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“Cingi-vos de humildade mental”A Sentinela — 1975 | 1.° de janeiro
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“Cingi-vos de humildade mental”
“Todos vós, porém, cingi-vos de humildade mental uns para com os outros, porque Deus se opõe aos soberbos, mas dá benignidade aos humildes.” — 1 Ped. 5:5.
1. Que qualidades se exorta os cristãos a desenvolver? Por quê?
CONHECE pessoas orgulhosas, soberbas, vaidosas, egotísticas e convencidas? A maioria de nós conhece a tais. Mas, quanto mais preferimos a companhia dos que são humildes, têm humildade mental, são modestos, mansos e despretensiosos! De fato, as qualidades da despretensão e da humildade mental são qualidades que todos os cristãos são exortados a desenvolver. Em certa ocasião, Jesus sabia que seus discípulos haviam discutido entre si quem era o maior, e ele lhes disse: “Se alguém quer ser o primeiro, tem de ser o último de todos e ministro de todos.” Daí passou a mostrar que não havia lugar para alguém ser arrogante, salientando que, se eles aceitassem pessoas semelhantes a crianças à base de seu nome, seria o mesmo que aceitar a ele, bem como seu Pai Jeová. Por isso, certamente exortou-se os discípulos a terem humildade mental. (Mar. 9:33-37) Pedro escreveu anos depois: “Todos vós, porém, cingi-vos de humildade mental”, e ele passou a explicar o motivo disso, dizendo, “porque Deus se opõe aos soberbos, mas dá benignidade imerecida aos humildes”. (1 Ped. 5:5) Assim, não só nós achamos a humildade mental uma qualidade desejável, mas também Deus a acha assim, e ele recompensa a tais com benignidade imerecida.
2. Por que devemos considerar Segundo Reis, capítulo cinco?
2 Queremos ter a aprovação de Deus, por isso faremos bem em dar séria consideração a este assunto de se ser humilde. Visto que a Bíblia diz que as coisas escritas nela “foram escritas para a nossa instrução”, podemos encontrar nas Escrituras uma narrativa que nos ensine a ser humildes? (Rom. 15:4) Uma narrativa que merece consideração se encontra em Segundo Reis, capítulo cinco. Ali ficamos sabendo de alguém, nos tempos antigos, que se tornou humilde, e por lermos e analisarmos a narrativa podemos tirar proveito pessoal, ao passo que cada um de nós procura cingir-se de humildade mental.
NAAMÃ APRENDE A SER HUMILDE
3. O que aprendemos sobre o homem Naamã?
3 No décimo século A.E.C., a Síria, ao norte de Israel, tinha um chefe de exército chamado Naamã, que conduziu os sírios à vitória. Sem que Naamã o soubesse naquele tempo, foi Jeová quem deu à Síria a salvação por meio dele. Naamã “tornara-se um grande homem diante do seu senhor e era estimado, . . . e o próprio homem mostrara-se valente, poderoso”. (2 Reis 5:1) Sem dúvida, por causa de sua posição e de suas façanhas militares, Naamã era homem orgulhoso, mas havia contraído a lepra. Esta doença repugnante não o impediu de ocupar o cargo de chefe do exército na Síria, assim como teria impedido em Israel, mas, com o tempo, serviu para humilhá-lo e beneficiá-lo de maneira bem incomum. — Lev. 13:46.
4. Como soube o rei da Síria a respeito de Eliseu?
4 Guerrilhas sírias haviam capturado uma mocinha israelita da terra de Israel, e esta mocinha tornou-se criada da esposa de Naamã. Esta mocinha (cujo nome não é dado na Bíblia) sabia a respeito do profeta de Jeová chamado Eliseu e os milagres que este havia feito. Ela tinha fé no Deus de Eliseu, Jeová, e deu testemunho de sua fé. Em certa ocasião, ao falar com a esposa de Naamã, sua ama, ela disse: “Se tão-somente meu senhor estivesse diante do profeta que está em Samaria! Neste caso o restabeleceria de sua lepra.” O testemunho da mocinha israelita chegou com o tempo aos ouvidos do rei da Síria. — 2 Reis 5:2-4.
5. Como entrou Naamã em contato com Eliseu?
5 O rei sírio, evidentemente Ben-Hadade II, escreveu uma carta a Jeorão, rei de Israel, e enviou seu chefe do exército Naamã cerca de cento e sessenta quilômetros para entregá-la. Junto com Naamã enviou presentes valiosos. Jeorão recebeu a carta e leu: “E agora, ao mesmo tempo em que recebes esta carta, eis que te envio eu Naamã, meu servo, para que o restabeleças da sua lepra.” Jeorão ficou consternado com a carta e temeu que o rei sírio estivesse “procurando briga” com ele. Eliseu, profeta do verdadeiro Deus, soube disso e mandou avisar o Rei Jeorão, dizendo: “Que [Naamã] venha a mim, por favor, para que saiba que há um profeta em Israel.” Assim, Naamã finalmente ia receber atenção pessoal do homem de quem a mocinha israelita disse que podia curá-lo! — 2 Reis 5:5-8.
6. (a) O que aconteceu quando Naamã chegou à casa de Eliseu? (b) O que não procurava fazer Eliseu, e em que estava interessado?
6 “Portanto, Naamã veio com os seus cavalos e com os seus carros de guerra, e ficou de pé à entrada da casa de Eliseu.” Qual seria a reação de Eliseu na presença de tal dignitário? Faria um espalhafato especial por causa deste famoso chefe de exército? A narrativa prossegue: “Eliseu, todavia, enviou-lhe um mensageiro, dizendo: ‘Indo para lá, tens de banhar-te sete vezes no Jordão, para que a tua carne volte a ti; e sê limpo.’” Não, Eliseu não procurava granjear o favor de pessoas de alta posição. Estava interessado em continuar a ter o favor de Jeová e em cuidar de que se fizesse a vontade Dele. — 2 Reis 5:9, 10.
