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Para onde vai a religião no Chile?Despertai! — 1972 | 22 de dezembro
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Abandono Clerical
O que também contribui para a crescente indiferença de muitos para com o catolicismo é o número crescente de clérigos que abandonam seus deveres. Tais pessoas arrazoam que, se os sacerdotes não mais desejam servir, então há algo de errado com a Igreja.
Em alguns países, afirma-se que o motivo principal de os sacerdotes deixaram a Igreja e a doutrina do celibato. Ao passo que isto sem dúvida constitui um fator no Chile, não é a razão principal. A publicação El Mercurio declara: “Vê-se que o motivo principal de os sacerdotes deixarem a Igreja no Chile é por causa de serem fracos na fé e pela falta de vida espiritual . . . não por causa da doutrina do celibato.” Será possível ensinar as pessoas a ter fé nas igrejas se é fraca a fé de seu clero?
Exatamente quão grave é a deterioração nas fileiras clericais? El Mercurio comentou: “O fato de haver grande crise no sacerdócio chileno pode ser depreendido de que aproximadamente 200 sacerdotes o abandonaram nos últimos anos e do número decrescente de rapazes que entram para os seminários.” Para este pequeno país, o fato de que tantos sacerdotes assim o abandonam, e muito menos entram para os seminários, causa um desastre duplo para a Igreja.
Num livro publicado sobre a situação em Santiago, observou-se que os “estudantes de teologia em 1967 totalizavam apenas 33 para a Diocese de Santiago, isto é, exatamente um para cada 100.000 habitantes. Cinqüenta por cento das sacerdotes no Chile são sacerdotes estrangeiros enviados da Europa, dos Estados Unidos e do Canadá. No entanto, a dependência de ajuda estrangeira dificilmente conseguirá manter-se por muito tempo, devido a que diminui a inclinação para a vida religiosa naqueles países que enviam sacerdotes.”
Para Onde Vai a Religião?
Por estes e outros motivos, inclusive as ações imorais de alguns clérigos aqui, crescentes números de chilenos estão desiludidos com a Igreja. Bem amiúde agora, quando surge o assunto da religião, as pessoas dirão: “Não vou à Missa e não gosto dos padres.”
Assim, sem dúvida diminui o poder da Igreja sobre a vida do povo comum. Como em todas as outras partes do mundo, aqui no Chile muitas pessoas, até mesmo clérigos, abandonam a Igreja. E essa tendência não mostra sinal algum de diminuir. Deveras, espera-se que aumente.
Todavia, ao mesmo tempo, a obra educativa bíblica que as testemunhas de Jeová fazem aumenta no Chile, como em toda a terra. Em resultado disso, os chilenos, aos milhares, aprendem as verdades sobre os propósitos de Deus conforme contidos na Bíblia. Tais verdades os ajudam a compreender por que há tanta dificuldade no mundo e por que as igrejas se acham em crescentes aflições. Também aprendem que Deus garante uma nova ordem de justiça, que logo virá, livre das dificuldades atuais. — 2 Ped. 3:13; Rev. 21:4.
Por ser não política a obra das testemunhas de Jeová e por ajudar as pessoas em sua vida diária, bem como por lhes dar conforto e esperança para o futuro, sua obra prospera sem obstáculos atualmente. Em uma área de Santiago, os pobres tomaram certas seções e não permitiam que ninguém entrasse sem sua permissão. Mantinham guardas dia e noite em torno dessa área. Todavia, uma pessoa disse: “As testemunhas de Jeová podem entrar e falar com as pessoas sobre a Bíblia porque procuram ajudar as pessoas a obter conforto.”
Acha Respostas Para Perguntas
Milhares de chilenos, nos anos recentes, tiveram a satisfação oriunda de se conhecer realmente o que a Bíblia, a Palavra de Deus, ensina. Por exemplo, escreve um senhor de Punta Arenas:
“Eu era um católico muito ativo e mantinha íntima associação com os jesuítas, sob os quais estudava. Sob seus auspícios, fundei os Escoteiros em Concepción. Também participava da Legião dos Operários Católicos ali, aprendendo a empenhar-me em debates religiosos com os protestantes. Durante quinze anos, fui instrutor da banda das escolas paroquiais de San Jose e San Juan Bosco, escolas dirigidas pela Ordem dos Salesianos.
