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O Papa na ONU — proclamador de esperança?A Sentinela — 1980 | 1.° de abril
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efeito seus plenos direitos debaixo de qualquer regime ou sistema político.” Mas, deu a própria Igreja um exemplo de defender a liberdade religiosa para todos?
Salientando outra premente necessidade humana, João Paulo II repetiu as palavras do Papa Paulo VI dirigidas à Assembléia Geral da ONU uns 14 anos antes: “Não haja mais guerra. Nunca mais a guerra.” Certamente é necessário acabar com a guerra e os preparativos para a guerra! Novamente, que espécie de exemplo tem dado a Igreja Católica neste sentido?
Apenas poucos dias antes de o papa se dirigir à ONU, durante a visita à Irlanda, ele disse aos católicos: “Rogo-vos de joelhos que vos desvieis das veredas da violência e que retorneis aos caminhos da paz. . . . Mais violência na Irlanda só trará a ruína ao país que professais amar e cujos valores professais prezar.”
Pode-se esperar que a visita de João Paulo à Irlanda e aos Estados Unidos ajude a solucionar os problemas com que a humanidade se confronta? Será que a Igreja que ele representa deu exemplo em satisfazer as necessidades humanas identificadas pelo papa? A julgar pelos milhões que vieram vê-lo e ouvi-lo, parece que muitos o encaram como proclamador de esperança. Será que ele o é? Que os fatos respondam.
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Praticará a igreja o que o papa pregou?A Sentinela — 1980 | 1.° de abril
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Praticará a igreja o que o papa pregou?
COMO reagiram os católicos irlandeses ao apelo do papa para acabarem com os 10 anos de violência, em que foram mortas umas 2.000 pessoas?
Do mesmo modo como reagiram aos mais de 30 apelos do Papa Paulo VI à paz na Irlanda. Rejeitaram-no! “Acreditamos, com toda consciência”, respondeu o católico Exército Republicano Irlandês, “que a força é o único modo de afastar o demônio da presença britânica na Irlanda”.
Os católicos irlandeses, na Irlanda do Norte, acreditam que estão sendo oprimidos pela maioria protestante. Portanto, ao rejeita: em o apelo do papa, os católicos citam a doutrina de sua Igreja, de que se pode recorrer à violência para obter justiça.a Encontram os católicos irlandeses algum precedente para travar a chamada “guerra justa”?
A IGREJA CATÓLICA E A GUERRA
O Papa João Paulo II afirmou no seu discurso perante as Nações Unidas: “A Igreja Católica, em todo lugar na terra, proclama uma mensagem de paz, ora pela paz, educa para a paz.” Mas, o que revelam os fatos da história? O historiador católico . . .E. I. Watkin escreveu:
“Dolorosa como seja tal admissão, não podemos, nos interesses duma falsa edificação ou de lealdade desonesta, negar ou ignorar o fato histórico de que os bispos apoiaram coerentemente todas as guerras travadas pelo governo de seu país. Não conheço, efetivamente, um único caso em que uma hierarquia nacional tenha condenado qualquer guerra como sendo injusta . . . Qualquer que seja a teoria oficial, na prática, ‘meu país está sempre certo’ tem sido a máxima seguida no tempo de guerra pelos bispos católicos. Falando em outras ocasiões no nome de Cristo, quando se trata de nacionalismo beligerante, têm falado como o porta-voz de César.” — Morals and Missiles, editado por Charles S. Thompson, pp. 57, 58.
Sim, muitos católicos irlandeses estão fazendo o que os católicos têm feito durante os conflitos passados. Estão lutando. “Mas a Igreja não aprova isso”, talvez objete alguém. “O papa exortou-os a se ‘desviarem das veredas da violência’.” Mas, será que o papa, ou a hierarquia católica, irlandesa, local, mostraram que eles realmente condenam a luta na Irlanda? Será que excomungaram os católicos que continuaram nas suas atividades assassinas? Não, porque tais pessoas ainda são católicos bem conceituados! Naturalmente, o mesmo se dá com os terroristas protestantes.
De maneira similar, durante a Segunda Guerra Mundial, o papa negou-se a excomungar líderes católicos tais como Adolfo Hitler e Hermann Göring, ou os milhões de membros da Igreja nos exércitos deles. É um fato bem conhecido da história que a Igreja Católica na Alemanha abençoou o esforço de guerra
nazista, conforme mostram os recortes de jornais reproduzidos aqui.
Por que houve um apoio quase total dos católicos alemães ao esforço de guerra nazista? O erudito e educador católico Gordon Zahn explica o motivo, declarando: “O católico alemão que procurava da parte de seus superiores religiosos uma orientação e direção espiritual com respeito ao serviço nas guerras de Hitler recebeu virtualmente as mesmas respostas que teria recebido do próprio governante nazista.”
No entanto, o papa apregoou nas Nações Unidas: “Não haja mais guerra. Nunca mais a guerra.” Belas palavras — palavras adaptadas da Bíblia! (Isa. 2:4) Mas quão vazias parecem quando vem do chefe duma Igreja cujos membros têm constantemente apoiado as guerras de seus respectivos países, com a aprovação e a bênção de seus líderes!
A CONCESSÃO DA LIBERDADE RELIGIOSA
O Papa João Paulo II fez um eloqüente apelo perante as Nações Unidas para que se concedesse às pessoas em toda a parte “plenos direitos debaixo de qualquer regime ou sistema político”. Mas, aderiu a Igreja Católica ao proceder instado pelo papa para os estados políticos do mundo?
A contínua perseguição de muitos não-católicos em países de dominação católica, tais como a Argentina, responde que não. De fato, durante a década de 1960, o Cardeal Arriba y Castro afirmou: “Temos de lembrar-nos de que só a Igreja Católica tem o direito de pregar o evangelho. O proselitismo num estado católico e mau e tem de
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