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“Uma mulher de bem” demonstra amor lealA Sentinela — 1978 | 15 de agosto
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de poder contribuir para a linhagem do Messias?
UMA HUMILDE RESPIGADORA OBTÉM FAVOR
18. Na respiga, o que fazia Rute, e, “por acaso”, no campo de quem veio parar?
18 Noemi e Rute chegaram a Belém “no início da sega da cevada”, no princípio da primavera. (Rute 1:22) Sendo diligente e estando disposta a servir, Rute, com a permissão de Noemi, foi começar a respigar nos campos de cereais, atrás dos ceifeiros. Ela sabia que a respiga era a provisão amorosa de Jeová para os pobres e os aflitos, para o residente forasteiro, o menino órfão de pai e a viúva. Em Israel, estes tinham permissão de ajuntar ou respigar qualquer parte da safra que os ceifeiros inadvertida ou intencionalmente tinham deixado. (Lev. 19:9, 10; Deu. 24:19-21) Embora Rute tivesse o direito de respigar, ela solicitou humildemente fazer isso em certo campo, e recebeu permissão. Evidentemente, porém, a mão de Jeová interveio no assunto como que “por acaso”, fazendo com que ela fosse “parar no pedaço de campo que pertencia a Boaz”. — Rute 2:3.
19, 20. (a) Quem era Boaz? (b) Por que se pode dizer que Rute não era mulher mimada?
19 Então, aproximou-se Boaz. Ele era “homem poderoso em riqueza”, sendo filho de Salmon e Raabe. Sim, Boaz era judeu. Ele não só era amo que tinha consideração, muito estimado pelos trabalhadores, mas era também devoto adorador do verdadeiro Deus, porque cumprimentava os ceifeiros com as palavras: “Jeová seja convosco”, e eles respondiam: “Jeová te abençoe.” — Rute 2:1-4.
20 Boaz soube do jovem encarregado dos ceifeiros que Rute era a moabita que pouco tempo antes viera com Noemi a Belém. Ela, após receber permissão, havia respigado constantemente durante a manhã fresca, até o sol ter chegado ao alto, sem se queixar, suportando o calor. Só então se havia sentado um pouco na casa, que evidentemente era apenas uma barraca para os ceifeiros. Rute, certamente, não era mulher mimada! — Rute 2:5-7.
21. O que havia a respeito de Rute que impressionou Boaz, e podem as mulheres cristãs tirar conclusões disso?
21 Mais tarde, Boaz instou com Rute para que não respigasse em outro campo, mas que ficasse perto das jovens dele, as quais provavelmente seguiam os ceifeiros e amarravam os feixes. Boaz ordenou aos moços que não tocassem nela, e ela teve liberdade para beber dos jarros de água que encheram. Profundamente grata, Rute prostrou-se em humildade no chão, perguntando: “Como é que tenho achado favor aos teus olhos de modo a ser notada, sendo eu estrangeira?” Ora, Boaz não estava querendo granjear-lhe o afeto, para satisfazer os caprichos dum homem idoso. Antes, ele soube que a moabita havia abandonado pai, mãe e pátria, apegando-se à sua sogra idosa. Obviamente impressionado com o amor leal e a humildade de Rute, ele se sentiu induzido a dizer: “Jeová recompense teu modo de agir e haja para ti um salário perfeito da parte de Jeová, o Deus de Israel, debaixo de cujas asas [protetoras] vieste refugiar-te.” Por certo, conforme Rute reconheceu, Boaz a havia consolado e falado tranqüilizadoramente com ela. — Rute 2:8-13; Sal. 91:2, 4.
22, 23. (a) Como foi Rute tratada generosamente por Boaz? (b) Como se manifestaram a diligência e o altruísmo de Rute?
22 Na hora de os ceifeiros comerem, Boaz disse a Rute: “Aproxima-te, e tens de comer do pão e mergulhar teu pedaço no vinagre [“vinho acre”].” Que condimento refrescante durante o calor do dia! Boaz ofereceu a Rute grãos torrados, e ela os comeu com satisfação, deixando até mesmo sobrar alguns. — Rute 2:14; veja Nova Bíblia Inglesa.