7. Como reagiu Naamã às instruções de Eliseu?
7 Agradou-se Naamã ao saber quão fácil lhe era ficar curado de sua lepra? Não; antes, a narrativa prossegue, dizendo: “Nisso Naamã ficou indignado e começou a ir-se embora e a dizer: ‘Eis que eu disse a mim mesmo: “Virá para fora a mim, e certamente se porá de pé e invocará o nome de Jeová, seu Deus, e moverá a sua mão para cá e para lá sobre o lugar, e realmente restabelecerá o leproso.” Não são o Abana e o Farpar, os rios de Damasco, melhores do que todas as águas de Israel? Não me posso banhar neles e certamente ficar limpo?’ Com isto se virou e foi embora em furor.” — 2 Reis 5:11, 12.
8. O que fez o orgulho de Naamã que este perdesse de vista e o que o ajudaram a considerar seus servos?
8 Parecia que o orgulho de Naamã ia impedi-lo de ser curado. Ele não se agradou da pouca acolhida que recebera, nem de tal remédio simples. Parecia estar mais interessado em alguma pompa e cerimônia relacionadas com a cura, do que na própria cura. O orgulho estava prestes a interferir na obediência às instruções do profeta de Deus. Mas os servos de Naamã ajudaram-no a ver as coisas na perspectiva certa. Disseram: “Se tivesse sido uma grande coisa que o próprio profeta te falasse, não a farias? Quanto mais, então, quando ele te disse: ‘Banha-te e sê limpo’?” (2 Reis 5:13) Eles tinham o conceito correto. Reconheciam que o principal era que Naamã ficasse curado de sua doença, e sua palestra com seu amo produziu resultados.
9. O que aconteceu quando Naamã obedeceu às instruções de Eliseu?
9 “Então ele desceu e começou a mergulhar no Jordão sete vezes, segundo a palavra do homem do verdadeiro Deus.” Sim, começou a mostrar humildade mental; cingiu-se de humildade e adotou o proceder recomendado. Foi ao Jordão e mergulhou na água, uma vez, duas vezes, e até seis vezes, mas ainda não havia cura. Depois veio o sétimo mergulho, com que resultado? “Depois disso lhe voltou a carne como a carne dum pequeno rapaz e ele ficou limpo.” Ficou curado! — 2 Reis 5:14.
10. (a) Como reagiu Naamã ao ser curado? (b) Por que recusou Eliseu a oferta dum presente por Naamã?
10 Mas que efeito humilhante teve isto sobre Naamã? Voltaria então para casa, orgulhoso de sua condição purificada, mas sem apreço do que se havia feito? A narrativa prossegue, mostrando que ele voltou ao homem do verdadeiro Deus, numa distância de talvez quarenta quilômetros ou mais, junto com seus cavalos e carros de guerra. Esta vez, Eliseu se apresentou a ele e Naamã disse: “Eis que sei ao certo que não há Deus em parte alguma da terra a não ser em Israel.” Que confissão de fé! Em gratidão, ofereceu a Eliseu um presente de bênção. Eliseu, porém, não estava interessado em lucrar por servir a Jeová, e por isso disse: “Assim como vive Jeová perante quem estou de pé, não o aceitarei.” Apesar das instâncias de Naamã, Eliseu “recusava” aceitar qualquer presente, porque se dava conta de que Jeová era Aquele que curava e não procurava tirar proveito do cargo que Jeová lhe dera. — 2 Reis 5:15, 16.
11, 12. Que preocupação expressou então Naamã? De que modo?
11 Finalmente, Naamã disse: “Se não, por favor, dê-se ao teu servo um pouco de solo, a carga de um par de mulos; porque o teu servo não mais fará oferta queimada nem sacrifício a quaisquer outros deuses, senão a Jeová.” Naamã expressou humildemente seu desejo de adorar o Deus de Eliseu, mas quis fazer isso em solo israelita, embora tivesse de voltar ao serviço do rei da Síria. 2 Reis 5:17.
12 Quanta humildade mental Naamã veio a ter, não se preocupando com qualquer ostentação ou com destacar-se, mas, antes, estando interessado em agradar a Jeová, aquele a quem reconhecia então como o verdadeiro Deus! Prosseguiu, dizendo a Eliseu: “Que Jeová perdoe ao seu servo na seguinte coisa: Quando meu senhor entrar na casa de Rimom [deus falso adorado pelo rei da Síria], para se curvar ali, e ele se apoiar na minha mão, e eu tiver de curvar-me na casa de Rimom, quando eu me curvar na casa de Rimom, por favor, que Jeová perdoe ao teu servo neste respeito.” Naamã não mais ia adorar este ídolo Rimom, mas curvar-se ele seria apenas algo mecânico de sua parte, para facilitar que o rei se curvasse. Eliseu acreditou na sinceridade de Naamã, e por isso lhe disse: “Vai em paz.” — 2 Reis 5:18, 19.
13. Em que resultou para Naamã ‘cingir-se ele de humildade mental’?
13 Não é interessante ver que, num espaço de tempo relativamente curto, Naamã aprendeu a ‘cingir-se de humildade mental’, e, em resultado, tornou-se adorador de Jeová e obteve Seu favor e Sua bênção? Mas, durante este mesmo tempo, um outro tornou-se egocêntrico e arrogante. Quem era?
GEAZI É MOVIDO PELA GANÂNCIA
14, 15. Como mostrou Geazi em que se interessava realmente?
14 Eliseu tinha um ajudante chamado Geazi, que aparentemente presenciou a palestra de Naamã com Eliseu. Geazi encarava o assunto de modo diferente de Eliseu. Relata-se que ele disse, aparentemente para si mesmo: “Eis que meu amo poupou Naamã, este sírio, por não aceitar da sua mão o que ele trouxe. Por Jeová que vive, correrei atrás dele e tomarei algo dele.” Geazi estava interessado em ganho material, em lucrar da obra do espírito de Jeová; de modo que os assuntos espirituais não ocupavam o lugar primordial na sua mente — 2 Reis 5:20.
