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    Despertai! — 1987 | 22 de dezembro
    • Página dois

      Um princípio básico da Igreja Católica Romana sempre foi que ela é a única e verdadeira Igreja Apostólica. Ensina-se aos católicos que a unidade da Igreja é prova de sua autenticidade. Mas, atualmente, os católicos se vêem confrontados com uma Igreja que está dividida em questões teológicas, morais, de governo eclesial, e litúrgicas.

      As decisões papais sobre importantes assuntos de fé e de moral estão sendo contestadas por teólogos católicos, e não estão sendo seguidas por muitos dos fiéis. Um arcebispo católico estabeleceu uma cadeia internacional de seminários para a formação de sacerdotes dissidentes. Cada vez mais católicos sinceros se sentem perplexos e perguntam: ‘Por que minha igreja esta dividida?’

  • Rachaduras no edifício
    Despertai! — 1987 | 22 de dezembro
    • Rachaduras no edifício

      Do correspondente de Despertai! na França

      NAQUELE dia, as torres maciças da catedral de Notre Dame de Paris pareciam simbolizar a solidez da Igreja Católica Romana tradicional. Na ampla praça, em frente a este edifício do século 12, uma procissão oficial da Igreja celebrava a Assunção de Maria.

      É estranho relatar, contudo, que no mesmo dia 15 de agosto de 1986, a apenas algumas centenas de metros dali, no outro lado do rio Sena, uma procissão rival se formava em frente à igreja católica de Saint-Nicolasdu-Chardonnet. À medida que a procissão percorria as ruas do Quartier Latin, era acompanhada por muitos milhares de católicos, alegadamente muito mais do que os presentes à cerimônia oficial realizada em Notre Dame. Todavia, ambas as procissões foram organizadas por sacerdotes da Igreja Católica Romana, e ambas eram em honra a Maria. Por que duas procissões rivais a fim de celebrar a mesma festa católica?

      Este incidente bem ilustra as fendas que agora dividem a Igreja Católica. Elas se espalham em todas as direções, por todo o edifício, dividindo-o da esquerda para a direita, e de alto a baixo.

      Católicos Progressistas Versus Tradicionalistas

      À esquerda acham-se os católicos progressistas, ou liberais. Muitos destes se sentem atraídos pela chamada teologia da libertação, que se originou na América Latina. Para estes, o ecumenismo, o socialismo, e até mesmo o comunismo, não são palavras assustadoras. Mas, mesmo na América Latina, nem todos os católicos concordam com a teologia da libertação. No Brasil, à guisa de exemplo, o próprio clero católico acha-se dividido entre os progressistas e os tradicionalistas (conservadores).

      Os católicos tradicionalistas são, na maioria, conservadores direitistas que acham que o Concílio Vaticano II abriu a porta para reformas que traem o catolicismo tradicional. Insistem que a Missa seja rezada em latim, e se recusam a confraternizar-se com os protestantes ou com políticos esquerdistas.

      No meio, acham-se os católicos do centro, sem dúvida os mais numerosos, mas não necessariamente os mais fervorosos. Tanto os progressistas como os tradicionalistas acham que o catolicismo de centro está perdendo sua alma, em resultado das reformas, sejam elas poucas demais, sejam excessivas. Muitos progressistas acham que as reformas não chegam bastante longe, e que o envolvimento político da Igreja a favor dos pobres é tímido demais. Os tradicionalistas estão convictos de que o catolicismo pós-Vaticano II está-se reformando a tal ponto que deixará de existir.

      De entremeio a estas tendências principais, há outras fissuras, em todos os níveis. Os católicos acham-se divididos em questões de fé e de moral. Quanto às questões de fé, ou crenças, os dogmas oficiais católicos, tais como o inferno de fogo, o purgatório, o pecado original, e até mesmo a Trindade, não mais são aceitos de forma inconteste no seio da Igreja Católica. Recente pesquisa feita na França, que se diz ser “a filha mais velha da Igreja”, mostrava que 71 por cento dos católicos franceses entrevistados expressavam dúvidas quanto à vida após a morte, 58 por cento negavam a existência do inferno, 54 por cento expressavam descrença no purgatório, e 34 por cento não aceitavam a Trindade.