“Todavia, havia muitas coisas que eu não conseguia entender, apesar de todo esse treinamento nos assuntos eclesiásticos. Exemplificando: nas conversas particulares, costumava perguntar ao sacerdote que dirigia a escola de Don Bosco sobre a lógica da doutrina da trindade. Sua resposta sempre era a mesma. Dizia: ‘É católico?’ Eu respondia: ‘Sou.’ ‘Tem fé?’ — perguntava ele. ‘Tenho’, respondia eu. Em seguida, ele declarava: ‘Então deixe as coisas como estão, porque isto é um mistério que nem sequer nós compreendemos.’
“Quando minha esposa começou a estudar a Bíblia com as testemunhas de Jeová, discuti com ela que aquilo que ela aprendia estava errado. Mas, ela me podia mostrar na própria Bíblia aquilo que aprendia. Compreendi que aquilo que ela dizia era realmente o que a Bíblia ensinava. Assim, comecei a estudar para descobrir mais coisas por mim mesmo. Com o tempo, aprendi as verdades contidas na Bíblia e abandonei a Igreja Católica.
“Mais tarde, o sacerdote de Don Bosco me chamou a seu gabinete. Desejava saber por que um membro tão proeminente e útil de seu ‘rebanho’ havia deixado o mesmo. Eu lhe disse que, ao passo que me sentia grato por ter aprendido coisas tais como ler e escrever e apresentar espetáculos dramáticos, todavia, quando se tratava de coisas espirituais, a Igreja nada me ensinara. Por outro lado, por causa de meus estudos bíblicos, eu agora sabia muita coisa sobre a Bíblia, inclusive que Deus não é três pessoas em uma só, e que Jesus Cristo não era Deus, mas fora criado por Deus.
“Nessa audiência, pensei comigo mesmo: ‘Se o sacerdote realmente estava interessado em mim, por que não me foi procurar, ao invés de me mandar chamar para ir vê-lo? As testemunhas de Jeová não fazem isso. Usaram seu tempo gratuitamente para ir visitar-me. Mas, então, é isso que a Bíblia diz que os verdadeiros cristãos deviam fazer. Agora, também sou grato pelo privilégio de conhecer a verdade e poder ajudar outros a compreender o que eu aprendi da Palavra de Deus”
Desgostoso com Práticas
As experiências de outro senhor são semelhantes às de muitas pessoas no Chile. Ele escreve de Valparaíso:
“Fui batizado e criado como participante ativo dos sacramentos da Igreja Católica e educado no Colégio católico de San Vincente de Paul. Também, com treze anos, era o mais adiantado dum grupo de doze que estavam sendo treinados na Igreja dos Doze Apóstolos, em preparação para sermos enviados para receber treinamento como sacerdotes jesuítas.
“Mas, abandonei todo esse treinamento. Por quê? Um motivo foi por causa das práticas vergonhosas que testemunhei. É preciso que a pessoa estivesse ali para realmente compreender. Certo sacerdote, por exemplo, participava em orgias na capela com os jovens. Outro, um sacerdote jesuíta, cometia abusos lascivos contra as crianças em troca de gravuras de ‘santos’.
“Também ficava desiludido quando confessava um pecado grave e ouvia então o sacerdote-confessor dizer: ‘Não se preocupe, meu filho.’ Todavia, quando, por um acaso, um sacerdote me pegou lendo a Bíblia católica de Torres Amat, ficou furioso, considerando um escândalo que eu lesse a Bíblia!
“Também observava diariamente o luxo comparativo em que vivia o clero, tendo bastante alimento bom, vinho e cigarros, enquanto o povo comum tinha tão pouco.
“Estas, e outras coisas, fizeram-me repudiar uma religião que tolerava tais coisas da parte de seus líderes. Também tornou muito mais fácil que eu aceitasse a verdadeira religião que é ensinada na Bíblia.”
Experiência Duma Freira
Entre as pessoas que deixaram a vida religiosa da Igreja no Chile há uma freira, que conta a sua experiência:
“Visto que eu achava o mundo tão cheio de hipocrisia e de falsidade, busquei refúgio espiritual no convento. Ali, segundo pensava, poderia servir a Deus sem reservas e sem sentir a hipocrisia e a falsidade.
“Assim, entrei no convento e permaneci ali por um total de sete anos, cinco na Argentina e dois no Chile. Mas, será que encontrei ali uma atmosfera de amor, um espírito de auto-sacrifício ou de genuíno interesse em se adorar a Deus e ajudar o próximo?
