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  • Milhares de edifícios religiosos fechados na França
    A Sentinela — 1971 | 1.° de fevereiro
    • Milhares de edifícios religiosos fechados na França

      NO PRINCÍPIO do ano passado, os telespectadores e leitores de jornais na França quase não podiam acreditar no que viam e ouviam quando foram informados de que milhares de igrejas e capelas, na França, na maior parte católicas, cerraram as suas portas e que os edifícios estavam vazios e se deterioravam, ou que estavam sendo usados para uma série de fins surpreendentes.

      Todavia, tiveram de aceitar este fato, pois a notícia espantosa vinha de fonte de grande autoridade, que não era outra senão o Ministro dos Assuntos Culturais da França, Monsieur Edmond Michelet. Noticiando a sua revelação, o jornal dominical, parisiense, Le Journal du Dimanche, escrevia o seguinte, sob o cabeçalho “18.000 Igrejas Abandonadas”:

      “Dezoito mil igrejas, capelas e oratórios, na França, já foram ou estão para ser abandonados. Este algarismo alarmante foi revelado pelo Monsieur Michelet durante o programa de TV ‘Enfrentando a Imprensa’.

      “Isto significa que mais cedo ou mais tarde mais da metade dos lugares de culto na França estão condenados à deterioração e ao saque. Nem mesmo desde as Guerras Religiosas [1562-1598], se é que aconteceu, sofreram as igrejas tanto assim. Não passa semana sem ouvirmos que uma igreja está sendo fechada ou convertida para algum uso profano . . . ou está ficando em mau estado de conservação ou mesmo sendo saqueada. Isto acontece com freqüência cada vez maior.

      “Em algumas aldeias de população reduzida, as igrejas abandonadas foram saqueadas pelos que passavam por ali ou por bandos especializados. Na pequena aldeia de Clignon-Haut, nos Alpes-Baixos, viram-se crianças vestidas de suntuosas capas de asperges [vestes clericais], bordadas, que haviam sido abandonadas na sacristia.” — 18 de janeiro de 1970.

      Lamentando os atos de vandalismo praticados contra os edifícios religiosos na França, uma revista noticiosa, provincial, francesa, declarava sob o título “18.000 Igrejas à Venda”:

      “Quantas são as pequenas capelas rurais que foram devastadas! As pessoas começam a levar embora objetos sagrados, estatuetas e veladores. Depois começam a desmontar os vitrais coloridos e os afrescos. Por fim desmontam as obras esculpidas de cantaria, as portas e os bancos. Quem se importa? Quem protesta? Estranho como pareça, quem parece estar mais alarmado são os leigos [não os clérigos!].” — Hebdo-St-Etienne, 10 de maio de 1969.

      Embora a grande maioria das igrejas fechadas na França sejam católicas romanas, as notícias revelam que é bastante grande o número de edifícios da Igreja Protestante Reformada, francesa, e até mesmo algumas das sinagogas judaicas deixaram de funcionar e estão sendo usadas para algum fim secular. A Igreja da Escócia teve de fechar a sua igreja em Menton, na Riviera francesa, e a Igreja Anglicana abandonou as suas igrejas em Hyères, perto da costa do Mediterrâneo, e em Évian, nas margens do Lago de Genebra.

      SEMINÁRIOS, MOSTEIROS E CONVENTOS

      Além das igrejas e das capelas abandonadas aos milhares na França, dezenas de outros edifícios religiosos cerram as suas portas, são vendidos e usados para outros fins.

      Mesmo em baluartes católicos tais como a Bretanha, o seminário ou o colégio de treinamento dos futuros sacerdotes em Quimper teve de ser fechado. Na Normandia, três grandes seminários estão sendo fechados, em Bayeux, em Coutances e em Sées. Vão ser substituídos por um só colégio de treinamento em Caen. O enorme seminário de Bayeux tem treinado futuros sacerdotes desde 1675, e o de Sées foi fundado em 1653.

      No norte da França, fecharam-se em outubro os seminários de Cambrai e Arras, e os candidatos ao sacerdócio, nestas duas dioceses, terão de ir a Lille. Estes exemplos, tirados do oeste e do norte da França, são típicos do que acontece em todo o país. Conforme dizia um jornal regional: “O Norte e o Oeste eram as únicas regiões que ainda não haviam reagrupado [seus seminários].” — La Voix du Nord, 14 de março de 1970.

      Além disso, grande número de mosteiros, conventos e abadias estão cerrando as suas portas. Algumas destas instituições religiosas, tais como a Abadia de Senanque, no sul da França, existiam por mais de oitocentos anos.