      Admitidamente, existem muitos membros da Igreja Católica em todo o mundo que persistem em crer fervorosamente em tais doutrinas. Mas, isso só serve para mostrar que os católicos estão divididos em questões de fé.

      “A Questão Central . . . É a Obediência a Roma”

      Quanto à moral, os católicos acham-se profundamente divididos em questões tais como sexo pré-marital, adultério e homossexualismo. Muitos católicos sinceros ficam profundamente chocados com a atitude permissiva de membros de sua Igreja, inclusive de alguns clérigos e até mesmo de certos teólogos. Católicos de boa moral talvez se confortem com o fato de que o Papa tem-se pronunciado fortemente contra a imoralidade sexual. Mas, não sublinha isto simplesmente a inquietante verdade de que um número cada vez maior de católicos questiona a autoridade do Papa em tais assuntos?

      O jornal Observer, de Londres, escreveu recentemente: “As tensões entre o Papa e muitos de seu rebanho têm sido expressas em desacordos bem divulgados sobre o aborto, o controle artificial da natalidade, a admissão de mulheres ao sacerdócio, e a participação de católicos divorciados na Comunhão. A questão central subjacente é a obediência a Roma.”

      O Bispo James Malone, ex-presidente da Conferência Nacional (Americana) de Bispos Católicos, avisou contra “crescente e perigosa falta de afeto entre elementos da Igreja nos Estados Unidos e a Santa Sé”. Ele mencionou os termos “dissensão”, “divisão” e “crescente alheamento”.

      Por outro lado, os católicos tradicionalistas acham-se em rebelião aberta contra o Papa por julgarem que ele não é bastante estrito. A principal figura desta revolta é um arcebispo católico francês. Ele criou um movimento que dividiu ainda mais a Igreja Católica Romana, como explicará o artigo que segue.

  • O arcebispo rebelde
    Despertai! — 1987 | 22 de dezembro
    • O arcebispo rebelde

      O JORNALISTA francês enfiou-se num táxi em Roma e pediu ao motorista que o levasse ao Palácio Rospiglioso-Pallavicini. O taxista olhou para ele de modo concordante e disse: “Si”, ele o levaria a “il vescovo ribelle!” (ao bispo rebelde).

      Já por vários dias, todas as pessoas importantes em Roma estavam excitadas. Para grande indignação das autoridades do Vaticano, a Princesa Elvina Pallavicini, que pertence a uma das principais famílias aristocratas de Roma, tinha concordado em ajudar Marcel Lefèbvre, o dissidente arcebispo católico francês, a expressar seus conceitos em Roma, até mesmo mandando centenas de convites para uma semiprivada entrevista coletiva de imprensa. Ela havia colocado à disposição de Lefèbvre o palácio da família, que tinha sido o lar dum Papa e de vários cardeais entre seus ancestrais. Para agravar ainda mais as coisas, ela permitiria que ele realizasse sua entrevista na sala do trono, sob o enorme dossel do Papa Clemente IX.

      Apesar da grande pressão que os dignitários do Vaticano exerceram sobre ela, a princesa manteve sua decisão. A imprensa romana noticiou amplamente esta entrevista, considerada uma “provocação” feita bem “nos umbrais do Vaticano”. O taxista estava obviamente em dia com as notícias locais!

      A Igreja “Não É Mais Católica”

      A Princesa Pallavicini justificou sua decisão, declarando que a Igreja Católica acha-se dividida e que tais “graves problemas não podem ser solucionados pelo ambíguo silêncio, mas apenas por corajosa lucidez”. Ao oferecer ao Arcebispo Lefèbvre a oportunidade de expressar seus conceitos, ela esperava “promover a paz e a serenidade no mundo católico”. O prelado agradeceu à sua anfitriã e abençoou a ela e à família dela, congratulando-as por terem “conservado a fé tradicional”.