23 Daí, voltou ao trabalho. Num espírito de generosidade, Boaz mandou que seus moços deixassem que Rute respigasse “também entre os molhos de espigas cortadas”. Até mesmo mandou que ‘arrancassem das gavelas algumas’, deixando-as para que ela os respigasse. Chegando a noitinha, Rute ainda estava atarefada, “malhando” ou debulhando o que havia respigado. Usando-se um pau ou mangual para bater manualmente os grãos no chão, separa-se a cevada das hastes e da palha. Ora, a respiga de Rute, no decorrer do dia, produziu uns 22 litros de cevada! Ela a carregou de volta para casa, a Belém. Altruistamente, Rute tirou também o alimento que lhe sobrara na refeição daquele dia, entregando-o à sua sogra necessitada. — Rute 2:14-18.
24. (a) Por que não é de se admirar que as pessoas considerassem Rute “uma mulher de bem”? (b) Portanto por que é Rute um belo exemplo para qualquer mulher piedosa?
24 Rute, de novo, demonstrou amor leal para com Noemi. Acrescente-se a isso o amor desta jovem mulher por Jeová, sua diligência e humildade, e não é de se admirar que as pessoas a considerassem “uma mulher de bem”. (Rute 3:11) Rute, certamente, não comia “pão da preguiça”, e, por causa de seu trabalho árduo, ela tinha algo a compartilhar com alguém em necessidade. (Pro. 31:27, 31; Efé. 4:28) E ao assumir responsabilidade para com sua idosa e enviuvada sogra, a moabita também deve ter chegado a conhecer a felicidade que vem de dar. (Atos 20:35; 1 Tim. 5:3-8) Rute, de fato, é belo exemplo para qualquer mulher piedosa.
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Jeová concede “salário perfeito”A Sentinela — 1978 | 15 de agosto
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Jeová concede “salário perfeito”
“Jeová recompense teu modo de gir e haja para ti um salário perfeito da parte de Jeová, o Deus de Israel, debaixo de cujas asas vieste refugiar-te.” — Rute 2:12.
1-3. (a) O que sugere a conversa entre Noemi e Rute a respeito da comunicação numa família amorosa? (b) Que surpresa houve quando Rute falou a Noemi sobre a respiga daquele dia, e a orientação de quem se evidenciou nisso?
“HAJA para ti um salário perfeito da parte de Jeová.” Boaz, que já tinha certa idade, disse isso à moabita Rute. Era o que de coração desejava a esta excelente mulher jovem, que procurara proteção sob as asas do Deus de Israel. (Rute 2:12) Mas, transformar-se-ia tal desejo em realidade? Em caso afirmativo, como? Veremos isso.
2 Numa família amorosa, os que já têm mais idade estão interessados nas atividades dos mais jovens. Todos acolhem bem as oportunidades de trocar idéias e falar sobre as atividades do dia. Não era diferente no lar humilde, em Belém, onde Noemi e Rute mantinham uma conversa agradável às noitinhas. Vejamos sobre o que falavam.
3 “Onde respigaste hoje e onde trabalhaste?” A boa quantidade de cereal e o alimento que Rute trouxera para casa fizeram Noemi perguntar isso. Era óbvio que alguém tivera consideração especial para com a moabita. “Torne-se bendito aquele que reparou em ti”, disse a mulher mais idosa. Mas, a cada uma delas aguardava uma animadora surpresa. “O nome do homem com quem trabalhei hoje é Boaz”, respondeu Rute. Ótimo! Certamente, havia evidência da orientação de Deus. “Bendito seja ele por Jeová que não abandonou a sua benevolência para com os vivos e os mortos”, exclamou Noemi. “O homem é aparentado conosco. Ele é um dos nossos resgatadores.” — Rute 2:19, 20.
4. Qual a definição de “resgatador” no antigo Israel?
4 Como elas ficaram reanimadas! Essas mulheres sabiam que o resgatador (em hebraico: go’él) era um parente (irmão, ou outro parente consangüíneo, masculino) que tinha o direito de recuperar, remir, resgatar ou comprar de volta a pessoa, a propriedade ou a herança de seu parente próximo. Por exemplo, podia comprar um terreno hereditário antes de este ser posto à venda no mercado, mantendo-o assim na família. Imagine só! Por acaso, Rute viera parar no campo de Boaz, sendo ele resgatador, homem da família de Elimeleque.