      NOVOS USOS ESTRANHOS DOS EDIFÍCIOS RELIGIOSOS

      São deveras surpreendentes os usos que se fazem de alguns destes edifícios religiosos depois de serem redecorados. Na cidade normanda de Lisieux, lugar famoso de romaria, a igreja de “Saint Jacques”, do século quinze, é agora usada para exposições de flores e para concertos. O turista que talvez pare para tomar uma refeição no “Restaurant Henry”, em Saint-Paul-de-Vence, alguns quilômetros distante da Riviera, ficará surpreso de saber que está comendo e bebendo na antiga capela de “Nossa Senhora de Lurdes”! Não muito longe dali, em La-Collesur-Loup, o restaurante “Chez Joseph” funciona num mosteiro do século onze.

      Em Gazinet, perto de Bordeaux, uma capela católica foi transformada em academia de jiu-jitsu pelo sacerdote local! São numerosas as igrejas francesas que foram transformadas em cinemas e museus, e outras em coisas tão inesperadas como garagens, estábulos para vacas, mercado de manteiga, banhos públicos, adegas e salas para provar vinhos, salão de ensaios teatrais e assim por diante. Seminários e escolas paroquiais são usados para escolas públicas e até mesmo agência do correio. Igrejas protestantes foram transformadas em garagens, serralharia, e, por cima de tudo, em secador de fumo! Uma sinagoga no leste da França é agora usada como salão de leilões, e outra como armazém para instrumentos agrícolas.

      Comentando esta situação, escreveu o comentarista duma revista noticiosa da esquerda, francesa: “Das cinco igrejas em Senlis [uma cidade a alguns quilômetros ao norte de Paris], uma é agora usada como mercado, outra é garagem, a terceira é cinema e a quarta é salão de bailes. Reconheço que a religião precisa modernizar-se . . . mas não posso imaginar que os bailes semanais e vender verduras e legumes sejam o melhor uso imaginável que se possa fazer de igrejas desconsagradas.” — Le Nouvel Observateur, 1.º de março de 1970.

      O que é de interesse é que, a alguns quilômetros de Senlis, uma ex-capela católica tem agora bom uso. Ela foi limpa e modernizada por voluntários cristãos e é agora o Salão do Reino da congregação Creil das testemunhas de Jeová!

  • Por que as igrejas são fechadas
    A Sentinela — 1971 | 1.° de fevereiro
    • Por que as igrejas são fechadas

      O ARTIGO precedente o informou sobre uma situação de que talvez não se apercebesse, mas ele não tratou dos motivos de tantas igrejas e estabelecimentos religiosos serem fechados na França.

      POR QUE SE FECHAM OS SEMINÁRIOS

      As autoridades eclesiásticas se esforçam a explicar estes fechamentos por dizer que refletem uma reorganização necessária. Para justificar o fechamento de três grandes seminários antigos na Normandia, o bispo católico romano de Bayeux e Lisieux declarou: “Procurou-se uma fórmula que tornasse mais fácil acolher os jovens que sentem vocação para o sacerdócio.” — Ouest-France, 27 de fevereiro de 1970.

      Mas como se pode dizer que privar duas dioceses inteiras de suas escolas de treinamento para sacerdotes facilita as coisas para os jovens que ali desejam tornar-se sacerdotes? Terão de ir agora a uma terceira diocese, cujo seminário espaçoso também está sendo fechado e transferido para outra cidade, onde um único seminário para as três dioceses terá de partilhar um edifício com outra instituição católica. Não seria mais realístico admitir que dezenas de seminários são fechados simplesmente porque não há candidatos suficientes para o sacerdócio?

      Comentando o reagrupamento dos seminários franceses, o diário provincial La Voix du Nord admitiu que isto se tornara necessário “principalmente por falta de candidatos”. Uma revista paroquial na Bretanha citou o bispo local como dizendo: “Uma das principais preocupações do bispo no presente e ainda mais no futuro é a queda do número de candidatos para o sacerdócio e as ordens sacras. Isto é algo geral, que não se limita à França. Afeta a todas as nossas instituições e a todas as vocações: contemplativas, educativas, hospitalares e missionárias.” Para ilustrar as observações do bispo, a revista imprimiu os seguintes algarismos referentes ao seminário de Quimper:

      Ano Seminaristas

      1961 150

      1964 103

      1968 67

      Não é de se admirar que o artigo fosse intitulado “Seminário de Quimper em Vias de Ser Fechado”! — Kemper, junho-julho de 1969.