      Cerca de mil pessoas compareceram à entrevista, notadamente católicos tradicionalistas que representavam vários países, inclusive muitos representantes da imprensa escrita e da TV. O arcebispo expressou profunda discordância com as diretrizes da Igreja oficial desde o Concílio Vaticano II (1962-65). O diário francês Le Monde comentou: “Por quase duas horas [o Arcebispo Lefèbvre] externou suas queixas contra a nova Igreja ‘que não é mais católica’. Ele não poupou nada: o catecismo, os seminários, a Missa, o ecumenismo, para não se mencionar a ‘coletivização dos sacramentos’ e os ‘cardeais de orientação comunista’.”

      O Arcebispo Lefèbvre concluiu: “A situação é trágica. A Igreja está-se movimentando numa direção que não é católica e que está destruindo a nossa religião. Devo obedecer ou permanecer católico, um católico-romano, um católico por toda a vida? Fiz a minha escolha perante Deus. Não quero morrer protestante.”

      O Cardeal Poletti, o vigário de Paulo VI na diocese de Roma, declarou que, por organizar tal entrevista em Roma, “O Monsenhor Lefèbvre ofendeu a fé, a Igreja Católica, e o Senhor divino dela, Jesus, [e] ofendeu pessoalmente o Papa, abusando da paciência dele e tentando causar dificuldades dentro da sua sé apostólica.”

      Como Começou a Rebelião

      Essa entrevista foi realizada em 6 de junho de 1977. Mas, já em 1965, antes de terminar o Concílio Vaticano II, falava-se em “cisma” na Igreja Católica. Muitos católicos conservadores achavam que o Vaticano II estava fazendo reformas que traíam o catolicismo tradicional.

      O arcebispo Lefèbvre, ex-arcebispo de Dacar, no Senegal, e bispo de Tulle, na região centro-sul da França, tinha tomado parte no Concílio Vaticano II. Em 1962, foi eleito superior-geral dos “Padres do Espírito Santo” na França. Mas, crescente discordância com as diretrizes do Vaticano II, aplicadas no âmbito da Igreja Católica, causaram seu pedido de demissão desse posto, em 1968.

      Em 1969, um bispo católico suíço autorizou o arcebispo dissidente a abrir um seminário tradicionalista na diocese de Friburgo, Suíça. No ano seguinte, o Arcebispo Lefèbvre fundou o que ele chamou de “Fraternidade Sacerdotal São Pio X”, e abriu um seminário em Ecône, no cantão suíço de Valais. Ele fez isto com a aprovação do bispo católico de Sion.

      Para começar, este seminário era apenas marginalmente dissidente. Os seminaristas, naturalmente, usavam batinas pretas e recebiam uma formação solidamente tradicionalista. Celebrava-se a Missa em latim, ao passo que o Papa Paulo VI tinha decretado que a Missa revisada deveria ser rezada no vernáculo. Mas o seminário foi tolerado pelas autoridades oficiais da Igreja porque, naquela época, o Arcebispo Lefèbvre não se propôs formar os futuros sacerdotes até à ordenação deles. Tinha esperanças de que estes pudessem concluir sua formação naquilo que considerava os dois remanescentes bastiões do catolicismo tradicional, a Pontifícia Universidade de Latrão, em Roma, e a Universidade de Friburgo, na Suíça.

      As dificuldades realmente começaram quando o Arcebispo Lefèbvre concluiu que nem mesmo estas duas universidades católicas mereciam a confiança quanto à formação de futuros sacerdotes naquilo que ele julgava ser a verdadeira tradição católica. Decidiu que ele mesmo ordenaria os futuros sacerdotes formados no seminário de Ecône. Para piorar as coisas, em 1974, ele publicou um manifesto que expressava violenta oposição à maioria das reformas do Concílio Vaticano II. Já então, Ecône tinha mais de cem seminaristas que recebiam sua formação de um grupo de professores tradicionalistas.

