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Escassez de proteínas — como remediá-la?Despertai! — 1973 | 22 de junho
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profeta de Deus falou sobre isso de antemão, dizendo: “Jeová dos exércitos há de fazer para todos os povos . . . um banquete de pratos bem azeitados, um banquete de vinhos guardados com a borra, de pratos bem azeitados, cheios de tutano . . . o próprio Jeová falou isso.” — Isa. 25:6-8.
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As línguas do homemDespertai! — 1973 | 22 de junho
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As línguas do homem
Do correspondente de “Despertai!” no Laos
QUÃO dividida se acha a humanidade por falar diferentes línguas! Os peritos já chegaram a contar cerca de 3.000 línguas faladas.a Se fossem acrescentados ao número acima todos os dialetos (formas locais de uma língua), ele provavelmente seria bem maior. Mas, o caso é que até os peritos discordam em alguns casos sobre o que é uma língua separada e o que é simplesmente um dialeto. Por quê? Porque, mesmo quando as pessoas falam o que se chama de dialetos da mesma língua, talvez não consigam compreender uns aos outros.
Todavia, houve um tempo em que todos os humanos falavam a mesma língua. Jeová Deus, o Criador do homem, originou diferentes línguas visando restringir a cooperação humana com finalidade errada. Sua ação trouxe ao fim a construção da Torre de Babel, que desonrava a Deus, e obrigou seus construtores a se dispersarem através da terra. — Gên. 11:1-9.
A maioria das línguas podem ser agrupadas em umas dez famílias de línguas, mais ou menos, (novamente neste caso diferentes autoridades fornecem diferentes números). Todas as línguas na mesma família são ramos de uma antiga língua “mãe”, e, em muitos casos, essa língua “mãe” já é morta.
Muitos sabem que o francês, o italiano, o espanhol, o português e várias outras línguas são todas modernas variedades do latim, grandemente mudadas. Não são muitos que estão a par que até mesmo o latim é classificado como sendo membro de uma família de línguas. Junto com muitas outras línguas da Europa e da Índia, diz-se que surgiu dum ancestral perdido, chamado indo-europeu.
Não sabemos exatamente quantas línguas “mães” Jeová trouxe à existência em Babel, porque não parece que algumas línguas, tais como o japonês e o basco, possam ser enquadradas em nenhuma família conhecida, e muitas outras línguas já se desvaneceram. É possível que as línguas “mães” tenham sido relativamente poucas. Com o tempo, as pessoas que falavam a mesma língua se separaram e não tiveram contato umas com as outras por séculos, de modo que seus hábitos de linguagem divergiram e duas ou mais línguas vieram a ser usadas onde antes só havia uma.
Qualquer língua viva muda constantemente; basta apenas ler a original Tradução Almeida da Bíblia para ver como o português mudou em uns 300 anos, apesar da influência estabilizadora da imprensa e de boas comunicações. Assim, gradualmente, os grupos separados deixavam de entender uns aos outros. Mesmo assim, as línguas resultantes retêm suficientes características em comum que tornam óbvio que se relacionam umas com as outras.
A Família Indo-Européia
Examinemos em mais pormenores uma família de línguas. Quase cerca da metade da população do mundo fala uma língua classificada como pertencendo à família indo-européia. Não foi por acidente que a palavra três, por exemplo, é tão similar em russo (tri), alemão (drei), francês (trois), dinamarquês (tre), holandês (drie), irlandês (trí), grego (treîs), lituano (trys), sânscrito (trí), albanês (tre), e assim por diante. Diz-se que todas estas línguas se derivam da desaparecida indo-européia.
Muitas delas são menos filhas daquela língua antiga do que netas, porque diz-se que muitas se derivam de línguas desaparecidas que eram, elas mesmas, ramos da indo-européia. Exemplificando: o galês, o bretão, o gaélico, e assim por diante, são alistados como descendentes de uma antiga língua céltica que surgiu da indo-européia. O russo, o polonês, o sérvio, o tcheco, e assim por diante, têm seus ancestrais numa antiga mãe eslavônica. O inglês, o holandês, o alemão, e assim por diante, tem mãe germânica comum.
Classificar as Línguas
Apenas em data comparativamente recente, desde cerca do fim do século dezoito, é que os lingüistas começaram a analisar a história e a relação das línguas vivas. Antes disso, tendiam a comparar apenas as formas escritas das palavras nas línguas diferentes, mas há muito mais nas relações familiares do que isso. Mesmo quando duas línguas têm poucas palavras similares, talvez a colocação de suas sentenças seja tal que mostre uma afinidade entre elas.