      Mostrando a seriedade da situação, uma das revistas noticiosas mais lidas da França declarou recentemente:

      “Cada ano, desde 1961, ela [a Igreja Católica na França] tem perdido o equivalente ao número total de sacerdotes necessários em dioceses medianas tais como Bordeaux, Nice ou Clermont-Ferrand, pois as perdas devidas aos falecimentos [cerca de 900 por ano] ou às deserções do ministério estão longe de serem compensadas. . . .

      “O clero francês, um dos mais numerosos do mundo, com mais de 40.000 sacerdotes, é um clero idoso. . . . Em 1975, um terço dos seus membros terá mais de 60 anos de idade. . . .

      “Num relatório confidencial aos seus conselheiros, o Cardeal Alexandre Renard, arcebispo de Lyons, já revelara antes, neste mês, a gravidade desta crise. Em outubro último, apenas 475 jovens ingressaram nos seminários [franceses], o que é 41 por cento menos do que no ano precedente. Os poucos seminários remanescentes são agora regionais, por falta de estudantes. O grande seminário cinzento, parecido a um quartel, em Issyles-Moulineaux, agrupa todos os seminaristas na região de Paris. . . .

      “Do modo como vão as coisas, o clero terá desaparecido em menos de um século.” — L’Express, 5-11 de janeiro de 1970.

      POR QUE SÃO FECHADAS AS IGREJAS?

      As autoridades eclesiásticas procuram dar a entender que o fechamento de tantas igrejas na França é conseqüência natural da mudança da população das pequenas paróquias rurais para as cidades e os centros industriais, onde, segundo dizem, se construíram mais de mil igrejas novas durante os últimos vinte e cinco anos. Este talvez seja o motivo por que algumas pequenas capelas rurais são fechadas, mas por certo não explica por que quatro dentre cinco igrejas são fechadas em cidades como Senlis, que tem mais de 10.000 habitantes! O motivo real é outro.

      Um deles, evidentemente, é a falta de ministros. Há pelo menos 18.000 paróquias católicas na França que não têm sacerdote residente. Grande número de sacerdotes precisa ministrar a diversas paróquias, e em muitas destas, a igreja se abre apenas uma vez por mês ou até menos vezes, ocasionalmente apenas para enterros ou outras cerimônias especiais. Visto que a falta de sacerdotes se torna cada vez mais acentuada, atualmente, quando um sacerdote se casa ou abandona seu ministério por outro motivo, a paróquia ou as paróquias de que estava encarregado freqüentemente não têm outra alternativa senão pregar na porta da igreja um aviso dizendo: “Fechada até segunda ordem”, e na maioria das vezes a “segunda ordem” nunca vem!

      O motivo mais significativo por que tantas igrejas são fechadas talvez seja o crescente declínio do interesse nas religiões tradicionais. Os católicos que durante anos pensavam que pertenciam à igreja infalível de Cristo descobriram que as coisas que consideravam sagradas, porque seus sacerdotes lhes diziam isso, são agora consideradas sem importância e até mesmo prejudiciais pelos mesmos sacerdotes. Descrevendo o efeito que estas mudanças têm sobre muitos católicos, L’Express escreveu:

      “As observâncias que haviam sido prescritas para gerações de cristãos são agora consideradas antiquadas. Ao introduzir o conceito da mudança, a Igreja [Católica] introduziu também o conceito da relatividade. Visto que as regras prescritas ontem não valem mais hoje, não há nada para provar que as regras de hoje sejam aplicáveis amanhã.” — L’Express, 14-20 de outubro de 1968.

      O desagrado geral com o papel desempenhado pelas religiões tradicionais nas guerras e nos conflitos entre as nações e dentro delas também afasta as pessoas das igrejas. Isto foi admitido por Eugene Blake, secretário-geral do Conselho Mundial das Igrejas, ao falar em Genebra, na Suíça, dizendo:

      “As religiões nem sempre contribuem para a paz, e temos presenciado as conseqüências terríveis do moderno fanatismo religioso ligado com o capitalismo, o colonialismo, o racismo branco e os antigos costumes feudais ou tribais. Encaremos o fato de que as relações entre a Índia e o Paquistão foram tornadas piores em vez de melhores pelo fator religioso. E o papel da religião na Irlanda do Norte tampouco trouxe consolo aos católicos e aos protestantes.” — Le Monde, 2 de abril de 1970.

      Visto que as religiões orientais e as igrejas da cristandade desapontaram o povo em sentido religioso e até mesmo contribuíram para o desassossego e as

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