem levar-nos ao alvo desejável e feliz. Um homem ou uma mulher talvez se empenhem em alcançar um objetivo com boas intenções, e este objetivo pode parecer bem sucedido, por um tempo. Mas, se não tiver consideração pela orientação de Deus, acabará apenas em frustração. Tal pessoa realmente estará em desarmonia com o restante da criação de Deus.
8, 9. Qual será o resultado para alguém que passa pela vida sem objetivo?
8 O apóstolo Paulo escreveu ao jovem Timóteo, mostrando a razão de se tomar por objetivo seguir os caminhos de Deus. Ele disse: “Numa casa grande não há só vasos [utensílios] de ouro e de prata, mas também de madeira e de barro, e alguns para fins honrosos, mas outros para fins sem honra. Portanto, se alguém se mantiver livre destes últimos, será vaso para fim honroso, santificado, útil para o seu dono [Jeová Deus comprou toda a humanidade por meio do sacrifício de seu Filho], preparado para toda boa obra.” — 2 Timóteo 2:20, 21.
9 Mas, sem objetivo na vida, neste mundo, a pessoa cai facilmente vítima das más influências, ‘jogado como que por ondas e levado para cá e para lá por todo vento de ensino, pela velhacaria de homens, pela astúcia em maquinar o erro’. (Efésios 4:14) Tornar-se-á vaso para fins sem honra.
O BATISMO, PASSO SÉRIO, MAS ESSENCIAL
10. Quando deve ser batizada a pessoa?
10 Depois de saber e determinar qual é a vontade de Deus, e depois de fazer uma dedicação de si mesmo, mediante Cristo, para fazer a vontade de Deus para sempre, você poderá ser batizado em água. Este passo é muito sério. Terá de ter certeza de que quer adotar este proceder. Com isso imitará o exemplo de Jesus e obedecerá à sua ordem. O batismo é essencial para quem quer tornar-se seguidor de Jesus Cristo. (Hebreus 10:7; Mateus 3:13-15; 28:19, 20) Por ser batizado, declara publicamente que seu objetivo na vida é servir plenamente a Deus, conforme se lhe revelarem a vontade e o propósito dele. Tome a sua própria decisão. Não deve ser batizado porque deixa que outro o “empurre”, ou só porque outros são batizados.
11. Deve o recém-batizado achar que ele (ou ela) não precisa mais de conselho ou de ajuda? Por quê?
11 Mas, o batismo em símbolo de sua dedicação é apenas o começo de sua carreira cristã. Não importa qual a educação ou a posição que tenha neste mundo, biblicamente ainda é um “bebê” espiritual. É absolutamente essencial que prossiga estudando, continuando a obter a ajuda daqueles que servem a Deus. (1 Coríntios 14:20) Precisa da associação regular com a congregação cristã. Não tente prosseguir ‘por conta própria’. — Hebreus 10:24, 25.
12. Será que estar muito tempo ‘na verdade’ por si só já significa que alguém é cristão maduro? Por quê?
12 O tempo que está ‘na verdade’ não é o único barômetro de sua espiritualidade. O contínuo estudo e aplicação dos princípios bíblicos também são necessários para produzir os frutos que indicam a madureza. (Hebreus 5:14; Romanos 12:1, 2) O apóstolo Paulo esclareceu estes pontos aos primitivos cristãos hebreus. Disse-lhes: “Deveras, embora devêsseis ser instrutores, em vista do tempo, precisais novamente que alguém vos ensine desde o princípio as coisas elementares das proclamações sagradas de Deus e vos tornastes tais que precisais de leite, não de alimento sólido.” Aconselhou-lhes: “Avancemos à madureza.” — Hebreus 5:12; 6:1.
AGUARDAR A RECOMPENSA NÃO É SER EGOÍSTA
13. É ser egoísta servir a Deus visando uma recompensa? Explique isso.
13 Em seguir um objetivo na vida, como seguidor de Jesus Cristo, e inteiramente correto, e não é ser egoísta, aguardar que Deus o recompense pela sua fidelidade a ele. (Colossenses 3:24) Jeová quer que saibamos que ele é a espécie de Deus que recompensa os que o amam. Não é como muitas pessoas do mundo, que não têm apreço nem consideração para com aqueles que fazem as coisas em amor e lealdade. E um deus sem apreço e lealdade, que nunca recompensasse seus servos, seria indigno de adoração. Mas Jeová Deus é leal; é cordial e se achega aos seus amigos. (Jeremias 3:12) Mesmo que você cometa um sério erro, rogue-lhe seu perdão em oração. (1 João 1:9; 2:1, 2; Lucas 18:1-8) Procure a ajuda de concristãos. (Tiago 5:16-18) Se se apegar a ele em fé, ela ‘de modo algum o deixará e de modo algum o abandonará’. — Hebreus 13:5, 6.