15 Naamã desceu do seu carro para ir ao encontro de Geazi e perguntou: “Está tudo bem?” Geazi respondeu: “Tudo bem”, e depois passou a mentir para obter o que queria. “Meu próprio amo me enviou, dizendo: ‘Eis que agora mesmo vieram ter comigo dois moços da região montanhosa de Efraim, dos filhos dos profetas. Por favor, dá-me deveras um talento de prata e duas mudas de roupa.’” Geazi envolveu mentirosamente seu amo Eliseu e os filhos dos profetas na sua trama vil. — 2 Reis 5:21, 22.
16. O que aconteceu quando Geazi voltou a Eliseu?
16 Naamã ainda mostrava ter o mesmo espírito generoso que demonstrara antes a Eliseu e disse: “Vamos! Toma dois talentos.” Daí, Naamã “continuou a instar” com Geazi, e este homem ganancioso tomou assim os dois talentos de prata e as duas mudas de roupa, passando a depositá-los na sua casa. Então, de mãos vazias, Geazi voltou a Eliseu. “Donde vieste, Geazi?” perguntou Eliseu. Acrescentando outra mentira para encobrir as que contara a Naamã e ocultando mentirosamente a verdade, Geazi respondeu: “Teu servo não foi a parte alguma.” Mas Jeová, naturalmente, sabia o que Geazi havia feito e revelou o assunto inteiro a Eliseu. E Eliseu disse assim a Geazi: “Não foi o meu próprio coração contigo exatamente quando o homem se virou para descer do seu carro para ir ao teu encontro? É este o tempo de se aceitar prata, ou de se aceitar roupas, ou olivais, ou vinhedos, ou ovelhas, ou gado vacum, ou servos, ou servas?” — 2 Reis 5:23-26.
17. (a) Por que ficou Eliseu justificadamente perturbado? (b) O que aconteceu a Geazi pela sua ganância?
17 Pode imaginar a consternação horrorizada que atingiu Geazi? Ora, seu amo sabia exatamente o que havia feito! Imagine também a indignação justa sentida por Eliseu. Ele havia servido os interesses de Jeová em curar a lepra de Naamã e havia recusado uma recompensa financeira por seu papel neste milagre. Então, seu servo, que nem estivera diretamente envolvido, havia ido e tomado gananciosamente algo sob falso pretexto. Eliseu, com o apoio evidente de Jeová, passou a dizer a Geazi: “De modo que a lepra de Naamã se apegará a ti e à tua descendência por tempo indefinido.” E a narrativa termina, dizendo: “Saiu imediatamente de diante dele, leproso tão branco como a neve.” — 2 Reis 5:27.
ATRIBUTOS A SEREM IMITADOS OU EVITADOS
18. O que podemos recapitular relacionado com Segundo Reis, capítulo cinco?
18 Reexamine a narrativa no capítulo cinco de Segundo Reis, que acabamos de considerar. Certamente, notamos algumas caraterísticas e disposições notáveis de diversas pessoas. Será de máximo proveito para nós recapitular algumas destas diferenças.
19. (a) Que qualidades admiráveis possuía a mocinha israelita? (b) Como podemos mostrar tais características?
19 Pense na mocinha israelita. Ela fora levada cativa de Israel, mas isto não lhe enfraqueceu a fé em Jeová, nem na capacidade dele de usar um de seus servos fiéis, para realizar milagres. Eliseu nunca havia curado leprosos em Israel, conforme Jesus salientou mais tarde. (Luc. 4:27) Mas esta mocinha tinha verdadeira fé. Não havia dúvida sobre isso na sua mente; cria implicitamente que, se Naamã fosse e pedisse, Jeová responderia. Embora fosse apenas serva, teve a coragem de dar testemunho de sua fé em Jeová. Deve ter feito isso de modo entusiástico e convincente, para conseguir que sua mensagem fosse aceita ao ponto de se agir segundo ela, não a considerando apenas como idéia infantil. Nós, iguais a esta serva humilde de Deus, sem nome mencionado, que deu um exemplo tão notável de fé, devemos destemidamente falar a verdade, para que todos os sinceros possam tirar proveito dela. Nunca nos devemos refrear de tornar conhecido Jeová e seus propósitos, nem temer que não estejamos habilitados a falar com alguém em situação mais elevada na vida do que nós. Devemos ter plena confiança em Jeová e na sua capacidade de nos dirigir. — Sal. 56:11.
20. Como podemos imitar Eliseu?
20 Depois havia Eliseu. A Bíblia nos diz muita coisa sobre este servo de Jeová, que fazia milagres. Ele fora usado por Deus até mesmo para ressuscitar alguém dentre os mortos. (2 Reis 4:32-37) Mas não tinha o desejo de ser visto ou de se tornar rico, mas, antes, de ajudar as pessoas a aumentarem em apreço de Jeová e de seus propósitos. Certamente, não se interessava em criar fama, mas sim em enaltecer o nome de seu Deus, Jeová. Faremos bem em imitar Eliseu, em nos preocupar principalmente com Jeová, colocando nosso amor por ele em primeiro lugar e ajudando outros a invocá-lo para a salvação. — Mat. 22:37, 38; Rom. 10:13.
21, 22. Quais são algumas das coisas que Naamã teve de fazer para se humilhar?
21 Embora Naamã fosse “valente, poderoso”, antes de seu encontro com Eliseu, aprendeu a cingir-se de humildade mental. Passou a reconhecer que era apenas mais alguém aos olhos de Jeová, não alguém digno de honras ou atenção especiais da parte dos servos Dele. Quanta alegria deve ter sentido ao subir do Jordão pela sétima vez e ver sua pele completamente limpa! Quão satisfeito deve ter ficado de se ter humilhado e seguido a recomendação de Eliseu, dada mediante o mensageiro!
22 Pense também no que deve ter exigido dum homem de sua posição para fazer o que ele fez. Ele não só aceitou a palavra duma mocinha escrava duma nação inimiga; mas teve de deixar atrás seus próprios deuses, talvez pensando que arriscava o desprazer deles, e teve de ir a um país em inimizade com o seu e pedir que o profeta dum Deus estranho fizesse algo a seu favor. Humilhar-se Naamã significou algo de maior valor para ele do que ser purificado da lepra. O quê? Levou-o a se tornar adorador de Jeová, alguém que desejava a aprovação do único verdadeiro Deus. Foi deveras uma bela recompensa por ele se revestir de humildade. Assim como Naamã, nós também podemos tirar imenso proveito espiritual, se nos ‘revestirmos de humildade’ e reconhecermos que Deus favorece os humildes. — 1 Ped. 5:5, Almeida, rev. e corr.