Tome o exemplo do laociano e do chinês. Seria difícil encontrar muitas palavras similares nestas duas línguas, todavia, têm três importantes características em comum. Primeira, uma palavra em ambas as línguas talvez tenha diferentes significados, segundo o tom da voz usado ao dizê-la. Por exemplo, a palavra laociana mu, proferida em tom baixo de voz, significa amigo, ao passo que em tom crescente significa porco.
Segunda, a maioria das palavras só tem uma sílaba ou se compõem de diversas palavras de uma só sílaba ligadas juntas.
Terceira, quando se fala duma série de objetos, é preciso usar uma palavra chamada classificadora toda vez para identificar a classe de objetos a que pertencem. Assim, o laociano não pode simplesmente dizer ‘Três moças’, mas tem de dizer ‘Moça três pessoas’, mostrando que as moças pertencem à classe de ‘pessoas’. Estas três características sugerem que o chinês e o laociano são parentes dentro da mesma família de línguas.
Por outro lado, não se atribui grande importância aos caracteres em que a língua é escrita. O inglês e o vietnamita usam ambos o alfabeto romano, que os vietnamitas deliberadamente adotaram no século dezessete, mas as línguas são muito diferentes. O japonês e o chinês usam escrita similar, o que faz com que alguns os associem. Todavia, são classificados em famílias de línguas completamente diferentes. Por outro lado, o inglês e o russo, alistados como parentes distantes dentro da mesma família, usam caracteres diferentes.
Dificuldades de Aprendizagem
Talvez possa entender agora porque algumas línguas são mais fáceis de se aprender do que outras. Uma língua estrangeira que pertença à mesma família de línguas que a nossa usualmente terá muitos sons, palavras ou padrões de sentenças que verificamos serem familiares. A língua menos aparentada é, comparada à nossa, a mais estranha possível. De início, talvez nem sequer possamos diferençar os sons, e a ordem de colocação das palavras na frase talvez nos pareça esquisita.
Compare os números um a dez em alemão com os em português: eins, zwei, drei, vier, fünf, sechs, sieben, acht, neun, zehn. Especialmente se se lembrar que o alemão “z” é pronunciado “ts” e o alemão “v” é pronunciado “f”, poderá ver de imediato que há alguma semelhança. Agora, veja os números em laociano: neung, sohng, sahm, si, ha, hok, chet, bpaat, gow, sip. Não existe nenhum som em comum com o português. Quão muito mais diferentes pareceriam ser se se pudesse mostrar por escrito que cada número laociano tem de ser proferido em certo tom de voz que a pessoa decora junto com a palavra!
Observe a ordem das palavras. Em português, talvez se pergunte: “Quantas filhas tem?” Em alemão, isso seria “Wieviele Töchter haben Sie?” Aqui, palavra por palavra, a estrutura é a mesma quase. Mas, o laociano diz: “Chow mi luk sow chag kon?” Literalmente, isso significa: “Você tem filho fêmea quantas pessoas?” Estruturalmente é bem diferente do português.
Amiúde, as palavras encontradas em uma língua não têm equivalente em línguas de outras famílias. Por conseguinte, é muito mais difícil traduzir para uma língua que pertence a uma diferente família. Por exemplo, a revista A Sentinela no idioma tai ou siamês usa a mesma palavra para transmitir o que se quer dizer pelas palavras simpatia, empatia e consideração em inglês. Palavras separadas não existem em tai (ou laociano, seu parente próximo) para transmitir estas sutis diferenças. Por outro lado, o inglês consegue passar com uma única palavra para carregar, ao passo que o laociano e o tai tem palavras separadas que significam “carregar na mão”, “carregar no ombro”, “carregar numa vara de carga”, “carregar nos braços”, ou “carregar nas costas”.
A fim de ajudar os alunos a enfrentar esta situação não familiar a algumas línguas, novos métodos de ensino foram criados. Um deles é às vezes chamado de método direto. O aprendiz começa a dominar as sentenças básicas e os padrões de formação de sentenças desde o início. Aprende gramática à medida que se relacione às sentenças que ele já conhece, ao invés de penetrar nela desde o início e aprender longa lista de vocabulário sem poder falar ou entender a sentença mais simples.