“Deixem-me contar-lhes o que ensinavam a todas as freiras que entravam no convento. O ensino que recebia mais ênfase era ‘a santíssima trindade’. Depois disso vinha a adoração dos santos e os superiores da Igreja. Os superiores exigiam a obediência total. Isto, com efeito, equivalia a idolatria, porque, segundo eles, Deus os colocara em suas posições e, por conseguinte, todos tinham de prestar-lhes obediência inquestionável.
“Como conseguiram isto? Pelos votos que se exigia que as freiras fizessem. Um voto era o de obediência, por meio da qual os superiores eram adorados. A obediência que exigiam chegava a tal extremo que tínhamos de nos curvar perante eles, sem jamais questionar o que faziam.
“Os superiores falavam constantemente da caridade e da humildade, mas era sempre conselho para os outros — jamais faziam aquilo que exigiam dos outros. Entre eles, sempre existia um espírito de inveja e o desejo de progredir a posições e títulos mais elevados. Depois de obterem tal promoção, tentavam convencer os outros de que tais posições lhes foram concedidas por Deus e, por conseguinte, lhes devia ser prestada ainda maior obediência e devoção. Assim, tornavam-se poderosíssimos.
“O que dizer das outras freiras com as quais eu trabalhava? Por que foram para o convento? Foi por causa de sua fé e seu amor a Deus? Naturalmente, algumas tinham esse motivo, mas a maioria entrara por causa de necessidades materiais — a fim de ter um lar, roupa e alimento. O espírito de amor e de cooperação não existia. Amiúde faziam coisas para ferir as outras num manifesto espírito de hipocrisia.
“Bem, então, será que pelo menos vim a entender a Bíblia? Não, porque nos foi dito que apenas aquele que rezava a Missa podia ter uma Bíblia e que era um pecado o restante de nós a lermos. Jamais fomos ensinadas a arrazoar sobre coisas espirituais ou a aplicar os ensinos da Bíblia em nossas vidas.
“Após sete anos de vida dessa forma, deixei o convento. Sentia-me enganada e desiludida de ver as injustiças e a falsidade ali. Certamente não era um refúgio espiritual. Mas, embora perdesse a fé na Igreja e em seus representantes, jamais perdi a fé em Deus. Quanta felicidade senti, então, quando comecei mais tarde a ler a própria Bíblia com a ajuda das testemunhas de Jeová. Verifiquei que ela era tão razoável, tão diferente, tão verdadeira! Agora não sou mais escrava de um hipócrita sistema religioso. Ao invés, obtenho grande satisfação em servir a um Deus amoroso e que tem um propósito, Jeová.”
Multiplique estas experiências por muitas vezes e começará a ter um quadro do que ocorre hoje no Chile. Há duas correntes, ou tendências: as religiões da cristandade se acham em grandes dificuldades e em declínio; ao passo que há um deslanche da verdadeira religião conforme revelada na própria Palavra de Deus, a Bíblia. Mas, é isso que a profecia bíblica disse que aconteceria antes que este sistema perverso de coisas chegasse a seu fim. — Isa. 2:2, 3.
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Assíria — império militaristaDespertai! — 1972 | 22 de dezembro
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“A Tua Palavra É a Verdade”
Assíria — império militarista
NO MUNDO, atualmente, o militarismo ocupa um lugar de destaque. A alegação geral é que a segurança nacional depende da potência militar. Enormes somas de dinheiro são gastas para a manutenção de forças militares e armas. Às vezes, até as rédeas de governo se acham nas mãos dos militares.
O militarismo, por certo, não é nada novo. Dentre os impérios que dominaram amplamente nos tempos antigos, a Assíria se destaca de forma proeminente como império militarista. Havia um tempo em que o nome “Assíria” causava terror nos corações dos homens. Cidades, reinos e nações caíam diante dos seus exércitos em marcha. No oitavo século A. E. C., o monarca assírio, Senaqueribe, por meio de seu porta-voz, Rabsaqué, se jactava: “Livraram deveras os deuses das nações cada um a sua própria terra da mão do rei da Assíria?” — 2 Reis 18:33.
Cruel, deveras, era o tratamento que os assírios davam a seus presos de guerra. Alguns eram queimados ou esfolados vivos. Outros eram empalados sobre estacas pontiagudas que atravessavam seus abdomens, atingindo sua cavidade torácica. Ainda outros eram cegados ou se lhes cortavam os narizes, as orelhas e os dedos. Amiúde, os presos eram conduzidos por cordas que eram presas a ganchos que lhes atravessavam o nariz ou os lábios.
O conhecimento de como os assírios lidavam com os que opunham feroz resistência sem dúvida lhes dava uma vantagem
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