23. Por que podemos tirar proveito de recapitularmos o proceder de Geazi?
23 A outra pessoa cujas atividades se trazem à nossa atenção neste capítulo da Bíblia, é alguém cujo exemplo faremos bem em não imitar. Geazi havia servido Eliseu já por algum tempo e havia tido ampla oportunidade de ver como Jeová usava Eliseu e que privilégio tinha em estar com Eliseu. Mas ele passou a desejar riqueza material. Sua ganância o venceu, ao ver seu amo recusar toda a prata e as vestimentas oferecidas por Naamã. Seu desejo tornou-se fértil e o levou a pecar. (Tia. 1:14, 15) Tramou e inventou uma estória, para obter algumas das coisas materiais com que Naamã voltava para casa. Foi ao ponto de mentir ao seu amo, mentindo na realidade a Jeová, que havia designado Eliseu. E quão desastroso foi o resultado para ele, pois, foi atacado de lepra! Sua ganância custou-lhe a saúde e o privilégio que havia usufruído, de servir com Eliseu. Podemos tirar proveito desta ilustração do proceder desastroso de ser ganancioso e de idolatrar a si mesmo. Aprendemos que querer tirar proveito pessoal do serviço de Jeová é algo muito perigoso e que devemos evitar. — Veja João 12:4-6.
PARALELO PROFÉTICO PARA HOJE
24. Eliseu e Naamã podem ser considerados como representando a quem?
24 Eliseu era servo ungido de Deus. Quer dizer, foi designado especialmente por Jeová para fazer certo trabalho. Por isso pode ser usado como representação ou tipo profético dos remanescentes da noiva de Cristo ainda na terra, do restante dos 144.000 que estarão unidos com Cristo nos céus. (Rev. 14:1-3) A humanidade em geral está numa situação bem similar à de Naamã. Em vez de padecer de lepra, sofre da praga mortífera do pecado, e nesta condição, na maior parte, luta contra os membros remanescentes da noiva de Cristo ainda na terra e os associados com eles. — Rom. 5:12; Mat. 24:9.
25. Como foi ajudada a “grande multidão” dos semelhantes a Naamã?
25 Entretanto, por se dar testemunho do Reino, tal como o da pequena criada israelita da esposa de Naamã, muitas de tais pessoas foram orientadas para o caminho certo da cura de seu estado doentio, falando-se espiritualmente. Entraram em contato com a classe ungida de Eliseu e foram informadas do que Jeová requer delas, para se restabelecerem espiritualmente e obterem uma boa consciência para com ele. Assim como se deu no caso de Naamã, também no caso de tais exige-se fé e humilhação de si mesmo. Ficaram animadas e obedeceram, e têm a alegria de ser purificadas para ter uma condição aceitável à vista de Deus. Tornaram-se agora parte da “grande multidão”, cuja esperança é viver para sempre num novo sistema justo, na terra purificada. (Rev. 7:9) Os desta “grande multidão” chegaram a reconhecer que não há outro Deus em parte alguma, exceto entre as testemunhas do verdadeiro Deus, Jeová. Apreciam que a cura espiritual é gratuita, em harmonia com as instruções de Jesus. — Mat. 10:1, 8.
26. Como são considerados os que, sob o pretexto de servir a Deus, exploram outros por lucro pessoal?
26 Os da classe de Eliseu não querem explorar os da “grande multidão”, por ajudá-los a obter restabelecimento espiritual da praga do pecado. Recusam qualquer pagamento por ajudar pessoas ao restabelecimento espiritual, assim como Eliseu recusou qualquer presente, financeiro ou material, da parte de Naamã. Contribuem gratuitamente seu tempo para ajudar outros que desejam estudar a Palavra de Deus. E se alguém associado com a congregação do povo de Deus, na terra, tentar lucrar materialmente às custas da “grande multidão”, então é exposto como ganancioso e culpado de idolatrar a si mesmo. Tais são removidos da organização, em harmonia com o tratamento que Eliseu deu a Geazi pela sua cobiça e ganância. Isto se harmoniza com a regra: “Nem fornicadores, . . . nem gananciosos, . . . nem extorsores herdarão o reino de Deus.” — 1 Cor. 6:9, 10.
27, 28. O que podem fazer hoje as pessoas para se identificar como parte da “grande multidão”?
27 Os que compõem a “grande multidão” que se associa com os servos ungidos de Deus também precisam cingir-se de humildade mental. A Versão Inglesa de Hoje da Bíblia diz em 1 Pedro 5:5: “E todos vós tendes de pôr o avental da humildade para servir uns aos outros; pois a escritura diz: ‘Deus resiste aos orgulhosos, mas dá graça aos humildes.’” O avental nos faz pensar em alguém que serve, cuidando dos interesses dos outros e preparando alimento para os outros. Portanto, pôr “o avental da humildade” envolve ser humilde, ter humildade mental e estar interessado em servir os outros.
28 Está disposto a ‘cingir-se de humildade mental’, de “pôr o avental da humildade”? Está disposto a aceitar o modo de Jeová salvar? Neste século vinte, temos um exemplo de humildade, de humildade mental, encontrado em todo o mundo. Existe na organização das testemunhas de Jeová. Por que não prossegue na leitura e vê como se ajustaram humildemente ao modo de Jeová salvar?
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Ajuste-se humildemente ao modo de Jeová salvarA Sentinela — 1975 | 1.° de janeiro
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Ajuste-se humildemente ao modo de Jeová salvar
“Salvarás o povo humilde; mas os teus olhos são contra os altaneiros.” — 2 Sam. 22:28.