      Em 1975, atuando por meio do bispo suíço local, o Vaticano retirou sua permissão de funcionamento do seminário de Ecône. Desrespeitando isto, o Arcebispo Lefèbvre continuou a ordenar novos sacerdotes, à medida que eles concluíam seus estudos. Devido a isto, o Papa Paulo VI, em 1976, suspendeu-o de todas as funções sacerdotais, inclusive a de rezar Missa, oficiar nas primeiras comunhões, ministrar os sacramentos, e, como bispo, de ordenar sacerdotes. Visto que Ecône prosseguiu, apesar de tudo, isto resultou na situação paradoxal de haver um seminário ultracatólico, formando dezenas de sacerdotes católicos ultraconservadores, ordenados por um bispo desautorizado, que afirmava ser mais católico do que o Papa!

      Amplitude da Rebelião

      Não valeria a pena mencionar a rebelião deste arcebispo francês se ela se restringisse ao seminário aninhado ao sopé dos Alpes suíços. Mas o Arcebispo Lefèbvre rapidamente se tornou o ponto de encontro de influente segmento do catolicismo em todo o mundo. Em seu livro L’Église Catholique 1962-1986—Crise et renouveau (A Igreja Católica 1962-1986 — Crise e Renovação), o autor Gérard Leclerc escreveu: “A controvérsia sobre o tradicionalismo não reflete somente a tendência de diminuta minoria. Expressa os sentimentos de grande parte dos fiéis.”

      O Arcebispo Lefèbvre tem recebido apoio financeiro de muitos católicos conservadores de todo o mundo. Isto o habilita a viajar bastante, não raro a convite de grupos de católicos tradicionalistas. Ele critica o Vaticano II perante amplas assistências, em muitos países, rezando a Missa de acordo com a liturgia latina do Concílio de Trento, do século 16, chamada de liturgia tridentina ou de Pio V. Estas reuniões tradicionalistas foram às vezes realizadas nos locais mais incomuns, tais como um supermercado desocupado, ao norte de Londres, Inglaterra.

      Este amplo respaldo financeiro habilitou o arcebispo rebelde a abrir outros seminários para a formação de sacerdotes católicos tradicionalistas na França, na Alemanha, na Itália, na Argentina, e nos Estados Unidos. Em fevereiro de 1987, o diário francês Le Figaro noticiou que tais instituições estavam então formando 260 seminaristas. O Arcebispo Lefèbvre tem ordenado entre 40 e 50 sacerdotes por ano, vindos de muitas partes do mundo, inclusive da África.

      Muitos destes sacerdotes tradicionalistas agem com base nos 75 conventos dirigidos por um prior que a “Fraternidade” do Arcebispo Lefèbvre estabeleceu em 18 países da América do Norte e do Sul, da Europa e da África. Tais sacerdotes celebram a Missa em latim para os católicos conservadores destes países.

      Os ofícios tradicionalistas são, não raro, realizados em capelas especialmente criadas. Cada vez maior número de católicos direitistas, porém, estão travando uma luta com a hierarquia católica ortodoxa a fim de obterem o direito de usar igrejas católicas comuns para seus ofícios. Isto tem dado origem a situações que perturbam profundamente a muitos católicos sinceros.

      Lutas Pela Posse de Igrejas

      Desde 1969, quando o Papa Paulo VI introduziu a nova Missa que envolve o uso do vernáculo e outras reformas, os católicos tradicionalistas organizam Missas particulares que empregam a antiga liturgia latina. Em Paris, França, centenas deles se reuniam no Salão Wagram, perto do Arco do Triunfo. Visto que a nova liturgia era obrigatória, naquela época, o arcebispo católico local se recusava a permitir que usassem uma igreja.