No primeiro século de nossa era comum, Deus forneceu a alguns homens a habilidade milagrosa de falar em línguas que jamais aprenderam. Ninguém possui tal dom de Deus hoje em dia. E, naturalmente, não é necessário. As pessoas que desejam ajudar a levar as boas-novas do reino de Deus a um novo lugar precisam aprender pacientemente as línguas faladas ali. No entanto, à medida que as pessoas de coração honesto aceitam as boas-novas, o grosso da obra de pregação é rapidamente assumido por homens e mulheres locais, que falam toda família de línguas da terra. Assim, a palavra da verdade unificadora triunfa sobre a confusão desunidora das línguas entre aqueles que desejam cooperar em louvar a Jeová, Aquele que deu ao homem o dom da linguagem.
[Nota(s) de rodapé]
a World Book Encyclopedia, ed. 1970. Vol. 12, p. 62.
[Tabela na página 13]
(Para o texto formatado, veja a publicação)
INDO EUROPÉIA
HINDU SÂNSCRITO
PERSA
PERSA ANTIGO
ARIANO
ARMÊNIO
ALBANÊS
BALTO-ESLÁVICA
BÁLTICO LITUANO
ESLOVACO
ESLAVO
POLONÊS
BÚLGARO
RUSSO
GERMÂNICO
GREGO
GREGO MODERNO
OSCO
LATIM ITÁLICO
RUMENO
ITALIANO
PORTUGUÊS
ESPANHOL
FRANCÊS
CELTA
BRITÂNICO
BRETÃO
GALES
ESCOCÊS
IRLANDÊS
GÓTICO
ALEMÃO ANTIGO
ESCANDINAVO ANTIGO
ISLANDÊS
DINAMARQUÊS
NORUEGUÊS
SUECO
ANGLO-SAXÃO
INGLÊS
ALEMÃO
HOLANDÊS
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Eu era servo de um deus feito por mãosDespertai! — 1973 | 22 de junho
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Eu era servo de um deus feito por mãos
Conforme narrado ao correspondente de “Despertai!” na Índia
PERTO da casa do meu tio havia um pequeno templo do deus Birappa. Estava abandonado, ninguém cuidando dele. Assim, pensei: “Quem sabe se eu servir no templo e cuidar do deus, poderei encontrar aquela felicidade e paz que há tanto tempo procuro!”
Assim iniciou-se nova parte de minha vida. Diariamente, depois de meu banho pessoal, tirava água do poço e banhava o deus. Pelo menos uma vez por semana eu andava quase oito quilômetros até o rio para obter água corrente para me banhar, e, então, trazia um balde de água para o deus, Birappa. Era uma longa caminhada, mas tinha a satisfação de saber que servia a meu deus.
A cada dia os aldeões vinham com sua Prasad (dádiva) para Birappa; às vezes eram cocos e, outras vezes, flores. Eu aplicava o Bandkar (mergulhando os dedos nas cinzas, aplicando-as às testas dos aldeões em três linhas horizontais) e então lhes devolvia a Prasad. Assim, das dádivas fornecidas a Birappa se devolviam dádivas aos adoradores, quer dentre as suas próprias dádivas quer das de outros.
Meu deus Birappa não tinha forma especial, conforme representada pela figura dum homem ou duma mulher ou até de algum animal, como no caso da maioria dos deuses e das deusas hindus. Birappa era representado por um montículo, como uma grande pedra redonda. Às vezes, ao prestar serviço a Birappa, secretamente ficava pensando: “Há tantos deuses que são adorados. Poderia acontecer que haja apenas um único Deus verdadeiro? Será que alguém realmente sabe isso?” Ainda não encontrara a felicidade e a paz que desejava, assim, quedava-me pensativo: “Será que há alguém neste mundo que tenha felicidade e paz?”
Minha Formação
Desde a infância, a vida tinha sido dura para mim. Meu pai tinha duas esposas. Nasci da segunda, e, depois de apenas seis meses, papai morreu. Minha mãe morreu quando eu tinha apenas um ano de idade. Minha madrasta parecia alegrar-se em me espancar, e, por qualquer coisinha, eu levava uma surra ou ela me enfiava a cabeça num balde de água. Depois de algum tempo, fui viver com minha idosa avó. Ela não me pôde dar instrução escolar, de modo que passava os dias perambulando pelos campos e sobre as colinas com as ovelhas.
Ali, ao se passarem os dias, costumava cantar os cânticos de nossos muitos deuses, sobre seu poder, seus atos e proezas e seu amor. Eu cantava sobre Hanuman, rápido como o vento e que desarraigava árvores e colinas; sobre a deusa Chandra (a lua) ou a deusa Ushas (o entardecer). Há muitos milhares de deuses e deusas no panteão hindu. Ao crescer, às vezes ficava pensando: “Haverá um Deus que seja maior?
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