1. O que aconteceu nas congregações das testemunhas de Jeová em 1972?
EM SETEMBRO de 1972 ocorreu uma grande mudança nas congregações das testemunhas de Jeová em todo o mundo. De 1932 a 1972, um homem em cada congregação havia sido considerado como o “superintendente de congregação”, e em muitos casos ele serviu por anos neste cargo. Mas em 1971 foi trazido à atenção, à base das Escrituras, que as congregações cristãs no primeiro século tinham um corpo de anciãos ou superintendentes, em vez de apenas um. (1 Tim. 4:14; Fil. 1:1) Em vista disso, seguiu-se novamente o arranjo bíblico, para permitir que um corpo de anciãos funcionasse em cada congregação e que houvesse de ano em ano um rodízio da presidência deste corpo nas congregações. Assim, na maioria das 28.407 congregações das testemunhas de Jeová existentes em setembro de 1972, alguém novo passou a ser o superintendente presidente local.
2. Como ajudou a mudança no arranjo de organização a identificar mais o povo de Deus hoje na terra?
2 Como reagiram os anteriores “superintendentes de congregação” ou “servos de congregação”? Quase que cada um deles aceitou humildemente a mudança e reconheceu que Jeová orientou sua organização para ajustar-se mais de perto ao cristianismo primitivo. Tais homens voluntariamente se demitiram no sentido de se tornarem parte dum corpo de anciãos, composto de pessoas iguais, em vez de um único ser considerado como superintendente da congregação. Poderia tal mudança ser feita em qualquer organização mundana, quer dizer, tomar todos os em postos-chaves e transferi-los em rodízio para outros postos, sem resultados catastróficos? Dificilmente. Contudo, isto foi possível entre as testemunhas de Jeová, porque são pessoas que não estão “fazendo nada por briga ou por egotismo, mas, com humildade mental, considerando os outros superiores”. — Fil. 2:3.
3. Como passam as testemunhas de Jeová a ter humildade mental e despretensão?
3 Mas, como vêm a ter as testemunhas de Jeová tais qualidades? Nasceram pecadores, possuindo a doença mortífera do pecado iguais ao Rei Davi e aos demais da humanidade. (Sal. 51:5) Aprenderam, porém, que ajustar-se ao modo de Jeová em humildade pode levar a ser salvo de tal condição, assim como levou a Naamã ser salvo e curado da lepra. No caso de Naamã, o modo de Jeová foi o único modo. Deus tinha um arranjo mediante seu profeta Eliseu e Ele não ia mudá-lo. Uma vez que Naamã se humilhou e acompanhou este arranjo, ele foi abençoado com a cura e com aprender a verdade. Portanto, a humildade é algo que também precisamos aprender.
4. Que significado se atribui às palavras em hebraico, grego e português referentes à humildade?
4 A palavra traduzida “humildade” nas Escrituras Hebraicas provém duma raiz que significa “ser curvado”. A humildade, a mansidão, a condescendência e a despretensão relacionam-se todas com o significado desta palavra. Nas Escrituras Gregas Cristãs, a palavra originalmente usada relaciona intimamente a humildade com a humildade mental. Em português, provém da palavra latina humus, referindo-se ao solo, à terra, e significa estar livre de orgulho ou arrogância.
ATINGIR A HUMILDADE
5. O que nos ajuda a reconhecer a necessidade de cultivar a humildade?
5 A humildade é uma qualidade que pode ser cultivada. Em primeiro lugar, precisa-se ter o desejo de ser humilde. Esta inclinação certamente é aumentada pela leitura da Bíblia. Aprendemos nela que “Deus opõe-se aos soberbos, mas dá benignidade imerecida aos humildes”. (Tia. 4:6) Chegamos a reconhecer que Jeová quer que ‘andemos humildemente com’ ele. (Miq. 6:8, UM, ed. ingl. 1960) De modo que nosso desejo de agradar a Deus faz com que desejemos desenvolver a qualidade da humildade.
6. Por que nos ajuda a ser humildes o reconhecimento da nossa relação com Jeová?
6 O assunto de termos bom apreço de nossa relação com Jeová está intimamente vinculado com isso. Devemos ter o devido temor dele, quer dizer, respeito reverente, temor de desagradá-lo, sabendo que aquilo que ele exige de nós é direito. (Sal. 111:10; Pro. 8:13) E Salomão relacionou o temor de Jeová com a humildade, ao dizer: “O resultado da humildade e do temor de Jeová é riquezas, e glória, e vida.” — Pro. 22:4.
7. O que faz para nós neste respeito o exemplo de Jeová?
7 O exemplo de humildade dado por Jeová também nos ajuda. (2 Sam. 22:36; Sal. 18:35) Ele usa de misericórdia e compaixão com os pecadores; sim, foi ao ponto de prover seu Filho como sacrifício pelos pecados do homem. (1 João 4:10) Se Jeová, o maior personagem no universo, é humilde, não devemos sê-lo também nós, criaturas insignificantes?
8. Como nos ajudam as ações e as palavras de Jesus em desenvolver a humildade?
8 A norma estabelecida por Jesus também deve ser imitada por nós, se formos cristãos, seguidores de Cristo. (1 Ped. 2:21) Não foi predito que ele seria “humilde” ao entrar em Jerusalém para se apresentar como rei? (Zac. 9:9; Mat. 21:5) Quando era a Palavra, o Filho primogênito de Deus no céu, aquele que se tornou Jesus certamente tinha uma posição elevada, mas “quando se achou na feição de homem, humilhou-se e tornou-se obediente até à morte”. E Paulo aconselhou sabiamente a congregação filipense a ‘manter esta atitude mental que houve também em Cristo Jesus’, atitude mental que incluía a qualidade da humildade. (Fil. 2:2-8) Como homem na terra, Jesus falou sobre a preciosidade do atributo da humildade, exortando seus discípulos a serem humildes qual uma criancinha, e lembrando-lhes que “quem se humilhar será enaltecido”. — Mat. 23:12; 18:4.