5. Dessemelhante de Diná, filha de Jacó, que exemplo deu Rute quanto à sua associação com outros?
5 Além disso, Boaz quis que Rute ficasse perto de suas trabalhadoras jovens, até o término total da ceifa. Noemi, naturalmente, aprovou isso, dizendo: “É melhor, minha filha, que saias com as moças dele, para que não te importunem em outro campo.” Portanto, a moabita ia continuar a respigar no campo de Boaz por uns dois ou três meses, até o fim da colheita tanto da cevada como do trigo. Dessemelhante de Diná, filha de Jacó que mantinha companheirismo com moças cananéias, trazendo calamidade sobre si mesma e aflição à sua família, Rute continuava a morar com sua sogra, embora também tivesse suas próprias companheiras. Um belo exemplo! — Rute 2:22, 23; Gên. 34:1-31; 1 Cor. 15:33.
HUMILDADE EM AÇÃO
6. Como mostrou Noemi que ela queria altruisticamente o bem para Rute?
6 Passaram-se semanas e a colheita chegava ao fim. Noemi perguntou a Rute: “Minha filha, não devia eu procurar-te um lugar de descanso, para que te vá bem?” (Rute 3:1) A idosa viúva não estava procurando segurar egoistamente para si a jovem moabita, mas queria que Rute obtivesse descanso, conforto, sossego de coração e segurança, que teria no lar dum bom e amoroso marido. Mas, Noemi preocupava-se também com a preservação do nome de seu marido, Elimeleque, em Israel. (Deu. 25:7) Neste respeito, ela revelou um plano especial de ação, e sua humilde nora estava disposta a acatá-lo. De modo que Rute se banhou, se esfregou com óleo, vestiu suas capas ou vestes exteriores, e saiu na sua nobre missão.
7. No joeiramento da cevada, que proceder seguiu Boaz?
7 No ínterim, Boaz — homem abastado, mas também trabalhador — aproveitara a brisa vespertina para joeirar a cevada na eira. A debulha soltara os grãos da palha, e esta ficara em fiapos. Então, no joeiramento, tudo era lançado junto ao ar, contra o vento, com um grande forcado ou pá de joeirar. A brisa levava a palha miúda embora e jogava a palha grossa para um lado, e os grãos caíam na eira. Era uma ocasião alegre, e, assim, após esse trabalho, havia uma boa refeição. Boaz comia e bebia, e seu coração “se sentia bem”, embora não houvesse indício de que se excedesse. (Sal. 104:15) Depois, deitou-se “na extremidade do monte de cereais”, passando logo a dormir profundamente, sob os céus estrelados. — Rute 3:1-7.
8. Que ação tomou Rute para com Boaz, na eira, e tinha um objetivo imoral nisso?
8 Tudo era calmo, e então apareceu devagar, quieta e não observada uma figura indistinta. Era uma mulher, a qual descobriu os pés do adormecido Boaz e se deitou ali, plenamente vestida. À meia-noite, ele começou a tremer, inclinou-se para a frente e ficou surpreso de ver uma mulher deitada aos seus pés, pelo visto, transversalmente. Não podendo reconhecê-la na escuridão, perguntou: “Quem és?” e ouviu a resposta: “Sou Rute, tua escrava.” Mas ela acrescentou logo: “E tens de estender a tua aba sobre a tua escrava, visto que és resgatador.” (Lev. 25:25) Embora surpreso, Boaz não ficou embaraçado, nem indignado. Tampouco estava a moabita ali para fins imorais. Humildemente, por meio desta ação simbólica e de suas palavras, ela executara as instruções de Noemi. Rute fizera com que este judeu, já de certa idade, se apercebesse de sua obrigação como resgatador, parente de seu falecido marido Malom e do falecido pai deste, Elimeleque. Noemi tinha certeza de que este empreendimento seria bem sucedido, e a mulher mais jovem evidentemente também tinha confiança em que Boaz a trataria de maneira honrosa. (Rute 3:4, 7-9) Mas, qual seria a reação dele?
9. (a) Como havia Rute expresso sua benevolência no que Boaz chamou de “primeiro” caso e de “último caso”? (b) Era Rute uma “mulher de bem” por causa de riqueza, penteado e vestes caras, ou por que motivo?