      Por fim, em 27 de fevereiro de 1977, os tradicionalistas resolveram agir e, liderados por um sacerdote conservador, ocuparam à força a igreja de Saint-Nicolas-du-Chardonnet, no Quartier Latin. Os sacerdotes católicos e paroquianos comuns se viram expulsos de sua própria igreja. Quando eles tentaram, alguns dias depois, realizar uma Missa naquela igreja, irrompeu uma briga. Um sacerdote teve de ser levado para um hospital, e os outros se refugiaram no presbitério vizinho.

      Na atualidade, dez anos depois, a igreja de Saint-Nicolas-du-Chardonnet ainda se acha ocupada pelos católicos tradicionalistas, apesar de dois mandados judiciais os terem expulsado. Cerca de 5.000 pessoas comparecem às cinco Missas em latim celebradas ali todo domingo. Os ofícios são realizados por um sacerdote ordenado em Ecône pelo Arcebispo Lefèbvre, e o “prelado rebelde” vem regularmente a esta igreja para a confirmação (crisma) de crianças católicas tradicionalistas.

      Alguns meses depois de a igreja de Saint-Nicolas-du-Chardonnet ter sido ocupada pelos tradicionalistas, centenas de católicos progressistas realizaram uma reunião de protesto contra a ocupação à força desta igreja. Diversos sacerdotes e professores católicos da Sorbonne e do Instituto Católico de Paris tomaram parte nela. Subitamente, um grupo de jovens tradicionalistas católicos entrou à força no salão e interrompeu a reunião, usando barras de ferro e uma bomba de fumaça. Várias pessoas ficaram feridas, e um professor católico teve de ser levado para um hospital.

      O bispo católico de Estrasburgo, na região leste da França, foi escorraçado pelos católicos tradicionalistas quando tentou entrar numa igreja que eles ocuparam a fim de celebrar a Missa em latim. Em Paris, “comandos” de católicos tradicionalistas irromperam em igrejas católicas para pôr fim aos ofícios. Fizeram isso porque uma mulher estava sendo usada para ler o Evangelho durante a Missa, ou porque ministros protestantes e ortodoxos estavam presentes para um ofício ecumênico.

      Em março de 1987, católicos tradicionalistas e regulares quase se digladiaram em Port-Marly, logo a oeste de Paris, e tiveram de ser apartados pela polícia. A briga era para ver quem iria ocupar a igreja católica de Saint Louis. No mês seguinte, alguns católicos tradicionalistas usaram um aríete para derrubar uma porta murada e entrar na igreja, a fim de celebrar, em latim, a Missa do Domingo de Ramos. O jornal The Times, de Londres, Inglaterra, informou sobre isto sob a manchete “Batalha de St Louis — católicos franceses rebeldes retomam igreja disputada”. Um sacerdote ordenado pelo rebelde Arcebispo Lefèbvre celebrou a Missa para eles, em latim.

      Ferida no Flanco da Igreja

      O autor católico Gérard Leclerc escreve: “Mais de 20 anos depois do Concílio [do Vaticano], a dissensão tradicionalista permanece uma ferida aberta no flanco da Igreja.” E em seu livro Voyage à l’intérieur de l’Église catholique (Viagem Pelo Interior da Igreja Católica), Jean Puyo e Patrice Van Eersel declaram: “Se Roma está tão atônita devido às atividades do Monsenhor Lefèbvre, isso se dá porque ele está formulando perguntas básicas. O Bispo Mamie, de Friburgo e de Genebra, que se viu obrigado a condenar as atividades do confrade rebelde, disse-nos francamente: ‘A angústia dos fiéis que o têm seguido não é sem base. A doutrina milenar da Igreja corre perigo mortal.’”

      Assim, dos luxuosos palácios aristocratas de Roma aos milhões de moradias humildes em todo o mundo, muitos católicos sinceros sentem-se profundamente perplexos. Eles perguntam: “Por que a minha igreja está dividida?” A razão disso, é o que alguns católicos fazem a respeito, serão considerados a seguir.