9. Que papel desempenha a oração em ter humildade mental?
9 Outra ajuda para nos humilharmos é a oração. Ela serve para nos lembrar a grandeza de Deus e nossa insignificância, e que há outros desejosos de entrar numa boa relação com “nosso Pai”, ou de mantê-la; e quão maravilhosa é a provisão que Jeová fez mediante seu filho, para que possamos ter o perdão de nossos pecados! A oração nos ajuda a lembrar que nós, em nós mesmos, realmente não temos nada de que nos orgulhar. — Mat. 6:9-12.
10. Onde se enquadra o amor na consideração da humildade?
10 É preciso ter a qualidade de amor, um dos frutos do espírito de Deus, para desenvolver humildade mental. (Gál. 5:22) “O amor . . . não se enfuna.” (1 Cor. 13:4) Aprendemos a reconhecer que nosso amor mais importante é o que temos a Jeová, e que, além disso, devemos ‘amar nosso próximo como a nós mesmos’, quer dizer, devemos colocá-lo em pé de igualdade conosco, não pensando mais de nós do que dele. (Mat. 22:37-39) As testemunhas de Jeová desejam ser humildes. Em vista de seu estudo da Bíblia, sabem que Jeová exige isso deles. Meditam nos exemplos de Jeová e de Cristo Jesus neste respeito. Aproveitam-se da provisão da oração e continuam a empenhar-se em mostrar amor, o qual, segundo Jesus disse, identificaria seus seguidores e os ajudaria a cultivar a humildade mental. — João 13:34, 35.
A HUMILDADE É NECESSÁRIA HOJE
11, 12. Como nos ajuda a humildade neste mundo cheio de ódio?
11 Desenvolvermos a qualidade da humildade nos ajuda enfrentar os desafios apresentados neste mundo moderno, egoísta e cheio de ódio. Deus inspirou o apóstolo Paulo a predizer “que nos últimos dias” os homens seriam “amantes de si mesmos, . . . soberbos”. (2 Tim. 3:1, 2) Esta atitude se apoderou fortemente das pessoas de todas as rodas da vida, e certamente não queremos que se apegue a nós.
12 As lutas entre pessoas de diversas nacionalidades ou raças diferentes, admite-se prontamente, são causadas pelo “orgulho” nacionalista ou racial. Mas o orgulho é o contrário da humildade, e “o orgulho vem antes da derrocada e o espírito soberbo antes do tropeço”. (Pro. 16:18) Queremos ter um choque frontal com Deus por causa de orgulho nacional ou racial? Este significaria nossa destruição.
13. Como ajuda a humildade as mulheres neste sistema iníquo de coisas?
13 As pessoas no mundo inteiro ficaram sabendo do movimento de libertação feminina. Algumas mulheres associadas com ele, considerando a Bíblia como livro produzido pelos homens, afirmam soberbamente que o texto que diz que o homem é “imagem e glória de Deus; mas a mulher é a glória do homem”, não é nada mais do que opinião de chauvinista masculino. (1 Cor. 11:7) O orgulho de tais mulheres as levou em conflito direto com Jeová, quem inspirou a escrita da Bíblia. Será que vocês, mulheres, que desejam ter a aprovação de Deus, evitam tal falta de humildade? O apóstolo disse aos homens na congregação cristã: “Humilhai-vos, portanto, sob a mão poderosa de Deus.” Não verificam vocês, mulheres, que acatar também esta injunção bíblica torna ser submissas muito mais fácil e a vida muito mais feliz? — 1 Ped. 5:6.
14. Como pode o ‘chefe da casa’ ser humilde?
14 A idéia da chefia masculina, naturalmente, pode ser levada a extremos. Para desempenhar seu papel de pai e marido, o homem da família precisa ser humilde, ver as suas próprias faltas e empenhar-se para vencê-las, e admitir os enganos que comete. A humildade produziria nele empatia, tomando em consideração os outros da família antes de fazer decisões grandes. Também o ajudaria a perdoar aos outros da família e a não esperar deles a perfeição, assim como Jeová tampouco a espera dele. A humildade realmente ajuda a todos no círculo familiar a vencer problemas derivados das diferenças entre homem e mulher, jovem e idoso. A humildade mental nos ajuda a continuar a ‘suportar-nos uns aos outros em amor’. — Efé. 4:2.
15. Como nos auxilia a humildade com respeito a pregação e a suportar perseguição?
15 A humildade serve de ajuda no nosso empenho na obra que Jesus disse que se faria antes de vir o fim deste sistema iníquo de coisas. Ele predisse uma obra mundial de pregação, a obra de falar aos outros sobre o Reino, o governo de Deus pelo qual ele se propõe governar a terra. (Mar. 13:10) A humildade mental nos ajuda a tomar em consideração o conceito daqueles a quem pregamos; ajuda-nos a entender sua posição ao palestrarmos com eles. Jesus predisse também que seus seguidores seriam odiados e perseguidos por seguirem a ele. (Mat. 24:9) A humildade nos ajuda a enfrentar tal oposição, porque reconhecemos que Jeová é supremo, e por isso não nos rebelamos contra ele por permitir que isto aconteça. Olhamos para o exemplo que Jesus deu ao enfrentar perseguição, permanecendo humilde diante daqueles que o vituperavam e continuando leal a seu Pai. — 1 Ped. 2:23.
16. Por que ajuda a humildade na questão da disciplina?
16 Humilde é aquele que aceita conselho e disciplina. “As repreensões da disciplina são o caminho da vida.” (Pro. 6:23) Os orgulhosos ressentem-se de serem aconselhados; acham que de qualquer modo não fazem nada de errado. Mas os de humildade mental reconhecem que cometem enganos e apreciam ser corrigidos. “É verdade que nenhuma disciplina parece no momento ser motivo de alegria, mas sim de pesar; no entanto, depois dá fruto pacífico, a saber, a justiça.” (Heb. 12:11) De modo que os que aceitam conselho e disciplina são ajudados a fazer bom progresso espiritual.