14. Mesmo que cheguemos a servir a Deus com toda nossa força, qual deve ser a nossa atitude?
14 Contudo, Jesus disse que, da nossa parte, não devemos achar que fazemos um “favor” a Deus ou que merecemos a vida, como salário, por servir a ele. Ele disse aos seus discípulos: “Quando tiver desfeito todas as coisas que vos foram determinadas, dizei: ‘Somos escravos imprestáveis. O que temos feito é o que devíamos fazer.”‘ (Lucas 17:10) Não obstante, sabemos que Deus nos ama e não acha que nossos esforços não tenham valor para ele.
15. Que recompensa traz a fidelidade, agora e no futuro?
15 Portanto, há grandes recompensas a aguardar, de coisas muito além do que podemos conceber. Mantermos a fidelidade a Deus provê, em primeiro lugar, uma vida melhor agora, com um objetivo. (1 Timóteo 4:8) Depois, há a perspectiva de fazer parte do “alicerce” da “nova terra”. Quanta alegria será participar no “trabalho de fundação”, de transformar a terra num paraíso! Além disso, quão excelente será estar presente para acolher de volta as pessoas, na ressurreição, e ensiná-las, ajudá-las e educá-las! Há um belo objetivo na vida à frente!
16. Por que é servir a Deus agora um privilégio tão grande?
16 Mas não menospreze a maravilhosa oportunidade que você tem agora para servir a Deus. Por que esta é a última vez que as pessoas terão a oportunidade de tomar o lado de Deus na questão do governo universal, no meio de todo um mundo de pessoas que não sabem das provisões de Deus. Além disso, é a última oportunidade de proclamar as boas novas a tais pessoas, em condições de oposição. Que maneira excelente para provar sua lealdade a Deus! (Mateus 24:14) Fazer isso traz a maior das recompensas. Agora tem a oportunidade de trabalhar junto com a “família de Deus, que é a congregação do Deus vivente, coluna e amparo da verdade”, em transmitir e proclamar as boas novas do Reino a outros. — 1 Timóteo 3:15.
NÃO DESANIME DIANTE DA OPOSIÇÃO
17. Por que pode esperar oposição, e como deverá encará-la?
17 Pode associar-se com esta congregação, em que Deus “depositou” a verdade sobre si mesmo e seus propósitos. Mas quando procura fazer vigorar a verdade da Palavra de Deus na sua vida e falar a verdade, não se surpreenda, nem desanime, quando se confrontar com oposição. O apóstolo Pedro proferiu as seguintes palavras consoladoras: “Amados, não fiqueis intrigados com o ardor entre vós, que vos está acontecendo como provação, como se vos sobreviesse coisa estranha. Ao contrário,‵ prossegui em alegrar-vos por serdes partícipes dos sofrimentos do Cristo, para que vos alegreis e estejais também cheios de alegria durante a Revelação de sua glória. Se fordes vituperados pelo nome de Cristo, felizes sois, porque o espírito de glória, sim, o espírito de Deus, está repousando sobre vós.” — 1 Pedro 4:12-14.
18. (a) Como poderá desenvolver maior compreensão daqueles que se lhe opõem? (b) Deve pensar que aqueles que se lhe opõem são totalmente iníquos? (c) Mesmo quando tratado rudemente, qual deve ser a sua reação?
18 Quando se vê confrontado com oposição, é bom olhar para traz, para a sua situação anterior, sua vida e sua atitude, antes de chegar a conhecer os propósitos de Deus. Isto o ajudará a condoer-se da situação daqueles que se lhe opõem e ter compaixão para com eles. Talvez se lembre de que, anteriormente, na sua ignorância dos caminhos de Deus, também fez muitas das coisas erradas que eles fazem agora. Talvez tenha tido até mesmo uma atitude má para com Deus, para com a Bíblia e para com aqueles que são testemunhas de Jeová Deus. (Veja Colossenses 3:5-7.) Pensando em como se sentiu naquele tempo, poderá evitar a sensação de que estas pessoas são totalmente “iníquas”, porque não escutam. Não as condenará, nem desistirá delas como sem esperança. Quando alguém, de maneira rude, questiona a sua fé, estará ‘sempre pronto para fazer uma defesa perante todo aquele que reclamar de você uma razão para a esperança que você tem, fazendo-o, porém, com temperamento brando e profundo respeito’. — 1 Pedro 3:15.
EVITE SER ‘EXCESSIVAMENTE JUSTO’
19. (a) Como poderá alguém cair na armadilha de ser excessivamente Justo? (b) Em vez de pensar que é melhor do que aqueles que não servem a Deus, de que se deve dar conta e o que deve fazer?