      [Foto na página 6]

      Arcebispo Marcel Lefèbvre

      [Crédito da foto]

      UPI/Bettmann Newsphotos

      [Foto na página 7]

      Ecône, o seminário tradicionalista do arcebispo rebelde, nos Alpes suíços.

      [Foto na página 9]

      Igreja de Saint-Nicolas-du-Chardonnet, em Paris, ocupada ilegalmente por católicos tradicionalistas nos últimos dez anos.

  • Por que minha igreja está dividida?
    Despertai! — 1987 | 22 de dezembro
    • Por que minha igreja está dividida?

      AS DIVISÕES no seio da Igreja Católica são tão visíveis que muitos católicos sinceros sentem o mesmo que o apóstolo Paulo, que escreveu aos cristãos coríntios, que estavam divididos: “É evidente que há sérias diferenças entre vós. . . . Tem Cristo se dividido?” — 1 Coríntios 1:11, 13, The New Jerusalem Bible.

      Muitos católicos observadores compreendem muito bem que o cristianismo não deveria estar “dividido”. Os católicos, mais do que a maioria dos outros que se afirmam cristãos, estão cônscios da unidade da verdadeira religião cristã. Eles julgavam praticar tal religião unificada na Igreja Católica. Consideravam o protestantismo como uma mistura confusa de religiões contraditórias. Para eles, a Igreja Católica representava a estabilidade e, acima de tudo, a união. Atualmente, estão confusos.

      Por Que Ela Está Dividida?

      A Igreja Católica está dividida entre progressistas esquerdistas, tradicionalistas direitistas, e os centristas do Vaticano II. Muitos católicos esquerdistas liberais pregam diversas teologias de libertação que justificam a revolução política. Alguns chegam bem próximos de adotar um enfoque marxista e até justificam a revolta armada. Todavia, o Fundador do cristianismo disse a seus discípulos: “Não sois do mundo e minha escolha vos separou do mundo. . . . Meu reino não é deste mundo.” — João 15:19; 18:36, A Bíblia de Jerusalém.

      Os tradicionalistas defendem as tradições humanas e uma liturgia latina que não remonta aos tempos bíblicos, visto que a língua do cristianismo primitivo era o grego, e não o latim. Ademais, por sua intolerância e agressividade, não refutam sua afirmação de serem cristãos? Henri Fesquet, antigo colunista de assuntos religiosos do diário francês Le Monde, escreveu: “A demonstração de cristãos [católicos] satirizando uns aos outros e brigando por causa de locais de adoração é um contra-testemunho que somente pode voltar-se contra eles mesmos. De que vale pregar a luz, em nome do Evangelho, se os atos da pessoa refutam suas palavras?”

      Jesus disse aos fariseus: “Anulastes a palavra de Deus por vossa tradição.” (Mateus 15:6, Bíblia Vozes) Muitos católicos sinceros pensam da mesma forma sobre os hodiernos tradicionalistas.

      Tanto os progressistas como os tradicionalistas (por motivos opostos) consideram que o Concílio Vaticano II produziu uma massa de dúbios católicos de centro. Os autores Puyo e Van Eersel entrevistaram o filósofo católico francês, Jean Guitton, membro da Academia Francesa. Resumiram os sentimentos dele da seguinte forma: “O Credo católico, a essência da Igreja, está-se esboroando em pedaços contraditórios, os mais zelosos dentre os fiéis devotam-se exclusivamente à política, os jovens cristãos [católicos] calmamente fazem amor antes do casamento, ninguém sabe como aplicar corretamente o Concílio [do Vaticano], e o povo de Deus está à deriva.”

      Compreensivelmente, os católicos sinceros perguntam: ‘Por que minha igreja está dividida?’ A resposta é: Porque nenhum de seus vários segmentos aceita a Bíblia como a única autoridade autêntica que deve definir a posição dos verdadeiros cristãos em todos os assuntos. Por conseguinte, estão divididos por diversas teologias e interpretações das tradições.