9 Boaz abençoou e elogiou a humilde e leal moabita, dizendo: “Que Jeová te abençoe, minha filha. Expressaste a tua benevolência melhor no último caso do que no primeiro, não indo atrás dos jovens, quer o de condição humilde, quer o rico.” Em primeiro lugar, Rute demonstrara amor leal a Noemi. Daí, em vez de procurar a companhia de jovens casadouros, a moabita estava disposta a casar-se com um homem bem mais idoso, a fim de suscitar um nome para seu falecido marido Malom e para sua sogra, a viúva idosa de Elimeleque. Mas, o que achava disso Boaz? Ele observou, tranqüilizadoramente: “E agora, minha filha, não tenhas medo. Farei para ti tudo o que disseres, pois todos no portão do meu povo se apercebem de que és uma mulher de bem.” Rute não proclamara ostensivamente as suas virtudes, e certamente não foram alguma riqueza, penteado ou roupa dispendiosa, que induzira os outros a admirá-la. Antes, o temor que esta jovem mulher tinha a Jeová, seus bons trabalhos, seu espírito quieto e brando, seu amor leal, sua diligência — atos e tendências assim fizeram as pessoas encará-la como “mulher de bem”. Vive hoje alguma mulher piedosa que não queira ter tal reputação excelente? — Rute 3:10, 11; veja Provérbios 31:28-31; 1 Timóteo 2:9, 10; 1 Pedro 3:3, 4.
10. Por que não se tornou Rute logo esposa de Boaz?
10 Tomaria Boaz logo a Rute por esposa? Não, porque havia um parente masculino ainda mais chegado a Elimeleque e Malom. “Mas, se ele não se agradar em resgatar-te, então eu te resgatarei, eu mesmo”, afirma Boaz com um juramento, “tão certo como Jeová vive”. Boaz ia cuidar do assunto logo de manhã. — Rute 3:13.
11. O que induziu Boaz a dar a Rute seis medidas de cevada?
11 Visto que a hora já era avançada, Boaz mandou que Rute ficasse até à madrugada. Mas, não ocorreu nada de imoral, e eles se levantaram enquanto ainda era escuro, evidentemente para evitar rumores inconvenientes e infundados. Antes de a moabita ir embora, Boaz encheu-lhe a manta com seis medidas de cevada, talvez querendo indicar que, assim como seis dias de trabalho são seguidos por um dia de descanso, assim estava próximo o dia de descanso da jovem, porque ele cuidaria de que tivesse um “lugar de descanso”, um lar, com um marido. (Rute 1:9; 3:1) Naturalmente, o generoso Boaz não quis que Rute voltasse de mãos vazias à sua sogra.
12. Por que perguntou Noemi: “Quem és, minha filha?”
12 Finalmente, a moabita chegou de volta à casa, e Noemi clamou: “Quem és, minha filha?” Talvez não reconhecesse quem estava procurando entrar, na escuridão, mas é admissível que esta pergunta se relacionasse com a possível nova identidade de Rute em relação com o seu resgatador. Avaliando os acontecimentos da noite que passara, Noemi tinha confiança em que Boaz ia cumprir a sua palavra e agir prontamente. “Fica sentada, minha filha, até que saibas como o assunto se resolverá”, ela exortou a jovem, acrescentando, na sua sabedoria e compreensão feminina da natureza humana, “pois o homem não terá sossego a menos que leve o assunto ainda hoje a término”. — Rute 3:12-18.
13. Que proveito podemos tirar de considerar a fé que Noemi e Rute tinham?
13 Enquanto deixamos essas duas viúvas necessitadas esperando na sua humilde moradia, podemos considerar com proveito a fé que elas tinham. Será que nós, pessoalmente, assim como Noemi, temos confiança em nossos fiéis concrentes? E, iguais a Rute, confiamos prontamente em Jeová em ocasiões de crise, certos de que os seus arranjos e as suas provisões serão os melhores? (Sal. 37:3-5; 138:8) Pense em Rute. Ela nem mesmo conhecia aquele parente com o direito primário neste assunto; não conhecia nem seu temperamento, e, ainda assim, estava disposta a cumprir a lei de Jeová a respeito do casamento levirato. Deve ter tido certeza de que Deus faria com que tudo saísse bem. Em comparação, confiamos nós, pessoalmente, em que Jeová faça “que todas as suas obras cooperem para o bem daqueles que amam a Deus”? — Rom. 8:28; 1 Ped. 5:6, 7.
BOAZ AGE COM DETERMINAÇÃO
14, 15. (a) Quem era o resgatador mais aparentado com Elimeleque do que Boaz? (b) O que precisava fazer Noemi, evidentemente por causa de sua pobreza, e, portanto, o que precisavam fazer, quer o parente mais chegado, quer Boaz?
14 A luz dum novo dia passou a brilhar
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