EXEMPLOS HODIERNOS DE HUMILDADE
17. Como foi certo jovem ajudado por admitir humildemente que era analfabeto?
17 Se não soubesse ler, seria bastante humilde para admitir isso e pedir ajuda? Um jovem na África Ocidental contou a seguinte experiência: “Eu lamentava que, à idade de dezenove anos, não soubesse ler e escrever. Mas, certo dia, eu soube da aula de alfabetização realizada pelas testemunhas de Jeová no seu Salão do Reino. Embora eu não fosse Testemunha, eles me matricularam. O período de alfabetização fazia parte de uma das suas reuniões congregacionais, e para mostrar meu apreço, costumava permanecer durante a parte restante do programa da noite. Eu gostava muito destas reuniões e ansiava proferir um discurso assim como os outros jovens faziam. Um destes homens iniciou um estudo bíblico domiciliar comigo. Em menos de dois anos, não só aprendi a ler e a escrever, mas também me habilitei para o serviço de campo, simbolizei minha dedicação por ser batizado e usufruí do privilégio feliz de ser pioneiro.” A humildade deste homem habilitou-o a aprender a ler e a escrever, a obter conhecimento da verdade e a tornar-se ministro de tempo integral, transmitindo a verdade a outros.
18. Que mudança fez certo homem orgulhoso? Com que resultado?
18 Na mesma parte da terra, havia um homem que não era tão humilde. De fato, disse orgulhosamente ao ministro das testemunhas de Jeová que o encontrou que não precisava que alguém instruísse a ele, gerente duma grande firma, visto que podia estudar a Bíblia sozinho. Contudo, aceitou um convite para assistir a uma das reuniões congregacionais. Ficou muito impressionado com a Escola do Ministério Teocrático e começou a freqüentá-la regularmente. Em pouco tempo matriculou-se na escola, e toda a sua atitude mudou, ao passo que começou a aceitar e a aplicar o conselho recebido na escola. Pediu um estudo bíblico em casa e fez bom progresso. Sim, ele se humilhou e tem agora o privilégio de servir qual servo dedicado e batizado de Jeová Deus.
19. Como foi que um clérigo cego mostrou humildade?
19 Numa ilha não muito longe da Austrália, um jovem das Testemunhas entrou em contato com um homem idoso, e depois de muitas visitas iniciou um estudo com um grupo de cinco a dez pessoas, gastando duas ou três horas em cada visita. Um cego idoso sempre estava presente e mostrava profundo amor à Bíblia. Começou logo a falar a todos que encontrava sobre as verdades que aprendia. Mais tarde, soube-se que este cego era o pastor luterano local. Em poucos meses, este grupo começou a freqüentar algumas das reuniões das testemunhas de Jeová, embora tivessem de andar de duas horas e meia a três horas para fazer isso. Em pouco tempo, o pastor idoso disse aos outros membros da igreja que ele ia embora, porque se dava conta de que aquilo que havia ensinado antes não era a verdade. Sim, foi bastante humilde para admitir o erro de seu proceder anterior na vida e deu os passos para se harmonizar com o modo de Jeová salvar.
20. Por que renunciou outro clérigo à sua igreja?
20 Contatou-se outro clérigo humilde numa aldeia duma ilha do Pacífico Sul, e ele também concordou com um estudo bíblico domiciliar. Distinguiu prontamente a diferença entre os ensinos de sua igreja e a Bíblia, e depois de apenas dois estudos renunciou à igreja. Seus anteriores companheiros ficaram perturbados com a sua renúncia e procuraram persuadi-lo a permanecer como seu ministro. Ele os informou que agora apenas defenderia o verdadeiro cristianismo. Seu progresso espiritual continuou e agora é um dos servos batizados de Jeová, ajudando outros a aprender a verdade.
21. (a) O que está envolvido na “nova personalidade”? (b) Que belo elogio se fez da “nova personalidade” das testemunhas de Jeová?
21 O apóstolo Paulo exorta: “Desnudai-vos da velha personalidade com as suas práticas e revesti-vos da nova personalidade, . . . revesti-vos das ternas afeições de compaixão, benignidade, humildade mental, brandura e longanimidade.” (Col. 3:9-12) Portanto, parte da nova personalidade cristã é a humildade mental, a despretensão. Estas qualidades são manifestadas pelo povo de Jeová e isto serve para atrair outros. A seguinte carta recebida na filial filipina da Sociedade Torre de Vigia, do gerente dum negócio que empregava duas Testemunhas, ilustra isso: “Estamos em vias de reorganizar nosso Departamento de Manufatura, e neste respeito gostaríamos de saber se podem ajudar-nos bondosamente na busca de trabalhadores peritos. O motivo mais forte que nos induziu a nos dirigir à sua Sociedade é principalmente porque nossa observação, nosso estudo de perto e nossa experiência provaram que os homens pertencentes à sua organização são de alta confiança para realizar com diligência altruísta e honestidade qualquer tarefa que recebem, e ficamos também espantados com sua capacidade de entender e de se ajustar aos problemas econômicos e trabalhistas existentes.”
22. Como mostrou certa Testemunha apreço pelas reuniões de congregação e com que resultado?
22 Embora se saiam bem no seu serviço secular, as testemunhas de Jeová não se esquecem de que o crédito cabe a Jeová, e continuam a estimar o privilégio de assistir às reuniões da congregação cristã, para continuarem a desenvolver a “nova personalidade”. A família duma jovem Testemunha veio a passar necessidade e ela teve de pedir um emprego secular para ajudar financeiramente. Quando entrevistada para o emprego, descobriu que teria de trabalhar durante algumas das reuniões de congregação, e o patrão negou-se a fazer reajustes. Ela o informou: “Senhor, eu preciso deste emprego, mas não posso trocar minha fé por um emprego”, e por isso desistiu dele. Dois dias depois, porém, o gerente mandou um mensageiro ao Salão do Reino para procurá-la e oferecer-lhe o emprego com tempo de folga para assistir a todas as reuniões. Jeová abençoou-a pelos seus esforços humildes de agradá-lo.
23. (a) Que atitude humilde expressou certo superintendente viajante? (b) Em que estão interessados os superintendentes entre as testemunhas de Jeová?