      O Que Podem Fazer os Católicos Sinceros?

      Em certa ocasião, em 1981, os católicos tradicionalistas interromperam um ofício ecumênico realizado numa igreja católica em Paris. O Arcebispo (atual Cardeal) Lustiger, de Paris, falou aos que permaneceram na igreja, depois desse distúrbio: “Viemos aqui para solicitar os dons do Espírito, que reúnem os filhos espalhados. Ao invés, vimos um reflexo das divisões que grassam entre cristãos, o espectro de Babel.”

      Babel foi onde Deus confundiu a linguagem daqueles que praticavam a adoração falsa. (Gênesis 11:1-9) Mais tarde, tornou-se o local da cidade de Babilônia, a fonte de um confuso panteão de deuses e de deusas. Na Bíblia, tornou-se símbolo de um sistema religioso mundial de religião confusa. Um Theological Wordbook of the Old Testament (Glossário Teológico do Antigo Testamento) declara: “Mesmo no primeiro século A.D., [o apóstolo] João referiu-se ao sistema religioso, Babilônia, como a ‘Mãe das meretrizes e das abominações da Terra’ (Ap 17:5).”

      Referindo-se a esta Babilônia simbólica, ou império mundial da religião falsa, a Bíblia convida todas as pessoas sinceras a agir prontamente, dizendo-lhes: “Saí dela, meu povo, para não serdes cúmplices de seus pecados, para não vos atingir parte de suas pragas.” — Apocalipse [Revelação] 18:4, Bíblia Vozes.

      Muitas pessoas sinceras abandonam as religiões organizadas da cristandade. Por exemplo, um antigo católico convicto que mora nos Alpes franceses escreveu, de livre e espontânea vontade, o seguinte à filial francesa das Testemunhas de Jeová: “Consoante a tradição de 1.000 anos da Igreja Católica, fui batizado, logo que nasci, na fé católica. Eu era católico ativo por uns 50 anos. Por volta de 1980, fiquei convicto de que a Igreja Católica estava errada. Abateu-se-me o moral, e fiquei profundamente abalado. Tive muitas discussões com padres que não respeitavam seus votos. Por muitos anos, tinha ouvido falar nas Testemunhas de Jeová, a maioria das vezes desfavoravelmente. Após longo período de reflexão, abri minha porta para elas. Elas me ajudaram a ver que a Bíblia contém as respostas para as nossas perguntas. Também compreendi que, depois de 50 anos no serviço ativo no seio da Igreja Católica, eu nada sabia sobre a Bíblia, embora possuísse uma. Foram as Testemunhas que me ajudaram a ‘descobrir’ a Bíblia.”

      Ginette, que mora perto de Paris, também era uma católica fervorosa. Com efeito, quando o marido dela começou a estudar a Bíblia com as Testemunhas de Jeová, ela fez tudo que pôde para impedi-lo, e manteve sua oposição por muitos anos. O que a fez mudar? Ela escreve: “Perdi a confiança. A Igreja não me fazia mais nenhum bem. Para começar, fiz arranjos para um encontro, face a face, entre meu sacerdote e as Testemunhas. Mas logo pude ver que o padre não conseguia responder às perguntas delas.” Ginette aceitou um estudo da Bíblia com as Testemunhas. Atualmente, ela e o marido sentem-se felizes em servir a Deus no âmbito da unida família internacional das Testemunhas de Jeová.

      Se você se sente perplexo e angustiado devido às divisões existentes em sua igreja, convidamo-lo a procurar obter mais informações das Testemunhas que lhe forneceram esta revista, ou a escrever aos editores. As Testemunhas de Jeová ficarão felizes de ajudá-lo a achar uma amorosa família internacional de cristãos que estão verdadeiramente unidos em sua adoração a Deus.

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