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As misteriosas glândulas endócrinasDespertai! — 1972 | 22 de dezembro
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supra-renais, a medula supra-renal (o âmago) e o córtex supra-renal (ou camada externa). A medula supra-renal segrega o que se tem chamado de “hormônio de emergência” — epinefrina (adrenalina) — no sangue, habilitando o corpo a ajustar-se à tensão súbita. Saudáveis supra-renais habilitam o corpo a enfrentar emergências. Se o homem tem de escapar de um atacante, aumentam suas batidas cardíacas e a taxa de consumo de oxigênio, o índice de despertamento aumenta, reduz-se o tempo de coagulação do sangue. A medula supra-renal é o capitão que controla as crises!
O córtex supra-renal, que é essencial à vida, aparentemente produz mais de três dúzias de hormônios, todos eles esteróides. Estes hormônios servem de vários modos, tais como ajudando a regular os equilíbrios de sal e açúcar no corpo e exercendo uma ação antialérgica e antiinflamatória.
Entre as coisas maravilhosas que foram feitas e que refletem a obra precisa e intricada do magistral Arquiteto se acham essas surpreendentes glândulas endócrinas, que, como o sindicato químico que são, regulam tão perfeitamente as funções do corpo humano. É mais fácil crer que um relógio, complicado como ele seja, tenha surgido por acaso, do que acreditar que as infinitas complicações do sistema endócrino tenham simplesmente acontecido por acaso, e isto se dá especialmente visto que todas as glândulas precisam funcionar desde o princípio, com perfeição, se é que o corpo há de viver normalmente — ou até mesmo chegar a viver!
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Para onde vai a religião no Chile?Despertai! — 1972 | 22 de dezembro
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Para onde vai a religião no Chile?
Do correspondente de “Despertai!” no Chile
O CHILE há muito tem sido uma terra de liberdade religiosa. Esta liberdade é garantida por sua constituição, e o povo aqui tem-na guardado com desvelo.
Efetivamente, o Chile é um dos poucos países sul-americanos que gozam de patente separação entre a Igreja e o Estado. Essa separação ocorreu no ano de 1925, e tem sido mantida cuidadosamente desde então.
Assim, ao passo que todas as religiões estão livres para fazer seu trabalho, nenhuma pode tomar parte oficial no governo. Em 1970, quando Salvador Allende foi eleito Presidente do Chile, ele declarou de público que continuaria a respeitar a liberdade de religião provida pela Constituição.
Mas, ao passo que os governos têm preservado cuidadosamente a liberdade de religião, e a tem mantido separada do estado, qual é a situação hodierna das igrejas? Qual é a atitude do povo para com a religião agora?
Crescente Indiferença
O Chile é considerado um país católico-romano, visto que a maioria das pessoas aqui são consideradas católicas desde que nasceram. Mas, quando se examina as práticas religiosas do povo, pode-se ver que a maioria só são católicos de nome.
Na capital, Santiago, a assistência média na missa dominical é de menos de 13 por cento dos que professam ser católicos. E, em certas partes da cidade, o comparecimento é de apenas cerca de 1 por cento.
Também significativo é o que acontece com os homens, especialmente ao ficarem mais velhos. Ao passo que cerca de 16 por cento dos meninos de sete a dez anos comparecem à Missa, depois disso há agudo declínio. Quando atingem de trinta e um a quarenta anos, apenas pouco mais de 5 por cento assistem regularmente à Missa. E dentre os que o fazem, apenas 12 por cento recebem a Comunhão!
Um motivo disso tem que ver com as condições sociais. Por séculos, sob vários tipos de governo, a vida do chileno mediano teve pouca melhora. Havia muita pobreza. Viram que a Igreja usualmente apoiava as classes mais ricas. Observando o apoio da Igreja a tipos de governo que pouco fizeram por eles, muitos ficaram amargurados contra o clero.
Em resultado disso, muitos se voltaram para idéias que ofereciam soluções mais radicais para seus problemas. Assim, a revista Ercilla declarou recentemente: “Os que vêm ao Chile depois de observá-lo de longe ficam surpresos ao verificar que a maioria dos trabalhadores são, ao mesmo tempo, cristãos e esquerdistas. Cristãos a seu próprio modo porque, embora o Chile seja classificado entre os países católicos, tal catolicismo não figura em sua Constituição, nem nos costumes daqueles que afirmam sobre sua fé: ‘Somos católicos, mas não vamos à missa, nem gostamos dos padres.’”
Igreja Dividida
A confiança de tais pessoas na Igreja sofre ainda maior erosão quando notam que a Igreja se acha terrivelmente dividida em sentido político. Entre o clero se pode encontrar todo tipo de expressão política, desde o ultradireitista até o ultra-esquerdista. O Cardeal Raúl Silva Henriquez tem sido chamado de o “Cardeal Vermelho”.
O próprio papa sofreu graves ataques por parte de alguns clérigos daqui. Quando, em abril de 1971, oitenta sacerdotes se declararam a favor da participação católica na edificação do socialismo, seu porta-voz, Gonzalo Arroyo, disse sobre o Papa Paulo VI: “Seu gesto pontifício não pode satisfazer os que são a favor duma Igreja moderna, os comprometidos a lutar contra os abusos do capitalismo e a sociedade burguesa. Paulo VI tem sido incapaz de romper seu vínculo com o capitalismo europeu e sempre se limita a condenar a guerra e a fome em termos abstratos, sem indicar o nome do culpado, o Imperialismo Estadunidense. Creio que lhe falta o valor intelectual para romper tais vínculos seculares da Igreja.”
Nesta mesma linha de pensamento se acha o sacerdote Roberto Lebegue, ordenado em França e naturalizado chileno há poucos anos atrás. Revela a atuação de muitos sacerdotes intimamente associados com a classe trabalhadora que crêem que os trabalhadores de todas as nações se deveriam unir para pôr fim “ao domínio das classe burguesas”’.
Quanto ao Papa Paulo VI, Lebegue declara: “Creio que ele é absolutamente desconhecido das pessoas de meu campo. Nem sequer sabem o seu nome. Creio que alguns talvez se lembrem dele pelas suas viagens ou pela questão da pílula.”
No que tange a encíclica papal “Humanae Vitse”, de 1968, que reafirmou a proscrição da Igreja aos métodos anticoncepcionais artificiais, declarou Lebegue: “Creio que as falhas dessa encíclica, no sentido que trata da mesma forma as mulheres ricas e as pobres, as doentes e as saudáveis, com poucos ou com muitos filhos, são devidas em boa parte a que ele [o papa] vive isolado na pompa e nas riquezas do Vaticano, um prisioneiro duma estrutura que ele tem sido incapaz de romper . . . O Papa deveria viver como um homem pobre, como fez Jesus Cristo.”
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