19 Quando alguém vê o caminho certo para a vida, há uma tentação de se tornar “justo demais”. Talvez tenda a ser “perfeccionista”. Isto pode levá-lo a começar a ser crítico dos outros, a menosprezá-los e a se tornar juiz de seu próximo. (Eclesiastes 7:16; Mateus 7:1, 2) Pode chegar a ter a idéia de que é um pouco melhor do que aqueles que ainda não conhecem a verdade. Mas é preciso lembrar que Cristo morreu por toda a humanidade. Você é parte dela, e, sem a ajuda dele, seria igual aos demais. Jesus Cristo tem compaixão para com todos. Sabe que as circunstâncias e o espírito deste mundo, sob o seu deus, Satanás, forçaram muitas pessoas ao mau caminho na vida. Foi dito profeticamente: “A própria escuridão cobrirá a terra e densas trevas os grupos nacionais.” Isto se dá hoje. (Isaías 60:2) Por isso, é necessário ter entendimento e compaixão, e tomar por objetivo ajudar, em vez de acusar ou condenar. — 1 Tessalonicenses 2:7, 8.
20, 21. Que princípio e proceder deve adotar a pessoa para com os intimamente associados com ela?
20 Por conseguinte, o marido ou a mulher, quando chega ao conhecimento da verdade, deve fazer empenho em transformar-se em marido ou mulher melhor. O filho deve tornar-se melhor, mais obediente. Isto pode ter mais influência sobre os outros, do que as palavras. Embora todos aqueles que recebem a verdade devem ser entusiásticos e zelosos, é preciso reconhecer que qualquer tentativa de “empurrar” o cônjuge, parente ou amigo incrédulo pode na realidade fazer com que deixe de escutar. Não “aborreça” alguém por ele ter certo hábito ou crença que você não aprova. Antes, use de paciência e de mais do que a costumeira bondade. Mesmo para com os que se mostram inimigos, seja ‘cauteloso como as serpentes, contudo, inocente como as pombas’, usando todos os meios possíveis, em amor, para ajudar outros a compreender a verdade. (Mateus 10:16; 1 Coríntios 9:20, 23) Quer você seja esposa, quer marido ou filho, siga o princípio expresso pelo apóstolo Pedro em 1 Pedro 3:1, 2:
21 “Da mesma maneira vós, esposas, estai sujeitas aos vossos próprios maridos, a fim de que, se alguns não forem obedientes à palavra, sejam ganhos sem palavra, por intermédio da conduta de suas esposas, por terem sido testemunhas oculares de sua conduta casta, junto com profundo respeito.”
SEJA FELIZ EM MANTER A INTEGRIDADE
22. (a) Fará seu empenho de aplicar os princípios bíblicos com que os problemas sempre sejam eliminados? (b) Se as coisas não Lhe saírem muito bem, que atitude deverá evitar?
22 Durante a sua vida como cristão, as coisas nem sempre sairão certas para você, leitor, porque ainda não estamos no novo sistema de coisas de Deus. Seus esforços de aplicar os princípios bíblicos nem sempre solucionarão ou eliminarão seus problemas. Mas eles o ajudarão muito em lidar com tais problemas. Habilitá-lo-ão a fazer todo o possível para torná-los menos perturbadores. Portanto, se ocorrer algo que o perturbe, não passe a queixar-se. Antes, seja feliz. Alegre-se na verdade. Reconheça que o motivo disso são o pecado de Adão e a influência de Satanás, como “deus deste sistema de coisas”; e não Deus. — 2 Coríntios 4:4.
23. Caso na congregação do povo de Deus ocorra algo mau, é isso motivo para ficar desanimado, ofendido ou aborrecido?
23 Portanto, em vez de queixar-se das dificuldades ou das ocorrências indesejáveis, das quais presumiu que não aconteceriam entre o povo de Deus, aproveite a oportunidade para mostrar que é semelhante a Cristo, alguém que mantém a integridade. Vindique o nome de Jeová por demonstrar que nem todos os homens deixam que as dificuldades os afastem de Deus, assim como o Diabo acusou, mas que podem manter a integridade.
24. (a) Como nos dá nosso serviço a Deus um objetivo satisfatório na vida? (b) Podemos contar para sempre com a continuação dum objetivo na vida, sem tédio ou monotonia?
24 Deveras, quão recompensador é o objetivo da vida! Com todas as coisas de valor, que podemos fazer agora, usando os “dons” ou habilidades que temos para honrar a Deus e ajudar nosso próximo, há verdadeira satisfação em viver — encontramos nosso lugar na vida. E Deus, em usar-nos, não nos pede que renunciemos a uma vida normal e produtiva, e nos tornemos ascetas ou de outro modo fanáticos. Antes, ele torna a vida melhor e mais produtiva daquilo que tem valor duradouro. Outrossim, sempre receberemos da mão de Deus novas e emocionantes perspectivas de realizações, de modo que a vida terá cada vez mais objetivo, nunca sendo monótona. Conforme escreveu o apóstolo Paulo aos seus companheiros cristãos: “Meu Deus, por sua vez, suprirá plenamente todas as vossas necessidades ao alcance das suas riquezas, em glória, por meio de Cristo Jesus.” — Filipenses 4:19; Salmo 145:16; Romanos 8:38, 39.
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