23 Designam-se representantes viajantes das testemunhas de Jeová para visitar regularmente as congregações, a fim de edificá-las espiritualmente por discursos e pela participação na obra de pregação com elas. Há algum tempo atrás, estas visitas foram mudadas de cada quatro meses para cada seis meses, e assim se deu que alguns dos que antes faziam tal trabalho, conhecidos como superintendentes de circuito, não eram mais necessários neste serviço específico. Um destes que servia na cidade de Nova Iorque comentou humildemente: “Quando eu soube que alguns estavam sendo tirados do serviço de circuito, orei a Jeová para que, se minhas visitas impediam ou não ajudavam as congregações tanto quanto os outros faziam, fosse eu um dos tirados da obra de viajante.” Que bela atitude, representativa da demonstrada pelos anciãos ou superintendentes entre as testemunhas de Jeová em todo o mundo! Não estão orgulhosamente interessados no seu cargo, mas, antes, em cuidar humildemente dos seguidores de Jesus, que são quais ovelhas, reconhecendo que as “ovelhas” pertencem a ele. — João 10:14.
O PROCEDER CORRETO A ADOTAR
24, 25. O que temos de fazer se crermos que a salvação é para os humildes?
24 Crê realmente nas palavras do escritor bíblico Davi, na sua oração a Jeová: “Salvarás o povo humilde; mas os teus olhos são contra os altaneiros”? (2 Sam. 22:28) Se crer, então desejará extirpar de sua vida todos os traços de altivez, de pensar que é melhor do que os outros, quer por causa de sua raça, nacionalidade, educação ou situação na vida. Todos nós descendemos do pecador Adão, de modo que, em nós mesmos, realmente não temos nada de que nos orgulhar. — Atos 17:26.
25 Temos a esperança de salvação se nos ajustarmos humildemente ao modo de Jeová. Temos de reconhecer que “tudo o que há no mundo — o desejo da carne, e o desejo dos olhos, e a ostentação dos meios de vida da pessoa — não se origina do Pai, mas origina-se do mundo. Outrossim, o mundo está passando, e assim também o seu desejo, mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre”. (1 João 2:16, 17) O modo de Jeová significa que não podemos permitir-nos ficar enfronhados nos empenhos materialistas do mundo. Estes poderiam muito bem fazer com que saiamos perdendo, assim como se deu no caso do ganancioso Geazi.
26. Que proceder desejaremos seguir individualmente?
26 Portanto, o proceder a seguir é estudar as Escrituras, ajustar nossa vida à vontade de Jeová e tornar-nos um dos seus servos dedicados e batizados, ajudando outros a se harmonizar com o modo de Jeová salvar. Para os que já deram este passo, é necessário continuarem a seguir na direção certa. “Ao ponto que fizemos progresso, prossigamos andando ordeiramente nesta mesma rotina.” (Fil. 3:16) Nunca queremos sentir uma reação de incômodo diante das palavras de Paulo: “Considerando os outros superiores a vós”, na nossa relação com nossos irmãos cristãos. (Fil. 2:3) Queremos reconhecer plenamente o espírito de humildade nas fileiras do povo de Deus e empenhar-nos para contribuir para tal espírito. Queremos ter a sensação de bem-estar, de satisfação proveniente disso. Esta expressão humilde de amor por toda a associação dos irmãos cria e mantém um ambiente agradável e gratificador. Lembre-se também de que a organização de Jeová não pode mudar só para agradar a alguns.
27. Por que seria errado criticar a obra do corpo de anciãos na congregação?
27 Se objetarmos a algo feito pelo corpo de anciãos ou criticarmos o modo como certo assunto é tratado, somos desleais à organização de Jeová. Lembremo-nos de que os anciãos não são homens recém-convertidos; têm servido a Jeová durante anos. (1 Tim. 3:6) E o que é que induz as críticas ou as queixas? Não é muitas vezes o desejo de nos elevarmos aos olhos dos outros? Em outras palavras, o orgulho é a raiz do problema. Este proceder realmente pode envolver resistirmos ao espírito santo, porque o espírito santo é responsável pela designação dos anciãos na congregação. (Atos 20:28) Então, por que devemos criticar um dos irmãos por cuidar dos interesses do Reino dum modo em que o espírito santo parece dirigi-lo? E se o irmão estiver errado no modo em que trata de algo, devemos ter fé em que o espírito santo o corrija.
28. O que temos de reconhecer todos nós, para nosso próprio bem-estar eterno?
28 Num mundo de amargas rivalidades, em que cada facção contenciosa luta pelos seus próprios interesses individuais, uma organização se destaca como diferente, a dos seguidores genuínos de Jesus, as testemunhas cristãs de Jeová. Alguns deles, iguais à mocinha israelita na vida de Naamã, mostraram fé corajosa, falando sobre o que sabiam ser a verdade, na esperança de que outros tirassem proveito disso. Talvez sejam considerados como pessoas sem nome, insignificantes, mas têm a aprovação de Jeová. Outros têm servido em cargos de mais destaque, assim como Eliseu, mas eles também se preocupam em primeiro lugar em ter o favor de Jeová; seu desejo não é lucrar pessoalmente. Cooperemos todos com eles, reconhecendo que não há salvação sem humildade e sem a disposição de se ajustar ao modo de Jeová.
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A arca de Noé não era vaso pequenoA Sentinela — 1975 | 1.° de janeiro
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A arca de Noé não era vaso pequeno
● A arca que Deus mandou Noé construir pode às vezes ser imaginada como vaso insignificante. (Gên. 6:14, 15) Mas não era, segundo um artigo recente sobre os superpetroleiros: “A arca tinha de ser um dos melhores vasos que já navegaram nos mares até os dias bastante recentes, pois, calculando-se o côvado como sendo de um pé e meio aproximadamente, ela tinha 450 pés de comprimento, 75 pés de boca e 45 pés de altura [segundo este cálculo, 137 x 22,8 x 13,7 m]. Era muito maior do que a maioria dos famosos veleiros de madeira construídos desde os tempos de Noé e ultrapassava até mesmo muitos dos primeiros vapores de aço, classificando assim Noé como um dos mestres na arte da construção de navios em todos os tempos — embora se deva também presumir que tenha recebido mais do que um pouco de ajuda duma fonte superior.” — Oil Lifestream of Progress”, Número Três, 1973.
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